Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

sábado, 23 de julho de 2011

Reboot - Capítulo 1: Despertar


- Iniciar Projeto M3K4-R3

Primeiro vieram as luzes vermelhas girando em trio na escuridão.

E de repente havia muita poeira cobrindo seus olhos. Todo o seu campo de visão estava embaçado. O sistema travou pelo menos sete vezes antes de iniciar por completo, e várias vezes todo o chato processo de leitura de HD e de sistema foi repetido. O excesso de poeira no disco rígido causa esse tipo de coisa. As aranhas já haviam feito várias teias ao seu redor, cobriam-lhe da cabeça aos pés como um véu de noiva. Havia um rato esmagado em sua mão. Um rato morto, ou pelo menos o que restou dele, seus ossos, de talvez 200 anos atrás. Estava tudo tão silencioso que ela podia ouvir plenamente ao ruído mínimo, quase inaudível, de seus pequenos resfriadores internos girando.

Após o software ter completado enfim sua iniciação sem travar outra vez, a checagem interna foi feita. Um mapa preto de linhas azuis se formou diante de seus olhos, no interior da sua retina cibernética, mostrando cada centímetro de seu corpo. Apesar de tanto tempo ter passado, estava tudo em perfeito estado.

Cada vertebra artificial estava no lugar, cada parafuso estava muito bem enroscado, cada engrenagem girava com perfeição agora, desobstruindo sua passagem e soprando a poeira para longe com seu leve movimento. Era difícil se mexer, alguns membros mais distantes demoraram a obedecer ao comando, faltava sincronia neles, e ela não estava com paciência para forçar outra reinicialização. Robôs tem paciência?

De algum modo, Mekare estava a todo o vapor, limpando as faixas grossas de poeira que cobriam seu rosto como uma segunda capinha que jazia por cima da resina perolada que lhe servia de pele. 3 centímetros de espessura mais precisamente. Ela admirou sua mão por um longo tempo, o modo como ela fechava e abria ao seu comando, as articulações elásticas expostas, escuras, entre seus dedos gelados de metal coberto por resina. Ela era realmente feita de resina? Ou era porcelana? Ela era algum tipo de boneca de porcelana?

Mas o que a intrigava acima de tudo era o motivo de seu despertar. Quem a havia ligado? Quem havia apertado o botão vermelho atrás da sua nuca, dando início ao sistema outra vez?

A última lembrança que habitava seu HD quase vazio era um arquivo de vídeo muito antigo, datando de mil anos atrás, demorou um pouco para rodar no player embutido em seu cérebro eletrônico, mas enfim reproduziu. Era ela. Aquela mulher linda de cabelos escuros cacheados, aquela mulher com lábios de mel e hálito de baunilha, os olhos dois diamantes negros de luxúria. Aquela mulher que lhe causava uma estranha pane de processamento de dados no seu sistema interno. O rosto estaria gravado para sempre naquele vídeo em dividido em duas fases: um reproduzia seus tempos áureos de jovialidade e vitalidade, sorrisos, o nome de Mekare sendo pronunciado com tanta doçura e paixão. Beijos humanos quentes em sua pele gelada.

O outro vídeo era triste, escuro, embaçado, mostrava aquela mesma dríade das florestas flutuando num líquido azulado, agora mais parecia uma náiade, dentro de um enorme tanque de vidro. Seu rosto retorcido de dor, cabos conectados a sua coluna vertebral, à sua cabeça, uma máscara de oxigênio lhe cobria a boca e o nariz, proporcionando ar puro naqueles últimos segundos de vida, quando a luz verde no monitor ao lado tornou-se vermelha e o tanque esvaziou. Um som irritante soava baixo, como se alguém houvesse esquecido a porta do carro aberta. Um único tom. O tom da morte. A própria Mekare periciou o corpo com um rápido scanner e um leve toque com a ponta de seus dedos no pulso de carne da humana. Seus sensores nas digitais não captaram batimento cardíaco, e o scanner deu o resultado logo em seguida: falência múltipla dos órgãos.

Outro vídeo em sua database iniciou sozinho ao final daquela lembrança perdida, estava na lista de reprodução do player. Era uma reportagem, gravada do noticiário internacional numa manhã de terça feira, nos últimos anos da raça humana. Havia uma mulher sentada atrás da bancada, aos fundos da imagem, mesclando-se ao azul do plano de fundo, havia imagens do mundo todo sendo repetidas num loop constante. Hospitais lotados, pessoas morrendo, caos nas ruas, destruição nas cidades.

“A situação se agrava nos países de terceiro mundo. O vírus ainda não foi classificado, e nem há esperanças de ser identificado, há uma probabilidade de se tratar de uma nova superbactéria, mas não há nenhum exame que comprove os boatos.”

Outra mulher surgiu no vídeo. Outro jornal, outra emissora, outra gravação.

“A epidemia que devastou metade da população dos países de terceiro mundo atingiu o continente Europeu e Americano muito rapidamente. Há provas de que a primeira morte ocorreu na Índia enquanto outra ocorria simultaneamente no Sri Lanka...”

Os repórteres se alternavam muito rapidamente. Eram excertos de reportagens de ínfimas emissoras diferentes ao redor do mundo. França, Inglaterra, Alemanha, Egito, Grécia, China, Japão, Coréia, Estados Unidos, Brasil, Índia, Oceania. Seguiam um atrás do outro num vídeo de aproximadamente 5 minutos explicando como os cientistas se viram de mãos atadas perante uma epidemia misteriosa que veio do oriente e se alastrou pelo mundo. Isto destruiu grande parte da população mundial em menos de trinta anos, e sequer tinha um nome. Em dez anos menos da metade da população mundial vivia. Grandes valas eram escavadas em campos abertos por máquinas amarelas colossais, os corpos se acumulavam em fileiras de caixões, sacos pretos e panos brancos. Ambulâncias, sirenes altas, viaturas policiais, mães desesperadas segurando seus bebês, crianças sem pais, idosos jogados na calçada.

“O sintoma principal é caracterizado por uma dor incômoda na região abdominal, assemelhando-se às dores de cálculo renal. Nas primeiras semanas os rins atrofiam e há uma retenção elevada de líquido no corpo, e após o acumulo de água no organismo, os órgãos afogam literalmente, e atrofiam um a um até ocorrer falência múltipla...”

“É recomendado que se ferva toda a água para o consumo, humano ou animal, deve-se evitar comer carne de aves ou porcos...”

“O vírus agora também pode ser transmitido pelo contato com indivíduos infectados...”

“Enzima mutante? Superbactéria? Protozoário? A população mundial exige uma resposta!”

“Seria este o fim daquilo que chamamos humanidade?”

E então aquele rosto. O rosto branco, alvo, redondo como a lua. A Criadora em todo o seu esplendor e sensualidade, olhos tristes e amuados, cheios de água pronta para escorrer pela face enluarada.

“Me... Mekare!”

E então o vulto negro, olhos vermelhos no escuro, e tudo apaga.

Estas são as últimas memórias de Mekare.



Acordar mil anos no futuro com certeza deixará seu processador assim, lento, vagaroso, quase parando. Deixará seus sentidos um pouco mais lerdos, seu cerébro eletrônico completamente retardado, de modo que Mekare passou um dia inteiro deitada de lado, entre algo semelhante a uma geladeira e uma bancada de laboratório. O nível de sujeira e poeira acumulada naquele canto escuro do salão circular era absurdo, seus sensores de bactérias estavam em alerta máximo, e seus resfriadores inteiros - os coolers dos computadores da nossa época - estavam girando a toda potência, tentando resfriar uma máquina que funcionava a todo vapor esquentando a temperaturas altíssimas. Isso era causado pela obstrução interna.

Mas por outro lado seus sensores externos estavam funcionando muito bem, os microscópicos fios de fibra óptica reforçada embutida embaixo da sua pele sintética enviavam um scan preciso da temperatura do ambiente, da quantidade de gases naquela atmosfera, os tipos de gases e dos microorganismos catalogados que ali se desenvolviam. Seu "sistema nervoso" estava funcionando muito bem, e seus olhos também. Eles escanearam o ambiente e catalogaram tudo o que o compunha: a circunferência do salão fechado, a distância entre o chão e o teto, os móveis e a quantidade de saídas, possibilidades sendo calculadas numa velocidade incrível pelo seu supercomputador interno.

Aquele era o mesmo salão onde o sistema fora encerrado. Onde Mekare fora desligada - e onde sua criadora morrera - de modo que o tanque cilíndrico de vidro ainda estava ali. Quebrado, mas ainda estava ali, porém o corpo nu da criadora em seus últimos suspiro já não o habitava há muito tempo. Ela morrera, se fora e isso era fato, para onde seu corpo havia sido levado era a questão. O salão circular era composto por uma enorme bancada apoiada à parede, em parte coberta por botões e teclados que eram ligados aos telões nas paredes e em outra repleta de livros, peças eletrônicas e restos robóticos, além de um resquício de química laboratorial em frascos e pequenos fornos e geladeiras criogênicas. Voltada para o Oeste havia uma grande janela esférica que se pronunciava para fora do prédio num esqueleto de ferro de modo que quem a observasse de fora viria aquilo como uma grande bolha de vidro.

Este era o laboratório da criadora.

E Mekare choraria se tivesse lágrimas. Choraria se não fosse totalmente sintética. Até seus sentimentos eram sintéticos. Suas saudades, seu amor, sua nostalgia por algo que não estava mais ali... Algo que não estava mais ali...

ALERTA: UNIDADE DE DISCO MÓVEL EXTERNA NÃO ENCONTRADA - INSIRA O CARTÃO IMEDIATAMENTE.

Aquele aviso insistente piscava no canto da sua visão como seus irritantes ancestrais do falho e arcaico Windows 7, subindo em forma de balõezinhos retangulares no canto da tela. Mekare sabia o que aconteceria se a Unidade de Disco Móvel Externa não fosse encontrada e inserida.

POR FAVOR, INSIRA A UNIDADE DE DISCO MÓVEL EXTERNA IMEDIATAMENTE.

O aviso alternava o tempo inteiro. Se o cartão de memória não fosse inserido o quanto antes, seu sistema seria reiniciado, mas desta vez, definitivamente. Seu programa recomeçaria do zero, seu HD seria formatado. Medidas de segurança tomadas pela Criadora quando a andróide fora construída e programada, para casos emergenciais. Como por exemplo, um sequestro ou um ataque terrorista dos grupos de esquerda, que eram contra o sistema imposto pela ESFERA: o cartão de memória seria removido com uma simples pressão na nuca de Mekare em meio à confusão e várias informações sigilosas como as atividades laboratoriais secretas seriam salvas. Já em posse dos rebeldes o sistema seria reiniciado, e tudo o que restara na memória interna seria apagado. Para sempre.

O cartão de memória continha, em base, toda a "vida" de Mekare. Suas lembranças e seu aprendizado eram gravadas ali, em arquivos de video e em extensões .dll, os plugins que garantiam a sua capacidade de aprender por conta própria mesmo tratando-se de uma máquina. A parte de seu ser que a tornava diferente dos outros robôs havia sido removida da entrada CDM atrás da sua nuca no momento em que ela fora desligada. Quem a havia removido?

Quem a havia arrastado até aquele canto sujo do laboratório? Ela havia sido desligada em frente ao tanque de vidro enquanto observava os sofridos lábios de dor da Criadora pronunciarem seu nome, após o blackout e os dois olhos vermelhos no escuro. Após isso, tudo é grande vazio, nada mais se lembra. Infelizmente, robôs não podem sonhar.


VOCÊ POSSUI 24 HORAS ANTES DA FORMATAÇÃO DE SEGURANÇA.


Levantar-se foi uma tarefa bem difícil. Seus membros estavam completamente descordenados. Suas pernas puseram-se eretas, mas seu tronco permaneceu jogado ao chão, como uma boneca velha, ela ficara com a cabeça entre as pernas encarando a parede. Com a ajuda de seus braços, ela colocou sua coluna em linha reta com o calcanhar, e tudo estava bem até que ela desse um primeiro passo e atravessasse o salão circular correndo para se chocar com a outra parede, o outro lado do balcão, destruindo o painel de controle. Um choque elétrico fortíssimo percorreu todo o seu corpo. A energia ainda passava por ali! Como isso seria possível depois de mil anos? O seu relógio do sistema havia parado de conferir há 800 anos atrás! O gerador ainda estaria funcionando depois de todo esse tempo?

Todas essas preocupações triviais incapazes de serem calculadas por um robô comum foram para o espaço quando ela ergueu seu rosto de porcelana e olhou-se refletida no monitor gigantesco que estava ali diante, embutido na parede. O cristal liquido havia escorrido há muito tempo, mas algo ainda fazia com que o que restara de uma tela LCD refletisse o seu corpo à forte luz do meio dia que vinha do lado de fora. Era a perfeição. Uma Vênus esculpida em titânio, coberta por uma pele falsa dura como pedra, mas lisa e reluzente como pérola. Estava empoeirada e suja, mas continuava bela mesmo assim. Usava um collant preto azulado, e tinha os cabelos sintéticos num loiro-cinzento, cortados na altura do queixo com uma perfeição tremenda. A eternidade cibernética presa no corpo falso de uma adolescente.

Mas então houve aquele momento estranho em que um impulso falso de seu cerébro eletrônico fez suas pernas andarem sozinhas, e ao dar por si, estava correndo a toda velocidade em direção à janela, ao vidro, ao céu pesado e cinzento antinatural causado pelos agentes poluentes de eras inteiras da ação desenfreada do homem - as nuvens pareciam estar perigosamente próximas ao chão - e logo todo o vidro estava estilhaçado e a ferragem da bolha, retorcida.

Seu corpo havia se chocado erroneamente e estava voando entre destroços e lixo preso a um escudo antigravitacional. O escudo antigravitacional onde os carros voadores antes planavam acima dos prédios para descongestionar o trânsito terrestre. Seu corpo flutuou entre a sucata por alguns segundos, chocando-se contra velhos caixotes de ferro, carcaças de robôs e carros, televisores, tablets aos pedaços, aparelhos telefônicos desmontados, peças enormes e minúsculos parafusos soltos no espaço. Fora de controle, ela atingiu o limite inferior da atmosfera antigravitacional de seis metros e ao dar por si, estava caindo, caindo e caindo em direção ao solo, tudo passava muito rápido, tudo aconteceu muito rápido, e como um meteoro, ela atingiu a crosta espessa do que a humanidade havia deixado para trás.




Continua...



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cale a boca e escute: AUSTRA


Sabe aquela banda que é tão underground, mas tão underground que sequer tem letra no vagalume? Pois então, estamos falando de Austra! É óbvio que você nunca ouviu falar, talvez nunca escute - pelo menos aqui no Brasil, onde o gosto musical da grande massa é um tanto duvidoso - mas se você bandear para o lado cult (lê-se indie) da força, você com certeza vai ouvir a voz de Katie Stelmanis vibrando em seu ouvido como um anjo.

Isto ocorre porque a danada começou sua carreira como cantora de ópera na Canadian Opera Company, também estudou violino e piano, mas foi num show de punk que ela teve a brilhante ideia de misturar a música clássica, com o pesado clima dark do rock e as batidas eletrônicas - três coisas que eu amo, venero e cultuo com toda a força do âmago do meu ser. Em resumo, Katie montou a receita perfeita para que eu me apaixonasse perdidamente pela sua banda composta por Maya Postepski na bateria e Dorian Wolf no baixo. Comparações e influências vão de Florence + The Machine, passa por The Knife, Fever Ray, Björk, Zola Jesus, Blondie e até mesmo Goldfrapp (há quem diga que Feel It Break, álbum de estreia do trio, é o elo perdido entre o Seventh Tree e o Head First).

E isso porque eu não citei a mitologia contida na banda, começando pelo nome: Austra é a deusa letã da luz, paganismo puro e arcaico. Tem coisa mais gostosa? Não, não tem, então cale a boca e escute Austra!


Darken Her Horse

Ride her darken horse
her tempers lie unfold
it's always the same
.
A customary trend
the course is laid to play
I noticed it's there, I noticed

Shoot into the darkness with your hands

Ride her darken horse
her tempers lie unfold
its all insane
a monster for a friend
a liar to depend
I noticed it's there


Hold her by the reins
the moon isn't far,
hold her by the reins,
it's worth it to stay.
nothing stable. nothing patient here.

ride her darken horse
the pathway to the end
she's all alone
her trust was never there
it's your she needs you
I noticed it's there.


Escureça Seu Cavalo

Guie seu cavalo negro
seus ânimos estão se soltando
é sempre igual
.
A tendência habitual
o curso é posto à prova
Notei que ele está lá, notei

Atire na escuridão com as mãos

Guie seu cavalo negro
seus ânimos estão se soltando
é tudo louco
um monstro como amigo
um mentiroso a depender
Notei que ele está lá


Segure-a pelas rédeas
a lua não está longe,
segure-a pelas rédeas,
vale a pena ficar.
nada estável. nada paciente aqui.

Guie seu cavalo negro
o caminho para o fim
ela está completamente sozinha
sua confiança nunca esteve lá
é a sua, ela precisa de você





Estrela Prematura

Sou louco por Astronomia, qualquer coisa que remeta ao espaço e às estrelas me deixa louco. Eis aí um video do nascimento de uma estrela na nebulosa de Carina capturada pelo telescópio Hubble! Coisa mais linda, impossível.



Bibidi Bobidi Boo!

Um dos meus favoritos da Disney! O momento em que a fada madrinha transforma a Cinderela em princesa encantada com suas três palavras mágicas! Este feitiço também está presente em As Dellabóboras Volume 1, e é bastante usado pela vaidosa Cordélia.




terça-feira, 19 de julho de 2011

As Sete Princesas Orientais


Hoje, contarei a vocês a história de um mundo distante, de um reino distante, de um país distante, que era governado por sete belas princesas. Elas eram conhecidas como As Sete Princesas Orientais, e governavam tudo o que havia após o Vasto Mar do Leste, incluindo um arquipélago de ilhas chamado Conjunto Vermelho e um continente montanhoso enorme chamado Espinha do Dragão.
As Sete Princesas Orientais eram conhecidas por sua beleza, pelo seu charme, pela sua riqueza e pela sua extravagância, eram elas: Yuuko, Fumiko, Mitiko, Sakurai, Yoona e Makoto. Dizia-se por aquelas bandas que as princesas eram as últimas descendentes restantes de uma linhagem ancestral de seres meio humano e meio deuses que estiveram ali na criação do mundo e ajudaram a moldar as montanhas da Espinha do Dragão.
Cada uma das sete princesas reinava no seu próprio castelo, no topo da sua própria montanha, de frente para seu próprio vale.


Yuuko era a Princesa de Fogo, e morava no topo da montanha mais alta do vale do fogo, montava um longo dragão vermelho com cabeça de lobo e chifres de veado. Yuuko era conhecida pelo seu temperamento explosivo e pela sua longa katana, a espada dos samurais, que estava sempre suja de sangue. Os homens que tiveram a chance de deitar-se no mesmo leito que ela acabaram mortos na manhã seguinte, ou então nunca mais puderam deitar-se com outras mulheres. Todos eles contavam a mesma coisa: Yuuko era um demônio sexual e nunca ficava satisfeita. Era cultuada pelo povo que morava nas montanhas do vale do fogo como a deusa da guerra e da vitória, em sua homenagem eram feitos grandiosos festivais e bailes.


Fumiko e Mitiko eram as Princesas Gêmeas dos Ventos, e juntas governavam o maior de todos os vales montanhosos, o Vale da Neblina. Dizia-se que elas possuíam o poder de controlar as tempestades e falar com os anjos, podiam ficar invisíveis e andar sobre as nuvens e a névoa como se as mesmas fossem o próprio solo pedregoso das montanhas. Porém, apesar de governarem o mesmo grande vale, moravam em palácios diferentes em lados opostos, ligados apenas por uma pinguela de madeira. Por viverem em constante pé de guerra, os ventos no Vale da Neblina sempre sopravam muito fortes: uma procurava derrubar o palácio da outra e governar sozinha toda a região. Tinham como montaria longos dragões azuis de escamas cintilantes com cabeça de carneiro, exímias lutadoras, eram cultuadas pelos guerreiros como as deusas das artes marciais, eram as governantes do povo do Vale da Neblina.


Sakurai era a Princesa da Terra, de modo que controlava as florestas, os animais e o movimento das montanhas. Era a controladora dos terremotos e das avalanches, e de todas as irmãs era a mais calma de todas. Porém, não tolerava injustiça ou deslealdade, o que castigava com o seu esmagador poder. Assentada de seu trono em seu luxuoso palácio controlava o Vale dos Gigantes, um lugar verde e paradisíaco onde chovia todas as tardes e onde as moitas sempre estavam floridas, onde as árvores davam os maiores frutos da face da terra e onde coelhos ficavam do tamanho de cachorros, e lobos do tamanho de cavalos. O seu povo lhe era muito grato, e lhe presenteava ao final de todas as colheitas. Sakurai montava um dragão esverdeado com cabeça de veado e chifres floridos, no lombo do qual passeava pelo vale visitando os vilarejos no topo das montanhas sempre úmidas e agradáveis.


Yoona era a Princesa da Lua, e portanto controladora das marés e das águas, habitava seu palácio no alto da montanha mais alta do Vale das Águas, onde haviam cachoeiras, pântanos, lagos, lagoas, riachos e córregos intercalados por ilhas de um verde esmeralda cintilante onde o povo daquele lugar costumava montar suas casas. O vale era habitado por sereias, sílfides, peixes e tartarugas gigantescos e monstros aquáticos de todos os tipos, uns bons, outros maus. Yoona era conhecida pela sua beleza ímpar e assombrosa, capaz de hipnotizar multidões inteiras, seu poder de sedução era tamanho que fazia cair de amores qualquer homem que porventura cruzasse seu caminho, tinha seios fartos e curvas sinuosas, lábios de rosa e olhos de gueixa. De longe era a mais extravagante das irmãs, seus adornos de cabelo eram verdadeiras alegorias e seus quimonos verdadeiros mantos infinitos. Ostentava muita riqueza e era a portadora da magia lunar, de modo que nas noites de lua cheia seu poder chegava ao ápice e ela se tornava a mais forte de todas as sete irmãs. Montava um longo dragão branco com cabeça e orelhas de lebre.


A última e mais delicada das princesas é Makoto, a Dama de Lotus. Sua magia era fraquíssima, a mais baixa de todas, e seu maior poder era o de causar alucinações nos desavisados. Fora isso podia hipnotizar com o seu cheiro forte e a fumaça de seus incensos, além de curar com um simples toque. Ao contrário das outras irmãs, morava num palácio no centro do vale, entre as altas torres de pedra que circundavam seu território, abaixo até mesmo dos vilarejos do seu povo, que ficavam nas encostas e nos cumes. Seu vale era alagado como o anterior, por ser vizinho ao vale de Yoona, recebia grande parte da água que brotava de suas fontes, e isso alimentava as flores aquáticas daquele lugar. Sua montaria era um dragão de dorso prateado e peito verde, garras de falcão, cabeça de cachorro e chifres de veado. Por ser a Dama de Lotus propriamente dita, dispensa-se comentários a respeito da sua beleza, poucos admitiam por medo, mas chegava a ser até mesmo mais bela que sua artificial irmã Princesa da Lua, que roubava o brilho das outras como o astro noturno para brilhar à noite. Era de uma doçura angelical e sua voz era aguda como a de uma menina, tinha os cabelos da cor da avelã e grandes olhos castanhos.
Juntas, estas sete princesas administravam um reino tão grande, tão grande que nem elas tinham noção de onde começava e onde terminava, e foi este conhecimento parco a respeito das próprias terras governadas que deu início a uma guerra.
Aquele mundo era muito grande, de modo que vastos pedaços de terra selvagem ainda existiam e pouco se sabia a respeito deles. A Espinha do Dragão era um grande continente que possuía uma península mais ao norte. Esta península se estendia mar adentro e se pronunciava para o ocidente como um longo dedo indicador apontando para o Oeste. O grande problema aconteceu quando um terremoto causado pela fúria de Sakurai emendou a península ao Reino de Olen’. O Reino de Olen’ equivaleria à Rússia do nosso mundo, se ela fosse tão grande quanto Olen’!
Olen’ era conhecido ao redor do globo por ser uma terra fria, que estava constantemente coberta por neve em grande parte do ano. Os invernos eram longos e rigorosos, mas isso jamais era motivo para que o povo daquele reino perdesse o grande sorriso que levava no rosto: o povo de Olen’ era hospitaleiro, leal e muito alegre, as festas dadas pela família real eram as mais cobiçadas e comentadas, duravam meses inteiros e eram relembradas por décadas, séculos, milênios, e rendiam histórias de deixar os olhos brilhando, ansiando para que outra festa acontecesse!
Mas, voltando ao assunto em questão, um terremoto ocasional havia unido a costa sul de Olen’ com o extremo e desconhecido norte da Espinha do Dragão. Ambas as regiões eram pouco conhecidas por ambos os governos em atividade naquele momento: As Sete Princesas Orientas (que eram amigas íntimas da família real de Olen’ e sempre estavam presentes em todas as festas oficiais do reino vizinho) jamais haviam posto o pé na região norte de seu país, e o terremoto fora causado por Sakurai tentando fechar uma ravina que separava seu vale do vale de Yoona (a água que escorria de lá estava inundando as plantações do povo habitante de Vale dos Gigantes!), a energia mal canalizada acabou direcionando o terremoto que daria origem a uma nova montanha exatamente para o norte, o que empurrou a península rumo a costa sul de Olen’ (diz-se até hoje que um mosquito pousou no nariz de Sakurai naquele momento, e que este foi o motivo da sua má pontaria – diga-se de passagem).
Em contrapartida, Olen’ pouco ligava para as terras do sul. O povo daquele reino adorava o frio, a neve, as florestas fechadas, detestavam o calor, as praias, as palmeiras e as árvores tropicais tão espaçadas, de modo que a base do reino que ficava no sul ficou à mercê de um único duque e sua família – que coincidentemente eram os pais do atual rei de Olen’ que casara-se recentemente com a Rainha Solitária e lhe dera um filho – , duque este que viu-se sem saber o que fazer quando um pedaço enorme de terra pronunciou-se do oriente e derrubou parte de seu castelo num acidente que custou dois primos e um filho.
Aquele foi o estopim da guerra.
Pensou-se que o terremoto fora causado propositalmente, e para compensar os danos causados à família real, o rei sugeriu às Sete Princesas Orientais, suas grandes amigas, que cedessem aquele grande pedaço de terra – que antes era a península – para o território oficial de Olen’, de modo a perdoar a dívida do reino oriental para com a sua família.
Mas as princesas foram irredutíveis e negaram a culpa no acidente, defendendo a desastrada irmã Sakurai, e disseram mais: aquele pedaço de terra continuaria sendo parte da Espinha do Dragão porque assim o era desde o princípio dos tempos. O rei rebateu com o argumento de que aquela região sempre fora inabitada, e não custaria muita coisa a elas porque jamais fizeram questão daquele pedaço de terra. Aliás o terremoto destruíra um palácio milenar quase por completo e tirara a vida de três pessoas de sangue nobre! Era mais do que justo ceder a Olen’ aquele pedaço de terra desabitado, que ainda seria pouco perto do dano que fora causado ao reino.
O fato agora era que agora a Espinha do Dragão e o Reino de Olen’ estavam interligados por uma faixa enorme de terra firme que estava sendo disputada por ambos os governos. Assim a guerra começou.
O reino do oriente investiu em artilharia pesada: navios de guerra, dragões voadores, zepelins e feiticeiros poderosos trazidos dos cantos mais remotos do país.
Em contrapartida, Olen’ trouxe tecnologia do extremo ocidente para combater: os reinos que ficavam além do Vasto Mar do Oeste eram avançadíssimos nesse quesito, e possuíam máquinas extraordinárias criadas por exímios cientistas capazes de reviver até mesmo os mortos por meio de seus mecanismos semelhantes aos de um relógio comum. Estranhas naves voadoras movidas a vapor, tanques, canhões, catapultas e a boa e velha magia foram usadas pelos reinos do ocidente para defender a costa sul de Olen’. As Sete Princesas Orientais ficaram ultrajadas pelo que estava acontecendo: Olen’ estava sendo covarde aliando-se a outro reino para vencê-las, e como a própria Makoto vivia dizendo à Fumiko e Mitiko: “dois contra um não vale!”. Era hora de apelar.
Como foi dito no começo, pouco se sabia a respeito do que havia nas outras regiões inabitadas da Espinha do Dragão, mas Yuuko, geniosa como era, conhecia um pouco a respeito de tudo, e ouvira falar da terra perdida dos macacos, que ficava para além do gigantesco vale governado por Makoto. Este país desconhecido era habitado por macacos que haviam montado sua própria sociedade e viviam em verdadeiras metrópoles no meio da selva, mas com quem nunca houvera necessidade de contato anteriormente. Dizia-se que eles eram portadores de uma sabedoria a respeito da magia que excedia tudo o que era conhecido pela ciência e pela alquimia, logo Yoona ofereceu-se para as atividades diplomáticas.
Foi difícil achá-los no meio de toda aquela mata, mas assim que suas cidades e vilarejos foram encontradas, Yoona logo tratou de procurar pelo líder daquele estranho povo macaco. É claro que eles não resistiram ao poder de sedução da Princesa da Lua e se entregaram aos seus encantos. Quase instantaneamente, eles aliaram-se ao reino da Espinha do Dragão, e partiram rumo ao ocidente para lutar em defesa das sete belas jovens que estavam em apuros. O povo macaco era tão forte quanto rezavam as lendas, eles eram capazes de destruir os aparelhos sofisticados e vaporosos dos príncipes do ocidente com um único braço, e a magia deles era algo sensacional. As baixas foram muitas no exército de Olen’.
O rei até então não havia intervindo na guerra nenhuma única vez, e no momento em que ele decidiu botar o pé no campo de batalha, os príncipes do ocidente lhe ofereceram a última palavra no que se tratava de tecnologia de ponta para o apoio naquela batalha: o Gigante de Ferro! Uma criatura movida a vapor, totalmente artificial, humanoide, com poderosos e longos braços e pernas, um peitoral indestrutível equipado com todo o tipo de armas desde canhões até explosivos, que poderia ser controlada como um trator ou um carro qualquer!
O rei não hesitou e partiu para o campo de batalha montado em seu novo monstro de metal. Nem a magia nem os braços fortes do povo macaco eram páreos para a sua arma indestrutível, com ele à frente do batalhão, era muito mais fácil para os valentes combatentes que vinham logo atrás.
Mas tudo mudou no momento em que o Gigante de Ferro que soltava fogo pelas ventas e vapor pelas orelhas foi atingido pela chicotada da cauda de um dragão prateado. Era Makoto, a Dama de Lotus. Montada em seu dragão, ela havia vindo para defender o seu reino, e também ficara abismada ao dar-se conta de quem pilotava aquele monstro de metal, seu velho amigo de infância. O rei de Olen’ e a Dama de Lotus haviam se reencontrado após longos anos de distanciamento. Era verdade, os dois já se conheciam há muito tempo, costumavam brincar juntos correndo entre os convidados nas festas que eram dadas pelo pai do rei, o duque, naquelas mesmas areias das praias onde agora os exércitos se chocavam, quando os reinos rivais ainda eram aliados.
No mesmo instante, a guerra foi suspensa. Tratados foram feitos às escuras naquela noite e papéis foram assinados à luz das velas, a trégua durou uma semana inteira, e após aquele hiato, a guerra foi dada como vencida pelo ocidente, e o rei, como desaparecido. Ninguém soube o que havia acontecido de verdade, tudo ficara muito confuso após aquela tarde em que o dragão prateado e o monstro de metal bateram de frente, os dois líderes dos exércitos rivais cara a cara, pedindo por uma trégua mútua. No meio da confusão, com os batalhões retrocedendo, pessoas desapareceram. Entre elas, Makoto e o rei.
Dizem as más línguas que naquele momento de trégua o rei de Olen’ montou no lombo do dragão prateado e fugiu para muito além das terras dos homens-macaco com seu verdadeiro amor. Outros dizem que muitos acordos foram feitos durante uma semana inteira. Entre eles, foi decidido que o rei se casaria com a princesa Makoto em troca da paz entre os reinos, e para a família real ele seria dado como morto em campo de batalha. Alguns dizem que ele realmente morreu naquela tarde, que o dragão da princesa Makoto alimentou-se dele, mas isto pode ser apenas outro modo de interpretar mais uma metáfora, das muitas que são encontradas nestas estranhas histórias, sem pé nem cabeça...




~


Apenas mais um conto de fadas, que complementa a história que está na página secreta deste blog. Os mais sábios já perceberam!

xoxo

L.M.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Letra & Música - Edição Especial


A edição musical deste blog hoje é especialíssima porque irei apresentá-los à voz do ano: Clare Maguire. É claro que você não a conhece - ainda - mas daqui há um ou dois anos você irá ouvir muito falar dessa garota - exatamente como aconteceu com Florence + The Machine - cuja potente voz surpreende quem se deixa levar pelo rosto meigo de boneca da dama. Clare Maguire é inglesa e assinou com a Universal Music Group Polydor Records em 2008. Foi anunciada em 03 de janeiro de 2011 no 5 º lugar na lista dos 15 artistas mais promissores da BBC Sound de 2011. Maguire também foi apontada como uma das promessas da MTV para 2011. Sua voz tem sido comparada com Annie Lennox e Stevie Nicks. E se você estiver interessado - e eu tenho certeza de que está - é só rolar a barra lateral e encontrar o seu mais recente vídeo "The Shield And The Sword" no final desta postagem, onde você encontrará a letra da música e a tradução dela. Pode crer, você não escuta voz parecida desde Cher!

The Shield And The Sword

You and i
Felt so good to begin with didn't we?
Well now it seems there's far too many adverts in between
And we don't speak
So we're left in constant silence
It's haunting me
So i'm ready now to fight this

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you

You and i aren't working
Burning on the bridges now
We're trapped inside
Screaming won't somebody get me out

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you

I no longer love you
No longer love you
No longer love you
No longer love you

And we don't speak
So we're left in constant silence
And it's haunting me
So i'm ready now to fight this

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you
[x2]

You and i
Felt so good to begin with didn't we?
But now it seems these shields and swords are haunting me


O Escudo E A Espada

Você e eu
Nos sentimos tão bem em começar um nada, né?
Bem, agora parece, que há muitas propagandas entre nós
E nós nem nos falamos
Só ficamos em um silêncio constante
E ele está me assombrando
Então, agora eu estou pronta para combatê-lo

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais

Você e eu, não estamos funcionando
Nem nos dando a chance
Estamos presos por dentro
Gritando por alguém que nos faça sair

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais

Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não te amo mais

E nós nem nos falamos
Só ficamos em um silêncio constante
E ele está me assombrando
Então, agora eu estou pronta para combatê-lo

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
[x2]

Você e eu
Nos sentimos tão bem em começar um nada, né?
Mas, agora parece, que esses escudos e espadas é que estão me assustando



sábado, 9 de julho de 2011

As Dellabóboras - O Filme!

Eis-me aqui! Às vesperas de finalmente lançar o meu primeiro livro! Sei que vocês já estão cansados de ouvir isso, mas... "ai meu Deus, eu não acredito que isso realmente está acontecendo!". Nesta semana, a editora me enviou o miolo do livro para aprovação, estou corrigindo atentamente página por página, tirando e colocando coisas que faltaram e algumas incoerências, afinal, eu o escrevi com apenas 14 anos, e escrever, para mim, naqueles tempos não passava de uma brincadeira das tardes monótonas de Julho! JULHO! Esse mês, "As Dellabóboras - Volume 1" faz 5 anos de aniversário, contando a partir da data em que comecei a escrevê-lo.

Pensando nisso e visando o fim da saga Harry Potter nos cinemas, percebi que os cinéfilos ficarão órfãos das aventuras do filho de J.K. Rowling nas grandes telas, então pensei: bem que agora a Warner poderia comprar os direitos do meu livro para transformar em filme, não é mesmo? Não custa nada sonhar! (se bem que me agradaria muito mais que o livro virasse um seriado do que um filme, mas tudo bem). Decidi então fazer este post especial com as atrizes que interpretariam as personagens principais, caso alguma empresa decida transformar minha obra literária em algo audiovisual, escolhi cada uma a dedo e espero que gostem!


Ellie Darcey-Alden vai estrear neste mês como Lilian Potter nas telonas, seu cabelo ruivo e sua beleza simples são dois atributos fortíssimos para que ela interprete Afonsa nos cinemas, uma garotinha meiga, humilde e muito tranquila cuja característica principal - e seu maior charme - são os cabelos cor-de-cenoura. É claro que Ellie vai precisar clarear um pouco o tom do seu cabelo, ao contrário da nossa próxima candidata, que precisará escurecê-lo!


Elle Fanning é a irmã mais nova de Dakota Fanning, esta segunda talvez seja a atriz mirim mais famosa do mundo (hoje em dia ela não é mais tão mirim assim, mas whatever). É claro que esta é uma foto antiga da pequena, agora ela já está bem crescidinha, mas assim que bati o olho nela, enxerguei Karina Dellabóbora nos olhos azuis e no formato do rosto, exatamente como eu imaginava. A única coisa que precisaria ser mudada são os cabelos: Karina tem cabelos negros e brilhantes, os quais ela costuma prender em marias-chiquinhas no alto da cabeça.


Esta garota é perfeita para interpretar Kerbina Dellabóbora! Você pode encontrar Isabelle Fuhrman em "A Órfã" atualmente, filme que é um dos meus favoritos, aliás. Ela tem tudo o que é necessário: os olhos claros, a boca pequena e a expressão fria e maligna de Kerbina, além é claro, de dar um show de interpretação mesmo sendo tão novinha.



A única atriz brasileira do meu elenco! Isabelle Drummond pode ser vista hoje em dia no horário das seis em Cordel Encantado, talvez poucos se lembrem mas era ela quem fazia a boneca Emília no "remake" de Sítio do Pica-pau Amarelo, que passava todas as manhãs às onze horas após TV Globinho. Hoje, Isabelle cresceu e esbanja delicadeza e traços leves, olhos brilhantes e gesto de dama, ela é praticamente Cordélia Dellabóbora encarnada!

Quem não se lembra dessa tia só pode ter algum problema de memória! Magda Szubanski foi praticamente mãe de um porquinho muito atrapalhado! Sim, esta era aquela senhora gorducha que cuidava do Babe, ou simplesmente "Porco" como era comumente chamado no filme por esta simpática tia. Ela tem tudo para interpretar Srta. Patapaposa, a tutora das meninas, se por um acaso do destino meu livro vier a se tornar um filme. Ela esbanja fofura de sobra, tem um rosto meigo e um sorriso materno inconfundível, além de ter o porte físico ideal para viver Helen Bloomsbrownson nas telonas.


Em breve, trarei mais personagens de "As Dellabóboras - Volume 1" em carne e osso! Aguardem!


As Dellabóboras - Volume 1

Em Setembro nas lojas!



quarta-feira, 6 de julho de 2011

E a Previsão do Tempo é...


Nublado! Estou sem inspiração para escrever sobre robôs, futuros distantes e afins, portanto, nada de Reboot por tempo indeterminado.

Quer dizer, eu poderia muito bem retomar Reboot neste exato momento (eu comecei a escrever o primeiro capítulo e parei, no comecinho desse ano), mas minha cabeça está borbulhando de ideias novas para o Volume 4 de As Dellabóboras e eu não quero perdê-las, eu deveria começar a escrever o quarto ano de Afonsa como bruxa neste exato momento, mas sinto aqui no fundo uma responsabilidade para com Reboot, que estava no cronograma do blog desde antes de Yellow ser publicado... Em resumo, um está me impedindo de escrever o outro, e pra completar eu me apaixonei por Percy Jackson e agora não consigo LARGAR o livro, já estou no Mar de Monstros e juntando dinheiro para A Maldição do Titã. Era tudo o que eu estava procurando! Depois que Harry Potter acabou (gente, o últime filme estreia semana que vem ai meu Deus) eu fiquei meio que órfão na área literária, sem uma série para me apegar, e aí eu li o Ladrão de Raios e foi puro amor.

Enfim, há outro grande impecilho também, na parte técnica: o Word do notebook não quer abrir de jeito nenhum (maldita Microsoft) e eu não to afim de ficar levando ferrada de carapanã lá na sala, me poupe. Ou eu trago o computador grande pro quarto ou... Bom, vou resolver isso, pedir pra alguém instalar de novo o Word aqui ou algo parecido. Mas não estou muito preocupado com esse blog não, as pessoas não leem, não comentam, só entram aqui pelo Google pra roubar imagens, então estou bem relaxado. Fico preocupado com ele depois de setembro...

Bom, espero que me entendam.

xxxo

L.M.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

The Fatcat House de Cara Nova!


E mais uma vez, chegou a hora de mudar! Foi preciso um dia inteiro para criar coragem e dar uma geral no design do blog, mas finalmente eu consegui! Aqui está a nova cara dessa divertida fábrica de sonhos, espero que tenham gostado. Os comentários que recebi até agora foram de que as cores estão amenas e não cansam a vista, e embora o plano de fundo arremeta a um blog musical e fuja um pouco do nosso padrão místico, está um tanto de acordo com essa nova fase da minha vida: o estrelato! Algumas postagens antigas estarão passando por mudanças também, para que o texto se torne legível, como o primeiro The Big Machine que continua com as letras roxas quase pretas, impossíveis de ler sem a seleção do texto pelo mouse. Espero que tenham gostado, e aguardem por novidades!


XOXO - L.M.

Minhas Próprias Pernas


Sabe de uma coisa que tem me incomodado bastante ultimamente? As pessoas tentarem me controlar. Odeio isso. E o pior é que eu deixo, porque sou tão bonzinho e flexível com todo mundo, sempre tentando agradar e tudo o mais, acabo me tornando algo que eu próprio detesto.

Outra coisa que eu não suporto é ouvir aquela frase pós-adversidade que já virou um clichê: "você me decepcionou" ou "nunca pensei que você fosse desse jeito" ou até mesmo "não esperava isso vindo de uma pessoa como você". OK. Em primeiro lugar, eu nasci pelado, careca, não sabia falar e muito menos escrever, então se por um acaso há algum contrato por aí assinado por mim atestando algum tipo de compromisso de PERFEIÇÃO datado em 1993, pode ter certeza que é falso. Não lembro de ter prometido ser perfeito quando nasci.

O mal das pessoas é que elas cobram demais de si mesmas e o que é pior, dos outros também! Cobram muito mais dos outros, e eu odeio essa cobrança em cima de mim. As pessoas exigem demais de mim, elas exigem coisas que eu não posso dar. Um exemplo? Me comportar. Eu não vou me comportar, eu não vou ser do jeitinho que vocês querem, eu me recuso a isso! Eu não quero me comportar, eu quero ser eu mesmo! Eu quero usar luvas de couro, maquiagem pesada, coturnos e suspensórios! Eu quero, eu quero poder me expressar da minha maneira, eu quero... Eu quero ser quem eu sou! Eu não se nem quero ser comportado, eu só quero fazer o que eu tenho de fazer, o resto pode ser resolvido com tempo. Se você gostou, parabéns, se não não gostou, fazer o quê? Eu não posso agradar a todo mundo, nem Jesus agradou a todos.

Pensando nisso e em outras coisas eu cheguei a uma conclusão: se eu não mostrar aos outros quem eu sou de verdade agora, vai ser muito pior depois, quando eles estiverem acostumados à essa pessoa pacífica e passiva que fala pouco por medo de repreensão e não faz aquilo que quer por medo de desaprovação. Se de repente, uma pessoa como essa começa a fazer exatamente o contrário, a represália vai ser muito mais dolorosa, e eu não vou estar preparado. Eu tenho de ser quem eu sou sem medo! Não vou deixar ninguém me controlar, não a essa altura do campeonato.

Meus pais não vão me ajudar a montar o meu visual para a Première porque é extravagante demais e eles desaprovam? Ótimo! Eu me viro sozinho! Blusa social, calça preta, suspensório e maquiagem, não é muito difícil, só preciso juntar algum dinheiro, um mês inteiro será o suficiente para arranjar tudo isso. Eu não me importo com o que os outros vão pensar, eles tem de se acostumar a mim, porque sempre vai surgir alguém pior lá na frente que vai chocar muito mais. E além do mais, as pessoas tem de aprender a me admirar pelo meu trabalho, e não pela minha imagem, pela minha aparência. Eu não sou nenhum santo exposto no altar de uma catedral qualquer (se bem que, eu adoraria usar aqueles mantos e os esplendores da Virgem Maria), eu sou um ser humano, não um ícone, uma estátua.

Aí você se pergunta: o que isso tem haver com a Ariel, ilustrando a postagem?

Quem teve infância conhece a Ariel muito bem! A Pequena Sereia, conto original por Hans Christian Andersen, adaptada para o cinema pela Disney. Ariel nunca deu bola para o que os outros pensavam dela, nunca ligou muito para essas regras bobas da sociedade em que ela vivia, esse negócio de evitar os humanos e tudo o mais, ela estava pouco se lixando pra tudo, ela só queria viver a vida dela e fazer o que ela tinha de fazer. Todos achavam que ela era a filhinha perdida, que vivia desobedecendo o papai e que não tinha futuro nenhum nessa vida. Sabe o que ela fez? Bem, ela deu uma banana enorme pra todo mundo, foi lá com a linda da Úrsula, fez um pacto (foi tapeada e deu toda aquela confusão lá), e no final se casou com o Príncipe Eric, que aliás era humano, mas o pai dela teve de aceitar porque era isso o que Ariel queria para ela, sem se importar com a opinião alheia.

No final das contas, a irmã mais nova Ariel foi a única que casou (com um cara muito rico, diga-se de passagem), enquanto as outras ficaram encalhadas debaixo d'água pra sempre. (Tudo bem, eu sei que no conto original a Ariel vira espuma do mar porque o príncipe nem tchum pra ela, mas, whatever).

Então é isso. Ou eu fico no fundo do mar, ou começo a andar com as minhas próprias pernas? Qual vai ser, hein?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

FIERCE!


Estou aqui por vários motivos. Primeiro gostaria de saldar a todos aqueles que acompanharam Draconius Nefastus 2 fielmente e que, mesmo sem comentários, curtiram a história (eu interpreto o silêncio de vocês como uma espécie de aprovação, já que vocês não dão sinal de vida). Foi uma história bem simples de se trabalhar, já havia feito algo parecido há alguns anos atrás na primeira parte da história, o que eu fiz neste novo capítulo da saga foi incrementar e adicionar alguns elementos como a apresentação e representação dos personagens principais em um post especial contendo uma pequena biografia de cada um deles. Foi algo bem diferente, não havia experimentado fazer algo assim antes por medo de implicâncias com direitos autorais e afins, mas então eu pensei "ora bolas, ninguém lê esse blog, e a chance do dono das fotografias e dos modelos encontrarem isto aqui é de zero para um bilhão, então vamos dar um tom de realidade a essa nova história!".

Peguei no tumblr as fotos com os modelos estilizados em steampunk, escolhi quem iria representar quem, coloquei os nomes com a ajuda do bom e velho paint com a fonte-tema do capítulo da série e pronto! Algo diferente no blog havia nascido! Inovando, como sempre...

Outro motivo pelo qual estou aqui é pra dizer que hoje, nesta madrugada do dia 30 para o dia 1 de Julho, o blog estaria passando por mudanças em seu conceito, estilo e design. A partir desta manhã, vocês contariam com um novo plano de fundo, uma nova disposição do texto e do banner, uma nova fonte, novas cores e acima de tudo, um BANNER novo no cabeçalho. Ou seja, o blog contaria com uma nova cara a partir de hoje. Mas eu sou sentimental demais, e acabei me apegando ao tema atual, qual estou usando desde o final do ano passado, sequer me lembro do tema anterior. Passei seis meses trabalhando no novo tema, criei banner e conceitos novos pra chegar na hora H e hesitar. Acontece comigo, tenho um pé atrás com tudo, e pra completar, o Andrew me vem com uma dessas:

Louie Mimieux diz
vou mudar a cara do blog hoje
mas to com uma pena do caramba

Black Cherry diz
shdusdahusdahusadhusadhsdaushdau
deixa mais um pouco
(L)
adoro aquele ninho McQueen
representa tanta coisa no seu blog
nascimento
criação
estilo
(L)

~

E ele tem toda a razão! Esse banner que uso atualmente representa tanta coisa, e é tão a minha cara. Ele é transcendental, moderno, chamativo e ao mesmo tempo clássico, misterioso e fatal. Ele cativa de primeira quem abre a página inicial! Então, decidi que vou manter esse tema por mais um tempo, já que gosto tanto dele e a opinião externa tem uma aceitação grande em cima dele.

Estou aqui também para me desculpar pelo baixo nível de postagens recentes, a falta de artigos e opinião, relatos do meu cotidiano e afins. Depois dos recentes incidentes com postagens antigas, tenho pensado muito antes de postar qualquer coisa aqui, e além do mais, mal tenho paciência para escrever no meu diário, que está repleto de páginas em branco, quanto mais num blog, onde todos podem ler e saber da minha vida! Deus me livre! Ultimamente, estou sem cabeça pra muita coisa, entre elas está escrever. Acabei me comprometendo com muita coisa para comigo mesmo e não estou dando conta de todas elas. Fui aconselhado a deixar minha cabeça bem limpa e livre para o que virá após as férias...

A All Print Editora confirmou minha presença como escritor na Bienal do Livro no Rio de Janeiro em setembro, dia 7. Papai já conseguiu as passagens e agora é só preparação espiritual para o grande dia. Estarei expondo meu primeiro trabalho das 19:00 às 21:00 horas: "As Dellabóboras - Volume 1", e eu nem tenho palavras para descrever a sensação que é estar passando por esse momento da minha vida. Mãos geladas, dificuldade pra respirar e coração acelerado definem muito bem o misto de felicidade, excitação, medo e pavor que sinto quando lembro-me da grande responsabilidade que terei daqui por diante. Responsabilidade pelo meu trabalho, pela minha imagem, pela minha pessoa pública (AI-MEU-DEUS). Assim que chegar em Macapá após uma semana no Rio de Janeiro, terei poucos dias para me preparar para a Première Oficial no Malocão do SESI (já foi decidido o local agora, não mais o teatro e sim a maloca), que será outro grande desafio para mim: vários mundos estarão misturados num só lugar. Novos Amigos, Velhos Amigos, Família, Imprensa e Autoridades, como vou lidar com toda essa gente sendo eu mesmo? Ai, que confusão em que eu me meti! Uma excitante confusão! Mal posso esperar pra finalmente me tornar uma estrela...

Uma estrela que continua sofrendo do desdém e do tripúdio alheio, acredite se quiser. Apesar de tudo o que eu já passei para chegar até aqui, aos outros nunca parece o bastante, continuo sendo vítima do despeito de algumas criaturas baixas e insignificantes que espreitam a borda da banheira de ouro onde tenho me banhado ultimamente. Contei a dois familiares certo dia a respeito do lançamento do livro e eles riram da minha cara, outro dia no Facebook, certo "ser" pseudo-intelectual que se diz amante da música eletrônica mas nunca ouviu um Goldfrapp nessa vida e se acha o tal ouvindo o dance farofa da Jovem Pan me esnobou e ignorou.

Sabe o que eu faço? Eu rio apenas, porque daqui há alguns meses meu rosto estará em cada mídia impressa e televisionada, e quero ver se esses seres vão ter todo esse poder para ignorar quem está no topo. Risos. Muitos risos. Porque quem ri por último ri melhor meu bem.

E deixa eu te falar que tô adorando a Norma na novela das oito, a cada dia que se passa, a personagem dela se consolida como minha favorita, porque (assim espero) chegará a minha vez de esbofetear a cara de cada um deles e colocá-los para dormir no Canil da minha bela mansão no Rio de Janeiro (HAHAHAHAHAAH COMO SOU MÁ).

Gostaria de anunciar também um pequeno atraso na publicação da próxima série deste blog, Reboot, qual fará a diferença mais uma vez por ter a sua trilha sonora publicada antes do primeiro capítulo (ao contrário das outras que sempre saem ao término), como uma espécie de abertura e introdução ao mundo futurístico caótico que a história irá mostrar. Estejam preparados!

XOXO

Antonio Fernandes//Louie Mimieux//Whatever