
Audrey Hepburn






- Eu estou com uma sensação estranha, Ray... – disse uma chorosa Fábia, estendendo os braços para sua melhor amiga, pedindo um abraço.
- O que você tem Fáh? O que tem de errado? – Ray ficou preocupada. Quando Fábia tinha aquelas sensações, algo de ruim estava prestes a acontecer. – é uma daquelas sensações estranhas?
- Sim... É um peso... Uma coisa ruim...
- Talvez você só esteja sendo afetada de alguma forma por tudo isso o que está acontecendo – Ray deu de ombros e ofereceu uma balinha para amiga.
- Tem razão... Talvez só seja impressão minha mesmo – e sorriu. – eu não gosto de briga, Ray, isso me deixa tão triste! Nós éramos tão amigos! Porque a Velma está fazendo tudo isso? Por quê?
- Eu não sei não... – Ray franziu a testa e puxou um papel da bolsa – já viu a pesquisa que o Chris e o Pietro fizeram? Bate tudo de acordo! Tudo!
- Mas o que é isso? – Fábia pegou a folha com desconfiança e iniciou uma leitura rápida. – nossa! Onde vocês conseguiram isso?!
- Eu sei que não é muito confiável, mas... Wikipédia – e deu um sorriso sem graça.
- “Tendem a culpar as pessoas por seus próprios erros...” nossa, isso é pesado... – um arrepio percorreu a sua espinha. – como é o nome disso?
- Transtorno de Personalidade Limítrofe... – Christopher surgiu, vindo de fora da sala, voltando do intervalo. Apoiou-se numa das carteiras olhando sorrateiramente para o outro lado da sala. – esse negócio de ela ter trocado de lado tão de repente e ter nos visto como vilões terríveis enquanto as pessoas que ela odiava se tornaram mocinhos aos seus olhos só reforça a nossa teoria... O Limítrofe tende a ver as pessoas como totalmente boas ou totalmente ruins... Se você faz algo de mal para ele, você se torna uma pessoa ruim, e se você for mal e fizer uma coisa boa, você se torna bom pra ele de repente... Se lembra que ela falava tão mal da Alberta e da Úrsula e agora só vive no meio delas?
- Tem razão! – Fábia deu um pulo na cadeira e largou a folha como se ela fosse amaldiçoada. – Nossa, Chris! Estamos lidando com alguém perigoso...
- Devemos apenas tomar cuidado... Agora que ela juntou um exército que não para de passar trotes pros telefones da Augusta e da Miranda, sabe mais o que ela não é capaz de fazer...
- Se olhar feio matasse, já estaríamos mortos – riu Pietro, fazendo um gesto com o queixo para o trio parada dura do outro lado da sala de aula. Alberta, Úrsula e Velma repentinamente abriram cadernos, livros e desconversaram. Estavam encarando descaradamente.
- Bando de idiotas... – bufou Augusta. – deixa só eles saberem quem é essa menina...
Base Tecnológica Secreta, Norte do Estado.
- O hacker já desistiu? – perguntou o Coronel, trazendo uma xícara de café para a comandante.
- Não, infelizmente. – ela suspirou. Eles estavam sujos, cansados e com fome, não podiam pregar os olhos nem por um instante, um passo em falso e as portas estariam abertas para o invasor tomar o controle da base de uma vez por todas. – não conseguimos rastreá-lo! Não sabemos de onde os ataques estão vindo! A única saída é reforçar o firewall e ficar atualizando assim...
Um dos oficiais, quase um zumbi, pronunciou-se.
- É como se houvesse uma espécie de campo magnético impedindo o rastreamento, mas sabemos que não está muito longe, nosso sinal volta quando para no terminal de Macapá... – aquele homem parecia muito mais morto do que vivo.
- Sabe o que isso quer dizer? – fez o Coronel, misterioso.
- O que?! – perguntaram os oficiais em uníssono, despertos repentinamente.
- ALIENÍGENAS! – o Coronel ergueu um dos punhos e semicerrou os olhos, vasculhando a sala em busca de alguma reação em concordância. Ninguém se pronunciou, pelo contrário, eles se entreolharam, sérios, e voltaram ao trabalho como se nada tivesse sido dito ali naquela sala.
- ACHAMOS! ACHAMOS! – urrou um oficial. – ACHAMOS A FONTE DOS ATAQUES!
Todos os presentes na sala voltaram suas cabeças para o homem, e uma manada de curiosos e desesperados, loucos pela solução dos ataques, amontoou-se ao redor da mesa do indivíduo.
- BAIRRO CENTRAL DE MACAPÁ! CENTRO DE ENSINO CYCLONE! – urrou o homem. Deu um murro na mesa e girou sua cadeira para o Coronel. Tomou um susto ao ver que o velho o encarava, assim como toda a sala, apreensivos.
- Está me dizendo que alguém está tentando invadir a nossa central de dentro de uma escola particular?! – o Coronel estava bestificado. – estamos sofrendo ataques de amadores?!
- Não são amadores, senhor. – disse a comandante – eles estavam protegidos por um código de linguagem estranha, nosso computador demorou todo esse tempo para decifrá-lo...
Um grito pegou de sobressaltou a todos. Um dos homens levantou-se da cadeira, derrubando-a e apontando para a tela do seu computador, nervoso.
- OLHEM! VEJAM! – os oficiais levantaram-se e correram em direção ao monitor. Na tela, o decimal 44 piscava na cor verde.
- Tarde demais. – gemeu a comandante – fomos invadidos!
Os alarmes soaram e os computadores foram automaticamente desligados pelo sistema de segurança.
- MERDA, MERDA, MERDA! – urrava o Coronel. – estamos perdidos! O que o presidente vai achar disso?!
- Droga... O que aconteceu?! – Augusta ligava e desligava seu telefone, retirava a bateria e punha de novo, em um ciclo vicioso e repetitivo que deixaria a qualquer um agoniado. A esta altura, todo o Apocalipse Club estava de olho naquela situação, acompanhando a frustração da garota.
- O que foi Guta? – Fábia aproximou-se.
- Eu não sei! A Tim saiu do ar... – ela franziu a testa e desligou o aparelho mais uma vez. – eu pensei que fosse problema no aparelho, mas não é...
- A Vivo também... – afirmou Ray Ann, puxando seu telefone do bolso.
Mal nossos heróis, tão adolescentes e tão comuns quanto outros quaisquer sabiam que o mesmo havia acontecido no estado inteiro, e não só com as redes de telefonia. A internet simplesmente saiu do ar, o telefone ficou mudo, as linhas desapareceram, deixando a rede bancária em atividade suspensa, e consequentemente, a rede comercial também, o sistema de débito e crédito foi comprometido na mesma hora. A cidade parou repentinamente.
A diretora do colégio, Odilene, uma senhora gorducha de maquiagem pesada, surgiu à porta da sala gritando, toda descabelada. Os alunos entraram em estado de choque, ficaram completamente sem reação.
- O EXÉRCITO, O EXÉRCITO! – berrava a mulher, sacudindo suas banhas no vão da porta como se o mundo estivesse acabando. E realmente estava. – O EXÉRCITO FECHOU O QUARTEIRÃO! ELES CERCARAM A ESCOLA, MEU DEUS! CERCARAM A ESCOLA!
Fábia agarrou o pescoço de Chris e Ray Ann meteu a cabeça debaixo do casaco gigantesco de Pietro. Augusta atirou a bateria do seu telefone na parede, era a única ali que falava, de modo que toda a atenção da sala de aula estava voltada para ela, revoltada com seu aparelho celular que não mandava mais mensagem alguma, nem com reza braba!
- Porcaria de telefone! – resmungou – o que é que essa mulher tá gritando aí hein?! – fez, voltando os olhos para os seus amigos. Todos como tralhotos de olhos esbugalhados – o que é?! O que foi?!
Odilene caiu à porta. Desmaiada. E o pandemônio começou.
Há um momento na vida em que o jogo muda, em que os olhos se abrem e o mundo já não é mais o mesmo, há um momento na vida em que você percebe que o tempo passou tão rápido pra você, e os seus olhos marejam ao lembrar de alguns momentos da infância. Acho que não sou o único que tem essa sensação no mundo inteiro, alguém a mais deve sentir o mesmo, aquela velha sensação de que "eu era feliz e não sabia". E quando você abre os olhos, você cresceu e nunca mais voltará a ser o mesmo, nunca mais, a vida já te torceu, dobrou, te fez de origami e depois de devolveu pra onde você estava antes de tudo começar, agora todo amassado, um pouco rasgado em alguns pontos, mas calmo, conformado, pacífico. A sensação é de estar flutuando no oceano, sendo levado pela maré enquanto todos os tipos de pensamentos te assolam. E que coisa estranha é isso que chamam de "Epifania"... Essa palavra possui algum acento? Não sei, sempre tive medo de usá-la temendo assassinar cruelmente a língua portuguesa, como certa vez fiz em "Stella" colocando viagem com J e não G, fui avisado do meu erro da pior forma possível, e me senti muito envergonhado. Um incidente à parte nessa minha estranha vida.
Há um momento na vida em que você acorda e vê que secou, a sua fonte de sonhos secaram. Não que a esperança tenha acabado, não, ela é a última que morre e estará para sempre no fundo da sua caixa de pandora interna, esperando o momento em que você estiver se sentindo nas últimas, esperando a hora certa pra sair e dizer "ei, eu ainda estou aqui, acredite em mim". Não é como se sentir desesperançado, não, é como cair na real, é como enxergar o mundo ao seu redor como ele realmente é, tirar as vendas da infância e acordar para as responsabilidades de uma vida adulta, ou como eu dizia até um ano atrás "alienar-se pela sociedade". Isso é crescer, é se tornar um adulto conformado. No meu caso, um jovem adulto conformado, mas feliz. Para alguns isso demora a acontecer, muitos persistem em enfrentar o seu próprio fardo, tentam mudar a história com a mesma garra e força de vontade que possuíam desde a infância, sem sucesso. Força de vontade, falaremos dela já, já!
Veja bem, olhe bem para o lugar onde você vive, analise suas condições financeiras e a sua popularidade. Há alguma chance de alguém algum dia publicar algum livro seu? Ou chegar a compensar o seu talento? Elas são praticamente nulas, mas eu me prendi a esse sonho bobo desde que me disseram "você tem um talento", me prendi a esse sonho de ser famoso e ser reconhecido pelo que faço, planejei um futuro me embasando naquilo, mas por sorte acordei antes que fosse tarde demais. Eu vivo no Amapá, moro em Macapá, longe dos grandes pólos culturais do país, longe dos olhos importantes da mídia, dos "caçadores de talento" por assim dizer, nossa conexão com o mundo via-internet é no mínimo PÉSSIMA, às vezes o blogger nem abre, não estamos conectados ao resto do país por terra, estamos praticamente isolados aqui. Quer dizer, eu estou. As pessoas daqui se acostumaram a isso, se conformaram, e é o que está acontecendo comigo nesse exato momento! Meus sonhos não condizem com a minha realidade! Minha realidade é outra! É totalmente diferente do mundo de faz-de-contas que eu havia criado em torno de mim e do meu futuro "brilhante". Quem vai dar atenção pra um escritor amapaense indigente que nem eu? Ninguém. Isso mesmo. Ninguém, e esta é a realidade.
Mas isso pouco me importa, o que importa é o que eu tenho aqui dentro, e mais nada. E eu tenho conteúdo, sim senhor! No mais, acho que persistir em sonhos impossíveis é como buscar o amor, só serve para quem tem força de vontade e dinheiro (no caso do amor, a beleza também está incluída nos quesitos, coisa que eu definitivamente não possuo), e são duas coisas que eu não tenho em grande quantidade. E afinal, o que há de errado em terminar uma faculdade dignamente? O que há de mais em conseguir um emprego qualquer e receber um salário razoável para poder pagar uma diarista ou comprar alguns livros de vez em quando? Fazer uma viajem, conhecer lugares diferentes usando as economias de final de ano. Ser um adulto como qualquer outro. Não, não há nada demais nisso, é até bem satisfatório, quantas pessoas no mundo não desejam isso?
Uma vida inteira cheia de história para contar. Sinto quase como se fosse fazer 80. Isso é estranho. Enfim, vou curtir os últimos minutos do segundo tempo da minha adolescência, curtir o ócio e a falta de ocupação, quando voltar de lá, virão a quitação com o exército (MEDO MORTAL), a conta no banco e a passagem das contas a pagar para a minha administração. Será que eu vou conseguir tocar isso pra frente? Será que eu vou conseguir fazer o trabalho da minha mãe com a mesma eficácia? Quem sabe.
Só que eu, é claro, desde pequeno sempre fui chegado numa ficção científica, e adorava a parte final do primeiro longa, que se passava com a tentativa de invasão à terra pelo Lorde Coelhão, que via seus planos irem por água abaixo quando Mônica e Cebolinha entravam na jogada, eu adorava aquela luta final que rolava no espaço, e chorava junto com o Cebolinha quando a Mônica era acertada pelo "raio empacotador" da Nave Mãe. Era emocionante, sério! Não vale rir de mim!
A história começa no meio do espaço, onde uma estrela recém-descoberta chamada "Pulsar" emite um raio cósmico que por um acaso atinge um dos andróides-coelho do batalhão de guarda do planeta Cenourano, o qual sofre uma estranha mutação, repentinamente ele parece adquirir vontade própria, a expressar emoções, e de primeira fica confuso... Após isso somos levados para a terra, para o quarto do cebolinha, que ainda dormia quando um objeto estranho cai do espaço com um estrondo daqueles, chamando a atenção de toda a turminha. Pra averiguar a situação, os quatro resolvem ir até o local da queda, onde descobrem um pacote de presente que contém, nada mais, nada menos que um coelho robô dentro!
Recentemente, o longa ganhou uma saga do mangá "Turma da Mônica Jovem" baseado na sua história, que é completamente genial, eu adorei! Ganhou um brilho extra todo especial e passou a se chamar "O Brilho de Um Pulsar", foi dividido em 3 partes e é todo trabalhado na "Science Fiction", com design futurístico e ação do começo ao fim, particularmente é uma das únicas sagas do mangá que me agradaram, a segunda foi aquela que retratava a Mônica como Alice no País das Maravilhas, que eu achei muito inteligente. Mas o que mais me atraiu na história foi o design do "Robozinho", que agora virou um Robozão, isso sim! Particularmente falando, eu sou muito atraído pelo visual, às vezes mais do que pelo enredo (foi por esse e outros motivos que eu escolhi cursar Design na faculdade!), e a história do mangá não deixa a desejar em ambos! Segue aí abaixo uns prints que eu tirei do design novo do "Robozinho", é de encher os olhos!











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