Bem vindos à minha fábrica de sonhos!
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mistérios do Oceano!

Pois bem! Já virou costume do blog essas explicações "pós-planeta" acompanhadas de ilustrações, então não vou perder o hábito de postar uns rascunhos meus com algumas notas a respeito de personagens, lugares, monstros ou qualquer coisa que tiver recebido um destaque especial nos últimos capítulos de Space Oddity. Estas postagens especiais sempre virão após a derrota de um Arquiduque ou a fuga de um planeta, o que geralmente dura 2 ou 3 capítulos, então fiquem de olho da próxima vez!


Okay, temos aqui uma base do que você vai encontrar no oceano infinito de Nammamane. Acima, à esquerda você tem a doce baleia-arraia Stingrevel, logo ao lado dela temos um esboço de como seriam as torres da cidade sagrada de Punyapuri, construída em forma de alvo no centro da capital Muttu. Abaixo, à direita temos uma Prani (besta alada) toda assanhada e arregaçada, uma gracinha, e ao lado dela, a doce e saudosa Rajakumari, que os deuses a tenham. Eu estava tão sensível quando escrevi este capítulo que a morte da pequena Princesa de Muttu me deixou com um peso enorme na consciência, muito triste.



É a primeira vez que desenho um Arquiduque! Esse aí é o casca-grossa Aib'Paguru, o homem-caranguejo conquistador de mundos e rei do mercado de exportação de escravos, conhecido no universo inteiro. Adorei desenhá-lo, ficou bem diferente das coisas que costumo desenhar e de certo modo foi um desafio fazê-lo parecer uma coisa coerente. Embaixo dele vemos o lombo de Mãe Dirgha, a deusa serpente que eu iria desenhar mas acabei ficando com preguiça. Aib'Paguru já foi a criatura mais baixa e cruel que o universo conheceu, mas após uma espécie de epifanía decidiu que queria se aposentar da vida de conquistador e fundar Muttu para viver em PAZ/ livre dos problemas. Ele não contou toda a história do porquê dessa decisão para o Apocalipse Club, mas vocês não vão demorar a descobrir os porquês avassaladores que permeiam S.O.

~


domingo, 15 de abril de 2012

Feliz Dia do Desenhista!


Não sou lá aquilo que possa se chamar de "desenhista", meus traços são amadores e rústicos, mesmo assim eu me arrisco vez ou outra em alguma coisinha aqui e ali. Já me considerei desenhista quando era mais novinho, e depois que vi o que é um desenhista de verdade (a.k.a Igor Conrado) percebi que esse tempo inteiro eu só brinquei de desenhar G_G que aliás é uma coisa que eu adoro com todas as forças do meu coração, apesar de ser algo que faço muito raramente hoje em dia ^^.


Aí em cima vocês veem uma obra sem nome, de minha autoria. Só mais um esboço sem noção de alguma coisa que vive em um dos milhares de mundos que criei, é um dos meus favoritos e realmente não sei porque ainda não tinha postado no blog /oh. Parabéns a todos vocês, verdadeiros desenhistas que amam o que fazem. Vocês talentosos por natureza - ou que desenvolveram o talento com o tempo - merecem, por tornarem nosso mundo mais bonito!



xoxo, Antonio




quinta-feira, 22 de março de 2012

Baleia, Lobo ou Girino? - O Vigia



Hey, pessoal! Tudo bom com meus leitores favoritos? Espero que estejam acompanhando S.O. toda semana, porque essa série promete! Agora que nossos heróis estão soltos na Via-Láctea, vai ser ação do começo ao fim! Fora as postagens com os capítulos da história, venho me sentindo cada vez mais afastado e desleixado com o blog, talvez por falta de incentivo ou mesmo por falta de leitores (e também por falta de criatividade, já não sei mais o que postar quando não estou postando capítulos novos ._.). Então, dando uma olhada nos nossos arquivos percebi que toda crônica sequencial que publico por aqui vem acompanhada de pequenos textos explicando um pouco mais sobre personagens, lugares, enredo e afins em postagens separadas, notei também que Space Oddity não possui isso, esses "comentários do autor"!

Eu escrevo capítulos enormes e simplesmente os jogo na página sem dar uma única explicação sobre o que está se passando para quem pegou o bonde andando ou mesmo pra quem não está entendendo direito (eu meio que fiz isso nos post com o esboço de Hikikomori, pensando melhor agora). Por isso resolvi começar agora, um pouco tardiamente, a explicar um pouco mais sobre Space Oddity, aprofundar vocês neste universo novo!

Vamos retomar os bons e velhos costumes a partir de hoje e começar falando sobre uma criatura misteriosa que povoou o imaginário dos leitores durante dois capítulos inteiros atiçando a curiosidade dos mais aficcionados e surpreendendo a todos em sua primeira (e última ;-;) aparição: O Vigia!

Antes de ser decidido que tipo de criatura ele seria eu já havia imaginado as origens das luzes que antecediam a sua chegada: seu organismo seria totalmente transparente. Couro, carne e ossos através dos quais a luz atravessasse como no vidro, e as reações químicas em seu interior produziriam luzes coloridas como nos peixes e águas-vivas que habitam o fundo do oceano, na escuridão total, exatamente como ele e sua raça viveram durante milhares de gerações até serem extintos por falta de alimento naquele planetinha morto: a escuridão das profundezas das cavernas.

O Vigia faz parte de uma raça ancestral chamada Leviathan, que parou no caminho evolutivo de lobo para cetáceo (sim, as baleias do nosso planeta descendem de lobos!). Eles prosperaram durante muitos ciclos naquele pequeno planeta solitário que orbita Antares há milênios sem ser notado pelos telescópios terrestres, sendo o Vigia o último da espécie. Com os oceanos do planetinha secando e o alimento do seu povo desaparecendo junto às águas - eles eram anfíbios que viviam em cavernas submarinas - eles se extinguiram aos poucos após tentativas falhas de se adaptar ao novo ambiente em que se encontravam. Por algum motivo, algumas gerações anteriores ao Vigia aprenderam a sobreviver longos períodos sem água e variaram o cardápio optando por coisas que já viviam nas profundezas dos túneis submersos junto a eles. Isso não foi o bastante, tanto que o único exemplar da espécie que foi encontrado vivo nas cavernas quando Aib'Koletis chegou trazendo sua horda de escravos de asas amarradas foi ele, o próprio. Sendo assim, ela o treinou para proteger a gaiolas onde a família real do povo Alado era mantida em cativeiro, e após o nascimento de o último Príncipe Alado, pelo qual ela se apaixonou, treinou-o para proteger a ele e somente a ele.

O fascinante monstro Vigia também possui uma defesa contra possíveis predadores (sim, existiam coisas maiores que ele nos oceanos do planetinha sem nome), trata-se do jato de ácido fluorescente, mas nem isso foi páreo para a determinação do Apocalipse Club em salvar a querida Ray Ann!

Fique atento para mais explicações sobre os próximos capítulos e até mais!

XOXO

Louie Mimieux

segunda-feira, 12 de março de 2012

Bruxa Espacial?



Fazia um tempo que eu não desenhava (desde aqueles esboços de arte conceitual para TBM), então resolvi esboçar a sensual Hikikomori, que para quem está acompanhando a série Space Oddity já é uma cara conhecida e com certeza, adorada =^.^= a primeira personagem que criei para a história e de todas a minha favorita, com certeza.


Hikikomori é uma espécie de "bruxa" alienígena pertencente a uma raça chamada Sybila, elas crescem feito monges em luas distantes e planetas desertos, onde são treinadas dia após dia por sacerdotisas. Elas são criadas como monges, longe da civilização e repletas de privações, tudo isso para que aprendam a conhecer o universo e fazer parte dele física e espiritualmente, logo, elas aprendem alguns truques como manipular a matéria, projeção astral e rastreamento (elas conhecem cada pedaço do universo como a palma da própria mão sem jamais terem os visitado), é como se o universo se tornasse uma extensão do corpo delas após o ritual de maturidade Sybila. Entre outros motivos, este foi o principal incentivo para o Império caçar esta raça até o último indivíduo, visando tê-las a serviço da conquista dos sistemas estelares mais distantes...


É claro que isso não aconteceu, e todas as que foram aprisionadas preferiram a morte do que ceder à opressão. Exceto Hikikomori, que assumiu o legado de sua mãe e se tornou uma Arquiduquesa após a morte desta.



Enfim, puro amor apenas ♡

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

The Big Machine Keeps Rolling On! - Arte Conceitual: Esboços & Mais

Enfim, chegamos ao final deste especial, que incluiu uma série de postagens sobre música, cinema, moda, HQ, Mangá e afins, além de um post exclusivo sobre o surgimento da ideia, os envolvidos no "projeto" e a matriz de The Big Machine! Abaixo você confere a última parte do Especial de Aniversário de 3 anos da principal série deste blog (o que é meio estranho, já que a primeira série que estreou nas páginas de The Fatcat House foi Draconius Nefastus, que ganhou até uma segunda parte esse ano), já que cancelei a postagem que conteria os spin-offs porque estou trabalhando atualmente numa série nova, como vocês podem perceber. Bom, espero que tenham gostado porque dei muito duro por isso e dei o meu máximo para que as publicações mantessem uma qualidade regular e não tivessem um espaço de tempo muito longo entre elas. É isso, enjoy it!

Estes são os esboços da Planária 3XD, o meio de transporte oficial do Apocalipse Club desde o primeiro The Big Machine. Ela aparece em cores e modelos diferentes ao longo dos três episódios da saga mas não deixa de ter o mesmo design aerodinâmico inspirado na estrutura física deste tipo curioso de Platelminto. Pra quem não se lembra da primeira aparição do veículo, aqui vai um refresco para a memória: logo nos primeiros capítulos, quando o Pietro do futuro leva Christopher e Pietro do passado para a sua época, eles são atacados no moinho de vendo voador por uma Célula gigantesca e enferrujada, Saturno Revenge e Fábia Paola aparecem montados na perigosa Planária pela primeira vez para resgatá-los!




Eis aqui a tal Célula, mas não a que atacou nossos heróis viajantes do tempo. Este aqui é um modelo comum de patrulhamento fabricado para compor exércitos e ficar nas ruas, mas existem outros tipos de Células construídas para cada tipo de trabalho. São chamadas assim porque juntas compoem o organismo de The Big Machine, e foram todas feitas à imagem de sua mestra, sua criadora: Carminha Parafuso :D



Este foi o robô-besouro gigante que atacou a escola no dia em que o mundo parou. Pietro Heinrich veio do futuro para avisar o jovem Apocalipse Club da desgraça que estava prestes a acontecer, mas foi seguido através da linha do tempo por essa coisa que pôs parte do Centro de Ensino Cyclone abaixo, praticamente estuprando a escola por dentro, já que ele surgiu no banheiro assim como a sua presa. Ele possui os mesmos sapatinhos bicudos da Célula, percebem?! :D



Um dos primeiros robôs que criei: os Cefalópodes são espiões equipados com mini-metralhadoras internas e raios lasers, além de cabos USB flutuantes que podem se infiltrar em qualquer sistema e coletar informações preciosas. Fazem a guarda do interior da torre de The Big Machine também, são uma espécie de faz-tudo da Carminha e compõem um exército gigantesco. Eles aparecem em Reboot também!


Isso é um esboço incompleto da base da torre de The Big Machine, lutei durante uma semana inteira tentando desenhar estas malditas engrenagens e nunca acertava fazer esta porcaria, mas no final deu tudo certo. A torre de controle universal foi construída no exato lugar onde os robôs enviados do futuro por Carminha destruíram a escola, de modo que as ruínas do colégio ainda estão lá embaixo, pelo menos o andar térreo está praticamente intacto, o Apocalipse Club até o usa como porta de entrada para o interior da "CPU" do Mundo...






E então começamos a invadir o universo de The Big Machine 2... se bem que o segundo episódio da saga não se passa em um universo diferente, mas sim no futuro deste. No futuro em que Carminha não interferiu para se tornar imperatriz. Esta que vocês veem aí em cima é a cowgirl idosa lésbica e louca dona de uma empresa de alimentícios que detesta essa história de comunhão homem + máquina e vota por uma supremacia humana sobre os robôs. Acontece que ela é totalmente contra o fato de o mundo ser controlado por um supercomputador que calcula e faz tudo pelo homem, inclusive projetou uma cidade totalmente futurística e auto-sustentável para fazer florescer a raça humana outra vez. Este computador é...



A ESFERA! (não me perguntem o porquê do nome, nem eu até hoje inventei um significado para ele). Este supercomputador é a junção de um cérebro eletrônico e um cérebro humano, ou seja: a existência perfeita, isenta de falhas e erros, algo extremamente poderoso. Seu lado humano é ninguém mais ninguém menos que Donnick Wolfgang Hills (nunca havia escrito o nome dele completo), ou simplesmente Don Hills, irmão/primo de Ray Ann na história (e na vida real também, a inspiração para o personagem foi Rildon, meu amigo s2). Este supercérebro sozinho conseguiu projetar Neon City, o berço perfeito para que a humanidade pudesse nascer outra vez após o colapso que pôs fim ao sistema falho da sociedade capitalista e consequentemente causou uma anarquia total. Interessante, não?!



Como todo bom vilão, Alberta Veronese também tem seus capangas. Este é Cabeça de Touro, um enorme minotauro-robô que com a ajuda de seu comparsa (logo abaixo) capturam Maxine, Gabrielle e Fernando - bisbilhoteiros netos de Christopher, Pietro e Ray Ann - e os levam diretamente para sua mestra, em The Big Machine 2. Quando não está executando o serviço sujo da vaqueira sapatão pirada, perambula pelo supermercado mugindo e divertindo as crianças como um simples brinquedo animatrônico de beira de estrada.




Cara de Cavalo é a "metade da laranja" do Cabeça de Touro, juntos são uma dupla dinâmica a serviço do mal, com potência e força inigualáveis. Para ser sincero, eles nem são tão importantes assim, têm uma curta aparição na saga se restrigindo a um pedacinho de um capítulo decisivo de The Big Machine 2, mas achei interessante representá-los e colocá-los aqui principalmente, por serem inspirados num mito chinês de dois demônios com aparência física e nomes semelhantes a eles, baseados nos quais me inspirei para criar estes dois robôs. Como seu parceiro, quando não está trabalhando para Alberta, banca o brinquedo animatrônico colocando criancinhas no colo.



Chegamos em "The Big Machine 3 - Apocalipse"! Este é o Mapinguari, um robô gigantesco com 15 andares de altura projetado pelo governo internacional com propósito exclusivo de destruição total em caso de guerra contra quem quer que fosse. Estava em fase experimental numa base secreta do exército no extremo-norte do estado até Alberta Veronese, vinda do futuro exclusivamente para acabar com a raça Apocalíptica (até então no corpo de uma boneca maligna graças ao implante de um cérebro artificial contendo suas memórias no tal brinquedo) hackear os computadores das Forças Armadas e assumir o controle da engenhoca de seus "filhotinhos", um exército de oito mil gorilas de metal do tamanho de tanques de guerra vietnamitas!



Este é um modelo primordial dos D.K. (Donkey Kongs, literalmente, já que assim foram batizados pelos sobreviventes à catástrofe que sitiou todo o até então Estado do Amapá), raça de robôs construída para acompanhar o gigantesco Mapinguari em sua marcha do caos que destruiria tudo e qualquer coisa que se metesse no seu caminho. Ao todo são oito mil, e vêm equipados com canhões lasers, lança-míssil e muito mais, podem ter o tamanho de um tanque de guerra ou de um carro popular, mas isto não é documento para o tamanho da sua força destrutiva.




Este é o esboço do modelo de uma armadura ultra-tecnológica usada pelos Apocalípticos no resgate dos prisioneiros isolados em campos de concentração onde as pessoas eram hipnotizadas para se tornarem zumbis à serviço da conquista de Alberta Veronese. Posteriormente foram descritas de forma muito diferente por mim no capítulo em que aparecem, mas a aparência original delas é esta que vocês estão vendo mesmo =^.^= nossos heróis tiveram de se deslocar entre as linhas paralelas do tempo para atingirem o futuro alternativo de The Big Machine 1, onde Saturno Revenge comanda a rebelião e possui poder bélico suficiente para ajudá-los a derrotar Alberta. Esta armadura faz parte da frota de robôs deles!



~



ESPERO QUE TENHAM GOSTADO!


=^.^=



domingo, 4 de dezembro de 2011

Goddess

Abaixo, uma obra feita por mim, colorida e editada digitalmente por um grande amigo, Pablo Felipe, que adorou e resolveu dar o seu toque especial. Chamei o desenho de "Goddess", apesar de ser a representação de uma entidade mística andrógina. Nela há a presença do masculino e do feminino misturados num único ser, eu ando muito influenciado por aquelas teorias conspiratórias de que os deuses são alienígenas, então meio que representei uma deidade hindu segurando os planetas e rodeada por pequenas pirâmides flutuantes (que loucura não?). Sim, eu sei que pirâmides são do Egito, e sim, eu sei que esse é o meu rosto e esse é o meu corte de cabelo. Acontece que eu gosto de me representar como algo superior, algo espacial, algo divino, gosto de achar que sou alguma entidade mitológica encarnada. Simplesmente gosto. Apenas isso.









Mimieux/Fernandes :)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Coração de Coelho



Era uma vez um coelhinho chamado Lapin.


Lapin tinha as orelhas muito compridas, tão compridas que se esparramavam pelo chão, era também muito maior do que um coelho normal, de modo que logo na infância seus pais desconfiaram da procedência do pequeno Lapin, acreditando que ele havia sido posto na toca no meio da noite por alguma mamãe lebre desalmada. Mas o tempo foi passando, Lapin foi crescendo e a semelhança com seu pais foi aparecendo, estes o amavam de todo o coração: ele era o filho mais velho, e de todos os coelhinhos que haviam nascido ele era o mais inteligente, nas horas mortas da madrugada e nos finais de tarde fúcsia Lapin costumava contar belas histórias para todos aqueles que se dispunham a ouvir, com a lua crescente sempre reluzindo num céu que não era noite e nem dia, com os filetes de nuvem se desfazendo no azul pastoso, quase sólido de um anoitecer/amanhecer.


Certo dia, Lapin encontrou em seu caminho na floresta uma enorme flor vermelha, e colocou-a na orelha. Aquilo era amor, e o amor o contaminou e o deixou doente, fraco de corpo e de espírito. Como uma nênia, o amor perfurou sua carne e encontrou seu coração, enroscou seus cipós atrás das coestelas e fincou raízes lá, não quis sair de jeito algum!


Todos os dias, perto do pôr do sol e antes do seu nascer, Lapin saía para passear e contar histórias aos outros animais da floresta, e todos elogiavam à bela flor que enfeitava o alto da sua orelha esquerda, e sempre perguntavam-se porque ela nunca murchava. Uns diziam que a flor era colhida por Lapin todos dias antes de sair de casa, de modo que todos os dias uma flor diferente enfeitava sua cabeça, outros diziam que a flor possuía poderes mágicos, os quais ela transferia à Lapin enquanto ele dormia, e este era o motivo de o pequeno coelho das fofas orelhas esparramadas sair de casa somente às horas mortas.


Mal eles sabiam que o riso e a doçura de Lapin escondiam lágrimas dolorosas que não conseguiam atravessar seus grandes olhos negros cintilantes, porque o amor o estava destruindo aos poucos e tirando toda a sua capacidade de sentir, de chorar, de viver. Ele estava se destruindo aos poucos. Algo havia de ser feito por ele, já que seus pais e amigos pareciam nada perceber, totalmente alheios ao que estava acontecendo.


Foi então que num final de tarde, enquanto a lua crescente brilhava no céu e algumas estrelas tímidas despontavam no horizonte, Lapin deitou-se na grama verdinha, pegou um pequeno punha de cristal e abriu seu peito. Encontrou um coração pequeno, que batia rápido e com força, lutando contra os tentáculos insistentes do amor que teimavam em sugar sua energia vital, sua vontade de viver. Lapin estava decidido a mudar de vida, a largar tudo, a desistir de tudo para ser feliz de verdade, então enfiou sua patinha entre as costelas e puxou de lá seu esquizofrênico e enfraquecido coração.


Na mesma hora, o amor murchou. Seus tentáculos recuaram e a flor despetalou-se. Suas pétalas viraram o sangue, que Lapin juntou dentro de copos-de-leite, e em seguida o pequeno coelho usou suas patinhas para cavar uma cova rasa, onde plantou seu pequeno coração e o enterrou fundo na terra. Usando o sangue que fora as pétalas do amor, Lapin regou a semente do seu coração, e assim que a primeira gota atingiu a sementinha, uma enorme árvore de grosso tronco escuro e flores vermelhas como o sangue que havia dado vida à ela despontou do gramado, esticando seus galhos imponentes em todas as direções, alcançando proporções gigantescas, crescendo tão alta, mas tão alta que alcançou o céu em questão de segundos!


Lapin fechou seu peito vazio com delicadeza e usando sua forcinha de coelho: escalou a árvore aos poucos, com muito cuidado para não cair lá de cima, afinal coelhos não sobem em árvores!


Os animaizinhos da floresta observaram àquilo muito assustados, a coruja arregalou seus olhos mais do que o usual, e o veado levantou a cabeça o mais alto que pôde, os pássaros tiveram a ousadia de pousar na árvore de sangue para ver a cena de perto, e as perdizes observaram tudo de trás das moitas. Esquilos, texugos e guaxinins olhavam para o pobre Lapin com desprezo: Coelho Sonhador! Bah! Onde ele pensa que vai chegar com isso?


Quando deram por si, Lapin estava no último galho, bem lá no alto, longe de tudos e todos, a floresta já estava escura e a noite havia banhado tudo com seu grosso manto de escuridão. As estrelas e a lua abençoavam as trevas calmas que haviam caído sobre o bosque, e piscavam para o pequeno Lapin, prestes a dar o maior salto de toda a sua vida.


Usando sua forcinha de coelho pela última vez, Lapin se impulsionou em suas patas traseiras e lançou-se em direção à lua. Ela estava tão próxima que o pulo não durou nadinha: logo ele estava lá, rolando de uma lado para o outro num solo de algodão, se divertindo à beça, longe de todas as suas preocupações, de toda sua tristeza, de todo o seu rancor, longe do pior dos males: o amor.


E Lapin está lá até hoje, correndo a surperfície lunar de uma ponta a outra, sem nunca se cansar. E quando ele se cansa, cava tanto, mas tanto, que abre enormes crateras, as quais ele usa para se sentar e contemplar o planeta terra de longe.


Ele nunca sente saudades.


Bom, quase nunca.






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Antonio Fernandes/Louie Mimieux/Lapin Noir












sim, o desenho fui eu quem fiz

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mimieux Entrevista Especial: As Dellabóboras por Igor Conrado!

Todos aqui já conhecem a história de Afonsa, Karina, Kerbina e Cordélia, as quatro primas bruxas que começaram sua aventura no mundo literário em setembro de 2011, e estão ganhando um tímido reconhecimento regional, que aos poucos vai se tornando nacional. Todos já viram ilustrações delas feitas por mim, um amador que se arrisca em ilustrar seu próprio trabalho, mas e quando outra pessoa resolve entrar em cena e representá-las ao seu modo? E quando alguém surge para mostrar o seu ponto de vista?





Admirador do Rock Clássico, Igor Conrado já tocou numa banda e cursa atualmente Arquitetura e Urbanismo, e – acredite se quiser – nunca fez um único curso de desenho profissional! O máximo que chegou a fazer foi um breve curso via correspondência de “como desenhar”, se define como “um jovem com alma de velho, que gosta de complicar coisas simples e simplificar coisas difíceis”, amante da arte em geral, já trabalhou com confecção de arte sacra quando jovem e gosta de cozinhar massas! Trabalha atualmente como gerente e sócio de uma loja de informática, e seus planos para o futuro incluem cursar Design Gráfico e Artes Cênicas (porque esse garoto AMA dublar!), é amante da literatura fantástica assim como eu, e quando se trata de cinema não é diferente: adora ficção, suspense e terror.




Igor conheceu “As Dellabóboras” através do blog, se interessou pelas personagens e me pediu permissão para representá-las, o que ele executou com maestria e perfeição, para me apresentar o trabalho finalizado no dia do coquetel de lançamento do livro! Melhor presente eu jamais recebi! Ele é ou não é um gênio?!


~





sábado, 1 de outubro de 2011

Utopic Insight #12


Uma máquina de assassinato automático! Está precisando morrer um pouco? Não tem coragem de se matar? É só comprar a mais nova criação dos laboratórios de tecnologia avançada de Neon City: Jenny Killer, a Assassina Automática! Ela só precisa ser programada, e você estará mortinho da silva a hora em que bem entender!


Utopic Insight #11


Um belo dragão oriental cruzando o céu noturno. Não sei como surgiu, mas não teve nada a ver com a aula chata de Estética! :D



Utopic Insight #10


Uma borboleta bucetística com o universo em suas asas voando debaixo d'água sendo rodeada por peixinhos dourados. Tem coisa mais psicodélica? Isso sim resume totalmente o meu "Utopic Insight". Se há um mundo dentro de mim, ele é assim. Abaixo, uma frase tirada da canção "Numb" de Marina & The Diamonds. "Tudo com que me preocupo é ser o número 1".


Utopic Insight #9


Sou louco por veados. Eles são os animais mais nobres, elegantes e poderosos da natureza, ao mesmo tempo em que conseguem ser belos e delicados. Adoro principalmente as galhadas, acho lindo qualquer animal de chifre (menos vaca, porque os chifres da vaca são sem graça), corças, alces e toda essa vasta família... Algum engraçadinho (Anna Gabrielle) colocou um tracinho e o nome do Neto ali ao lado, estragou minha obra. --'



Utopic Insight #8


Precisa dizer alguma coisa? Um reflexo das saudades imensas que eu senti do Rio de Janeiro quando vim embora de lá, fiz esse desenho ouvindo a música cujo o nome está escrito ali embaixo do Pão de Açúcar. Ela também embalou meus passeios pelas ruas cariocas. Acho que o momento mais marcante de toda a viagem foi quando eu subi o teleférico até o topo. Foi indescritível, uma sensação desigual, talvez eu jamais vá me sentir tão poderoso outra vez...


Utopic Insight #7


Um bucetístico coração com asas envolto em espinhos coroado por fogo. É exatamente o que parece. Ia ser a capa de um livro de poesias escrito por uma conhecida minha, ela acabou meio que me "contratando" pro trabalho e eu aceitei mais por camaradagem mesmo...


Utopic Insight #6

Uma garça.

Isso aí, uma garça.

Inspirada pelas capas muito bem desenhadas e projetadas para o mangá xxxHolic, do grupo CLAMP.



Utopic Insight #5


O esboço de uma divindade da floresta, que na verdade era o layout de um figurino que eu usaria numa futura performance. A peruca seria platinada e os chifres de veado seriam feitos de galhos secos. Eu não sei exatamente o que esta criatura é, me veio à cabeça enquanto eu ouvia "Humanitarianism" da banda Zeigeist. Isto seria uma entidade baixa com força mínima, mas que tem controle sobre a vida de tudo o que a rodeia... Uma espécie de manifestação temporária da mãe natureza... Somente...


Utopic Insight #4


Eu apaixonadinho (ew.) no começo do ano, e inspirado pela canção "Activate My Heart" da cantora Natalia Kills (que eu prometo, logo estará aqui na sessão Cale a Boca e Escute), levado pelo embalo do comecinho de produção do conceito da série Reboot acabei desenhando esse robôzinho que não funciona muito bem do coração... O coração sempre dá defeito em todo mundo mais cedo ou mais tarde... Lembro que a Brena estava me passando um sermão nesse dia sobre "como todos nós passamos por desilusões amorosas na vida e que não é por isso que nada vai dar certo pra sempre etc." Aham, Cláudia.


Utopic Insight #3


Mais uma que vai para quem leu Yellow: este é o selo mágico que prendia o corpo físico do Rei dos Monstros em sua tumba no interior da Montanha Auriel. Desenhei até o sarcófago lá no centro. Inclusive este foi eleito o emblema oficial da Associação de Jovens Escritos Amapaenses que eu e o pessoal do NAAH/S montamos no começo do ano com a ajuda do Profº Meirelles, mas que anda meio parada ultimamente...


Utopic Insight #2


Quem leu Yellow/Oráculo das Feras, sabe muito bem do que se trata a ilustração acima: um mapa das cordilheiras para onde Frederico Mimieux e sua família foram enviados por um golpe do destino. De um lado, o mundo humano, do outro, um mundo falso criado por deuses, no meio deles um vazio enorme, e cortando o vazio: As Cordilheiras.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Utopic Inside #1

Digitalizei todos os desenhos que criei este ano dentro de sala de aula e os ordenei em uma cronologia de modo que formassem uma série: Utopic Insight trata-se do meu mundo interior, meu estado de espírito, minhas emoções e as formas que elas tomam quando se unem à caneta que está na minha mão. É uma fusão de conhecimento, prazer, dor e inspiração. Tudo junto e misturado. Às vezes, filmes que vi, livros que li ou músicas que ouvi acabam dando origem à uma arte aleatória surgida da unção ao meu estado de espírito. Este é o primeiro da série!


Esse está claramente inspirado em "Cisne Negro", desenhei ele no dia seguinte à madrugada em que eu o assisti, e esse filme mexeu tanto comigo que EU QUERIA SER A RAINHA CISNE. Enfim, passou-passou.