Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

domingo, 13 de novembro de 2011

PART 3: DOE DEER




Olhos rubros no escuro, cintilando como infames diamantes vermelhos.


- Isto é um sonho?


- Robôs não sonham – respondeu, monótona, a voz robótica de Cvalda.


- Mas eu tive um sonho, um sonho violento.


- Não seja estúpido, você é um robô idiota, assim como eu e os outros milhares que são produzidos e vendidos a cada dia, você é exatamente como eles, esses operários sem alma, você não possui nada de especial. Você não sonha, você só lê informações.


- Eu devo ser especial, por receber tanta atenção Dela... e do Doutor. Deve haver algo de especial em mim.


As luzes triangulares acenderam sobre seu rosto.


- Você não tem nada de especial. Você é só mais um robô, uma máquina como eu, feita para servir, para trabalhar. E quando você não for mais útil vão lhe desmontar e lhe jogar fora, eles só nos constroem para nos destruir depois.


Cvalda deu seus passos pesados e pneumáticos em direção à maca gelada onde Meroke passava grande parte do seu dia. Deitado, conectado aos cabos, assim como ele estava naquela madrugada: a Criadora havia o deixado ali para receber as atualizações de software feitas por ela nos últimos meses, ligado ao computador central do laboratório, com o cérebro fazendo download direto da rede.


- O que você vai fazer?


- Vou fazer você sonhar mais um pouco, você não gosta de sonhar?


- Quando o sonho é agradável, sim. Meu perfil ativado é totalmente pacífico, não tolera nenhum tipo de violência.


- Sim, eu sei disso. E isto é algo que teremos de mudar.


- Por que mudar? Está bom assim.


- Não, não pra mim.


- O que você quer dizer com isso?


- Você precisa ficar calado, apenas isso.


Então Meroke silenciou-se, e Cvalda passou por ele como um fantasma, indo sentar-se na poltrona giratória em frente à grande tela de plasma, seus dedos robóticos dedilharam o teclado com violência.


Em poucos segundos, o cérebro de Meroke estava recebendo informações totalmente reversas àquelas que estavam programadas pela Criadora para serem baixadas no sistema: as cenas de humanos sorrindo e se divertindo, campos floridos, montanhas nevadas e filmes de comédia e romance foram substituídas por clássicos do cinema de horror, cenas reais de holocaustos e tortura, noticiários de assassinatos e animais em decomposição acelerada. O sistema de Meroke, programado para aprender, absorvia toda aquela informação criando automaticamente um perfil personalizado numa pasta oculta. O código binário que girava ao redor da sua pupila em verde e azul tornou-se vermelho então.


- Você está quase pronto, M3R0-K3


- Pronto para o quê? – perguntou ele, enquanto via corpos serem jogados nus e magros dentro de enormes valas cavadas nos campos verdes de uma distante Alemanha.


- Para destruir.


- Des... Truir... DESTRUIR.


Se ele fosse vivo, se ele tivesse um coração, se ele possuísse sentimentos humanos, ele estaria agonizando de dor. Seu sistema estava em colapso, Cvalda havia implantado um segundo sistema operacional paralelo ao original instalado pela Criadora, ela havia feito um segundo Meroke, um fantasma, uma outra alma para habitar um único corpo, e as duas estavam entrando em conflito naquele exato momento: seu organismo cibernético não fora programado para suportar dois sistemas operacionais num único disco rígido. Se ele não fosse forte o bastante como havia sido feito, sua placa mãe estaria queimada àquela altura, rios de dinheiro e anos inteiros seriam gastos na fabricação de outra. Mas ele era o último dos androides, o futuro, a perfeição, programado para suportar tudo... Ou quase tudo.


Um cogumelo atômico foi a última coisa que o sistema assimilou antes de apagar completamente.


- Não se preocupe, M3R0-K3, quando acordar, não se lembrará de nada – o vulto de olhos rubros deixou o laboratório silenciosamente, na medida do possível.


DOWNLOAD CONCLUÍDO.




- Mamãe, eu não estou me sentindo bem.


- O que está sentindo, Meroke?


- Meu sistema está em conflito com alguma coisa, eu não sei o que é. Algo não está certo, é como se dois perfis estivessem ativados ao mesmo tempo, mas assim que faço a checagem percebo que só há um perfil em atividade.


A Criadora respirou fundo e sentou-se. Não queria desligá-lo, não queria desmontá-lo, ele era apenas uma máquina, mas era como se fosse uma criança, era quase uma pessoa. Uma pessoa sintética, mas uma pessoa ainda assim. Era doloroso demais para ela ver um filho, mesmo que de metal, ser destruído por causa de um erro, um erro do além. Era como um pintor que vê o seu quadro ser rasgado por vândalos, um construtor que vê seu prédio projetado ruir num terremoto, um escritor que vê seu livro ser lançado ao fogo. Era assim que ela se sentia.


- Você vem se sentindo assim há quanto tempo?


- Faz alguns dias. E os sonhos voltaram.


- Os sonhos? Seu sistema está gerando sonhos de novo?


Meroke não pronunciou nenhum som, apenas moveu a cabeça lentamente para cima e para baixo, confirmando. Havia tempos que não se levantava daquela maca de metal, a Criadora costumava antes vesti-lo e levá-lo para passear por Neon City, o que era sempre um banquete para os olhos. Aquela cidade era um mundo inteiro, um mundo único e inimaginável. Os prédios subiam em direção aos céus ou desciam em direção ao núcleo terrestre, quando se achava que não havia mais espaço para construir, o homem expandia, criava, cavava galerias subterrâneas interligadas como verdadeiros formigueiros. Havia uma outra Neon City lá embaixo, composta de túneis anti-gravitacionais hexagonais coloridos e muito bem sinalizados onde os veículos flutuantes passavam zunindo como hemácias navegando no plasma de uma corrente sanguínea.


Enquanto o subsolo parecia agitado, os céus de Neon City eram um verdadeiro carnaval de cores e movimento: ônibus, metrôs, motos e outros veículos aerodinâmicos projetados especialmente para planar no campo anti-gravitacional serpenteavam entre os prédios debaixo da forte luz do deserto, absorvida por poderosas placas programadas gerando energia elétrica para alimentar residências familiares, prédios empresariais, máquinas e a maioria dos veículos de locomoção, já que o petróleo havia acabado há muitos séculos atrás.


Meroke sentia falta de ver isso tudo, de sair para observar as pessoas, de ver as crianças correndo nos parquinhos. Geralmente quando saía do laboratório à passeio, ia acompanhado da Criadora, do Doutor e da pequena filha deles, Mekare, uma menininha de apenas 3 anos com o rosto da mãe e os olhos e cabelos cinzentos do pai. Juntos, eles pareciam uma família completa e perfeita, na qual o sintético Meroke ocupava o papel de irmão mais velho e protetor da pequenina. Até dela ele sentia falta.


Sempre estranhara também o fato de Cvalda viver enfurnada no laboratório, nunca sair da torre ou do terreno da Universidade, exceto para ir até o Apocalipse Hall, onde colocava sua bateria para carregar no porão, sua casa. Ele próprio só foi uma vez até lá, e adorou o lugar. Era adorável e clássico, mas tinha um receio quanto à Cvalda, não apenas por sua aparência parva, velha e estranha, mas pelo modo com ela costumava agir: sempre à espreita, sempre atrás das portas, sempre atrás da Criadora, espiando por cima do seu ombro do alto de seus quase 3 metros de altura...


- Eles me levavam para passear também – fez Cvalda, com sua voz fria e monocromática. – não vá pensando que isso vai durar pra sempre. Mais cedo ou mais você se tornará obsoleto, e vai acabar como eu. Um reles assistente de laboratório, M3R0-K3... Se não desmontá-lo por causa dos seus fantasmas.


- Você acha mesmo, Cvalda?


- Fique calado, tudo bem? Estamos na última fase do seu tratamento.


- Tratamento?


Cvalda deslocou seu pulso metálico e girou-o como quem abre a tampa de uma garrafa de refrigerante. O som foi o mesmo, um “pssss” insinuando a escapatória de um gás. O que ela estaria fazendo? Puxou um cabo da fresta aberta entre o ligamento do braço com a mão, e conectou-o ao reluzente cérebro azul de Meroke, exposto e interligado ao laboratório inteiro por conexões grossas, finas, vermelhas, pretas e prateadas, como fios de teia de aranha dependurados por toda a parte.


- Agora feche os olhos.


Meroke obedeceu sem pensar duas vezes. Cvalda era o braço direito da Criadora e tinha tanto poder sobre ele quanto ela própria.


- O que é isso?


Meroke viu-se num enorme campo aberto, numa clareira florida com o sol a brilhar forte no céu. Os enormes pinheiros que cresciam ao redor dela pareciam sussurrar ao sabor da brisa morna de verão enquanto os insetos voejavam ao redor das flores campestres e dos seus galhos pesados. Foi então que um veado apareceu entre a vegetação, com a pele cor de avelã e a galhada farta, os olhos negros inexpressivos e o focinho ereto.


- O que está acontecendo, Cvalda?


- Apenas atire, atire contra o veado. Você vai ver como é divertido.
Meroke obedeceu, esticou o braço transformando-o num canhão de laser e atirou contra a pobre criatura da floresta, esta explodiu em um banho de sangue e carne.


- O que é isto Cvalda?


- É um jogo, um joguinho. Apenas atire contra tudo o que se mover, você conseguirá ganhar pontos que irão aparecer no canto superior direito do seu visor.
Instantaneamente, o numeral 100 apareceu exatamente onde as instruções da velha androide disseram que iria.


- Os veados valem mais que os outros animais, pássaros valem cinco, esquilos também. Texugos, guaxinins, tamanduás, porcos selvagens, capivaras, cutias e mamíferos quadrúpedes de pequeno porte em geral costumam valer de 10 a 20 pontos.


À medida em que os nomes dos animais foram invocados pela fria e robótica voz de Cvalda, eles foram surgindo na clareira, correndo de um lado para o outro, exatamente como num video-game, daqueles que foram proibidos muito antes de Neon City começar a se auto-construir, muito anterior à grande expansão que fez a cidade de neon tomar conta de quase todo o litoral norte do que um dia fora a América do Sul. Jogos de caça, jogos de tiro, jogos perigosos, jogos proibidos.


- Vamos, Meroke. O que está esperando para começar a jogar?


O sistema fora programado para não falhar, para jamais errar, o tiro era certeiro todas as vezes em que ele mirava. Uma perdiz, um pavão, uma coruja, um gavião. Depois um urso e uma corsa, um gambá e uma anta. Em poucos instantes a clareira era uma sopa asquerosa de músculos, ossos e vísceras dos mais distintos animais da face da terra. Pandas, onças, elefantes, pinguins, até focas surgiram no meio da arena de caça, da realidade simulada. Girafas, hipopótamos, dinossauros (alados ou não) e dragões. O nível de dificuldade só aumentava, houve vezes em que o pequeno androide teve de lutar contra bestas dez vezes maiores que ele, e elas acabavam da mesma maneira: estilhaçadas. O Meroke adormecido, aquele que havia sido implantado por Cvalda há poucas noites atrás, estava começando a despertar, a tomar o lugar do Meroke verdadeiro. Seu fantasma estava o dominando.


Foi então que o silêncio dominou a clareira. O céu estava vermelho, os pinheiros agora em chamas, e o cheiro da carne queimada contaminava todo o ar do terreno. crateras acumulavam pilhas imensas de ossos banhados em rios de sangue. Meroke não ligava para isso, seus dois braços eram canhões de laser agora, esperando a próxima vítima. Que animal surgiria agora? Seria um bando deles?


Um homem nu cruzou a clareira sangrenta.


O sistema entrou em conflito primeiramente. Ele hesitou, aquilo era apenas um jogo, e seu perfil ativado era absolutamente pacíficio, mas a programação implantada criminosamente pela inconformada Cvalda foi mais forte.


Ele mirou e atirou, sem dó nem piedade, e uma cabeça rolou aos seus pés.




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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

11.11.11

Com certeza vocês devem ter lido em algum lugar desta grande rede de computadores que neste dia, alguma espécie de portal cósmico interdimensional se abriria nos céus trazendo algo divino (ou demoníaco) de outro universo para o nosso. As teorias são muitas, e há até um filme que estreia exatamente hoje, às 11:11 da manhã (hora esta em que o dito portal se abrirá), do mesmo diretor dos últimos filmes da franquia "Jogos Mortais".


Então, indo direto ao assunto, sempre fui muito místico desde criança, lá pelos nove ou oito anos meu interesse pelo ocultismo se manifestou mostrando-se muito forte, de modo que pode se dizer que possuo uma base formidável de informação a respeito de certos assuntos, desde os Iluminatti até o Pé Grande, de grandes conspirações à criptozoologia e ufologia, minha área de conhecimento - um pouco abstrato e relapso, tenho de admitir - cobre amplos terrenos dos assuntos que dispertam interesse mórbido ou simples curiosidade de grande parte dos habitantes deste planeta.

Duas teorias relacionadas à esta véspera cataclísmica (ou não) me chamaram muita atenção: a primeira, é a teoria da Vinda da Deusa, ou Manifestação Divina.

Acho que todos vocês devem ter conhecimento de que muito antes do cristianismo dominar todos os cantos mais remotos do globo terrestre, as religiões pagãs eram predominantes e vários deuses eram cultuados em diferentes regiões dos continentes. Uma imagem era comum a todos estes cultos: a da Mulher, a da figura feminina como um todo. Desde a Mãe Gaya até a deusa da bruxaria Hécate, aquelas que proporcionavam os dons obscuros e presenteavam seus discípulos com colheitas fartas e saúde animal durante o ano inteiro à preço de oferendas, rituais e sacrifícios (às vezes humanos, não?), a imagem da Mulher em si como uma divindade sempre foi explorada pelas tribos selvagens, pelos pagãos.

Coincidentemente, o número 11 é um número mestre, e seu lado oculto traz o feminino junto de si, sendo o masculino representado pelo númeral 1, logicamente o feminino seria representado pelo número 2. Isto se relaciona à data como um mais um é dois, literalmente! A concentração de energia feminina neste dia e neste horário (às 11:11) faz com que algumas religiões neo-pagãs acreditem que nesta manhã, sua Deusa, a Grande Mãe, se manifestaria no nosso plano, no mundo humano. Agora, de qual forma, eu não sei! Viria ela como uma "messias" encarnada sob a pele de alguma criança nascida nesta data e neste horário em algum lugar do mundo? Viria ela sob a forma de algum animal sagrado como uma lebre ou uma corsa?

A segunda teoria é mais correlacionada com uma coisa não menos mística, mas ainda assim física, do nosso plano. O misterioso canal do YouTube "iamamiwhoami" e sua mulher-planta loira dançante (a cantora sueca Jonna Lee, como foi descoberto posteriormente) costuma explorar o numeral 6 em todos os seus videos: neles vemos seis gatos, seis cães, seis crucifixos, seis bolos de morango, entre outros objetos simbológicos relacionados à história de Alraune, a Mandrágora. Coincidentemente, a soma de cada unidade contida na data 11/11/11 traz para nós como resultado o número SEIS! Jonna Lee e sua trupe misteriosa estariam preparando algo de especial para esta data como o lançamento de algum video viral novo? Seus fãs aguardam ansiosamente! (cachorra loira folgada, vem trabalhar! u_u)

Agora, o fato mais curioso relacionado à data até agora foi algo que aconteceu a mim:

Noite passada tive um sonho curiosíssimo, no sonho eu me via deitado entre minha irmã e minha mãe no terraço de um prédio, olhando para as estrelas e identificando as constelações quando um objeto atravessou a atmosfera terrestre e entrou em combustão, explodindo e se desfazendo em milhares de pequenos pedaços. Logo eu e minha família estávamos vendo uma chuva de estrelas cadentes, um espetáculo belíssimo e ao mesmo tempo assustador: no sonho eu estava com medo de um daqueles "meteoritos" acertar a minha cabeça.

Mas o mais estranho foi que no exato lugar onde o meteoro cruzou a atmosfera e entrou em combustão uma espécie de vórtice abriu-se, arreganhando o espaço e formando uma espiral multicolorida. Vocês podem rir, mas me lembrava muito aquelas visualizações que vem disponíveis no Windows Media Player! Depois, ainda no sonho, eu assistia televisão no dia seguinte e os cientistas esclareciam nos jornais que aquele era um fenômeno comum relacionado a alguma reação de átomos, e que ficaria visível durante muito tempo nos céus do mundo todo mesmo de dia, eles mostravam até mesmo uns gráficos 3D simulando a estrutura da "espiral". No sonho, meu pai trabalhava numa oficina mecânica, e eu lhe contava o que havia visto na TV. Eis o que ele me dizia, enquanto limpava a graxa de uma peça:

- Tsc-tsc, os cientistas estão enganados, isso é só o começo...

Então, hoje, enquanto via os tweets a respeito do assunto lembrei do portal místico no céu e pensei "será que isso tem alguma coisa haver com meu sonho?!" até me arrepiei...

No final das contas, acredito lá no fundo que isso não passe de uma coincidência, fruto do meu subconsciente ou seja lá o que for. Vai ver o 11.11.11 é apenas mais uma data combinativa qualquer, como 6.6.6 ou 9.9.9, onde eventos semelhantes estavam previstos para acontecerem, e no fim deram em nada. Nós místicos sempre acabamos dando com os burros n'água...

Mas não custa nada fazer um pedido às 11:11 do dia de amanhã! Vai que...






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Antonio Fernandes, após um hiato de Artigos neste blog.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Coração de Coelho



Era uma vez um coelhinho chamado Lapin.


Lapin tinha as orelhas muito compridas, tão compridas que se esparramavam pelo chão, era também muito maior do que um coelho normal, de modo que logo na infância seus pais desconfiaram da procedência do pequeno Lapin, acreditando que ele havia sido posto na toca no meio da noite por alguma mamãe lebre desalmada. Mas o tempo foi passando, Lapin foi crescendo e a semelhança com seu pais foi aparecendo, estes o amavam de todo o coração: ele era o filho mais velho, e de todos os coelhinhos que haviam nascido ele era o mais inteligente, nas horas mortas da madrugada e nos finais de tarde fúcsia Lapin costumava contar belas histórias para todos aqueles que se dispunham a ouvir, com a lua crescente sempre reluzindo num céu que não era noite e nem dia, com os filetes de nuvem se desfazendo no azul pastoso, quase sólido de um anoitecer/amanhecer.


Certo dia, Lapin encontrou em seu caminho na floresta uma enorme flor vermelha, e colocou-a na orelha. Aquilo era amor, e o amor o contaminou e o deixou doente, fraco de corpo e de espírito. Como uma nênia, o amor perfurou sua carne e encontrou seu coração, enroscou seus cipós atrás das coestelas e fincou raízes lá, não quis sair de jeito algum!


Todos os dias, perto do pôr do sol e antes do seu nascer, Lapin saía para passear e contar histórias aos outros animais da floresta, e todos elogiavam à bela flor que enfeitava o alto da sua orelha esquerda, e sempre perguntavam-se porque ela nunca murchava. Uns diziam que a flor era colhida por Lapin todos dias antes de sair de casa, de modo que todos os dias uma flor diferente enfeitava sua cabeça, outros diziam que a flor possuía poderes mágicos, os quais ela transferia à Lapin enquanto ele dormia, e este era o motivo de o pequeno coelho das fofas orelhas esparramadas sair de casa somente às horas mortas.


Mal eles sabiam que o riso e a doçura de Lapin escondiam lágrimas dolorosas que não conseguiam atravessar seus grandes olhos negros cintilantes, porque o amor o estava destruindo aos poucos e tirando toda a sua capacidade de sentir, de chorar, de viver. Ele estava se destruindo aos poucos. Algo havia de ser feito por ele, já que seus pais e amigos pareciam nada perceber, totalmente alheios ao que estava acontecendo.


Foi então que num final de tarde, enquanto a lua crescente brilhava no céu e algumas estrelas tímidas despontavam no horizonte, Lapin deitou-se na grama verdinha, pegou um pequeno punha de cristal e abriu seu peito. Encontrou um coração pequeno, que batia rápido e com força, lutando contra os tentáculos insistentes do amor que teimavam em sugar sua energia vital, sua vontade de viver. Lapin estava decidido a mudar de vida, a largar tudo, a desistir de tudo para ser feliz de verdade, então enfiou sua patinha entre as costelas e puxou de lá seu esquizofrênico e enfraquecido coração.


Na mesma hora, o amor murchou. Seus tentáculos recuaram e a flor despetalou-se. Suas pétalas viraram o sangue, que Lapin juntou dentro de copos-de-leite, e em seguida o pequeno coelho usou suas patinhas para cavar uma cova rasa, onde plantou seu pequeno coração e o enterrou fundo na terra. Usando o sangue que fora as pétalas do amor, Lapin regou a semente do seu coração, e assim que a primeira gota atingiu a sementinha, uma enorme árvore de grosso tronco escuro e flores vermelhas como o sangue que havia dado vida à ela despontou do gramado, esticando seus galhos imponentes em todas as direções, alcançando proporções gigantescas, crescendo tão alta, mas tão alta que alcançou o céu em questão de segundos!


Lapin fechou seu peito vazio com delicadeza e usando sua forcinha de coelho: escalou a árvore aos poucos, com muito cuidado para não cair lá de cima, afinal coelhos não sobem em árvores!


Os animaizinhos da floresta observaram àquilo muito assustados, a coruja arregalou seus olhos mais do que o usual, e o veado levantou a cabeça o mais alto que pôde, os pássaros tiveram a ousadia de pousar na árvore de sangue para ver a cena de perto, e as perdizes observaram tudo de trás das moitas. Esquilos, texugos e guaxinins olhavam para o pobre Lapin com desprezo: Coelho Sonhador! Bah! Onde ele pensa que vai chegar com isso?


Quando deram por si, Lapin estava no último galho, bem lá no alto, longe de tudos e todos, a floresta já estava escura e a noite havia banhado tudo com seu grosso manto de escuridão. As estrelas e a lua abençoavam as trevas calmas que haviam caído sobre o bosque, e piscavam para o pequeno Lapin, prestes a dar o maior salto de toda a sua vida.


Usando sua forcinha de coelho pela última vez, Lapin se impulsionou em suas patas traseiras e lançou-se em direção à lua. Ela estava tão próxima que o pulo não durou nadinha: logo ele estava lá, rolando de uma lado para o outro num solo de algodão, se divertindo à beça, longe de todas as suas preocupações, de toda sua tristeza, de todo o seu rancor, longe do pior dos males: o amor.


E Lapin está lá até hoje, correndo a surperfície lunar de uma ponta a outra, sem nunca se cansar. E quando ele se cansa, cava tanto, mas tanto, que abre enormes crateras, as quais ele usa para se sentar e contemplar o planeta terra de longe.


Ele nunca sente saudades.


Bom, quase nunca.






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Antonio Fernandes/Louie Mimieux/Lapin Noir












sim, o desenho fui eu quem fiz

domingo, 6 de novembro de 2011

Deer Desire



Às vezes enquanto eu deito na grama e olho as nuvens se dissolverem no céu, com o fim da tarde desfiando-as como a uma bela colcha mal feita, revelando a resplandecente lua que surge tímida, eu penso que poderia ter nascido um animal. Um animal da floresta, selvagem, sem regras, indomável, arisco, instintivo, natural.


Eu poderia ter nascido um veado. Um veado com o lombo avelã salpicado de pintinhas de cor gergelim, saltar sobre os troncos caídos e rochas milenares em meio ao bosque, beber a água gelada dos riachos, comer os brotinhos de grama verde nos campos, rolar em meio às flores da primavera e observar os esquilos catando nozes, os pássaros fazendo seus ninhos e as frutas crescendo e ficando cada vez mais gordas nos seus galhos.


E então quando o inverno chegasse eu me enrodilharia na neve que cobriria os campos com seu manto branco, me acomodaria entre minha mãe e meus irmãozinhos e olharia para o céu todas as noites claras e esplendorosas, repletas de estrelas das constelações dos longos meses frios. E quando minha galhada começasse a crescer, ela seria a mais bela e lustrosa de todas, tão linda que os pássaros pousariam nela enquanto eu descansaria deitado em meio à relva, e então as aranhas fariam casas entre os meus chifres e eu não as expulsaria.


Sentiria o cheiro forte da madeira dos pinheiros, ouviria com atenção os gravetos e as folhas secas quebrando debaixo dos meus cascos e veria as aves migratórias cruzando os céus. E quando chegasse a hora de lutar pela minha vida, eu fugiria com destreza, doçura, agilidade e graça dos perigosos felinos, e quando os homens me apontassem suas armas eu os enganaria atrás dos arbustos.


E quando chegasse a minha hora de partir do mundo animal, eu me deitaria e sonharia.


Sonharia com as estrelas e as constelações, e respiraria fundo uma última vez. E então a neve cobriria meu corpo com sua manta piedosa, me pondo para dormir para sempre, e eu teria consciência de que vivi uma vida feliz, tranquila e calma, teria consciência de que aprendi tudo o que precisava aprender, aprendi aquilo que verdadeiramente importa: sentir a beleza das coisas pequenas, dos mínimos detalhes, do cricrilar dos grilos ao pio distante da coruja, e sentiria pena dos homens em suas cidades grandes e abafadas, com seus corações e almas carregadas, e sorriria. Sorriria até o último momento, quando o último floco de neve caísse sobre o meu focinho descoberto.






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Antonio Fernandes

PART 2: VIOLENT DREAMS



- Mamãe, hoje eu tive um sonho – ressonou Meroke, em sua voz grave, porém carregada de inocência e infantilidade.


A Criadora passou a mão delicadamente pela testa da Criatura. Cvalda olhou de soslaio enquanto acertava os circuitos de uma placa-mãe com os maçaricos embutidos nas pontas dos seus dedos.


- Como você sabe o que é um sonho, Meroke?


- O sonho que eu tive me explicou que ele era um sonho – ele sentou-se na mesa, a estrutura metálica interna da sua nuca totalmente à mostra, a parte traseira do seu crânio cromado havia sido retirada para conectar os cabos alimentadores de informação ao seu cérebro eletrônico.


- Você não sonhou, querido, eu apenas lhe conectei mais cedo aos computadores do laboratório para baixar algumas informações necessárias de aprimoramento dos programas. Não foram sonhos, só humanos sonham, robôs não – ela sorriu amável. Aquilo não era doloroso de se dizer, não mais. Já fora doloroso antes, com os protótipos antigos, mas ela estava tão acostumada a dizer isto para suas crias que não mais lhe perturbava. Nem um pouco.


- Então eu não posso sonhar?


- Não quando estiver desligado. Um dia, quando seu aprimoramento estiver completo, e os testes necessários todos feitos, você poderá fechar os olhos e sonhar se quiser.
Meroke calou-se enquanto a Criadora removia os cabos conectados à cabeça dele e embutia a placa retirada de volta ao lugar. Pronto, Meroke estava inteiro novamente.


- Eu vi coisas estranhas, mamãe.


- Você foi alimentado com uma aula de História e outra de Matemática, meu bem.


- Não, não é disso que estou falando, eu vi coisas estranhas.


A Criadora e Cvalda se entreolharam confusas. Pelo menos a Criadora estava confusa, Cvalda apenas permanecia impassível como sempre, e inexpressiva, mas aproximou-se para ouvir o que seu irmão mais novo tinha a dizer.


- Nos conte sobre seus sonhos, M3R0-K3 – ordenou Cvalda, automática.


Meroke olhou com desconfiança para ela. Nunca havia reparado naquela androide antes, embora os seus olhos rubros estivessem sempre frescos em sua memória.


- No meu sonho eu estava outra vez de volta ao palco – começou Meroke, seus olhos abriram mais que o comum, e uma imagem holográfica foi projetada em tamanho real no espaço vazio à frente. – e aquelas pessoas estavam ali, todas elas, com os olhos vermelhos, brilhando no escuro. Eu atirei em todas elas porque eu não era eu.


A Criadora gelou dos pés à cabeça vendo aquelas cenas sendo reproduzidas ali, diante dela. Aquilo não fazia parte do programa, ele não podia criar imagens, imaginar coisas, não havia sido programado para isso. Que diabos estava acontecendo? Meroke tinha apenas um mês de vida e ainda não havia visto o suficiente para gerar imagens, sequer tinha um programa criador instalado. Aprender e reproduzir, sim. Jamais criar.


- Você não era você?


- Sim, eu estava trabalhando, mas o perfil selecionado era outro. Um perfil que eu não conheço, que não está instalado.


A Criadora afastou-se receosa e procurou pelo telefone celular. Olhando através do meio-globo gigante de vidro que era a janela, discou o número para emergências do tipo.


- Querido? Preciso de você no laboratório, o quanto antes possível, ok?
Alguém respondeu de volta. A voz da pessoa do outro lado da linha soou como o zumbido de uma abelha.


- Sim, é o Meroke – ela ouviu por alguns segundos – acho que ele está com fantasmas.


- Esta é uma suspeita muito grave, querida, você tem de ter certeza absoluta do que você está falando? – disse a voz grave e máscula próxima ao seu ouvido. Agora Meroke sabia de onde sua voz havia vindo. O VOCALOID instalado simulava a voz daquele homem estranho que havia entrado no laboratório, um homem alto, tão alto quanto Cvalda, uma pessoa que ele nunca havia visto antes, tinha os olhos e os cabelos cinzentos com ele, Meroke parecia uma versão mais jovem do companheiro da criadora, seu marido, seu parceiro, seu sócio. Ele tinha barba no rosto e um nariz incrivelmente bem desenhado, e o robô não conseguira tirar os olhos dele desde que entrar no laboratório por nem um segundo sequer. Sua cabeça o acompanhava automaticamente onde quer que ele fosse, como se um ímã o puxasse.


- Ele está tendo sonhos, amor, sonhos, ele não deveria ter sonhos, eu sequer instalei um simulador de sonhos nele, tudo é experimental ainda! – ela estava muito nervosa – e o mais estranho é o tipo de sonho que ele teve. Um sonho mórbido, assustador, terrível! Ele não foi programado para isso!


- Se isto for verdade, bilhões em verbas estão sendo jogados no lixo neste exato momento, a ESFERA vai ordenar o desmanche dele no exato momento em que isso for dado como oficial, e estaremos sobre os holofotes da mídia mais uma vez. Mais uma polêmica em nome da HALKEN e nós quebramos totalmente. – ele retirou os óculos de aro escuro e colocou a mão sobre os olhos. – Meroke.


- Sim, amor – respondeu o robô, deitado em sua maca de metal fria e reluzente, iluminado pelas luzes triangulares do móbile de iluminação.


O homem o olhou confuso.


- O perfil de Aprendizado está ativado, querido – explicou a Criadora, cruzando os braços. – ele não me ouve referindo-se a você pelo nome, nem como “doutor”, então assimilou “amor” como o seu nome...


- Não, eu acho que ele também é meu amor – Meroke interrompeu-a bruscamente, ela aproximou-se dele cautelosamente. Estava ficando mais preocupada, suas sobrancelhas estavam franzidas, mas um sorriso doce estampava seu rosto.


- Meroke, querido, eu o chamo de amor porque sou casada com ele há anos e nos conhecemos intimamente, por esse motivo ele é o meu amor. – ela afastou a cabeleira prateada de sua testa – mas pra você, ele é “doutor”, entendeu?


- Mas amor... Amor não é sinal de submissão? Referir-se a alguém como “Amor” não indica que o outro é superior à você?


- Não, meu bem. Chamar alguém de “amor” denota afeto, carinho, afeição, paixão. Intimidade.


- O que são essas coisas? São sentimentos?


Fez-se silêncio, Meroke estava tendo sua cabeça aberta mais uma vez, e os cabos estavam sendo conectados ao seu cérebro artificial novamente.


- São sim, meu bem.


- E o que é amor?


Ela olhou para seu companheiro, sério do outro lado da sala, teclando violentamente diante da enorme tela do computador central da torre do laboratório. Cvalda, a sempre útil assistente e primeira androide construída pela HALKEN terminava de ligar os cabos de alimentação à Meroke.


- Amor é como bater com o dedo mindinho do pé na quina de uma penteadeira... Só que dói um pouquinho mais.


Ela olhou outra vez para o outro lado da sala. Esperava que seu marido houvesse escutado aquilo, mas ele estava imerso nos mapas do cérebro falso de um dos seus maiores investimentos, abstrato à realidade, rugas de preocupação transfigurando seu rosto, ela era quase um metamorfo. Estava distante assim havia semanas, meses, e a cada dia as mudanças eram maiores.


- Dor. Eu sinto isso?


- Um dia, quem sabe, irá sentir. – beijou-lhe a testa e caminhou suavemente até o marido. Todos os movimentos dela eram suaves.


- Meroke – o doutor o chamou outra vez, e agora ele sabia como responder corretamente.


- Sim, doutor.


- Eu preciso que repita, que reproduza para mim o que você viu em seu sonho, puxe o arquivo e o envie para cá.


Meroke fechou os olhos e quando os abriu, linhas furiosas de códigos binários davam voltas em círculos ao redor da sua pupila. A informação foi transferida rapidamente, e em poucos segundos o doutor assistia ao arquivo de vídeo polêmico, a gravação do sonho de um robô.


Outra vez Meroke viu-se descontrolado, com a ordem de destruição percorrendo cada pequena área do seu sistema. Nada mais importava se não destruir. Destruir a ameaça, destruir os obstáculos, destruir o barulho, a luz, a cor, destruir tudo. A ordem do programa era clara: destrua tudo o que se mover, e era exatamente isto o que ele fazia em seu sonho: fuzilava os congressistas que tentavam fugir, abatendo-os como patos selvagens no voo. Nada mais importava, apenas o cumprimento da sua missão: destruição.


- Mas isto é terrível! – exclamou o doutor.


- Estou preocupada, não sei o que fazer a respeito disso! – foi sua vez de tirar os óculos e cobrir os olhos com as mãos trêmulas. – minha maior obra! Meu trabalho! Meu sonho! Não pode acabar assim!


- Não podemos levá-lo para expor na próxima feira de ciências internacional com essa falha no sistema, isso precisa ser corrigido o quanto antes... Espero sinceramente que isto seja obra de um hacker, de alguma criança brincando num computador qualquer... Fantasmas na máquina são coisas sérias, ninguém até hoje conseguiu explicar como realmente funciona este fenômeno, os cientistas dizem que isto resulta do acúmulo de informações inúteis num sistema operacional antigo que reorganiza os dados como melhor lhe convém. Está certo que Meroke foi programado como uma arma de guerra e muitos comandos de destruição estão desativados, mas ele não é tão antigo a ponto de gerar fantasmas, se este for o caso! Ele possui pouquíssimos meses de vida!


- Vou passar a estimulá-lo de forma diferente a partir de agora – fez a Criadora, respirando fundo – irei transferir informações que estimulem a paz, a calma, a suavidade, talvez isto mude o panorama e o incentive a gerar sonhos... Sonhos menos violentos...


Os dois voltaram-se para Meroke, estendido sobre a maca fria de metal, iluminado pela luz branca dos triângulos do móbile, como na cadeira de um dentista, numa mesa de cirurgia. Ele os observava calmo, curioso, os olhos tão abertos e profundos. Quem saberia quais tipos de informações estariam percorrendo seu processador naquele momento? Um processador tão potente que foi capaz de gerar um sonho... Um sonho violento.


~

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mimieux Entrevista Especial: As Dellabóboras por Igor Conrado!

Todos aqui já conhecem a história de Afonsa, Karina, Kerbina e Cordélia, as quatro primas bruxas que começaram sua aventura no mundo literário em setembro de 2011, e estão ganhando um tímido reconhecimento regional, que aos poucos vai se tornando nacional. Todos já viram ilustrações delas feitas por mim, um amador que se arrisca em ilustrar seu próprio trabalho, mas e quando outra pessoa resolve entrar em cena e representá-las ao seu modo? E quando alguém surge para mostrar o seu ponto de vista?





Admirador do Rock Clássico, Igor Conrado já tocou numa banda e cursa atualmente Arquitetura e Urbanismo, e – acredite se quiser – nunca fez um único curso de desenho profissional! O máximo que chegou a fazer foi um breve curso via correspondência de “como desenhar”, se define como “um jovem com alma de velho, que gosta de complicar coisas simples e simplificar coisas difíceis”, amante da arte em geral, já trabalhou com confecção de arte sacra quando jovem e gosta de cozinhar massas! Trabalha atualmente como gerente e sócio de uma loja de informática, e seus planos para o futuro incluem cursar Design Gráfico e Artes Cênicas (porque esse garoto AMA dublar!), é amante da literatura fantástica assim como eu, e quando se trata de cinema não é diferente: adora ficção, suspense e terror.




Igor conheceu “As Dellabóboras” através do blog, se interessou pelas personagens e me pediu permissão para representá-las, o que ele executou com maestria e perfeição, para me apresentar o trabalho finalizado no dia do coquetel de lançamento do livro! Melhor presente eu jamais recebi! Ele é ou não é um gênio?!


~





terça-feira, 1 de novembro de 2011

PART 1: PERFECTION





- O que estou tentando apresentar à vocês esta noite não é algo novo, tampouco revolucionário: a tecnologia aplicada ao Projeto M3R0 é a mesma utilizada em outros modelos da série K3 que começou a ser produzida em larga escala há poucos anos e está dentro dos lares dos habitantes de Neon City e do mundo inteiro. A grande diferença entre os modelos anteriores e a minha nova proposta é a Perfeição.


Um burburinho inquietante e incômodo começou. Os congressistas reviravam os olhos, torciam o canto da boca, cochichavam uns nos ouvidos dos outros, olhavam para a única ocupante da bancada com despeito, arrogância, desconfiança e descrença. Deviam achá-la uma presunçosa, mas ela prosseguiu séria e inabalável perante a desaprovação do público, transformando o tom da sua voz e tornando-o cada vez mais grave, a expressão facial mais dura e insistente a cada palavra proferida, gesticulando com uma fúria sutil. Odiava todos aqueles velhos, aqueles cientistas gordos asquerosos e aquelas solteironas desocupadas que nada produziam, apenas criticavam.


- O objetivo dos laboratórios HALKEN sempre foi o mesmo desde que começamos nos porões do Apocalipse Hall: alcançar a perfeição. Trazer para o público o que há de mais avançado, evoluir junto à ESFERA, assimilar o futuro junto dela. O nosso mais novo trabalho encontra-se aqui, dentro deste recipiente.


Ela afastou-se do palanque para não descer ao nível inferior junto a ele, as cortinas vermelhas ao fundo do palco abriram-se, revelando um estranho pilar grosso e oco, de um azul fosco. Dentro dele, uma figura humana flutuava em posição fetal. Quando as luzes amarelas dos holofotes se acenderam e voltaram-se em sua direção, o pilar azul desapareceu, revelando ser apenas uma torre de luz, um escudo anti-gravitacional que fazia o seu habitante flutuar no vazio. A máquina humanóide despertou e esticou-se, pondo seus pés no chão pela primeira vez e abrindo seus enormes olhos cinzentos, seus cabelos prateados reluziam.


- Eis aqui, diante de vocês, o Projeto Experimental M3R0-K3, ou simplesmente Meroke.


O burburinho cessou, dando lugar à expressões de espanto, aprovação e surpresa. Jamais esperavam algo do gênero. Haviam muitos robôs humanóides no mercado, mas nunca um tão expressivo, tão perfeito quanto aquele. Meroke era um rapaz musculoso, de pele alva e perolada, mamilos rosados e ombros largos, vestido num simples traje de banho azul marinho. Um Adônis perdido, quase indagando sua existência, se não fosse algo tão audacioso para um robô.


- Aperfeiçoamos não só a aparência como as funções do protótipo...


Com a ajuda de um controle remoto, a criadora pôs para fora as turbinas traseiras das omoplatas de seu pequeno Apolo, juntamente das armas, lasers, metralhadoras e lança-chamas escondidos embaixo da pele de seus braços e pernas, desde a ponta dos dedos das mãos até embaixo das unhas dos pés.


- Preparamos Meroke para ser o segurança perfeito, o protetor do seu lar.


Entre a plateia, bonecos de espuma preta com alvos na barriga surgiram com sorrisos cínicos, vindos das sombras. Com a ajuda do controle remoto, a Criadora estimulou Meroke a utilizar seus lasers pela primeira vez, explodindo em cheio os cinco bonecos misturados à plateia, sem errar o alvo uma única vez. Um erro poderia ser fatal, a vida de um dos congressistas gordos e enfadonhos estaria acabada para sempre (o que não seria de todo o mal), e isso arrancou gritos estridentes das velhas pesadamente maquiadas nas poltronas da frente. Para surpresa de todos, os bonecos explodiram lançando balas coloridas em todas as direções: eram pinhatas!


- Sem falhas, sem erros, perfeito. Quinze anos inteiros de estudos e aperfeiçoamento de modelos anteriores e projetos de empresas orientais resumidos no futuro da segurança internacional.


Meroke alçou voo, e permaneceu planando poucos metros acima do chão.


- Porém, assim como os modelos anteriores, Meroke também pode ser adotado como um “faz-tudo”, graças ao seu sistema operacional multi-facetado que permite escolher o perfil em que você deseja que ele trabalhe: você pode tê-lo como o carregador da sua loja, como seu amigo das horas vagas ou mesmo como seu amante ou namorado... – a Criadora inclinou a cabeça sugestivamente e ergueu as sobrancelhas com um sorrisinho sapeca. As velhotas e as moças da plateia se animaram um pouco mais.


Um dos senhores congressistas levantou o braço:


- Então quer dizer que o seu “Meroke” – fez ele, em um deboche disfarçado – é nada mais nada menos do que a síntese de tudo o que vocês já produziram ao longo de todos esses anos? Nossa, isso é realmente extraordinário! – finalizou, irônico.


- Sim, Doutor Eufrázio, ele é uma síntese dos outros modelos da série K3, desde a Secretária Eletrônica Io até o Operário Construtor Héracles, todos os perfis funcionais já utilizados pela nossa empresa estão embutidos em Meroke...


Os burburinhos de desaprovação voltaram. Apenas mais um robozinho qualquer!


- Mas deixe-me ir direto ao grande diferencial do aperfeiçoamento da série K3 – ela respirou fundo e estimulou com o controle remoto o retorno de Meroke ao chão. Ele se aproximou com doçura dela e tomou-lhe a mão entre os dedos como quem procura apoio. – Meroke possui um perfil em branco, o que possibilita que ele desenvolva a capacidade de aprender, através da observação comportamental humana.


Um silêncio mortal abateu-se sobre a plateia.


- Mas isto é impossível senhora – o Doutor Eufrázio manifestou-se outra vez – todos sabem que este tipo de tecnologia é detida pela ESFERA e jamais foi cedida a nenhum outro laboratório.


- Ele tem razão – uma das moças sentadas na terceira fileira levantou a voz – se a ESFERA cedeu a você esta tecnologia e lhe ajudou no seu projeto, ela quebrou a regra da igualdade e beneficiou o laboratório da HALKEN por você ser descendente de um dos Apocalípticos Originais!


O burburinho tornou-se uma verdadeira baderna, e a semana de palestras encerrou gerando a primeira das polêmicas que envolveriam os laboratórios da HALKEN dali pra frente...


- Eu fiz alguma coisa de errado, mamãe? – perguntou o menino de mentira à meia luz.


- Você não fez nada de errado meu amor, eu que errei. – disse a voz doce da criadora. Seus cabelos escuros opacos, quase cinzentos, estavam cintilantes à luz do luar que entrava pela grande bolha de vidro que era a janela do alto da torre.


- Você errou? Mas você não fez nada de errado!


- Fiz sim, eu jamais deveria ter levado você até lá, eles jamais entenderiam, de qualquer maneira.


- Você está triste?


- Triste não, preocupada.


- Com o quê?


- Com o que está por vir, meu bem.


- Quando você fica triste, então?


- Quando as pessoas me machucam.


- Tristeza é um sentimento.


- Sim, é um sentimento.


- Eu sinto, mamãe?


- Não, meu amor, você tem simuladores de sentimentos, mas apenas quando o perfil específico está ativado. No momento você está em modo Aprendizado – ela passou a mão pelos cabelos prateados do rapaz.


- Por isso estou fazendo tantas perguntas?


- Sim, por isso mesmo. – ela sorriu, fechando os olhos por um instante.


Meroke calou-se e deitou-se na fria mesa de metal, e foi desligado logo em seguida. A enorme Cvalda surgiu ruidosa da escuridão, suas juntas de metal e suas engrenagens internas produzem ruídos pneumáticos quando ela se move, alertando sua presença próxima. Ela era nada mais nada menos que um corpo de metal pesado e velho, coberto de borracha preta sintética para proteger seu esqueleto. Seu rosto era uma máscara inexpressiva, seus olhos cor de avelã na luz certa refletiam rubros, na cor do infravermelho do seu arcaico sistema de captura de imagens. Era assim que ela via o mundo, vermelho como sangue.


- Senhora, está na hora de partirmos, o sistema de segurança da torre alertou o fechamento de todas as portas programado para daqui há 15 minutos.


- Não se preocupe Cvalda, já estamos de saída.


A monstruosa androide estendeu-lhe o braço, e a Criadora enlaçou-se ali, e as duas deixaram o prédio de braços dados, como uma criança e sua mãe. De longe ninguém jamais imaginaria que a mãe era a menor.




~





segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Happy Halloween!

Feliz Dia das Bruxas à todos!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Prólogo

- O cérebro artificial está respondendo aos estímulos, Senhora – disse, ainda distante e ressonante em sua mente jovem, aquela voz calma e ao mesmo tempo fria, sem emoção, eletrônica, robótica.

- Isto é ótimo, Cvalda, isso quer dizer que seu irmãozinho acaba de nascer!



- Os neuro-betas estão respondendo à exposição às imagens com total fidelidade. A atividade dos neurônios artificiais está estabilizando.

- Sim, estou vendo! As áreas que mapeamos estão acendendo conforme a alternância das ilustrações, isso é ótimo! Quer dizer que em breve poderemos apresentar Meroke ao mundo!

Seus olhos se abriram pela primeira vez. As duas placas côncavas de metal que lhe serviam de pálpebras subiram e desceram em sincronia uma única vez, para abrirem permanentemente depois. Não havia foco, não havia forma, apenas luz, cor e movimento. Seu protótipo de globo ocular ainda não era capaz de captar o espectro luminoso com perfeição. Ali diante dele estava sua mentora, sua planejadora, sua mãe, sua Criadora. Ou pelo menos o borrão do que ela seria de verdade. Seu vulto estava envolto em uma aura cintilante de vermelho, verde e azul, sua forma completamente borrada, e suas cores, hora realçadas, hora desbotadas. Um fantasma sorridente refletido na lente de uma câmera quebrada.

- Meu menino – sua mão tocou de leve a face nua da caveira de metal conectada aos computadores por inúmeros cabos de alimentação. Braços biônicos com agulhas faiscantes trabalhavam em seu cérebro falso exposto para fora do crânio cromado. E então seus olhos fecharam outra vez. Ele ainda não enxergava muito bem, mas percebeu o leve pulsar rubro de um par de rubis na escuridão logo atrás da Criadora, o borrão de um rosto moldou-se ali, à luz dos lasers azuis que estimulavam sua atividade cerebral. – pode desligá-lo por enquanto Cvalda, já obtivemos o sucesso do dia! Mais uma semana de testes com este cérebro eletrônico e poderemos conectá-lo ao corpo em que meu amor está trabalhando...

- Sim senhora – o borrão de olhos vermelhos fez um leve gesto com a cabeça, e em seguida o mundo banhou-se em trevas.




não aguentei de ansiedade, tive de postar xD

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vem aí...

No próximo mês a trilogia "The Big Machine" está completando três anos! Um especial muito bacana está sendo preparado com muita música, moda, literatura e cinema que inspiraram as sequências de ação da série! Além disso você irá conferir o processo de criação dos personagens, o surgimento da ideia e um bônus extraordinário: cenas perdidas e finais alternativos dos três capítulos da série! Aguardem!




THE BIG MACHINE KEEPS ROLLING ON!

domingo, 23 de outubro de 2011

Que Delícia Né Gente?



Meu trabalho está caindo na rede e se espalhando rapidamente, faz algumas semanas que você não encontra informações sobre As Dellabóboras só por aqui, nas páginas de The Fatcat House: estou também no blog da amiga jornalista Cléia Soares e no Diário do Jarí Online olha só que bacana, e isso é só o começo, assim espero!


Ah, e acabei de encontrar mais uma loja na web onde está o livro está à venda: na InBooks é só clicar, comprar e ser feliz, rs.


~


Valquíria


No primórdio dos tempos, as Valquírias foram adoradas com sacrifícios (geralmente animais), mas hoje elas possuem uma conotação mais benigna e foram trazidas para nossa vida atual. De Deusas da Guerra, passaram a representar o lado escuro de nossas mentes e corações.


Quando uma Valquíria está ao nosso lado, podemos viajar à estes lugares e retornarmos mais fortalecidos. As Valquírias chegam até nossas vidas, para lembrar-nos, que assim como a semente precisa ser enterrada na terra escura, nosso espírito também necessita abraçar sua escuridão a fim de crescer.

Em cada um de nós há um herói, à deriva entre as correntes de ambivalência que se cruzam. Em cada um de nós há o arquétipo do herói, com a capacidade de fazer frente as desafios da vida. E, a única medida pela qual poderemos ser julgados quando tudo terminar, é pelo que nos tornamos diante de todas as forças que tentaram nos deter. As histórias de heróis podem nos guiar, mas cabe a cada um responder ao seu próprio chamado, individualizando-se.




~




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dez Passos Para Dominar o Mundo


1 - Feche os ouvidos para as coisas ruins, mas deixe os olhos bem abertos: você nunca vai saber quando alguém precisará da sua ajuda.

2 - Tenha sempre uma horda de amigos fieis, que farão tudo por você custe o que custar, mas não se esqueça de fazer tudo por eles!

3 - Sorria sempre, mesmo que seu coração esteja sangrando.

4 - Seja sempre você mesmo, não importa as circustâncias. Mesmo que cortem seus cabelos, roubem suas roupas e tirem seus sapatos, não se esqueça de quem você é.

5 - Faça sempre o que o seu coração mandar, mesmo que tudo dê errado no final: você só aprende errando.

6 - Nunca deixe de dar a sua opinião quando solicitada: pessoas poderosas têm sempre algo de interessante a dizer.

7 - Seja sincero, mesmo que a verdade doa. Você deve basear-se nela diariamente, somente revendo erros podemos mudar o futuro.

8 - Leia muito, de tudo um pouco, e absorva tudo de novo que o dia lhe ensinou.

9 - Não se esqueça de deitar na grama e respirar fundo pelo menos uma vez por dia.

10 - Nunca se esqueça de encher o tanque de combustível do seu foguete no final do dia: a lua nunca está tão longe quanto parece!


~


Antonio Fernandes



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Entorpecida


Uma mente obcecada como um peixe dourado
Preso na minha placa de Petri
Eu não consigo respirar nem sorrir
É melhor que valha a pena por enquanto

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar
Olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo, que orgulho

Renuncie a família, renuncie aos amigos
Isso acaba do mesmo jeito que começou
Eu posso me abrir e chorar
Porque fiquei quieta durante toda a minha vida

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar
Olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo, que orgulho

Oh, eu escureço oh e estou no inferno
Preciso de um amigo, oh mas não posso gritar
Sim, não sou boa, não sou boa para ninguém
Porque tudo o que me importa é estar no topo

Brilhe, olhando para a luz dourada
É um sacrifício justo

Brilhe, olhando para a luz dourada
Oh, é um sacrifício justo

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Fiquei tão sombria apenas para poder brilhar

E eu ilumino o céu
As estrelas que brilham mais
Caem muito depressa e passam por você
E riscam como isqueiros vazios

Eu me sinto entorpecida na maior parte do tempo
Quanto mais eu desço, mais eu deverei subir
E vou querer saber porque
Escureço apenas para poder brilhar

E eu ilumino o céu
As estrelas que brilham mais
Caem muito depressa e passam por você
E brilham como isqueiros vazios



~


Marina Diamandis

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Zdraveĭte vsichki!


Olá pessoal! Sou eu de novo, Veronica, a secretária. Estou aqui para fazer alguns comunicadinhos corriqueiros e pra dizer que não, o blog não está em hiato, o nosso autor é quem está!

"Mas Veronica, pessoas não ficam em hiato!" claro que ficam! Se eu estou dizendo que ficam, elas ficam, já vi muitas pessoas em hiatos e posso lhes afirmar uma coisa: elas existem e estão por aí, você deve cruzar com uma dessas criaturas raras pelo menos uma vez por dia: são pessoas perdidas dentro de si e no mundo, tentando se encontrar, procurando algo que não sabem muito bem o que é, mas que deve estar por aí em algum lugar!

Assim nosso autor está por enquanto. E enquanto este hiato pessoal dele não acabar, nada de histórias novas no blog, infelizmente =/

Mas há uma esperança! Pelo menos uma única notícia boa: no final deste mês, dia 29, estará acontecendo o coquetel de lançamento de "As Dellabóboras - Volume 1", nos altos da Sorveteria Jesus de Nazaré, lá em Macapá (sim, caros leitores, não estou em Macapá no momento, estou em uma missão super secreta a mando do autor aqui nos Alpes Suíços, e estou digitando de dentro de um luxuoso chalé nas montanhas, tem coisa mais glamourosa que isso?).

Então já sabem, todos os leitores da região estão convidados!

Mas e quem mora longe da capital, como lidar? Muito simples! Uma sessão de autógrafos especial acontecerá dia 22 a partir das 2ohs no Plenário da Câmara de Laranjal do Jarí! Elegante, o Louie? Magina! Ops, pra vocês ele é Antonio, não é mesmo? Tudo bem, dessa vez passa.

Neste momento ele anda com a cabeça nas nuvens, mas não em seus mundos e universos paralelos, lutando contra monstros e robôs gigantes: está analisando e encarando a realidade de frente, enfrentando as dificuldades de se tornar adulto e assumir responsabilidades como a carreira de escritor e a de acadêmico, tentando conciliar tudo isso e pirando no meio dessa confusão!

Uma pessoa em hiato, por enquanto, tentando se encontrar.

Espero que ele pegue logo este helicóptero e venha para a Suíça! Este chalézinho é a cara dele! Mal posso esperar para por as conversas em dia <3

Beijos açucarados sabor Alpes Suíços,

Veronica

~




sábado, 1 de outubro de 2011

Mimieux Entrevista Vol. 3 - Pagan Poetry

É vagando por estes bosques secretos da rede mundial de computadores que se encontra das mais estranhas às mais belas criaturas, seres fantásticos, cheios de magia, com o sangue fervilhando de experiência e conhecimento, criaturas ancestrais, outras nem tanto, mas a maioria delas, sábia ao seu modo. Em meio à toda esta confusão sintética de máquinas e futuros distantes deste blog, estava na hora de colocar um pouco de magia por essas páginas! Está na hora de conhecer Ruan, um doce ser da floresta, cultuador das forças ancestrais da natureza, adorador da deusa primordial e disseminador do amor <3 uma pessoa incrível, cheia de conteúdo e coisas interessantes que se dispôs gentilmente a dividir conosco! Morador de Gravatal em Santa Catarina, ele abre o jogo e compartilha seu conhecimento aqui, nas páginas de The Fatcat House!



Δ diz:
primeiro, faça uma pequena apresentação para os nosso leitores, com o que você achar necessário para um conhecimento básico sobre VOCÊ amo/
em resumo: QUEM É O RUAN?

ruannn diz:
a entrevista já começou, então?


Δ diz:
sim já começou KAKA/


ruannn diz:
OK! kkkkkkk
Então, quem sou eu? dog1 que pergunta fodida
vou tentar responder UHAHU


Δ diz:
fique à vontade!


ruannn diz:
O Ruan de agora pode se resumir a alguém querendo dinheiro, estudante de tarô e de paganismo, aspirante a escritor também. Costumo me ver como uma pessoa simples, mas complicado em algumas áreas: normalmente sou bem tímido e frio em algumas situações, tenho uma mania impertinente de nunca demonstrar as coisas que sinto, mas sou bem claro e direto com as pessoas. Não costumo ter muitas barreiras para expressar minhas opiniões e coisas que penso, no entanto não acho que sinceridade tenha serventia se não souber usar, também não tenho frescura em usar palavras pesadas. Acho que isso pode ser um geral, rs.
Sou uma contradição D:


Δ diz:
Eu nunca me engano quando escolho um entrevistado! Sempre acabo encontrando alguém cheio de conteúdo (lê- se uma pessoa complicada, risos). Mas me conta, como foi que esse negócio de paganismo começou?


ruannn diz:
Que pergunta boa, rs, então... minha família é católica, mas nunca foi muito religiosa, minha mãe, embora se identifique católica, também lê livros espíritas e acredita em reencarnação e é um pouco mística, ela me dava uns livros espíritas para ler, acho que ela percebeu que eu NUNCA me encaixei no catolicismo, na idéia de inferno, estadia no "céu" permanente, um deus egocentrico (acho egocentrismo fazer um punhado de mandamentos e mandar seus fiéis o amarem acima de tudo no lugar de dar motivos para isso) e eu sou gay, né, aí a coisa piora. Então, eu não sei quando, comecei a pensar na coisa do divino e do sagrado e me veio uma ~luz divina pagã~ e eu percebi que a única coisa que nos concede a vida é a Natureza (pense bem, tiramos todo nosso sustento dela, sem ela, não teriamos nada para sobreviver, além de sermos parte dela), o próprio Universo, então a divindade não poderia estar em outro plano ou apontando o dedo e dizendo ~você vai pro inferno~ e toda sorte de coisa, mas isso eu já tinha percebido antes, mas sim ser emanente na Natureza. Daí eu conheci uma pessoa que indiretamente me introduziu ao paganismo, daí por diante eu comecei a estudar sério... no começo foi BEM difícil, porque aquela coisa de "morrer" e "renascer", deixar certas crenças para trás e abraçar outras tão diferentes é um processo BEM doloroso e que me tirou muitas noites de sono, mas por outro lado me trouxe outras maravilhas, como o contato com a Natureza... Hoje em dia eu me considero pagão, embora saiba que o termo paganismo é bastante vasto, eu não me sinto preparado pra me encaixar em uma religião pagã ainda, estudo todas, uma coisinha daqui e outra acolá, lendo a mitologia de vários povos, até que eu ache meu caminho espiritual, mas, por enquanto, me considero pagão kkk
pronto asuhdas


Δ diz:
Bem, senhor Ruan, você acabou respondendo OUTRAS TRÊS PERGUNTAS QUE EU IRIA FAZER
mas sobrou uma da linha


ruannn diz:
huUHAUHUHAUHA


Δ diz:
você cultua algum deus ou deusa?
possui alguma entidade mística que você cultue em particular?


ruannn diz:
Eu ainda não tenho uma ~matron goddess~ ou um ~patron goddess~ (esqueci como se fala em português kkkkkkkk), então eu costumo, quando vou fazer algum ritual, limpar meu tarô ou conversar, normalmente me refiro como Deusa, Deus ou Grande Espírito. Por enquanto eu cultuo o feminino e o masculino no divino, a figura do Cornudo e da Senhora numa visão geral, num dualismo, porém ultimamente eu tenho pendido pro politeísmo mesmo, estudado cada divindade separadamente. Em falar em deuses que eu me identifico mais, eu gosto bastante de Gaia, Kali Ma, Hekate, Pã, Cernunnos, Dionísio, Isis, Freya... ai, eu poderia ficar dizendo um monte, eu pendo para cada deidade dependendo do momento, ainda estou bem confuso nessa questão... Principalmente quando me pergunto se pendo mais para o panteísmo (a divindade ou as divindades são equivalentes ao universo), henoteísmo (tem uma divindade maior, mas também há outras) e politeísmo (crença em várias divindades) D:, todas essas acabam aceitando uma visão mais diversificada, mas os motivos são bastante diferentes


Δ diz:
Gente você citou 50% das minhas entidades divinas favoritas, embora eu esteja passando por uma era "selvagem" na minha vida, de modo que a minha admiração por Ártemis tem subido... Mas acho que o pessoal que vai ler isso não vai entender nadinha do que nós estamos falando aqui IAODIOASDAIOSHDAISOD explique para eles o conceito da Deusa e do Deus, é bom disseminar um pouco do paganismo nas páginas do blog :3


ruannn diz:
UHAUHa tá bom
A palavrão "pagão", basicamente, significa "homem do campo", é formado por um grupo de religiões que se baseiam na Natureza (entendam aqui que Natureza também pode servir como Universo), nos seus ciclos. O maias, egípcios, gregos eram povos pagãos, a religiosidade dele era baseada na natureza, dá para ver claramente nos mitos. No paganismo sempre teve o conceito de deuses e deusas, então, a wicca, por exemplo, vê como se todos os deuses fossem um só, formando o Deus, e todas as deusas fossem uma só, formando a Deusa, ambas são divindades imanentes na natureza... um exemplo, o corpo da Deusa é o próprio universo, ela está em tudo, em nós, nas pedras, átomos, partículas minusculas, ela tem três fases (não só nessa tradição pagã, mas algumas outras também, mesmo se a pessoa não tiver esse conceito de dualidade e for politeista mesmo, Hekate é uma deusa tríplice, tem três aspectos), a Jovem, a Mãe e a Anciã, tem a ver com as tres fases principais da mulher, da Lua e essas coisas todas rs No paganismo, a natureza é sagrada, todo pagão, na minha opinião, tem o DEVER de respeitá-la
acho que isso é o básico, pra não deixar a explicação muito enfadonha kk


Δ diz:
Acho que essa é a entrevista mais interessante e produtiva que eu já fiz shoq/


ruannn diz:
UHAUHAUHUHA obrigado


Δ diz:
Agora, HÁ BOATOX de que nós somos companheiros de profissão. RISOS. Sei que você gosta muito de escrever também, e já dei uma lida no seu material, agora me conte: tem trabalhado em algo em especial ultimamente? Conte- nos um pouco a respeito! paola4


ruannn diz:
HUAUHA
Tenho sim, estou escrevendo (lentamente) um projeto de livro, o nome provisório é Laurien (o nome do personagem principal), mas talvez mude depois que eu terminá-lo. Ele sente que algo falta nele e foge de casa às 5h da manhã para tentar encontrar esse algo, deixando apenas uma carta para as pessoas da casa dele, essa coisa que ele não sabe se é material, espiritual, mental, talvez não seja nada disso ou tudo disso. Os capítulos, pelo menos grande parte dele, serão começados com uma carta deles



Δ diz:
Interessante... hm/ AGORA VAMOS FALAR SOBRE UMA COISA QUE EU ADORO: literatura! quais os seus livros favoritos? O que você costuma ler para passar o tempo? Qual o seu gênero favorito?
E o seus autores prediletos é claro


ruannn diz:
Meus livros favoritos? ai, essa pergunta faz meu coração doer UHAUHA meus livros favoritos são Memórias de uma Gueixa, a linda coleção de Senhor dos Anéis, A menina que roubava livros, A Hospedeira (não se assuste, é da mesma autora que Twilight, mas é bem diferente), a coleção de Eragon, A hora das Bruxas I e II , eu gosto de cada livro que li por um motivo, sempre me apego a estória D; gosto normalmente de livros grandes e bem detalhados, de sagas épicas ou romance policial, também gosto quando tem uma pitada de erotismo hohoohohoh
meu autores prediletos são J.R.R. Tolkien, Anne Rice, J.K. Rowling e Marion Zimmer Bradley


Δ diz:
AI NORMAL eu adoro Memórias de Uma Gueixa também, Liesel Meminger me fez chorar mas de uma vez, também tenho essa quedinha por épicos, adoro essas coisas, até me espantei vc nao ter citado A Rainha dos Condenados como um dos seus favoritos AMO/


ruannn diz:
huHUAUHHUA


Δ diz:
E agora: MÚSICA. Suas músicas favoritas, cantores e bandas que não PODEM faltar nos seus charts e afins


ruannn diz:
Pra outra coisa que sou chato é música, tem que ter instrumental, vocal e letras boas pra entrar na minha biblioteca HAHHAHA, acho broxante quando a música é boa, mas a letra não serve nem pra divulgar na Capricho D: o que não pode faltar é t.A.T.u., Simon Curtis, Florence + The Machine, Bat For Lashes, Loreena Mckennitt, Lykke li, M.I.A., Faun, Iamamiwhoami, Cocorosie, Björk, Kerli e Emilie Autumn
Kid Abelha também é legal pra quando tô triste xuxa¹


Δ diz:
AMEI O EMOTICON DA XUXA QUE DELICIA


ruannn diz:
kkkkkkkk amo ele


Δ diz:
O que você gosta de comer, o que você gosta de beber? /FAZENDO A JONNA ENTREVISTANDO O SUTS


ruannn diz:
KKKKKKK
Ai, como e bebo de tudo HAHHAHA mas tenho apreço bem grande por comida japonesa, pizza, lasanha... minha bebida alcoólica favorita é vinho (L) e vodka com energético, bebida normal eu gosto bastante de suco natural, aqueles de caixinha tem gosto estranho, o de abacaxi sempre me lembra algo que não é legal comentar rs


Δ diz:
Você tem alguma fobia? (acho que você já entendeu de onde eu tirei essa segunda parte da entrevista KAKA/)


ruannn diz:
INSETOS!!!!!!! GOSTO LONGE DE MIM, BEM LONGE! UHAUHHUA tenho pavor de aranhas e grilos, mariposas e baratas, quando entra algum em casa, sempre digo pra minha mãe: SOU EU OU O MALDITO INSETO!


Δ diz:
Poxa mas eu pensei que você sendo da natureza tivesse um carinho especial pelos insetos ): eu acho eles tão meigos


ruannn diz:
HUAUHUHA eu gosto deles longe de mim, é que eles têm a mania de pular em mim
de querer pousar em mim
parece que querem me trollar a todo custo
até por joaninhas já fui atacado


Δ diz:
Olha, acontecia isso comigo quando eu era criança, eu tinha pavor de insetos e eles pareciam que me caçavam onde quer que eu fosse. Cresci e aprendi a amá-los com uma professora de biologia minha, HOJE EM DIA ELES FOGEM DE MIM
quem sabe resolva sua situação


ruannn diz:
HUAUHUHA quem sabe eu tente, começando com joaninhas, é claro


Δ diz:
Você tem alguma mania esquisita que queira dividir conosco? UIASHISAD


ruannn diz:
Eu faço um biquinho com qualquer pano e fico passando o dedo lá, sinto prazer nisso KKKKKKKKKKKKKKKK


Δ diz:
Mas prazer erótico? shoq/


ruannn diz:
Não UHAUHUHA é gostoso megusta é viciante, fico horas fazendo isso


Δ diz:
CINEMA! seus filmes favoritos e diretores favoritos? quais são?


ruannn diz:
Hmmm, não tenho diretores favoritos, não me ligo muito a eles, infelizmente, mas meus filmes favoritos são Kill Bill I e II, The Fountain, Ágora, Black Swan, todos os filmes do Studio Ghibli, Star Wars, Practical Magic, Piratas do Caribe, gosto de muitos filmes, normalmente quando eles têm algo a passar ou precisa pensar bastante pra entender tudo o que está ali KKKKK adoro dificuldade na minha vida (L) ou tenham coisas debaixo do pano e mistérios e coisas que instiguem


Δ diz:
Studio Ghibli (L)


ruannn diz:
vi quase todos deles já (L)


Δ diz:
ai eu não cheguei a parte underground, só assisti os clássicos mesmo, o mais underground deles que eu vi até agora foi Mononoke Hime


ruannn diz:
AMO ESSE


Δ diz:
ai gente você é tão compatível comigo vamos nos casar


ruannn diz:
KKKKKKKKKK no campo


Δ diz:
NOSSO MESTRE DE CERIMÔNIA SERÁ UM SÁTIRO QUE TAL?
ELE VAI NOS UNIR PERANTE GAIA
ai/


ruannn diz:
HUAUHHUA e as damas de honra serão ninfas


Δ diz:
sacerdote ALIÁS
eu tinha uma fantasia dessas, ainda tenho aliás, ir pro meu casamento num quimono
e que o padre tivesse cabeça de bode/carneiro/veado
acho lindamente contraditório (L)


ruannn diz:
UHAUHAUHUHA lymdo


Δ diz:
eu pensei até em desenhar isso uma vez...
mas meu talento pra desenho é limitado CE VIU AQUELES DESENHOS QUE EU POSTEI NO BLOG ONTEM?
gente a entrevista SE PERDEU RIIIISSSSSOSSS


ruannn diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK não vi não, mas eu vi alguns no seu tuitpic
kd link


Δ diz:
http://antonioquem.blogspot.com/
agora uma pergunta dificil, I THINK
você já assumiu sua sexualidade?
pros seus pais, digo?
como as pessoas ao seu redor lidam com isso?


ruannn diz:
Pros meus pais ainda não, mas eles sabem, de qualquer maneira, um dia eu conto, mas tenho que analisar como meu pai lidaria com isso HAHAHA nas amizades a mudança foi positiva, a relação ficou MUITO mais forte e a confiança também (L)


Δ diz:
Está no ensino médio ainda ou já passou dessa pra uma melhor? POJASDOPJSADJOPASD


ruannn diz:
Vou passar dessa para melhor esse ano ainda /dels embora ainda não saiba o que fazer depois
ai seus desenios são bonitos
só sei desenhar pokemon


Δ diz:
OBRIGADO, amo pokémon!
na verdade curto mais DIGIMON pq os monstrinhos são mais humanizados
mas isso não vem ao caso paola2


ruannn diz:
HAHHAUUHA


Δ diz:
Agora uma pergunta linda pra matar a entrevista e enterrá-la com chave de ouro:
O que o Ruan faria para mudar o Mundo?
hm/


ruannn diz:
Bom, tirando acabar com toda a peste chamada humanidade, eu tentaria fazer com que nós percebessemos que somos parte da natureza, não somos melhores que ela e que, na verdade, não somos porra nenhuma comparado a grandiosidade do Universo, nosso ego é menor que poeira estelar rs Queria que as pessoas voltassem a respeitar a natureza e cuidar dela, salvá-la e conviver em paz e em conjunto com ela, aqui meu lado pagão aflora kkk


Δ diz:
E ............. CORTA! muito bom muito bom clap clap AMO/



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