Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nota'

As imagens abaixo são do dia do Círio em Monte Dourado [onde paguei todos os meus pecados ;o] e do dia da piscina [da noite, quero dizer].

-Pega a gorda fujona! - gritou papai em meio às beatas que rezavam de cabeça baixa enquanto caminhavam. Ana Duarte ia de fininho por uma ruela periférica da via por onde o Círio passava. O dia estava quente e minha cabeça já começava a rodar. Brisa era coisa rara, e o céu estava nublado [o que mostra a bondade de Deus para com os pecadores, poderia muito bem estar fazendo o costumeiro sol de rachar da amazônia], mas o mormaço era grande.
Mas ainda tivemos forças para gargalhar.

L.A.M.B. - A Wonderful Holiday [parte 1]

Tudo isso começou com a peculiar invasão de uma vespa ao apartamento [que a lore matou porque estávamos todos desesperados]. As luzes do lado de fora se acendem à noite, e como Laranjal do Jarí fica encravada no meio da infernal e fantástica selva amazônica, todos os insetos correm para a primeira luz que se acende as seis horas da tarde. Até então eu não tinha nenhuma intimidade com as filhas da Comadre de meu pai, muito pelo contrário, me sentia todo encabulado perto delas, pois elas me observavam muito como se esperassem que eu dissesse algo, e muitas vezes eu falava feito uma vitrola durante um bom tempo, assuntos vagos e relevantes, dos quais elas riam só para me agradar, ou às vezes riam de verdade, do meu senso de humor seco e direto.
Mas a invasão da vespa foi o ápice, o início de tudo, se vocês querem saber. Eu mal sabia o nome da menina Camilla, e ainda achava que ela era a Yara! Calma, eu explico. Aqui elas são quatro, na verdade, cinco, todas muito jovens e muito bonitas, de onze a dezessete anos. Começando pela Lorenice (nome diferente, né? Parece o nome de uma dama da época dos reis e rainhas *-*), ou como é conhecida por aqui “A Garota de Gurupá”, e terminando pela jovem mãe Mimi (acho lindo esse nome *-*), e de cada uma fiz questão de conhecer a história pessoal do começo ao fim, e tenho certeza de que tenho muito ainda a descobrir destas minhas novas amigas, mas não preciso me preocupar, porque teremos muito tempo para isso.
Esta é a terceira vez que estou passando o final de semana na casa de meu pai, que mora nos altos da comadre dele, a Dona Ana, que é uma mãezona na verdade, uma anfitriã de mão cheia, simpática e muito hospitaleira. Suas filhas são três, Camilla, Yara e Mimi, que são bem parecidas com ela, todas têm os mesmos olhos. Camilla é uma garota de 15 anos, muito bonita e tão faladeira quanto eu, começou me contando todos os podres do Jarí, íamos andando na rua e ela ia me apontando pessoas e lugares dizendo “aquele ali é maconhado, aquela lá é ex de não-sei-quem, aquela ali é só cara, e naquele tal canto aconteceram tais e tais coisas”, o telefone dela não para de tocar um segundo, o que me faz imaginar o quanto ela é popular por estas bandas. E com um corpão daqueles quem não seria? Ela é realmente muito bonita, me lembra algum tipo de atriz ou coisa parecida, e é tão conversadora quanto eu, o que nos fez ficar fofocando e comentando várias coisas durante um bom tempo.
Lorenice no começo foi a com quem eu mais falei. Ela é uma garota muito meiga e engraçada, e é impossível para mim acreditar que ela tem onze anos! Minha irmã tem essa idade e nem tem o corpo tão desenvolvido assim. E, aliás, ela já tem um rosto de mulher madura e decidida para idade dela, e realmente o é, bem diferente das garotinhas infantis amigas da minha irmã. Pra mim todas elas têm a mesma idade que eu, porque são bem mais ativas e expressivas do que as outras garotas das faixas etárias delas. Sim, como eu ia dizendo, Lorenice é uma menina engraçada e com um senso de humor ótimo, é bem tranquila e combina mais com a minha irmã no jeito dela, não é aquela menina escandalosa, mas também não é aquela garota retraída, na verdade nenhuma delas é, todas são boas meninas.
E então temos a Yara, que de todas parece ser a mais nova, não cheguei a perguntar a idade dela, mas pelo pouco que conversamos nesses dois dias, nós dois temos muito haver mesmo. Gostamos de rock, odiamos o calor (e o sol!), somos mais dos dias nublados e a noite. Loirinha tão faladeira e cheia de opiniões quanto eu, é afilhada do meu pai, e pelo que eu vi, ele gosta muito dela. Isso é bom, porque ela já é uma grande amiga apesar do pouco tempo que nos conhecemos. Ela é bem agitada e divertida, e hoje de manhã quando fazíamos o percurso do Círio em Monte Dourado ela quase desmaiou! Não a culpo, o mormaço era grande e as brisas, raras, de modo que em quatro ou seis quilômetros eu já estava vendo tudo de cima, e não é porque eu sou alto, mas porque a minha alma já não era mais minha!
Por último temos a mamãe Mimi, que na primeira vez em que vim passar o feriado aqui [e quando eu era super envergonhado com o novo ambiente familiar], ela estava grávida, e a partir da segunda vez em que aqui estive [semana passada!], já estava com o pequeno [e esperto] Cauã nos braços. De todas foi a primeira com quem falei, na primeira vez que passei o final de semana com o papai, no dia dos pais, ora vejam só! Conversávamos sempre sobre assuntos de escola [ela está no terceiro ano do ensino médio], animais de estimação e comida, coisas de casa. Ela raramente sai porque tem que cuidar do bebê [que é uma graça], e é uma ótima mãe, pois as outras mães que possuem a mesma idade de Mimi nem querem saber de cuidar da criança e jogam tudo para as costas da avó.
Ontem à noite, na umidade impossível da Amazônia noturna, fomos convidados a comer um churrasco à beira de uma piscina, sob a luz das estrelas, na casa de um engenheiro florestal conhecido do papai e dos compadres dele [aqui é assim, meu bem, eu só frequento casa de gente importante, beijo pra vocês!]. Chegando lá, fomos muito bem recebidos por ele e por sua mulher Patrícia, e as meninas, não resistindo, tiveram de voltar a casa para trocar de roupa e cair na piscina. Eu e Yara ficamos só na borda, molhando os pés, eu porque tenho muita vergonha de tirar a roupa, e ela por outro motivo qualquer, mas acabamos sendo atingidos em cheio por jatos d’água esguichados por mergulhos artísticos das garotas e de um dos filhos dos nossos anfitriões. E eu tentando fugir me joguei de costas... pra quê! Havia uma enorme poça d’água bem atrás de mim. Conclusão: fiquei encharcado.
A noite estava tão úmida e tão quente, vocês aí do sul não fazem noção do quanto isso se faz presente em plena alta Amazônia, região da extração do caulim, do rio Jarí, dos morros de barro e do verde intenso, das belas cachoeiras e das estradas de poeira, é uma região de contraste e beleza, não percam a oportunidade de visitar! Como eu ia dizendo, a noite estava tão úmida que assim que eu saí do apartamento, meus óculos embaçaram e minha roupa encharcou. Pra completar havia chovido à tarde e isso só aumentou o calor e a umidade.
Lá na piscina nos divertimos tirando fotos, contando casos que aconteceram nas nossas escolas, micos que pagamos [Lorenice campeã! Gritou feito uma desesperada quando, em Belém, o ônibus passou em alta velocidade em frente ao museu, que era onde elas iriam fazer o passeio do dia. Mal ela sabia que os ônibus não param fora do ponto!].
Em imaginar que a nossa conversa começou quando eu perguntei quem dali tinha namorado, e então todas elas riram sem jeito. Após isso o papo foi alto. Camilla contou-me das loucuras das escolas públicas daqui, das brigas de terçado nas ruas e dos professores agredindo alunos dentro de sala de aula! E eu pensando que... bem, deixa pra lá! Yara contou-me um pouquinho das coisas que ela gosta de fazer, sobre o seu prazer em ler versos e em desenhar, sobre as músicas que ela gosta de ouvir e sobre a sua família. Não sei como nem quando, mas ao me dar conta, já estava contando a elas tudo o que sei e o que descobri sobre a Maçonaria e seus mistérios.
Elas não sabiam nem da metade dos mistérios que giram em torno dessa organização secreta que ainda arrepia os pelos da nuca de muita gente nos tempos atuais. Não me recordo a época exata em que os maçons surgiram, mas sei que tudo começou quando o comércio na Europa estava à beira da ruína total, e os comerciantes resolveram unir-se em uma organização cujo o lema era ajudar uns aos outros para superar aquela crise momentânea. Deu certo, e ajudando-se, os comerciantes foram pra frente [assim que funcionam as lojas maçônicas]. Porém, a “seita” que eles formaram sobrevive até os tempos atuais com os mesmos rituais. Pactos de sangue, oferendas ao bode, que é o patrono deles, mantos negros, espadas simbólicas, pastas pretas secretas, livros de regras que funcionam como bíblia, hierarquias em que o “líder” deles deve ser tratado como Vossa Excelência...
Se vocês querem saber, até hoje eu não consegui entender muito bem o que realmente acontece nas reuniões dos maçons. Boatos e lendas dizem que os comerciantes se uniram há séculos atrás num pacto com o diabo, por isso devem fazer oferendas ao bode. Tenso isso.
Foi então que comecei a contar a elas lendas das quais elas não faziam ideia, e que eram daqui da região mesmo, como a Rua da Maçonaria em Belém, onde todas as lojas são maçônicas e onde, dizem as más línguas, trota um bode preto depois da meia-noite (até me arrepiei agora).
Contei a elas da época em que o Jarí era só uma vila extrativista da borracha e do garimpo (eu não sou tão velho assim, ta? Eu li tudo isso num livro da História do Amapá!), do Mapinguari que assombrava as matas sombrias e quentes ao longo do rio Jarí (pra quem não sabe, o Mapinguari é um macaco imenso de dois metros de altura que fede a morte, é peludo e negro como a noite, tem os pés tortos, a boca na barriga e solta um grito horrendo quando sai da mata, capaz de arrepiar todos os pelos do corpo, até de onde não tem. Conta-se que ele fez uma visita ao Jarí na época em que este era só uma vila, fazendo o percurso da rua principal inteira gritando. Quem já ouviu o grito do Mapinguari diz que é a coisa mais feia que um homem pode ouvir enquanto vive, capaz de deixar até uma pessoa louca. Tenso isso. Yara se tremeu todinha e disse que nunca mais vai ver a corrida até a padaria na Tancredo Neves como um simples passeio matinal).
E então, por sua vez, Camilla contou a mim duas histórias macabras que vou fazer questão de contar pra vocês agora mesmo, em todos os detalhes!
A primeira história se passa na infância delas, quando ela e Yara ainda eram pequenas e moravam num casarão construído bem ali na beira, bem de frente para o rio, numa casa de altos e baixos construída posteriormente pelo pai das duas, que após receber muitos avisos da vizinhança sobre a casa ser assombrada (contava-se que antes, ali morava velha macumbeira que matou seu filho e escondeu-o debaixo da palafita), decidiu comprar o terreno mesmo assim. Numa noite solitária, com o pai pro trabalho e a mãe para a faculdade, as garotas e o avô brincavam de bole-bole (brincadeira regional que consiste em colocar várias pedrinhas da beira do rio nas mãos em concha e jogá-las para cima, e em seguida, formar concha com as costas das mãos rapidamente, para que as pedrinhas caiam de volta sem cair no chão; ganha quem aparar mais pedrinhas), e assim ficaram até tarde da noite, pra lá das dez.
Todos dormiam numa cama só enrolados em lençóis, porque a casa era muito grande e sombria e ninguém tinha coragem de dormir num quarto sozinho. Nesta noite não foi diferente. Porém, esta mesma noite teve algo de muito, muito diferente. Coisas macabras acontecem nesta nossa região cheia de lendas, magia e maldição. Cada vilarejo tem a sua história. Cada mata tem seu pai. Cada rio tem a sua mãe. E cada pedra tem seu dono. E o dono das pedras do rio atende pelo nome de Boto, que vira homem em noite de lua cheia, e que não gosta que usem seus tesouros como brinquedo.
Então, da direção do rio vieram as pedras na parede. Pedrinhas batendo contra a parede no escuro. Se espalhando no chão. Sons fantasmagóricos para quem tem a certeza de que não há ninguém em casa além dele próprio. A própria Yara disse que sentiu algumas das pedras atingirem os seus pés após mais uma jogada da força invisível que agia naquele quarto. E detalhe: tudo acontecendo da direção do rio. Pedrinhas se espalhando no pátio. Pedrinhas se espalhando no chão do quarto. Crianças tremendo nas camas. Escuridão e frio. Medo.
Camilla diz que nunca irá se esquecer daquela noite em que ficou fria feito pedra, suando feito uma porca e tremendo feito vara verde. Ela viu as pedras se mexendo sozinhas, e tem certeza do que viu. Ligou-se a luz e todos foram ver do que aquilo se tratava. E para surpresa de todos não havia nada, absolutamente nada. Tudo estava vazio. A passarela lá fora estava deserta. E a casa bem trancada. Sinistro...
O outro conto de Camilla é bem mais sério do que este, e me deixou realmente inspirado para escrever um conto de terror que se passa na Amazônia, porque este foi muito bizarro, inacreditável e apavorante. O jeito com que ela contou o fato só fez ficar mais atraente e cheio de suspense.
A família dela toda é de Gurupá, no Pará, e lá eles moraram durante anos antes de virem morar no Jarí, há seis anos atrás. Todo mundo aqui sabe que interior+ cidadezinha+ vila+ mata+beira de rio é sinal de encantaria e mistério. O que aconteceu foi o seguinte: o avô das meninas é dono de uma fábrica de palmito lá desse interior, e a fábrica fica justamente na beira do rio. O barulho que as máquinas de tratamento do palmito fazem é insuportável, não sei se vocês sabem, mas a barulheira é infernal, pois há todo um processo desde a extração do tronco da palmeira até o corte e a fermentação do produto, e isso dá um trabalho danado, que é igual a barulho intenso.
Eis que houve uma festa naquela localidade, e segundo contam, em meio à bebida e à música e à diversão, desce a entidade numa mulher. O espírito parou a festa e disse a todos que se tratava de uma entidade do rio, o temido Boto, e seu aviso foi bem claro: acabem com a fábrica, parem o barulho das máquinas, cessem com a bagunça! O motivo? Segundo a entidade, a casa principal da fábrica havia sido construída bem em cima de um buraco no barranco, e este tal buraco era a casa de uma família de Botos que estava muito furiosa por causa do barulho que não os deixava em paz de dia, quando era hora de dormir, e a ameaça foi feita: acabem com a perturbação ou a fábrica ia pro fundo.
No início todos riram, achando que se tratava de uma brincadeira, que a mulher estava bêbada, e após o primeiro deboche, o avô das meninas pediu a entidade que desse uma prova de que era realmente o Boto, dono do rio, senhor da metamorfose, macabro ser das águas. E o Boto deu sua prova. Contou ao homem reservadamente uma coisa que só ele sabia, uma coisa que nem a mulher, nem a mãe nem os melhores amigos sabiam. De todos era o segredo mais íntimo e feio. O dono da fábrica viu que a coisa era muito séria, e na manhã seguinte pediu que mergulhassem e olhassem debaixo da palafita.
Pasmem: havia uma boca enorme, praticamente um poço lá embaixo, um buraco escuro e macabro. Quem mergulhou disse que por mais longa que fosse a pernamanca, e por mais comprido que fosse o arame, era impossível de se encontrar o fundo daquela fossa. Camilla diz que o buraco maligno está lá até hoje, e que é possível muito bem ver a sua entrada quando a maré seca...
Fico aqui imaginando, o barulho gorgolejante da água entrando naquela fossa dos infernos, do vento frio que sopra de lá de dentro, do negrume que é a sua boca maligna, e dos seres místicos que o chamam de lar...
Nosso mundo é estranho.
Nosso mundo é bizarro.
E Deus queira que eu jamais tope com uma coisa dessas na minha vida.
Prefiro escrever sobre elas ;p~

Beijos fantasmagóricos de
Antonio Fernandes.

domingo, 11 de outubro de 2009

oooh@!

Ora, enfim alguém lê essa porra!
Ontem haviam sete visitas, todas minhas
E agora jah tem 16!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Draconius Nefastus - Primeira Parte.

Christopher Umbrella,
Ex-Repórter e Antropólogo da Universidade Real Franco-Italiana em 15 de Novembro de 1996.

O nosso mundo é estranho, o nosso mundo é bizarro, o nosso mundo é cruel, o nosso mundo é macabro, mas de todas as visões infernais que já tive, aquela visão foi a pior. Eu e minha equipe presenciamos coisas horrendas, dignas de um filme de terror dos mais mórbidos e repulsivos de todos os tempos, bem do tipo que arqueóloga e ufóloga Ray Ann aprecia, estivemos na presença do mal e de suas raízes, sob as asas malignas e putrefatas do asco, sob a foice certeira da morte, da qual por pouco escapamos. O que será relatado a seguir jamais deverá sair destas linhas, é um segredo entre mim e você, um segredo que deve ser guardado a sete chaves, pois o mundo jamais estará preparado para tanta estranheza e deformidade.
Há lugares em nosso mundo em que o mal é cultuado e alimentado fartamente por mentes vazias e hipnotizadas pelo medo. Templos antigos astecas e maias se erguem aos céus, mais altos do que qualquer outra pirâmide que já tenha sido construída pelo povo antigo que habitou as mesmas terras que tu pisas. Estátuas colossais que têm as mãos em chamas clamam pelo mal alado que grita agarrado ao tronco da árvore-mãe. A floresta tropical cerca este lugar, e esconde do mundo todo o horror que, em nome de Deus e de todas as Santidades, deve sempre ficar escondido para nunca ser visto por outros fracos e covardes olhos humanos...
Eu era jovem, e inexperiente, um repórter da década de 20, revolução industrial, a chegada tímida do cinema e da automobilística badalava Nova Iorque e a moda regia os costumes da época. O rádio estava em alta e a tevê ainda nem tinha chegado. Pelos trilhos do bondinho, aquela moça corria desesperada com um embrulho em mãos, e maldita seja a hora em que Fábia Paola, a paleontóloga estudiosa, cruzou o meu caminho naquela manhã de primavera cercada pelas abelhas e pelas borboletas que voejavam e zuniam nas avenidas floridas de Little Italy, Nova Iorque. O melão cheirava na venda da esquina, e uma música suave tocava no rádio, eu acabara de sair de um beco onde morava, escondida, velho amigo meu, e com ela topei, esbaforida, correndo pelos trilhos do bondinho.
Assim que aqueles homens mal-encarados e tão negros quanto a noite me viram, estancaram e correram na direção oposta. Sem motivo algum aparente, pois um golpe de qualquer um deles havia de ter me derrubado em dois tempos.
Naquele momento eu não a conhecia, mas seu rosto oriental carregado de desespero me comoveu imediatamente, pois ela era tão pequena e rechonchudinha que inspirava cuidados ao primeiro que a visse. Ofereci a ela minha companhia e a levei até a pizzaria mais próxima onde ela disse seu nome e sua profissão. Após muitas fatias de pizza, fiquei por demasiado curioso para aguentar aquele suspense todo, por isto finalmente tomei as rédeas da conversa e perguntei a ela o porque da fuga desabalada e atrapalhada pelos trilhos do bondinho. Fábia Paola engasgou na hora com o peperoni e eu tive de dar dois ou três tapinhas nas suas costas. Meu Deus, e como os seios dela eram grandes! Nunca havia visto nada igual em minha vida!
Ela finalmente puxou o embrulho que esteve em seu colo o tempo todo e revelou a mim o que havia naquele velho pacote de papel de padaria. Havia a estatueta do que a primeira vista me pareceu um grande e horrendo morcego, de modo que quase pedi à boa dama que o guardasse de volta antes que alguém que ali estava almoçando cuspisse a comida mal-digerida no prato, mas em uma segunda olhada percebi que a coisa tinha rosto humano e dentes encavalados macabros, e o que parecia a asa na verdade não era uma asa, e sim uma membrana que ligava seu dedo mindinho ao dedinho do pé, esticada de modo a parecer um daqueles estranhos esquilos das distantes ilhas da Oceania.
Era uma visão dos infernos, pois além disso tudo, havia um vácuo maligno entre uma nádega e a outra, além de um rosto puramente humano, de olhinhos apertados. O cabelo do ícone era feito de cabelo verdadeiro, o que me fez imaginar de que gruta fétida e cheia de corpos decomposto aquilo havia vindo. Parecia mais uma boneca vudu do que um ícone de barro. Foi então que ela revelou-me que aquilo na verdade não era uma estatueta como eu afinal havia chegado a pensar, mas sim um exemplar morto da estranha criatura que crescia por estaquia como as plantas!
Aquilo me repugnou por completo e eu pedi a ela que guardasse antes que eu fosse expulso do restaurante italiano por causa de atitudes “indigestas”, mas logo comecei a achar que a pobre Fábia Paola na verdade era uma jovem mulher louca que estava apegada a algo criado pela sua própria cabeça. Eu a orientei que voltasse para casa antes que fosse muito tarde para uma dama andar por aí sozinha, e então ela caiu em prantos, clamando pela minha ajuda nesta sua empreitada maluca e sem fundamento algum senão lendas caboclas e haitianas do arquipélago do Caribe.
Ela contou-me sobre selvas virgens nunca antes tocadas pelo homem, contou-me sobre céus tão azuis e cristalinos quanto o mar, contou-me de criaturas apavorantes, hediondas, carnívoras, assassinas, e criaturas meigas, dóceis, felpudas, esplendidas e divinas que ali habitavam. Contou-me sobre tribos indígenas que cultuavam feras da floresta, contou-me sobre pirâmides construídas no tempo antes do tempo e contou-me sobre portas para outros mundos. Eu gargalhei dentro do restaurante, e por isso nos botaram para fora, e a moça assim me seguiu. No caminho, tive a ideia brilhante de apresentá-la ao meu velho amigo que havia ido visitar naquela manhã em Little Italy, seu nome era Pietro Heinrich, e na época tinha um nome de peso no ramo do cinema e do teatro, sendo responsável pela maior parte das grandes produções atuais e por roteiros impecáveis de Hollywood. Vi naquela paleontóloga maluca um roteiro incrível que eu mesmo poderia escrever e editar para o cinema, e com certeza Pietro iria adora toda aquela história de selvas malditas e feras horrendas, seria um clássico instantâneo! Uma febre nas telas! Contei à ela sobre este meu plano e disse-lhe que meu amigo era de muita confiança, mas a mulher ficou enfurecida de uma forma tão violenta que explodiu em gritos e berros em sua defesa e defesa da sua sanidade em plena rua movimentada, o que não ajudou muito da parte da sanidade.
Disse a ela que minhas intenções eram as melhores e disse a ela que poderia lhe oferecer toda a ajuda possível se por acaso não estivesse interessada em vender sua incrível história para o mundo de glamour de Hollywood, mas ela negou tudo por completo e xingou feito um marinheiro, dizendo que nada daquilo era brincadeira e que devia ser levado urgentemente a sério porque todos nós corríamos perigo se por um acaso o relato da existência daquele lugar chegasse aos ouvidos errados, e eu estava começando a ficar seriamente preocupado com o estado mental da moça, o que me fez pensar seriamente em levá-la a força a um psiquiatra, o mais rápido possível, antes que ela começasse a revirar o lixo em busca das suas feras amazônicas infernais. Ela estava se mostrando realmente louca com toda aquela estória, e não parecia estar brincando em nenhuma palavra que dizia, parecia muito preocupada e afligida por seus temores, em desespero total, sem casa, sem comida, sem ninguém, perdida no mundo, estava sendo caçada por capangas de gente poderosa de todo canto do planeta, pois todos eles estavam interessados na sua selva secreta, oculta por um véu místico. Ela disse tratar-se de uma cidade sagrada oculta por neblina bem no meio de um mar de águas turvas, disse haver um templo tão grande e tão imponente que meteria medo até no mais valente dos homens, e toda aquela loucura estava me irritando por completa, já não sabia mais o que fazer quando topamos com Heinrich, que ouviu a estória sem pé nem cabeça de Fábia Paola sem sequer piscar.
Foi por um acaso (e por má sorte provida dos meus problemas cármicos da roda de samsara), que Pietro conhecia a existência deste lugar, pela metade, e sabia que lá era o lar de uma criatura única no mundo todo, os olhos dele cintilaram feito duas ônix e ele ficou tão empolgado e louco quanto a paleontóloga (seu maior sonho era filmar a criatura em ação e provar a existência da mesma em um filme único no mundo todo). Esta mostrou a ele a estátua e contou a ele coisas estranhas e desconexas que eu me recuso a escrever por falta de tempo e por já me pesarem os olhos. O fato era: eu estava duplamente perdido na mão daqueles dois malucos que acreditavam piamente na existência de uma terra desconhecida cujos frutos poderiam causar a destruição da pobre e fraca raça humana se por um acaso fosse invadida por pessoas de coração ambicioso e mal-intencionado. Não acreditei quando me vi diante do prédio antigo em que morava minha prima Ray Ann, a ufóloga-arqueóloga e o seu irmão Don Hills, que era o chefe culto da dita-cuja e sem quem ela não era capaz de dar um passo sequer. Os dois ouviram a estória muito interessados e relataram saber também sobre algo mistamente parecido, que chegou aos seus ouvidos num boca-a-boca que deturpou por completo a história.
Eu continuava não acreditando em nada daquilo, parecia que o mundo ao meu redor estava enlouquecendo! Digo, Ray Ann já não era lá muito boa das suas ideias com aquela estória de extraterrestres e galáxias distantes, mas Don Hills era homem sábio, gentil, rico e muito espirituoso, cheio de presença e inteligência, como ele podia estar se deixando levar pelas estórias contadas por aqueles três? Sim, Ray Ann agora estava contando a sua versão do fato, de que modo a estória havia chegado aos seus ouvidos. Eis que eu, já revoltado com tudo aquilo, levantei-me derrubando uma cadeira sem querer, e perguntei a eles o motivo de não terem me contado sobre o que sabiam antes, pois até o presente momento eu não fazia ideia que esses boatos corriam soltos pelas periferias feito água clandestina tirada dos canos da prefeitura, e era um ignorante perante a situação, de modo que me senti injustiçado, pois era repórter na época. Eles disseram que também estavam muito surpresos de eu não saber algo sobre isso, pois do jeito que sou abelhudo e bisbilhoteiro, já deveria ter escutado algo semelhante antes, e disseram também que estavam tão surpresos quanto eu em saber que outras pessoas de classe mais alta, além deles, sabiam.
Ray Ann até contou-me sobre os artefatos como o que Fábia Paola tinha em mãos naquele momento, estarem sendo vendidos em cabanas de mãe-de-santo na indonésia e no haiti, aquilo era realmente bem maior do que eu imaginava, e tornou-se tão grande a ponto de me ver após três dias, parado diante de uma embarcação, com toda a minha bagagem ao lado, na companhia de Fábia Paola, Pietro Heinrich, Ray Ann e Don Hills. O barco sairia à meia-noite, e exatamente àquela hora eu ouvia o pio agourento de uma ave noturna nas redondezas do porto de Nova-Iorque. Não que eu fosse supersticioso. Mas a coruja me estava avisando. Da desgraça que viria a seguir. E do que meus olhos, pobres olhos, testemunhariam naquela mata sórdida e macabra.

Fim da Primeira Parte!

Prévia - O Grito da Mortalha


E mais uma vez, eu e meu querido Apocalipse Club estávamos perturbando a aula de mais um pobre professor... Entendam professores, não fazemos isso porque queremos ou odiamos a vocês, fazemos isso porque simplesmente temos muito o que conversar, e muita imaginação também, como irá provar o próximo conto que será postado neste presente blog...
O conto envolve mistério, horror e viajens a terras desconhecidas, se passa na década de 20 e é narrado como fosse relato de um antropólogo chamado Christopher Umbrella, meu alter-ego. Ele já está morto hoje em dia, mas seus manuscritos da viagem macabra e fantástica aos confins da terra foi recentemente encontrado, e aqui vou postar cada um deles.
Na época ele era um jovem repórter que vagava pelos becos de Little Italy, Nova Iorque, em busca de furos para um jornalzinho mixuruca, mas ao encontrar-se com a estranha Fábia Paola, paleontóloga, que fugia desesperada de uma gangue inteira de homens latinos muito mal-encarados, vê seu mundo transformado ao bater com os olhos na estatueta guardada entre seus seios, envolvida num misterioso embrulho surrado... Assim começa a nossa história.
Prepare-se para selvas verdes e asquerosas sem saída
Prepare-se para pirâmides de povos mais antigos que o tempo
Prepare-se para cidades amaldiçoadas perdidas
Prepare-se para nativos sedentos de sangue em nome de seu deus.
Prepare-se para seres das sombras...
Prepare-se para...


Draconius Nefastus!


[acabeidiiventarotituloobjs!]

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Contos de Fadas - Volume 4 - O Menino que Acreditou no Amor.



O Menino que Acreditou no Amor.



Que é o amor? Você sabe me dizer? Você já o encontrou face-a-face? Você já o sentiu de verdade mutuamente e pôde dizer, afinal, que estava apaixonado? Você acredita que ele realmente existe?
Que? Que é o amor?
Ninguém sabe ao certo a resposta, porque cada ser vivente no planeta é capaz de senti-lo de formas diferentes, e cada qual tem a sua definição própria e pessoal do que seria essa força arrebatadora que nos envolve num abraço mortal e não nos deixa respirar direito, nem dormir direito, nem comer direito, porque os braços da sua vontade de viver estão atados pela sutil imagem do objeto do desejo. Para uns o amor é doce feito algodão-doce, e que felicidade é vivê-lo! Mas para outros é como virar goela abaixo uma garrafa de absinto e água sanitária, pois estes nunca têm sorte, por mais que procurem em todos os lugares o tal do amor, nunca sabem dizer o que ele é, e nem se o encontraram.
A nossa história fala justamente sobre isso. Sobre um garotinho muito sozinho, que morava pra lá do bosque das macieiras, e que vivia livre e solto vivendo a sua vida e usando a sua capinha lilás favorita, mordendo uma maçã e outra, tendo aulas incríveis com os melhores professores da floresta. Rodeado de amigos maravilhosos, animaizinhos da floresta.
Nosso garotinho não era, nem nunca foi, lá o que podemos chamar de sortudo, sua sorte era muito razoável e metafórica, pois vez ou outra ele achava um cantinho mais aconchegante para dormir ou encontrava no meio do seu caminho, saltitando, uma fruta mais vermelhinha ou mais docinha, felicidades pequenas, pequenininhas que ele sempre levava em consideração, porém, lá no fundo do seu coraçãozinho de brinquedo, onde só Deus podia escutar e mais ninguém, ele se sentia insatisfeito com aquela vida, e por mais que se esforçasse, não conseguia, e poderia até admitir para nós, se insistíssemos muito, que ele tinha uma certa mania de grandeza.
Então, num belo dia, nosso pequeno andarilho da floresta topou com uma bela princesa de cabelos escuros que morava no topo de uma árvore, e por ela se apaixonou, e junto os dois construíram uma grande e frondosa amizade inabalável que durou muitos e muitos anos. Este foi o primeiro amor oficial do nosso pequeno andarilho. Assim, em um golpe de sorte, ele se declarou para a pequenina donzela, sem nem gaguejar ou vacilar, declarou-se de todo o coração e demonstrou isso da melhor forma para ela. Mas a pequena dama sentiu-se muito envergonhada com aquilo, e até um pouco incomodada, mas lisonjeada, e assim disse que eles não poderiam ser mais que amigos... Mas só por enquanto.
O pequeno andarilho prosseguiu acreditando no futuro deste amor, que foi alimentado por uma gostosa amizade, mas logo tudo se perdeu, quando a princesinha resolveu partir após encontrar um amor para ela, e assim, o andarilho ficou sozinho na floresta por muito tempo. Após a partida da princesa da árvore, surgiu no bosque das macieiras um tigre enorme, encantador, simpático e amigo de todos, e por ele o pequeno andarilho se apaixonou. O garotinho aproximou-se do tigre e com ele viveu bons momentos ao lado de outras pessoinhas da floresta e outros animaizinhos divertidos, com quem riu, chorou, cantou e brincou muito ao longo de um ano todo.
Seu amor pelo tigre manteve-se segredo por meses a fio, mas ele precisava contar aquilo a alguém, precisava de um melhor amigo a quem confidenciar sua paixão, e ora, vejam só, arranjou dois: a bela cotovia e o rato campestre, que lhe foram parceiros muito fiéis e confiáveis, até o tempo em que as brigas começaram e os três se separaram. Neste meio tempo, a floresta toda havia descoberto sobre o amor secreto do andarilho pelo tigre de bengala, antes muito seu amigo, agora arisco e evasivo por causa dos boatos, e outra vez o pequeno andarilho se viu só, e até mesmo maltratado pelos outros animais e moradores mágicos do bosque, inclusive pelo próprio tigre.
Foi então que nosso pequeno amigo descobriu a paixão que sentia por uma bela boneca de pano que morava numa penteadeira abandonada logo ali na esquina, onde todos os animais mais famosos se encontravam para conversar com ela, que era muito amiga de todos e muito popular em toda a floresta por causa dos seus brilhantes e sedosos cabelos róseos. Mas antes que pudesse ser tarde demais, o pequeno andarilho caiu em si e resolveu ignorar completamente esse amor, chegando a pensar até mesmo que tudo aquilo fora fogo de palha. Na verdade, o que aconteceu foi que ele decidiu se declarar para a boneca de pano, e ela ignorou totalmente essa situação, já que não lhe era nem um pouquinho agradável que um garoto como aquele gostasse dela.
Assim, após meses e meses de primavera, inverno, verão e outono, o pequeno andarilho pôde abrir os seus olhos para a verdade: seu verdadeiro amor sempre fora a cotovia, amiga fiel e com quem tinha muito incomum, quem lhe deu todo o apoio que precisava quando ele mais precisava, quando mais esteve sozinho, precisando de um apoio, precisando de um sorriso, lá estava ela, mesmo que um pouco distante por causa da influência dos outros pássaros enxeridos e invejosos, ela estava presente, e a ela nosso bobo amigo revelou seu amor. E então o ano acabou.
Por durante anos nosso pequeno amigo e a adorável cotovia viveram um romance sem igual, apenas por correspondência, por onde trocavam segredos e carinhos e agradáveis conversas, sem nunca se encontrar, olhar olho no olho, com exceção de uma única vez, em uma missa na floresta, aniversário de uma borboleta. Os dois se encontraram pela primeira vez ali, após longos meses sem se ver, mas não tiveram coragem de trocar um único beijo, porque a cotovia era muito insegura e envergonhada, sem nunca saber o que realmente queria da vida. Acabou que ocorreu uma triste fatalidade, que revelou a ele a verdadeira personalidade daquela cotovia, que afinal de contas não era nadinha da princesa que ele pensava que era, e sim uma mentirosa de mão cheia.
Ela podia até amá-lo e admirá-lo, mas havia um problema: ela tinha vergonha desse amor, vergonha por causa do pequeno andarilho, vergonha dele, pois ele não era muito admirado pelo resto da floresta e era tido como um esquisito que vagava por aí sem rumo apaixonando-se por felinos e etc. Ela mesma sabia disso, pois tinha sido confidente do romance no passado. E após muitos meses de palavras falsas, enquanto ela escondia a sua verdadeira opinião sobre o pequeno andarilho, ele resolveu acabar de uma vez com tudo isso, cortando todos os laços com seu passado...
E então a andarilho mudou-se para outra floresta, onde conheceu novos a agradáveis amigos com quem viveu muitas aventuras maravilhosas e com quem construiu uma amizade muito forte... Mas então eis que surgiu uma estátua, que na verdade não era uma estátua, mas estava viva, tinha a forma humana, sugava sangue e era revestida de uma beleza tão deslumbrante que encantou o pequeno andarilho que imediatamente se viu apaixonado após muitos anos sem um amor sequer. A esta estátua encantadora o andarilho enviou mensagens secretas endereçadas por ninguém, através de uma bela ave-do-paraíso, e pela estátua em forma de homem o andarilho se apaixonou perdidamente.
E então o andarilho percebeu que desta vez era tudo diferente. E então o andarilho disse a si mesmo que aquilo tudo era verdade. E então o andarilho estava dando a última chance de o amor acontecer na sua vida. Mas não aconteceu. Porque a estátua já tinha o seu amor, nas terras distantes das ilhas de onde ela viera. E assim o mundo do pequeno andarilho caiu mais uma vez. E desta vez caiu junto com ele em si. Ele finalmente pôde perceber que essa coisa chamada amor nunca existiu. É tudo imaginação. Tudo coisa da cabeça da gente. Coisa a gente mesmo cria. Mesmo que a gente procure debaixo de todas as pedras, no ramo de cada árvore, em cada arbusto, em cada poça d’água, ou mesmo no oceano todo, nós nunca iremos o encontrar, porque o amor não existe.
E assim o andarilho decidiu seguir. Sem amor algum. Porque ele percebeu que o amor só funcionava para os outros. E que havia uma exceção naquela estória de Deus não ter feito nenhum ser sem o seu par. E esta exceção era ele...

Contos de Fadas - Volume 3 - Cabelinho de Tala.


Cabelinho de Tala.

Cabelo de Tala era uma menininha muito abusada, de cabelo esticado e nariz de porco que vivia a saltitar por aí, alegre, sendo tão fútil quanto um furão e tão útil quanto um par de sapato com três pés. Cabelo de Tala nunca falava de nada que realmente fosse aproveitável, para ela o mais importante eram as festas do reino e os amigos famosos de outros mundos e outras terras que ela vivia a conhecer e a bajular a todo o momento. Sua vida era se gabar das suas amizades e das suas posses, adorava cantar de galo em todo lugar.
“Conhece a Vivi? Prima da Lili? Vizinha da Didi? Miguxa da Mimi? Enteada da Zizi? Irmã da Sisi? Cunhada da Bibi? Pois é, amiga, somos ‘miguxinhas’ agora e nos damos superbem”. Na maioria das vezes isso tudo era mentira, na maioria das vezes ela só dizia um “oi” pra pessoa e já se achava na maior intimidade. Ou, quando não, sentava do lado de um desafortunado qualquer e punha-se a gemer feito uma vitrola, falando dos assuntos mais fúteis e imbecis que um ser humano poderia falar, tudo só para aparecer, o que ela queria mesmo era ser famosa.
Mas ela nunca, nunca, nunca se tocava de que era uma menina intragável, sonsa, inútil e burra com seu cabelinho esticado, qualquer coisa era motivo para ela contar vantagem, e ela nunca se dava por satisfeita, era abusada sempre que lhe davam mais confiança do que deviam, e logo se achava no direito de tomar certas liberdades com gente que não era pro bico dela.
Certa vez, chegou à vizinhança da vila um rapaz de belo porte que ela logo tratou de fazer amizade, para posar de amiga ao lado dele e se aproveitar da situação para se exibir cada vez mais. O garoto mal chegou e foi completamente rodeado de todo o tipo de gente fútil e vazia que nem ela, tipo gente que tira foto beijando latinhas de coca-cola e coisas parecida, mas este rapaz com certeza é dono de valores muito mais estimáveis que estes, milhões e trilhões de vezes, por isso tratou de ignorar toda essa gentalha estúpida que estava se aglomerando ao seu redor.
Mas, Cabelinho de Tala, tão boba e vazia não desistiu, e continuou a perturbar o pobre rapaz com o seu nariz suíno e seu cabelo esticado. Cabelinho de Tala era realmente uma garota insuportável. Então, quando ela começou a tomar mais liberdades do que devia e resolveu sair por aí dizendo que o rapaz estava lhe fazendo a corte e que estava muito interessada em ficar com ele, um gênio das pernas finas que usava um sapatinho marrom tão pontiagudo que podia dar a volta ao mundo e tinha os dentes todos pra fora da boca surgiu. Ele enfiou Cabelinho dentro de um pote de azeite de bacalhau, embalou bem e mandou para a Antártida, onde até hoje Cabelinho de Tala vive, tendo conversas fúteis e inúteis com os pinguins, que já não aguentam mais ela e estão fazendo uma vaquinha para mandá-la de volta.
Espero que ela fique por lá durante um bom tempo ;D~

Contos de Fadas - Volume 2 - A Princesa Triste.

A Princesa Triste.

Era uma vez uma princesa triste que vivia num castelo triste numa cidade triste num país triste num mundo bem triste. E por mais que a pobre princesa se esforçasse para ser feliz, ela não conseguia, porque lhe causava muita tristeza tentar ser feliz, pois assim ela percebia o quanto sua existência era frívola e vazia.
Então a princesa triste casou-se com um príncipe tão triste quanto ela, e os dois viveram tristes para sempre, no mundo triste, no país triste, na cidade triste, no castelo triste. A princesa se arrependeu amargamente durante toda a sua existência. Por acreditar em contos de fadas. Porque ela finalmente descobriu a verdade: contos de fadas não existem.

Estreia: Contos de Fadas

Oi gente! Bem, estou aqui para comunicar a estreia de uma nova sessão em The Fatcat House, a sessão de contos de fadas, para divertir aqueles leitores mais românticos e sonhadores. Porém, meus caros, os contos de fadas nem sempre têm finais felizes, como vocês bem sabem, além do que, todos os que serão postados aqui posteriormente foram escritos por mim. Sim! Eu também sou criador de folclore!
Ah, aí embaixo vocês têm o meu conto de estreia: A Princesa Obesa. Conta a história da feliz princesa Turmalina do deserto. Espero que gostem dos meus contos! =)

Contos de Fadas - Volume 1 - A Princesa Obesa!

A Princesa Obesa.

Era uma vez uma princesa tão gorda, mas tão gorda que tinha de calçar sapatos feitos de lona de circo tamanho 46, e tinha de usar vestidos feitos de lonas de circo tamanho 90, e ao se locomover parecia mais uma montanha caminhando, era a maior mulher existente em todo o mundo, e era a netinha adorada de um sultão muito poderoso e diabólico. A princesa gorda vivia muito bem enfeitada, cheia de maquiagem que a deixava branca como a neve, de batom que deixavam seus lábios vermelhos como a romã e brincos argolados tão grandes e tão reluzentes que pareciam estrelas. O véu que ela usava era o véu mais lindo de todos, e os vestidos que ela usava eram os vestidos mais lindos de todos, feitos sobre medida para ela por estilistas de cada canto do planeta trabalhando em conjunto numa só peça. Ela sempre estava muito elegante, não importava a situação, nunca tinha vergonha de sair na rua e mostrar todo aquele corpanzil gigantesco sempre enfeitado com penas, pedras preciosas, plumas e flores.
Para alimentá-la, era necessário dez carroças transbordando de comida e quase uma plantação inteira de laranjas para fazer o seu suquinho predileto. A Princesa Obesa era a jovem mais amável e simpática de todo o mundo, e nunca se cansava de contar belas estórias para as crianças pobres do reino, e nunca faltava nas suas aulas de dança, que causavam terremotos arrasadores por toda a cordilheira e tempestades de areia que duravam uma semana em todo o deserto. Os feirantes davam vivas com a sua chegada, pois ela não deixava uma banana no cacho, e o sultão com seu turbante enorme sempre satisfazia todos os caprichos de Turmalina (esse era o nome da princesa).
A cada dia que passava ela ficava maior e maior, tão grande, mas tão grande que foi necessário a construção de um palácio especial só para ela, um palácio gigantesco bem no centro da cidade, e quando digo gigantesco, não estou brincando, era maior que toda a sua cidade junta, porque era infinito e fora construído com a ajuda de um gênio muito poderoso. A princesa Turmalina vivia sentada em seu trono de rubi, rodeada dos mais belos e musculosos rapazes do reino, sempre muito bem servida das iguarias mais raras e suculentas do mundo. Ela vivia num salão enorme todo feito de ouro e enfeitado com as mais raras plantas e espécies de animais, com grossas cortinas de veludo e pesados lustres de diamantes, sua vida era um luxo só e ela sequer se importava se estava ficando maior a cada dia.
Só que houve uma seca devastadora, e uma tempestade de areia que durou seis meses, e isso parou toda a rota comercial, o que impediu a chegada de comida vinda da cordilheira ou do deserto, porque terremotos horríveis estavam sacudindo a terra e só aumentavam cada vez mais e mais. As casas já estavam desabando e pesados cubos de neve já vinham descendo a montanha, Turmalina estava ficando louca porque não tinha comida, e já havia devorado dois de seus servos, o que estava deixando o sultanato cada vez mais alarmado com a situação. Eles adoravam a jovem Turmalina e a sua beleza gigantesca e extraordinariamente gorda, mas e se por um acaso ela resolvesse devorar o reino inteiro se a tempestade de areia não parasse?
Os súditos do sultão se juntaram para construir o maior ventilador já construído de todos os tempos, e ao ligá-lo em uma das tomadas do imenso castelo de Turmalina, toda a areia vermelha foi soprada para longe. E quando finalmente a poeira baixou, eles descobriram o motivo de tanto sacolejo nas terras secas e calorentas do deserto: um gigante azul estava à caminho da cidade, e podia ser visto a muitos e muitos quilômetros de distância. Os merceeiros e os mercenários trataram de montar os seus dromedários e ir ter com o gigante azul com orelhas de cabra, e ao retornar da aventura, os viajantes trouxeram um boato que deixou todo mundo muito feliz, o reino todo ficou em festa!
O tal do gigante azul vinha para desposar Turmalina! Sim, ele iria tomar a imensa neta do Sultão como esposa! Não era maravilhoso?! Eis que foi preparada uma festa, a festa mais luxuosa já vista em todo o deserto, e houve muitos comes e bebes, havia tanta comida, tanta comida, que nem Turmalina iria aguentar enfiar tudo goela abaixo, com meia mesa ela já encheria toda aquela sua pança enorme! Tinha comida até no teto, comida parecida com a nossa e comida que só existe no mundo deles. Tinha encantador de dragão e encantador de serpente, tinha dançarina do ventre e pavão, animais exóticos do nosso mundo e do mundo deles, cuspidores de fogo e engolidores de espada, monges que flutuavam só com o poder da mente e homens que dormiam em camas de prego.
Havia uma mulher de duas cabeças e quatro braços, havia um homem com cara de cachorro que latia de verdade e um gigante com cabeça de elefante, uma família de gente branca feito raposas e de olhos vermelhos, havia macacos e aves raras, e além disso, o rio que cortava a cidade havia sido totalmente drenado, em seu lugar agora corria um rio de vinho borbulhante!
Quando o gigante azul chegou à cidade foi a maior festa, e quando ele tomou Turmalina pelos braços, toda a cordilheira tremeu, e quando os dois se beijaram, todas as dunas do deserto mudaram de lugar, e quando eles finalmente se casaram e foram ter sua noite de núpcias lá pras bandas das montanhas, várias estrelas caíram do céu por causa dos estrondos que os dois faziam. Houve até gente que disse que o mundo ia acabar naquela noite, mas nem acabou, e assim, Turmalina e seu gigante azul querido partiram para o vasto mundo, devorando a maioria das coisas que encontravam pelo caminho, mas só o que não causava indigestão no “frágil” estômago da pequena Turmalina.

sábado, 26 de setembro de 2009

Alice In Wonderland By Tim Burton! *-*

Olha só, eu duvido que você ainda não tenha ouvido falar da mais nova empreitada do mestre do cinema bizarro Tim Burton? Dou uma pista: meu conto de fadas favorito. Sim, Tim Burton está dirigindo a versão live-action de Alice no País das Maravilhas, e eu estou contando os dias para a estreia no ano que vem. Alice estará um pouco mais crescida, com 17 anos, e após receber um pedido de casamento inesperado, ela fica meio perturbada e acaba topando mais uma vez com o seu velho amigo coelho branco, do qual ela mal lembrava. E assim, mais uma vez Alice vai parar no louco, bizarro e cruel País das Maravilhas, sem sequer se lembrar de que já esteve lá antes. Ai, que emoção. O meu diretor de cinema favorito dirigindo o meu conto de fadas favorito do meu jeito favorito... Olha só o que eu encontrei fuçando no omelete: algumas declarações que o Tim Burton deu na comic-con!
"Tim Burton falou pela primeira vez em um painel na Comic-Con, mas contou que já tinha ido ao evento há muitos anos, quando ainda era um estudante. Sobre Alice, livro que ele leu quando tinha uns 8, 10 anos, veja abaixo o que ele falou de mais importante:
O livro trazia muita informação, não só a história, mas músicas e outras coisas que me despertavam um interesse grande, e nenhuma versão filmada até agora tinha um apelo para mim;
Emocionalmente, aquela história de uma menina andando de um lado para o outro encontrando personagens malucos nunca me fisgou. Foi isso que me levou a pensar numa forma de mostrar a estranheza de todos esses personagens em algo conectado... criar uma história onde antes havia uma série de acontecimentos;
Toda criança tem seus problemas, suas fantasias e suas jornadas, como vimos em Alice, O Mágico de Oz, etc. Algumas pessoas conseguem crescer e trabalhar normalente, outras fazem terapia, outros fazem filmes.
O Chapeleiro Maluco é um personagem icônico e acho que o que Johnny Depp tentou trazer a esse estranho personagem um tom mais humano dentro do maluco que todo mundo conhecia. Toda vez que trabalhamos juntos, é isso o que ele faz.
Não queria fazer captura de movimento. Não é algo que eu gosto. Acho que se você tem atores, por que não usá-los como eles são em vez de colocar pontos no seu corpo? Sou mais animação normal e o trabalho com atores.
Temos muitas técnicas diferentes de se fazer um filme hoje e eu queria misturá-las para fazer algo novo;
O 3D mudou muito. Antes você ficava com dores de cabeça depois de poucos minutos;
Mas o 3D não é só um chamariz. Ele faz parte da forma que optei na hora de contar a história. Está ali para ajudar;
Não é uma sequência. Tem muitas histórias em Alice. Muitas pessoas podem pegar elementos dali e criar a sua história;
Meu próximo projeto vai ser Dark Shadow, se um dia eu conseguir terminar Alice.
Quando foi perguntado da relação entre Alice e o Chapeleiro Maluco, se seriam amantes, Burton só riu e disse: por favor, ela é apenas uma jovem menina. Talvez um pouco mais velha do que antes, mas mesmo assim é só uma menina.
Sobre a Comic-Con e as pessoas que andam fantasiadas: Adoro ver pessoas fantasiadas. O Halloween é o meu feriado preferido e é ótimo ver que aqui temos um fim de semana extra para exercitar isso. Você aprende mais sobre você mesmo quando está fantasiado como um personagem."
Destaque para a Anne Hathaway que ficou perfeita de Rainha Branca. E é claro, não podemos esquecer da mais que consagrada Helena Boham Carter que fará a Rainha de Copas. Esse filme vai ser o máximo! Quem viu ela em Harry Potter como Belatrix Lestrange sabe do que eu estou falando. Adoro ela, de todas ela é a minha atriz favorita, é mais do que um ícone da interpretação, ela encarna por completo todas as personagens, ela tem uma maneira incrível e só dela, única de interpreta, e ela me deixa fascinado a cada frase dita. Sou seu maior fã, e estou depositando todas as minhas esperanças neste filme, que tenho certeza de que será mais do que fascinante... Maravilhoso!

Letra e Música [2]


That I Would Be Good

Alanis Morissette
Composição: Alanis Morissette
That I would be good even if I did nothing
That I would be good even if I got the thumbs down
That I would be good if I got and stayed sick
That I would be good even if I gained ten pounds
That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clinging
That I would be good even if I lost sanity
That I would be good whether with or without you
essa música é linda. Sem comentários

[ps: não peguei a tradução]

ARGH!


Ai, credo, desceu a pombagira no computador do papai. Será que a pombagira é maníaca por computadores? Hum... faltam mais duas postagens pra eu completar vinte! Rayanne, eu mereço um troféu!
Ai, credo, eu tenho medo dessas coisas. Acho que vou sonhar hoje!

Hum...


Poxa, eu tinha feito um texto bacana lá em casa...
Mas esqueci de colocar no pen drive antes de viajar!

Quem Fez Isso?


A Britney encarnou a Dercy nessa foto. Ai, me acudam, não consigo parar de rir!

O que é isso?! [2]


NINGUÉM TE CHAMOU NÃO, MINHA FILHA, SAIA DESTA SALA EM NOME DE JESUS!
by Jailton

O que é isso?!

MAS O QUE É ISSO JÁ?
EU DISSE JESUS CRISTO, NÃO JESUS LUZ!
SANGUE DO SENHOR REPREENDA ISSO!
LEVA ELE DAQUI, MADONNA!

Promessa!

Vou fazer vinte postagens hoje! Em nome de Jesus!


JESUS é meu ídolo e maior inspiração, ele guia o meu caminho e sempre me ajuda quando eu preciso. Quando as coisas não vão bem, é o nome dele que eu chamo, e quando sou agraceado pelo destino, é a ele que eu agradeço, pois é a ele que eu devo tudo. O meu passado. O meu presente e o meu futuro. Jesus merece um espaço no meu blog também!Porque, ao contrário do que a mãe da Bia Ramos pode pensar, eu tenho sim Jesus no meu coração! Até mais do que ela, porque eu sigo um dos principais ensinamentos da Bíblia: Não julgarás o teu irmão!

Nicest Thing - Tradução (Kate Nash) *-*

Coisa Mais Adorável
Tudo que eu sei é que você é tão adorável
Você é a coisa mais adorável que já vi
Eu queria que nós levássemos isso adiante
Ver se podemos ser algo.
Eu queria que eu fosse a sua garota favorita
Eu queria que você pensasse Que eu sou a sua razão de estar no mundo
Eu queria que meu sorriso fosse o seu sorriso favorito
Eu queria que a maneira como eu me visto Fosse o seu estilo favorito
Eu queria que você não conseguisse me entender
Mas sempre quisesse saber como eu sou
Eu queria que você segurasse a minha mão Quando eu estivesse chateada
Eu queria que você nunca esquecesse
O meu olhar quando nos vimos pela primeira vez
Eu queria que tivesse uma marquinha na pele
De que você gostasse secretamente
Porque estaria num lugar escondido onde ninguém poderia ver
Basicamente, eu queria que você me amasse
Eu queria que você precisasse de mim
Eu queria que você entendesse que quando eu pedisse Dois torrões de açúcar, na verdade eu queria três
Eu queria que sem mim o seu coração se partisse
Eu queria que sem mim você passasse toda suas noites acordado
Eu queria que sem mim você não pudesse comer
Eu queria ser a última coisa em que você pensasse antes de dormir
Tudo que eu sei é que você é a coisa mais adorável que eu já vi
Eu queria que nós pudéssemos ser algo

Um Rápido Bate-Boca com B.R.!


Hum... Quero bater o meu recorde de postagens... O que eu faço? Já sei! Vou postar um diálogo entre mim e a B.R.! Sim, a tão famosa B.R.! O fato descrito a seguir ocorreu nessa semana que passou, última de setembro, quando eu e o restante do Apocalipse Club comentávamos sobre como éramos bonitinhos quando éramos crianças...

- Minha mãe me enchia de talco! - disse eu sorridente.

- Ela passava talco nas dobras... - disse B.R. mangando do meu peso enquanto revirava os seus olhinhos miúdos e dava um sorrisinho besta, fingindo que não tinha dito nada, pois aparentemente ela jurava que eu não tinha ouvido.

- Como é B.?! Repete! - disse eu. todo mundo ria. B. viu-se forçada a repetir.

- Ela passava talco nas dobras! - riu-se B.R. com sua voz pequenina quase inaudível.

- Nas dobras do teu cú! - respondi. Bia Albarado caiu na gargalhada e por pouco não conseguiu parar de rir. Os outros a seguiram.

- Só se for no teu de tanto que tu já deu! - retrucou a magrice em pessoa.

- O teu de tanto que o D. te pegou! O pinto dele é torto! - respondi, sem perder as palavras nem por um segundo. B.R. é rápida. O pessoal ria a valer e o Pedro quase virou com a cadeira dele. Foi um riso geral.

- Pior o teu que já nasceu assim! - não falei que ela é rápida? ela não perde uma!

- Cala a boca, B., que tu cresce por ESTAQUIA!

Desta vez foi colossal. O pessoal rachou o bico, e a garota ainda tentou retrucar, mas sem encontrar palavras.

- Corta a B., planta a B. e cresce outra B.! Eu já não aguento uma que é o cão, imagine duas! - finalizei eu, virando o meu rosto. B.R. foi derrotada.

Pra quem não sabe o que é estaquia, é a capacidade que um vegetal tem de enraizar-se na terra após ser cortado e plantado um ramo da planta-mãe em um lugar diferente.

tá legal, isso foi idiota...
[ps: alguns nomes foram modificados para proteger os inocentes, ou seja, EU]