Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Que Está Havendo?


E então chegou o Natal, época de paz, de otimismo, de amor, de compaixão, de perdão e de esperança... Mas o que está acontecendo na minha vida e ao meu redor é totalmente o contrário. O que eu vejo a cada dia que passa me entristece, me envergonha, me põe pra baixo, me agita os nervos ver no que o ser humano está se transformando. Gente disposta de tudo para derrotar o próximo e fazê-lo sentir-se um lixo, gente disposta a todo o tipo de baixaria e maldade para fazer o seu irmão sofrer! O que está havendo com o mundo? O que está havendo com as pessoas? Cadê o brilho do Natal? A paz e a fraternidade que essa época trazia para as pessoas? A palavra PERDÃO perdeu o sentido? A palavra COMPAIXÃO sumiu do coração das pessoas? POR QUÊ? Eu me pergunto indignado.

Olho para o lado e vejo jovens brilhantes desistindo dos seus sonhos, olho para o outro e vejo pessoas amarguradas, mal amadas e ruins de espírito perturbando a paz do alheio com comentários maldosos e sujos via internet! A pessoa sequer tem coragem de mostrar a cara, de ser sincero, de ser verdadeiro, de ser humano!

O que houve com as pessoas? Com a bondade? Com o espírito de Natal? COM A ESPERANÇA?! Porque tudo isso está acontecendo? Estamos num período tão feliz do ano! É o aniversário do nascimento do homem de coração mais puro, ele que veio para a terra a mando do Pai para espalhar a palavra, para renovar as esperanças, para fazê-los acreditar na bondade, na salvação, e as pessoas se esqueceram disso tudo! Se esqueceram do sentido do Natal! Da esperança que esta época desperta nos nossos corações!

O que eu vejo ao me dar conta do mundo que me rodeia é a desilusão, a maldade no coração dos homens, a pobreza de espírito e a desistência. Porque? Meu Deus, porque o Natal não desperta nas pessoas os mesmos sentimentos que ele desperta em mim? Por quê? Porque as pessoas esqueceram-se do significado desta data tão linda?!

Raíssa! Essa é pra você!

Você é uma artista brilhante e uma pessoa maravilhosa, nunca desista dos seus sonhos! Nunca! Existem tantos artistas que superaram suas deficiências físicas pelo amor ao que fazem, pela paixão à arte! Você não é um buraco negro, você é uma estrela! Você expande brilho e luz por onde passa! Não desista dos seus sonhos nunca, nem por sua saúde nem por nada desse mundo! Acredite em quem você é e no que Deus está guardando pra ti no futuro, porque Ele não te pôs na terra pra sofrer, Ele te ama, e assim como eu, Ele acredita em você! Se a vida te deu limões, faça uma limonada! Todo artista é uma ostra, nós transformamos as agressões externas em grandes e lustrosas pérolas, não se esqueça disso! Você é uma das cinco pessoas mais talentosas que eu conheci e tem um futuro brilhante pela frente, não apague a sua luz nunca, não apague a sua estrela! E se por um acaso o teu brilho quiser diminuir, eu te empresto um pouco do meu, e então poderemos brilhar mais que a própria lua nesse céu! Acredite no seu poder de superação e acredite nas pessoas que te amam e que te querem bem! Estamos todos do seu lado e te admiramos pelo que tem no seu coração, nada pode te parar, menina! Sai dessa e segue em frente! Há um mundo lá fora, pronto para receber as suas pérolas, cuspa-as na cara daqueles que não acreditam em você, seja uma máquina de pérolas! Produza-as em grande escala e mostre para o mundo que você não é fraca! Você é uma menina forte e linda, pura, de bom coração e sem maldade, uma garota que ama e é amada! NUNCA DESISTA! NUNCA! Deixe a esperança e o brilho do Natal te contagiarem e te renovarem! Jesus nasceu para dar brilho às nossas vidas! Não se esqueça disso nunca!


E isso vai pra todos aqueles que me odeiam!


EU SOU A ABERRAÇÃO MAIS LINDA, TALENTOSA, PODEROSA, GIGANTESCA, BRILHANTE, MEIGA, AMÁVEL, INTELIGENTE, CULTA, VERSÁTIL E CATIVANTE DO MUNDO TODO! E VOU CHOVER NA PARADA DE VOCÊS FEITO GRANIZO! PORQUE EU SOU UM FOGUETE ESPACIAL, QUE VEIO DE UM PLANETA BIZARRO DISTANTE PARA EXPLODIR BEM NAS SUAS CABEÇAS VAZIAS! ME AGUARDEM! PORQUE EU SOU A MARAVILHA ELÉTRICA! A BIZARRICE MAIS GLORIOSA DO MUNDO INTEIRO! FUCK YEAAAAAAAAAAAAAH!




E FELIZ NATAL PARA AS GORDAS!

Veronica's Secret


- Entre, Stefan – grasnou a velha. Ela sabia que seu filho estava para do outro lado da porta pelo modo como seu punho tocava a madeira, ela reconhecia a batida de cada um deles. A batida de Aline era sonora, a batida de Gabriela era nervosa, e a de Stefan era firme. Riu consigo mesma. O que Gabriela estaria fazendo na mansão? A não ser que tivesse fugido da prisão, estaria disposta a fazer sua sogra “amada” de refém, com certeza.
- Está arrumando as malas, mamãe? – Stefan pareceu surpreso, sentou-se à beira da cama acariciando a pelagem comprida e macia do gato felpudo de cara preta que balançava seu rabo de espanador de um lado para o outro. Estava nervoso e agitado por ver sua dona sempre tão lenta, assim, tão vivaz como naquela manhã. A coluna da velha não dava sinal de vida há algumas horas, e já era seguro fazer alguns movimentos mais audaciosos, como agachar para encher a bagagem com suas vestimentas favoritas.
- Claro, não confio em mais ninguém depois de toda essa história. Você não pode imaginar o estado do meu psicológico nesse exato minuto... – ela deu uma pausa e escorou-se na penteadeira, acendeu um cigarro enorme e soltou uma baforada no ar – estou pensando sinceramente em me deitar e morrer logo de uma vez.
- Vai morrer mais rápido se continuar fumando essas coisas, mamãe – Stefan levantou-se e tomou o cigarro da boca de sua avó-mãe, caminhou até a varanda e sugou o máximo de fumaça que pode para dentro dos pulmões, ferindo tudo com a maldita e viciante nicontina.
- Eu posso morrer, você não, é jovem ainda – ela acendeu outro. A esta altura, o quarto era uma verdadeira sauna, cheia de fumaça.
- Eles rastrearam o meu celular e o encontraram, acredite se quiser, em Cingapura!
Stella gargalhou, a mesma gargalhada de esponja de aço, um pouco mais macia.
- Na posse de quem? – perguntou ela, como se desinteressada, mas no fundo, cheia de curiosidade.
- Estava largado no aeroporto, no fundo de uma lixeira! Acredita nisso?! – foi a vez de Stefan gargalhar, virou-se para a velha mãe. – a Interpol foi acionada, mas duvido que vão achar o verdadeiro assassino do tio Lucas... Como vão achar um assassino sem rosto? Não sabemos quem é... E a Gabriela...
- Ora, não toque no nome dessa maldita dentro do meu quarto! – Stella escarrou num lenço e jogou-o com asco dentro do lixeiro. Para ela, não era o seu catarro contaminado que estava indo para o meio das porcarias, era Gabriela. Não passava de gosma asquerosa. Baixa.
- Ela preferiu pegar prisão perpétua a revelar o verdadeiro mandante do crime... – resmungou ele, cabisbaixo. – ela assumiu a culpa sozinha...
- Veronica nunca iria mentir, jamais mentiria...

- Não tenha medo, Veronica, tudo bem? Estamos somente eu e você aqui dentro desta sala, e não há ninguém do outro lado do vidro, eu pedi a todos que saíssem para que você pudesse me contar o que de fato é a verdade... – o detetive segurava o rosto da mulher entre as mãos. Ela ainda tremia, mas inexpressiva. Suas lágrimas rolavam soltas como rios pelo seu rosto fixo e vermelho. – está pronta?
Ela fez que sim.
- As mensagens começaram há uma semana... – começou Veronica, já um pouco mais calma, após um longo e apreensivo silêncio – eu sempre tive uma paixão oculta pelo Senhor Stefan, mas nunca fui corajosa para admitir, e quando as mensagens começaram a chegar, eu me senti a mulher mais sortuda do mundo! Eu estava nas nuvens!
“Eu estava disposta a tudo o que ele me pedisse, eu jamais negaria qualquer coisa... E derramei muitas lágrimas quando ele me pediu que o ajudasse nisso... Eu não conseguia imaginar o porquê de o Senhor Stefan querer a mãe morta! A sua mãe! Aquela que ele mais amava no mundo todo e que o acolhera após a triste morte de seus pais! Que lhe sustentara, que lhe dera do bom e do melhor, que lhe dera carinho e apoio nos mais distintos momentos da vida! Eu simplesmente não conseguia entender! Eu não conseguia chegar a um ponto lógico disso! Ele não podia estar de olho na herança, ele era rico por si próprio! A carreira como ator lhe rendera rios de dinheiro e agora isso! Por quê? Eu me perguntava, e várias vezes lhe pedi que me tirasse dessa.”
- Então foi tudo um grande engano! Lucas morreu no lugar de Stella! – o detetive estava bestificado.
- Sim – prosseguiu Veronica, agora segura de si mesma. – As instruções eram estas: eu deveria estar esperando no corredor, próxima do elevador, pronta para indicar o número do quarto aonde a Senhora Stella estaria naquela manhã... Mas de última hora eu senti que não deveria fazer isso! A Senhora Stella me deu casa e emprego quando cheguei a este país, ela era um pouco ranzinza e respondona, mas era como uma mãe para mim... Ela me ensinou muitas coisas...
“Havia uma lista com os quartos e quem iria ocupá-los, e como a Senhora Stella vivia falando desse Lucas, o único nome que me veio à cabeça foi o dele, e o número de seu quarto, que foi o primeiro em que bati os olhos na listagem do hall! Entenda, por favor, que eu estava nervosa e muito comprometida, e não tinha outra saída, eu poderia ter dado um número qualquer, de qualquer outro quarto, mas eu não poderia deixar um daqueles velhinhos indefesos morrerem, velhinhos que nem sequer fazem parte desta história toda... Foi doloroso para mim, e pedi perdão à Deus milhares de vezes enquanto o elevador descia. Eu estava gelada e arrependida de ter feito o que havia feito... Por isso eu peguei os sapatos do Senhor Lucas das mãos de uma assistente e subi para tentar reparar o erro, mas quando cheguei... Era tarde demais!”

- ELE ESTÁ MORTO! ESTÁ MORTO! – urrava a búlgara apontando para o cadáver ensangüentado que se debatia coberto pelo vestido branco, agora rubro.
- VOCÊ VAI FICAR CALADA, ENTENDEU? CALADA?! VOCÊ NÃO VIU NADA DO QUE ACONTECEU AQUI! NADA! – sibilava Gabriela, feito uma cobra venenosa, enquanto sacudia os ombros da indefesa Veronica com violência, empurrando-a porta afora em seguida, antes de descer desembestada às escadas de emergência.

- Eu não vi outra solução se não me esconder – disse Veronica ao detetive, limpando as lágrimas. Sua fala estava fluente e os soluços eram raros agora. – eu me escondi no escuro do corredor e vi o momento em que o Senhor Stefan abriu a porta e deparou-se com cadáver, eu o vi correndo pelas mesmas escadas de emergência por onde sua esposa fugira... Nessa mesma hora eu soube que havia sido enganada, que ele não matara o Senhor Lucas... Aconteceu tudo tão rápido
- Gabriela estava em posse da arma? – perguntou o detetive.
- Não, ela estava de mãos vazias.
- Como você passou batido por Stefan? Ele esteve jogado no chão, próximo ao elevador durante algum tempo...
- Usei o elevador de serviço, ficava mais próximo do quarto do Senhor Lucas... logo ao lado, no pequeno corredor... À esquerda...
- Sim, sim, logicamente... Mas me conte sobre o telefonema de hoje pela manhã... – o detetive olhou no relógio. Já passavam das duas da madrugada – de ontem de manhã, digo.
- Senhora Gabriela me ligou e mandou que eu ficasse quieta, disse que alguém queria falar comigo e que eu ouvisse com atenção... O homem do outro lado não disse seu nome, mas disse que se eu abrisse a boca, estava morta antes de me dar conta, e se eu não o respeitasse, ele mataria a todos nós... – Veronica voltou a chorar, dessa vez baixinho, um choro silencioso. – Não sei quem ele era, mas ele e a Senhora Gabriela estavam juntos nisso, eles se fizeram passar por Stefan para que eu acreditasse realmente que ele queria a herança da mãe, e que confirmasse a história aqui, na polícia...
- Está dispensada, Senhorita Petrova – e saiu porta afora, para nunca mais voltar.

Letra & Música ₰


Em minha opinião, a letra mais linda e mais sincera que a belíssima Katy Perry já escreveu, fala sobre se sentir fragilizado e indefeso, e tirar forças disso para fazer com que as pessoas vejam quem você realmente é!


Katy Perry
Firework
Do you ever feel
Like a plastic bag
Drifting throught the wind
Wanting to start again

Do you ever feel
Feel so paper thin
Like a house of cards
One blow from caving in

Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under scream
But no one seems to hear a thing

Do you know that there's
Still a chance for you
Cause there's a spark in you

You just gotta ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July

Cause baby you're a firework
Come on, show them what your worth
Make them go "Oh, oh, oh!"
As you shoot across the sky-y-y

Baby, you're a firework
Come on, let your colors burst
Make them go "Oh, oh, oh!"
You're gonna leave them falling down-own-own

You don't have to feel
Like a waste of space
You're original
Can not be replaced

If you only knew
What the future holds
After a hurricane
Comes a rainbow

Maybe you're reason why
All the doors are closed
So you could open one
That leads you to the perfect road

Like a lightning bolt
Your heart will blow
And when it's time, you'll know

You just gotta ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July

Cause baby you're a firework
Come on, show them what your worth
Make them go "Oh, oh, oh!"
As you shoot across the sky-y-y

Baby, you're a firework
Come on slet your colors burst
Make them go "Oh, oh, oh!"
You're gunna leave them falling down-own-own

Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon
It's always been inside of you, you, you
And now it's time to let it through

Cause baby you're a firework
Come on, show them what your worth
Make them go "Oh, oh, oh!"
As you shoot across the sky-y-y

Baby, you're a firework
Come on, slet your colors burst
Make them go "Oh, oh, oh!"
You're gonna leave them going "Oh, oh, oh!"

Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon
Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon

Fogo de Artifício
Você já se sentiu como um saco plástico
Flutuando pelo vento
Querendo começar de novo?

Você já se sentiu frágil
Como um castelo de cartas
A um sopro de desmoronar?

Você já se sentiu enterrado
Gritando sob sete palmos
Mas ninguém parece ouvir nada?

Você sabe que ainda há uma chance para você?
Porque há uma faísca em você

Você só tem que acendê-la
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como 4 de julho

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos

Você não tem que se sentir como um desperdício de espaço
Você é original, não pode ser substituído
Se você soubesse o que o futuro guarda
Depois de um furacão vem um arco-íris

Talvez a razão pela qual todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve para a estrada perfeita
Como um relâmpago, seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá

Você só tem que acender a luz
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia 4 de julho

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Sempre esteve dentro de você, você, você
E agora é hora de deixá-lo sair

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos oh!

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua


Letra & Música ₰


Hoje, o tema é músicas para levantar o astral! Sim! Aquelas músicas que passam uma lição de moral linda, que falam sobre ter amor próprio e força para lutar, seguir em frente e ser quem é. Tudo haver com o final de ano, um incentivo à parte para meus queridos leitores imaginários! ;}

Christina Aguilera
Beautiful


Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed

I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today

To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?

You are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
You are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...

No matter what we do
(No matter what we do)
No matter what we say
(No matter what we say)
We're the song inside the tune
Full of beautiful mistakes
And everywhere we go
(And everywhere we go)
The sun will always shine
(Sun will always shine)
But tomorrow we might awake
On the other side

'Cause we are beautiful no matter what they say
Yes, words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today

Don't you bring me down today
Don't you bring me down today

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Todo dia é tão maravilhoso
E de repente, fica difícil de se respirar
De vez em quando, eu me sinto insegura
Com toda a dor, eu me sinto envergonhada

Eu sou bonita não importa o que eles digam
Palavras não vão me fazer cair
Eu sou bonita em todos os sentidos
Sim, palavras não vão me fazer cair
Então não me faça cair hoje

Para todos os seus amigos, você é delirante
Tão consumida pelo seu destino
Tentando arduamente cobrir o vazio
Os pedaços se foram, deixaram o quebra-cabeça sem fazer
É assim que tem que ser ?

Você é bonita não importa o que eles dizem
Palavras não vão te fazer cair
Você é bonita em todos os sentidos
Sim, palavras não vão te fazer cair
Então não me faça cair hoje

Não importa o que fazemos
(não importa o que fazemos)
Não importa o que dizemos
(não importa o que dizemos)
Nós somos a música dentro da melodia
Cheia de erros bonitos
E para onde nós formos
(e para onde nós formos)
O sol sempre brilhará
(sol sempre brilhará)
Mas amanhã a gente poderá acordar
No outro lado

Porque nós somos bonitos não importa o que eles disserem
Sim, palavras não vão nos fazer cair
Nós somos bonitos em todos os sentidos
Sim, palavras não vão nos fazer cair
Então, não me faça cair hoje

Não me faça cair hoje
Não me faça cair hoje

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Decepção

Esta noite, deitei-me com a decepção
Lado a lado, cara a cara
E ela me disse, e ela me disse
Sim, é culpa sua
Tudo sua culpa
E eu olhei-a nos olhos
Sim, bem dentro deles
E lhe disse
Não, é culpa das pessoas


E então sabe o que ela disse?
As pessoas não tem culpa
de Você confiar nelas
As pessoas não tem culpa
de Você ser quem é

E eu disse, sim eu lhe disse
Eu lhe disse
Você tem toda razão
Dona Decepção
Toda razão.




Um Par de Armanis


- Repita para mim, por favor, exatamente o que aconteceu – pediu o detetive, com calma.
- Eu contei tudo o que aconteceu, tudo! Quer que eu repita mais o que?! – gritou Gabriela. – eu já estou ficando irritada com as suas insinuações, detetive Mimieux! Se me permite, eu tenho uma sessão de Yoga para relaxar dessa tensão toda! – fez menção de levantar-se.
- Nem tente sair desta sala, Gabriela Stefanovna, trate de sentar este seu traseiro magrelo na cadeira agora e me contar o que você está me escondendo!
Ela gargalhou.
- Você gosta mesmo do meu nome, não é? É Russo, querido, herdei do meu marido, e agora estou indo, não tenho mais nada para falar aqui! – Gabriela levantou-se e praticamente correu em direção a porta, mas o detetive a deteve pelo braço.
- Ambos sabemos que você odiava Stella, então porque faria o favor de levar o vestido para ela? Porque não mandou uma empregada entregá-lo?!
Gabriela estava sem saída. Havia sido pega no pulo do gato mais uma vez. E dessa vez não havia escapatória.
- Eu estava seguindo o meu marido, tudo bem? – sentou-se outra vez.
- Por quê? – ele pôs a mão no queixo, interessado.
- Eu o estava vigiando... Eu suspeito que ele esteja tendo um caso com... Com a Veronica, é isso! – ela cobriu os olhos, envergonhada. O detetive gargalhou alto e quase deixou cair sua xícara de café, já fria e vazia. Seca.
- Com a Veronica?! Mas ela é uma empregadinha sem sal qualquer, perto de você, uma poderosa modelo atraente e... – ele foi interrompido de supetão por uma explosão revoltada de Gabriela.
- EU NÃO SOU MAIS JOVEM, TUDO BEM? – gritou – eu tenho noção de que estou ficando velha, e essa raposinha búlgara, toda jovenzinha saltitando pela casa, sempre com a sobrancelha franzida, nunca dá bola pra nenhum homem... Isso atrai os homens sabia?! Você deveria saber!
- Mas deve haver um motivo para você suspeitar desse caso... O que você sabe que nós não sabemos?
- Stefan tem passado mensagens para alguém toda noite. Dois dias antes do assassinato, eu chequei as últimas mensagens enviadas e vi o número de Veronica repetido várias vezes, todos os dias no mesmo horário... Você sabe do que estou falando, não sabe? – com um olhar sugestivo, ela debruçou-se sobre a mesa. – Eles estavam combinando de se encontrar no hotel...
- O que você está sugerindo?
- Que os dois estejam metidos nessa juntos! – deu um murro na mesa.
- Por favor, pare de socar essa mesa, estou começando a ficar levemente irritado – mentira, ele estava muito irritado com aquela família Vazjekovzka problemática, queria mesmo era mandar todos para o quinto dos infernos.
- Me desculpe, me desculpe! – ela ergueu os braços, em sinal de redenção.
- Vamos tratar disso exatamente como deve ser tratado.
No mesmo instante, tratou de colocar Veronica e Stefan cara a cara numa única sala. E ele nunca vira duas pessoas tão nervosas juntas quanto os dois. Veronica gastara quase uma caixa inteira de lenços chorando e fora acompanhada ao banheiro por Abner muito mais de três vezes. As veias da cabeça de Stefan saltavam como minhocas o comendo por debaixo da pele, aquilo era um tanto asqueroso... O que era, meu Deus, um astro fora das telas! O quão ordinário ele parecia agora.
- O que você sabe que eu não sei? – perguntou o detetive, dando passadas largas ao redor da mesa, como um leão cercando sua presa antes do bote.
- Do que você está falando? – gaguejou Stefan.
- Na verdade, eu estava falando com Veronica, Senhor Stefan. – ele inclinou a cabeça e estalou o canto da boca. Pena. Veronica deu um gritinho e abriu seus olhos enormes em direção ao detetive. Estava vermelhos e brilhantes como duas estrelas furiosas.
- Minha investigação empacou exatamente no triângulo amoroso formado por você – apontou para Veronica com o dedo em riste. – Stefan e sua mulher Gabriela, e espero do fundo do meu coração que vocês não estejam me fazendo de trouxa, porque acabei de saber pela boca de uma funcionária da revista que VOCÊ, VERONICA, não ficou no térreo. Subiu para entregar o par de sapatos Armani que seria usado por Lucas Lustat no primeiro photoshoot!
Do outro lado do vidro escuro, Stella se contorceu. Estava acompanhando o interrogatório desde que seu filho fora interrogado, permanecera calada até o momento, sofrendo internamente como a boa senhora de idade que era, mas com o avançar da noite, ela começava a dar seus primeiros gemidos e grunhidos. Talvez pelas dores na coluna, talvez pela dor de ver todos envolvidos desta maneira nesta história sem pé nem cabeça.
Veronica lançou um olhar furioso para Stefan.
- Eu falei! Eu falei pra você não me meter nessa! Seu imbecil! – e atirou-lhe a caixa de lenços vazia.
- O QUE? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? – gritou Stefan, nervoso.
O detetive começou a rir. Finalmente o fim estava próximo.
- A pergunta é... Qual o motivo? O que vocês dois ganhariam com esse assassinato?! – o detetive puxou uma liga de cabelo do bolso da blusa e amarrou o cabelo num rabo de cavalo no topo da cabeça. Estava sujo e cansado para ficar colocando aquele cabelo toda hora para trás da orelha. Há dois dias que ele não saía daquela delegacia.
- EU NÃO ESTOU ENTENDENDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI! – Stefan entrou em desespero outra vez. Já tinha estado mais calmo antes de ser colocado contra a parede mais uma vez.
- NÃO SE FAÇA DE SONSO, STEFAN! – gritou o detetive, foi sua vez de esmurrar a mesa, com força e vontade. Veronica deu um gritinho e cobriu os olhos. – sua esposa me contou das mensagens que você trocava com Veronica toda noite, no mesmo horário!
- Mas... O que?! – Stefan levantou-se, revoltado – como eu posso trocar mensagens com alguém se eu perdi o meu telefone há uma semana?!
O detetive pôs a mão na testa oleosa, fechou os olhos, suspirou e largou os ombros. Aquilo estava ficando realmente cansativo.
Foi quando a porta foi aberta de supetão, com um estrondo enorme. Parada no vão agora estava uma velha alta e magra, de olhos fundos e pele acinzentada, cabelos desgrenhados e chapéu na mão, forçando sua coluna já inválida, destruída, fraca e inútil, caminhando a passos forçados e pesados em direção a uma Veronica quase zumbi, morta por dentro.
- Senhora Vazjekovzka! Volte por favor! Volte! – o detetive Mimieux correu até ela, passou o braço fraco e idoso por cima de seus ombros e cruzou seu braço forte e jovial por trás da cintura de Stella, dando apoio a ela. Não podia dar mais um passo sequer. Havia corrido e empurrado os policiais que estavam em seu caminho com a força que lhe restava para chegar até ali.
- Me leve até ela, por favor! ME LEVE ATÉ ELA! – gritava a velha, entre caretas, indicando Veronica com o queixo. Mimieux fez sinal para que os grandalhões continuassem do lado de fora e levou-a com cuidado para perto da mesa, onde ela se apoiou e onde se abaixou com cuidado.
- Veronica, por favor, o que você sabe? Me diga! Por favor! – Stella ajoelhou-se ao lado da cadeira da mulher chorosa, de nariz vermelho e olhos inchados, segurou as mãozinhas búlgaras da pequenina com força e olhou fixo, no fundo de suas íris castanhas. – eu senti desde o primeiro momento em que a vi aqui, sentada, apavorada, que você não é a culpada disso, mas testemunha! Sei que você não é cúmplice nisso, e se realmente tiver parte nisso tudo, sua pena será diminuída se você entregar o seu mandante! Pense nisso, Veronica, por favor! Eu gosto tanto, tanto dos seus serviços, da sua companhia! – e desferiu vários beijos nos punhos macios e fechadinhos da mulher. As duas encostaram suas cabeças e choraram juntas, abraçadas.
- Ele... – gaguejou Veronica enquanto Stella limpava as lágrimas da jovem com um instinto materno nunca antes visto naquela senhora amarga e mal humorada.
- Ele?!... – repetiu Stella, com profunda dor no peito. Lancinante.
- Ele me telefonou hoje pela manhã!
- Ele quem, meu anjo? Ele quem? – perguntou Stella, com paixão e sede por justiça, por saber da verdade. Estava farta, cansada, morta. Fatigada.
- EU NÃO SEI QUEM ELE É, EU NÃO SEI! – gritava a búlgara minúscula entre lágrimas, saliva e tosse, ressonava, soluçando dolorosa e profundamente. – MAS ISSO TUDO É ARMAÇÃO DELE! ELE TRAMOU TUDO ISSO PARA PARECER QUE STEFAN ERA O CULPADO! ELE! ELE FEZ TUDO ISSO! ELE E A SENHORA GABRIELA! ELES DOIS ESTÃO JUNTOS NISSO! SE EU ABRISSE A BOCA ELE ME MATARIA, ELE MATARIA A TODOS NÓS, ELE! ELE MATARIA A TODOS!
Veronica revirou seus olhos e caiu por sobre Stella, que não teve forças para segurá-la e foi ao chão junto com ela, desmaiadas, as duas, por motivos diferentes. Imediatamente a sala foi inundada por homens de uniformes, pareciam ter surgido das sombras, acudindo, ajudando, algemando. Enquanto Stefan saíra da prisão provisória, sua esposa entrara.
E assim a história complica cada vez mais, detetive Frederico Mimieux.

Ode à Solidão

Oh, Solidão
Minha dama das horas vagas
Oh, querida Solidão
Minha musa das derradeiras madrugadas
Venha me consumir
Venha me abraçar
Para que eu não tenha que sentir
O vazio que aqui está
A me cutucar
Com este garfo vermelho de três dentes
Ferindo, Ferindo, Ferindo
Meu coração já Machucado



Só a tua presença me acalenta
Só o teu abraço é o que eu preciso
Solidão, venha me dar a paz eterna
A porta está aberta para você
Solidão
Anjo Solidão
Venha, entre, vamos conversar
Minha companhia é você
Solidão


Me consuma de dentro pra fora
Me dê a paz de que preciso
Porque sozinho sei quem sou
Sozinho sou feliz, porque tenho a você
Você faz parte disso
Solidão, venha me ajudar a enfrentar
Estes longos anos de solidão
Venha me ajudar a conformar
Este coração.
Solidão, oh solidão, minha musa das horas vagas
Meu conforto, minha paz
Solidão

Sou feito de ti
Tu és feita de mim
Solidão, Solidão
Resultado da paixão.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Vestido Versace, Mulher Versátil


- O que exatamente você estava fazendo no prédio do hotel naquela manhã? – o detetive tomou o último gole do seu café calmamente, enquanto a sedutora Gabriela cruzava e descruzava as pernas várias vezes. Não que estivesse provocando, longe disso, ela estava nervosa e desconfortável naquela cadeira dura de ferro. Ela que era tão elegante parecia uma joia perdida no esgoto, dentro daquela sala.
- Eu não sei do que você está falando, detetive, estive a manhã inteira em casa! Saí somente pela parte da tarde, para fazer um Cooper à beira mar, eu estava de folga e...
- Os empregados da mansão disseram que você saiu alguns minutos após a limusine deixar o pátio, acho melhor você falar a verdade. – sentou-se.
Ela permaneceu calada durante um tempo, sua testa estava cheia de ravinas de preocupação, piscava mais que o normal. Decidiu retirar as luvas, pois estava suando horrores debaixo delas, descruzou as pernas pela quinta vez.
- Tudo bem, olha, pra ser sincera, eu realmente saí de casa naquela manhã, eu saí sim, mas foi por um bom motivo... – ela respirou fundo. – Stella havia se esquecido do seu segundo vestido, a muda de roupa que Aline havia separado para ela, e eu como boa nora resolvi entregá-lo no hotel, foi isso! Nada demais! – cruzou os braços, estava mais tranquila agora. Aquela desculpa era realmente convincente, se não fossem os outros detalhes sórdidos.
- Mas, me diga, Gabriela, que motivos você teria para entrar sorrateiramente pelas escadas de emergência, como mostram as câmeras de segurança?
Gabriela finalmente descobrira o motivo daquele televisor mequetrefe e encardido que a encarava ameaçador com a sua tela escura, séria e julgadora. Ela tinha muitos motivos para entrar em desespero agora. Se eles filmaram a sua entrada no prédio, haviam filmado tudo. O detetive Mimieux puxou um pequeno controle do bolso e apertou alguns botões para dar play no vídeo. As imagens eram claras, claríssimas, nítidas como a água: Gabriela surge caminhando feito um gato, desconfiada, olha para todos os lados, checa a porta sem fazer muito barulho e verifica se está aberta ou fechada. Sobe em seguida. O vídeo permanece numa porta vermelha entreaberta que, após uma rápida acelerada pelo controle remoto, mostra uma Gabriela descabelada e visivelmente nervosa, capotando porta afora e caindo e joelhos, levantando-se logo em seguida e correndo desesperada.
Após alguns minutos seu marido sai pela mesma porta e vomita numa lixeira logo ao lado.
- Porque a fuga, Gabriela? E o que se fez do vestido que você estava carregando? – o detetive se fez de desentendido, debochando da cara de tacho de uma Gabriela pega no pulo do gato – ah! Esqueci! Você não poderia sair andando com um vestido ensangüentado na rua! Você o usou para limpar o sangue do homem que você matou! É muito claro não é?
- Ora, não seja idiota! – grunhiu a mulher – pra que eu iria matar aquele velho?! O que eu ia ganhar com isso?!
- Não sei, me diga você! – ele pôs os braços atrás da cabeça. Ela levantou-se.
- Me desculpe, mas não tenho de aturar esse tipo de acusação! É uma ofensa grave a minha integridade moral! – fez, estufando o peito e erguendo o queixo enquanto jogava os cabelos para trás dos ombros.
- Sente-se, ou vamos declarar prisão provisória assim como fizemos com o seu marido! Você não quer nos dar problemas, quer? – o detetive riu, simpático.
Gabriela bateu o pé três vezes fazendo careta e largou-se na cadeira, derrotada.
- Ai que ódio! Que ódio!
- Porque a fuga? Me explique!
- Eu fugi do tiroteio, tudo bem?! FUGI! Eu pensei que estava acontecendo algum tipo de assalto no hotel e saí correndo! Era isso o que você queria que eu dissesse?! – ela ergueu os braços, se rendendo, depois esmurrou a mesa, fazendo o detetive bufar outra vez – AH, NÃO! ESPERE! Você quer que eu diga que matei um velho que sequer conheço direito!
- E como você explica o vestido encontrado na cena do crime?! E o seu relógio que foi encontrado próximo à porta?! Você esteve naquele quarto, Gabriela! Eu sei que esteve e você está escondendo o jogo! Vamos! Confesse que você o matou!
- EU ENTREGUEI O VESTIDO PARA VERONICA! – gritou a mulher, desesperada, gelada, derramando rios de lágrimas.
- Não, não entregou! O depoimento de seu marido não fala de nenhum vestido nas mãos da empregada, que, aliás, desceu o elevador pouco antes de você subir! Vocês sequer se viram naquele dia, você sequer procurou o quarto de Stella Vazjekovzka! – o detetive assumiu um ar violento, dominador, era a adrenalina subindo ao cérebro, a adrenalina por estar próximo de resolver este grande mistério que o estava deixando maluco. Já eram praticamente sete da noite, e a família Vazjekovzka inteira na companhia de alguns empregados e metade do hotel estavam ocupando a delegacia de cabo à rabo. Era hora de dar fim àquilo de uma vez por todas!
- TUDO BEM, TUDO BEM, EU CONFESSO! EU CONFESSO!
Neste instante, trombetas soaram nos céus e os anjos cantaram em aleluia! Tudo isso no âmago do estômago daquele detetive fatigado de cortar as cabeças das Hidras daquele assassinato! Enfim ele conseguira uma confissão! Enfim alguém se entregou! O caso estava encerrado! Ele poderia voltar para casa, tomar aquele banho delicioso e voltar a assistir a última temporada lançada de Cold Case! Seus ombros relaxaram, ele juntou as palmas das mãos em clamor e ergueu-as para a lâmpada fluorescente de brilho branco espectral. O martírio havia chegado ao fim.
- EU ENTREI NAQUELE QUARTO SIM! EU ENTREI! TUDO BEM?! EU OUVI OS TIROS E ENTREI NO QUARTO! E AQUELE VELHO ESTAVA SE DEBATENDO NO CHÃO, EU ENTREI EM DESESPERO, VOU NESSA HORA QUE O RELÓGIO CAIU! ELE ESTAVA FROUXO, TUDO BEM?! MAS EU NÃO IRIA ME ABAIXAR PARA PEGÁ-LO ENQUANTO AQUELE HOMEM MORRIA NA MINHA FRENTE! EU TENTEI USAR O VESTIDO PARA ESTANCAR O SANGUE, MAS ELE JÁ ESTAVA PARANDO DE SE MEXER E ENTÃO EU CORRI, CORRI PARA LONGE DAQUILO TUDO!
A porta da sala do interrogatório abriu-se de supetão, espantando a mulher alterada que gritava feito uma condenada a sua confissão. O detetive já havia desistido de chegar ao final daquele caso, cada vez mais ele se complicava.
- Encontraram a arma do crime, senhor. – fez Abner, ajeitando o cinto.
- Não me diga! Mas isso é incrível! – e saiu da sala, direto para a galeria dos esgotos de Paris. Esgotos antigos, seculares, cheios de história e fezes de todas as eras. O lugar era lúgubre, fedido era apelido, escuridão era só um brinde à parte, os ratos pareciam fazer festa ali, felizes a cantar suas canções chiadas, as baratas pareciam tão inteligentes a ponto de fazerem verdadeiras aldeias nas paredes e conviverem em sociedade. Tudo isso logo abaixo de um dos hotéis mais luxuosos da capital. Paris, Paris, toda a sua podridão escondida no subsolo, que cidade maravilhosa. Mimieux adorava aquilo tudo.
- Nem tocamos nela, acabamos de encontrá-la – fez um dos oficiais, apontando a lanterna para um ponto distante no rio de imundície. Ali estava um revólver comum, sujo, não era possível identificar o calibre exato, mas lá estava ele, engatado num dos braços de um cabide de metal perdido nas galerias subterrâneas, jogado esgoto abaixo por algum pobre inquilino de um bairro de classe baixa.
- Pegue-o e leve para o exame... Vamos ver se as balas encontradas na vítima condizem com o calibre da arma... – e saiu caminhando, para fora daquele fedor agressivo, esmagando algumas baratas e chutando alguns ratos. Não resistiu, levou um lenço ao nariz, mas isso não adiantou muito. Seu corpo estava ali, caminhando para fora da porcaria, mas sua mente estava na bela Gabriela, que mulher versátil ela era... Prestativa, era tão boazinha com a sua sogra a ponto de sair do conforto da sua mansão para levar pessoalmente o vestido que a pobre velha havia esquecido! Tão prestativa a ponto de prestar os primeiros socorros para um corpo que se debatia ali próximo! Um corpo desconhecido e cheio de sangue!
Não, havia algo de podre naquela história, e não era aquele esgoto. Se bem que, as galerias subterrâneas de Paris também eram bem putrefatas, mas a podridão estava escancarada na história contada por Gabriela. Ela estava mentindo, era óbvio. Todos sabem o quanto ela odeia a sogra, pra que levaria o vestido pessoalmente para a velha?! E com aquele jeitinho cheio de “não-me-toques”, ela jamais poria a mão em sangue sem fazer um verdadeiro escândalo. Mulheres como ela gritariam horrores ao se depararem com um corpo se debatendo, agonizando. Ou talvez ele estivesse sendo um grande preconceituoso... Quem sabe...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Cereja do Bolo!



Aos macapaenses que não foram ao Teatro das Bacabeiras na noite do dia 28 de Novembro, aqui vão meus sinceros pêsames para quem perdeu a verdadeira explosão artística de leveza, agilidade, elasticidade, sensualidade e criatividade na coreografia, Pas De Deux clássicos se misturaram à dança contemporânea sem quebrar o ritmo doce, suave e delicioso do espetáculo em homenagem ao amor dirigido pela incrível Rose Borges à frente de seu exército de jovens cisnes delicados e muito bem treinados a favor da expressão artística corporal.

Foi uma noite de sonhos, onde adentramos em um mundo onde não se fala, onde um gesto diz tudo por si só, onde o amor é vivido e comemorado intensamente através de saltos, giros e gestos hipnotizantes que nos prenderam do começo ao fim ao palco. Agradeço ao Studio Rose pelo espetáculo que nos proporcionaram, foi de grande importância para minha criatividade, pois despertou minha sensibilidade e me deixou inspirado para trabalhar cada vez mais em prol da arte, estou até pensando em escrever uma história para ser encenada no ballet!

O corpo de bailarinos e bailarinas está de parabéns, nota dez para toda a equipe.

Mas a plateia tirou nota zero no seu boletim em comportamento. Macapá é lamentável quando se fala em respeito e educação. Nunca vi tanta gente passeando na frente dos espectadores, sentando e levantando da poltrona o tempo inteiro, batendo palmas na hora errada e gritando o nome das bailarinas como se as mesmas fossem parar a sua belíssima apresentação para dar um "oi"! Uma única palavra resume tudo isso: LASTIMÁVEL.
O espetáculo está a nível de São Paulo, com toda a certeza. Mas a plateia, continua a nível de um show de tecnomelody da periferia.

Mais uma vez, meus Parabéns ao Studio Rose pelo espetáculo profissional, digno, artístico e sincero, espero que continuem fazendo esse trabalho perfeito e encantando a todos, vocês são a cereja do bolo da arte desta cidade! A última esperança de admiradores como eu e muitos outros, estou louco para ver o que estão preparando para o ano que vem, e se me permitem, humildemente, gostaria de dar algumas sugestões para as histórias dos espetáculos, já que é nisso que eu sou realmente bom. Parabéns!

Madame Sauro


Esta aqui é Madame Sauro! Ela surgiu um ano após Neko-Kun (de 2007), assim, de repente na minha cabeça. A ideia era fazer uma crítica àquelas velhas taradas que vivem correndo atrás de meninos novos, eu já fui vítima de várias delas. Velhas me assustam. Mas Madame Sauro é gente fina, vive na Pangeia em paz com seus amigos répteis... Ou não!

Em Breve!

O Especial de Natal The Fatcat House!

Raquel é uma mulher gorda e mal amada, que vive rodeada de amigos, mas nunca consegue ser verdadeira com nenhum deles, suas amizades, desde a infância sempre foram à base da chantagem emocional e da inveja. Nunca tendo o que queria e completamente inconformada, fazia de tudo para desencorajar os outros a alcançarem seus sonhos. Rancorosa e maldosa, não consegue perdoar ninguém e sequer ver o lado bom das pessoas... Mas na noite de Natal, os três Espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro fazem uma visitinha particular a nossa amiga, e esperem só pra ver o que vai acontecer a ela neste Especial de Natal tocante! Aguardem!

Relógio Dolce&Gabbana


- Você está blefando! Eu sei que está! Está com medo de ir preso! De ir parar no presídio! Quer sair como testemunha e não como vítima! Eu conheço seu tipo, Stefan, o milionário mimado! Conheço muito bem!
- Tudo bem! Tudo bem! Eu posso não ter visto quem o matou! Eu posso realmente estar blefando cara! – iniciou um choro copioso e triste, como uma criança que perdera os pais, estava entrando em desespero – mas você tem que me dar um voto de confiança! Tem que me dar um voto de confiança! Por favor! Tem que acreditar em mim! Eu não matei ninguém, eu juro!
- Como posso acreditar nisso se tenho provas de que você o matou?
- Vem cá, chega mais, chega mais – sibilou ele. O detetive aproximou-se, agachou-se do lado de seu suspeito mais problemático até o presente momento e olhou-o nos olhos. – eu vi como você se sentou em mim naquela hora, eu senti como você me tocou... Eu sei o que você está querendo, tudo bem? Olha, eu te dou o que você quer e você limpa a minha barra, tudo bem? Saímos ganhando os dois, que tal?! – riu baixinho, as lágrimas escorrendo por todos os orifícios. Ele não estava nada sexy, como era nos filmes. Mimieux gargalhou alto e levantou-se, levantando a cadeira também, caminhou para perto do vidro escuro e apoiou-se lá, voltando-se para o suspeito em seguida.
- Vai aceitar a minha proposta?! – Stefan parecia radiante.
O detetive fechou os olhos e sorriu, deu três passos até a porta, colocou a cabeça pra fora e comunicou-se com os dois enormes guardas que estavam parados do lado de fora. Os dois entraram um a um, ergueram a cadeira e iniciaram uma marcha em direção à porta.
- EI! EI! EI! O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?! SOLTEM-ME! ME LARGUEM AGORA! AGORA! PRA ONDE ESTÃO ME LEVANDO?! – gritava, se debatendo violentamente.
- Prisão provisória, babaca! – riu o detetive. – agora considere-se o nosso principal suspeito! E se não for preso pelo assassinato de Lucas Lustat, vai preso por desacato a autoridade! Onde já se viu?! Tentar me subornar com sexo! Que pessoa baixa e imunda que você é!
- NÃO, NÃO! TUDO BEM! EU CONTO! EU CONTO TUDO!
Os grandalhões interromperam a escolta da berlinda.
- Deixem-no. – fez, mandando baixá-lo. – espero que conte a verdade agora, se não, é daqui direto pra cela.
- Tudo bem, tudo bem – ele respirou fundo.

- Ei, Veronica, Veronica! – um jovem Apolo cruzava os corredores do hotel em toda a sua graça e sensualidade, correndo, saltando em direção ao vulto apagado, de preto, carregando uma bolsa maior que seu próprio corpo. – onde é o camarim da mamãe?
Veronica não falou, apenas apontou a direção. Stefan riu.
- Qual o número do quarto, sua boba?!
- 119 – grunhiu a búlgara anã.
- Dê-me a bolsa, eu entrego a ela, com certeza vai gostar da surpresa!
Veronica permaneceu séria, dura. Entrou no elevador e sumiu engolida pelas portas douradas logo em seguida. Stefan deu de ombros e virou-se para seguir seu caminho, porém, dois fortes estalos que ecoaram em alto e bom som como trovões furiosos cortaram os corredores do hotel, fazendo-lhe soltar um grito de pavor, lançando-se ao chão. Ele sabia o que aquilo era. Sabia o que era aquele som. Aquele som terrível. Tiros. Dois tiros e um grito de mulher, cortando seus tímpanos com violência.
Assim que lhe pareceu seguro, levantou-se e correu em direção de onde vieram os sons pavorosos, deparando-se após curta corrida com a porta da saída de emergência no final do corredor, escancarada. Olhou ao redor, procurou qualquer sinal de arrombamento em uma das portas dos apartamentos próximos, seu coração acelerado, sua cabeça latejando graças aos sons ensurdecedores dos tiros. Foi quando ele se deparou com um feixe de luz cortando o corredor escuro, uma fresta quase imperceptível de uma porta próxima, mais alguns passos e ele estaria lá.
Mais alguns passos nervosos e suados, ele estaria lá. Ele estava tremendo. Aquilo era realmente seguro? Estaria ele correndo perigo de vida? E se o assassino ainda estivesse com a arma em mãos? E se ele fosse morto no momento em que visse o rosto do matador, em que abrisse a porta? Ele tinha de arriscar, tinha de ver se tudo não passara de imaginação. Aquilo não poderia ser real, era impossível, era assustador. Ele recuou um passo atrás após ouvir algo se debater do outro lado da porta. Havia alguém agonizando. Uma voz grossa, gorgolejando, aquilo deixou seu coração minúsculo de medo.
Num impulso de adrenalina, seu pé encontrou a porta que escancarou-se, iluminando todo o corredor escuro. E então lá estava, um rio de sangue levando diretamente para um corpo, um corpo masculino, com o rosto coberto por um pano branco – já rubro pelo sangue – seus pés e suas mãos ainda se mexiam.
Stefan não aguentou nem mais um segundo naquela cena, ele não podia suportar tamanho horror, tamanha morbidez. A bolsa foi ao chão, e sua pulseira fora junto também, mas naquele momento ele não se importava com nada, não havia hotel, não havia quarto, corredor, portas, não, só havia ele e o corpo que agonizava, ele e aquela boca que abria e fechava, fazendo mexer de leve o pano que a cobria, como um pequeno animal tentando escapar da armadilha. Era nojento, ele iria vomitar.
E assim ele desceu as escadas de emergência, correndo como nunca havia corrido na vida, vomitando no primeiro lixeiro que lhe surgiu pela frente. Jamais iria revelar a alguém o que vira, o que presenciara, não, ele não passaria por suspeito! Não poderia! Que carreira brilhante ele tinha! Um escândalo como aquele acabaria com tudo! Pegou o primeiro táxi para fora da cidade, para casa, para um lugar onde ele pudesse se esconder de tudo e de todos, e esquecer o que havia visto.

- O pano que você viu cobrindo o rosto do cadáver era um vestido branco, Versace... Suspeitamos que o assassino usasse para tentar enxugar o sangue... Mas o que nos deixa intrigados é o fato de o vestido pertencer à sua mãe! Como ele foi parar lá?! Temos tantas pontas soltas! – se fosse dada certa atenção àquela cena, qualquer um poderia jurar que a cabeça do detetive estava soltando fumaça de tão duro que ela estava trabalhando para resolver aquele mistério, uma verdadeira Hidra de milhares de cabeças: quando uma era cortada, várias outras nasciam e ficavam ali, rosnando e mordendo. Era um pesadelo. Um pesadelo assinado com as marcas mais famosas do mundo da moda... Seria difícil para o detetive entrar numa loja cara dali por diante, era traumatizante!
- Mamãe não faria isso... Ela amava Lucas, amava muito, só não sabia conviver com esse amor porque o orgulho dela é muito grande, gigantesco, o ego dela sempre fala mais alto...
- Quem você acha que faria uma coisa dessas?
- Não faço ideia...
- E ainda temos o relógio de pulso, o maldito Dolce&Gabbana da história! Não fazemos ideia de quem está por trás deste relógio, quem é seu verdadeiro dono... É uma pedra no nosso caminho...
- Eu posso... ver o relógio?
O detetive fez que sim, fechou os olhos e levantou o braço, fazendo um sinal para os oficiais que assistiam à entrevista por detrás do vidro escuro. No mesmo instante, a porta abriu-se, e um dos grandalhões que tentaram carregar Stefan para a cela entrou com um pacote plástico transparente em mãos, contendo um relógio de pulseira amarela, analógico, com o visor grande e chamativo, cheio de pequenas pedrinhas de brilhante ao seu redor. Puro luxo.
- Não, não! Impossível! Impossível! Não! – ele virou o rosto, não queria olhar, ele jamais aceitaria aquilo. Era loucura demais
- O que houve, Stefan?! O que houve?! Fale! – o coração do detetive voltou a acelerar.
- Este relógio... Foi um presente...
- O que?!
- Foi um presente que dei a minha mulher no natal do ano passado!
- SUA MULHER? VOCÊ QUER DIZER... – Mimieux estava bestificado.
- Sim, Gabriela, ela é a dona desse relógio! – Stefan abaixou a cabeça e voltou a chorar, dessa vez mais baixo, mais doloroso do que antes.
O detetive voltou-se para o grande gorila vestido de policial, suspirou e disse:
- Eis mais um mistério... Corta-se uma das cabeças da Hidra, e outras duas crescem no lugar...
- Oi?! – grunhiu o homem.
- Ora, esqueça Abner, você não faz ideia do que seja mitologia grega, faz?
Abner abaixou a cabeça, triste.
- Tudo bem, não fique assim. – deu dois tapinhas em seu ombro – Pausa para um café!

domingo, 28 de novembro de 2010

Uma Incógnita de Dior


- Estamos com Stella Vazjekovzka na sala do seu lado direito e a neta dela, Aline em seu lado esquerdo...
- E porque eu preciso saber disso?! – grunhiu Veronica, com um sotaque búlgaro pesado.
- Para que saiba que não adianta mentir, elas duas já contaram a história inteira, e sabemos que você estava com a bolsa pouco antes dela ser encontrada suja de sangue, no apartamento de Lucas Lustat. – o detetive Mimieux acendeu um charuto, cruzou os braços e encostou-se no vidro escuro outra vez.
No mesmo instante, Veronica começou a chorar e a tremer, a gritar feito uma condenada.
- O que ela está falando? – perguntou o chefe de polícia do outro lado do vidro.
- Eu não faço ideia! Não falo búlgaro! – respondeu um dos oficiais.
- Acalme-se Senhorita Petrova, acalme-se, por favor! – o detetive aproximou-se da mesa e empurrou-lhe o copo d’água que lhe era destinado. Ela esvaziou-o com voracidade como se tivesse caminhado um deserto inteiro, sozinha e sem uma gota do líquido tão precioso.
- Eu não estive naquele quarto! Não estive! Eu juro que não estive! A bolsa não estava comigo! – fez a mulher, ainda tremendo, seus olhos profundos e vermelhos.
- Mas você foi a última pessoa vista em posse da bolsa, Veronica!
- NÃO!
Esmurrou a mesa. O detetive Mimieux relaxou os ombros e jogou-os para trás, bufando e revirando os olhos. Muitos atos estavam se repetindo naquela manhã, estava virando costume vangloriar-se da sua riqueza ou esmurrar a mesa.
- Eu não estava com a bolsa! Eu não estava! Eu entreguei a bolsa para ele! Para ele!
- Ele quem?! – o detetive estava começando a se irritar profundamente com aquela búlgara nervosa. Ela era escandalosa demais, não parava de gritar. Era óbvio o seu nervosismo com relação ao caso, ela estava praticamente gritando “CULPADA!” para si própria.
- Para o Senhor Stefan! Foi para ele que eu entreguei a bolsa! – e voltou a chorar como uma criança. Chorava dolosamente, deixando o detetive cada vez mais aflito; a sala estaria inundada em poucos segundos se ela continuasse chorando nesse mesmo ritmo com a mesma intensidade.
- Espera um instante... Stefan Vazjekovzka estava no prédio?! Stefan estava no hotel?!
Veronica, tremendo, com as duas mãos na boca, fez que sim, meneando a cabeça para cima e para baixo com dificuldade. Ele virou-se para o vidro escuro com o olhar sério, como quem diz “você sabe o que fazer”.
- Traga-o para nós agora! – ordenou o chefe de polícia. No mesmo instante, todos os oficiais se mobilizaram. Stefan estaria dando seu depoimento em poucas horas, assim que o posto de polícia do aeroporto internacional de Paris localizasse sua posição com a ajuda das câmeras de segurança. Ele tentou correr, ele tentou esconder-se no banheiro feminino, chegou até a fingir que estavam lhe confundindo quando foi abordado na fila do despacho da bagagem.
“Estou indo para Miami, seu guarda! Ver a família! Já me disseram que eu era muito parecido com o Stefan, mas me chamo Michael e preciso mesmo fazer o despacho dessas malas!”
Os guardas se entreolharam.
“Nos acompanhe por favor.”
E correu, correu feito um condenado, deixou cair a peruca e os óculos escuros, tirou a jaqueta e os sapatos para ser mais rápido, mas ele estava cercado, por todos os lados, suando feito um porco. Nervoso como jamais estivera. Stefan Vazjekovzka, o neto criado como filho pela rainha das passarelas Stella agora era algemado, e todos ali presentes foram testemunhas da decadência de uma grande estrela. O terceiro homem mais bonito do mundo, flagrado fugindo da polícia, se escondendo num banheiro feminino e mergulhando numa fonte cheia de peixes, no meio de um aeroporto lotado de franceses, ingleses, americanos, espanhóis e turistas em geral. E os paparazzi, os fotógrafos? Voaram feito abutres famintos para cima da confusão. Para cima da carne putrefata. Aquilo era alimento de primeira para as revistas sensacionalistas carniceiras. Stefan havia assinado a sentença de morte da sua carreira naquele momento.
Na manhã seguinte, estaria em todas as revistas, ou até mesmo em edições extraordinárias impressas de última hora para serem distribuídas com urgência pela parte da tarde nas bancas de todo o país, quiçá do mundo todo: “Prenda-me se for capaz: Stefan Vazjekovzka flagrado numa fuga alucinante pelo aeroporto internacional de Paris! Confira com exclusividade aqui!”. E os noticiários já estavam exibindo as imagens amadoras filmadas por câmeras de celulares por turistas em menos de uma hora!
“Autógrafo aqui! Autógrafo!” gritava um brasileiro, tentando furar o bloqueio policial. Stefan deu um tapa na caderneta que voou longe, para dentro da fonte, e toda a tinta azul se desfez como a sua carreira e a sua reputação. Ele era aquele caderno, se desfazendo na água, para sempre.
- Agora a incógnita está resolvida! – riu o detetive Mimieux jogando o bracelete dourado assinado pela marca Dior sobre a mesa do interrogatório. – nós não fazíamos ideia de como esta pulseira fora parar na cena do crime, sendo que nenhuma das suspeitas interrogadas até agora estavam em posse do objeto naquela manhã... Mas graças à sua mamãe, sabemos que ela lhe fora presenteada há alguns anos e que nunca saíra de seu pulso... Até o exato momento do assassinato...
- ME SOLTE AGORA! EU EXIJO MEUS ADVOGADOS! SÓ ABRO A BOCA NA PRESENÇA DELES! – chutou a mesa uma dúzia de vezes, virando-a para cima do detetive ao mesmo tempo em que caía para trás com a cadeira, onde estava algemado.
O detetive empurrou a mesa de pernas para o ar com delicadeza para o lado, aproximou-se do indivíduo em questão que se debatia feito um peixe fora d’água, preso a uma cadeira de ferro caída de costas no chão. Agachou-se com calma e levantou-o num piscar de olhos usando um só braço. Abriu então suas pernas, sensual, e sentou-se no colo de seu interrogado, pegou o queixo de um acuado Stefan entre as mãos e aproximou seu rosto até os dois narizes suados e nervosos se encontrassem. Ambos tremiam. De raiva. De nervoso. De aflição.
- Mas o que ele está fazendo?! – mugiu o chefe de polícia.
- Você tentou fugir para outro país, é nosso principal suspeito e podemos decretar prisão provisória se você continuar bancando a criança mimada, e nem o advogado mais eficiente da França vai poder te tirar do xadrez, está me ouvindo?! – sibilou. Stefan fez que sim com a cabeça. Num pulo, ele levantou-se do colo do suspeito e com um leve impulso de seu pé, devolveu a cadeira ao chão. Stefan urrou de ódio.
- EU VOU TE PROCESSAR! VOU TE PROCESSAR! SEU DETETIVEZINHO DE MERDA! VOCÊ ESTÁ MORTO! MORTO! ACABADO!
- Acabada está a sua carreira, depois do escarcéu que todas as revistas e jornais do mundo inteiro fizerem!
- E ainda zomba de mim! Você está perdido!
- Calado, e agora me diga exatamente o que estava fazendo no prédio do hotel poucos minutos antes da morte de Lucas Lustat!
- Eu fui ver minha mãe, seu imbecil! Idiota! Babaca! Estúpido! Minha mãe estava dando o último voo da sua carreira brilhante, eu tinha que dar pelo menos os parabéns pra ela! Ou será que você é tão burro que não ligou A+B?! AGORA ME LEVANTE DO CHÃO IMUNDO DESSA SUA DELEGACIA DE ARAQUE!
- Mas segundo a própria, você tinha uma reunião importante com a equipe de produção do último “The Big Machine”, filme esse em que você terá o papel principal...
- EU DESMARQUEI A REUNIÃO, TUDO BEM?! NOSSA! VOCÊ É UM ÓTIMO DETETIVE! – e gargalhou alto, irônico. – SÓ PORQUE O FILHO DE UMA MODELO VELHA ESTEVE NO PRÉDIO ANTES DO AMANTE IDOSO DELA SER MORTO, ELE JÁ É CULPADO! SERÁ QUE NÃO PASSA PELA SUA CABEÇA EM NENHUM MINUTO QUE EU SÓ FUI LÁ DAR OS PARABÉNS?! – e começou a chorar, alto, quase um uivo.
O detetive Mimieux ficou sério e abalado. Estava ele sendo um babaca pela segunda vez naquela mesma manhã? Impossível. Ele não podia errar duas vezes. Errou, foi injusto com Stella, mas com Stefan ele não poderia ser injusto, nunca! O cara fora pego usando um disfarce, tentando fugir do país! Era praticamente culpado!
- Então porque você fugiu?! – gritou Mimieux, já confuso e aturdido com tudo aquilo – porque sua pulseira foi encontrada engatada na alça de uma bolsa ensanguentada?! POR QUÊ?!
- PORQUE EU SEI QUEM O MATOU! PORQUE EU VI! EU VI! EU VI TUDO!
Se o detetive Mimieux queria perder o chão e enlouquecer, essa era hora certa.

Maravilha Elétrica!


Agora vamos falar um pouco sobre Música! Deixe-me apresentar-lhes minha banda favorita, o GOLDFRAPP!
Goldfrapp é um banda inglesa formada em 1999 em Londres por Alison Goldfrapp (vocais, sintetizador) e Will Gregory (sintetizador), juntos, esses dois criaram o que existe de melhor em quesito de música eletrônica/eletroclash/experimental da nossa época, tendo um repertório e uma sonoridade ambíguas e ecléticas, com um estilo mutante e variável entre seus álbuns, porém nunca deixando de explorar as batidas hipnóticas dos sintetizadores. Podemos considerar o Goldfrapp uma banda Bipolar!
No geral, cada música é uma viagem interna para mundos distantes onde sons impossíveis e explosões elétricas dançam em harmonia formando melodias geniais e incomparáveis. Minhas recomendações para pessoas que, assim como eu, adoram uma batida diferente e explosões eletrônicas capazes de deixar uma pessoa louca, são os álbuns Black Cherry (2003), Supernature (2005) e Head First (2010).
O primeiro, Black Cherry, explora elementos do synthpop ao máximo, temperado com pitadas do Glam Rock e do bom e velho Cabaré! Minhas favoritas do álbum são Train, Strict Machine, Twist e a delirante Slippage, que é uma mistura de sons pesados e agudos na voz doce, porém cheia de atitude da nossa querida Alison Goldfrapp. Ela alcança umas notas impossíveis nos vocais, adoro a voz dela.
O segundo, Supernature explora a dance e a disco music ao extremo, o estilo eletro-burlesco vem pesado nesse álbum, nas primeiras faixas. Minhas favoritas são Ooh La La, Ride A White Horse, Satin Chic, U Never Know e Lat It Take You. Este álbum, assim como o Black Cherry, também possui o pólo mais calmo da banda, com faixas leves e de ritmo constante alternando com verdadeiros apocalipses em um coral de sons mágicos e eletrizantes. Pura magia.
O terceiro, Head First é totalmente inspirado na música da década de 80 e 90, suas batidas são completamente nostálgicas! As faixas recomendadas são Rocket, Alive, Dreaming e Shiny and Warm, super divertida. É completamente ESPACIAL este último álbum.
Para quem curte um som mais calmo e experimental estão Felt Mountain e o premiado Seventh Three, ambos são misturas perfeitas de folktronica, som ambiente, natureza e paganismo. Ainda não tive a oportunidade de ouvir o Felt Mountain. mas do Seventh Three recomendo Happiness, A&E e a melhor de todas, Eat Yourself, melancólica, atraente, relaxante e nostálgica.
Espero que tenha despertado a curiosidade de vocês! Goldfrapp é realmente uma banda ÓTIMA!

Está Chegando o NATAL!

Época de paz e amor no coração das pessoas de bem, ai que emoção! A cidade toda iluminada! As casas todas enfeitadas! Luzes, guirlandas e Papai Noel *-* O que eu mais gosto no Natal é a decoração, em segundo lugar vem a comida e por último os presentes... Depois que nós crescemos os presentes acabam nem importando tanto assim, perto de ver todo mundo reunido fazendo as pazes! Natal é uma época que toca profundamente no meu coração, traz um aconchego interno pra alma... Não sei, deve ser coisa de vida passada mesmo... Vou preparar um post especial de Natal bem lindo para por aqui, e também vou fazer um post só sobre o significado dos símbolos natalinos como a Árvore, a Guirlanda, o boneco de neve e essas coisas, e ainda vou buscar a verdadeira origem desta data! Aguardem!

As Aventuras de Neko-Kun 2

Eis aqui a última tirinha existente na face da terra das Aventuras de Neko-Kun. As peripécias desse gatinho fora do livro infantil Kawaii L.A.M.B. - O Mal Veio do Espaço não durou muito (outro dia eu entro em mais detalhes a respeito desse livro, o meu primeiro oficial), desmotivação, sabe como é... Quem sabe outro dia eu volte a desenhar mais tirinhas...
Esse assunto é meio cafona, mas é verdade pessoal, vamo preservar porque tão querendo roubar!
U_Ú


sábado, 27 de novembro de 2010

Em breve...


Em Janeiro de 2011! Aguardem!

As Aventuras de Neko-Kun


Vasculhando meus classificadores antigos, dei de cara com um achado! Em Março de 2008, eu comecei a desenhar tirinhas pra um jornal daqui da cidade, mas não deu muito certo porque não deram a devida atenção e o dono do jornal sumiu com o primeiro original... E então de repente eu reecontrei o Neko-Kun perdido no meio do meu material antigo! Quem é Neko-Kun? Simples, era o meu alter-ego aos catorze anos, um gatinho com um sino na ponta do rabinho de barbante que vivia aventuras muito fofas ao lado de seus amiguinhos num planeta imaginário perdido pela via-láctea... É, eu não tinha malícia nenhuma naqueles tempos, vivia num mundo de sonhos! Vamos conferir um pouco do que já foi o Antonio há dois anos atrás? Estreando uma tag, seja bem vindo ao blog, Neko-Kun!

(clique para ampliar)

Are You Prepared?

Em Janeiro! Aguardem!

Por trás de um Chanel


- Então, quer dizer que foi você quem passou aquelas mensagens do telefone da sua avó...
- Eu não vou repetir isso de novo, eu tenho cara, mas não sou nenhuma moleca. Eu peguei o telefone à força da mão da Veronica, eu precisava fazer isso.
- Sabe que estará muito encrencada se não disser o que foi fazer naquele apartamento, e porque a fivela do seu sapato foi encontrada embaixo da cama, não sabe?
- É claro que eu sei, mas eu não me importo – ela deu de ombros e cruzou as pernas, mostrando boa parte das suas coxas grossas e lisas, macias como a pele de um bebê. – sei que não vou presa, sou menor de idade ainda... Serviço comunitário é o máximo que você e sua turma poderão me infligir, e além do mais, eu sou rica! – deu uma risadinha graciosa e inclinou seu queixo para baixo. Jovial, sedutora e provocante. O detetive Mimieux já havia ouvido isso antes, no mesmo dia.
- Você é incrivelmente parecida com a sua avó, tanto em aparência quanto em personalidade... Já lhe falaram isso antes?
- Eu ouço isso desde que tinha quatro anos, quando tingi meu cabelo acidentalmente mexendo nas coisas da vovó... Fiquei com os braços e o rosto amarelados durante uma semana, foi ótimo! – gargalhou.
- Conte-me exatamente o porquê de se passar por sua avó para invadir o apartamento de Lucas... Mostre-me o que está escondido por trás desse seu Chanel...
Aline deu uma risadinha e ajeitou o cabelo curto, na altura do queixo. Ela amava aquele penteado, brilhava feito uma ônix em noite de lua cheia.
- Eu precisava ter uma conversinha com ele...
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- Pode entrar... – fez o velho. Sequer olhou para a porta, continuou a revirar a mesma gaveta, procurando sabe-se lá o que. Ouviu os passos com atenção, eram delicados, mas firmes, porém incapazes de estalar a madeira embaixo do carpete. – Ah! Encontrei! – retirou da gaveta um estojo, abriu-o e retirou seus óculos de leitura, só para checar se estavam em bom estado, não iria usá-los de imediato, precisava dar atenção à visita antes, a visita que ele nem sequer sabia quem era. Não sabia de quem se tratava, mas sabia que havia alguém parado logo ali atrás, ao pé da cama. Não continuaria a ler seu livro tão cedo.
Havia acabado de entrar no apartamento e passar as mensagens para sua amada, deixara o telefone de lado e partira em busca dos óculos de leitura, aquele livro estava durando mais do que o esperado.
- Oh! Aline, meu bem, que surpresa! Quase você mata esse velho de susto! – ele riu, suas sobrancelhas grossas e brancas como nuvens cobriram seus grandes olhos claros. Era um vovô meigo e adorável, cheirava a violetas e parecia exigir um abraço. Mas nem esta aparência meiga e dócil fez Aline recuar de seu objetivo. – estou esperando a sua avó, viu ela por aí?
- Não era a vovó. Era eu nas mensagens.
Ele riu. Confuso.
- Como assim, meu anjo?
- Eu precisava falar com você. – a expressão facial da garota era dura em seu rosto de porcelana, de olhar frio e penetrante.
- Então fale de uma vez! Você está me assustando! Aconteceu alguma coisa com a sua avó? – ele levantou-se com dificuldade da beira da cama e caminhou até a garota, para abraçá-la, só por cortesia, mas a garota recuou um passo.
- Não se aproxime.
- O que...
- O que você acha que está fazendo?! Hein?! Você pensa que abraços, cortesias e cavalheirismo vão apagar o que você fez para a vovó no passado?!
As nuvens brancas se uniram entre os olhos e a testa do velho, como se uma tempestade estivesse por vir. Aline poderia jurar que elas ficaram acinzentadas, mas talvez fosse o efeito da iluminação do quarto.
- Você não sabe do que está falando, Aline, não se meta nos assuntos dos adultos! O que Stella lhe contou só diz respeito a mim e a ela resolvermos, e estamos dispostos a deixar o passado para trás de uma vez por todas! – disse o velho, sua voz engrossando como uma trovoada.
- Ela está velha e fraca, está quase morrendo! Porque não a deixa em paz e vai viver o que resta da sua vida longe dela?! – o tom de voz da garota estava subindo cada vez mais, feito a lava quente de um vulcão – você a persegue desde que eu me entendo por gente, e eu não entendo porque ela nunca o denunciou, nunca o entregou para a polícia! Você é psicótico, obcecado, inconveniente! Sabe Deus o que você não faria com ela fosse ela a estar agora, aqui, neste quarto com você!
- Ora, Aline, não diga asneira! Você está sendo grossa e estúpida! O que você diz não tem sentido algum! Se ela não me entregou para a polícia é porque seu amor por mim é verdadeiro e significa que ela não me esqueceu! – Eles estavam muito próximos agora.
- Ela não te entregou pra polícia por pena! Porque você é um pobre coitado! Isso sim! Ela é rica e tem a mim e não precisa de mais ninguém! Eu cuido dela! Ela não precisa de você!
O velho gargalhou.
- Você está com ciúmes da sua avó, Aline?! – ele riu e colocou suas mãos sobre os ombros da garota, que se sacudiu com violência.
- Me larga! Não toca em mim! – foi neste momento que a fivela dourada, já frouxa, se soltou do sapato e deslizou para debaixo da cama. A garota sequer sentiu. – já estamos cansados, todos nós, de vê-la sofrer, gritar e quebrar copos na parede com a mínima pronúncia do seu nome! Ela acabou de passar mal lá no apartamento só pelo simples fato de ter lhe visto esta manhã! Ela tem problema de coração sabia?!
- Oh meu Deus, isso só pode ser mentira! Ela parecia tão calma e serena, feliz em me ver ainda há pouco! – ele levou a mão à boca e desviou os olhos para o lado.
- Agora você sabe da verdade! Trate de ficar longe dela! – os olhos felinos de Aline dançaram furiosos pelos cômodos do quarto em busca da bolsa Louis Vuitton da avó, até encontrá-la sobre uma poltrona, largada. Pegou-a com violência e enfiou-a debaixo do braço, saindo em seguida, a passos firmes e estalados. Agora eles atingiam a madeira embaixo do carpete com facilidade...
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- Depois eu encontrei a Veronica, tirei os remédios de dentro da bolsa e fui para o quarto, mas ao chegar, encontrei a vovó dormindo, então eu desci e...
- Espera um instante, espera! – sobressaltou-se o detetive, assustando a jovem Aline que quase caiu da cadeira de susto.
- Ai! Seu ignorante! Não sabe que é falta de educação interromper uma dama no seu discurso?! – ela levou a mão ao peito, irônica.
- Você disse que devolveu a bolsa para Veronica?!
- Sim, devolvi! – Aline franziu a sobrancelha e entortou a boca.
- Então porque meus homens encontraram a bolsa suja de sangue no chão do quarto?!
Os olhos de Aline saltaram das órbitas. Ela pulou da cadeira num único movimento.
- Oh, meu Deus! Veronica é a assassina!