
segunda-feira, 21 de março de 2011
A Pior Coisa...

domingo, 20 de março de 2011
A Primeira Experiência

Não consigo mais dormir de madrugada, isso é fato. Após três meses de transformação, acabei me tornando finalmente uma criatura noturna, em dias de semana só me acordo depois de meio dia, em finais de semana, só depois das cinco da tarde. Mas não porque eu quero, é algo que foi ativado pelo meu organismo, a noite me deixa elétrico, ativo, cheio de coisas na cabeça, para escrever, para desenhar, para fazer. Em outras palavras, meu emprego terá de ser noturno, ou então estarei perdido nessa vida pra sempre. Há duas soluções: trabalhar numa lan house 24 horas ou virar prostituta. Dúvida cruel.
Me vesti da pior forma possível naquela manhã de sexta feira, a blusa mais troncha e a calça mais folgada e desbotada, meti uma sandália velha no pé e me segurei para não carregar a maquiagem, o lápis de olho. Eu estava tentando desesperadamente parecer um menino, eu nem tinha feito a barba, estava em desespero, meu coração louco para saltar pra fora do peito. Me sentia caminhando para a morte!
O que eles vão fazer comigo lá? O que vão perguntar? O que vão exigir de mim? E o meu cabelo, o meu cabelo, o meu cabelo, o meu cabelo, aquilo reverberava dentro de mim como um eco, num instante eu era um vazio profundo e sem vida, coberto por um manto de medo onde ecoava aquela frase "o meu cabelo". E se eles mandarem cortar o meu cabelo?! Eu não sou o mesmo sem o meu cabelo, eu sequer sou metade de mim sem o meu cabelo, é a coisa que eu mais amo no meu corpo, que eu cuido com tanto carinho todos os dias, penteando, escovando, passando cremes e pomadas, reparador de pontas, tudo para que ele fique lindo e lustroso, brilhante sedoso e solto. Quem me conhece sabe muito bem que eu posso entrar em depressão se cortarem meu cabelo, não há outra coisa no mundo que eu ame mais do que ele, é como se fosse um braço ou uma perna! Várias vezes tives pesadelos em que ele caía ou voltava a enrolar, e eu acordava em desespero, à beira do choro.
Você pode achar que é algum tipo de futilidade minha, mas não é. Eu sofri de complexo de inferioridade por praticamente toda a segunda metade da minha infância, desde a separação dos meus pais até os meus 14 anos eu não suportava sequer me olhar no espelho, eu tinha vontade de retalhar meu próprio rosto, eu não me suportava, eu não cuidava de mim mesmo, eu tinha dó, nojo e raiva da minha aparência ao mesmo tempo, só não enlouqueci porque minha mãe sempre foi minha amiga íntima e me confortou muitas vezes, sem ela eu não estaria aqui.
E então eu resolvi alisar meu cabelo. E a minha vida mudou, mudou MESMO. Eu me senti nascendo de novo, me senti outra pessoa, seguro de mim mesmo, me senti como nunca havia sentido antes, eu passei a me admirar e a cuidar de mim cada vez mais, a me amar como nunca havia amado, e isso não só mudou meu interior como meu exterior também! Eu me senti mais à vontade para conversar com as pessoas e isso atraiu grande parte dos amigos que tenho hoje em dia. A sensação de poder que meus cabelos escuros me dão é indescritível. Penso que sem eles, eu sequer teria forças para sair de casa!
Mas então veio os meus 18 anos.
E a maldita quitação com o exército.
E o meu cabelo, e o meu cabelo, e o meu cabelo.
Eu jamais cortaria ele, nem por um milhão de dólares, nada nesse mundo, nenhuma força nessa terra é capaz de me convencer a cortá-lo. Deus sim tem poder sobre isso, mas nenhum homem me fará cortar este cabelo, não senhor. E eu saí de casa com isso na cabeça, e chegando na frente da Junta Militar entrei em desespero ao ver os rapazes todos arrumadinhos, tive de voltar em casa para me arrumar direito: e se eles implicassem com a minha roupa também? Além do mais, restavam os documentos e as cópias para o cadastro, resolvemos isso em alguns minutos, eu e mamãe. Mamãe, sempre do meu lado. Meu Deus, mamãe, sem você eu seria um bosta! Eu jamais saberia como proceder sem você, eu entraria em desespero assim que abrisse os olhos pela manhã. Minha mãe é meu porto seguro, Deus o livre!
E aí eu fui pra fila. E aos poucos fui ficando mais à vontade, os outros rapazes pareciam tão jovens quanto eu, alguns usavam brincos até, e um daqueles que vieram de branco para fazer o juramento à bandeira usava algo semelhante a um rastafari preso num rabo de cavalo. Nossa, senti um alívio enorme naquele momento, e aos poucos fui me acalmando. Coloquei uma música e fiquei observando uma velha rechonchuda fumar cigarro após cigarro feito uma chaminé enquanto reclamava com sua voz roufenha daquela repartição jogada às traças e dos funcionários preguiçosos.
Uma repartição pública idiota como qualquer outra, pensei. E então estava completamente relaxado.
Um rapaz perguntou-me se eu iria me alistar pra servir ou ia pedir a despensa. Eu ri. Por um acaso tenho cara de quem quer servir o exército?
E então chegou a minha vez.
- PRÓXIMO - grasnou a morena fanha com cara de poucos amigos no balcão. Eu me levantei do banco e me aproximei. - alistamento? - perguntou.
Não querida, vim comprar fubá, pensei.
- Sim - disse.
- Certidão de nascimento, cópia da identidade e CPF - fez ela, curta e grossa, num nível extremo de mau humor.
- A-a-aqui. - gaguejei.
Me atrapalhei para pegar os documentos, ela bufou, colocou a mão na cintura, revirou os olhos e fez uma cara azeda, olhou sugestivamente para a velha que abriu a porta do escritório ao lado, logo atrás do balcão. Eu podia jurar que ela estava escarnecendo de mim, eu juro que vi um sorrisinho na cara daquela vadia. Maldita.
- Comprovante de residência - grasnou ela.
Entreguei-lhe a cópia. Ela o analisou como se procurando um único defeito pra chiar. Não o encontrou e pediu o último item de sua lista como se estivesse recolhendo ingredientes para jogar numa espécoe de caldeirão e fazer algum tipo de feitiço contra mim. Aquela vaca.
- Foto três por quarto - pediu.
Entreguei-lhe.
Outra vez vi em seu rosto a expressão azeda. Uma cara de cú, como costumo dizer vulgarmente. Ela mostrou a foto para a velha e apontou para o meu rosto na pequena fotografia:
- As orelhas e a testa tem que estar descobertas. - disse. - PRÓOOOOOXIMO!
E eu fiquei lá parado por um instante tentando entender a situação. Afastei-me para o rapaz que estava na ordem chegar ao balcão e comecei a guardar a papelada. Virei-me para a velha que parecia muito mais simpática e compreensível que a jovem morena com cara de ânus.
- Q-quer dizer que eu tenho que bater outra foto? - perguntei.
- Sim - disse a velha.
- E voltar outro dia? - perguntei outra vez.
- Sim - respondeu. - é.
Todos os rostos daquele recinto estavam voltados para mim.
E então eu saí do prédio.
Completamente confuso, acontecera tudo rápido demais.
E essa foi minha primeira experiência com os militares.... Bom, não exatamente com eles, mas... Bem, você entendeu.
sábado, 19 de março de 2011
Capítulo III - Os Irmãos Mimieux e a Exploração do Local

Frederico foi para fora.
Para encarar a beleza etérea, muda e estranha daquela floresta de pinheiros silenciosa e apavorante. Agora que estava claro, era possível ver os raios dourados do sol atravessando em lâminas as folhagens espaças das árvores. O musgo reinava nas rochas maiores que rodeavam a clareira, trepadeiras famintas disputavam os troncos grossos para ver quem chegava primeiro ao topo da sua árvore. Pequenos insetos se faziam presentes agora, insetos quase imperceptíveis, como uma joaninha minúscula pousada numa flor amarela daquelas que florescem pela manhã e morrem ao meio-dia, uma borboleta cor de pão que cruzava o local solene e uma jacinta amarela descansando numa fina tira de capim. O cascalho reclamão gritou à pressão dos pés de Fred ao chão.
- Bom dia pai. – disse Fred, ainda sonolento, bocejando. Fazia muito frio lá fora.
- Bom dia Fred, já tomou o café? – uma pobre lenha foi cortada ao meio.
- Ainda não...
- Então é melhor tomar, vou aproveitar que estão aqui para levá-los a ver algumas coisas...
O pai dos Mimieux entrou no casebre, levou os garotos para a mesa do café e os fez engolir mais algumas bolachas, goles de achocolatado e sanduíches de patê e alface. Frederico tomou um banho dos pés à cabeça. A água ali era quentinha apesar do frio. O pai dos garotos não perdeu muito tempo explicando como a eletricidade chegava até ali sem cabos de cobre e outros postes condutores, nem perdeu muito tempo explicando de onde vinha a água. Segundo ele, escavou várias vezes ao redor e não encontrou encanamento algum.
Até a temperatura da água era um grande mistério.
Os três estavam cruzando a clareira agora, de moletons e casacos sobre seus corpos, protegendo-os do ar frio da montanha que ainda ensolarada, era glacial. Aproximando-se do declive da ladeira em curva, Amélia escorregou nos milhares de cascalhos soltos e desceu como se num tobogã até metade do caminho. Ao final da sua rápida descida, o coração estava acelerado, o susto havia lhe arrancado algumas lágrimas súbitas. Tudo ali era tão silencioso, e os dois homens que a ladeavam estavam em um silêncio de sepulcro que a deixava completamente distraída, perdida num mundo de pensamentos. Ela queria muito voltar pra casa, chegar depois da aula e almoçar com a mãe como sempre fazia todos os dias.
Os dois a levantaram, e segurando-a enquanto davam algumas gargalhadas que ecoavam pela floresta que ladeava a estrada de pedra, desceram o resto do declive e caminharam por talvez meia hora em silêncio, com poucos comentários realmente aproveitáveis. Eles estavam separados há dois anos, mas suas realidades e suas intimidades já eram tão distantes que talvez não fosse tão importante assim contar o que acontecerão então depois do desaparecimento do pai. Até porque grande coisa não mudou. A rotina em particular continuou a mesma, apenas a dor da sua falta acentuou-se mais com o passar dos meses.
- A paisagem não muda muito... – foi um dos comentários de Amélia.
- É disso que eu estou falando – disse o pai. – as mesmas árvores, a estranha segue em reta cortando o topo de uma cadeia de montanhas ao meio, e eu já confirmei isso, escalei um pico mais adiante... Mas não avistei a clareira de lá. Só um infinito cinza e verde.
- Onde diabos nós estamos?! – esbravejou Frederico chutando uma pedra com força. Ela rolou uma ribanceira mais adiante.
- Se eu soubesse, já teria saído daqui antes. – disse o pai, parando para tomar um gole de água do cantil.
- Escute... – fez Amélia – ainda acho que estamos mortos. – disse – não vejo insetos, não vejo animais, não sinto o vento, só ar gelado, ar parado e gelado.
- Não fale asneiras, Mia, não fale asneiras! – ruminou Fred.
- Acho que sua irmã tem razão, Frederico, não vejo outra explicação para esse lugar, não vejo. É tudo impossível, inexistente, é como se o tempo estivesse suspenso aqui!
Turbinas. Turbinas num som alto e muito familiar. Um avião vinha por aí.
- OH MEU DEUS! – exclamou o pai em regozijo instantâneo, puxou um sinalizador vermelho da mochila a tiracolo. A aeronave branca, um Airbus, despontou de uma das espaças nuvens acima das cabeças do trio, nuvens tão baixas que poderiam ser tocadas com a ponta do dedo mindinho, de modo que o avião parecia baixo demais, assustador demais, parecia estar caindo. O homem atirou para cima, um jato de luz vermelha cruzou o céu, extinguiu-se logo depois, e então o avião sumiu no horizonte outra vez. O Sr. Mimieux ainda tinha um sorriso esperançoso no rosto, um sorriso que tornou-se amarelado quinze minutos após a aeronave desaparecer.
Os seus filhos pouco ligaram para o incidente. Uma coisa era clara: se os aviões cruzavam aqueles céus, alguém deveria saber da existência daquele lugar. Amélia remexia nos arbustos atrás de morangos e amoras. Frederico, sentado no chão, atirava pedras para longe, ouvindo o eco delas atingir faminto ao seu ouvido.
- Nossa, o que é isso? – Mia resmungou de longe, há uns cinco metros de distâncias dos dois homens desesperançosos e silenciosos que se encaravam com desapontamento e frieza ao mesmo tempo. Um sentado e o outro de pé. O Sr. Mimieux foi o primeiro a olhar para a garota, que tornou a exclamar, agora em alto e bom som – Ei! Venham ver isso aqui!
Frederico levantou-se com a ajuda do pai e correram os dois para o local. Nas mãos de Mia havia uma estranha pedra em forma de mão, uma mão espalmada mostrando um olho, um globo ocular de pedra exatamente no centro.
- O que vocês acham que é isso? – perguntou a garota, passando o objeto ao pai, que o analisou minuciosamente. Era apenas algum tipo de artesanato, uma espécie de relicário, uma antiguidade perdida nas montanhas, remanescente de algum povo antigo que ali habitou antes do local tornar-se vazio e calado. Antes de toda a vida ali silenciar-se por toda a eternidade.
- É um artefato muito raro... A mão com o olho no centro... – o Sr. Mimieux parecia intrigado. Puxou uma lupa de um dos milhares de bolsos da sua mochila vermelha, para analisar melhor ao objeto – é feito de calcário como as pedras da estrada, e também parece ser bem antigo se prestarmos bem atenção no tom esverdeado do relevo... Onde o encontrou?
Amélia apontou para um monte de pedras empilhadas pouco antes da ribanceira. Uma pequena pirâmide construída ali por mãos desconhecidas, uma pirâmide que poderia estar ali há séculos. O Sr. Mimieux se aproximou.
- É perfeita, não há nenhuma falha em sua construção – disse ele. A pequena pirâmide estivera oculta por dois arbustos durante todos estes anos, e agora fora descoberta pela jovem Mia Mimieux, futura antropóloga. – alguém a planejou... Mas porque a construiria justamente aqui, na beira da estrada?
O velho ergueu sua cabeça e olhou em todas as direções. Estrada, montanhas e árvores. Só isso e mais nada. Em meio ao frio úmido. Adentrou nos arvoredos, em busca de algo parecido, nada encontrou ali, a não ser o começo de uma ribanceira que acabava numa vala profunda e coberta por mato, lugar aonde ele não iria se aventurar, sem saber o que ali havia, e muito menos tendo visto tudo o que viu por aquelas bandas.
O velho intrigava-se muito com aquilo, olhava constantemente da mão de pedra para a pirâmide de calcário, e revirava arbustos, quebrava arvoredos ao meio, arrancava trepadeiras de rochas que cresciam, procurando inscrições antigas, indícios de vida inteligente. Nada. Só aquilo. O intrigante Aquilo.
- Dê-me isto – pediu Frederico. A irmã lhe entregou de má vontade. E eis que aconteceu algo inexperado.
- Mas que porra... – a pedra descascou nas mãos do rapaz, e sua casca de cascalho que se desfazia em pó revelava aos poucos um objeto desconhecido e dourado, a mão de pedra estava se tornando uma mão de ouro.
Öldür onu
Öldür onu
Öldür onu
Öldür onu
Öldür onu!!!

sexta-feira, 18 de março de 2011
Um pouco sobre Mitologia Canavar...
Sinto que no momento em que escrevi isto, havia dado vida a algo que eu próprio desconheço até hoje. Esta foi a primeira citação, a gênese de Lilith, o Rei dos Monstros, uma manifestação de mim mesmo, um alter-ego, uma das minhas múltiplas personalidades, uma metáfora criada a partir de um sentimento meu, de um desejo por liberdade (contrariando o que a minha professora de Sociologia da Arte defende com afinco em suas aulas: a arte pensada, e não sentida, fruto do pensamento e não do sentimento. A arte pode ser fruto do sentimento sim, e assim ela se torna infinita, sem começo nem fim, como meu Lilith, eu Lilith).
Lilith foi acorrentado no começo da Era dos Monstros, quando um grande terremoto sacudiu a terra e trouxe as criaturas, seus discípulos, para este mundo, onde eles proliferaram e prosperaram, montaram cidades e ocuparam o lar que antes era dos humanos. Uma ditadura misteriosa estabeleceu-se após a queda de Lilith, e os monstros, criaturas selvagens, entidades míticas, espíritos mágicos, seres livres, foram forçadas a seguir as ordens superiores tendo em vista que agora seu soberano estava preso. Eles sequer protestaram, e logo se acomodaram a uma vida sem grandes festas, festivais e cerimônias em homenagem aos seus deuses e reis adorados, cheias de comes e bebes, danças, cânticos e o sagrado sexo (para os monstros, o orgasmo é uma forma de se conectar com o divino). Logo foram tomados por uma rotina constante e monótona, onde todos cooperam para uma sociedade capitalista e moralista cheia de regras e valores sem fundamento lógico que esbarram na liberdade de expressão, algo que passou a não existir.
E então, numa conversa pelo messenger, acabei soltando essa ideia para meu querido amigo, companheiro intelectual, Andrew Oliveira (que como eu também possui um alter-ego, Black Cherry), e juntos trabalhamos essa ideia e moldamos o que chamamos posteriormente de Canavarlar – O Baile dos Monstros. O segundo personagem a ser criado foi Corona Solaris, batizado por mim e caracterizado pelo próprio Andrew, Corona Solaris é o irmão mais próximo de Lilith: Lilith é filho das sombras, Corona é filho da luz. Um rege a Lua, o outro rege o Sol. Lilith é mais introspectivo, Corona é mais externo. Um é o contrário do outro. Assim, o segundo ato da peça foi escrito, mostrando o nascer do sol e a indignação de milhares de anos sendo posta para fora numa tempestade solar, um protesto contra seu irmão acorrentado.Pandora foi a terceira a ser gerada, é praticamente gêmea de Lilith, possuindo as mesmas longas garras douradas que o irmão mais velho ostenta, em tamanho menor. Trata-se de uma vampira oriental originalmente criada especialmente para ser interpretada por minha alto-estimada amiga Naomi Sakaguchi, carregando 10.000 anos de idade em suas costas, já alimentou-se de tanto sangue que já não precisa matar para viver, perdida nos séculos, acaba sozinha em uma velha mansão, precisando de companhia, e como o mundo neste futuro distante é habitado tão somente por monstros, ela decide optar pela companhia de uma máquina na ausência de um humano, e decide comprar um robô, pelo qual ela se apaixona.
Após várias tentativas, ela percebe que não há como fazer o coração de borracha de uma máquina sentir como um se humano, então ela decide procurar seu irmão mais velho, Lilith, acorrentado no princípio das eras no Templo Dourado da Montanha Auriel pela ditadura que abateu-se alguns séculos após a grande revolução que trouxe os monstros para a terra e difundiu as raça das criaturas através dos continentes.
A quinta criatura é um grande ponto de interrogação. Os quatro primeiros Reis Monstros são irmãos não de sangue, mas talvez de alma, fruto da mesma consciência, da mesma essência, seres que decidiram existir a partir do primeiro princípio da criação, uma única força de vontade que dividiu-se em quatro e gerou-os em pontos diferentes do infinito. Mas a quinta criatura é um grande mistério, gosto de chamá-lo de “irmão adotivo” dos quatro Reis Monstros. Essa criatura é Marduk, O Babilônio. Marduk era um deus do panteão babilônio que matou a draga Tiamat para vingar a morte de seu pai, e assim foi adorado pelo povo do oriente médio durante muitas eras, mas após a morte dos velhos tempos, ele se viu sozinho e sem súditos.
Os quatro deuses então se reúnem no Templo Dourado no topo da montanha mais alta do mundo, aquela que desceu dos céus no início das eras e sacudiu a terra com a sua queda, aquela que os monstros chamam de Auriel. Lilith jaz como uma estátua, acorrentado. Os elos então são quebrados e uma grande tempestade se abate sobre os quatro cantos do globo, este é o sinal de que o Rei está livre, e os monstros ao redor do mundo se reúnem para uma grande comemoração. Para assumir sua coroa outra vez e assentar-se no trono como Rei dos Monstros, Lilith então decide dar um grande baile em homenagem ao seu povo (costumamos dizer que o personagem principal da peça é o Baile!), mas algo está errado, algo está estranhamente errado...
Quando criei o conceito de Babel, mais especificamente de seus habitantes, imaginei uma mistura do Mercado Troll de Guillermo Del Toro (Hellboy II – O Exército Dourado) com o vídeo “Stranger Than Kindness” da Fever Ray. Percebe-se em Oráculo das Feras que Babel estava bem longe de ser essa metrópole altamente desenvolvida descrita na peça: antes de vir para o mundo humano, Babel era uma cidade clássica habitada por diversas entidades menores que viviam em harmonia num constante festival. Repleta de feiras, bordéis, teatros, oficinas, funilarias, joalherias e grandes mercados de itens raríssimos, Babel não se trata somente de uma grande cidade ao velho estilo mercante como os grandes impérios gregos e persas: é também um grande país oculto que paira sobre o Mundo Oráculo. É descrita pela primeira vez em Oráculo das Feras Pt. 1, visitada pela personagem Minerva que vai até lá em busca de ajuda e acaba recebendo uma missão de seus deuses (http://www.soldeandrew.blogspot.com/).
Nos dias de hoje, a Mitologia Canavar vem sendo muito trabalhada nesta parceria entre mim e Andrew, novos mitos, novos heróis, novos deuses, novos demônios, novas entidades e novas lendas são acrescentadas dia após dia, frutos da nossa mente doentia. Altamente inspiradas pelo surrealismo presente em grande parte do conteúdo visual contemporâneo de vídeo clipes, ilustrações e na moda, a Mitologia Canavar evolui e toma proporções gigantescas a cada nova palavra escrita na poesia e nos contos referentes aos Reis Monstros e sua cosmogonia. Temos uma pequena noção do que criamos, porém há a certeza da existência de algo muito maior por trás de tudo isso.Letra & Música ₰
Desde a gênese deste blog, Beth Ditto sempre foi a musa revolucionária inspiradora destas páginas, surgindo vez ou outra fazendo caras e bocas nas páginas de The Fatcat House, especialmente em 2009 quando a conheci oficialmente como vocalista da banda Gossip. Feminista convicta, é lésbica assumida e apoia o direito dos homossexuais com fervor. Garota de atitude, está pouco se lixando para os comentários a respeito de seus quilinhos a mais e de suas curvas sinuosas, mostrando-se cada vez mais ousada em seus figurinos e aparições, provou para todos que nem só as magrelas podem ser felizes, nós gordinhos também podemos ser vaidosos, basta não dar ouvidos ao que os outros dizem!
I Wrote The Book
I put you up, I treat you well
Tell you secrets I never tell
We pretend, it's all ok
But there's one thing we never say
The world is full of good intentions
Paradise is hard to find
Say they love you but they don't mention
Who they were with again last night
Revenge, regret, I wrote the book
Forgive, forget, I wrote the book
Keeping secrets, I wrote the book only don't test me
Heartbreak and then some, tell me where is a friend when you need one
Before you take a second look, remember I know every trick in the book
It never stops around the clock
When I'm there, you speak so soft
The runaround will wear you out
You break it off, I'll break you down
The world is full of good intentions
Paradise is full of lies
Tell you they love you but fail to mention
Who they were with again last night
Cheating, sneaking, I wrote the book
Begging, pleading, I wrote the book
Lying, crying, I wrote the book only don't test me
Heartbreak and there's some, tell me where is a friend when you need one
Before you take a second look, remember I know every trick in the book
Heartbreak and there's some, tell me where is a friend when you need one
Before you take a second look, remember I know every trick in the book
I wrote the book, I wrote the book, I wrote the book only protest me
I wrote the book only protest me now
I wrote the book only.
Eu Escrevi o Livro
Eu te animei, te tratei bem
Te contei os segredos que eu nunca contei
Vamos fingir, está tudo bem
Mas tem uma coisa que nós nunca dissemos
O mundo está cheio de boas intenções
O paraíso é difícil de encontrar
Eles dizem que te amam, mas eles não mencionam
Com quem eles estiveram novamente a noite passada
Vingança, arrependimento, Eu escrevi o livro
Perdoar, esquecer, eu escrevi o livro
Mantendo segredos, eu escrevi o livro apenas não me teste
Coração partido e um pouco mais,
me diga onde está um amigo quando você precisa dele
Mas antes de dar uma segunda olhada,
lembre-se que eu conheço todo truque no livro
Isso nunca para durante o dia
Quando eu estou lá, você fala tão suave
O entorno vai te jogar pra fora
Você rompe e eu irei te destruir
O mundo está cheio de boas intenções
...
Um paraíso cheio de mentiras
Dizem que te amam, mas falham em mencionar
Com quem estiveram novamente a noite passada
Traindo, esgueirando-se, eu escrevi o livro
Implorando, suplicando, eu escrevi o livro
Mentindo, chorando, eu escrevi o livro apenas não me teste
Coração partido e um pouco mais,
Me diga onde está um amigo quando você precisa dele
Mas antes de dar uma segunda olhada,
lembre-se que eu conheço todo truque no livro
Coração partido e um pouco mais,
me diga onde está um amigo quando você precisa dele
Mas antes de dar uma segunda olhada,
lembre-se que eu conheço todo truque no livro
Eu escrevi o livro, eu escrevi o livro, eu escrevi o livro apenas reclame
Eu escrevi o livro, eu escrevi o livro, eu escrevi o livro apenas reclame agora
Eu apenas escrevi o livro.
Letra e Música ₰
Conheça Yelle!Yelle (um acrônimo feminino de “You enjoy life”) é uma cantora francesa da cidade de Saint-Brieuc. É sucesso desde 2006 no Myspace, por onde conseguiu reconhecimento. Suas músicas são de um tipo de electro-punk-pop mesclado com brega-chic. Tem clipes que podem ser vistos no YouTube, como também alguns remixados como a faixa “A Causa des Garçons” no estilo tecktonik. Muito já havia ouvido falar dela, mas nunca me interessei muito pelo nome e não cheguei a procurar pelo trabalho dela, apesar de todas as recomendações de amigos e conhecidos, até que fuçando nos blogs de música (YMD, especificando), acabei dando de cara com seu mais novo lançamento disponível para download, o álbum "Safari Disco Club". Em especial o nome muito me chamou a atenção, adoro essas bizarrices e mesclagens de culturas, fiquei imaginando como seria uma discoteca no meio da selva e o quão legal isto seria, então decidi baixar, e foi amor a primeira batida! Cheia de tiques estalados e batidas ácidas sintéticas misturando-se aos ritmos africanos (a primeira música até lembra o tal Kuduru, dá muita vontade de dançar), Yelle vem arrasando no novo álbum, e pretendo tão logo baixar o anterior "Pop-Up". Com vocês, Safari Disco Club!
Safari Disco Club
Peux-tu me voir m'envoler, voler
Je te vois en bas, somnoler, noler
Accroche-toi à moi, c'est fêlé, fêlé
Ce qu'on voit de là, je te promets, promets
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Je veux goûter à tout, je veux goûter, goûter
Connaître le goût du péché, péché
Croquer dans ta pomme empoisonnée, sonnée
Je tombe dans les pommes, à l'hélium, ça y est
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Les animaux dansent dans le Safari Disco Club
Discoteca Safari
Você pode me ver voar, voar
Eu te vejo embaixo, cochilando, cochilando
Se mantenha em mim, está rachado, rachado
O que a gente vê daí, eu te prometo, prometo
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
Eu quero provar tudo, eu quero provar, provar
Conheça o sabor do pecado, pecado
Morder em sua maçã envenenada, envenenada
Eu caí nas maçãs, com hélio, é
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
Os animais dançam na discoteca Safari
quarta-feira, 16 de março de 2011
Capítulo II - Os Irmãos Mimieux e a História de Seu Pai

A CPU do computador ruge.
Os celulares não ligam.
O silêncio é quase rei daquele lugar.
- E então, crianças, como chegaram aqui? – perguntou o homem.
Os irmãos Mimieux se entreolharam.
- Não entendemos muito bem – respondeu Frederico. – eu cochilei dentro do ônibus, e me acordei já no meio da estrada.
Silêncio.
- E você, Amélia, minha filha? – ele a abraçou e beijou sua testa.
- Eu cochilei no meio da aula de Física, e me acordei com Fred gritando meu nome. – disse ela, inocente moça de 13 anos. – dentro do ônibus.
- Mas que ônibus é esse? – perguntou ele, tomando um gole de café quente.
- O Buritizal – São Camilo – atropelaram-se os irmãos.
O homem balançou a cabeça e foi até a cozinha, separada da sala por um arco onde haviam penduradas miçangas vermelhas e azuis. Trouxe de lá bolachas. Frederico meteu a mão.
- Há quanto tempo o senhor vive aqui papai?! Porque foi embora?! – perguntou Amélia, chorosa. Silêncio dos dois homens, frieza.
- Eu não fui embora, nunca deixaria vocês.
- E porque mamãe diz que foi embora?! – perguntou Amélia novamente.
- Porque ela não me viu mais, e nem vocês...
- Como veio parar aqui? De quem é essa casa? – era a voz grossa de Frederico que se ouvia agora.
Mais silêncio frio.
- Eu andei até aqui.
- Como assim? – questionou Fred.
- O carro pregou no meio da estrada naquela última tarde em que vocês me viram... E então eu esperei horas que algum carro passasse, mas nenhum carro passou, o que foi muito estranho porque a estrada em si é muito movimentada... – ele calou pra bebericar o café e abaixar a música que tocava no computador – eu andei até que a floresta se fechou ao meu redor, e o barro tornou-se cascalho, e as montanhas se abriram ao meu redor.
Mais silêncio apavorante e doloroso. Amélia abraçou o irmão com força.
- Mia acha que morremos – disse Fred, sério, frio, sem um pingo de emoção.
- Eu também acho – revelou o homem, tomando mais café.
Frederico comeu duas bolachas de uma só vez.
- Aqui temos três quartos – disse o homem após um tempo – mas queria que vocês dormissem comigo. – ele calou-se e caminhou até a janela, abriu-a de soslaio e encarou a escuridão da noite estrelada lá fora. A neblina fora embora. – há dois anos que vivo sozinho aqui, há dois anos que procuro o final desta estrada e nunca encontro, há dois anos que desço o declive após a clareira para ver se chego a algum lugar, mas parece que não há saída. Eu posso andar cinco horas de caminhada, porém, assim que volto minhas costas e caminho para casa, não demoro cinco minutos a encontrar a clareira.
Amélia arrepiou-se dos pés a cabeça, e não soube por quê.
- Já tentou ir para as montanhas de trás? Tentou ir da direção em que viemos?
- Sim, foi a direção de onde vim também, mas não há passagem alguma, a estrada some, ela encosta num paredão de pedra e some.
As montanhas se abriam para a passagem deles então? Isso era impossível.
- E esta casa? – perguntou Amélia.
- Já estava aqui antes. As chaves estavam embaixo do capacho. Todas essas coisas já estavam aqui.
Os três se arrepiaram.
- Há algum tipo de vida aqui além das árvores?
O homem olhou por cima dos óculos. O arrepio atingiu somente os irmãos dessa vez. A expressão do pai Mimieux era tenebrosa.
- Vocês não vão querer saber o que eu já encontrei caminhando por aí...
Os garotos se entreolharam, e de repente um frio apavorante os manteve presos ao sofá, estáticos. Sem forças nos braços. Era medo. Medo puro e único.
- Encontrei um veado atropelado certa vez... – o homem coçou a barriga – mas não consegui salvá-lo. Encontrei também uma bolsa com dinheiro e pertences femininos, mas não achei a dona. Encontrei meu carro também, arrebentado no fundo de uma ribanceira mais adiante na estrada.
- E encontrou mais o que? – perguntou a voz grossa de Frederico. O homem olhou por cima dos óculos mais uma vez, e então a chaleira apitou. Saiu à francesa.
Mais tarde, já deitado no colchão ao lado da cama de casal onde Amélia realizava o sonho de dormir ao lado do pai outra vez em sua vida, Frederico estava enrolado em dois edredons, o frio ali era constante. Ele não sabia o que era mais aterrorizante: ouvir sons noturnos de outro mundo ou ficar sem ouvi-los. Era perturbador. A noite foi passada em claro, completamente, tentando ligar o celular, tentando fazer funcionar o carregador, mas era impossível.
Nos trinta minutos de cochilo que deu, Frederico sonhou.
Sonhou com uma coisa estranha.
Sonhou com sangue e com sombras.
Sonhou com as montanhas que o rodeavam naquele momento e vultos nas florestas. Vultos escuros de olhos amarelos como a sombra que o encarara sentada no banco do cobrador. Ele acordou-se assustado. Eram oito da manhã agora, e uma única imagem o intrigava. A coisa vestida de branco coroada que aparecera acorrentada no fim do sonho.

segunda-feira, 14 de março de 2011
Garoto Robô

Quando o amor me pegou
Ele me abraçou e me atiçou
E depois ele me esnobou
Quantas vezes ele fez isso?
Por Deus, já perdi a conta
Das vezes em que vivi um faz-de-contas!
Isso me transformou, isso me modificou
Garoto robô, agora eu sou
Com um enorme coração de diamante
Alimentando a máquina constante
Frio, duro e transparente
Não bate, não sente
Inocente
Mas também não sofre,
Que sorte!
Garoto robô, garoto robô!
O que se fez de você?
Garoto robô, garoto robô!
Ninguém mais te vê!
Garoto robô, garoto robô!
Acho que já chega
De acreditar numa vida
Em que tudo vem na bandeja!
Eu estava brincando por aí
Quando o amor me apareceu
Mas ele era tão confuso
Ele nem se esclareceu
Meu coração escureceu
Quantas vezes ele fez isso?
Eu sequer pude lembrar
A canção que eu ouvia
Quando ele me fez chorar!
Isso me transformou, isso me modificou
Um coração de diamante
Agora eu sou
Alimentando a máquina constante
Num frio inebriante
Nem a caldeira mais poderosa
Consegue trazer de volta a rosa!
Garoto robô, Garoto robô
É isso que agora eu sou
Com uma CPU cheia de vírus
Processador lento, memória cheia
Cavalo de tróia
Deveria estar na areia
Garoto robô, garoto robô!
O que se fez de você?
Garoto robô, garoto robô!
Ninguém mais te vê!
Garoto robô, garoto robô!
Acho que já chega
De acreditar numa vida
Em que tudo vem na bandeja!
Apocalipses Amarelos

sábado, 12 de março de 2011
Capítulo I – Os Irmãos Mimieux e A Condução Fantasma

Ele podia ver as casas, as construções, suas janelas abertas e o que havia dentro delas, podia ver os quintais ao longe e podia ver o que as pessoas faziam neles. Os rostos dos humanos estavam incrivelmente limpos agora, e ao que parecia, não eram mais borrões morenos, brancos e negros, usando roupas e passeando ao seu redor de um lado para o outro, agora havia consistência, realidade, essência, personalidade, cada coisa era única, era enxergar em High Definition.
Via Buritizal – São Camilo, foi o ônibus em que ele subiu, como sempre o fez todas as noites, agora às tardes também, porque o carro estava na oficina. Após um ano pegando a condução amarela, a cor de pão dos detalhes do veículo já lhe era muito familiar, e o deixava todo animado ao surgirem em espectro mais ao longe, para depois do sinal vermelho. Só que desta vez o sono era tanto que ele não pode resistir, as pálpebras abertas que permitiam seus olhos a vaguearem pelos detalhes da nova tela que fora pintada diante dos seus olhos pôs-se a cair com insistência, até que o embalo das curvas o deixou tão relaxado, e o vento gelado pós-chuva tão delicioso que os olhos decidiram que um pequeno descanso não faria mal algum.
Frederico acordou com um solavanco, o ônibus havia passado por cima de um cascalho enorme que o fez pular feito um rã revoltada. O rapaz foi ao chão, e o medo de passar vergonha em meio aos outros passageiros o ajudou a imitar o ônibus na hora de se por de pé novamente. Ele saltou quase instantaneamente, e ao fazer isto percebeu sua iminente solidão dentro da condução. Os únicos sinais de uma remanescente vida que permeou o veículo há algumas horas atrás eram o motorista mudo e uma garota que dormia com os cabelos longos e ondulados jogados em cima do rosto, na última cadeira do ônibus.
Frederico sentou-se buscando o celular, estava muito longe do seu ponto, isso era fato, tão longe quanto nunca esteve antes em toda a sua vida. Ladeando a estrada de pedras cinzas e soltas, estavam grossas árvores, gigantes verdes e ameaçadores, reinando e disputando o trono como rei da vegetação local. A estrada era tão estreita, mas tão estreita, que ele poderia jurar a vocês neste exato momento que não sabia se estava caindo num fosso verde ou correndo na horizontal. O ônibus acelerava cada vez mais, até que a mata grossa e virgem que ladeava a estrada tornou-se um simples borrão cor de musgo, as formas já não eram mais distinguíveis, apenas a essência das coisas do lado de fora eram explícitas, o verde escuro reinava ali.
Um desespero sem igual tomou conta do seu coração. Ele estava fora da cidade, isso era óbvio, mas onde ele estaria? Para onde aquele ônibus estava indo? Aquela estrada feita de cascalho e seixo de lago lhe era tão estranha quanto a mata fechada que a ladeava, aquelas árvores, aquelas folhas, a vegetação em si, não era natural da Amazônia, e muito menos a temperatura do ar que invadia feroz pelas janelas, rugindo violento num gelo sem igual. Ele fechou o zíper do casaco. O telefone estava descarregado, o que era impossível, pois antes de sair da escola ele se certificara de que a bateria estava cheia, completa. E enquanto isso, a velocidade do ônibus se tornava cada vez maior, cada vez mais perturbadora e perigosa sendo conduzida sobre aquele terreno instável de pequenas pedrinhas. Se o motorista tentasse frear naquele momento, não conseguiria em hipótese alguma, e o veículo tombaria de lado ocasionando num dos mais feios acidentes da história. Isso, é claro, se o ônibus estivesse lotado.
Onde estava o cobrador? Havia sumido. Frederico sentou-se e tentou ligar o telefone celular. Impossível, o aparelho não dava sinal de vida. O rapaz olhou para trás. A garota com os cabelos sobre o rosto ainda dormia tranquila, como se nada estivesse acontecendo. Ele arriscaria, então. Ou acordaria a jovem, ou falaria com o motorista. Duas pessoas não poderiam estar na mesma situação, não poderiam ter dormido tanto dentro do mesmo ônibus, no mesmo dia. A garota tinha de estar indo para algum lugar, um lugar que ela conhecia, só poderia conhecer mesmo, pois era impossível uma pessoa estar tão relaxada em meio àqueles solavancos e todo aquele som do motor acelerando e do cascalho atacando voraz a lataria do monstro de ferro.
Levantou-se, apoiando-se nas barras, foi com cuidado até o primeiro banco da frente, o banco vermelho que fica a um nível elevado dos bancos normais. Sentou-se. Estava gelado, criando coragem para falar com o motorista. Será que ele levaria uma bronca? O mundo à frente era cinza e verde. Cinza da estrada. Verde da vegetação.
- Paraná!
Murmurou Frederico. Aquela mata e aquela temperatura eram sulistas, com certeza. A estrada de cascalhos, talvez. Não, isto era completamente insano. Como seria possível, em nome de Jesus, ele ter dormido tanto a ponto de ter atravessado o país em meio a um cochilo leve numa volta pra casa corriqueira? E afinal de contas, aquilo tinha realmente um fim?
Frederico levantou-se, respirou fundo, e meteu a cara no saco para abordar o homem que dirigia. Mas, para seu desespero, não havia ninguém ali sentado, não havia alma viva pilotando aquele carro, o volante, a direção, estava vazia, o veículo estava fora de controle numa velocidade absurda!
Frederico gritou e caiu para trás, de traseiro no chão, ele pôs-se de gatinhas e percorreu a nave central de quatro. Sua mochila ficara para trás. A garota dormia na última cadeira. Agora de pé, ele segurava-se para não cair, nervoso como estava, arrastava-se, alavancava-se para a última cadeira, o tempo parecia correr mais devagar, o ônibus parecia estar ficando mais comprido, mais extenso, ele nunca alcançava a tão esperada última cadeira, sua mão nunca chegava ao ombro da jovem. Da jovem que abriu os olhos e tirou o cabelo da cara, a jovem que fez Frederico gritar de espanto.
- MIA!
A garota arregalou os olhos, olhou para um lado, olhou para o outro e começou a tremer dos pés à cabeça, soltando macabro grito ao perceber onde estava. Dentro de um ônibus em alta velocidade, correndo no meio do nada, sem motorista, indo em direção ao desconhecido. Pobre Amélia. Se ela se livrasse de tal situação, juraria por Deus que nunca mais dormiria numa aula de Física, a qual era sua última lembrança antes de tirar um belo cochilo com a mochila sobre a cara. De repente, estava dentro de um ônibus. Que situação...
Assim que os dois estavam bem despertos, de pé, olhando um para cara do outro numa disputa ferrenha para ver quem tinha a expressão mais apavorada, a floresta abriu-se num grande vale de cascalhos e pinheiros e ciprestes, cercado de montanhas e colinas rochosas e coloridas. Amarelas, vermelhas, azuis e alaranjadas, tingidas pelo contraste do pôr do sol. O céu era uma aquarela nunca antes vista. E de repente a estrada inclinou-se, a velocidade impossível só aumentava, os dois rolaram um sobre o outro e foram espremidos contra a catraca violentamente. Seriam as leis da física completamente revoltadas com Amélia por não ter prestado atenção na aula?
O que acontecia ali era o mesmo exemplo que o professor dava antes da última piscadela sonolenta da garota: Um ônibus em alta velocidade sobe uma ladeira e você é jogado para traz. Qual lei da física de aplica a isto?
As montanhas ficavam mais próximas, os pinheiros e as araucárias cada vez mais altas misturando-se a uma vegetação insana que era agora era um misto da mata amazônica e da mata sulista. A descida foi pior ainda. Um abismo abriu-se diante dos olhos dos garotos. De um lado, o vazio apavorante. Do outro, a morte iminente. Adiante deles, uma estrada estreita que era engolida ferozmente pela velocidade impossível com que aquele ônibus seguia adiante, cortando a neblina branca e o vazio que separava uma cadeia de montanhas da outra. Já cheio de hematomas, Frederico usou suas últimas forças para engatinhar até o banco do motorista e tentar tomar a direção. As outras montanhas ficavam cada vez mais próximas. Para sua surpresa, o volante, a chave no contato e a marcha, ambos estavam duros, emperrados. Amélia rezava.
Enfim o ônibus foi diminuindo sua velocidade, começou a diminuir no exato ponto em que a estrada alcançou o espaço estreito entre dois penhascos, paredes lisas de rocha. Mais adiante, outro vale abriu-se, uma revoada de borboletas amarelas cor de pão cruzou o caminho da condução. Os irmãos Mimieux estavam pregados ao chão, os rostos colados, abraçados por si mesmos e pelo medo, a velocidade estava diminuindo e diminuindo e diminuindo, até que as rodas já em cacos pararam com rangidos ensurdecedores: o cascalho havia detonado as molas e toda a lataria do ônibus. E tudo fora como um passeio bizarro de montanha-russa, sem segurança alguma, sem proteção.
O silêncio agora era mortal. Amélia Mimieux foi pioneira ao erguer os olhos. O ônibus fez o costumeiro som pneumático de repouso final. As portas traseiras e frontais abriram-se para o ar gelado do vale de cascalhos e pinheiros, um cheiro forte de ervas finas misturadas corroborou o ar e os pulmões dos humanos confusos agachados, pobres criaturas atordoadas que mal acreditavam no fim de seus martírios primordiais. A garota pôs-se de pé e com passos inseguros, nervosos e pesados, aproximou-se de uma das janelas do veículo. Ela estava estática, muda, maravilhada, confusa, tudo ao mesmo tempo. Queria muito vomitar.
Frederico não só o queria como já o estava fazendo. Ele levantou-se, cambaleou até as portas da frente, caiu ajoelhado nas pedras e colocou tudo o que estava no seu estômago para fora. Foi brutal.
Eis o lugar onde os irmãos Mimieux estavam agora:
Exatamente no meio de uma clareira, uma clareira belíssima e bem arejada, às sombras de um pico montanhoso que a protegia do sol forte da tarde que já se ia, o que a tornava escura e mística àquela altura. Sua circunferência era perfeita, encantadora, calculada, alienígena.
Exatamente como tudo ali, seu terreno era composto de calcário, calcário cinza e puro, pedrinhas geladas de todos os tamanhos, que entravam em atrito a cada passo dado, reclamando alto em conjunto, em rebelião contra as solas dos sapatos que as amassavam. Para mais adiante da clareira, na outra extremidade, o terreno entrava em declive, formando um rio de pedras que escorria numa ladeira íngreme e curva para a esquerda, ladeada por outro abismo apavorante, um abismo permeado por uma floresta densa e silenciosa, assustadora e escura àquela altura do dia. Eram 6:50 da tarde.
As árvores ali eram tão altas quanto na estrada, até mais talvez. Frederico que sempre fora tão alto agora se sentia um anão perdido num mundo estranho e inexplorado. Amélia desceu do ônibus e ajudou o irmão a levantar, abraçou-o, deu dois tapas em suas costas e o avaliou de cima abaixo. Estava num estado deplorável.
A noite era presente, mas por incrível que pareça, nem um grilo cricrilava, nem uma ave noturna piava, nem o vento arrebatava seus rostos brancos e agora enregelados pelas temperaturas baixas daquelas montanhas. O que aconteceu em seguida então os deixou completamente desesperados: o veículo deu a partida sozinho, a marcha engatou na primeira automaticamente, uma força oculta acelerou o ônibus, fazendo seu motor rugir furioso. Os faróis acenderam altos, e depois diminuíram de intensidade, a luz tornou-se parcial, mais leve, mais etérea, e então o veículo pôs-se a andar, e Frederico não ficou parado, correu atrás da condução com o rosto coberto de lágrimas, espancando a porta e gritando com o homem invisível que a dirigia.
- ABRE ESSA PORRA! AGORA! ABRE! ABRE! VOCÊ NÃO VAI DEIXAR AGENTE AQUI! NÃO VAI! ABRE! ABRE ESSA PORTA!
Amélia continuou parada enquanto o ônibus aumentava a velocidade e Frederico ficava para trás, eles já estavam quase do outro lado da clareira de rochas. Agora o rapaz esmurrava a porta traseira. Havia uma sombra estranha sentada no lugar do cobrador, uma sombra de olhos amarelos que virou-se e desferiu um olhar de desprezo para o rapaz que caiu sentado com a última arrancada do veículo, e então ele desceu a ladeira e desapareceu na escuridão da estrada adiante, sumindo na curva da descida íngreme, deixando um rastro de poeira para trás. Frederico chorava alto, como uma criança.
Amélia caminhou lentamente até ele e o abraçou.
- Acho que morremos – ela confessou.
- Não seja idiota – disse limpando as lágrimas.
- Claro que morremos, olhe para nós, olhe para esse paraíso. Este lugar não existe
Amélia tirou a franja da cara e ajeitou o laço vermelho na cabeça. Os dois se entreolharam no escuro, no silêncio, no frio. Ouvindo atentamente qualquer som vindo da floresta. Nada, vazio etéreo e perfeito. Nada de sussurros da floresta. O mundo parecia ter prendido a respiração.
- Olha só, ali tem iluminação elétrica
Ela apontou para um poste mais adiante, do outro lado da clareira, em direção a estrada de onde eles haviam vindo. Realmente, havia iluminação elétrica. Era um poste de concreto como os muitos que existiam na cidade. Sua luz era amarelada, quase um alaranjado escuro. Os insetos voavam ao redor dela sem produzir ruído algum, e mais para a direita do poste, há alguns passos, havia uma casa, uma casa pequena e amarela da mesma cor das borboletas e dos detalhes do ônibus: cor de pão.
Os irmãos se entreolharam assustados e caminharam abraçados em direção ao poste. Cruzar a clareira parecia estar levando mais tempo do que o normal, a casa e o poste pareciam muito distantes, e os dois jovens estavam cansados demais para correr. A escuridão era total, aterradora, mas eles não estavam com medo, pois os únicos sons audíveis ainda eram os do atrito das solas dos sapatos com as pedras reclamonas.
- Ainda acho que morremos.
- É claro que não Amélia, estamos respirando não vê? Ainda sentimos.
- Mas isto todo espírito faz após desencarnar, ele faz isto até se dar conta de que morreu.
- Você está me assustando.
Os dois alcançaram o poste, e ali debaixo ficaram olhando para o escuro durante alguns minutos.
- Vamos bater à porta desta casa?
- Acha que tem alguém aí?
- Acho que não, a luz da frente está apagada.
A casa era minúscula, uma cabana, um casebre amarelo de alvenaria com janelinhas envernizadas, teto pontiagudo. Toda gradeada, com pátio de azulejos azuis e portões de ferro como os das casas do centro, parecia ter sido cuspida violentamente por um bairro de classe média que não a quis mais por algum motivo e a atirou ali no meio do nada. A garagem estava vazia, exceto pelas cadeiras de balanço azuis e roxas que a enfeitavam em fila, e então as luzes da frente se acenderam. Foi um choque e tanto para os irmãos Mimieux que se entreolharam assustados e caminharam ariscos em direção às únicas luzes fluorescentes do local. A clareira agora parecia uma meia lua, parcialmente iluminada pelas luzes da casa e do poste.
As pequenas vidraças que encimavam as janelas de madeira foram acendendo também, uma a uma, e então música começou a ecoar de lá de dentro, se espalhando pela floresta afora. Uma música muito baixa, mas que se dissipava facilmente na escuridão inocente da mata silenciosa e sobrenatural que rodeava os dois. Era hora da neblina.
O espaço ao redor foi tornando-se branco gradativamente, os dois batiam palmas através das grades. A porta abriu-se.
- Boa noite... – disse o homem todo desconfiado. Um homem alto, 50 anos, careca, poucos fios de cabelo ladeando sua cabeça, presos num rabinho de cavalo quase imperceptível. Usava blusão e calças de moletom e tinha a aparência de quem passara a tarde toda dormindo, acordando-se à noite como um morcego ou uma coruja, ligando as luzes da casa.
Após uns instantes, ambos os olhares foram iluminados por clarões de espanto e felicidade, o homem correu para o portão e abriu o cadeado com as mãos geladas, tremendo. Os garotos lá fora não agüentaram de ansiedade, empurraram o ferro e invadiram o pátio, pulando no pescoço do homem e abraçando-o entre as lágrimas que teimavam a escorrer dos rostos contorcidos pelo momento de emoção. Os três agora estavam numa bola de tecido e carne impossível de se destilar, era saudade, era amor, era tempo.
- Papai – gemiam os irmãos Mimieux enquanto abraçavam o homem.
- Meninos, meninos, o que houve com vocês?! – chorava o homem enquanto distribuía beijos nervosos nas cabeças de ambos os jovens. – vamos! Vamos entrando! Não podemos ficar muito tempo aqui fora!
A família Mimieux, parcialmente e misteriosamente reunida adentrou no recinto, na casinha de pão, e a porta foi fechada logo atrás das costas cinzentas do moletom do homem de 50 anos. O mundo externo então silenciou-se.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Mimieux Entrevista - Conheça Guilherme Souza

Olá galera bonita, hoje estou estreando mais um novo quadro neste blog, onde irei entrevistar pessoas peculiares que de algum modo me chamaram a atenção ou possuem algo de muito especial, como por exemplo o entrevistado da semana, Guilherme Souza, o conheci vagando pelos chats do msn há mais ou menos dois anos, mais precisamente no chat destinado aos fãs de Florence + The Machine, e ele estará em algumas das capas da nova série do blog "Yellow", que terá seu primeiro capítulo postado aqui no sábado à noite.
Louie Mimieux diz
olha só quem eu encontrei online! (:
Guilherme . diz
Viu só? não precisa mais me procurar nas trevas
Louie Mimieux diz
sahashopdasd eu lhe procurei nas trevas por tanto tempo
~~drama~~
Guilherme . diz
eu fiquei sem entrar um tempinho
Louie Mimieux diz
eu descobri um dia desses que você que era o verdadeiro dono do chat da florence fiquei chocado
Guilherme . diz
eu que criei, poxa
Louie Mimieux diz
nem sabia
mas e aí? tirou a foto?
acho que vou te entrevistar agora, não tenho outra oportunidade como essa!
Guilherme . diz
eu tirei mas não ficou boa, aí eu ia tirar outra hoje mesmo
Louie Mimieux diz
não se esqueceu de desenhar o olho na palma da mão né?
ele é importantíssimo u.u
Guilherme . diz
não me esqueci (:
Louie Mimieux diz
então posso te entrevistar agora?
Guilherme . diz
claro que pode
Louie Mimieux diz
então tá
começando...
Defina Guilherme.
Guilherme . diz
shit x_x
Louie Mimieux diz
vamos, você consegue!
Guilherme . diz
acho que Guilherme é a pessoa que menos conhece a si mesmo, talvez por estar constantemente me arrependendo das coisas que fiz ou deixei de fazer, aí acabo não me reconhecendo mais, abandonando a personalidade antiga e assumindo uma inteiramente nova, o que acabou gerando um sério problema de me sentir perdido entre o que eu sou e o que quero ser, acabando por não conseguir me identificar com nenhum dos dois.
Louie Mimieux diz
O Guilherme tem sonhos?
Guilherme . diz
tem sim, mas muda a cada segundo, com o péssimo costume de achar seus sonhos antigos uma completa babaquice. Não se apega as coisas por medo de perder e acaba somente tendo objetivos futeis e faceis de alcançar, mas prefere acreditar que seus verdadeiros sonhos ainda estão dentro, esperando passar essa tempestade de sentimentos para poder aparecer.
Louie Mimieux diz
O Guilherme acredita no impossível? No sobrenatural? Nos grandes mistérios que estão entre a terra e o céu?
Guilherme . diz
Acredita sim, só prefere não acreditar cegamente por falta de confiança, então acabo aceitando que pode ser que existam coisas que vão além da percepção e compreensão, tanto quanto tais coisas possam ser inexistentes e o mundo se resume a uma bola de pó entediante, de qualquer forma não há nada que eu ou que qualquer um possa fazer a respeito.
Louie Mimieux diz
O Guilherme acredita na humanidade? Acredita no futuro da humanidade?
Guilherme . diz
não muito, o ser humano é completamente egoísta, sendo que tudo o que faz só serve para fazê-lo sentir-se melhor, tanto para um assassino em série que mata para sentir prazer quanto para uma freira que limpa a bunda de crianças órfãs para se sentir melhor fazendo "o trabalho de Deus", concordo também se alguém acusar esse meu ponto de vista de ser completa e incrivelmente egoísta.
Louie Mimieux diz
O Guilherme tem medo do futuro?
Guilherme . diz
ele acha que o futuro é tão inevitável e imprevisível quanto o passado, mas ele tem medo de sua má sorte constante UHAEUHEAUH
Louie Mimieux diz
O que gosta de ouvir, o que gosta de ler? (:
Guilherme . diz
Se isso responde a pergunta, de tempos em tempos arranjo uma banda favorita nova, ultimamente tenho me identificado bastante com Tegan and Sara, Johnny Cash e Bob Dylan, também tenho ouvido bastante Gossip, mas é claro que isso não conta pela minha vida inteira, até porque meu gosto musical é bem eclético, mas pra me agradar pode ser alguma coisa animada, com um ritmo alegre e uma letra divertida, esse tipo de coisa não costuma falhar comigo. Quanto a leitura, gosto de coisas bem viajadas, meu livro favorito é Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho porque mudou totalmente minha concepção de mundo, vida e tudo o mais.
Louie Mimieux diz
Você é uma pessoa interessatíssima... Tem alguma fobia?
Guilherme . diz
muitas
medo de escuro, de espelhos, de porcos, cobras, bonecas, retratos e marionetes (principalmente as de ventríloquo). Minha imaginação é muito fértil então só de pensar em qualquer uma dessas coisas eu já tremo ou tenho alguma outra reação de medo.
Louie Mimieux diz
O que gostar de comer?
Guilherme . diz
brigadeiro e sorvete
Louie Mimieux diz
O que gosta de beber?
Guilherme . diz
limonada, cerveja e tequila
Louie Mimieux diz
É alérgico a alguma coisa?
Guilherme . diz
Cataflan (um remédio que eu nunca soube pra que serve porque nunca tomei), um pouco alérgico ao sol (começo a espirrar loucamente, mas só ataca algumas vezes) e sou mortalmente alérgico a abelhas e gatos.
Louie Mimieux diz
Qual a sua condição sexual? (:
Guilherme . diz
não te interessa
brincadeira '-'
eu não costumo "gostar" de ninguém, mas minha atração é por homens mesmo
Louie Mimieux diz
Pra você, o homem perfeito tem de ser...
Guilherme . diz
nunca imaginei isso, mas tem que ser bonito, acima de tudo (geez, como eu sou superficial) e muuuito interessante, daqueles que você conversaria sua vida toda e nunca ficaria entediado
Louie Mimieux diz
No próximo aniversário, completará quantos anos?
Guilherme . diz
18
Louie Mimieux diz
O que quer ganhar de aniversário?
Guilherme . diz
um pouco mais de confiança e paz, mas uma câmera digital foda serve também
Louie Mimieux diz
Se pudesse estar em outro lugar agora, onde estaria?
Guilherme . diz
Russia (:
Louie Mimieux diz
Pra terminar, o que você espera do seu personagem em "Yellow"?
Guilherme . diz
alguma coisa em que eu possa me inspirar
Louie Mimieux diz
muito obrigado Gui, você é um amor.
Guilherme . diz
sou nada, não tem de quê (:
Louie Mimieux diz
;* tchauzinho e até a próxima
Guilherme como Frederico Mimieux
