Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

sábado, 23 de outubro de 2010

Querem Uma Dica?

Em Stella Para Sempre, tentem imaginar Stella como uma Meryl Streep BEEM mais velha e Aline como Mayana Moura, só pra ficar mais fácil de lidar com essas duas personagens intrigantes!

Sangue na Louis Vuitton


- Lucas – sussurrou Stella por entre seus lábios, repentinamente secos, formando um verdadeiro buraco escuro de espanto e nervosismo.
- Stella – sua voz rouca era embalada pelo ópio macio e vicioso de uma espécie de nostalgia melódica que soava como música para os ouvidos da velha senhora que lhe estendeu sua mão.
Por um minuto, iluminados pelo lustre dourado e cheio de cristais em forma de gota, entre os móveis elegantes do hall do hotel, em meio à veludo vermelho, arabescos e sofisticação, um conto de fadas se realizou de forma metafórica ali mesmo, em meio a homens carregando cenários e mulheres arrastando araras cheias de roupas, fotógrafos e iluminadores cuidando da ambientação e diretores de fotografia gritando ordens por entre os holofotes, como nos bastidores de um cinema. A princesa havia encontrado seu príncipe, e a sua espera de longos anos havia terminado ali naquele hall, em meio ao caos.
Ele levantou Stella com muito cuidado, os dois estavam muito próximos então, olhares invasivos para dentro, para as cachoeiras dos olhos que levavam para o âmago da alma. Respirações e batimentos cardíacos sincronizados, braços e pernas bambas, e as mãos, as duas mãos idosas, masculino e feminino unidos. Ainda surpresa, tentou esboçar um sorriso. Um misto memórias e lembranças, momentos e recordações, brotavam em erupção de dentro do mais profundo de Stella para fora, se espalhando pelo chão. Ela era um verdadeiro vulcão de sentimentos naquele instante. Eles formavam uma pasta disforme que aos poucos se espalhava pelo carpete abaixo dos seus pés.
- Você continua a mesma, é uma aparição onde quer que esteja, é deslumbrante! – ele ria. Ela continuava muda, séria, tentando esboçar sorriso ou cólera. Não sabia como reagir. Sabia que o encontraria, mas não sabia como reagir, não tinha ensaiado sua reação, aquilo não era o cinema, era a vida real, aquele momento não seria registrado em fotografia. Não ficaria congelado para ser revivido. Ela tinha que dizer alguma coisa.
- Vovó quem é esse homem? – Aline surgiu, como se das sombras, surpreendendo aos dois. Stella quase caiu de volta à poltrona, tirada à força de seu sonho enquanto acordada, trazida de volta a realidade pela voz aguda da neta, que tinha um toque de dúvida e reprovação como tempero salpicado por cima. Era o tom de voz que um filho usaria com a mãe ao descobri-la em intimidade com algum outro homem que não era o pai. Era o tom dos ciúmes.
- Oh, meu Deus... Querida, este é Lucas... Seu tio Lucas, de quem tanto ouviu falar, mas nunca viu de perto... – ela sequer tirou os olhos do velho.
Aline olhou de um para o outro com sua fina testa franzida em desconfiança. O velho sorria para ela de um modo encantador, mas isto não foi o suficiente para quebrar seu escudo.
- Vamos vovó – tomou a mão dela das mãos do homem de forma brusca e repentina – o camarim já está pronto para recebê-la – fez um gesto com a cabeça para o velho e saiu levando a avó a tiracolo.
- Está é Lucas, querida – continuou repetindo Stella, com o olhar vazio e a boca ainda entreaberta – este é Lucas. – o som dela se perdendo a cada vez que o repetia. Como se desperta pela segunda vez, procurou por algo a tiracolo – espere um instante! Minha bolsa! Minha bolsa ficou na poltrona!
- Depois eu peço a Veronica que a traga até o camarim – Aline tinha a voz dura e inflexível, parecia um robô falando. Ou um soldado.
- Mas é uma Louis Vuitton! Eu...
Tarde demais, já haviam entrado no elevador.
Enquanto subiam, o papel se invertia: Stella agora era a neta e Aline mais parecia a avó. Com a expressão marmórea e dura por trás dos óculos escuros redondos gigantescos que escondiam seu rosto, Aline permanecia parada feito uma estátua com as mãos cruzadas sobre a saia enquanto Stella, a rainha da noite tinha o rosto espremido contra o vidro, com todas as palavras prontas, saída direto do forno de seu cérebro para serem despejadas sobre Lucas em alta temperatura. Porém agora os dois estavam distantes, separados por metros de altitude, comunicando-se pelo olhar. Stella com os olhos esbugalhados e cintilantes. Lucas com um sorriso encantador, o seu sorriso encantador por trás dos óculos meia-lua que agora usava. Parecia um príncipe. Ele era o seu príncipe.
- PORQUE ALINE, POR QUÊ? – berrava Stella. – PORQUE EU MESMA ME PRIVEI DE SER FELIZ? PORQUE EU TIVE DE DISPENSÁ-LO QUANDO EU MAIS PRECISAVA DELE? PORQUE FUI TÃO ORGULHOSA E PURITANA? E DAÍ SE ELE ANDOU SE ESFREGANDO COM O VIADO DO BLACK CHERRY?! ELE AINDA ERA O MEU LUCAS E PERTENCIA SÓ A MIM!
- Acalme-se vovó, por favor, o hotel inteiro deve estar ouvindo você a esta altura. – Aline havia retirado seus óculos escuros, revelando uma maquiagem preta pesada por detrás deles. Parecia mais séria e mais adulta do que nunca.
- EU SOU A MAIOR PUTA DA HISTÓRIA DAS CELEBRIDADES, MEU PASSADO É PODRE COMO UM RATO MORTO, E EU TIVE A HIPOCRISIA AUDACIOSA DE MANDAR PASTAR O AMOR DA MINHA VIDA PORQUE ELE TEVE UM ROMANCE HOMOSSEXUAL?! EU FUI UMA GRANDE IDIOTA!
- Pare de gritar vovó! Pare de gritar! – rosnou Aline por entre seus dentes de tubarão, afiados e pontiagudos, tão brancos quanto pérolas – o hotel está cheio de assistentes de fotografia e jornalistas autorizados! Eles vão ouvir tudo o que você está dizendo!
- QUE OUÇAM! QUE OUÇAM! – retirou o casaco e lançou-o com violência por sobre a neta, quase a atingindo. Retirou seus sapatos e atirou contra a parede do quarto com muita força, derrubando um quadro, puxou a barra do vestido e amarrou na altura dos joelhos, caminhando a passos firmes e decididos em direção à porta. Aline meteu-se em sua frente, impedindo a passagem.
- Aonde você vai?!
- Vou buscar a minha bolsa!
- Não, nada disso! Fique aqui! Eu mando Veronica buscar! – fez Aline, empurrando sua avó para trás com delicadeza, tentando afastá-la da porta.
- Mas EU quero ir lá! A bolsa é minha! – rugiu a velha.
- Você não quer a bolsa! Você quer falar com o Lucas! Eu sei que quer! Você não vai falar com ele! Você o odiava até alguns dias atrás! – ela trancou a porta e escorou-se nela.
- Porque ele havia se entregado sem pensar duas vezes para aquele maldito Black Cherry! – rosnou a velha avançando para cima da neta tentando alcançar as chaves nas suas costas.
- Então! Ora vejam só! Ele lhe traiu, ele não esperou por você! Ele não lhe ama de verdade!
- É, mas EU o amo e não tenho tempo a perder! Não importa o que ele tenha feito! – fez Stella, iniciando um choro doloroso e soluçado, agudo e intenso, poderoso, como se toda a sua tristeza estivesse escorrendo para fora com toda a força. Caiu sentada no chão, feito uma velha de asilo, desamparada, sozinha, sem família. Aline imediatamente a abraçou, mas foi empurrada para trás – saia de perto de mim! Sua ingrata! Você não sabe o que esse homem representa para mim! Eu passei anos e anos tentando digeri-lo, ruminando a existência dele, o que ele tinha representado para mim e o que ele fizera, como ele havia me traído! Mas só agora, vendo-o de perto percebi que estou velha! Praticamente morta! Meu brilho todo está se apagando, eu preciso de muita maquiagem para sair em público, antes eu não precisava nem de lápis de olho, meus cílios sempre foram grossos! Não posso mais me privar de ser feliz, não posso! Eu me recuso!
Ela se debateu feito uma criança no chão, privada de seu brinquedo.
- Vovó! A sua coluna! A sua coluna! Pare com isso! – Aline tentava segurar os pés da velha. Levantou-se. – fique aqui! Você não está em condições de ver ninguém, sequer de sair daqui! Vou buscar seu remédio para o coração. – puxou o celular e discou – Veronica, me encontre no elevador com a bolsa em mãos. – e desligou. Saiu do quarto às pressas e trancou a porta atrás de si, deixando sua velha e frágil avó, ferida emocionalmente, jogada no chão, afogando-se nas próprias lágrimas enquanto chamava por Lucas e chutava a porta. Não, ela não ligava para as dores agudas da sua hérnia, sua coluna gritando, seu coração oscilando, ela poderia morrer ali naquele chão, jogada e sem amparo. Mas naquele momento ela teve forças para levantar-se e deitar-se. Seu amor por Lucas a manteria viva até Aline voltar com os remédios.
Ela não soube exatamente o tempo em que passou jogada na cama, em um estado profundo de letargia, entre a realidade e o sonho, as dores agudas dando pontadas ferinas de cima abaixo por toda a extensão da sua coluna, fazendo-a tremer, estremecer de dentro pra fora. Enquanto as agulhadas a faziam gemer, enquanto seu coração descompassava e depois entrava em ritmo de novo, a visão de seu Lucas, eternamente jovem em sua memória lhe voltava, o passado e o presente se misturavam, ela o via como há anos atrás, deitado nu sobre a cama.
Mas não era a cama do hotel vagabundo onde eles passaram sua primeira noite, não, era a cama do hotel de luxo onde ela se encontrava agora, em um dos majestosos quartos assinados por Christian Lacroix, no Petit Moulin. Hotel onde a Vogue Paris estava organizando o seu ensaio fotográfico, talvez o mais comentado da história da revista. As curvas delicadas do corpo jovem de Lucas se misturavam às curvas desenhadas nos papéis de parede antigos, aos brocados, a textura da pele deliciosa e jovial se misturava ao toque do couro e do veludo ali utilizado, com um dedo lúgubre do barroco. Visões de um Lucas novo e um Lucas velho, lado a lado no hall, de braços dados, esperando por duas Stellas, uma nova e uma velha, que vinham feito rainha e princesa para o encontro. Uma dança. E depois a cama, e então vozes.
Ela abriu os olhos devagarzinho, ainda entre o sonho e a realidade. Viu uma Veronica chorosa e nervosa, viu uma Aline desesperada cheia de lágrimas nos olhos, viu homens de capa preta com lanternas em punho, viu cães invadindo seu camarim, mas não podia se mexer, não queria se mexer mesmo que pudesse, não queria acordar.
“Encontramos uma bolsa Louis Vuitton ensangüentada no local, chefe” gritou um aparelho na cintura de um dos homens. “Policiais”, pensou Stella. “Sangue na Louis Vuitton”, pensou ela de novo. “Não toquem em nada! Os detetives já estão subindo!” respondeu o homem, após tirar o aparelho da cintura e apertar no botão que fez a luz vermelha de transmissão acender.
- Não toquem nela! Ela precisa tomar os remédios! Ela estava passando mal há meia hora atrás! – berrava Aline, se debatendo feito um animal no braço de um policial gigantesco.
Um homem abaixou-se ao lado da cama, abriu um dos olhos da velha com o auxilio de uma luva e iluminou a pupila com uma pequena lanterna de pulso. Ela retraiu-se, e tudo voltou com um choque agudo para o mundo real. O baque. Stella levantou-se sobressaltada.
- O QUE É ISSO? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – a dor na hérnia voltou mais forte. Ela gritou.
- Senhora Stella Vazjekovzka, sou o Detetive Mimieux, da Polícia Francesa – apertou sua mão – estamos esvaziando o prédio e precisamos que venha conosco.
- Por quê? O que aconteceu?! O que está acontecendo?! – ela ainda gritava nervosa, atordoada pela surpresa, pelas dores.
- Houve um assassinato, Senhora. Infelizmente devo informar que Lucas Lustat está morto, e precisamos do seu depoimento, assim como o da sua neta e o da sua empregada.
Os olhos da velha percorreram o quarto em um milésimo de segundo, dando de encontro com o rosto de porcelana de Gabriela estático do outro lado da porta aberta onde outros policiais esperavam.
- Mas o que você está fazendo aqui?! O que vocês estão fazendo no meu quarto?! – ela ainda não estava entendendo, era uma informação difícil de ser processada – não toquem no meu casaco! Não toquem! Tirem as mãos das minhas coisas! Tirem as mãos de mim! – ela estava sendo carregada para fora de seus aposentos, não sentia mais as pernas, mal se sentia viva. A inconsciência veio muito rápido, as coisas foram sumindo na velocidade da luz até que Lucas ressurgiu, e o baile do passado e do presente recomeçou, outra vez.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Cansei de Pedir Desculpas

PORQUE REALMENTE NÃO ADIANTA, eu passo semanas sem postar nada novo simplesmente porque DAQUI HÁ ALGUNS DIAS EU TENHO MINHA PRIMEIRA PROVA DE VESTIBULAR OFICIAL E O ENEM, então, a minha vida aqui no mundo real anda BEEEEEM AGITADA.

Então é o seguinte, cansei de ficar pedindo desculpas e vou fazer o óbvio, postar quando der pra postar algo novo, o que ultimamente vem sendo meio difícil. Eu passo o dia todo na escola, cinco dias por semana, quando eu chego em casa não consigo nem PENSAR em escrever porque eu passo O DIA TODO escrevendo, por este motivo estou atrasado tanto aqui no blog quanto no meu diário oficial. Percebi que não posto nada de novo desde o feriado do Círio, o que é deprimente, então resolvi dar continuidade ao Stella Para Sempre que vem cheio de surpresas bem Apocalípticas nos próximos capítulos, é esperar pra ver.

Além de tudo isso, ainda tem o problema das GUERRAS ESCOLARES, realmente, o fogo está cruzado dentro da sala de aula, é piscou perdeu (ou morreu), estamos na mira e agora é matar ou morrer. SABE, NÃO QUE EU VÁ MATAR ALGUÉM, Deus me livre disso, eu não mato, jamais tiraria a vida de alguém, eu gosto mesmo é de torturar a pessoa psicologicamente até ela ficar louca o bastante pra perder o juízo e levantar a bandeira branca pedindo arrego (hehehe EU SOU MAU). Sou vilão de novela mexicana, eu humilho, eu jogo indireta, eu persigo mas nunca mato (isso não vale para a Paola Bracho u_u), de modo que eu to mais pra Malhação eu acho (ECA!).

Mas, enfim, somos a resistência então vamos resistir!


AVANTE APOCALÍPTICOS!

O Vôo da Fênix


- Está pronta vovó?
- Espere, tenho de respirar um pouco – a respiração da velha estava acelerada demais.
- Se acalme vovó, olha a pressão, o coração...
- Não seja tola! Não vou morrer de nervosismo! – ela respirou fundo – abra a porta para mim, Veronica! Rápido! – a serviçal de uniforme preto desceu do carro pela porta da esquerda, voltada para a rua, deu um gritinho quando desviou de uma bicicleta e correu feito uma formiguinha para abrir a porta da limusine de “Madame” Stella.
Veronica era uma mulher baixinha, branca, de olhos muito grandes e cabelo preso num coque no alto da cabeça, sempre de vestido preto com gola, no inverno ou no verão, era seu uniforme diário. Vivia no encalço de sua chefa, era um quebra galho e tanto quando Aline não estava por perto, fazia de tudo um pouco, e eram raras as ocasiões em que Aline e Veronica se encontravam. A mansão era grande, mas cada uma tinha seus afazeres pessoais e viam Stella em momentos diferentes do dia. Nos finais de semana, Veronica desaparecia, era sua folga, naturalmente deveria sumir.
- Cuidado com o degrau, senhora – disse ela, com sua vozinha de camundongo, dando apoio à velha que saía do carro para encarar fotógrafos, repórteres, paparazzi e todo aquele tipo de gente intragável que vivia em seu encalço noite e dia em períodos remotos da sua vida. Era quase um dejà vu, viver aquilo outra vez, relembrar dos velhos tempos, o coração da velha Stella palpitava rápido e forte, ela estava começando a suar e isso a preocupava demais porque a maquiagem poderia escorrer por seu rosto. Aquele casaco de pele de urso polar era muito pesado, e seu vestido branco de vinil da Prada era abafado também. Era uma senhora de idade, deveria esquecer um pouco as extravagâncias e andar mais confortável. Sim, realmente deveria.
Seu salto branco Jimmy Choo, nem tão alto nem tão baixo, tocou o chão num estalo firme que ela nunca, jamais esqueceria até o momento em que fecharia os olhos pela última vez em seus aposentos no frio inverno europeu, aquecida pelos braços da sua neta. Mas isto iria demorar um pouco para acontecer. Esticou-se para fora do veículo como uma lesma que sai do casco porque ficou pequeno demais para comportar seu corpo, ou uma tartaruga centenária fantasiada de pavão que colocava seu pescoço para fora do casco numa manhã gelada de outono.
Na verdade, para todos os que estavam ali, a borboleta saía de seu casulo pela segunda vez: alongou sua coluna e espichou seu pescoço branco e enrugado, reclinou um pouco a cabeça, como se a abrir suas asas brancas. Fez-se silêncio.
Retirou os óculos escuros, respirou fundo e sorriu, revelando fileiras de dentes brancos bem tratados da dentadura, brilhavam feito estrelas polidas. Seus longos cílios postiços piscaram, fechando e abrindo, grudando e logo em seguida descolando, fazendo as pequenas bolinhas vermelhas nas pontas de cada um dos fios escuros cintilantes se chocarem e brilharem como morangos minúsculos. O pó e o blush estavam em excesso, era maquiagem pesada, tão pesada que seu rosto parecia ter sido recalcado milhares de vezes, estava pelo menos 5 anos mais jovem. “Uma borboleta pousada em cada olho, batendo asas sobre duas piscinas azuis”, diriam os colunistas das revistas de fofoca na manhã seguinte, homenageando esta mulher com um currículo de peso.
Uma pequena lágrima escorreu do canto do olho, tímida, reclusa, repreendida e quase teatral em meio a todo aquele show de artificialidade para esconder a idade. Sua boca velha e ressecada, oculta pelas camadas grossas de gloss labial se retorceu em um bico, parecia o começo de um choro. Naquele momento, tanto os fotógrafos, os jornalistas, os fãs e os curiosos que formavam a multidão atuante em frente ao prédio do hotel de luxo aplaudiram e gritaram seu nome em um verdadeiro coral de torcida por um time que há muito tempo não entrava em campo. “STELLA! STELLA! STELLA!” eles gritavam.
Uma leve brisa foi incapaz de agitar seus cabelos prateados duros de laquê, fixos em um coque caracol luxuoso realçando dois grandes diamantes, um em cada orelha. Ela abaixou o rosto para chorar.
Era o momento glorioso em que uma velha estrela apagada, mas nunca esquecida, voltava a brilhar, iluminada pelos flashes e pelos sorrisos dos admiradores e curiosos, teve seus ombros transpassados pelo braço fino e delicado de Aline, que a ajudou a subir os degraus da escadaria de mármore do hotel. Aplausos vinham de todas as direções. Era puro glamour.
Aline estava vestida para ser discreta, mas não conseguiu escapar dos flashes, e ouviu várias vezes seu nome sobressaltar de pontos remotos em meio ao coro de pessoas que gritavam pela sua avó. A jovem abaixou a cabeça, ajeitou a boina e escondeu-se atrás da franja cerrada sobre os olhos. Em um verdadeiro cortejo sobre um tapete vermelho, Stella Vazjekovzka cruzou a multidão como uma rainha, escoltada por Aline, Veronica e mais três enormes seguranças que tentavam conter as pessoas famintas pela Rainha das Passarelas.
- Calma vovó, não chore, não chore! Um infarto aqui não é viável! – Stella não sabia se sua neta brincava ou falava sério.
- Pare de me tratar como uma inválida à beira da morte, sua pirralha, meu público me ama! Veja só! – e do alto das escadarias, abriu seus braços para o povo que foi ao delírio. Ela gargalhou em alto e bom som.
Os assistentes de produção assumiram dali por diante, abriram para ela as portas do hotel e a carregaram para dentro com muita calma, ela não tinha mais todo aquele equilíbrio sobre seus saltos. Aline e Veronica vinham logo atrás, revelando serem as verdadeiras guarda-costas da velha Stella, a Fênix que renascia naquela manhã. Aline foi surpreendida por um repórter que a reconheceu e perguntou-lhe sobre a saída do seu próximo álbum. Ela lhe respondeu que aquele momento não era dela, e sim da sua brilhante avó, e que poderia contar-lhe um pouco sobre Stella e os sentimentos dela com relação àquela sua volta aos holofotes. O repórter concordou, e os dois entraram numa conversa longa e quase íntima. Veronica ficou um pouco avulsa.
- Como você mudou, Stella. – a voz rouca e um tanto melodiosa, arriscarei um talvez galante, invadiu seus ouvidos como um sopro do além, a voz de um anjo velho, pegando-a de surpresa, quase a afogando no copo de água que as assistentes lhe deram para que se acalmasse. Stella ergueu seus olhos. – está uma verdadeira deusa. – o homem esticou um sorriso de orelha a orelha.
Diante dela estava um velho, mas não um velho daqueles idosos rancorosos encardidos com cara de amargura, como se a chupar limões azedos todas as santas manhãs. Não. Aquele velho era um vovô. Sim, um vovô, daqueles delicados, de pele macia e cheirosa, de rugas finas e graciosas a traçar desenhos deliciosos e convidativos sobre a sua pele rosada pela idade. Seus cabelos não eram prateados. Não, não se tratavam de tufos de arame retorcidos sobre uma careca lustrosa e manchada, mas sim de flocos de neve, nuvens brancas delicadamente dispostas com carinho e sutileza sobre sua cabeça idosa, parecia lã da mais pura e mais limpa da toda a Europa, era como uma ovelha. Aquele homem lembrava uma ovelha! Em tudo! Nos pelos dos braços nas sobrancelhas, nos cílios, no bigode e no paletó branco com o lenço vermelho no bolso.
Stella abriu sua boca. Um sussurro rouco lhe escapou por entre os lábios idosos e já quase ressecados outra vez. O gloss havia sido diluído pela água, a marca do batom ficara no cristal da taça que escorreu de suas luvas de pelica para o carpete.
- Lucas.

sábado, 9 de outubro de 2010

O Fim Está Próximo


É final de semana do Círio, isso quer dizer que faz exatamente um ano que eu conheci as meninas Sabóia e me tornei praticamente irmão delas, faz exatamente um ano que fui adotado por esta família maravilhosa e acolhedora, um ano que eu quase me afoguei e quase perdi meus óculos na cachoeira, um ano que visitei o cemitério nazista pela primeira vez, um ano... E é impressionante como um ano parece nada, e ao mesmo tempo, parece muito. É um grande paradoxo esse negócio do tempo, ele é tão relativo. Tem vezes que o ano parece correr, tem vezes que o ano passa bem devagarinho, como se para torturar, para que fiquemos cada vez mais ansiosos para a chegada da hora de abraçar a pessoa amada e dizer "feliz Natal! feliz Ano Novo! Boas Festas!". Meu coração fica cada vez mais apertado, cada segundo que bate no relógio é um murro no meu peito que deixa meu órgão vital tão espremido de modo a parecer uma amêndoa. Sabe porque? Porque esse final de ano representa muito mais do que um final de ano qualquer, é o MEU final de ano, a passagem definitiva, tudo o que eu sei e o que já vivenciei e o que descobri e o que conheci pode se tornar válido como ouro, ou inválido como níquel quando as primeiras horas de 2011 baterem no relógio na parede, no celular, no canto da tela dos computadores do mundo todo. A minha grande saga chega ao fim. Aquela grande luta. Parte do trabalho vai estar cumprido, mas só parte dele. Parece até que um enorme pedaço de mim está ficando pra trás, um pedaço do tamanho do iceberg que colocou o Titanic no fundo. Talvez eu seja um navio gigantesco que esteja preste a colidir com algo desconhecido: o meu futuro. O que vai ser de mim? O que vai ser das pessoas com quem criei laços tão fortes? O que serão das amizades, dos romances, das inimizades, das nossas criações, da nossa história? Do mundo que eu construí ao meu redor? Estou realmente preparado para o que vem por aí? Pra encarar esse mundo gigantesco e perigoso sozinho? Eu olhei pra fora da janela do ônibus, para a escuridão da madrugada na floresta amazônica. O mundo lá fora continua intacto, mas dentro de mim um grande Apocalipse parece estar chegando cada vez mais perto, e pequenos acontecimentos sequenciais me fazem crer cada vez mais de que o fim de tudo o que eu conheço está cada vez mais perto. E lá estava ele, o meu gigante favorito, com o cinturão de três estrelas e a espada em punho. Órion, aquele que mesmo que me recebia deitado no horizonte, no final da Avenida Caramuru, todas as vezes usuais em que eu dobrava a esquina nos primeiros meses do ano. Pensei que ele tivesse esquecido de mim. Nunca mais havia me recebido. Constelações estranhas agora povoam o meu céu escuro. Não consigo fazer amizade com elas como a que fiz com Órion, o meu gigante. Sim, ele me achou, bem no meio da estranha estrada de terra batida que liga Macapá ao sul do estado do Amapá, a Laranjal do Jarí, ao mundo verde que rodeia o Vale do Pai Rio. Onde um príncipe viveu incríveis aventuras há muito tempo atrás. Ou mesmo agora, se vocês preferirem. Afinal é uma história que vai se repetir pra sempre. Órion estava no céu, deitado, bradando a espada para a escuridão, a espada brilhante em punho para as trevas. Eu não tenho medo, ele me disse. Mas e você Louie? Você tem medo? O Antonio tem medo? O Junior tem medo? Qual desses três vai morrer no final desse ano? Ele me fez muitas perguntas apenas brilhando a constelação que forma seu enorme corpo, e quando finalmente percebeu que mesmo nesta altura do campeonato eu não soube responder, ele se afastou bem devagar. Ou fui eu quem me afastei, não sei, estava com muito sono, o ônibus estava em movimento. A terra girava. É, o mundo está em movimento, o tempo não para. Talvez eu torne a ver Órion, talvez ele não me ache um covarde, talvez ele ainda seja meu amigo mesmo assim. Eu gosto muito dele. Demais até. De todas as minhas constelações, ele é a favorita. Sim, elas são minhas, talvez o céu seja meu. Talvez. Um dia quem sabe eu voltarei para as minhas irmãs lá em cima, e ficarei livre de tudo isso. Sou a pessoa mais torta que o mundo já viu, com certeza, um grande erro. Sem significado algum. Lugar errado. Hora errada. Corpo errado. Sexo errado. Época errada. Personalidade errada. Aparência errada. Tudo errado. Não que eu esteja criticando o trabalho de Deus, mas qual o significado de tudo isso afinal? Por que ele me fez do jeito que eu sou e me colocou justamente no pior lugar onde uma pessoa como eu pode estar? Tudo bem, eu tenho de agradecer a ele por não ter nascido na África, onde seria bem pior. Mas, PORQUE, mesmo assim, PORQUE? Um ano, o ano definitivo. Sinto que o desfecho disso tudo vai me explicar isso e um pouco mais. Vai ver é só um presentimento. É que é tão estranho a sensação da chegada do fim, vocês não acham? Amigos, lugares, memórias, lembranças... Músicas, risos, piadas, vilões e aliados... O que vai ser de tudo isso depois de um tempo? É o Último Apocalipse. A batalha final contra o meu eu interior e o mundo exterior, todos unidos. Contra mim ou a meu favor? É definitivo, é o ultimato. Um arrepio.
Em pensar que eu dei as caras por aqui só pra avisar que ia demorar a postar algo novo de Stella Para Sempre porque o computador do meu pai está recheado de vírus. Mas, enfim, acabei fazendo um desabafo e tanto!
Muitas coisas floresceram em minha mente nesta última madrugada, cruzando a estrada, eu poderia escrever um livro se eu quisesse, se eu não fosse tão preguiçoso e indisposto. Poderia escrever sobre um ônibus que por um acaso vai parar em outra dimensão, num mundo onde coisas assombrosas acontecem nas estradas à noite. Seres magrelos, de pernas e braços compridos e orelhas pontudas que andam de quatro e sugam sangue saltaram do mato para dentro do meu cérebro. Eu assusto à mim mesmo de propósito, só pra ver se continuo vivo. Estaria eu desenvolvendo comportamento Borderline? Quem sabe.
Quarta feira estarei de volta à realidade, de volta ao campo de batalha da verdadeira guerra em que me envolvi e da qual não posso mais sair, nem se eu tentasse. A sala de aula está um inferno se vocês querem saber, os motivos, as causas, as circunstâncias, já perderam todo o sentido há muito tempo, e o ódio já enraizou profundo nos corações das pessoas. Se não nos matarmos daqui pro final do ano, nos vemos no vestibular!
Louie Mimieux

domingo, 3 de outubro de 2010

Stella e Aline


- Porque você não aceita o convite da Vogue, vovó?
Fez-se silêncio. Um pássaro pousou à beira do laguinho e beliscou as formigas que passeavam por ali. Uma forte ventania arrebatou as árvores, as primeiras folhas alaranjadas de outono já cobriam parte do gramado e das vias de concreto do parque que cortavam caminho entre as gigantes que se preparavam para mais um inverno rigoroso.
- Eu simplesmente não estou a fim. – ela respondeu, jogando pão para os cisnes.
- Não, você quer muito reviver os velhos tempos, tenho certeza.
- Não, não quero, isso já passou. Ninguém mais me para na rua como antes, a cada ano diminui mais o número de pessoas que se lembra desse rostinho aqui.
- Isso não quer dizer nada. Você está velha, mas ainda está viva. Tenho certeza de que seria um ensaio maravilhoso, vovó! – Aline jogou uma pedra que quicou pelas águas até afundar ao longe. – vai ser temático, eles disseram algo sobre ambientação de transatlântico, tipo como se fosse um navio, entende? Com marinheiros, comandante, passageiros, essas coisas vintage, sabe? Achei a proposta o máximo.
- Eu sei, é um tema que me agrada muito, sempre gostei de vintage, mas...
- Sejamos sinceras vovó, é o Lucas não é? Ele já está velho, mais velho que você, acho que ele nem se lembra da senhora!
- Isso doeria muito mais em mim do que se ele me reconhecesse, acredite Aline.
- Desculpe. – Aline ajeitou o cachecol vermelho ao redor do pescoço e passou a admirar a beleza do comecinho do outono ao seu redor. O mundo se tingindo de amarelo, laranja e marrom. Os pássaros voando pro sul, as lagartas se trancando nos casulos, as formigas recolhendo os últimos mantimentos para os longos meses que viriam por aí, mamíferos procurando um lugar para hibernar. Os esquilos estavam bem agitados em suas tocas.
- Você está cantarolando Jonna Lee? – perguntou a avó, jogando as últimas migalhas de pão no lago. Os peixes e os cisnes disputavam violentamente por elas.
- Não pude evitar, o parque lembra demais Something So Quiet... E eu adoro essa música, lembra de quando a mamãe não era um monstro de plástico... – Aline espirrou.
- Opa, não vai gripar agora – Stella abraçou a neta, coisa que raramente fazia, com quem quer que fosse – nunca gostei da sua mãe, ela sempre me pareceu sonsa. Acredito que ela sempre foi esse monstro que você diz, só estava esperando a hora de se mostrar de verdade.
- A senhora tem um pouco de razão...
As duas caminharam por mais algum tempo, até pararem diante de uma grande estátua de anjo para admirar a beleza da arte contida ali.
- Sabe de uma coisa, Aline? Vou aceitar a proposta da Vogue.
Aline deu um gritinho, três pulinhos, bateu palminhas e agarrou a avó.
- Eu sabia, eu sabia! – e desceu-lhe beijinhos estalados no rosto enrugado e cheio de pés de galinha.
Aline era absurdamente parecida com Haroldo em personalidade, às vezes Stella sentia-se de volta ao passado, de volta à Nova York, às ruas do Brooklyn batendo carteiras ou comendo panquecas no Side’s. Era tão natural estar perto daquela menina doce, até o modo como Stella a expulsava de seu quarto, da estufa ou da fumegante sala de estar parecia muito à maneira como ela costumava enxotar Haroldo de seu apartamento sempre sujo e bagunçado. E isso fazia a velha Stella dar risadinhas para dentro. Aline era uma versão de Haroldo com vagina, era uma companheira e tanto, aquela menina. Onde será que aquela bicha velha estaria metida àquela altura do campeonato, na reta final? Se é que já não tivesse morrido de algum mal alheio como esses que assolam os idosos. Isso se ele tivesse chegado a se tornar idoso. Haroldo.
Uma grande lágrima escorreu pelo seu rosto, oculta pelas rugas, tornou-se imperceptível. De modo que Aline sequer percebeu e continuou falando sobre como seria o máximo ver a avó dela deitada num sofá daqueles antigos, estirada, usando apenas um colar de pérolas, ou mesmo uma cópia perfeita do Coração do Oceano, como em Titanic, e isso arrancou risadas gostosas das duas. Era cômico, realmente cômico, imaginar a velha encarquilhada Stella jogada no estofado com as pelancas se espalhando no veludo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline)


O Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL), também muito conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ou Transtorno estado-limite da personalidade é definido como um grave transtorno de personalidade caracterizado por desregulação emocional, raciocínio “8 ou 80” (“branco e preto”, totalmente bom ou totalmente mau) extremo e relações caóticas. Pessoas com personalidade limítrofe podem possuir uma série de sintomas de transtornos psiquiátricos diversos, tais como ataques súbitos de ansiedade, humor instável, tal como grande sentimento de entusiasmo para depois sentir um grande vazio ou dissociação mental, assim como despersonalização. Com tendência a um comportamento briguento, também é acompanhado por impulsividade muitas vezes autodestrutiva, manipulação e chantagem, conduta suicida, bem como sentimentos crônicos de vazio e tédio. A raiva é caracteristicamente a única emoção verdadeira ou a principal emoção central do borderline; muitas vezes, esses indivíduos são vistos como "rebeldes" e “problemáticos”. O limítrofe é frequentemente confundido com depressão ou transtorno afetivo bipolar. O transtorno de personalidade borderline e o transtorno de personalidade antissocial (psicopatia), juntos são considerados os dois mais graves distúrbios de personalidade.
O transtorno borderline é um grave distúrbio que afeta seriamente toda a vida da pessoa acometida causando prejuízos significativos tanto ao indivíduo limítrofe como às pessoas a sua volta. Frequentemente eles precisam estar medicados (antidepressivos, estabilizadores do humor, e outros.) para tentar reduzir as consequências incontroláveis que a doença traz. Além disso, acompanhamento psicológico é primordialmente muito importante.
Os sintomas aparecem durante a adolescência ou nos primeiros anos da fase adulta (em torno dos 20 anos) e persistem geralmente por toda a vida. Essa fase pode ser desafiadora para o paciente, seus familiares e seus terapeutas, mas na maioria das vezes a severidade do transtorno diminui com o tempo. Pelo fato dos sintomas eclodirem principalmente na adolescência, muitas vezes os pais ou familiares acham que é mera rebeldia própria da idade. Contudo, não fazem idéia que estão diante de um ente com um grave distúrbio.
As perturbações sofridas pelos portadores do TPL alcançam negativamente várias facetas psicossociais da vida, como as relações em ambientes escolares, no trabalho, na família. Envolvimento com drogas, tentativas de suicídio e suicídio consumado são possíveis resultados sem os devidos cuidados e terapia. A psicoterapia é indispensável e emergencial.
A maioria dos estudos indica uma infância traumática (diversas formas de abusos, sobretudo sexual e emocional; separação dos pais, ou a soma de ambos e outros fatores) como precursora do TPL, ainda que alguns pesquisadores apontem uma predisposição genética, além de disfunções no metabolismo cerebral.
Estima-se que 2% da população sofram deste transtorno, com mulheres sendo mais diagnosticadas do que homens.
O termo Borderline (Limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern que descreveu, na década de 1930, a condição como uma patologia que permanece no limite entre a neurose e a psicose. Pelo fato de o termo carecer de especificidade, existe um atual debate se esta doença deva ser renomeada.

A característica principal do Transtorno de Personalidade Borderline traduz-se num padrão de comportamento intenso mas extremamente confuso e desorganizado. Aqueles que sofrem do transtorno de Personalidade Borderline são indivíduos que afastam aqueles de quem mais precisam. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que precisam do afeto e da companhia dessas pessoas, são capazes de afastá-las de forma cruel e, muitas vezes, assustadora. São muito exigentes de atenção e são excessivamente manipuladoras, embora nunca o admitam. Borderlines têm profundos traços de masoquismo esadismo e, de forma geral, são como crianças em um corpo de adulto, não tolerando quaisquer limites.
Muito imaturos emocionalmente, são impacientes, não sabem esperar, suas recompensas devem ser sempre imediatas, não toleram frustrações e tendem a colocar a culpa sempre em outros por suas próprias falhas. Isto provavelmente acontece porque borderlines geralmente foram crianças privadas de uma necessidade básica, foram negligenciadas emocionalmente em alguma etapa de sua vida psíquica, o que, por sua vez, ocasionou a impressão de marcas profundas e indeléveis em sua personalidade. Tais marcas podem advir por conta de inúmeros eventos de caráter traumático, como, por exemplo, a separação dos pais, abusos sexuais na infância, violência física e até a perda precoce de um ente querido. Partindo desse pressuposto, podemos dizer que o desenvolvimento emocional do Borderline como que estacionou drasticamente, antes de alcançar a fase do pleno amadurecimento psicológico. Em suma, são pessoas que crescem e envelhecem fisicamente, mas emocionalmente continuam sendo crianças egoístas e, infelizmente, muito problemáticas.
A dor pela falta de amor é intensamente sentida em indivíduos borderlines, o que pode estimular o processo auto e hetero destrutivo. Por isso, muitas vezes o borderline torna-se um indivíduo aparentemente rebelde e com um instinto vingativo contra os maus tratos passados. O borderline também é, essencialmente, insaciável. Em termos de busca de atenção, eles sempre querem mais do que realmente têm. Por mais que as pessoas lhe dêem tal atenção, com frequência eles estão a exigir muito mais do que recebem. Talvez porque quando crianças não tiveram sua necessidade de atenção e afeto suficientemente preenchida. Para o borderline, toda a atenção do mundo não é suficiente. Inclusive, eles tendem a ser "paranóicos", exigentes e desconfiados sempre de que os outros não lhe dão importância, mesmo que isso não seja a realidade. Eles, sem querer, distorcem-na, e acabam por tendenciar tudo para um lado "ruim" e enxergar somente o lado negativo ou das pessoas ou das situações com que se defrontam, acreditando, por exemplo, que as outras pessoas não lhe dão atenção, ou que de repente mudaram de comportamento e por isso são más, merecendo assim, punições e vinganças.
Borderlines costumam ver e achar coisas inexistentes no comportamento de outras pessoas, o que causa sempre reações exageradas e tempestades emocionais. Uma "mudança" quase imperceptível no comportamento de uma pessoa aos olhos de outros, para o borderline é um enorme motivo para se desesperar e acreditar que a pessoa não gosta mais dele. Por isso, o borderline é excessivamente possessivo, acreditando que - após conquistar uma pessoa - a pessoa pertence apenas a ele e a mais ninguém. Ninguém mais merece atenção a não ser ele. Caso contrário, ele perceberá qualquer simples atitude de distração ou enfado do próximo como rejeição, o que o fará dar início a uma série de comportamentos extremos que causam medo e espanto às outras pessoas, que muitas vezes se traduzem em atitudes perigosas tanto para si quanto para os que estão ao seu redor.
Por isso tudo, são frequentemente pessoas facilmente rancorosas, que, em momentos de ira intensa, podem oscilar entre um comportamento explosivo ou friamente vingativo, passando bruscamente do papel de vítimas injustiçadas para o de verdadeiros vilões sanguinários e cruéis que não medem esforços para cometer ações maldosas em busca de vingança. Interiormente, eles acreditam estar corretos em suas atitudes e não entendem por que as outras pessoas os olham com espanto e indignação após tais comportamentos. No fundo, são muito imaturos emocionalmente e – embora não demonstrem – facilmente frágeis.
(...)

O borderline, tipicamente, é intolerante às rejeições sentimentais. Isto quer dizer que qualquer movimento diferente da outra pessoa, percebido pelo borderline, significa que o outro não gosta mais dele, que não lhe quer mais, ou que irá abandoná-lo. Uma simples contrariedade partindo da pessoa por qual o borderline mantém um vínculo afetivo importante, é visto como um sinal de "não", frustração e abandono, mesmo que isto não seja verdade. Inclusive, o borderline costuma "ver coisas" onde, na realidade, não existem.

(...)

Essas pessoas têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e de aprender com a experiência e, então, por isso erram e repetem o erro, nunca aprendendo. São indivíduos tão exigentes e imprevisíveis que assim tendem a afastar todos aqueles que o cercam. Além disso, são pessoas que não têm necessidade, eles têm urgência. Não sabem adiar e não aguentam esperar.

(...)

Contudo, é sábio que o transtorno tende a ser atenuado conforme a idade, sobretudo próximo dos 40 anos de idade. Talvez pelo fato de que ao passar do tempo, as pessoas ficam menos enérgicas e mais “maduras emocionalmente” que aos 20 anos de idade. Assim como todos os transtornos de personalidade, quase nunca borderlines acreditam sofrer de uma patologia ou que sua conduta e comportamentos são muito problemáticos. Eles tendem a culpar os outros, como causadores de discórdias e outras atitudes típicas de fronteiriços, em geral com argumentos implausíveis, e acreditam que "são normais": o que causam-lhes sofrimento são as outras pessoas.

No Transtorno de Personalidade Borderline, cisão é um erro cognitivo característico. Esse erro é uma defesa primitiva e representa a tendência em completamente idealizar ou completamente desvalorizar outras pessoas, lugares, idéias, ou objetos; o que significa, vê-los como totalmente bons ou totalmente maus.
Segundo alguns teóricos como Otto Kernberg, é um comportamento no ser humano, enquanto criança pequena, dividir o mundo entre "bom" e "mau". A criança não está emocionalmente madura o bastante para saber lidar com as diferenças e imperfeições das outras pessoas/coisas. Em alguma fase do desenvolvimento infantil, o indivíduo aprende a enxergar o meio-termo e a neutralidade existentes nos outros e o comportamento de separação primitivo é superado.
No TPL, por diversas razões, o mecanismo de separação se mantém na idade adulta e cria uma instabilidade emocional que afeta severa e negativamente a vida dos pacientes borderlines. Essa cisão pode resultar problemas como o estupro e envolvimento com drogas pelo mau julgamento ao escolher parceiros e estilos de vida.


[COMENTÁRIOS DO PESQUISADOR: ou seja, uma pessoa que o Borderline mantém em alta estima pode se tornar o vilão da história no momento em que esta pessoa lhe der as costas ou errar para com ela. O mesmo acontece com o inverso. Uma pessoa que o Borderline julgava muito má porque em sua concepção fez algo de errado pode imediatamente se tornar uma melhor amiga em dois tempos se lhe sorrir ou lhe fizer uma boa ação, COMO LHE ACOLHER APÓS UMA DECEPÇÃO AMOROSA.]

Estatísticas sugerem que, com o devido tratamento, portadores de Transtorno de Personalidade Limítrofe tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da fase adulta posterior. Dos que procuram ajuda profissional de uma maneira geral, 75% sofrem remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade, 15% entre os 40 e 50 anos de idade e os 10% restantes podem não apresentar resultados satisfatórios ou podem cometer suicídio.



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Para ler o artigo completo, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_lim%C3%ADtrofe



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ALGUÉM ENTENDE O QUE EU ESTOU QUERENDO DIZER?????????????

Estamos em Guerra!


E então, foi declarada oficialmente uma guerra! Faziam exatamente duas semanas que vivíamos um inferno gelado chamado guerra fria, onde ameaças aconteciam daqui e acusações aconteciam dali, idas e voltas da sala da coordenação e olhares tortos, nervosos cruzavam a sala de aula feito balas zunindo, saídas de fuzis furiosos e neurastênicos! Estado de sítio! Fechem seus portões! Tranquem as portas! Coloquem grades nas janelas! Desçam para os seus porões, a Guerra Civil Atualiana começou! E para vencer esta batalha, vamos precisar de armamento pesado! Preparem-se para a última palavra mundial em sinônimo de tecnolgia de armamento! Prepare-se para o AR53-N4L!



Recebi duras críticas a respeito do primeiro modelo do grande robô de batalha apelidado de AR53-N4L, por uma certa falta de malícia que ele possuía, sendo ele uma arma de destruição em massa. Anderson é o meu crítico artístico de designer, ele sempre tem um comentário enriquecedor para as minhas peças, o que me ajuda bastante a evoluí-las. Acho que já falei do Anderson aqui antes, então estão dispensadas as apresentações. Agora vamos às explicações! Primeiro, o nome do robô: AR53-N4L (A ERRE CINQUENTA E TRÊS DIGITO ENE QUATRO ÉLE), significa nada mais nada menos do que a palavra ARSENAL em códigos, e nada tem de especial, mensagem subliminar ou iluminatti... Ou talvez sim... Mas, enfim. Ele vem com cabine de controle embutida, sensores poderosos em forma de orelhinhas, braços com garras que podem transformar-se em poderosos canhões nucleares e um peitoral blindado de titânio com um lança-míssel em cada peito. É um robô bem simples, e como o Anderson disse, fofinho demais, o que me motivou a desenhar algo bem mais malicioso. É um robozinho incompreendido, pobrezinho.



O Modelo 02 de AR53-N4L é osso duro de roer, uma verdadeira máquina pesada de destruição mortífera, equipada com brocas de diamante em cada braço, capazes de triturar e perfurar até o mais denso dos metais alienígenas e um rolo compressor no lugar dos pés, como num tanque de guerra. Esta versão ainda possui o peitoral com lança-míssil embutido e os três orifícios no ombro (os quais eu não citei acima) capazes de lançar lasers potentes nessa versão. Ainda possui cabine de controle e foi desenhado especialmente para as poderosas frentes de batalha do partido de esquerda, AGES&ARTBM, ou os Apocalípticos. As críticas melhoraram nessa versão do ARSENAL, mas o Anderson disse que eu poderia fazer algo bem mais diabólico. E ele tinha razão.



O Modelo 03 de AR53-N4L é uma máquina de morte, literalmente, com chifres que geram fagulhas para geração de potentes choques elétricos embutidos onde antes ficavam os sensores e um lançador de gases mortíferos na cabeça, na área externa do domo de vidro blindado que protege a cabine de controle, este robozão de trinta metros de altura é aerodinâmico, rápido e letal, com dois lasers poderosos em cada braço, no lugar das mãos e um peitoral lança-chamas, é praticamente indestrutível, sem excessões. Seus ataques são imprevisíveis e seu poder de fogo é incalculável, é capaz de chamuscar uma cidade inteira em menos de três horas. Fantástico não é?






É por esses e outros motivos que eu me inscrevi na categoria de Tecnologia & Design no processo seletivo 2011 da UEAP. Eu daria um ótimo designer de brinquedos e personagens de filmes ou histórias em quadrinhos não acham?! Em novembro, me desejem sorte!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Digivolution!

Um mês sem internet faz muita coisa não é? Pois é. Na verdade, desde antes de ficar sem a conexão com a rede mundial, eu já estava com uma estranha obsessão pelo meu passado, pelos meus velhos costumes, eu estava tentando fugir de alguns problemas pessoais e andei me refugiando em redescobrir velhas manias minhas, velhos costumes, velhos amores, coisa da infância, quando de repente veio à mente: DIGIMON!

Como eu pude viver sem Digimon durante todos esses anos? Uma criança alienada por Digimon, esse era eu. Eu realmente acreditava que do outro lado do computador havia um mundo onde os bichinhos virtuais se desenvolviam e viviam grandes aventuras, eu acreditava em tudo aquilo, e não me sentia nenhum pouco idiota, era uma verdadeira válvula de escape da realidade, eu vivia a história, a trama, a evolução pessoal dos personagens e dos seus digimons com muita intensidade, como se acompanhasse uma novela! Era pura magia viver digimon. Pena que parou de passar na TV aberta, me tiraram a TV à cabo, e eu acabei descobrindo outras coisas, cresci e esqueci da infância.

Mas certo dia eu me peguei pensando em digimon, em todos os bonecos e miniaturas e jogos e material escolar que eu tinha, no que eu fiz pra possuir tudo aquilo, e que hoje não restou nem 50% da coleção! Então entrei numa obsessão: pesquisar e ir atrás de tudo o que estivesse relacionado ao nome Digimon, e acabei entrando naquele universo outra vez, tragado pelo Agumon, pelo Patamon, pela Palmon, e por minha favorita, Tailmon. Hoje em dia meu favorito é o Lopmon, é claro, porque eu mudei, cresci e passei a enxergar a série infantil e um tanto boba com outros olhos, mas até que dá pra tirar boa diversão daquilo tudo, sem contar que, pra quem pretende cursar faculdade de design e tecnologias, os traços e as cores dos monstrinhos digitais são de encher os olhos! Eu fico maravilhado a cada digievolução, como se eu tivesse 6 anos outra vez; Essa era a idade que eu tinha quando a primeira temporada estreou na globo pelas manhãs, eu estudava à tarde, e assim que nos reuníamos dentro da sala de aula no terceiro período, o assunto era o capítulo diário de Digimon.

Como é divertido e gostoso lembrar desses tempos. Acabei baixando gifs e jogos para emuladores de Game Boy aqui no computador, e sempre que estou estressado e preciso estravazar toda a minha raiva, ligo o PC e jogo Battle Spirit, dou aquela ajuda para o Terriermon (gêmeo do Lopmon) e derroto na porrada um por um dos adversários, e vou dizer a vocês; É uma ótima terapia.
Profundamente inspirado em Digimon e nas digievoluções do meu favorito, Lopmon, desenhei a versão Ultimate dele, Cherubimon, e sua versão corrompida pelo vírus de Diaboromon, Kerpymon. Pode parecer que eu estou falando grego mesmo, mas pode deixar que qualquer dia desses eu coloco um release básico sobre o que é digimon, seus personagens principais e a história em si, pra ninguém ficar boiando quando eu der uma de nerd pirado.


Nas Aulas de Física...


Surgem grandes criações! Eu posso não prestar atenção nas aulas do Márcio Costa, e muito menos gostar da matéria dele, cálculos nunca foram o meu forte. Porém, devo um sincero agradecimento às suas aulas, que serviram de momentos introspectivos importantes e extremamente inspiradores para criação de grandes peças da minha coleção particular de arte feita à tinta de caneta e folha de fichário, arte escolar e descompromissada como Dear Motherfucker...
Primeiro vamos começar dando um feedback no tempo, indo até épocas remotas onde eu, possuído por um espírito megalomaníaco que acreditava ser um deus pagão de outra dimensão chamado Lilith, O Rei dos Monstros, escrevi uma peça que faliu antes mesmo de começar a ser produzida, por falta de incentivo, colaboradores, patrocinadores e, sinceramente, compromisso da parte dos atores escolhidos. Juntando o universo underground bizarro em que Björk e Emilie Simon vivem, batendo no liquidificador com o verdadeiro Pop de Lady GaGa, Andy Warhol e todo o misticismo e poesia new indie das músicas da divina Florence Welch, surgiu Canavarlar, O Baile dos Monstros. Não pense que essa mistura é impossível, porque nas minhas mãos e do meu principal colaborador criativo Andrew Oliveira, TUDO, absolutamente, TUDO é possível. É a mistura final dos pólos opostos num caos artístico e impressionista nunca antes visto, sim, é sim. E nem chegou a sair dos ventres das nossas cabeças.


Eis a fantasia que eu IRIA usar na minha peça falida. Divina não é? Lilith, O Rei dos Monstros, poeta violento e faminto por arte, acorrentado no começo das eras por uma ditadura que impedia qualquer tipo de expressão artística no mundo futurístico dos monstros.

Mais uma aparição de Lilith em minha vida. Aos fundos, letras de músicas que andei ouvindo naquela época, por volta de março a junho de 2010, foi uma época bastante inspiradora da minha vida, eu estava com arte correndo nas veias! Eu particularmente acho essa imagem a mais sexy de todas as relacionadas a Lilith. Uma análise que minha mãe fez do desenho afirma que esse meu alter-ego chamado Lilith sempre usa a máscara vermelha que veda toda a sua visão a fim de esconder algum segredo, alguma verdade, e como os olhos são as janelas da alma, a imagem fala por si só. Mamãe é quem sabe das coisas.

A obra acima foi batizada carinhosamente de "A Rainha do Egito Não É Nefertiti". Em base foi desenhada para ilustrar a próxima saga fantasiosa de The Fatcat House, que ainda não possui nome definido, se passará na Grécia Antiga e irá retratar a corrida contra o tempo de uma mulher que nasceu velha e precisa rodar o mundo atrás do Deus da Morte, a fim de fazer um pacto para que sua alma permaneça eternamente na terra e ela reine absoluta como Rainha dos Imortais. A imagem mostra uma múmia revoltada, e nada mais do que isso, em minha opinião.

Acredito não possuir comentários a respeito da imagem acima! É tragicômica levando em conta que o boi atrás da cerca está doente porque possui moscas nos chifres, essa foi uma observação cautelosa e inteligente feita por Pedro, sempre tão disposto a dividir seus conhecimentos a respeito da vida na fazenda conosco. A imagem mostra uma fazendeira reflexiva após uma aula de biologia onde seus colegas a identificaram com a síndrome do super macho (47-XYY/48-XYYY). A moça está visivelmente revoltada porque se acha a criatura mais feminina do mundo todo. E você? O que acha? Preferencialmente optei por não citar as referências da personagem a fim de evitar processos futuros. Sem mais comentários a respeito.


A homenageada acima é ninguém mais ninguém menos do que nossa querida amiga gordinha dos seios fartos e alguns atributos a mais, Fabíola! Grande Fabíola! Literalmente! Caricatura dela de autoria minha numa versão totalmente "Madonesca", uma verdadeira Woo-Hoo Girl, que não tem medo de usar toda a sua sensualidade, feminilidade e os atributos que a natureza lhe deu para seduzir, se expressar e ser feliz. Eu costumo dizer que esta é a Fabíola reprimida, que fica presa ali dentro do peito da minha querida amiga, louca para se libertar e dançar Like A Virgin como nenhuma outra garota já dançou. Tenho certeza de que se a Fabíola sensual e sem medo de ser feliz viesse para fora, até a própria Madonna se colocaria de pé para bater palmas. Destaque para o sutiã cônico que eu simplesmente ADORO, sou super fã.
Uma versão macapaense, baixinha e fanhosa da felina Mulher Gato. Só que esta Ratwoman está mais interessada em roubar queijos e colocar a ordem no pedaço do que em roubar joias caras ou sabotar quaisquer estabelecimentos para proveito próprio. Eu e meus amigos criamos uma história para ela juntamente com o desenho (exatamente como fazemos com tudo o que tem o desprazer de cair em nossas mãos e virar caricatura hilária da vida real, foi assim que surgiu The Big Machine e Draconius Nefastus!). Na história, Ratwoman é uma ex-presidiária que decide virar professora, mas que não consegue deixar de tentar lutar contra o crime, nem dentro de uma sala de aula. Seus novos inimigos são alunos baderneiros, provas vergonhosas e assuntos atrasados, mas nem por isso ela deixará seu uniforme de lado. Seria bacana se eu criasse uma crônica para ela aqui nesse blog? O que acham? Eu particularmente adoraria escrever sobre ela, é uma anti-heroína admirável.



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Stella, Narguilé e Gabriela


- Porque não vamos ao parque esta tarde? – perguntou Aline.
- Me recuso a passar os meus últimos dias dando comida para os pombos malditos, eles são ratos alados cheios de doenças infecciosas – e soltou-lhe uma baforada carregada da fumaça do narguilé bem no meio da cara. Aline deu uma tossida disfarçada, e engoliu o resto.
- Vovó, eu sinceramente não acredito em como você está viva até hoje, fumando desse jeito – exclamou a garota reprimindo-se em ligar o ventilador da sala de estar. Stella gostava do ambiente carregado de fumaça, ela se sentia magnânima, misteriosa, bela e jovem novamente.
- Quer me matar? Ali está a sua arma – apontou seu dedo magro e ossudo para a parede, onde jazia uma espada empoeirada de samurai, presentinho do príncipe do Japão em troca de alguns “favores” noturnos. Era nisso que a velha era especialista, esses favores noturnos que os homens tanto adoravam. O cabo da espada e o dragão em alto relevo ali lembravam certos órgãos que muito foram tocados no passado. Stella esboçou um sorriso no canto da boca e soltou fumaça pelo nariz feito uma draga. Fazia um tempo que ela não via o seu professor de órgão. Era realmente um instrumento divertido de ser tocado.
- O que está esperando? Pegue a espada e enfie no meu seio esquerdo, sua ingrata – cacarejou a velha outra vez, erguendo seu queixo pontudo para o artefato.
O ambiente da mansão era lúgubre, secular, e muitas vezes assustador também. Cheio de estátuas e artefatos para todos os lados, era um verdadeiro museu particular. A velha Stella tinha um acervo de dar inveja no mais rico dos milionários colecionadores do mundo. Tudo ali havia sido adquirido após uma história, uma batalha, um favor particular, ou simplesmente comprado no mercado negro. Era barato e era rápido. Stella ganhara o hábito de ostentação após a riqueza.
- Eu não pretendo matá-la vovó, a senhora entendeu o que eu disse. – Aline bufou e tossiu em seguida – só quero passear com você.
- Nós passeamos ontem, Aline – tragou mais fumaça. – você está começando a me irritar.
- Mas...
- “Mas” nada! Vá procurar o que fazer, estudar, pintar os seus quadros, escrever, sei lá o que você faz nas férias! – grasnou ela furiosa, já se retorcendo na poltrona – mas que pirralha chata – e soltou um palavrão pesado.
- O que você está fazendo aí, Aline?! – a voz feminina e fina demais pegou avó e neta de surpresa, vinda das profundezas do corredor vazio do outro lado das fantasmagóricas portas da sala de estar, entreabertas. Um rosto fino e extremamente branco surgiu daquela brecha, abrindo passagem, feito uma aparição de vestido branco. Loira, coque francês no alto da cabeça, olhos azuis maldosos repuxados pra cima e maçãs do rosto perfeitamente pontudas, parecia ter saído de uma propaganda de perfumes. Gabriela tinha 35 anos e era modelo aposentada, atualmente era editora chefe da Cosmopolitan inglesa, por isso raramente estava em casa, vivia no país vizinho, trabalhando. Ou dando, como Stella costumava dizer, dando muito para todos os acionistas da empresa.
- Pare de servir de fumante passiva para essa velha, sua idiota, você vai acabar pegando um câncer de pulmão! – agarrou o braço da garota e a levantou com violência da cadeira.
- Largue a menina, Gabriela, deixa de ser vaca, sua miserável – e soltou uma baforada pesada, quase sólida, da fumaça do narguilé bem no meio da cara da sua querida nora, para não dizer o contrário. – vão ser precisos anos para que ela desenvolva um câncer, sendo que ela raramente entra nessa sala porque eu mesma a proíbo. Agora solte-a, a garota já estava de saída mesmo e não precisa que você a trate desse jeito, sua arrogante.
- Oh, olha quem fala! – gemeu Gabriela. – quem tem crises de depressão da terceira idade e vive quebrando as louças e os copos na parede é você, não eu!
Stella retirou seus óculos do rosto com calma, pôs no criado mudo com delicadeza, ajeitou seu terninho e sua saia, largou o tubo do narguilé e levantou-se para encarar mortalmente Gabriela de igual para igual.
- Não se esqueça – começou ela pausadamente – que quem mora de favor nessa casa é você, sua vadia, e eu te ponho pra fora com um chute certeiro dos meus mocassins no meio desse seu traseiro magrelo, por isso me respeite. – ela pigarreou, calma, pegou com delicadeza a mãozinha branca da sua neta e finalizou – agora se nos dá licença, pretendemos dar um passeio no parque.

Olá, Leitores Inexistentes!


Pois então, comecei uma nova saga em The Fatcat House, "Stella Para Sempre".

Tal saga contará em detalhes tão íntimos e bucólicos quanto antes, a história da velhice dessa nossa tão invejada vadia suja, uma vida pós-fama e amarga da querida Stella Vazjekovzka, prostituta nas horas vagas, mascote de baladeiros, batedora de carteiros e modelo internacional instantânea que estrelou o filme baseado no livro do escritor ficcional Black Cherry e depois descobriu que o mesmo estava tendo um caso com o SEU Lucas (leia a história completa no blog parceiro, Sol de Andrew), e desiludida, decidiu sair de Nova York para sempre, para morar na França e passar o resto da sua vida por lá.

Assim foi feito, e aos poucos sua carreira foi esfriando enquanto ela criava seu filho nos luxuosos corredores de uma mansão no litoral francês. Seu filho Stefan cresceu e enveredou na carreira de ator, depois conheceu a super modelo italiana Gabriela e gerou a pequena e meiga Aline, que vive perseguindo sua avó para cima e para baixo tentando tirá-la da depressão da terceira idade, custe o que custar. Isso é o básico que você precisa saber para acompanhar a seguda e última parte da vida de Stella, "Stella Para Sempre", o resto espero que você leia e acompanhe. Diariamente não vai dar pra postar, mas prometo colocar algo por aqui pelo menos dia sim, dia não.

E quanto àqueles que estão sentindo falta das minhas crônicas sobre o dia-a-dia, do meu humor ácido e dos meus artigos de opinião, ou mesmo daquelas fábulas malucas que vem de dentro, peço que tenham um pouquinho assim mais de calma! Já já eu coloco coisas novas, mas por enquanto, vou dar atenção somente pra escola e pra vida da Stella, pra não sair do ritmo!

Um beijo para todos os meus leitores imaginários que sequer passam o olho aqui nessa porcaria!

=*


Louie Mimieux


(Ou Antonio Fernandes, sei lá qual dos dois escreveu isso. Estou sofrendo de dupla personalidade. PISIQUIATRA, CADÊ?)


P.S.: a foto de ilustração da postagem é um print de um video super show da La Roux, "I'm Not Your Toy", La Roux é uma banda de eletrônica cuja vocalista é uma inglesinha esnobe e metida à besta que arrasa muito nos falsetes, a qual eu tenho escutado muito recentemente. Além de Fever Ray e outras coisas, enfim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Stella, Uma Velha Suja


- As rosas estão cheirosas hoje – disse para si mesma.
- Da minha parte, acho que precisam de um pouco mais de água, o tempo está gelado e seco hoje – respondeu a si mesma.
Pegou o regador de metal, retorcido, velho e enferrujado. Abaixou-se e rangeu. Não a ferrugem do regador, mas as suas costas, velhas e enferrujadas costas, antigas e amarguradas, massacradas. A velhice era uma coisa indescritível. Sentir-se ter corrido uma verdadeira maratona eterna e incansável que resultou em dores terríveis a cada mínimo movimento. Rangia internamente o tempo todo, a cada passo, a cada fraca respiração do pulmão, a cada curta esticada dos seus braços frágeis. Estava magra, precisava de ajuda para ir ao banheiro, para tomar banho, para se vestir, para passar um perfume.
- Vovó, está na hora do remédio – Aline bateu com delicadeza à porta de vidro da estufa, para não espantar a frustrada velha, que costumava chiar a cada barulhinho por menor que fosse, que lhe pegasse assim, surpreendida.
- Ai, porra Aline, você me assustou! – Stella tentou levantar-se, mas parecia estar emperrada – vem cá, me dê uma ajuda.
A jovem entrou com receio na estufa. Vovó Stella não deixava ninguém entrar ali, não sem um motivo realmente importante, geralmente questão de vida ou morte, quando a velha escorregava e caía, gritando e gemendo feito uma alma penada, ou mesmo em momentos como aquele, em que a coluna travava e após um agachamento repentino, não subia mais.
- Mais rápido, Aline! Você quer ver essa velha criar raiz aqui nesse chão?!
- Não vovó, calma! Eu só não quero esbarrar nos vasos e nas flores! Lembra-se do que me disse?
- Ora, não lembro nem o que tomei no café da manhã hoje! Vamos, venha cá! – o café havia sido há meia hora atrás. Aline colocou o braço flácido da velha sobre o seu pescoço, enquanto seu próprio braço atravessou as costas doloridas da senhora com delicadeza, e aos poucos, as duas estavam da mesma altura. Stella era uma senhorinha alta, bem alta. Não se incomodava mais em tingir os cabelos havia uns cinco anos, apesar de Aline insistir tanto. – onde está a sua mãe? Aquela folgada miserável...
- Saiu cedo hoje, tinha um ensaio fotográfico. Agora que ela tem um emprego, dificilmente a veremos em casa...
- Melhor assim, não agüento olhar pra cara daquela ali desde que o seu pai me apareceu com ela na porta de casa...
Na cozinha, Stella sentou-se com dificuldade na cadeira, gemendo um pouquinho mais. Tomou suas pílulas matinais, levantou-se após o tempo da ingestão e deu a volta ao redor do móvel.
- Ótimo, estou desenferrujada! Quer ir ao parque comigo esta manhã, Aline, meu bem? – era sempre assim, após as pílulas, ela mudava de humor repentinamente, de velha ranzinza e amarga para uma jovem senhora amável que gostava de passear. Aline já estava acostumada para sorrir enquanto lavava a louça.
- Seria maravilhoso e agradável, vovó, mas antes tenho um recado para dar... – ela virou-se para a mulher. Stella arregalou os olhos. – acredite ou não, a Vogue ligou essa manhã, e querem uma entrevista exclusiva com você.
Stella gargalhou, fez um bico e foi até a geladeira.
- Você não se manca, não, Aline?! Fazendo brincadeiras desse tipo comigo?! Eu tenho 78 anos mas a minha esperteza é a mesma dos meus 19! Por isso não me venha com asneiras. – encheu um copo com leite.
- É sério, vovó! Muito sério! – Aline saltitou para trás da porta da geladeira – estão juntando a velha guarda da moda para um ensaio sensual de senhoras que já fizeram muito sucesso no passado!
- Pare com isso, Aline – ralhou Stella – assim eu me sinto uma múmia!
- Ela está falando a verdade, mamãe. – ele entrou pela porta da cozinha trajando seu costumeiro roupão vinho, estava no auge da carreira, com cara de moleque travesso e corpo de deus grego, era sempre um vislumbre onde quer que surja. A velha deu um gritinho e soltou um palavrão pesado.
- Stefan, seu filho da mãe, não me assuste assim! Eu já disse pra se anunciarem antes de surgirem assim do nada! Seus miseráveis de uma figa! – ela deu três tossidas poderosas, Aline correu para acudi-la, dando tapinhas leves nas costas dela. Stefan apenas riu. – se um dia eu morrer, juro que vou ficar assombrando a porcaria dessa mansão pra sempre, me recuso a ir pro inferno, eu não! Tá pensando o quê?! Vou puxar o pé de todos vocês, de todos vocês!
- Calma mamãe, a senhora anda muito assustada. – Stefan aproximou-se e deu três tapinhas de leve nas costas dela. Pegou o suco de laranja da geladeira e encheu uma taça de cristal que descansava por ali por cima – Aline está falando a verdade. A Vogue ligou hoje de manhã mesmo, eu que atendi – tomou um gole – muitos conhecidos seus estarão participando do ensaio... Inclusive o tio...
Aline arregalou os olhos e começou a fazer sinais para que o pai não dissesse o nome. Cortando o pescoço com a mão.
- O tio Lucas... – o pai de Aline deu de ombros.
Silêncio mortal. Silêncio por toda a mansão. Até os pássaros lá fora pararam de cantar. As plantas da estufa aos fundos pararam de respirar. Stella pegou um copo e atirou na parede logo atrás de si. Espalhando vidro por toda a parte. Lascas atingiram a nuca e as costas de Aline, um pequeno corte fez escorrer um feixe vermelho em seu rosto.
- Torne a falar o nome desse homem dentro desta casa outra vez, e você estará no lugar daquela parede ali, Stefan. – esticou seu comprido dedo magro e enrugado feito o de uma bruxa para trás e saiu pisando firme. Aline começou a limpar o chão.
O que a família de Stella custava a entender era que o mundo confortável que ela conhecia começou a ruir no exato momento da morte de Ítalo. Após o ocorrido, foi um passo para que todas as pessoas que ela mais amava no mundo partissem também, para outros planos, para outros lugares, outras realidades além da compreensão. Ela não era agora uma loira glamourosa ou uma morena espetacular das capas das revistas e das laterais dos ônibus de Nova York, não chegava nem a ser a vadia suja que era.
Agora ela era uma velha encarquilhada e enferrujada, esquecida por tudo e por todos. Deixada para trás. Morta para o mundo. E não sairia daquela mansão tão cedo assim. Stella era uma velha suja.

LOUIE MIMIEUX ESTÁ DE VOLTA!


Vamos explicar pausadamente o meu sumiço nas postagens de quase um mês...

MENTIRA, VAMOS NOS DESESPERAR!
CORTARAM O TELEFONE DAQUI DE CASA E EU FIQUEI SEM INTERNET E PASSEI DOIS FINAIS DE SEMANA EM DEPRESSÃO PROGRESSIVA E LETARGIA DEGENERATIVA POR CAUSA DISSO, MAS AGORA A INTERNET ESTÁ DE VOLTA, E EU TAMBÉM, E ESTAMOS CHEIOS DE NOVIDADES! PROMETO QUE NÃO VOU DEIXAR VOCÊS UM DIA SEQUER SEM POSTAGEM NOVA, NEM QUE SEJA PRA DAR UM OI E CONTAR UMA PIADA!
PREPAREM-SE PARA A CONTINUAÇÃO DE STELLA, PARA UMA AVENTURA NO EGITO, PARA CONTOS E CRÔNICAS DO MEU DIA-A-DIA, POESIAS, ARTIGOS DE OPINIÃO E ETC!
VOLTEM LEITORES, VOLTEM POR FAVOR

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