Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

domingo, 22 de novembro de 2009

THE BIG MACHINE - PARTE 2!




- Oh, droga, uma espinha... – exclamou Christopher ao deparar-se com o espelho naquela manhã calma de quarta-feira. Seu ar-condicionado rugia e os passarinhos lá fora cantavam. O sol forte de cada dia já invadia a sala pelas vidraças acima das janelas de madeira, queimando logo cedo o muro de tijolos laranja onde lagartos de quintal caçavam insetos. O vento fraco da manhã batia contra as folhas do pequeno cajueiro que crescia no meio do quintal de poeira, as rolinhas já comiam as sementes das ervas-daninhas, e os periquitos gritavam. Era mais um dia comum.


Christopher entrou no carro, os olhos ainda pesados de sono, a cidade passava pela janela do carro como um vendaval de cores e formas, os outros carros faziam fila, como formigas coloridas esperando os semáforos acenderem verdes como as folhas usadas para alimentar os pulgões de um formigueiro, era hora de dar a partida outra vez.
- Bom dia... – disse ele sonolento ao sentar-se na última carteira da segunda fileira do lado direito da sala, como de costume. Era bom que o ar-condicionado não cuspisse naquela manhã. Ele não estava a fim de se molhar.
- Hum... Bom dia... – Ray Ann estava entretida com algo, resolvendo uma atividade com urgência.
- Tinha alguma atividade para hoje? – perguntou Christopher, confuso.
- Não, mas a Carmen ORDENOU que eu fizesse a dela e terminasse até a hora do intervalo, se não eu estaria completamente perdida – ela parecia confusa e um pouco revoltada com aquilo – ela quer ser a aluna número um sempre, e entregar esse trabalho ainda hoje!
Christopher riu nervoso, após ficar um pouco assustado e confuso ao mesmo tempo.
- E desde quando você tem medo da Carminha Parafuso?
- Desde sempre, Chris, e acho melhor você tratar de fazer aquela redação que ela pediu, ou...
E então ela entrou.
Usando óculos Rayban de aro dourado, calças da Gucci, jaqueta pesada de couro preto e cheia de tachas da Calvin Klein, melissinhas reluzentes douradas, unhas pintadas de vermelho, dedos pesados de anéis de ouro puro e diamantes, cabelos da mesma cor de rato molhado de sempre, só que lisos e perfeitos, argolas caríssimas da Tiffany’s nas orelhas, brilho labial de diamante, blusa baby look da Dolce&Gabbana abatida com uma bolsa exclusiva feita sobre encomenda da Hermès, ela entrou triunfal na sala de aula, esbanjando estilo, glamour e dinheiro, envolta em uma divina áurea de eterna magrice, ali estava ela, sustentada por suas tão conhecidas pernas finas, uma nova e revigorada Carmen Parafuso!
- Meu... Deus... do... Céu... – balbuciou Christopher quase caindo da cadeira – o que aconteceu aqui? A Carminha enriqueceu da noite pro dia ou o quê? Por um acaso o pai dela é o novo dono da Universal?! – exclamava ele em meio ao rebuliço da chegada da garota, a sala de aula parecia estar em festa, todos os mais populares e mais festeiros a rodeavam oferecendo atividades prontas, doces e alguns presentes, convidando-a para grandes comemorações em terrenos e mansões, era uma verdadeira loucura!
Fábia Paola tapou a boca do amigo antes que ele falasse mais besteira.
- Você está louco?! Não diga essas coisas tão alto! – exclamou ela num sibilo venenoso – é claro que tu sabes que o pai dela SEMPRE foi o dono da Universal!
Os olhos de Christopher se arregalaram.
Carminha aproximou-se, ladeada por Alexandre e Josiel Amido, talvez os mais ricos daquela sala de aula, agora eram apenas seguranças. Ela tirou seus óculos e entregou para Alexandre com delicadeza em suas mãos ossudas de dedos pontiagudos. Estava usando lentes verdes.
- Quem de vocês já terminou a atividade que eu pedi? – ela estava mais séria e esnobe do que nunca. Sempre fora assim, na verdade, mesmo quando era pobre, já era metida, e agora que estava rica havia se tornado uma verdadeira Jennifer Lopez da baixada.
Desesperados, Maurice e Ray puxaram papéis e mais papéis, entregando a ela e explicando do que cada um se tratava. Atividade de Português, revisão de Geografia, atividade de Matemática, pesquisa de História, uma penca de trabalhos todos resolvidos e formatados somente para ela, do jeito que ela queria. Christopher permaneceu calado em estado de choque esse tempo todo, mas nem isso o livrou de virar alvo da nova e poderosíssima Carmen Parafuso:
- E você? Onde está minha redação? – disse ela indicando o queixinho pontudo em sua direção. Fez-se silêncio absoluto na sala de aula. Todas as atenções estavam voltadas para aquela cena, a apreensão era quase material, visível e pesada no ambiente.
- Eu... Eu... – Christopher respirou fundo. O que ele estava fazendo? Ela era a Carmen Parafuso! A Carminha das pernas finas! A Carminha! Fechou os olhos e mandou essa:
- Eu não sei do que você está falando!
Os olhos se esbugalharam, alguém soltou uma risadinha de escárnio. Carmen tirou sua jaqueta e entregou a Josiel. Os alunos mais próximos deram um passo para trás.
- Repete o que tu disse, mano! – ordenou a Carminha.
- Ainda não entendeu? – Christopher se levantou. – EU NÃO SEI DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO – disse ele pausadamente.


- Então, Senhor Umbrella... – começou a diretora – então você andou AMEAÇANDO a Senhorita Carmen Parafuso – ela meteu um Hot Cracker de pizza na boca e mascou com vontade, sujando todo o seu batom rosa bufante.
- É CLARO QUE NÃO, Odilene, você me conhece, eu jamais faria isso! – exclamou Christopher completamente revoltado, ele quase esbravejava com a diretora. – eu não sei o que está acontecendo com essa escola, eu não sei! Acho que estou vivendo algum tipo de pesadelo...
Christopher sentou-se e pôs a mão na testa. Estava quente de nervoso.
- Eu não sei o que está acontecendo a você, querido! – a diretora segurou as mãos de Christopher – você anda se comportando muito mal ultimamente, Senhor Umbrella, e agora você ameaça a Srta. Parafuso!
- Você sabe que eu não a ameacei! – ele estava à beira de um ataque de nervos, já lagrimava – eu estou tão confuso! Tem alguma coisa errada...
- E realmente tem, e esta coisa errada está em você, meu amor! – disse a diretora toda melosa, mascando outro biscoitinho – você sabe o que fez e a turma toda sabe, todos viram!
- Todos viram a injustiça que ELA fez, que ela ESTÁ fazendo! – agora ele já estava gritando. Como era possível, o que estava acontecendo? Porque a sua natureza dizia que aquilo era normal, mas o seu cérebro questionava? – todo mundo viu quando ela extorquiu de mim uma atividade de redação! Ela força as pessoas a fazerem as atividades pra ela, essa garota é um... é um... é um... É UM MONSTRO DA QUINTA AVENIDA!
Odilene mascava os seus biscoitos com muita calma enquanto entregava uma suspensão por escrito à Christopher Umbrella.
- Ameaçar uma colega de classe só porque ela pediu passagem é demais, Senhor Umbrella, você precisa urgentemente de um psicólogo. Estarei telefonando para os seus pais esta tarde! – disse a diretora gorducha fechando sua gaveta e abrindo a porta da sala – agora vá e pegue as suas coisas, está liberado da aula por hoje!
Assim que pôs os pés para fora da sala da direção, Christopher rugiu de raiva, chutou uma cadeira que caiu com estrondo e saiu pisando firme. Ainda deu tempo de ouvir Odilene gritando de dentro de sua sala minúscula “eu não disse? Eu não disse?”.
O garoto voltou para sala, apanhou suas coisas e saiu. Sua presença causara um silêncio mortal que só fora quebrado com a sua saída. Carmen estava de perninhas cruzadas e nariz em pé, esnobe como sempre, em posição de superioridade, uma superioridade que estranhamente, somente agora estava sendo respeitada. Nada de piadinhas sobre a magrice dela ou o que ela seu namorado (que, aliás, agora era um Sargento) fazem quando a Tia Parafuso está fora. Carmen havia conseguido de bandeja o que ela sempre quisera. O que quando ela exigia, todo mundo ria: Respeito.
Christopher entrou no banheiro e molhou o rosto, olhou-se no espelho e limpou a cara com a manga do casaco. Pietro saiu de um dos boxes, também tinha o rosto muito confuso e um pouco abatido. Christopher arqueou as sobrancelhas de preocupação. Pietro parecia um robô, seu olhar estava parado demais, sua postura parecia mais pesada que o normal.
- Está se sentindo bem, Pietro? – perguntou. O garoto levou a mão à testa, esfregou os olhos e apoiou-se na parede.
- Eu não sei... Eu... – de repente, ele voltou a ser o Pietro esperto de sempre, como se alguém tivesse lhe dado um chute de realidade ou injetado uma seringa de adrenalina direta na veia – é só eu ou você também acha que tem alguma coisa errada por aqui?
O coração de Christopher disparou. É, ele não estava ficando louco. Ele ficou sério, fechou a porta do banheiro às suas costas e deu passos receosos até Pietro, segurando com força a ametista pendurada em seu pescoço.
- O que você acha que tem de estranho? – balbuciou Christopher quase como num chiado. Fez-se silêncio e Pietro esfregou os olhos outra vez. Os dois estavam muito tensos e estressados. O medo pairava no ar.
- Desde quando a CARMINHA é rica?!
Christopher sorriu sinceramente pela primeira vez desde que se acordara essa manhã. Um enorme peso de bigorna foi retirado do seu peito. Aquilo era um alívio para ele, e pela primeira vez desde que conhecera o amigo, abraçou Pietro sinceramente.
- Ainda bem! Ainda bem que não sou só eu! – gritou ele, se afastando.
- Psst! Fala baixo! Fala baixo! – Pietro caminhou até a porta e colocou a cabeça para fora. O corredor estava vazio. – desde quando ela é a garota mais popular da escola?!
- Eu também me fiz a mesma pergunta! – vibrou Christopher – não sei mais o que fazer, eu estava ficando completamente louco e...
Foi então que uma forte luz invadiu o banheiro masculino. Uma luz poderosíssima, que tinha como fonte o último box. Descargas elétricas arrebentaram a porta do reservado, retorcendo-a e arrebentando-a com um impacto muito alto. O show de luzes e raios azuis e verdes era cada vez mais poderoso, labaredas e fumaça começaram a chamuscar o chão, uma esfera branca surgiu no fundo do banheiro, e após um estrondo semelhante ao barulho de um turbina de avião, uma fumaça branca tomou conta do local.
E daquela fumaça surgiu outro Pietro
Um Pietro mais magro.
Um Pietro mais abatido.
Usando um uniforme de borracha preto colado ao corpo, cheio de cintos e munições. Suas luvas de punho de ferro quase destruíram por completo o banheiro, Pietro e Christopher estavam muito assustados, loucos para correrem desembestados dali, mas algo os impedia. Uma força misteriosa os impedia de correr daquele estranho Pietro que saíra da explosão. Porque algo lhes dizia que aquilo era a sua salvação!

Fim da Segunda Parte!



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

THE BIG MACHINE - PARTE 1!

- Eu sinceramente nunca tinha visto o Pietro daquele jeito! – disse Maurice, sentado na mesinha da carteira de Augusta. Estavam todos sentados em uma grande roda de carteiras, comum nos intervalos entre uma aula e outra, onde a conversa pode ser num volume pouco mais alto e mais abrangente. Ali são comuns as conversas paralelas em sala de aula, o que deixa os professores muitíssimo irritados, mas nada se pode fazer, pois estes são os ossos do ofício para quem tem amor à profissão, afinal de contas, os alunos de hoje em dia já não são os mesmos de antes, já não estão tão preocupados assim em assistir às aulas e tirar boas notas. O importante hoje em dia, com tanta tecnologia à disposição e oportunidades diversas, é passar de ano.
- Ele estava completamente desesperado! Andou em círculos durante um bom tempo no meio da multidão, quase chorando – enfatizou Augusta – e depois estragou total o passeio, porque ficou fazendo cara de quem chupou limão a noite inteira...
Maurice riu.
- O mais engraçado disso tudo era a cara dele quando a gente perguntava se ele ia apanhar!
- “Eu vou! Eu vou!” – imitou Augusta.
- “Do teu pai ou da tua mãe?” – perguntou Maurice.
- “Dos dois! Dos dois!” – e Augusta caiu na gargalhada.
- Esse show da Cláudia Leitte foi uma loucura... a Lois perdeu o sutiã, a Mary Ann caiu no bueiro, num instante ela tava lá, e no outro, procura a Mary, procura Mary, olha pra baixo, lá está a Mary Ann encolhidinha dentro do buraco, quê isso Mary Ann?!
Todos explodiram na risada.
- Ei, eu soube também que, numa briga, duas garotas viraram o carrinho de batata frita, e o óleo quente praticamente as fritou! – comentou Christopher, com os olhos esbugalhados.
- Foi! E na hora da muvuca, o isopor da tia da cerveja virou, e aí foi gelo pra tudo quanto é lado! – riu-se Augusta – e a tia ainda tentou espantar o pessoal que tava pulando do lado do carrinho dela, coitada!
- Mas esse Pietro... Só ele mesmo pra perder um celular de mil e quinhentos reais daquele tamanhão numa micareta dessas! – disse Christopher – como pode uma pessoa não sentir que alguém meteu a mão no seu bolso?
- Sei lá né, na hora da confusão, ninguém vê nada! Até eu pensei que fosse morrer! – argumentou Maurice – era um empurra-empurra dos diabos, pressão de todos os lados, gente sendo pisoteada, jogando cerveja, caindo uma por cima das outras...
- É por isso que eu O-D-E-I-O essas coisas... Festa, micareta, isso não dá futuro, é só gasto de dinheiro num abadá que não passa de pano velho que depois vai servir pra passar pano na casa. Além do mais, só se vai pra essas coisas quem quer ter prejuízo, como perder o celular no caso do Pietro – proclamou Christopher, quase num discurso – toda aquela gente suada, pulando, se esfregando... CREDO! Nojinho disso!
- Ah, mas isso é que o bom, hum... – piou Augusta, assanhada como sempre...



- Ai, que merda, que merda, que merda! – Pietro ainda se lamentava do ocorrido, dois dias após a festa, e não fazia ideia de como contar aos seus pais sobre a perda do tão caro telefone. A turma inteira copiava a atividade do quadro, entre comentários em chiados e risadinhas animadas pouco mais altas que um cacarejo. – nesse começo de ano eu tinha dois celulares e um MP5, agora já tenho mal um computador de HD mole! E o pior de tudo é que meus pais nem sabem que eu perdi nenhuma dessas coisas, se eles souberem, meus segundos estão contados a partir de agora!
- Tensa essa história Pietro – chiou Christopher – eu não sei por que vocês são desse jeito, os pais de vocês têm bons empregos, recebem bem todo mês, dão pra vocês tudo o que vocês querem e até coisas sem necessidade como, por exemplo, um celular de 1.500 reais, e vocês, o que fazem? Perdem, quebram, deixam levar! Na minha opinião, vocês não dão valor as coisas que tem!
- US PESSUAL NUM DÃO VALÔ ÀS COISA QUI TEM! BY CARMEN PARAFUSO! – todo mundo caiu na gargalhada. Ray Ann estava imitando a garota protestante fanática de pernas finas que vive sondando por aí, muito amiguinha de Maurice, mas que procura não se misturar com o resto do pessoal, só porque se acha melhor do que todo mundo, por ser convicta de que já tem o seu lugar no céu garantido.
- Não me venha com esse papo batido, Christopher, isso já está ficando chato! – reclamou Augusta, deixando seu caderno e sua caneta de lado por alguns instantes para se ver incluída na conversa.
- Mas é verdade, sempre que eu falo vocês me acham um chato, mas é verdade, vocês são muito folgados, deviam dar mais valor pras coisas que têm... – Christopher também largou a caneta por alguns instantes, olhou para a cabeceira da fila de cadeiras e depois para o final. – ué, a Carminha não veio hoje...
No mesmo instante, todos os outros integrantes do grupo que conversavam avidamente fizeram vistoria nas duas fileiras que pertenciam ao Apocalipse Club dentro da sala de aula, onde ninguém, apenas eles, sentavam. Era verdade, Carminha Parafuso e toda a sua magrice não compareceram à aula naquela terça-feira.
- Sabe de uma coisa? Vou dar de faltar igual uma louca agora também! – Fábia Paola que se mantivera calada até o presente momento deu uma pedrada com seu caderno tão maltratado, assustando todo mundo só de uma vez, como ela costumava fazer quando estava revoltada com alguma coisa – a Carmen quando tem feriado começa a enforcar desde quarta feira, quando na verdade o final de semana começa na sexta, e no final do ano ela ainda passa! – Fábia cruzou seus bracinhos pesados sobre seus enormes seios.
- A Paola tem razão, o professor de Geografia ainda teve coragem de passar a Carminha com sete ou oito parece, isso é uma puta duma sacanagem! – chiou Augusta.
- Por mim que se exploda Caminha e suas notas... O que eu não faria para ter meu celular de volta! O que eu não faria para não apanhar! O quê, meu Deus, o quê? Hoje eu vou pegar uma taca de peão-roxo, ai minhas costas!
Todos riram de Pietro, que permaneceu esfregando suas mãos nas costas, já sentindo a dor que estaria por vir mais tarde, quando ele resolvesse abrir o jogo com seus pais.
- Sabe de uma coisa? Sabe o que eu faria? – começou Pietro quando todo mundo já estava concentrado no assunto de história outra vez. – Quem dera eu ter uma máquina do tempo! Um dia, eu juro por Deus que vou voltar e pegar esse celular de volta! Nem que isso custe a minha vida! Quem sabe eu não viro o inventor da máquina do tempo?
- Com essas notas, eu acho difícil! – começou Maurice puxando o boletim de Pietro de baixo do caderno dele. – olha só, nem abriu o caderno ainda pra escrever o assunto!
- Ah, Maurice, não enche o saco! – Pietro puxou seu boletim de volta e prosseguiu na sua viagem de ficção científica – não, pensando melhor, eu voltaria no tempo e alteraria todo o meu passado, pra que o meu presente fique do jeito que eu quero. Eu fiz muita coisa que não queria ter feito, e me aconteceram muitas coisas também que foram cruciais pra o momento... Eu faria tudo diferente, desde o meu nascimento até agora!
- Eu também pensava assim antes! – pulou Christopher todo animado, aquele era um de seus assuntos preferidos, por isso sempre foi considerado o doido da turma, o mais retardado, porque sempre pensa muito além de todas as possibilidades, em resumo, o garoto viaja – eu sempre quis voltar no tempo e impedir que os meus pais se separassem, impedir a morte da minha bisavó, mas hoje eu vejo que essas coisas só me aconteceram para que eu me tornasse a pessoa que sou atualmente... Eu tenho medo de mudar alguma coisa e acabar como o Alexandre Amido...
Todos voltaram seus olhares felinos e disfarçados para o lado de lá da sala, para os riquinhos que vivem em festas, têm carros bonitos, dinheiro e muitas namoradas. Alexandre era o líder deles.
- Tem razão, já pensou o Christopher igual àqueles garotos? – riu Pietro, imaginando Christopher sem seus longos cabelos escuros e suas roupas extravagantes. – ia ser uma piada!
- Não se vocês me conhecessem daquele jeito... – Chris deu de ombros.
- Sem contar que tu nunca saberias se teus pais iam ser felizes juntos... – argumentou Maurice – vai ver eles tinham de se separar mesmo para não sofrer...
- É outra hipótese... Mas, que seja, eu sempre quis voltar no tempo, desde que me entendo por gente, é um dos meus grandes sonhos – os olhos de Christopher brilhavam.
- Não se preocupe, quando eu inventar a máquina do tempo, vamos todos fazer uma viagem juntos, e eu recuperarei meu celular e não levarei uma surra! – disse Pietro levantando seu punho no ar.
- É claro que vai levar uma surra, Pietro! – todos olharam confusos para Christopher. – é claro gente, vejam só: o Pietro do futuro iria até o passado, na noite e na hora em que o Pietro do passado perdeu o celular, e pegaria o aparelho antes que ele perdesse, no caso, se caísse no chão, e levaria de volta para o futuro, e então estaria explicada a situação: Pietro nunca perdeu seu telefone, o Pietro do futuro foi quem voltou e o pegou antes que alguém pisasse nele no meio da multidão e o levou para a sua época...
- E assim eu continuaria sem telefone e pegaria uma surra mesmo assim! – admirou-se Pietro, arregalando seus olhões brancos – que legal!... bom, quer dizer, só tecnicamente, porque eu continuaria condenado a apanhar...
- Isso deu foi um nó na minha cabeça isso sim! Vamos estudar manos! – começou Augusta.
Aquele dia passou rápido demais, e antes que Christopher percebesse, já estava dormindo...
Nunca em toda a sua existência, ele foi capaz de se preparar para o que viria. Nunca, jamais, em suas viagens imaginárias entre dimensões e hipóteses e mundos diferentes ele pode chegar a conclusões tão absurdas e catastróficas como aquelas que a maldita manhã seguinte lhe guardavam. É tudo tão caótico e tudo tão confuso. Tudo parece tão cômico, mas tão desesperador... Abrir os olhos numa quarta feira normal e ensolarada na cidade infernal e calorenta de Macapá, onde o sol te queima até os ossos, se olhar no espelho e dar conta de que já não é mais o mesmo...

Fim da Primeira Parte!


PRÓXIMA >>

Essa é pra pensar!

Pessoal, reparem bem na primeira linha desta lista de frequência...
É, tá difícil a situação... Dinho, pague a escola meu filho.

Este Nosso Estranho Mundo...

Todo final de ano, nossa escola promove um teste em que os alunos avaliam o material didático, a estrutura do prédio, os funcionários e os professores, inclusive os recursos de informática e audiovisuais...
Alguém poderia me dizer que tipo de recurso é um SATÃ SHOW?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Vendedora de Maçãs.


Era uma vez uma vendedora de maçãs que tinha dois lindos filhos e muitos amigos. A vendedora de maçãs era uma mulher jovial que gostava de se divertir, de sair e tomar sempre dos bons vinhos rodeada por pessoas de alto nível que lhe tratavam muito bem e a quem muito ela agradava. Mas ricos não têm horários, ricos não têm afazeres, acredita-se que um dia já tiveram, quando abriram seus negócios e começaram por baixo, mas depois de enriquecerem, entregaram o trabalho pesado nas mãos dos empregados e foram viver suas vidas desfrutando do bom e do melhor. Sem se preocupar com arrumar a casa, cuidar das lojas ou prestar atenção nos filhos porque já há quem faça isso por eles. Agora que podem pagar quantos empregados quiserem.

A vendedora de maçãs não tinha nenhum desses luxos, mas queria sempre e sempre estar ao lado desses seus ótimos amigos que a tratavam tão bem e a divertiam tanto, mas a pobre vendedora de maçãs era sozinha e não tinha empregados que cuidassem das coisas pra ela. Mesmo assim, ela se deixou levar por este estilo gracioso e divino de vida, indo se juntar aos seus melhores amigos em campos verdes distantes onde passavam horas a galopar e jogar conversa fora, todos os finais de semana, e inclusive em dias de semana, quando ela via um tempinho livre, deixava o serviço das maçãs e os meninos em casa e corria para a companhia alegre de almoços ao ar livre e vinhos deliciosos.

E as crianças?

Bom, as crianças foram ficando cada vez mais sozinhas aos finais de semana. Nos dias da semana ela trabalhava duro, e no domingo ela sumia numa carruagem lustrosa branca de cavalos negros, viver a vida que sempre sonhou.

Mas houve um dia, um certo dia, um domingo em que ela não voltou. Um domingo em que ela resolveu encarar uma incrível aventura, ir a uma terra distante sem saber onde esta mesma ficava, deixar tudo para trás e encarar novos ares, sem nem saber o que a esperaria dali por diante, só se deixou levar, por seus amigos que tinham todo o tempo do mundo para se divertir, ora vejam só, ela só queria fazer como eles, os ricos, se divertir sem pensar na manhã da segunda, onde ela voltaria a trabalhar. Não, ricos não fazem isso! Chega de meninos pra cuidar! Chega de vender maçãs!

Assim, uma das crianças passou a madrugada toda acordada, preocupada, dormiu durante duas horas e tornou a acordar na manhã seguinte. A mãe havia sumido. O último recado que recebera dela fora o de um cocheiro que veio de terras muito longínquas dizendo que ela nem sabia por onde estava andando, mas que estava vivendo uma grande aventura! Se divertindo!

O que aconteceu foi que um troll entrou pela janela, devorou os móveis, depois devorou toda a comida da casa, e deixou para devorar os pequenos por último. Quando a vendedora de maçãs chegou a casa, lá pela tarde, os ossinhos de João e Maria estavam amontoados numa grande pilha no meio da sala. A mulher ficou ali chorando dias a fio, uivando como um lobo angustiado, mas ninguém podia fazer nada, os meninos já eram só os ossos. E assim, a adorável vendedora de maçãs, tão linda e graciosa, passou a viver nas ruas, vendendo suas maçãs com todo o ânimo, e mesmo quando caía à noite, ela continuava a vender suas saborosas maçãs vermelhas, e eu inclusive comprei e comi uma, e estava uma delícia, com certeza.

VIVA-VIVA!


GRANDE VITÓRIA PARA O THE FATCAT HOUSE:
AGORA, INTERNET EM CASA, GENTE!

domingo, 15 de novembro de 2009

Draconius Nefastus!

Finalmente, a ilustração que todos pediram!

O Que Está Acontecendo Com As Pessoas?



Vou lhes confessar uma coisa, meus caros amigos. Sinceramente, do fundo do meu coração, acho que as pessoas estão ficando completamente loucas, eu não sei o que está acontecendo com elas. Nem cheguei a comentar o caso da universitária que foi hostilizada na faculdade por causa do seu vestidinho curto porque andei muito ocupado com várias coisas nestas últimas semanas, mas agora estou disposto a argumentar sobre o caso, que achei pura idiotice. Não sei o que deu na cabeça daquela gente, não sei mesmo. Porque, primeiro os veículos de comunicação divulgam uma imagem vulgarizada da mulher pelo mundo todo, para que uma mulher seja popular, seja aceita na sociedade, ela deve ser sensual, atraente e desinibida, sem medo de se mostrar, deve mostrar todas as suas curvas e o que tem de melhor escondido debaixo dos panos. Porém, quando aquela pobre estudante resolveu finalmente fazer tudo o que a televisão, as revistas e a internet incentivam uma mulher a fazer, é formado um verdadeiro motim contra ela, com direito a agressões verbais, a atentado ao pudor (tentaram levantar a barra do vestido e tirar foto da calcinha dela, isso pode ser classificado como um tipo de atentado ao pudor, não?) e coisas muito piores como o impedimento de exercer o seu direito de aprender, que é o principal.
E fica a pergunta no ar: MAS HEIN?
Eu não aceitei nenhuma explicação dada pelos psicólogos sociais que foram pra televisão tentar explicar o ocorrido, simplesmente porque o que aconteceu àquela moça não tem explicação nenhuma. A única explicação plausível pra reação daqueles marmanjos ao vestidinho curto da estudante (sem contar a hipótese de que eles sejam gays >.>, o que talvez nem seja discutível porque nem gays reagiriam daquele jeito) é que AS PESSOAS FICARAM LOUCAS! É tão comum ver mulheres vestidas assim pelas ruas, é tão comum vê-las assim na televisão, em anúncios de revista e outdoors, é algo do cotidiano, algo do dia-a-dia, algo corriqueiro, me entende? É uma característica da nossa época, uma característica do nosso século, a liberdade de expressão, não é? É tudo incentivado pelas novelas, pelas propagandas e pelo cinema, então PORQUÊ? O que aconteceu ali dentro?
O QUE ESTÁ HAVENDO COM AS PESSOAS???????????????????????????????????
Ontem, sábado, foi a feira do empreendedor da minha escola, e eu cheguei bem cedo à praça da orla do Araxá porque eu tinha de tirar a minha voz com a banda porque eu IA canta (outra longa história), e quando eu desci do carro, reparei que haviam meninos, crianças correndo pra lá e pra cá de farda, brincando embaixo das árvores e sentadas na grama, achei aquilo superengraçado, porque eu quis ser escoteiro quando era criança. Pode parecer que não, mas aqui em Macapá há um grupo de escoteiros, tipo uma escolinha pra eles igual como há nos outros estados, e os policiais militares, se não me engano (me corrijam se eu não estiver certo, por favor) são os treinadores dessas crianças.
Mas veja o que aconteceu:
Eu vinha passando entre os quiosques dos bares, as árvores e as calçadas da praça, e cruzei no meio do caminho com um daqueles homens fardados guiando um grupo de criancinhas. Aquele homem veio de longe com um sorriso de desdém, e quando o grupo finalmente chegou perto, o policial me olhou de cima abaixo, fez um barulho esquisito que pareceu um “ei”, mas eu senti que ele quis dizer alguma coisa, só não disse por causa do meu tamanho (eu acho), eu o encarei, ergui minhas sobrancelhas e segui caminho. Lembrando que era um policial, com cara de pra lá de trinta anos. Ele cochichou algo para as crianças que guiava, porque eu o ouvi logo às minhas costas, e os meninos começaram a gargalhar, e seguiu o grupo às gargalhadas até sumir de vista.
Então, o trabalho dos sargentos, policiais, agentes, seja lá o que forem, não era ensinar às crianças, de mentes jovens e influenciáveis a respeitar os cidadãos sejam eles quem forem? Pois é, não é isso que vem acontecendo, pelo visto.
E eu torno a perguntar a Deus.
POR FAVOR! O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS PESSOAS????????????????

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mais fotos daquela Sexta...
































































Porque o pessoal pediu sabe...

Mais fotos daquela Sexta...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O NOVO APOCALIPSE CLUB!!!!




















Antonio Fernandes [FTLOUIE]
Fabíola Maciel [Chan]
Beatriz Albarado [Bia, Biia, ou FDP...] XD
Rayanne Cordeiro [The Crow Girl!]
Pedro [PEDRO HENRI-QUÊ!]
Erick [dos Anjinhos Rugrats]
Suzana [Suzy, a Monga, o Stitch...]

O Retorno das Aventuras Apocalípticas - A Casa Abandonada!

Do Meu Diário Particular.

Dia 6 de Novembro de 2009.

A gente só ia visitar uma casa abandonada, combinávamos isso desde a terça-feira à tarde, quando íamos de verdade, mas o Raimundo do portão prendeu todo mundo no corredor e disse que ninguém ia sair. Mas hoje, quando cheguei ao canto da Funasa, local onde costumamos sentar, conversar, mexer e ser “mexido” por quem passa, bem na hora marcada (3:00 da tarde), Rayanne e Fabíola estavam todas muito bem maquiadas e usando blusas sexys hiperdecotadas por debaixo do uniforme. Me perguntei naquele momento se a intenção delas era seduzir algum espírito. Aos poucos o pessoal foi aparecendo, usando das roupas mais simples às mais esquisitas. O erick parecia até que ia pra praia, de bonezinho e até creme corporal dentro da mochila de costas!

A Suzana, que entrou de cabeça nessa perigosa aventura de ser uma apocalíptica após ter brigado com as suas amigas e mudado de lado dentro da sala de aula, agora ex-popular e ainda toda patty, apareceu usando óculos Rayban de aro dourado, blusinha de oncinha e uma máquina fotográfica no pulso, as bochechas levemente rosadas de blush. É incrível como ela se encaixou tão perfeitamente entre nós, apesar de ser tão diferente, pra falar a verdade, somos um grupo de pessoas diferentes, não temos absolutamente nada a ver uns com os outros, mas apesar disso, nossa amizade é verdadeira, e a Suzy teve o privilégio de participar disso também. Assim que a Bia Chegou, me senti mais à vontade, ela também tinha vindo só de uniforme como eu, e então fomos todos pra casa do Pedro chamá-lo!

A Dona V, mãe do Pedro, odeia visitas, principalmente se forem amigos dele, ela não deixa ninguém entrar de maneira alguma, e ainda não sabemos exatamente o porquê, só sabemos que ela não gosta que entrem na casa dela. Aproveitando que ela estava tirando a soneca da tarde, Suzana entrou para ir ao banheiro porque estava muito apertada, e pra resumir a história, eu, Fabíola e Erick entramos também, só de enxeridos pra ver como é lá dentro, porque nunca tivemos coragem o suficiente para correr todos os riscos de sermos pegos por lá pela furiosa Dona V. Foi o Erick que, ao sair um instantinho do quarto enquanto ficávamos mexendo por lá, voltou correndo desesperado dizendo que ela vinha descendo as escadas!Corremos todos para o espaço ao lado do guarda roupa, onde ficava a porta metálica do banheiro, e quase morremos espremidos por lá, e pra completar, a porta do quarto estava aberta, aí já viu o desespero! O que faria Dona V se nos pegasse ali dentro? Arrancaria-nos de lá pelos cabelos? Expulsaria a todos nós, ou nos devoraria vivos? As nossas risadas nervosas tentávamos abafar desesperadamente, o que só nos fazia rir mais e mais. Meu coração estava a mil, eu via a hora em que a Fabíola, escandalosa que só, se espocaria na risada e denunciaria a todos nós!

“PEDRO HENRI-QUÊ!”

Gritou a Dona V, bem ali ao pé da porta do quarto, um guarda-roupa nos separava! Eu comecei a suar.

“MAS AAAAH!”

Gritou a Suzana de dentro do banheiro! Pronto! Foi dada a sentença de morte! Com certeza Dona V havia ouvido aquele grito, e você tinha de ver as caras de pavor quando a Suzana gritou! Eu já calculava o que faria quando visse a cara sonolenta e irada da Mamãe-Sauro (foi assim que o Erick a batizou) que teve sua soneca perturbada nos descobrindo espremidos contra a porta do banheiro do Pedro. Mas para minha surpresa, quem saiu das trevas foi ele, dizendo que era melhor correr enquanto ainda dava tempo. Fomos então, percorrendo ruas paralelas e pouco movimentadas que não são nem do Centro nem do Laguinho, nem do Santa Rita e nem do Centro, fronteiras indefinidas de bairros ensolarados e cheios de árvores tropicais sobre calçadas sujas, ruas que o Pedro conhece muito bem. “Aqui mora fulano que fez isso, isso e aquilo, aqui mora cicrano que faz isso e tal coisa, e bem aqui mora uma macumbeira que sempre pega santo!”, dizia ele, e após cruzarmos a FAB, finalmente chegamos à casa.

Na verdade, ruínas de uma antiga construção contemporânea, com aparência de mais de 20 anos atrás, sem portas nem janelas nem telhas e nem forro. Já fora lar de moradores de rua antes, os barracos de pernamanca, papelão e lona denunciavam isso, agora são só escombros tomados por poeira, folhas secas e mato. Primeiro rimos da Rayanne por ter nos relatado este lugar que pelo lado de fora parecia tão patético como ponto de satanismo, mas após entrarmos vimos que tudo ali era mistério.

A frente do local tinha a estrutura típica de fachadas de centros religiosos, como templos evangélicos e igrejas espíritas. Mais ao fundo havia um quarto com banheiro e ao lado disso uma sala de aula abandonada. Deduzi isso pelos traços de pintura restantes com temáticas infantis nas paredes enegrecidas pelas intempéries do tempo. Quando mais a fundo íamos, mais meu coração pesava e a atmosfera tornava-se tenebrosa. Algo morava ali. Tudo era um labirinto de quartos, corredores e banheiros, cômodos secretos levavam a outros que nos deixavam sem saída, alguns de nós já diziam que nem sabiam voltar. Haviam roupas espalhadas pelo chão, brinquedos, malas, bolsas, sapatos, revistas, armários, grades de garrafas vazias, galões de tinta, cadeiras, potes de shampoo, vasos com flores artificiais, tudo largado ao léu, espalhado no chão em um caos, como se ali tivesse acontecido um verdadeiro armagedon, como se as pessoas que antes ali moravam tivessem simplesmente saído de lá e deixado tudo para trás, para ser depredado pelos marginais e pela própria população.

E que planta estranha que aquele local tinha! Vasculhamos tudo de cabo a rabo, e fizemos piada de muitas coisas também, nós não resistimos, vocês sabem! Alguns de nós ligaram a maioria dos objetos à uma certa amiga nossa das perninhas finas,,, Os fundos daquele templo eram uma casa, uma casa que se ligava a outra pelo quintal, esta também abandonada. Marcas de mãos na parede bem ao estilo “A Bruxa de Blair” davam um toque horripilante e macabro ao local, estávamos nos divertindo. Tiramos fotos na máquina da Suzana (as que vocês veem agora) e partimos pra casa do Pipo, namorado da Rayanne, que fica ali na mesma rua das ruínas. Na verdade, foi ele quem mostrou a casa a ela.

O mais engraçado de tudo isso era ver a Suzana ali no meio da gente, nós, os esquisitos da sala, os deslocados sociais que não se dão bem com ninguém, e como esta interação foi perfeita e como ela entrou em sincronia conosco. Parece até que ali era o lugar dela.

Lá na casa do Pipo, sentamos na calçada e deliberamos sobre quem ia pra onde depois daquilo tudo. Suzana e Rayanne voltariam para a escola (no caso da Rayanne, pra casa, porque ela não pode ficar até muito tarde na rua e já eram quase seis da tarde), Fabíola pegaria ônibus comigo na parada e Bia e Erick iriam pra praça ver um show que ia ter por lá. Eles até queriam que eu fosse, mas eu estava louco para chegar em casa, tirar minha roupa e fazer cocô! ;>

Enquanto isso, Fabíola ouvia da Rayanne algo que o Pipo havia dito sobre o ursinho de pelúcia sujo que vimos jogado no chão. Reza a lenda urbana que um garotinho fora assassinado ali dentro (aí está a explicação para a energia ruim que eu senti ao adentrar mais nos cômodos), o corpo foi retirado, mas esqueceram-se do brinquedo. Agora dizem por aí que quem pegasse no ursinho seria perseguido pelo espírito do menino e em seguida possuído. Foi o que bastou para a Fabíola ficar dizendo que ia porque ia tocar no “urso maldito”. Nos recusamos a acompanhá-la nessa porque eu já estava muito cansado, Rayanne tinha de voltar, Suzana estava com medo e Bia porque achava perda de tempo.

Então Fabíola, Pedro e Erick entraram, e eu o restante seguimos. Quando estávamos a uma esquina de distância, ouvimos um grito, o grito mais feio que eu já ouvi em toda a minha vida, ao vivo pra falar a verdade, um grito digno de Jamie Lee Curtis! Eu e Rayanne voltamos correndo temendo pela Fabíola, e a Bia veio logo atrás dizendo “Olha! Tu ouviste? Eu não disse? Eu sabia!”.

Quando chegamos lá, surgem Pedro e Erick com Fabíola gargalhando logo atrás. Perguntamos o que havia acontecido, e Fabíola só conseguia rir. Quando o surto de risadas parou, Pedro disse que ela simplesmente pegou o urso, gritou e o largou no chão. O Erick disse que ela se espocou... Bem, ignoramos essa. Rayanne deu três tapas nela e disse pra ela nunca mais fazer isso porque era muito sério e havia deixado todos nós preocupados. Na volta ela ficou dizendo que a mão dela estava cheirando a sangue...
Na parada, por pouco não perdi o ônibus porque o Erick parou ele pra mim quando ele ia saindo, e eu subi. Foi quando eu percebi que não tinha o dinheiro da passagem na carteira e tive de procurar em todos os bolsos todas as minhas moedas. Por um minuto eu quase me desesperei, mas lembrei dos cinquenta centavos que eu havia pegado de cima da raque do Pedro só de sacanagem quando ele virou de costas. Depois ele ficou perguntando o que eu tinha pegado de lá de cima, e eu disse que nada, mas na manhã seguinte eu o paguei e ficamos quites, porque se não fosse ele, eu não teria voltado pra casa porque havia me esquecido do dinheiro do ônibus dentro do bolso da bermuda!

Mas que sexta-feira maluca!

Um Estudo Psicológico (e biológico!) Humano - A Cocatrice!


Oi pessoal! Desculpem, acho que andei meio esquecido do blog. Hum, tá, fala sério, a verdade é que eu fiz 41 postagens maravilhosas incluindo artigos de opinião, fotos de humor e contos, de modo que vocês não podem reclamar se eu passar mais de uma semana sem postar alguma coisa aqui. A última vez em que postei algo sobre a minha vida foi no dia 31 de outubro, postagem de agradecimento de Halloween, mas eu nem cheguei a contar detalhes mais profundos, não tornei a relatar os ocorridos bizarros da escola, dá até uma saudade dos tempos do Box Falante... Mas não, nada de objetos inanimados falantes, dessa vez temos animais em forma de gente, tipo serpentes-matracas de outras dimensões, cruzamento hediondo entre uma coisa venenosa e uma criatura que fala demais, e que anda falando coisas que não estão agradando ninguém.

O problema desta criatura mestiça que vaga pelos corredores da nossa escola é que até um tempo atrás, ela era simplesmente um nada, e não representava coisa alguma pra ninguém. Mas agora que ela passou para o primeiro ano (e está prestes a terminar este rápido ano do colegial), ficou mais “dada” diga-se de passagem, e resolveu que ia ser amiga de todo mundo. O problema é que esta criatura tenta ser uma coisa que não, e pra agradar todo mundo só de uma vez, ela acabou desenvolvendo uma nova habilidade maligna por uma seleção natural mutante e instantânea: a capacidade de sugar traços da personalidade de uma pessoa somente para se tornar amiga dela também, o que a classifica como uma espécie de sanguessuga muito da safada e falseta, isso.

Como por exemplo, ser fã de Tim Burton e nunca ter assistido nem ao Estranho Mundo de Jack! Esta criatura mutante é mais falsa que nota de trinta reais, e tenta de tudo para lhe agradar e se tornar sua amiga. O problema dela é que ela não nasceu para ser popular, para ser amiga de todo mundo, e ela tenta ser uma coisa que ela não é. Ela não sabe conciliar duas coisas. Um exemplo bem claro disso é o que ela anda fazendo ultimamente. Meu amigo Christopher Umbrella me contou que ela, até um tempo desses, era muito amiga dele e de seus amigos, mas após algumas confusões em que eles perceberam quem essa criatura realmente era, eles se afastaram. O que aconteceu foi que agora ela resolveu ser amiguinha de dois garotos que não gostam de Christopher, e para agradá-los, está falando mal dele por aí também, só pra tentar se encaixar, o que revela o seu lado maritaca.

Seu lado maritaca a deixa impossível de guardar segredo algum, de modo que isso a tornou inconveniente de vários modos, em que ninguém pode falar muita coisa perto dela sem se preocupar muito. Ela vai contar, sempre vai contar, e justamente pra pessoa que não devia saber jamais daquilo, só porque ela quer ser amiga daquela pessoa também, ter um assunto para compartilhar com o objeto da sua investida, ter algo com que dividir e iniciar uma amizade superficial para que ela sugue traços da personalidade dessa pessoa mais uma vez, e então o ciclo se fecha!

Ah, vá! Fala sério! Eu sei que vocês conhecem uma pessoa assim! Alguém que quer ser amigo de todos, e pra conseguir uma amizade, inicia tudo com uma fofoca. Alguém que não é original de fábrica, que pra te agradar tenta ser igual a você e gostar das mesmas coisas que você, e que depois pega suas opiniões e sai dizendo por aí como se fossem dela. Pois é, tem uma dessas rondando pela escola...

O Atual na verdade é uma selva, uma selva violenta e muito da macabra, onde você ou devora, ou é devorado. Aquela escola é um grande ninho de cobras, onde nunca se sabe quem verdadeiramente é aquele que está sentado na carteira ao lado. Grandes segredos correm soltos embaixo das folhas secas como besouros barulhentos, coisa que os macacos, as harpias e as preguiças fazem questão de ignorar. Porém, quando os besouros resolvem passear pelos galhos, grandes guerras acontecem. Guerras sangrentas de olhares e palavras. Guerras de boca-a-boca. Guerras que quase sempre vão acabar na frente da mesa da Sandra.

Acabei de perceber, metade réptil e metade ave, a serpente-maritaca só pode ser uma Cocatrice... Hum, Apocalipse Club! Está na hora de ir à caça...