Bem vindos à minha fábrica de sonhos!
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Expectativas




Okay, o ano está acabando e está chegando a hora das considerações finais!


Caros leitores, não tenho palavras para expressar a ternura e a emoção que sinto quando recebo um comentário em qualquer uma das postagens (geralmente recebo uma a cada 2 ou 3 meses, risos), e esse ano foi muito importante para mim e para o blog: graças a publicação do livro, The Fatcat House recebeu muitas visitas e ganhou novos leitores, novos admiradores, novos amigos que estão sempre de olho esperando por novidades nestas páginas tão cheias de conteúdo mas tão solitárias. As visitas triplicaram e hoje estou perto de atingir as 30.000 ao longo desses quase três anos de blog. Eu sei que comparado a certos blogs de histórias e crônicas que estão por aí na rede isso é muito pouco, mas pra mim, nossa, significa bastante (embora eu saiba que mais de 70% dessas visitas advém de pessoas procurando coisas no Google Imagens), e já serve de gás pra inflar o meu ego de artista.


Sei que não sou o melhor escritor do mundo, e como desenhista então sou uma lástima, para os mais exigentes talvez meu trabalho seja rústico, rebuscado e infantil, algo que precise ser trabalhado ainda. Mas para mim está perfeito como está, e daqui há mais 10 ou 20 anos estará mais perfeito ainda, porque estou evoluindo no meu próprio ritmo a cada dia. Sim, isso é autoconfiança de autor mesmo, admito, mas se eu não achar meu trabalho bom, quem vai achar?! Meu público se limita a pouco menos de uma centena de pessoas que abriu seu coração sem compromisso algum para apenas curtir, viajar e se deliciar com as aventuras de Afonsa e suas primas no livro, do Apocalipse Club aqui no blog e de uma família inteira de personagens que povoa o meu imaginário e as páginas de The Fatcat House. Essas pessoas são muito especiais para mim, qualquer um que se disponha a ler um pouco das minhas histórias está se dispondo a ler um pouco de mim, a me conhecer melhor, pois cada uma dessas histórias tem um pouco de mim, um pouco da minha vida.


Não acredito realmente que meu público um dia vá crescer para se tornar algo a nível dos fãs de Rowling ou Meyer, admito que isso um dia já foi meu grande sonho: ser um escritor famoso, reconhecido mundialmente com uma horda de fãs loucos e fanáticos pelos personagens, pelas histórias, sonhava em ver spin-offs vazados e capítulos nunca antes lidos por ninguém caindo na net só pro deleite dos fãs mais assíduos... Mas hoje, hoje penso completamente diferente. Posso dizer com todas as letras e muito seguro de mim que cresci, e estou muito mais pé no chão do que comecei este ano de 2011, talvez todos os tijolos que deus jogou na minha cabeça serviram para controlar esse meu ímpeto louco de criar expectativas em cima das coisas o tempo inteiro, de ficar me iludindo achando que tudo vem de uma hora pra outra na vida da gente, como vemos nos filmes e na TV e nos livros.


Hoje já tenho uma boa noção de que sou mais um entre um milhão de escritores anônimos que estão espalhados por aí na internet, mais um entre vários autores que se auto-publicam e aos poucos vão ganhando um pequenino, apertado espaço em um mundo de poucos leitores e gigantes da literatura. Hoje, sinceramente, não acredito que meu público limitado vá crescer muito, passar de duas centenas ou três centenas, tenho noção de que posso passar a vida inteira no setor "underground" do mundo literário ao lado de outros milhares de companheiros, e não espero muito mais que isso, talvez espere até menos. Mas isso não me desanima, não me intimida, eu gosto de saber que meu público é seleto, é escolhido, é feito de pessoas especiais com algo especial que as fez abrir seu coração para o meu trabalho, para as minhas histórias, para deixar que eu e meus personagens queridos, meus filhos adorados, entremos em suas vidas. Não escrevo para me aparecer, e sim porque gosto, e é a única coisa que faço razoavelmente bem.


2011 foi um ano intenso e doloroso pra minha vida pessoal, financeira e profissional, passei e ainda estou passando por uma fase difícil (que está até amena pra falar a verdade), mas com a ajuda de família e amigos estou passando por isso muito bem. Tudo o que me aconteceu acabou me ensinando uma grande lição: não criar expectativas em cima de nada, absolutamente nada, não esperar nada da vida nem de ninguém, pelo simples fato de a vida não ter nada a oferecer se não experiência nela própria.


Não espere nada, não anseie por resultados positivos em provas, propostas de emprego, relacionamentos, projetos, investimentos, simplesmente não espere. Não anseie. Esperar, ansiar e acreditar cegamente em idealizações feitas por você são o caminho perfeito para a decepção total.


Afinal de contas, foi assim mesmo que me formei no Ensino Médio, sequer estudei pro vestibular e hoje estou na Federal. Parece um absurdo, mas é a mais pura verdade. Nunca mexi um dedo pra me esforçar na escola, sempre odiei cadernos e assuntos desinteressantes que nunca irei usar na vida. Nunca esperei passar em todas as matérias no final do ano, nunca ansiei por entrar na Federal quando prestei o ENEM em 2010, não esperava nada. Nem resultados positivos nem negativos, fazia por fazer, porque era uma convenção. E olhem para mim agora.


O segredo para viver bem e sem frustrações é exatamente esse.


Não espere.


Não anseie.


Não crie expectativas.


Apenas deixe acontecer.


E tenha uma boa passagem de ano (não vou desejar Feliz Ano Novo porque isso é uma bosta, é claro que você não vai ser feliz, pelo menos não a longo prazo!).


Que venha 2012, e que por favor, a porra do mundo acabe logo de uma vez.








Antonio Fernandes

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Marry The Night





Poucas vezes entendi tão bem o que um artista pretendeu passar com algum trabalho seu, tanto visual quanto musical (no caso, é visual e musical ao mesmo tempo o que temos em mãos), poucas vezes me identifiquei tanto com algum videoclipe, poucas vezes me senti tão tocado por alguma coisa que venha de qualquer artista. Principalmente estes que dominam o topo dos charts musicais com seu pop cheio de controvérsias.

Talvez eu me sinta assim por estar passando por um momento complicado da minha vida, momento pelo qual visivelmente Gaga também passou, de uma forma muito mais intensa, como vemos em seu novo vídeo, Marry The Night. Todo artista, em algum momento da sua carreira também já passou por isso, com certeza. Aquele momento em que você se sente um lixo, incompreendido, desvalorizado, inutilizado, um nada, momento precedido por tantas expectativas de um futuro brilhante, de sucesso e fama repentinos, de melhora na condição financeira. E aí a vida vem e lhe dá um tapa no meio da face, pra você aprender que não se deve ficar esperando muita coisa do futuro.

Stefani Joane Angelina Germanotta, antes de se tornar Lady Gaga também passou por tudo isso, um momento em que todos deixaram de acreditar nela, no potencial dela, onde ela se viu na lama, desamparada e sem ninguém, onde teve de juntar forças de si mesma para se recuperar sozinha. Posso dizer que só não estou neste mesmo momento porque tenho amigos e família para me dar apoio, e ela nem isso tinha. Mas isso não quer dizer que eu me sinta menos magoado pelo fracasso de vendas que meu livro está sendo, pela falta de valorização no meu trabalho. Eu me sinto tão demitido quanto Lady Gaga foi dispensada pela DefJam Records, gravadora qual eu tenho certeza, se arrepende muito hoje ao ver a coisa meteórica em que ela se transformou.

E aí eu fico me perguntando: será que um dia as pessoas desse lugar vão se arrepender de não terem me valorizado, de terem me ignorado quando me verem brilhando lá no topo mais do que nunca antes outra estrela brilhou? Será que ficarão tristes por não terem explorado meu potencial e aproveitado enquanto eu ainda estava aqui?

A parte do vídeo que mais me tocou foi, com certeza, a em que ela está sentada aos pés das outras bailarinas que estão de cabeça erguida enquanto ela tenta se levantar, tenta alcançá-las, tenta equiparar-se a elas, e sofre por não conseguir, por estar lá embaixo se esforçando ao máximo, sem progresso algum, sem resultados, sem sucesso. Eu me vi ali, me enxerguei muito ali, e isso me doeu bastante, aqui fundo. Como eu disse a um amigo: "é triste, muito triste você ver todo mundo se dando bem enquanto você tá ali na merda vendo a vida passar, você tem um talento e luta para que as pessoas valorizem você e reconheçam seu trabalho , e elas estão cagando e andando pra você, só querem saber de dinheiro (...)".

E assim, Marry The Night se torna o meu video favorito, por eu me enxergar ali como jamais me enxerguei em nenhum outro lugar. Agradeço a Deus (ou seja lá quem for que estiver olhando por mim e cuidando de mim) por ter a família e os amigos que eu tenho, principalmente a Mãe que eu tenho, de outra forma tenho certeza que teria passado por muito mais sofrimento do que pelo qual estou passando no momento, que nada se compara a você se afundar nas drogas e no álcool procurando afogar as mágoas a ponto de ir parar numa clínica de recuperação. Teria passado pelo mesmo sofrimento pelo qual a garota Stefani passou, antes de se tornar enfim, Lady Gaga.




Antonio Fernandes




terça-feira, 29 de novembro de 2011

I Am



I am temperamental and
I have imperfections and
I am emotional
I am unpredictable
I am naked
I am vulnerable
I am... human














(I Am - por Christina Aguilera, modificada)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ondulações




Às vezes há momentos em minha vida que eu pareço estar totalmente alheio à realidade, é como se as coisas ao meu redor não me afetassem, mesmo eu sabendo que elas podem ser como bombas nucleares destruindo os fragéis muros que eu construí ao meu redor. É incrível, parece que cortaram todas as ligações entre meu sistema nervoso. Por mais terrível que o momento pareça, por mais carente que eu me sinta, isso já não parece mais tão importante como antes.
É a sensação estranha de estar flutuando acima das pessoas, vendo as coisas acontecerem, nós se apertarem e laços complicados se desenrolarem, engrenagens dando voltas e voltas num ciclo sem fim, tudo me afetando e ao mesmo tempo não tendo importância alguma, embora eu saiba que mais cedo ou mais tarde isso causará um desastre.
Pessoas, elas são estranhas. Talvez por elas terem uma coisa que eu não tenha: elas fazem sentido, suas existências fazem sentido. O seres humanos e a sua existência... Uma existência é como uma pedra atirada num lago, ela causa ondas, ela causa ondulações na superfície, e a minha existência não parece causar esse tipo de comportamento na vida. As coisas fazem sentido para as pessoas, mas para mim nada faz sentido, tudo está errado o tempo inteiro, e isso me deixa louco.
Talvez seja isso. Talvez eu seja louco.





~











Antonio Fernandes

domingo, 6 de novembro de 2011

Deer Desire



Às vezes enquanto eu deito na grama e olho as nuvens se dissolverem no céu, com o fim da tarde desfiando-as como a uma bela colcha mal feita, revelando a resplandecente lua que surge tímida, eu penso que poderia ter nascido um animal. Um animal da floresta, selvagem, sem regras, indomável, arisco, instintivo, natural.


Eu poderia ter nascido um veado. Um veado com o lombo avelã salpicado de pintinhas de cor gergelim, saltar sobre os troncos caídos e rochas milenares em meio ao bosque, beber a água gelada dos riachos, comer os brotinhos de grama verde nos campos, rolar em meio às flores da primavera e observar os esquilos catando nozes, os pássaros fazendo seus ninhos e as frutas crescendo e ficando cada vez mais gordas nos seus galhos.


E então quando o inverno chegasse eu me enrodilharia na neve que cobriria os campos com seu manto branco, me acomodaria entre minha mãe e meus irmãozinhos e olharia para o céu todas as noites claras e esplendorosas, repletas de estrelas das constelações dos longos meses frios. E quando minha galhada começasse a crescer, ela seria a mais bela e lustrosa de todas, tão linda que os pássaros pousariam nela enquanto eu descansaria deitado em meio à relva, e então as aranhas fariam casas entre os meus chifres e eu não as expulsaria.


Sentiria o cheiro forte da madeira dos pinheiros, ouviria com atenção os gravetos e as folhas secas quebrando debaixo dos meus cascos e veria as aves migratórias cruzando os céus. E quando chegasse a hora de lutar pela minha vida, eu fugiria com destreza, doçura, agilidade e graça dos perigosos felinos, e quando os homens me apontassem suas armas eu os enganaria atrás dos arbustos.


E quando chegasse a minha hora de partir do mundo animal, eu me deitaria e sonharia.


Sonharia com as estrelas e as constelações, e respiraria fundo uma última vez. E então a neve cobriria meu corpo com sua manta piedosa, me pondo para dormir para sempre, e eu teria consciência de que vivi uma vida feliz, tranquila e calma, teria consciência de que aprendi tudo o que precisava aprender, aprendi aquilo que verdadeiramente importa: sentir a beleza das coisas pequenas, dos mínimos detalhes, do cricrilar dos grilos ao pio distante da coruja, e sentiria pena dos homens em suas cidades grandes e abafadas, com seus corações e almas carregadas, e sorriria. Sorriria até o último momento, quando o último floco de neve caísse sobre o meu focinho descoberto.






~






Antonio Fernandes

domingo, 23 de outubro de 2011

Valquíria


No primórdio dos tempos, as Valquírias foram adoradas com sacrifícios (geralmente animais), mas hoje elas possuem uma conotação mais benigna e foram trazidas para nossa vida atual. De Deusas da Guerra, passaram a representar o lado escuro de nossas mentes e corações.


Quando uma Valquíria está ao nosso lado, podemos viajar à estes lugares e retornarmos mais fortalecidos. As Valquírias chegam até nossas vidas, para lembrar-nos, que assim como a semente precisa ser enterrada na terra escura, nosso espírito também necessita abraçar sua escuridão a fim de crescer.

Em cada um de nós há um herói, à deriva entre as correntes de ambivalência que se cruzam. Em cada um de nós há o arquétipo do herói, com a capacidade de fazer frente as desafios da vida. E, a única medida pela qual poderemos ser julgados quando tudo terminar, é pelo que nos tornamos diante de todas as forças que tentaram nos deter. As histórias de heróis podem nos guiar, mas cabe a cada um responder ao seu próprio chamado, individualizando-se.




~




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dez Passos Para Dominar o Mundo


1 - Feche os ouvidos para as coisas ruins, mas deixe os olhos bem abertos: você nunca vai saber quando alguém precisará da sua ajuda.

2 - Tenha sempre uma horda de amigos fieis, que farão tudo por você custe o que custar, mas não se esqueça de fazer tudo por eles!

3 - Sorria sempre, mesmo que seu coração esteja sangrando.

4 - Seja sempre você mesmo, não importa as circustâncias. Mesmo que cortem seus cabelos, roubem suas roupas e tirem seus sapatos, não se esqueça de quem você é.

5 - Faça sempre o que o seu coração mandar, mesmo que tudo dê errado no final: você só aprende errando.

6 - Nunca deixe de dar a sua opinião quando solicitada: pessoas poderosas têm sempre algo de interessante a dizer.

7 - Seja sincero, mesmo que a verdade doa. Você deve basear-se nela diariamente, somente revendo erros podemos mudar o futuro.

8 - Leia muito, de tudo um pouco, e absorva tudo de novo que o dia lhe ensinou.

9 - Não se esqueça de deitar na grama e respirar fundo pelo menos uma vez por dia.

10 - Nunca se esqueça de encher o tanque de combustível do seu foguete no final do dia: a lua nunca está tão longe quanto parece!


~


Antonio Fernandes



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Entorpecida


Uma mente obcecada como um peixe dourado
Preso na minha placa de Petri
Eu não consigo respirar nem sorrir
É melhor que valha a pena por enquanto

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar
Olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo, que orgulho

Renuncie a família, renuncie aos amigos
Isso acaba do mesmo jeito que começou
Eu posso me abrir e chorar
Porque fiquei quieta durante toda a minha vida

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar
Olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo, que orgulho

Oh, eu escureço oh e estou no inferno
Preciso de um amigo, oh mas não posso gritar
Sim, não sou boa, não sou boa para ninguém
Porque tudo o que me importa é estar no topo

Brilhe, olhando para a luz dourada
É um sacrifício justo

Brilhe, olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Fiquei tão sombria apenas para poder brilhar

E eu ilumino o céu
As estrelas que brilham mais
Caem muito depressa e passam por você
E riscam como isqueiros vazios

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar

E eu ilumino o céu
As estrelas que brilham mais
Caem muito depressa e passam por você
E brilham como isqueiros vazios



~


Marina Diamandis

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Divagações de Entressafra 3


"O grande problema das pessoas que me rodeiam é que elas se preocupam mais com o que os outros vão pensar ou falar de mim do que eu próprio"

Louie Mimieux // Antonio Fernandes


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Divagações de Entressafra 2


"A questão é a seguinte: tudo o que eu escrevo, todas as minhas histórias, elas já aconteceram, em algum lugar desse universo, em algum mundo distante, todas elas já aconteceram, eu só preciso descobrir como elas terminam"

Antonio Fernandes


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Divagações de Entressafra


"eu queria ser sensual, sexy, provocante, instigante, intrigante mas tudo o que eu consigo é ser engraçado."

Louie Mimieux



domingo, 7 de agosto de 2011

Fica a Dica


Hoje em dia, você que é conservador pode considerar os homossexuais como doentes, abomináveis ou transgressores dos bons costumes, até mesmo satânicos. Mas não se esqueça de que na idade média, pessoas canhotas, mulheres solteiras, deficientes físicos e negros estavam na mesma situação perante a sociedade. Está na hora de revermos nossos conceitos e darmos um passo a frente na história da humanidade. Que tal pregar o amor independente e incondicional?

FICA A DICA




quarta-feira, 13 de abril de 2011

Meu Melhor Amigo Sou Eu!


"Para ter lábios atraentes, diga palavras doces; para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas; para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos; para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia; para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho; pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas;lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo; a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside!"


Audrey Hepburn

Faz um bom tempo de minha vida em que tomei esta belíssima citação de Audrey Hepburn como filosofia de vida, mas não vinha colocando em prática, faltava segui-la com mais fidelidade e executá-la no dia a dia. A partir do momento em que você se torna uma pessoa doce e de boa convivência, as outras pessoas passarão a vê-lo com outros olhos e serão doces para com você também. E aquela velha história de que "pessoas doces só atraem formigas"? Pura mentira. Pessoas doces atraem compreensão, compaixão, sinceridade, companheirismo e acima de tudo, amizades verdadeiras.


Vou confessar a vocês que, na primeira vez em que li essa citação derramei algumas lágrimas, e prometi à mim que seria uma boa pessoa, que faria de tudo para ser alguém realmente bom para o mundo e para as outras pessoas, mesmo se elas fossem cruéis e mesquinhas para comigo. Bem, isso tudo foi por água abaixo no final do ano passado, quando eclodiu a quarta guerra mundial dentro da sala de aula Esquisitões Vs. Sapatões, e eu me tornei tudo o que eu prometi não ser após ler a citação da Audrey. Recentemente, eu venho sofrendo internamente por vários motivos, como já discuti e analisei em posts anteriores, e eu estava completamente perdido no meio de todos esses sentimentos ruins, até bater de frente com a mesma citação, revirando as páginas da internet pela madrugada alheia.


E então eu relembrei da minha promessa. E lembrei que não importava o quão cruel as pessoas estivessem sendo comigo, eu continuaria sendo uma pessoa doce e me esforçaria para fazê-las sentir-se bem. É o que me faz feliz no final do dia, saber que não fui mal educado com ninguém e fui o mesmo de sempre, sem deixar cair o sorriso do rosto nem uma única vez, sem nunca deixar de dizer coisas boas para ouvir coisas boas de volta, sem desviar dos meus princípios. Saber que tratei todos bem e com igualdade é o que me faz feliz. E se as pessoas não correspondem ao meu carinho e à minha compreensão, de que isso importa? Oras, o que importa é que você está fazendo a sua parte, não é mesmo? Que você está sendo realmente uma boa pessoa!


"Lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço", acho que de todas as frases da citação, essa é a que me chama mais atenção. Fala sobre ser auto-suficiente, sobre fazer-se feliz, sobre manter a sua cabeça sempre erguida e ajudar a si mesmo, a ser o seu próprio porto seguro, e eu estava precisando MUITO botá-la em prática ultimamente, quando tenho me sentido tão só e pouco amado, me sentido como uma folha ao vento sem um porto seguro, sem amigos.


Oras, o meu melhor amigo sou eu mesmo!


Eu estava mesmo precisando erguer minha auto-estima, e reler a citação da Audrey fez isso por mim. Num resumo geral dela, você vê que o que importa não é o que os outros vão pensar ou achar, não importa o que parte dos outros, o que realmente importa é o que parte de você! E daí se as outras pessoas não lhe sorriem de volta? O sorriso mais bonito que você ganhou é o seu próprio. E daí se afastam-se os rostos para os seus beijos de despedida? Há muitas outras pessoas precisando de mais carinho no mundo do que aquele que te esnoba.


Então, nunca perca o sorriso, caminhe com a certeza de que você está fazendo a sua parte, de que pelo menos está tentando cativá-los e fazê-los felizes. Se eles não percebem isso, ora porra, o problema é deles! Eles não sabem o que estão perdendo!


xxxo


Louie Mimieux


terça-feira, 12 de abril de 2011

Olá, tudo bem?



Hoje, perguntaram-me como eu estava me sentindo.

Eis o que eu respondi:

"Me sinto bem, eu acho... Nunca sei como estou me sentindo em grande parte do tempo, sou uma caixinha de surpresas, até pra mim mesmo..."

E sorri. Porque as pessoas que lhe perguntam se você está bem nem sempre estão interessadas realmente em como você está se sentindo...






Louie Mimieux

quinta-feira, 31 de março de 2011

Esta noite...


Eu fechei meus olhos e dormi. Confesso que pensei em nunca mais acordar, confesso que desejei me perder na escuridão pra sempre, deixar de existir, cair no esquecimento, descansar para sempre. Confesso que pedi para que o meu rosto fosse apagado da memória de todas as pessoas que já conheci até hoje, confesso que pedi para que elas me esquecessem, para que cada resquício da minha existência neste mundo se fosse.

Desaparecer, deixar de existir. Sim, eu pedi isso enquanto dormia, inconscientemente. Aos poucos eu senti que meu desejo estava se realizando.

Mas então uma voz me parou no escuro. Era uma voz de dentro, a voz da minha consciência. Tão clara como nunca esteve. Mas o que ela me falou, não foi fruto de uma reflexão minha. Alguém estava falando através dela.

- Todos estão sujeitos a desaparecerem enquanto dormem - ela disse. - mas as pessoas não desaparecem porque o amor e as lembranças que os outros têm por elas existem e são reais, e sustentam a existência delas. Isso as traz de volta do sono do esquecimento.

Eu fiquei em silêncio, preso entre a realidade e o sonho, ouvindo com atenção.

- Enquanto houver pessoas que lhe amem neste mundo, você jamais deixará de existir. Não se pode apagar uma existência que foi consolidada. Para consolidar uma existência, basta que alguém a ame.

E então eu acordei, e estava no meu quarto. Faltavam quinze pras dez.

Há coisas que por mais que tentemos, jamais conseguiremos explicar...



L.M.

terça-feira, 22 de março de 2011

Aqui Jaz Uma Carta de Amor


Que ela descanse em paz

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Pior Coisa...


...que pode acontecer a um ser humano
Não é morrer
Não é adoecer
Não é empobrecer
Tudo se espera, tudo se supera
A pior coisa que pode acontecer a um ser humano
É se apaixonar
Nada se espera
Nunca se supera


Louie Mimieux

segunda-feira, 14 de março de 2011

Apocalipses Amarelos


Hoje, não estou aqui para mandar ninguém tomar no olho do seu cú, apesar de vontade não me faltar (risos), estou aqui para comentar a estreia de Yellow, que ocorreu neste sábado com o lançamento do primeiro capítulo: "Os Irmãos Mimieux e a Condução Fantasma". Gostaria de pedir a vocês uma opinião, se isso não for muito incômodo, gostaria muito de saber o que vocês acharam desse primeiro capítulo e o que esperam da série, as suas expectativas e etc.

Comecei a escrever Yellow ano passado, foi em Março que nomeei e descrevi a ambientação do primeiro capítulo, mês este que por ironia do destino acabou sendo o mês de lançamento do mesmo este ano... Ou seja, um ano depois, a ideia amadureceu e pude mastigá-la e digeri-la para vocês. A história havia ficado incompleta, parada no tempo no capítulo 4, e no momento me aproximo do último capítulo, mas as ideias ainda andam um pouco dispersas na minha cabeça e não estou conseguindo interligá-las de um modo racional e cronológico, prometo que em breve isto estará resolvido.

Para começo de conversa, Yellow é uma série pré-Canavarlar (O Baile dos Monstros, peça escrita por mim e por Black Cherry, ou Andrew Oliveira, a qual já foi muito citada por aqui, mas em breve terá um post dedicadinho a ela!), ou seja, está intimamente interligada ao universo utópico que eu e meu amigo dono de The Pain Of Black Cherry criamos: enquanto eu escrevo Yellow, ele escreve Oráculo das Feras (vide a tag Artigos), dois episódios que ocorrem pouco antes do enredo da peça, de modo que está repleta de crossovers, personagens, mitos e lendas do que nós batizamos de "MITOLOGIA CANAVAR", uma espécie de cosmogonia da nova era.

Em resumo, estamos atacando como o CLAMP brasileiro, sem o artifício dos mangás, é claro! Oráculo das Feras descreve o começo o meio e o fim de uma guerra que foi o estopim da vinda dos monstros de outras dimensões para a Terra, guerra esta que ocorre num mundo chamado Oráculo, criado por Lilith e seus irmãos (os Reis Monstros, ou Deuses Baixos) num ato de desespero profundo pela busca de um lugar para viver em paz e sustentar essa existência com a ajuda das orações que monstros e criaturas criadas pela força do pensamento deles e também trazidas de outras dimensões, fazem. A história de Black Cherry mostra como estas criaturas criaram consciência própria e decidiram tomar o poder do Oráculo, enquanto a minha história, Yellow, mostra o que acontecia durante isto num mundo próximo e intimamente afetado pela movimentação no Oráculo. Yellow também mostra o que acontece pouco após a expulsão dos Reis Monstros do mundo que eles próprios criaram, em especial meu personagem auto-inspirado Lilith, o Rei dos Monstros.

Em um resumo básico, são duas histórias paralelas que giram em torno da base da Mitologia Canavar: Os Reis Monstros, ocorrendo paralelamente e sendo afetadas uma pela outra. Em outras palavras, um crossover GIGANTESCO entre blogs. Em breve colocarei 2 novos banners aqui ao lado com o link para Oráculo das Feras I e II, e espero que vocês LEIAM porque é muito importante para se situar na história!

Estou aqui também para me mostrar MUITÍSSIMO consternado com o que está acontecendo no Japão e ao redor do mundo. Nunca vi tanta catástrofe, morte e desastre acontecendo assim uma atrás da outra, primeiro foram os conflitos ditatoriais no Oriente Médio, e agora o maior terremoto da história do planeta Terra acabou de devastar uma nação inteira, por completo. Vocês, leitores, entendem o que isso quer dizer? Um PAÍS quase foi varrido do mapa por uma força da natureza, se isso não os assusta, é porque, sinto dizer-lhes, mas vocês são UM BANDO DE IDIOTAS. O que aconteceu com eles pode muito bem acontecer aqui no Brasil, não pensem que estamos a salvo só porque nossa pátria fica bem no meio de uma placa tectônica, estamos de uma forma ou de outra boiando num mar infinito de lava em constante movimento, e se não começarmos a orar pelas nossas VIDAS, a coisa vai ficar muito feia.

Eu tenho aberto a Bíblia todos os dias, e as palavras que tem vindo à mim sempre remetem à grandes catástrofes e grandes verdades, e uma sensação pesada no meu peito diz que está chegando a hora de alguma coisa, só não sei dizer o quê. Não sou de acreditar muito na Bíblia, todo mundo sabe que eu sou a pessoa menos cristã do mundo, não frequento igrejas nem sigo nenhuma filosofia cristã, mas tenho minha crença numa força maior que nós e acredito na vontade dela... Temo a esta vontade também, e tento entendê-la a todo custo.

De qualquer modo, acho que Deus não passa de um grande e poderoso escritor, traçando a história dos seus personagens com muita calma lá no trono dele... Se é assim que ele quer, então assim será.



XXXO


Louie Mimieux

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

9.20.19.13.5.723378


A imagem daquela pobre cadela atropelada não me deixou dormir. Me deitei às 3, mas às 6 eu já estava de pé. Não conseguia imaginar nossa protetora, nossa amiga, apodrecendo ao ar livre, lá fora no quintal, dentro de um saco preto, esperando alguém para enterrá-la.
Ele havia cavado o buraco, mas era eu quem tinha de fazer isso, era eu quem tinha de jogar a terra sobre ela. Não havia motivos para cavar mais fundo, estava perfeito, o buraco cobria metade das minhas pernas, e eu sou alto, alto demais. Era profundidade o suficiente para fazer o descanso final da vigia do lar.
As imagens do dia anterior me vinham à cabeça enquanto os pássaros cantavam e o sol terminava de nascer. Minha irmã havia acabado de ir para a aula. O vento gelado da manhã acariciava o capim com carinho, acordando a folhagem das árvores trazendo os raios de sol consigo, tornando amarelo o brilho azul espectral deixado para trás pela madrugada. Eu nunca vira mamãe sofrer daquele jeito, não por um animal. Trancou-se no quarto após ir até a porta de casa receber a notícia do vizinho. Não teve coragem de ir até a calçada para ver o corpo, oculto pelo velho Ford KA branco que costumávamos usar há algum tempo atrás. Agora uma carcaça sucateando.
Mas eu tive coragem.
E preferia não ter visto a boa e velha Gabi estirada daquele jeito.
Na mesma hora me veio à imagem à cabeça. Daquela raposa de pelos dourado-alaranjados que explodia e dava lugar a um monte de larvas, numa imagem acelerada de sua decomposição na abertura de True Blood. Seria esse o destino dela? As moscas já se acumulavam.
- Foi de manhã cedinho - disse o velho - o carro acertou ela em cheio, ela correu chorando pra cá e se jogou aqui atrás do carro...
Levei a mão à boca. Mamãe entrou.
- Quer que eu a enterre? Eu levo ela...
- Não, não, não precisa - fiz, perturbado - o rapaz tá vindo pegar ela já...
O velho foi-se. Entrei. Procurei o rumo do quarto, segurei a mão dela. Estivera chorando ao telefone há alguns segundos antes de eu entrar pela porta.
- Calma, não chora, isso é super normal. Eu sei o que a senhora tá passando, mas é assim mesmo e... - segurei na mão dela. Ela puxou a mão bruscamente para junto do corpo e levantou-se furiosa.
- Não quero mais saber de bicho nenhum aqui nessa casa! - disse, às lágrimas. - quero todos esses gatos fora daqui! Tudo eu! Tudo eu!
- Nenhum de nós teve culpa, mãe.
Ela ficou calada.
Me levantei e saí, fui me sentar na cadeira de balanço roxa do pátio. Cruzei os braços atrás da cabeça e fiquei admirando aquela tarde amarela e poeirenta, quente como o inferno. Um dia ensolarado e melancólico como aqueles dias de minha infância em que eu passava as tardes na casa da vovó, brincando sozinho enquanto as outras crianças estavam na escola. Meus pais haviam acabado de se separar.
Havia cheiro de chão recém-encerado e Laura Pausini tocando baixo no rádio da sala. Todas as luzes da casa desligadas, todos os adultos dormindo a sesta vespertina. Mas eu não, eu ficava andando pela casa, pra lá e pra cá, explorando cada canto dali. As moscas se acumulando em cima da mesa, cheiro de café recém-feito e pão quente com manteiga direto da padaria. Os raios de sol entravam fortes pela janela da cozinha onde minúsculos grãos de poeira dançavam no ar como mini universos num balé constante. Pó.
Havia também o som distante do sorveteiro e seu carrinho de mão, a buzina estridente de carros e o som irritante mas reconfortante da voz vinda dos auto-falantes no caminhão da Tropigás. Década de noventa. Cigarros baratos. Vento nos coqueiros do quintal. As folhas verdes lustrosas esfregando-se umas nas outras provocando aquele barulho delicioso que eu tanto adorava. Às vezes eu me deitava sozinho no chão sujo para olhar os pombos no telhado e as copas dos coqueiros dançando ao sabor do vento. Ficava imaginando o que havia do outro lado do muro, na casa do vizinho, e me divertia falando sozinho, brincando com uma velha cruz de metal da minha altura que há muito havia sido esquecida ali perto dos entulhos. Zerão, o cachorro dormia ali perto. Não se aproxime muito, ele morde.
Assim eram as minhas tardes na casa da vovó. Seis ou cinco anos de idade. Era sempre assim. E eu não sabia porque, mas aquela atmosfera daquela tarde fatídica onde encontramos o corpo da Gabi já sem vida me fez lembrar dessas doces e melancólicas tardes solitárias, onde eu me sentia muito bem acompanhado de mim mesmo. Eu era muito mais feliz quando não me relacionava com as pessoas. Ah! Se eu soubesse! Teria optado por se autista como alguns pais e professores estavam me qualificando!
- Ela trancou a porta - minha irmã surgiu no vão da porta da sala - e agora? Eu tenho que tomar banho e me arrumar pra ir pro balé, as coisas estão todas lá dentro!
Dei de ombros.
- Ela acha que a culpa é nossa.
Silêncio.
- Eu vinha avisando há séculos - continuei - essa cachorra tava solta desde o dia de ano novo. Eu vinha dizendo: "prende essa cachorra, prende essa cachorra" ou "vai acontecer uma merda, ou o carro vai bater ou ela vai morder alguém! prende essa cachorra!", agora mamãe finge que não me escuta.
- Não NOS escuta - corrigiu minha irmã - ela espera acontecer pra depois lamentar, precisa ouvir tudo de fora pra poder confirmar se é verdade ou não, nunca nos ouve. Nunca.
- Às vezes somos mais sábios que ela - terminei.

Entrei, peguei um livro, sentei-me no pátio. Daniel Molloy estava sendo transformado em vampiro dentro da cabine do avião em "A Rainha dos Condenados". Que livro fantástico. E nada do rapaz chegar. Aquele rapaz que já é homem agora e que eu conheço desde os doze anos. Que me viu crescer praticamente. Ele chegou já perto do anoitecer, restavam duas horas e meia de sol.
- Vai ajudar ele a cavar, por favor, tá?! - fez ela, abrindo a porta do quarto onde eu me estirava no chão, tentando ler o meu livro, escapar da realidade.
- Quando a Baby morreu, eu cavei o buraco sozinho - disse, frio.
- O QUÊ? - perguntou. Não tinha escutado.
- Quando a Baby morreu, eu cavei o buraco sozinho. - disse, gelado.
- COMO É QUE É? - de novo. Ela tinha ouvido. Estava só me desafiando a dizer de novo.
- Quando a Baby morreu, eu cavei o buraco sozinho. - nunca repito uma sentença tantas vezes quanto repito aqui dentro dessa casa.
- MUITO OBRIGADA! - fez, raivosa, bateu a porta do banheiro e se trancou lá dentro. Suspirei e fui lavar a louça. Às vezes sinto necessidade de ter minha própria casa, mas acabaria morrendo na sarjeta sem a ajuda dessa mulher. Isso me deixa decepcionado comigo mesmo. Olha o meu tamanho!
Me tranquei e comecei a escrever. Um capítulo inteiro da minha nova história fluiu como água, como um capítulo há muito tempo não fluía! Me senti em êxtase comigo mesmo! Era fantástico! Há quanto tempo eu não escrevia com tanta vivacidade, com tanta verossimilhança! Com tanta paixão! Eu estava realmente no interior da França ou era impressão minha? A resposta para a dificuldade em escrever nestes tempos difíceis é que agora eu tenho muitas coisas na cabeça ao mesmo tempo. Antes eu era oco, vazio, não tinha muita coisa no cérebro com o que me preocupar. Mas de repente me senti com 14 anos de novo, viajando em meu mundo interno outra vez! Que mágico!
Até que me cortaram a linha do pensamento, e lá fui eu comprar o lanche na padaria. Já era noite. Eu me sinto envergonhado em andar nas ruas com a blusa do meu antigo colégio agora, mas todas as de ficar em casa estão sujas.
Tornei a entrar em meu mundo. E assim fiquei durante um tempo até me informar do que havia acontecido aqui na vida real.
- Ele não enterrou ainda. Acha que tem que cavar mais fundo. - disse, chorosa para mim. Pobre mamãe! Eu sei muito bem o que ela está passando. A morte da Baby pra mim foi uma gota d'água e tanto. - Amanhã cedo talvez ele venha e... O que é isso que tu estás assistindo?
- É True Blood, mamãe.
E então até ela se rendeu ao cotidiano conturbado dos moradores de Bon Temps. Depois minha irmã entrou e elas assistiram por durante uns trinta minutos. Partiram. Terminei a noite assim, chocado pela vida real e pela ficção; a doce avó de Sookie, Adele Stackhouse fora morta, assassinada cruelmente, jazia sobre uma poça de sangue no meio da cozinha! Que horror! E eu me havia apegado tanto àquela senhora em tão poucos episódios! Ela era uma personagem tão carismática e encantadora!
Mas que crueldade, Allan Bal seu filho da mãe!
Mas que crueldade, vida! Sua filha da mãe!
Quer saber? Que todos se ferrem, eu vou enterrar aquela cachorra! Pensei. Deixei um episódio de The Vampire Diaries baixando e fui dormir. Às seis já estava completo o download. Assim que terminei de assistir, pulei da cama e fui para o quintal, empurrei o saco preto para dentro do buraco com a enxada, o cadáver duro e já fétido caiu com um baque surdo no fundo do pequeno poço. Ela era pesada! Então comecei a enterrar, puxar toda a terra a minha volta para dentro do buraco.
E então lembrei de Jonna Lee e sua iamamiwhoami, em seu concerto, cantando os versos desconexos de 9.20.19.13.5.723378 enquanto enterrava a bola de alumínio que continha as cinzas do garoto carbonizado. Ora, e porque não cantar também? Tornar isso ainda mais dramático?


A brisa me lambeu o rosto suado como uma vaca.


Carry my head

With this mengled body

It hurts

Like

Hell

Like

Hell

Lights are on

But there's nobody home

Long asleep

As hard as most...














Em memória de Gabriela.

xxxo


Louie Mimieux

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Surtando no Messenger...


Enquanto isso, no msn...



...Don diz:
*Rsrsrsrsr ´ta bom então(o.0)
*Olha lá u_u

' Louie diz:
*aspohdohpasdophasdas ok, estou olhando

...Don diz:
*Pra onde? '-'

' Louie diz:
*pra lá
*'-'
*você mandou olhar lá
*estou olhando
*troll/

...Don diz:
*E tem alguma coisa unusual "lá"? '-'

' Louie diz:
*bom, não tem nada demais lá pra falar a verdade
*na verdade, o "Lá" é muito relativo
*lá pode ser aqui dependendo de onde se olha
*o olhar do indivíduo muda muita coisa
*altera todos os tipos de perspectivas e sensações
*ele mexe com as pessoas
*acho que o "Lá"
*é algo a se pensar
*o lá pode ser o futuro
*uma meta a ser alcançada
*algo almejado
*mas também pode ser algo muito ruim
*como quando o herói do filme precisa atravessar um vale da morte
*e aponta pra "Lá"
*e aparece todas aquelas coisas
*árvores retorcidas, corvos e pedregulhos
*névoa e essas coisas...
*viajei?

...Don diz:
*Não '-'