Não diga nada

Hoje em dia, você que é conservador pode considerar os homossexuais como doentes, abomináveis ou transgressores dos bons costumes, até mesmo satânicos. Mas não se esqueça de que na idade média, pessoas canhotas, mulheres solteiras, deficientes físicos e negros estavam na mesma situação perante a sociedade. Está na hora de revermos nossos conceitos e darmos um passo a frente na história da humanidade. Que tal pregar o amor independente e incondicional?
FICA A DICA

Sabe de uma coisa que tem me incomodado bastante ultimamente? As pessoas tentarem me controlar. Odeio isso. E o pior é que eu deixo, porque sou tão bonzinho e flexível com todo mundo, sempre tentando agradar e tudo o mais, acabo me tornando algo que eu próprio detesto.
Outra coisa que eu não suporto é ouvir aquela frase pós-adversidade que já virou um clichê: "você me decepcionou" ou "nunca pensei que você fosse desse jeito" ou até mesmo "não esperava isso vindo de uma pessoa como você". OK. Em primeiro lugar, eu nasci pelado, careca, não sabia falar e muito menos escrever, então se por um acaso há algum contrato por aí assinado por mim atestando algum tipo de compromisso de PERFEIÇÃO datado em 1993, pode ter certeza que é falso. Não lembro de ter prometido ser perfeito quando nasci.
O mal das pessoas é que elas cobram demais de si mesmas e o que é pior, dos outros também! Cobram muito mais dos outros, e eu odeio essa cobrança em cima de mim. As pessoas exigem demais de mim, elas exigem coisas que eu não posso dar. Um exemplo? Me comportar. Eu não vou me comportar, eu não vou ser do jeitinho que vocês querem, eu me recuso a isso! Eu não quero me comportar, eu quero ser eu mesmo! Eu quero usar luvas de couro, maquiagem pesada, coturnos e suspensórios! Eu quero, eu quero poder me expressar da minha maneira, eu quero... Eu quero ser quem eu sou! Eu não se nem quero ser comportado, eu só quero fazer o que eu tenho de fazer, o resto pode ser resolvido com tempo. Se você gostou, parabéns, se não não gostou, fazer o quê? Eu não posso agradar a todo mundo, nem Jesus agradou a todos.
Pensando nisso e em outras coisas eu cheguei a uma conclusão: se eu não mostrar aos outros quem eu sou de verdade agora, vai ser muito pior depois, quando eles estiverem acostumados à essa pessoa pacífica e passiva que fala pouco por medo de repreensão e não faz aquilo que quer por medo de desaprovação. Se de repente, uma pessoa como essa começa a fazer exatamente o contrário, a represália vai ser muito mais dolorosa, e eu não vou estar preparado. Eu tenho de ser quem eu sou sem medo! Não vou deixar ninguém me controlar, não a essa altura do campeonato.
Meus pais não vão me ajudar a montar o meu visual para a Première porque é extravagante demais e eles desaprovam? Ótimo! Eu me viro sozinho! Blusa social, calça preta, suspensório e maquiagem, não é muito difícil, só preciso juntar algum dinheiro, um mês inteiro será o suficiente para arranjar tudo isso. Eu não me importo com o que os outros vão pensar, eles tem de se acostumar a mim, porque sempre vai surgir alguém pior lá na frente que vai chocar muito mais. E além do mais, as pessoas tem de aprender a me admirar pelo meu trabalho, e não pela minha imagem, pela minha aparência. Eu não sou nenhum santo exposto no altar de uma catedral qualquer (se bem que, eu adoraria usar aqueles mantos e os esplendores da Virgem Maria), eu sou um ser humano, não um ícone, uma estátua.
Aí você se pergunta: o que isso tem haver com a Ariel, ilustrando a postagem?
Quem teve infância conhece a Ariel muito bem! A Pequena Sereia, conto original por Hans Christian Andersen, adaptada para o cinema pela Disney. Ariel nunca deu bola para o que os outros pensavam dela, nunca ligou muito para essas regras bobas da sociedade em que ela vivia, esse negócio de evitar os humanos e tudo o mais, ela estava pouco se lixando pra tudo, ela só queria viver a vida dela e fazer o que ela tinha de fazer. Todos achavam que ela era a filhinha perdida, que vivia desobedecendo o papai e que não tinha futuro nenhum nessa vida. Sabe o que ela fez? Bem, ela deu uma banana enorme pra todo mundo, foi lá com a linda da Úrsula, fez um pacto (foi tapeada e deu toda aquela confusão lá), e no final se casou com o Príncipe Eric, que aliás era humano, mas o pai dela teve de aceitar porque era isso o que Ariel queria para ela, sem se importar com a opinião alheia.
No final das contas, a irmã mais nova Ariel foi a única que casou (com um cara muito rico, diga-se de passagem), enquanto as outras ficaram encalhadas debaixo d'água pra sempre. (Tudo bem, eu sei que no conto original a Ariel vira espuma do mar porque o príncipe nem tchum pra ela, mas, whatever).
Então é isso. Ou eu fico no fundo do mar, ou começo a andar com as minhas próprias pernas? Qual vai ser, hein?


(modelito inspirado em Alison Goldfrapp na era Seventh Tree. Abaixo, o original)


Há um momento na vida em que o jogo muda, em que os olhos se abrem e o mundo já não é mais o mesmo, há um momento na vida em que você percebe que o tempo passou tão rápido pra você, e os seus olhos marejam ao lembrar de alguns momentos da infância. Acho que não sou o único que tem essa sensação no mundo inteiro, alguém a mais deve sentir o mesmo, aquela velha sensação de que "eu era feliz e não sabia". E quando você abre os olhos, você cresceu e nunca mais voltará a ser o mesmo, nunca mais, a vida já te torceu, dobrou, te fez de origami e depois de devolveu pra onde você estava antes de tudo começar, agora todo amassado, um pouco rasgado em alguns pontos, mas calmo, conformado, pacífico. A sensação é de estar flutuando no oceano, sendo levado pela maré enquanto todos os tipos de pensamentos te assolam. E que coisa estranha é isso que chamam de "Epifania"... Essa palavra possui algum acento? Não sei, sempre tive medo de usá-la temendo assassinar cruelmente a língua portuguesa, como certa vez fiz em "Stella" colocando viagem com J e não G, fui avisado do meu erro da pior forma possível, e me senti muito envergonhado. Um incidente à parte nessa minha estranha vida.
Há um momento na vida em que você acorda e vê que secou, a sua fonte de sonhos secaram. Não que a esperança tenha acabado, não, ela é a última que morre e estará para sempre no fundo da sua caixa de pandora interna, esperando o momento em que você estiver se sentindo nas últimas, esperando a hora certa pra sair e dizer "ei, eu ainda estou aqui, acredite em mim". Não é como se sentir desesperançado, não, é como cair na real, é como enxergar o mundo ao seu redor como ele realmente é, tirar as vendas da infância e acordar para as responsabilidades de uma vida adulta, ou como eu dizia até um ano atrás "alienar-se pela sociedade". Isso é crescer, é se tornar um adulto conformado. No meu caso, um jovem adulto conformado, mas feliz. Para alguns isso demora a acontecer, muitos persistem em enfrentar o seu próprio fardo, tentam mudar a história com a mesma garra e força de vontade que possuíam desde a infância, sem sucesso. Força de vontade, falaremos dela já, já!
Veja bem, olhe bem para o lugar onde você vive, analise suas condições financeiras e a sua popularidade. Há alguma chance de alguém algum dia publicar algum livro seu? Ou chegar a compensar o seu talento? Elas são praticamente nulas, mas eu me prendi a esse sonho bobo desde que me disseram "você tem um talento", me prendi a esse sonho de ser famoso e ser reconhecido pelo que faço, planejei um futuro me embasando naquilo, mas por sorte acordei antes que fosse tarde demais. Eu vivo no Amapá, moro em Macapá, longe dos grandes pólos culturais do país, longe dos olhos importantes da mídia, dos "caçadores de talento" por assim dizer, nossa conexão com o mundo via-internet é no mínimo PÉSSIMA, às vezes o blogger nem abre, não estamos conectados ao resto do país por terra, estamos praticamente isolados aqui. Quer dizer, eu estou. As pessoas daqui se acostumaram a isso, se conformaram, e é o que está acontecendo comigo nesse exato momento! Meus sonhos não condizem com a minha realidade! Minha realidade é outra! É totalmente diferente do mundo de faz-de-contas que eu havia criado em torno de mim e do meu futuro "brilhante". Quem vai dar atenção pra um escritor amapaense indigente que nem eu? Ninguém. Isso mesmo. Ninguém, e esta é a realidade.
Mas isso pouco me importa, o que importa é o que eu tenho aqui dentro, e mais nada. E eu tenho conteúdo, sim senhor! No mais, acho que persistir em sonhos impossíveis é como buscar o amor, só serve para quem tem força de vontade e dinheiro (no caso do amor, a beleza também está incluída nos quesitos, coisa que eu definitivamente não possuo), e são duas coisas que eu não tenho em grande quantidade. E afinal, o que há de errado em terminar uma faculdade dignamente? O que há de mais em conseguir um emprego qualquer e receber um salário razoável para poder pagar uma diarista ou comprar alguns livros de vez em quando? Fazer uma viajem, conhecer lugares diferentes usando as economias de final de ano. Ser um adulto como qualquer outro. Não, não há nada demais nisso, é até bem satisfatório, quantas pessoas no mundo não desejam isso?
Uma vida inteira cheia de história para contar. Sinto quase como se fosse fazer 80. Isso é estranho. Enfim, vou curtir os últimos minutos do segundo tempo da minha adolescência, curtir o ócio e a falta de ocupação, quando voltar de lá, virão a quitação com o exército (MEDO MORTAL), a conta no banco e a passagem das contas a pagar para a minha administração. Será que eu vou conseguir tocar isso pra frente? Será que eu vou conseguir fazer o trabalho da minha mãe com a mesma eficácia? Quem sabe.
Raíssa! Essa é pra você!