Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

terça-feira, 19 de julho de 2011

As Sete Princesas Orientais


Hoje, contarei a vocês a história de um mundo distante, de um reino distante, de um país distante, que era governado por sete belas princesas. Elas eram conhecidas como As Sete Princesas Orientais, e governavam tudo o que havia após o Vasto Mar do Leste, incluindo um arquipélago de ilhas chamado Conjunto Vermelho e um continente montanhoso enorme chamado Espinha do Dragão.
As Sete Princesas Orientais eram conhecidas por sua beleza, pelo seu charme, pela sua riqueza e pela sua extravagância, eram elas: Yuuko, Fumiko, Mitiko, Sakurai, Yoona e Makoto. Dizia-se por aquelas bandas que as princesas eram as últimas descendentes restantes de uma linhagem ancestral de seres meio humano e meio deuses que estiveram ali na criação do mundo e ajudaram a moldar as montanhas da Espinha do Dragão.
Cada uma das sete princesas reinava no seu próprio castelo, no topo da sua própria montanha, de frente para seu próprio vale.


Yuuko era a Princesa de Fogo, e morava no topo da montanha mais alta do vale do fogo, montava um longo dragão vermelho com cabeça de lobo e chifres de veado. Yuuko era conhecida pelo seu temperamento explosivo e pela sua longa katana, a espada dos samurais, que estava sempre suja de sangue. Os homens que tiveram a chance de deitar-se no mesmo leito que ela acabaram mortos na manhã seguinte, ou então nunca mais puderam deitar-se com outras mulheres. Todos eles contavam a mesma coisa: Yuuko era um demônio sexual e nunca ficava satisfeita. Era cultuada pelo povo que morava nas montanhas do vale do fogo como a deusa da guerra e da vitória, em sua homenagem eram feitos grandiosos festivais e bailes.


Fumiko e Mitiko eram as Princesas Gêmeas dos Ventos, e juntas governavam o maior de todos os vales montanhosos, o Vale da Neblina. Dizia-se que elas possuíam o poder de controlar as tempestades e falar com os anjos, podiam ficar invisíveis e andar sobre as nuvens e a névoa como se as mesmas fossem o próprio solo pedregoso das montanhas. Porém, apesar de governarem o mesmo grande vale, moravam em palácios diferentes em lados opostos, ligados apenas por uma pinguela de madeira. Por viverem em constante pé de guerra, os ventos no Vale da Neblina sempre sopravam muito fortes: uma procurava derrubar o palácio da outra e governar sozinha toda a região. Tinham como montaria longos dragões azuis de escamas cintilantes com cabeça de carneiro, exímias lutadoras, eram cultuadas pelos guerreiros como as deusas das artes marciais, eram as governantes do povo do Vale da Neblina.


Sakurai era a Princesa da Terra, de modo que controlava as florestas, os animais e o movimento das montanhas. Era a controladora dos terremotos e das avalanches, e de todas as irmãs era a mais calma de todas. Porém, não tolerava injustiça ou deslealdade, o que castigava com o seu esmagador poder. Assentada de seu trono em seu luxuoso palácio controlava o Vale dos Gigantes, um lugar verde e paradisíaco onde chovia todas as tardes e onde as moitas sempre estavam floridas, onde as árvores davam os maiores frutos da face da terra e onde coelhos ficavam do tamanho de cachorros, e lobos do tamanho de cavalos. O seu povo lhe era muito grato, e lhe presenteava ao final de todas as colheitas. Sakurai montava um dragão esverdeado com cabeça de veado e chifres floridos, no lombo do qual passeava pelo vale visitando os vilarejos no topo das montanhas sempre úmidas e agradáveis.


Yoona era a Princesa da Lua, e portanto controladora das marés e das águas, habitava seu palácio no alto da montanha mais alta do Vale das Águas, onde haviam cachoeiras, pântanos, lagos, lagoas, riachos e córregos intercalados por ilhas de um verde esmeralda cintilante onde o povo daquele lugar costumava montar suas casas. O vale era habitado por sereias, sílfides, peixes e tartarugas gigantescos e monstros aquáticos de todos os tipos, uns bons, outros maus. Yoona era conhecida pela sua beleza ímpar e assombrosa, capaz de hipnotizar multidões inteiras, seu poder de sedução era tamanho que fazia cair de amores qualquer homem que porventura cruzasse seu caminho, tinha seios fartos e curvas sinuosas, lábios de rosa e olhos de gueixa. De longe era a mais extravagante das irmãs, seus adornos de cabelo eram verdadeiras alegorias e seus quimonos verdadeiros mantos infinitos. Ostentava muita riqueza e era a portadora da magia lunar, de modo que nas noites de lua cheia seu poder chegava ao ápice e ela se tornava a mais forte de todas as sete irmãs. Montava um longo dragão branco com cabeça e orelhas de lebre.


A última e mais delicada das princesas é Makoto, a Dama de Lotus. Sua magia era fraquíssima, a mais baixa de todas, e seu maior poder era o de causar alucinações nos desavisados. Fora isso podia hipnotizar com o seu cheiro forte e a fumaça de seus incensos, além de curar com um simples toque. Ao contrário das outras irmãs, morava num palácio no centro do vale, entre as altas torres de pedra que circundavam seu território, abaixo até mesmo dos vilarejos do seu povo, que ficavam nas encostas e nos cumes. Seu vale era alagado como o anterior, por ser vizinho ao vale de Yoona, recebia grande parte da água que brotava de suas fontes, e isso alimentava as flores aquáticas daquele lugar. Sua montaria era um dragão de dorso prateado e peito verde, garras de falcão, cabeça de cachorro e chifres de veado. Por ser a Dama de Lotus propriamente dita, dispensa-se comentários a respeito da sua beleza, poucos admitiam por medo, mas chegava a ser até mesmo mais bela que sua artificial irmã Princesa da Lua, que roubava o brilho das outras como o astro noturno para brilhar à noite. Era de uma doçura angelical e sua voz era aguda como a de uma menina, tinha os cabelos da cor da avelã e grandes olhos castanhos.
Juntas, estas sete princesas administravam um reino tão grande, tão grande que nem elas tinham noção de onde começava e onde terminava, e foi este conhecimento parco a respeito das próprias terras governadas que deu início a uma guerra.
Aquele mundo era muito grande, de modo que vastos pedaços de terra selvagem ainda existiam e pouco se sabia a respeito deles. A Espinha do Dragão era um grande continente que possuía uma península mais ao norte. Esta península se estendia mar adentro e se pronunciava para o ocidente como um longo dedo indicador apontando para o Oeste. O grande problema aconteceu quando um terremoto causado pela fúria de Sakurai emendou a península ao Reino de Olen’. O Reino de Olen’ equivaleria à Rússia do nosso mundo, se ela fosse tão grande quanto Olen’!
Olen’ era conhecido ao redor do globo por ser uma terra fria, que estava constantemente coberta por neve em grande parte do ano. Os invernos eram longos e rigorosos, mas isso jamais era motivo para que o povo daquele reino perdesse o grande sorriso que levava no rosto: o povo de Olen’ era hospitaleiro, leal e muito alegre, as festas dadas pela família real eram as mais cobiçadas e comentadas, duravam meses inteiros e eram relembradas por décadas, séculos, milênios, e rendiam histórias de deixar os olhos brilhando, ansiando para que outra festa acontecesse!
Mas, voltando ao assunto em questão, um terremoto ocasional havia unido a costa sul de Olen’ com o extremo e desconhecido norte da Espinha do Dragão. Ambas as regiões eram pouco conhecidas por ambos os governos em atividade naquele momento: As Sete Princesas Orientas (que eram amigas íntimas da família real de Olen’ e sempre estavam presentes em todas as festas oficiais do reino vizinho) jamais haviam posto o pé na região norte de seu país, e o terremoto fora causado por Sakurai tentando fechar uma ravina que separava seu vale do vale de Yoona (a água que escorria de lá estava inundando as plantações do povo habitante de Vale dos Gigantes!), a energia mal canalizada acabou direcionando o terremoto que daria origem a uma nova montanha exatamente para o norte, o que empurrou a península rumo a costa sul de Olen’ (diz-se até hoje que um mosquito pousou no nariz de Sakurai naquele momento, e que este foi o motivo da sua má pontaria – diga-se de passagem).
Em contrapartida, Olen’ pouco ligava para as terras do sul. O povo daquele reino adorava o frio, a neve, as florestas fechadas, detestavam o calor, as praias, as palmeiras e as árvores tropicais tão espaçadas, de modo que a base do reino que ficava no sul ficou à mercê de um único duque e sua família – que coincidentemente eram os pais do atual rei de Olen’ que casara-se recentemente com a Rainha Solitária e lhe dera um filho – , duque este que viu-se sem saber o que fazer quando um pedaço enorme de terra pronunciou-se do oriente e derrubou parte de seu castelo num acidente que custou dois primos e um filho.
Aquele foi o estopim da guerra.
Pensou-se que o terremoto fora causado propositalmente, e para compensar os danos causados à família real, o rei sugeriu às Sete Princesas Orientais, suas grandes amigas, que cedessem aquele grande pedaço de terra – que antes era a península – para o território oficial de Olen’, de modo a perdoar a dívida do reino oriental para com a sua família.
Mas as princesas foram irredutíveis e negaram a culpa no acidente, defendendo a desastrada irmã Sakurai, e disseram mais: aquele pedaço de terra continuaria sendo parte da Espinha do Dragão porque assim o era desde o princípio dos tempos. O rei rebateu com o argumento de que aquela região sempre fora inabitada, e não custaria muita coisa a elas porque jamais fizeram questão daquele pedaço de terra. Aliás o terremoto destruíra um palácio milenar quase por completo e tirara a vida de três pessoas de sangue nobre! Era mais do que justo ceder a Olen’ aquele pedaço de terra desabitado, que ainda seria pouco perto do dano que fora causado ao reino.
O fato agora era que agora a Espinha do Dragão e o Reino de Olen’ estavam interligados por uma faixa enorme de terra firme que estava sendo disputada por ambos os governos. Assim a guerra começou.
O reino do oriente investiu em artilharia pesada: navios de guerra, dragões voadores, zepelins e feiticeiros poderosos trazidos dos cantos mais remotos do país.
Em contrapartida, Olen’ trouxe tecnologia do extremo ocidente para combater: os reinos que ficavam além do Vasto Mar do Oeste eram avançadíssimos nesse quesito, e possuíam máquinas extraordinárias criadas por exímios cientistas capazes de reviver até mesmo os mortos por meio de seus mecanismos semelhantes aos de um relógio comum. Estranhas naves voadoras movidas a vapor, tanques, canhões, catapultas e a boa e velha magia foram usadas pelos reinos do ocidente para defender a costa sul de Olen’. As Sete Princesas Orientais ficaram ultrajadas pelo que estava acontecendo: Olen’ estava sendo covarde aliando-se a outro reino para vencê-las, e como a própria Makoto vivia dizendo à Fumiko e Mitiko: “dois contra um não vale!”. Era hora de apelar.
Como foi dito no começo, pouco se sabia a respeito do que havia nas outras regiões inabitadas da Espinha do Dragão, mas Yuuko, geniosa como era, conhecia um pouco a respeito de tudo, e ouvira falar da terra perdida dos macacos, que ficava para além do gigantesco vale governado por Makoto. Este país desconhecido era habitado por macacos que haviam montado sua própria sociedade e viviam em verdadeiras metrópoles no meio da selva, mas com quem nunca houvera necessidade de contato anteriormente. Dizia-se que eles eram portadores de uma sabedoria a respeito da magia que excedia tudo o que era conhecido pela ciência e pela alquimia, logo Yoona ofereceu-se para as atividades diplomáticas.
Foi difícil achá-los no meio de toda aquela mata, mas assim que suas cidades e vilarejos foram encontradas, Yoona logo tratou de procurar pelo líder daquele estranho povo macaco. É claro que eles não resistiram ao poder de sedução da Princesa da Lua e se entregaram aos seus encantos. Quase instantaneamente, eles aliaram-se ao reino da Espinha do Dragão, e partiram rumo ao ocidente para lutar em defesa das sete belas jovens que estavam em apuros. O povo macaco era tão forte quanto rezavam as lendas, eles eram capazes de destruir os aparelhos sofisticados e vaporosos dos príncipes do ocidente com um único braço, e a magia deles era algo sensacional. As baixas foram muitas no exército de Olen’.
O rei até então não havia intervindo na guerra nenhuma única vez, e no momento em que ele decidiu botar o pé no campo de batalha, os príncipes do ocidente lhe ofereceram a última palavra no que se tratava de tecnologia de ponta para o apoio naquela batalha: o Gigante de Ferro! Uma criatura movida a vapor, totalmente artificial, humanoide, com poderosos e longos braços e pernas, um peitoral indestrutível equipado com todo o tipo de armas desde canhões até explosivos, que poderia ser controlada como um trator ou um carro qualquer!
O rei não hesitou e partiu para o campo de batalha montado em seu novo monstro de metal. Nem a magia nem os braços fortes do povo macaco eram páreos para a sua arma indestrutível, com ele à frente do batalhão, era muito mais fácil para os valentes combatentes que vinham logo atrás.
Mas tudo mudou no momento em que o Gigante de Ferro que soltava fogo pelas ventas e vapor pelas orelhas foi atingido pela chicotada da cauda de um dragão prateado. Era Makoto, a Dama de Lotus. Montada em seu dragão, ela havia vindo para defender o seu reino, e também ficara abismada ao dar-se conta de quem pilotava aquele monstro de metal, seu velho amigo de infância. O rei de Olen’ e a Dama de Lotus haviam se reencontrado após longos anos de distanciamento. Era verdade, os dois já se conheciam há muito tempo, costumavam brincar juntos correndo entre os convidados nas festas que eram dadas pelo pai do rei, o duque, naquelas mesmas areias das praias onde agora os exércitos se chocavam, quando os reinos rivais ainda eram aliados.
No mesmo instante, a guerra foi suspensa. Tratados foram feitos às escuras naquela noite e papéis foram assinados à luz das velas, a trégua durou uma semana inteira, e após aquele hiato, a guerra foi dada como vencida pelo ocidente, e o rei, como desaparecido. Ninguém soube o que havia acontecido de verdade, tudo ficara muito confuso após aquela tarde em que o dragão prateado e o monstro de metal bateram de frente, os dois líderes dos exércitos rivais cara a cara, pedindo por uma trégua mútua. No meio da confusão, com os batalhões retrocedendo, pessoas desapareceram. Entre elas, Makoto e o rei.
Dizem as más línguas que naquele momento de trégua o rei de Olen’ montou no lombo do dragão prateado e fugiu para muito além das terras dos homens-macaco com seu verdadeiro amor. Outros dizem que muitos acordos foram feitos durante uma semana inteira. Entre eles, foi decidido que o rei se casaria com a princesa Makoto em troca da paz entre os reinos, e para a família real ele seria dado como morto em campo de batalha. Alguns dizem que ele realmente morreu naquela tarde, que o dragão da princesa Makoto alimentou-se dele, mas isto pode ser apenas outro modo de interpretar mais uma metáfora, das muitas que são encontradas nestas estranhas histórias, sem pé nem cabeça...




~


Apenas mais um conto de fadas, que complementa a história que está na página secreta deste blog. Os mais sábios já perceberam!

xoxo

L.M.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Letra & Música - Edição Especial


A edição musical deste blog hoje é especialíssima porque irei apresentá-los à voz do ano: Clare Maguire. É claro que você não a conhece - ainda - mas daqui há um ou dois anos você irá ouvir muito falar dessa garota - exatamente como aconteceu com Florence + The Machine - cuja potente voz surpreende quem se deixa levar pelo rosto meigo de boneca da dama. Clare Maguire é inglesa e assinou com a Universal Music Group Polydor Records em 2008. Foi anunciada em 03 de janeiro de 2011 no 5 º lugar na lista dos 15 artistas mais promissores da BBC Sound de 2011. Maguire também foi apontada como uma das promessas da MTV para 2011. Sua voz tem sido comparada com Annie Lennox e Stevie Nicks. E se você estiver interessado - e eu tenho certeza de que está - é só rolar a barra lateral e encontrar o seu mais recente vídeo "The Shield And The Sword" no final desta postagem, onde você encontrará a letra da música e a tradução dela. Pode crer, você não escuta voz parecida desde Cher!

The Shield And The Sword

You and i
Felt so good to begin with didn't we?
Well now it seems there's far too many adverts in between
And we don't speak
So we're left in constant silence
It's haunting me
So i'm ready now to fight this

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you

You and i aren't working
Burning on the bridges now
We're trapped inside
Screaming won't somebody get me out

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you

I no longer love you
No longer love you
No longer love you
No longer love you

And we don't speak
So we're left in constant silence
And it's haunting me
So i'm ready now to fight this

You have the shield
I'll take the sword
I no longer love you
No longer love you
I'm not afraid of danger in the dark
I no longer love you
No longer love you
[x2]

You and i
Felt so good to begin with didn't we?
But now it seems these shields and swords are haunting me


O Escudo E A Espada

Você e eu
Nos sentimos tão bem em começar um nada, né?
Bem, agora parece, que há muitas propagandas entre nós
E nós nem nos falamos
Só ficamos em um silêncio constante
E ele está me assombrando
Então, agora eu estou pronta para combatê-lo

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais

Você e eu, não estamos funcionando
Nem nos dando a chance
Estamos presos por dentro
Gritando por alguém que nos faça sair

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais

Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não te amo mais

E nós nem nos falamos
Só ficamos em um silêncio constante
E ele está me assombrando
Então, agora eu estou pronta para combatê-lo

Você tem o escudo
Eu vou levar a espada
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
Eu não tenho medo dos perigos do escuro
Eu já não te amo mais
Eu não te amo mais
[x2]

Você e eu
Nos sentimos tão bem em começar um nada, né?
Mas, agora parece, que esses escudos e espadas é que estão me assustando



sábado, 9 de julho de 2011

As Dellabóboras - O Filme!

Eis-me aqui! Às vesperas de finalmente lançar o meu primeiro livro! Sei que vocês já estão cansados de ouvir isso, mas... "ai meu Deus, eu não acredito que isso realmente está acontecendo!". Nesta semana, a editora me enviou o miolo do livro para aprovação, estou corrigindo atentamente página por página, tirando e colocando coisas que faltaram e algumas incoerências, afinal, eu o escrevi com apenas 14 anos, e escrever, para mim, naqueles tempos não passava de uma brincadeira das tardes monótonas de Julho! JULHO! Esse mês, "As Dellabóboras - Volume 1" faz 5 anos de aniversário, contando a partir da data em que comecei a escrevê-lo.

Pensando nisso e visando o fim da saga Harry Potter nos cinemas, percebi que os cinéfilos ficarão órfãos das aventuras do filho de J.K. Rowling nas grandes telas, então pensei: bem que agora a Warner poderia comprar os direitos do meu livro para transformar em filme, não é mesmo? Não custa nada sonhar! (se bem que me agradaria muito mais que o livro virasse um seriado do que um filme, mas tudo bem). Decidi então fazer este post especial com as atrizes que interpretariam as personagens principais, caso alguma empresa decida transformar minha obra literária em algo audiovisual, escolhi cada uma a dedo e espero que gostem!


Ellie Darcey-Alden vai estrear neste mês como Lilian Potter nas telonas, seu cabelo ruivo e sua beleza simples são dois atributos fortíssimos para que ela interprete Afonsa nos cinemas, uma garotinha meiga, humilde e muito tranquila cuja característica principal - e seu maior charme - são os cabelos cor-de-cenoura. É claro que Ellie vai precisar clarear um pouco o tom do seu cabelo, ao contrário da nossa próxima candidata, que precisará escurecê-lo!


Elle Fanning é a irmã mais nova de Dakota Fanning, esta segunda talvez seja a atriz mirim mais famosa do mundo (hoje em dia ela não é mais tão mirim assim, mas whatever). É claro que esta é uma foto antiga da pequena, agora ela já está bem crescidinha, mas assim que bati o olho nela, enxerguei Karina Dellabóbora nos olhos azuis e no formato do rosto, exatamente como eu imaginava. A única coisa que precisaria ser mudada são os cabelos: Karina tem cabelos negros e brilhantes, os quais ela costuma prender em marias-chiquinhas no alto da cabeça.


Esta garota é perfeita para interpretar Kerbina Dellabóbora! Você pode encontrar Isabelle Fuhrman em "A Órfã" atualmente, filme que é um dos meus favoritos, aliás. Ela tem tudo o que é necessário: os olhos claros, a boca pequena e a expressão fria e maligna de Kerbina, além é claro, de dar um show de interpretação mesmo sendo tão novinha.



A única atriz brasileira do meu elenco! Isabelle Drummond pode ser vista hoje em dia no horário das seis em Cordel Encantado, talvez poucos se lembrem mas era ela quem fazia a boneca Emília no "remake" de Sítio do Pica-pau Amarelo, que passava todas as manhãs às onze horas após TV Globinho. Hoje, Isabelle cresceu e esbanja delicadeza e traços leves, olhos brilhantes e gesto de dama, ela é praticamente Cordélia Dellabóbora encarnada!

Quem não se lembra dessa tia só pode ter algum problema de memória! Magda Szubanski foi praticamente mãe de um porquinho muito atrapalhado! Sim, esta era aquela senhora gorducha que cuidava do Babe, ou simplesmente "Porco" como era comumente chamado no filme por esta simpática tia. Ela tem tudo para interpretar Srta. Patapaposa, a tutora das meninas, se por um acaso do destino meu livro vier a se tornar um filme. Ela esbanja fofura de sobra, tem um rosto meigo e um sorriso materno inconfundível, além de ter o porte físico ideal para viver Helen Bloomsbrownson nas telonas.


Em breve, trarei mais personagens de "As Dellabóboras - Volume 1" em carne e osso! Aguardem!


As Dellabóboras - Volume 1

Em Setembro nas lojas!



quarta-feira, 6 de julho de 2011

E a Previsão do Tempo é...


Nublado! Estou sem inspiração para escrever sobre robôs, futuros distantes e afins, portanto, nada de Reboot por tempo indeterminado.

Quer dizer, eu poderia muito bem retomar Reboot neste exato momento (eu comecei a escrever o primeiro capítulo e parei, no comecinho desse ano), mas minha cabeça está borbulhando de ideias novas para o Volume 4 de As Dellabóboras e eu não quero perdê-las, eu deveria começar a escrever o quarto ano de Afonsa como bruxa neste exato momento, mas sinto aqui no fundo uma responsabilidade para com Reboot, que estava no cronograma do blog desde antes de Yellow ser publicado... Em resumo, um está me impedindo de escrever o outro, e pra completar eu me apaixonei por Percy Jackson e agora não consigo LARGAR o livro, já estou no Mar de Monstros e juntando dinheiro para A Maldição do Titã. Era tudo o que eu estava procurando! Depois que Harry Potter acabou (gente, o últime filme estreia semana que vem ai meu Deus) eu fiquei meio que órfão na área literária, sem uma série para me apegar, e aí eu li o Ladrão de Raios e foi puro amor.

Enfim, há outro grande impecilho também, na parte técnica: o Word do notebook não quer abrir de jeito nenhum (maldita Microsoft) e eu não to afim de ficar levando ferrada de carapanã lá na sala, me poupe. Ou eu trago o computador grande pro quarto ou... Bom, vou resolver isso, pedir pra alguém instalar de novo o Word aqui ou algo parecido. Mas não estou muito preocupado com esse blog não, as pessoas não leem, não comentam, só entram aqui pelo Google pra roubar imagens, então estou bem relaxado. Fico preocupado com ele depois de setembro...

Bom, espero que me entendam.

xxxo

L.M.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

The Fatcat House de Cara Nova!


E mais uma vez, chegou a hora de mudar! Foi preciso um dia inteiro para criar coragem e dar uma geral no design do blog, mas finalmente eu consegui! Aqui está a nova cara dessa divertida fábrica de sonhos, espero que tenham gostado. Os comentários que recebi até agora foram de que as cores estão amenas e não cansam a vista, e embora o plano de fundo arremeta a um blog musical e fuja um pouco do nosso padrão místico, está um tanto de acordo com essa nova fase da minha vida: o estrelato! Algumas postagens antigas estarão passando por mudanças também, para que o texto se torne legível, como o primeiro The Big Machine que continua com as letras roxas quase pretas, impossíveis de ler sem a seleção do texto pelo mouse. Espero que tenham gostado, e aguardem por novidades!


XOXO - L.M.

Minhas Próprias Pernas


Sabe de uma coisa que tem me incomodado bastante ultimamente? As pessoas tentarem me controlar. Odeio isso. E o pior é que eu deixo, porque sou tão bonzinho e flexível com todo mundo, sempre tentando agradar e tudo o mais, acabo me tornando algo que eu próprio detesto.

Outra coisa que eu não suporto é ouvir aquela frase pós-adversidade que já virou um clichê: "você me decepcionou" ou "nunca pensei que você fosse desse jeito" ou até mesmo "não esperava isso vindo de uma pessoa como você". OK. Em primeiro lugar, eu nasci pelado, careca, não sabia falar e muito menos escrever, então se por um acaso há algum contrato por aí assinado por mim atestando algum tipo de compromisso de PERFEIÇÃO datado em 1993, pode ter certeza que é falso. Não lembro de ter prometido ser perfeito quando nasci.

O mal das pessoas é que elas cobram demais de si mesmas e o que é pior, dos outros também! Cobram muito mais dos outros, e eu odeio essa cobrança em cima de mim. As pessoas exigem demais de mim, elas exigem coisas que eu não posso dar. Um exemplo? Me comportar. Eu não vou me comportar, eu não vou ser do jeitinho que vocês querem, eu me recuso a isso! Eu não quero me comportar, eu quero ser eu mesmo! Eu quero usar luvas de couro, maquiagem pesada, coturnos e suspensórios! Eu quero, eu quero poder me expressar da minha maneira, eu quero... Eu quero ser quem eu sou! Eu não se nem quero ser comportado, eu só quero fazer o que eu tenho de fazer, o resto pode ser resolvido com tempo. Se você gostou, parabéns, se não não gostou, fazer o quê? Eu não posso agradar a todo mundo, nem Jesus agradou a todos.

Pensando nisso e em outras coisas eu cheguei a uma conclusão: se eu não mostrar aos outros quem eu sou de verdade agora, vai ser muito pior depois, quando eles estiverem acostumados à essa pessoa pacífica e passiva que fala pouco por medo de repreensão e não faz aquilo que quer por medo de desaprovação. Se de repente, uma pessoa como essa começa a fazer exatamente o contrário, a represália vai ser muito mais dolorosa, e eu não vou estar preparado. Eu tenho de ser quem eu sou sem medo! Não vou deixar ninguém me controlar, não a essa altura do campeonato.

Meus pais não vão me ajudar a montar o meu visual para a Première porque é extravagante demais e eles desaprovam? Ótimo! Eu me viro sozinho! Blusa social, calça preta, suspensório e maquiagem, não é muito difícil, só preciso juntar algum dinheiro, um mês inteiro será o suficiente para arranjar tudo isso. Eu não me importo com o que os outros vão pensar, eles tem de se acostumar a mim, porque sempre vai surgir alguém pior lá na frente que vai chocar muito mais. E além do mais, as pessoas tem de aprender a me admirar pelo meu trabalho, e não pela minha imagem, pela minha aparência. Eu não sou nenhum santo exposto no altar de uma catedral qualquer (se bem que, eu adoraria usar aqueles mantos e os esplendores da Virgem Maria), eu sou um ser humano, não um ícone, uma estátua.

Aí você se pergunta: o que isso tem haver com a Ariel, ilustrando a postagem?

Quem teve infância conhece a Ariel muito bem! A Pequena Sereia, conto original por Hans Christian Andersen, adaptada para o cinema pela Disney. Ariel nunca deu bola para o que os outros pensavam dela, nunca ligou muito para essas regras bobas da sociedade em que ela vivia, esse negócio de evitar os humanos e tudo o mais, ela estava pouco se lixando pra tudo, ela só queria viver a vida dela e fazer o que ela tinha de fazer. Todos achavam que ela era a filhinha perdida, que vivia desobedecendo o papai e que não tinha futuro nenhum nessa vida. Sabe o que ela fez? Bem, ela deu uma banana enorme pra todo mundo, foi lá com a linda da Úrsula, fez um pacto (foi tapeada e deu toda aquela confusão lá), e no final se casou com o Príncipe Eric, que aliás era humano, mas o pai dela teve de aceitar porque era isso o que Ariel queria para ela, sem se importar com a opinião alheia.

No final das contas, a irmã mais nova Ariel foi a única que casou (com um cara muito rico, diga-se de passagem), enquanto as outras ficaram encalhadas debaixo d'água pra sempre. (Tudo bem, eu sei que no conto original a Ariel vira espuma do mar porque o príncipe nem tchum pra ela, mas, whatever).

Então é isso. Ou eu fico no fundo do mar, ou começo a andar com as minhas próprias pernas? Qual vai ser, hein?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

FIERCE!


Estou aqui por vários motivos. Primeiro gostaria de saldar a todos aqueles que acompanharam Draconius Nefastus 2 fielmente e que, mesmo sem comentários, curtiram a história (eu interpreto o silêncio de vocês como uma espécie de aprovação, já que vocês não dão sinal de vida). Foi uma história bem simples de se trabalhar, já havia feito algo parecido há alguns anos atrás na primeira parte da história, o que eu fiz neste novo capítulo da saga foi incrementar e adicionar alguns elementos como a apresentação e representação dos personagens principais em um post especial contendo uma pequena biografia de cada um deles. Foi algo bem diferente, não havia experimentado fazer algo assim antes por medo de implicâncias com direitos autorais e afins, mas então eu pensei "ora bolas, ninguém lê esse blog, e a chance do dono das fotografias e dos modelos encontrarem isto aqui é de zero para um bilhão, então vamos dar um tom de realidade a essa nova história!".

Peguei no tumblr as fotos com os modelos estilizados em steampunk, escolhi quem iria representar quem, coloquei os nomes com a ajuda do bom e velho paint com a fonte-tema do capítulo da série e pronto! Algo diferente no blog havia nascido! Inovando, como sempre...

Outro motivo pelo qual estou aqui é pra dizer que hoje, nesta madrugada do dia 30 para o dia 1 de Julho, o blog estaria passando por mudanças em seu conceito, estilo e design. A partir desta manhã, vocês contariam com um novo plano de fundo, uma nova disposição do texto e do banner, uma nova fonte, novas cores e acima de tudo, um BANNER novo no cabeçalho. Ou seja, o blog contaria com uma nova cara a partir de hoje. Mas eu sou sentimental demais, e acabei me apegando ao tema atual, qual estou usando desde o final do ano passado, sequer me lembro do tema anterior. Passei seis meses trabalhando no novo tema, criei banner e conceitos novos pra chegar na hora H e hesitar. Acontece comigo, tenho um pé atrás com tudo, e pra completar, o Andrew me vem com uma dessas:

Louie Mimieux diz
vou mudar a cara do blog hoje
mas to com uma pena do caramba

Black Cherry diz
shdusdahusdahusadhusadhsdaushdau
deixa mais um pouco
(L)
adoro aquele ninho McQueen
representa tanta coisa no seu blog
nascimento
criação
estilo
(L)

~

E ele tem toda a razão! Esse banner que uso atualmente representa tanta coisa, e é tão a minha cara. Ele é transcendental, moderno, chamativo e ao mesmo tempo clássico, misterioso e fatal. Ele cativa de primeira quem abre a página inicial! Então, decidi que vou manter esse tema por mais um tempo, já que gosto tanto dele e a opinião externa tem uma aceitação grande em cima dele.

Estou aqui também para me desculpar pelo baixo nível de postagens recentes, a falta de artigos e opinião, relatos do meu cotidiano e afins. Depois dos recentes incidentes com postagens antigas, tenho pensado muito antes de postar qualquer coisa aqui, e além do mais, mal tenho paciência para escrever no meu diário, que está repleto de páginas em branco, quanto mais num blog, onde todos podem ler e saber da minha vida! Deus me livre! Ultimamente, estou sem cabeça pra muita coisa, entre elas está escrever. Acabei me comprometendo com muita coisa para comigo mesmo e não estou dando conta de todas elas. Fui aconselhado a deixar minha cabeça bem limpa e livre para o que virá após as férias...

A All Print Editora confirmou minha presença como escritor na Bienal do Livro no Rio de Janeiro em setembro, dia 7. Papai já conseguiu as passagens e agora é só preparação espiritual para o grande dia. Estarei expondo meu primeiro trabalho das 19:00 às 21:00 horas: "As Dellabóboras - Volume 1", e eu nem tenho palavras para descrever a sensação que é estar passando por esse momento da minha vida. Mãos geladas, dificuldade pra respirar e coração acelerado definem muito bem o misto de felicidade, excitação, medo e pavor que sinto quando lembro-me da grande responsabilidade que terei daqui por diante. Responsabilidade pelo meu trabalho, pela minha imagem, pela minha pessoa pública (AI-MEU-DEUS). Assim que chegar em Macapá após uma semana no Rio de Janeiro, terei poucos dias para me preparar para a Première Oficial no Malocão do SESI (já foi decidido o local agora, não mais o teatro e sim a maloca), que será outro grande desafio para mim: vários mundos estarão misturados num só lugar. Novos Amigos, Velhos Amigos, Família, Imprensa e Autoridades, como vou lidar com toda essa gente sendo eu mesmo? Ai, que confusão em que eu me meti! Uma excitante confusão! Mal posso esperar pra finalmente me tornar uma estrela...

Uma estrela que continua sofrendo do desdém e do tripúdio alheio, acredite se quiser. Apesar de tudo o que eu já passei para chegar até aqui, aos outros nunca parece o bastante, continuo sendo vítima do despeito de algumas criaturas baixas e insignificantes que espreitam a borda da banheira de ouro onde tenho me banhado ultimamente. Contei a dois familiares certo dia a respeito do lançamento do livro e eles riram da minha cara, outro dia no Facebook, certo "ser" pseudo-intelectual que se diz amante da música eletrônica mas nunca ouviu um Goldfrapp nessa vida e se acha o tal ouvindo o dance farofa da Jovem Pan me esnobou e ignorou.

Sabe o que eu faço? Eu rio apenas, porque daqui há alguns meses meu rosto estará em cada mídia impressa e televisionada, e quero ver se esses seres vão ter todo esse poder para ignorar quem está no topo. Risos. Muitos risos. Porque quem ri por último ri melhor meu bem.

E deixa eu te falar que tô adorando a Norma na novela das oito, a cada dia que se passa, a personagem dela se consolida como minha favorita, porque (assim espero) chegará a minha vez de esbofetear a cara de cada um deles e colocá-los para dormir no Canil da minha bela mansão no Rio de Janeiro (HAHAHAHAHAAH COMO SOU MÁ).

Gostaria de anunciar também um pequeno atraso na publicação da próxima série deste blog, Reboot, qual fará a diferença mais uma vez por ter a sua trilha sonora publicada antes do primeiro capítulo (ao contrário das outras que sempre saem ao término), como uma espécie de abertura e introdução ao mundo futurístico caótico que a história irá mostrar. Estejam preparados!

XOXO

Antonio Fernandes//Louie Mimieux//Whatever



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Final)




(...) Entramos naquele mundinho humano intocável através do alçapão de carga, misteriosamente aberto. A rampa de acesso aberta estava coberta de neve e gelo, foi difícil subir o declive escorregadio, mas conseguimos alcançar a área do bagageiro do zepelim. Vimo-nos então cercados de caixotes grandes e pequenos por todos os lados, cobertos pela neve que o vento trouxera para dentro, a sensação que tínhamos andando por ali era de que as pessoas que um dia estiveram dentro da aeronave saíram para averiguar sua localização e não voltaram mais. Era realmente assustador, um sentimento de abandono e desolamento exatamente igual ao que experimentamos na cidade congelada na entrada do vale.
Chegamos ao final do bagageiro então, dando de frente com uma elevação do piso, com degraus enferrujados com acesso ao patamar superior, este cercado por um tipo de amurada. Lá, encontramos uma única porta de ferro pesado, precisamos de todos os homens da expedição para abri-la. Uma típica porta de navio ou de submarino que fosse pesada e pressurizada o bastante caso ocorresse um naufrágio: giramos a manivela e empurramos, para adentrar no mundo que eu e meus amigos havíamos abandonado há um ano. O mundo do conforto e da sofisticação nova-iorquina.
Após uma averiguação, foi constatado que o zepelim de origem misteriosa tinha tudo o que era necessário para a nossa fuga daquela ilha infernal: o combustível, o gás necessário para manter-se no ar, tudo. No mais, era como controlar um navio voador, e de navios nós entendíamos muito bem. As coisas ali dentro estavam em perfeito estado, uma música ambiente tocava baixinho quando entramos, passeando suave para fora do alto falante de um gramofone no final do corredor. Os abajures estavam acesos, havia café e chá nos bules em cima da mesa de centro do que parecia ser a sala social do lugar. Quadros mostrando paisagens exuberantes estavam pendurados na parede, e o lustre de um pequeno salão circular tinha cada uma das suas pequenas lâmpadas amareladas acesas.
Dez pequenos quartos e uma grande suíte, duas cozinhas e cinco banheiros comunitários com um largo e luxuoso corredor forrado com carpete vermelho cortando-o ao meio. Essa era a área de convivência do zepelim, fora o bagageiro, a sala de comando, os depósitos, os motores e os aposentos destinados aos empregados, que eram bem mais apertados e em maior número no andar inferior: o pequeno zepelim tinha três andares. Um deles parecia ser um salão de bailes.
“Impossível!” exclamou Ray Ann quando nos encontramos no pequeno salão circular do final do corredor principal. “Nós olhamos cada canto desse lugar, está completamente vazio, não há uma alma penada ou sinal de vida nos três andares, tudo morto, parado, abandonado!”
“E a sala de comando, os motores, depósitos?” perguntei.
“Nada também. Tudo deserto!” respondeu Don, muito nervoso. Aquilo era suspeito demais para ele.
“Não tem ninguém, está tudo vazio, abandono total! Parece-me que, quem quer que sejam as pessoas que estiveram viajando neste zepelim, fugiram não faz muito tempo, deixaram tudo para trás!” completou Fábia, confusa. “Tem roupas nos armários, camas desarrumadas e comida fresquinha na cozinha... É como se... As pessoas tivessem saído para dar um passeio e não voltaram...”
Pietro sugeriu que talvez a tripulação tenha descido para averiguar a segurança dos passageiros naquele lugar, acabaram capturados pelas feras da floresta e não voltaram mais. Em desespero os passageiros resolveram sair também, e acabaram tendo o mesmo destino. “Mas isto é só uma hipótese!” completou.
Decidimos então aceitar que tínhamos um lugar seguro para dormir pelo menos por uma noite até que tivéssemos condições e conhecêssemos o funcionamento daquela geringonça para alçar voo e sair dali de uma vez por todas. Isso levaria talvez dois, três dias ou mais. Entendíamos muito bem de navios após um ano no mar, mas aquela coisa era um misto de navio e avião. O único aviador entre nós era Don Hills, que pilotara quando mais jovem, mas atualmente pouco lembrava-se das aulas de pilotagem. Tínhamos comida e cama quentinha, o momento era de tranquilidade, pelo menos por enquanto.
Caímos no erro de esquecermo-nos da rampa do bagageiro aberta. Assim como a pesada porta de ferro que levava ao interior luxuoso do zepelim. Aquela porta esteve fechada durante todo esse tempo, e isso havia impedido que as feras da floresta de vidro adentrassem e perturbassem a ordem impecável dos objetos e mobília esquecidos pela tripulação desaparecida. O mal esgueirou-se pela fresta aberta da porta durante a madrugada, e enquanto dormíamos tranquilos, Fábia Paola fora sequestrada pelos tentáculos malditos.
Acordamo-nos com os gritos dela, já distantes. Saltamos da cama e corremos para os corredores, armados até os dentes por pistolas, espingardas e outras armas que encontramos na cabine de controle onde deveria haver um capitão. Foi tempo o suficiente para ver o último tentáculo retroceder no final do longo corredor. Arrastando-se para fora da pesada porta de ferro pela fresta, tirando à força as mãos de Fábia agarradas à porta, teimando contra o sequestro e lutando para prender-se a algo sólido que lhe desse sustento e apoio.
Corremos em direção à ela para puxá-la de volta, mas não fomos rápido bastante, tivemos de descer ao bagageiro e correr para fora do zepelim, para a neve outra vez, onde outros tentáculos maiores, mais grossos e mais vistosos tateavam as laterais do zepelim e enroscavam-se nas cordas que o prendiam ao chão. Se elas arrebentassem, a nossa estratégia de fuga já era. O zepelim sairia voando! Então ou corríamos em socorro à Fábia ou lutávamos contra os tentáculos.
Rapidamente, Don Hills e Ray Ann se ofereceram para ficar e lutar contra os tentáculos, enquanto Pietro, Augusta e eu partíamos em socorro à nossa amiga capturada. Corremos em desabalada carreira pela floresta de vidro adentro, derrubando arvoredos e fazendo raízes em pedaços, no encalço dos berros da companheira. Por vezes tínhamos vislumbres de seus braços sendo sacudidos no ar, acima das folhagens congeladas, mas depois eles desapareciam, deixando para trás o eco de seu desespero, e é claro, aquele rastro viscoso do tentáculo que formava uma verdadeira trilha no meio da mata. Cavando uma vala em seu caminho tamanha a violência com que se arrastava.
Topamos de frente com mais javalis gigantes que pareciam tão assustados quanto nós, talvez mais, eles corriam para longe de nós quando passávamos, estavam fugindo dos tentáculos, porque eles estavam por toda a parte. Grandes, grossos e gordurosos, deixando muco onde tocavam. Vimos também bandos e mais bandos de macacos batendo em retirada para fora da mata, e presenciamos os tentáculos agarrarem um dos alces pernaltas e arrastarem-no com tamanha violência que o fez perder as quatro pernas! Engoli em seco na mesma hora! Fábia poderia estar sem a cabeça àquela altura! Seguíamos atirando contra qualquer coisa que se movesse em nossa direção, sem pestanejar.
Então, para nosso espanto, o terreno entrou em declive repentino, topamos com uma enorme depressão, uma inclinação perfeita como a borda da cratera de um meteoro gigantesco. Ali a floresta de vidro acabava, e ali nós descemos rolando violentamente por causa da minha falta de atenção. Eu ia à frente e estanquei repentinamente quando cheguei á beirada do precipício, mas Pietro veio logo atrás e empurrou-me com toda força para frente. Augusta tentou segurá-lo e acabou vindo junto, logo éramos uma bola de neve e carne rolando para o desconhecido.
Quando o terreno finalmente tornou-se reto e liso outra vez, tivemos de usar da força dos músculos para não escorregar mais longe: estávamos agora sobre a superfície de um lago congelado no centro de uma enorme cratera! O meio da floresta, o olho da ilha. Para nosso desespero, a fonte de todos os tentáculos!
A cratera tinha uma circunferência perfeita, como um enorme estádio de futebol. Em seu centro havia essa lagoa congelada, salpicada de buracos, furos perfeitamente redondos no gelo por onde os tentáculos cor de cobre cheios de ventosas esgueiravam-se para fora como minhocas gordas e asquerosas. Nós três estávamos aos berros e aos prantos, cercados daquelas aberrações por todos os lados, rastejando em nossa direção para fora de suas tocas, sobre o gelo perfeitamente límpido e cristalino.
Meu desespero só aumentou quando eu olhei para baixo, para meus pés, para minhas pernas bambas, para as fundações onde eu pisava. Rachaduras estavam se formando abaixo de nós, em breve cairíamos na água gelada da lagoa no centro da cratera e encontraríamos o dono daqueles tentáculos. Dono este que abriu seus olhos no momento em que a primeira rachadura estalou.
Eu urrei tão alto, tão alto que tive a certeza absoluta naquele momento de ter arrebentado as minhas cordas vocais por completo! Abaixo de mim havia um farol amarelo enorme, que imediatamente interpretei como sendo o globo ocular da criatura abaixo dos meus pés. Era tão grande que englobava nós três exatamente no centro, onde uma pupila negra horizontal e retangular me fitava! Comecei a correr, a patinar sobre o gelo para a borda da cratera, para fora da superfície congelada em total desespero, meus companheiros fizeram o mesmo!
Eu já havia me esquecido de Fábia quando ela surgiu ao meu lado enrolada nos restos mortais de um tentáculo, completamente suja dos pés à cabeça na lama negra que era o seu sangue. Mais tarde soube da parte dela própria que havia mastigado o tentáculo na ausência de um facão, por mais absurdo que parecesse. Os tentáculos estavam agitados e surgiam aos montes, abrindo novos e irregulares buracos na superfície congelada da laguna, escalávamos a borda da tigela infernal com Augusta Montgomery protegendo a nossa retaguarda utilizando-se de duas pistolas potentes e uma espada afiada de samurai, com a qual decepava os braços de polvo cheia de graça e destreza. Mal havíamos começado a escalada quando o gelo do lago estourou como a tampa de uma panela de pressão! Estávamos sentindo o tremor de terra desde cedo, mas não havíamos dado a devida atenção: a criatura estava arrebentando o gelo e vindo para fora! A explosão nos lançou para longe impulsionados pelo tsunami de água gelada que veio em seguida, fomos atirados por sobre as árvores de vidro e tivemos cortes sérios nos braços e no rosto. Tenho até hoje um dos meus olhos fechados por causa disso, uso um tapa-olho constantemente.
Antes de começar a correr de volta para a clareira onde o zepelim estava, como meus companheiros fizeram sem sequer pestanejar, eu olhei para trás.
Sim, fui corajoso o bastante para olhar para trás e vislumbrar, por entre as árvores, a montanha orgânica que vinha surgindo das profundezas do inferno gelado. Quando digo que a coisa tinha o tamanho exato de uma montanha, não estou mentindo: a terra estava se abrindo em rachaduras aos meus pés, isso porque cheguei a ver somente a cabeça do bicho vindo para fora.
Era a cabeça de uma tartaruga. Uma enorme cabeça de tartaruga com o pescoço comprido e enrugado. Seu bico era curvo e repleto de dentões amarelados e afiados como os de um tubarão, seu rugido era como um trovão ribombando pela cordilheira que cercava o interior da ilha. O ninho das grandes corujas caçadoras de penacho fora destruído pelo despertar do monstro, e eu as vi em debandada desesperada acima da minha cabeça, nos céus da Antártida aos montes.
Depois vieram duas patas como as de um elefante, se ergueram metros acima do chão e pisaram com força, destruindo totalmente a mata à beira do lago e deformando a estrutura da cratera. Não fiquei nem mais um segundo, corri tanto que logo estava no encalço dos meus amigos, chegando à clareira onde o zepelim estava à todo o vapor: Don e Ray haviam sentido os tremores de terra e visto tentáculos colossais, maiores do que todos os que eles haviam visto, se assomando na linha do horizonte. Estavam prontos para escapar, fechando a escotilha do zepelim quando saltamos para dentro nos machucando mais ainda!
Para nossa surpresa, haviam tentáculos atrás de nós em nossa fuga também, tentáculos esses que foram decepados com o fechamento violento da escotilha. O zepelim se distanciava cada vez mais do chão. “se vocês dois estão aqui, quem está pilotando o navio voador?!” eu perguntei, afoito. Ray Ann respondeu-me que haviam encontrado o piloto escondido em um dos armários e o convencido de colocar a geringonça para funcionar e escapar dali de uma vez por todas! Ora vejam só! A comemoração foi tanta, nos abraçamos e gritamos vivas, subimos ao patamar superior e adentramos no zepelim correndo em direção à sala de controle no andar inferior, descendo pelo alçapão na cozinha, passando pela sala das máquinas.
Das enormes janelas da cabine do capitão, vimos aqueles tentáculos asquerosos se esticando abaixo da aeronave, lutando contra a gravidade tentando nos alcançar! Era uma cena apavorante! A floresta havia sumido e tudo era só tentáculos! Como um ser daqueles conseguia possuir tantos braços? Grossos, finos, curtos e compridos?! Olhar ao redor era encarar um pesadelo, olhar para trás, pior ainda! A grande criatura havia partido a ilha em duas enormes placas de terra em sua agitação colérica pela nossa fuga, esgueirando-se cada vez mais das profundezas e assomando-se acima de tudo o que havia ao redor. Até mesmo das cordilheiras que cercavam a ilha (ou o seu casco, sua casa, a carapaça que protegia o seu corpo).
Não pudemos conter o misto de pavor, horror, ojeriza e asco ao ver a aparência daquele ser hediondo que surgia há pouco menos de dois quilômetros do zepelim. Estávamos cara a cara com ele, praticamente.
Algas marinhas avermelhadas haviam crescido aos montes no topo da sua cabeça, formando uma floresta densa que agora lhe caía sobre os enormes olhos amarelados como uma cabeleira escorrida e vermelha. Sua cabeça era um misto da cabeça de uma tartaruga com um crocodilo: tinha dentes protuberantes ameaçadores e um bico curvo. Seu longo pescoço ligava aquela monstruosidade de cabeça a um corpo disforme e quase humanoide, de onde lhe escapavam as compridas patas de paquiderme que se entortavam para frente e lhe apoiavam a subida, além de um horroroso par de garras crustáceas esticadas para frente que abriam e fechavam em fúria. Seria ela uma fêmea de algum mamífero mutante? Percebi três nódulos em forma de seios protuberantes em seu tórax coriáceo. Olhei por alguns instantes e quase pude ver o poderoso Empire State no lugar da criatura, ela tinha a altura do maior prédio do mundo!
Estávamos em movimento, partindo para longe da ilha, sobrevoando a floresta de vidro, e depois a pastagem dos alces, a caatinga de cristal e por fim, a cidade grega congelada no tempo. Passamos raspando por cima do pico gelado de uma das cordilheiras, por pouco não nos acidentamos. O que vimos depois de cruzar o paredão de pedra que cercava a ilha tornou a nos preocupar muito mais do que olhar para trás e ver aquela criatura quase totalmente fora de sua toca: os maiores tentáculos (maiores até mesmo do que aqueles que puxaram nossa embarcação para baixo) estavam totalmente fora d’água, esticados, se contorciam como minhocas famintas perigosamente próximas do nosso veículo voador em fuga!
Completamente esticados, escorregavam montanhas acima de forma preguiçosa por serem os mais pesados (provavelmente por esse motivo a criatura os manteve descansando nas profundezas esse tempo todo: colocá-los em movimento seria muito dispendioso a ela), seus movimentos quebravam a praia e todo o gelo das grandes placas de iceberg que cercavam a ilha por todos os lados. Eles nos caçavam, procuravam agarrar-se ao zepelim como os mais finos e mais leves o faziam, esticando-se muitos metros acima do mar, em nossa direção, perigosamente próximos de nós, faltava muito pouco para sairmos da zona de perigo, mas não havia a certeza de que sairíamos dessa vivos.
Olhar ao redor era encarar um apocalipse de tentáculos. Tentáculos colossais vindos das profundezas abissais do mar antártico, destruindo os paredões de pedra, o gelo dos icebergs, levantando névoa branca e espessa no ar gelado, eclipsando a luz do pôr-do-sol eterno e o brilho das constelações. Eles avançavam para cima famintos, se debatiam furiosos, destruíam tudo o que existia em volta, tornavam o mar bravo, revoltoso, agitado, quebrando o gelo em volta como se fosse gesso, levantando a poeira branca que encobria tudo.
Já havíamos pegado uma altitude relativamente segura, e a floresta de tentáculos gigantescos estava começando a ficar para trás. Os urros da besta fera colossal ainda faziam vibrar o zepelim de ponta a cabeça, o lustre vibrava, as luzes falhavam, a água nos copos ondulava, mas isso não nos abalava. Este inferno sonoro durou apenas algumas horas. Olhávamos fixamente para o horizonte, sentados ao lado do nosso novo capitão que pilotava a nave como se estivesse em outro mundo, não neste. Estávamos correndo um risco enorme, é claro. A besta fera talvez estivesse neste exato momento nadando ao nosso encontro. Talvez houvesse destruído a ilhota ao seu redor com toda a sua cólera animalesca, pondo-se a arrastar seu corpanzil montanhoso nas profundezas do oceano rumo ao nosso encontro, para surgir no meio do mar azul diante de nós e engolir-nos com a sua bocarra repleta de dentes.
Nenhum de vocês jamais entenderia o nosso desespero, jamais entenderia o porquê de termos passado três dias acordados sem sequer piscar os olhos desde que alçamos voo daquela ilha maldita, da toca da besta, do esconderijo colossal da maior e mais grotesca fera submarina. Fechar os olhos para nós significava ouvir o arrastar dos tentáculos ao nosso redor, vindo em nossa direção. Significava muito mais do que isso, significava ver aquele misto de tartaruga, polvo e crocodilo surgir diante de nós, pronto para nos dilacerar com um único movimento de suas garras de crustáceo, esmagar nosso corpo de formiga comparado à suas patas de paquiderme do tamanho de um prédio de dez andares.
Nenhum de vocês jamais entenderia o nosso medo se não tivessem vivido e visto os horrores que vimos, passado pelo que nós passamos. Na pele, no frio, no sangue e no gelo. O infinito branco do mar antártico. O infinito que guarda horrores desconhecidos ao conhecimento humano. Sequer imaginados. Nem em meu pior pesadelo conseguiria criar de forma tão perfeita e tão grotesca tal ser tão gigantesco e monstruoso. Tão ameaçador e maligno.
Minha descrição besta-colosso nesta gravação é ridícula, inútil, boba. Eu jamais poderia descrever com palavras. Talvez “horror” já esteja em desuso há muito tempo perante a existência de tamanha atrocidade natural. Nem que eu vivesse 200 anos encontraria palavras para descrever o que vi com estes olhos que em breve a terra há de comer.
O que mais me deixa perturbado é a dimensão da sua existência, o tamanho daquele monstro, tão grande o bastante para ocupar uma possível caverna subterrânea inteira embaixo daquela ilha, para fazê-la de casco. Agora entendo como aquele largo canal fora aberto. Não fora terremoto, maremoto ou pressão natural alguma, longe disso! Muito longe! Aquele canal fora aberto com a passagem da ilha, com a passagem do monstro. Aquela ilha estivera há milhares de anos no mar mediterrâneo, estivera entre as ilhas gregas, pessoas já viveram ali um dia. Aquela ilha já estivera também nos trópicos, onde as árvores e os animais surgiram, cresceram e procriaram. E por último, a ilha mudara-se para o sul, para os mares calmos e gelados da Antártida, onde tudo congelara e morrera, onde os animais mais resistentes puderam adaptar-se ao frio intenso da região, atrás daqueles paredões de pedra eles aprenderam e sobreviveram durante séculos.
A ilha era o monstro e o monstro era a ilha. Sempre fora desde o início. Eu luto e reluto contra o fato, mas esta é a grande verdade. Recuso-me a acreditar que tamanha bestialidade tenha lugar num mundo criado por Deus. Pelo nosso bom pai. Qual seria o motivo daquele monstro existir, então? Seria ele o grande leviatã bíblico?! Uma ilha-monstro que nada pelos oceanos sustentada por tentáculos famintos! Imaginem o estrago que esta criatura faria se neste exato momento batesse de encontro contra um continente? Contra uma cidade costeira como Nova Iorque ou Miami? Não gosto nem de pensar em tamanha desgraça! Nenhuma arma que exista no mundo de hoje seria capaz de matá-la, ela subiria na placa continental e destruiria tudo o que encontrasse pelo caminho, irritada como a deixamos para trás, sedenta por vingança!
Apesar do tempo que se passou desde que vivemos estas terríveis aventuras, ainda acredito que a fera esteja me caçando pelos oceanos. Eu a olhei nos olhos e sei do que estou falando. Havia consciência ali em algum lugar. Havia raiva, fúria, ódio. Tudo num misto, num verdadeiro caos. Ainda fico imaginando o que ficou oculto pelo mar. Pela ilha-carapaça. Lembrando-me que só o vi da cintura para cima, do meio do corpo até a cabeça, percebo que poderia haver muito mais ali embaixo, escondido, levando em conta que os tentáculos se esticavam há quilômetros de distância do corpo visível. Do centro da ilha. É um terror inimaginável.
Milhares de braços, milhões de tentáculos. Duas patas de caranguejo, duas patas de elefante.
Não conferi os dias ou as noites que a nossa viagem de volta nos custou. Não me lembro de muita coisa deste retorno. Dias? Semanas? Meses? Tudo me pareceu um único momento estendido: o momento entre o terror do mar aberto e a segurança de uma cidade. De estar rodeado de pessoas civilizadas, e não de feras loucas e famintas. Quando dei por mim, o Empire State havia dado lugar ao tronco do monstro-ilha, desta vez era real, e não apenas uma comparação de tamanho e proporção. Havíamos sido guiados pela bússola até Nova Iorque, mas não tivemos coragem de descer ali. Não tivemos coragem de descer em lugar nenhum.
Os rostos daqueles marinheiros que perderam a vida nesta tragédia estavam fixos nas minhas retinas. Ainda estão. Todos eles, desde os homens do Capitão Maurice até os homens do Capitão Grendel, aqueles com quem desenvolvemos mais intimidade e nos tornamos tão familiarizados. Foi difícil readaptar-se à vida em sociedade, todos nós tivemos de passar por terapias intensivas em centros psiquiátricos depois que fomos resgatados, quando o zepelim foi encontrado caído nos campos de milho do sul da Virgínia. Havia muito gás hélio nos galões, e eles acabaram quando estávamos começando a adentrar no continente. Não queríamos descer, estávamos muito apavorados, foi uma luta enorme para as autoridades nos retirarem de dentro da nave. Trauma psicológico, isso se chama.
Poucos foram os que se recuperaram. Eu fui um deles. A reabilitação custou vinte anos da minha vida, mas consegui, mudei-me para a Europa e comecei vida nova. Ray Ann foi a última com quem encontrei antes de partir. Agora uma moradora do Central Park. Quanto aos outros, não sei ao certo como terminaram. Não sei nem se estão vivos até hoje, provavelmente não. Mas eu estou aqui, nos meus últimos momentos, contando a vocês a parte oculta da verdade.
Se não acreditam em mim, vão até os mares do extremo sul do globo verificar. Naveguem em águas desconhecidas e não mapeadas. Duvido que teriam coragem. Duvido muito.
Como diria Don Hills: “A natureza às vezes nos surpreende, meu caro”.




A gravação encerra-se com um suspiro profundo e uma tossida. Sem nenhuma data ou qualquer informação, suspeita-se que tenha sido gravada na mesma noite em que Christopher Umbrella faleceu.
A fita contendo o depoimento original está guardada nos cofres da instituição, indisponível para acesso público.

...






FIM

Boicote

Todos nós crescemos ouvindo a mesma ladainha: "seja quem você é, não importa o que os outros pensem, seja você mesmo". Comigo não foi diferente. Isso foi o que eu mais ouvi dos meus pais durante toda a minha vida, eles que sempre entenderam o que estava se passando comigo desde os primeiros sinais. Mas e quando chega o momento em que eles te orientam a fazer o contrário daquilo que eles incentivaram?

Pois bem, cá estamos nós, às vesperas do lançamento do meu primeiro livro, escrito por um Antonio de apenas 14 anos, que não queria muita coisa da vida se não perder-se em meio à fantasia para fugir da realidade... Hoje à tarde tivemos uma conversa a respeito disso, a respeito do meu comportamento para com isso, a respeito de mim, sendo mais direto. Papai está preocupado em como a sociedade irá me enxergar depois dessa grande Première, e por isso me orientou a ser o mais sóbrio e discreto possível nas minhas roupas, na minha vestimenta e no meu comportamento, para que as pessoas me levem a sério. Sendo assim, nada de extravagância como coroas ou luvas de couro cheias de tachões e strass. Nada de ser eu mesmo. Nada de ser quem eu sou. Eu tenho que parecer sério.

"O que tu achas que vão pensar de ti ao te verem chegando na festa usando uma coroa?"

Na minha cabeça: "que eu sou uma pessoa divertida? engraçada?"

"Que o filho do Pantoja tá querendo chamar atenção, oras! Não vão te levar à sério desse jeito!" ele disse. E mamãe assinou embaixo.

Então é assim, é ir pelo que os outros podem pensar, pelo que eles vão achar. Pela minha aparência... É aquilo que eu mesmo disse ao Paulo Ronaldo na entrevista via e-mail: "as pessoas, elas estão mais preocupadas com o que eu estou vestindo do que com o meu talento, elas me julgam mais pela aparência do que pela minha capacidade".

Bom, que assim seja! Irei me descaracterizar totalmente para posar de escritor, já que é isso que a sociedade exige de mim, já que é isso que os meus pais querem.

Espero que esse controle sobre o meu agir e o meu pensar não dure muito tempo, espero mesmo. Espero que meu livro faça muito sucesso, e que eu arranje contrato para o restante da saga inteira, para que eu possa publicar no mínimo um livro por ano, para que eu possa andar com as minhas próprias pernas e faça aquilo que tenho vontade de fazer. Agradeço aos meus pais pela preocupação que eles tem comigo, sério mesmo, há muitos pais por aí que nem se importam, pra falar a verdade, mas meu pai, bom, ele se preocupa com o que podem dizer, com o que as pessoas podem fazer, como elas são capazes de me magoar.

Isso me lembra o episódio "Prom Queen" de Glee, onde o Kurt Hummel encasqueta com a ideia de ir ao baile usando uma coisa meio-saia-meio-calça, e todos são contra ele usar isto por causa do que os outros podem fazer, dizer ou pensar, e o pai dele explica que não pretende proibi-lo de ser ele mesmo, mas sim protegê-lo (bom, por um lado todos estavam um pouco certos, porque aquilo que ele estava usando era de um mal gosto do caramba)... Mas o Kurt, bem, ele foi assim mesmo ao baile, e fez o maior sucesso! Ganhou até o título de Rainha do Baile, ora vejam só... É a vida imitando a arte (ou a arte imitando a vida). Enfim, fui BOICOTADO, agora deem uma olhadinha nos modelitos cotados para esta grande noite:



(modelito inspirado em Alison Goldfrapp na era Seventh Tree. Abaixo, o original)







É, vai ver meu destino é
aquele que eu mais temia:


ser apenas mais um, moldado
pela sociedade

Louie
Mimieux