Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Penúltima Parte)


(...) A Floreta foi talvez a parte mais perturbadora da nossa trajetória rumo ao centro da ilha, o olho e a mãe de todas aquelas bestas-feras que encontramos pelo caminho. Ali, tudo parecia ser feito de vidro, vidro colorido, um banquete para os olhos. As folhas das árvores eram duras como pedra e tão geladas que o simples toque com a ponta dos dedos em sua superfície perfeitamente lisa fazia com que os mesmos ficassem grudados à elas. Pietro caiu no erro de tentar lamber uma pera e acabou ficando presa a ela durante metade da nossa caminhada mata adentro, ele salivou o suficiente para que a fruta de vidro (ou gelo) desgrudasse de sua língua.

Os caules das árvores eram um espetáculo: lustrosos e imponentes, grossos, reluziam como se debaixo de camadas latentes de verniz. O mesmo valia para galhos, arbustos, pedras que encontramos no caminho – e pasmem – animais. Exato. Encontramos animais congelados no tempo como estátuas em nosso caminho. Veados, araras, macacos, leões, jaguares, hipopótamos, jacarés em uma lagoa cristalina congelada. Encontramos girafas, zebras e leopardos em seus galhos com os olhos verdes fixos no vazio para a eternidade. Tudo tão brilhante, perfeito, mantido em estado de perfeita conservação graças ao gelo. Era como se Deus houvesse quebrado o maior de todos os galões de nitrogênio do universo e despejado seu conteúdo sobre uma mata tropical. Frutas pendiam gordas como pedras preciosas reluzentes em seus ramos, flores que se despedaçavam como vidro frágil ao toque das delicadas mãos de Ray Ann. Rosas que se desfaziam e viravam cacos minúsculos soprados para longe ao sabor do vento.

“Um bosque encantado...” exclamou Fábia, alisando com cuidado a galhada de um veado. Seus dedos estavam protegidos pela luva, pelo menos ela não caíra na bobagem de tirar a luva para sentir a realidade, porque a realidade era muito mais fria e dura do que ela imaginava. “Um bosque amaldiçoado...” completou Don Hills, esticando a mão para tocar as faces de um estranho macaco pendurado num galho acima de sua cabeça. Ele tinha a pelagem branca como a neve, os olhos negros como a noite e a pele azul, azul como um quartzo. Como o quartzo que o animal possuía grudado à testa. Animal este que estava vivo, que guinchou e abocanhou a mão de Don com um golpe certeiro, quase arranca-lhe os cinco dedos de uma só vez!

No mesmo instante, eles choveram aos montes sobre nós, arrancando nossas boinas e toucas para o frio, puxando nossos óculos dos rostos, atacando nossos cabelos, tentando arrancar nossas roupas às dentadas! Macacos, muitos macacos exatamente como àquele descoberto por Don Hills, contra o qual ele lutava naquele exato momento por estar grudado à sua cara como uma estrela marinha gruda a sua pedra. Augusta tirou a pistola da cintura e acertou dois, três, cinco macacos de uma vez, levou um tapa na mão e perdeu a arma no meio da mata de vidro que se desfazia e quebrava aos esbarrões dos corpos em meio à luta.

Não entendíamos o que os macacos queriam, talvez estivéssemos invadindo o território deles ou algo parecido. Estávamos muito longe das colinas onde ficava o pasto branco dos alces para voltar correndo e não sabíamos o que havia na trilha adentro da floresta congelada, e aqueles macacos malditos não paravam de vir aos montes, caindo sobre nós como aranhas peludas, eram pequeninos, pigmeus, mas muito fortes!

Um rugido ecoou pela mata, foi a deixa dos símios azuis, que escalaram às árvores amedrontados, fugindo de algo muito maior e mais violento que eles. Augusta catou sua pistola e carregou-a com balas novas, meteu os óculos de aviador nos olhos e nos indicou o caminho seguro, contrário à origem do rugido bestial. Eu ouvia o vidro partir-se ao longe com a passagem de algo gigantesco, e tive o prazer de chutar dois daqueles macacos malditos em meio à minha fuga. Mas a coisa que vinha atrás de nós era muito rápida e estava cada vez mais próxima, por mais fechada que a mata parecesse. Nós estávamos cobertos de arranhões e nossas roupas estavam em frangalhos por causa das pontas afiadas das folhas e dos galhos de vidro. Fábia tropeçou em uma raiz e eu tive de parar para ajudá-la. Foi quando fiquei cara á cara com a coisa que nos perseguia. Os outros tiveram de se esconder, não podiam nos deixar e muito menos enfrentar o monstro que havia surgido.

Eu estava cara a cara com um enorme javali, aparentemente estivera hibernando este tempo todo, e a gritaria e os tiros o haviam acordado. Suas presas eram compridas e transparentes, um chifre lhe escapava do meio da testa, seus olhos eram vermelhos como fogo e seu corpo coberto de listras brancas e azuis, seus cascos eram transparentes como as presas e os chifres. Seu hálito era mortal e gelado, eu estava olhando nos olhos da besta sem fazer um único movimento, talvez eu mesmo estivesse me tornando parte da floresta de vidro naquele momento. Mas algo me chamou a atenção: um beija flor congelado no ar meu lado, bem próximo ao meu rosto, grudado à flor pelo seu bico fino. Uma coisa belíssima. Eu não poderia deixar que aquele monstro o quebrasse. Fechei os olhos e quando os abri novamente, vi Augusta diante de mim acertando o javali bem no meio dos olhos com três tiros da sua potente pistola. A besta caiu de lado, morta, jorrando sangue pelas fuças.

Nos afastamos ao máximo do local, procurando um lugar seguro para descansar e passar aquilo que se parecia a noite naquele hemisfério do mundo. Quando o céu ficava mais escuro e as constelações mais nítidas. Acendemos uma fogueira com o que tínhamos em mãos, nossos últimos recursos. Mais uma noite fria como aquela e acabaríamos como a floresta: congelados. Tinha de haver um jeito de escapar dali, tinha! Não poderíamos ter escapado do inferno verde para morrer num inferno branco! Tentáculos, alces pernaltas, corujas monstruosas, macacos e javalis bestiais! O que mais precisávamos enfrentar para ter de sobreviver ali naquele frio terrível?! Eu não sentia mais meus dedos!

Pietro mostrou-nos a salvação quando, ao chutar uma árvore que se desfez em flocos coloridos de neve, revelou uma clareira onde um zepelim – sim, meus queridos, um zepelim – abandonado jazia intacto. Um sinal de que Deus ainda não nos havia abandonado. Passaríamos a noite ali dentro, nos aquecendo como podíamos. Pela manhã arranjaríamos um jeito de fazer aquele pequeno zepelim funcionar. Íamos escapar dali, nem que fosse voando!


Fim da Penúltima Parte!


Road To Somewhere


Walking down the Mercer Street
Been a long hot summer
Rain like daggers coming
Down on me
Get a feeling it's too late
But alone, together, could
Be we might start it up
Allover again

Dream, dream you're not
Too late
Sweet road to somewhere else

Listen to the radio
Are you calling?

3 o'clock I'm on my way
On the road to somewhere
Little clouds like wounds
That blow away
Listening to the radio like a
Friend that guides me
Playing out every song
We used to know

Dream, dream you're not
Too late
Sweet road to somewhere else

Listen to the radio
Are you calling?

Bring it on
Come along
On the road to somewhere
Take our time
See the signs
On the road to somewhere





Esta música se chama "Road To Somewhere", escrita e interpretada pela minha banda favorita, Goldfrapp. É a primeira vez em toda a minha vida que uma música se encaixa tão perfeitamente com o momento que vivo. Ela reproduz de forma poética e romântica o bucolismo da passagem do tempo e o modo como as coisas que nós mais amamos são efêmeras. Em poucos versos, Alison Goldfrapp nos instiga a amar e a sonhar, pois isto é o que realmente vale a pena na vida, e é talvez a única coisa que levamos nesta "Estrada pra qualquer lugar". É uma música simples, de melodia agradável e composição tranquila, doce e calma como um descampado açoitado pelo vento.

Nesse descampado, eu recortei borboletas de papel, e pendurei as folhas de onde elas foram extraídas na árvore, para que o sol batesse contra elas e formasse borboletas de luz na grama. Foi o que fiz ontem à tarde, atrás da galeria onde tive minha grande estreia, na companhia de meus amigos. Um ciclo se fecha para que outro recomece. Havia uma borboleta no papel, e agora ela está livre.

Andando pela rua Mercer
Foi um longo e quente verão
Chuva chega como punhais em cima de mim
Tenho um sentimento que já é tarde demais
Mas sozinhos juntos
Pode ser que poderíamos recomeçar tudo mais uma vez

Sonhe, não é tarde demais
Doce caminho para qualquer outro lugar
Ouça a rádio
Você está chamando

03:00 Estou no meu caminho
Na estrada para algum lugar
Pequenas nuvens como feridas que explodem

Ouvindo o rádio como um amigo que me guia
Tocando todas as músicas que costumávamos conhecer

Vamos lá
Venha comigo
Na estrada para algum lugar
Tome seu tempo
Veja os sinais
Na estrada para algum lugar








terça-feira, 21 de junho de 2011

Sucesso!


Nesta segunda feira, as portas da Galeria de Artes da UNIFAP abriram-se para a nossa primeira exposição: a instalação Barroco & Sacra! Foi o máximo! Incrível! Belíssimo! Trouxemos um ambiente surreal para o nosso mundo e transformamos sonhos e ideias em arte e emoção, caí na lama, passei o dia inteiro usando uma túnica, voltei pra casa de ônibus e descalço, mas valeu a pena! Ficou muito lindo! Não tinha como não segurar as lágrimas ao ver nossa Virgem Maria estilizada à la Lady Gaga chorando por seu filho Jesus Punk crucificado ao som dos instrumentais de Marry The Night! Assim que as fotos estiverem disponíveis, posto aqui no blog! Não há palavras para descrever a experiência, foi simplesmente mágico!

Assim, encerro meu primeiro semestre como acadêmico do curso de Artes Visuais na UNIFAP.



Draconius Nefastus 2 - Octopus (Parte 5)




(...) Acordei de um sonho onde recebia uma espécie de beijo chupado no queixo, mesmo após despertar, a sensação continuava. Ainda de olhos fechados resolvi esfregar meu rosto, e é claro, meu queixo, a parte onde o formigamento era maior. Imaginem a minha surpresa ao apalpar algo comprido, grosso, quente e gosmento passeando pelo meu corpo, algo coberto de pequenas ventosas que me estudavam pelo tato. Puxei meu canivete e perfurei a coisa no escuro, tateei em busca da luminária e foquei em cima da coisa. Para meu espanto, um tentáculo cor de cobre se contorcia diante do meu nariz, espirrando um sangue negro e viscoso do ferimento que o havia infligido. Don Hills saltou do escuro, agarrou a coisa entre as pernas e com sua adaga, cortou-a ao meio. O sangue negro como piche esguichou no meu rosto. A coisa retrocedeu do lugar de onde vinha: da luz pálida da janela.


Eu e meu pareceiro de luta corremos até a sacada do palacete grego e vimos milhares daquelas coisas tateando sobre as casas e as construções, seguindo nosso rastro! Um arrepio me subiu dos pés à cabeça. “Corra, vá acordar os outros!” eu pedi, e assim foi feito. Logo todos nós estávamos na janela observando a movimentação lá embaixo, nos telhados, nas portas, nas janelas e nas varandas, pareciam raízes crescendo e se expandindo sobre o mundo branco da cidade congelada. Uma neve fina começou a cair, a luz pálida do céu cheio de estrelas começou a rarear, tínhamos de sair dali o quanto antes!

“Eu reparei que essa cidade tem um sistema de esgotos como qualquer outra! Os tentáculos estão vindo de lá!” exclamou Ray Ann apontando para um ralo no meio do nosso caminho: uma daquelas coisas já se esgueirava por lá. O segredo era passar por elas sem fazer movimentos bruscos ou barulho, os tentáculos eram atraídos por vibrações.

“Quer dizer que aquelas coisas na água, que afundaram o barco...”

“Sim! Eram tentáculos!” eu respondi a quem quer que seja que tivesse feito a pergunta.

“Mas aquelas três que agarraram o barco eram grandes demais! Maiores do que essas que estão aqui agora!” exclamou Pietro.

“E torça para que elas não venham até aqui!”
T

arde demais. A fonte no centro da cidade estourou bem diante de nós, e dois dos tentáculos maiores surgiram de lá, sorrateiros e ligeiros, passeando por entre as construções, seguindo o rastro da vida, procurando o alimento. Um dos marujos que nos seguiam foi capturado então, seu grito atraiu a atenção dos outros tentáculos que rapidamente tatearam rumo ao nosso caminho, retrocedendo para dentro de seus buracos originais para escaparem por outros mais próximos ao nosso paradeiro! Era um verdadeiro pesadelo! Corri como há muito tempo não corria, desde que fugi da grande AibSom’ar!

Quando chegamos à praça central finalmente, saltamos com destreza sobre os tentáculos mais grossos que estouraram a fonte, estávamos a caminho dos portões para fora da cidade, para o interior do vale, faltava muito pouco até que uma daquelas coisas agarrou-se ao braço de Fábia e outra enroscou-se em sua cintura! Puxamos nossas adagas para cortar um por um, mas outros surgiam e tentavam aderir às nossas roupas, eu e Pietro estávamos fazendo de tudo até que Augusta puxou do seu bolso uma pistola e iniciou uma série de tiros, acertando um a um dos braços de cefalópode sem errar! Era incrível!

Saímos sãos e salvos da cidade, eles não eram longos o suficiente para se esticarem até o centro do vale. Nos vimos então correndo por desertos de pedra e gelo, para longe da cidade congelada, para dentro da selva de gelo, para dentro da floresta tropical parada no tempo.

Mais relaxados, passamos a caminhar enquanto arbustos e pequenas árvores iam surgindo no nosso caminho. Era como um cerrado branco, uma caatinga de cristal: galhos retorcidos cobertos de neve se entrelaçavam ao nosso redor de forma a montar uma selva estranha e congelada.

“Que estranho!” exclamou Ray Ann.

Peculiar!” observou Don, passeando seus dedos nos galhos, quebrando-os para analisar sua estrutura, catando frutos duros e gelados do chão. Uma floresta congelada.

Parecia-me que alguém havia pegado o cerrado nordestino do Brasil e o lançado de uma hora para a outra ali, no meio da Antártida, onde seu congelamento foi instantâneo. Chegamos a um ponto onde nossa conhecida amiga neblina tomou conta da nossa vista por inteiro, tivemos de dar as mãos para seguir caminho enquanto alguém ia à frente tateando e pisando com cuidado, caminhamos assim por aproximadamente uma ou duas horas. Foi o momento em que uma corrente fraca de ar começou a soprar a neblina para cima, limpando nossas vistas, o que estava acontecendo agora era que a massa de ar subia aos poucos, deixando o caminho à nossa frente completamente limpo.

Pudemos então largar as mãos uns dos outros para caminhar com mais liberdade, sempre atento a cada passo dado para não cair em armadilhas da natureza ou coisa parecida. Vez ou outra eu olhava para trás, certificando-me de que aqueles tentáculos asquerosos não nos estavam seguindo, saídos de alguma fissura na pedra ou algo parecido. A floresta ao nosso redor perdeu seus galhos retorcidos e a grossura dos seus caules, dando lugar a um campo de vegetais muito estranhos (se é que é realmente possível a sobrevivência de algum tipo de vegetal naquelas terras geladas).

Os caules eram finos demais, alguns tortos e outros perfeitamente retos, subiam acima das nossas cabeças e se perdiam entre a neblina que subia cada vez mais, juntos formavam uma espécie de floresta feita de gravetos. Uma floresta um tanto irregular, vez ou outra dávamos de cara com um daqueles caules, eles entortavam e voltavam para o lugar misteriosamente, sem quebrar ou dobrar. Era um verdadeiro achado botânico, Pietro e Ray Ann vinham lado a lado discutindo que nome científico dar àquela planta estranha oriunda do polo sul, onde nenhum outro vegetal era capaz de crescer. Era totalmente diferente da caatinga de gelo que ficara para trás pelo simples fato de não estar congelada, apesar do frio intenso. Que tipo de planta seria aquela, eu me perguntava, sempre erguendo a cabeça para cima quando topava com uma daquelas frente a frente. Tive a impressão de ver quatro delas se mexerem desordenadamente, mudando de posição, espantei-me e olhei ao redor. Nada. Talvez fosse coisa da minha cabeça.

Cabeça. Foi isso que surgiu no meu caminho. Vinda de cima, uma enorme cabeça de alce desceu de boca aberta mostrando todos os dentes. Tinha os olhos vermelhos e uma galhada farta, algo medonho, como um tipo de zumbi ou fantasma, veio da neblina acima da minha cabeça e depois voltara para cima assustadoramente! Eu gritei e chamei pela atenção de todos, mas ninguém além de mim parecia tê-la visto! Na mesma hora a caminhada foi interrompida e uma discussão ferrenha sobre a minha sanidade mental teve início. Achavam que eu estava começando a ficar perturbado com os últimos ocorridos, que tudo o que eu tinha visto desde as florestas da América do Sul até ali havia mexido com o meu psicológico de alguma forma. Bati o pé e afirmei não estar louco, eu vi a cabeça de alce assim como os via naquele momento diante de mim!

A neblina estava cada vez mais alta, em poucos minutos ela seria nuvem e não névoa, decidimos então retomar a caminhada e não ficarmos parados nem um minuto, não sabíamos o que poderia nos estar espreitando ali naquela neblina cada vez mais fina. Quando os caules finos ficaram mais escassos e o terreno voltou a ser um simples deserto branco coberto de neve, uma ladeira surgiu diante dos nossos olhos. Era uma subida íngreme, mas conseguimos chegar ao topo e sair da neblina finalmente, após o que me pareceram uns 15 minutos. Foi como ter escalado o rochedo no dia em que desembocamos naquele maldito canal.

Lá no topo da colina, para onde voltávamos os olhos, víamos branco, tudo era branco. Névoa para todos os lados. Mais ao longe estava a caatinga de cristal de onde havíamos saído (da qual só podíamos ver agora os galhos retorcidos acima do mar de nuvens baixas), e atrás da caatinga, no horizonte, a cidade congelada no tempo. Na distância em que nos encontrávamos, não podíamos distinguir cor, apenas formas, de modo que não sabíamos se os tentáculos ainda estavam por lá vasculhando o nosso encalço.

Foi então que um vento forte digno de uma tempestade abateu-se sobre nós. Tivemos de nos abaixar imediatamente para não sermos carregados pelo vendaval repentino, ele estava levando todo o branco do horizonte, deixando à mostra tudo o que estivera escondido pela neblina e pelas brancas nuvens. Agora todos viam com os próprios olhos o que eu havia visto anteriormente, eu já não era mais louco que todos eles, de perto ninguém é normal, mas todos naquele momento estávamos no mesmo barco, eles muito mais do que eu. O que víamos agora com clareza era monstruoso, disforme e ao mesmo tempo fenomenal.

A floresta de vegetais com caules finos que circundava aquela colina, a mesma floresta pela qual nos cortamos caminhos nessa fuga desembestada e sem rumo, era na verdade o resultado da união das pernas finas de uma manada inteira de milhares de colossais Alces Perna-de-pau (como os chamei mais tarde). Uma espécie totalmente nova descoberta por nossa expedição casual àquela ilha misteriosa. Eram alces normais, exceto pelos olhos totalmente vermelhos como o de animais albinos e a galhada diferenciada, visivelmente mais farta e ramificada que os seus talvez parentes da América do Sul, o seu algo a mais estava na altura das suas pernas! Era totalmente descomunal e desproporcional um corpo tão grande e gordo como o de um alce ser sustentando por pernocas finas como aquelas que os mantinham de pé. Algumas chegavam a ter cinco, seis metros de distância do chão, da galhada até o casco.

Permanecemos a admirar aquelas criaturas hediondas por um bom tempo, percebendo sua natureza pacata, encaramos muitos nos olhos, eles apenas nos observavam curiosos, sempre parados no mesmo lugar, mexendo somente a cabeça. Volta e meia seus cambitos finos que sustentavam tamanho corpanzil se mexiam, mas nada muito significativo... Sentados, vimos os vultos alados se aproximarem cada vez mais. Pensávamos serem gaivotas, porém ao percebemos a natureza verdadeira daquelas coisas que voavam exatamente em nossa direção, partimos com cara e coragem para debaixo da “floresta de alces”.

Eram enormes e gordas corujas brancas, fazendo rasante ao redor da colina, capturando os alces com suas garras e destroçando-os no ar. A movimentação começou: os alces urraram a partiram em debandada, pisoteando o terreno, se empurrando, caindo e se amontoando. Corríamos junto com eles, seguindo seus passos, eles nos levariam para um lugar seguro, só não podíamos permitir ser pegos pela visão potente das corujas (que possuíam um estranho penacho azul-turquesa na cabeça). Não poderíamos perder o ritmo e nem sair de baixo dos alces, elas nos veriam e mergulhariam exatamente em nossa direção! Foi exatamente o que aconteceu a mais um dos marujos que estavam conosco. Logo éramos apenas eu, Augusta, Ray, Don, Pietro e a escandalosa Fábia, que com seus gritos espantava mais os alces do que as próprias corujas!

Elas eram de uma aparência grotesca e assustadora. Possuíam os olhos enormes e amarelados como faróis, os bicos eram curvos e afiados, formando uma careta ameaçadora em suas faces de rapina, onde o papel das sobrancelhas unidas era interpretado pelos penachos azuis em suas cabeças. Estes, verdadeiros leques que se abriam e vibravam à cada guincho que escapava de suas gargantas profundas e famintas. Pássaros infernais do tamanho de búfalos africanos.

Fomos espantados para dentro de uma floresta – dessa vez verdadeira, não caatinga – congelada. Os alces se dispersaram ali, fugindo e se perdendo por entre as monstruosas árvores. Nós também havíamos nos perdido.




Fim da Parte Cinco!




sábado, 18 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Parte 4)


(...) Sem termos outra opção, decidimos circundar a ilha, procurar por alguma coisa, algum sinal de vida inteligente, alguma saída. Não era uma ilha muito grande, e por incrível que pareça tinha uma circunferência perfeita. Os marujos estavam certos: havia realmente espaço entre as placas de gelo e as paredes de pedra, formavam canais estreitos e profundos. Não podíamos chegar muito perto da água, aquelas coisas sentiam a nossa vibração, a nossa presença. Caminhar em direção à areia da praia era despertar a atenção delas, mesmo no escuro elas sentiam tudo. Atirar uma pedra na água parecia fazer a superfície fervilhar! Era aterrorizante e ao mesmo tempo interessantíssimo.

Elas talvez sentissem a nossa presença por tudo ali ao redor estar muito morto e sem vida, um movimento qualquer causava esse furor enorme nelas. A saída era caminhar o mais longe o possível da água, sequer pisar na areia, com cuidado e passos calculados, íamos sobre as pedras e sobre os esqueletos de corais que existiram há milhares de anos atrás. O vento nunca soprava. Demos a volta na ilha em um único dia. Ainda tínhamos como conferir as horas porque cada um de nós possuía pelo menos um único relógio, pequeno ou grande, de bolso ou de pulso. Ray Ann tinha um no pescoço.

Estávamos sem esperanças quando, no começo do segundo dia, ao levantar “acampamento”, descobrimos uma enorme falha entre as montanhas, uma ravina profunda entre os paredões de pedra que separavam a praia do interior da ilha. A surpresa foi grande quando, após algumas horas, alcançamos o outro lado: havíamos encontrado um vale congelado repleto de torres de pedra, que mais adiante se revelaram para nós como antigas construções, abandonadas há milhares de anos atrás por um povo que ali vivia.

“Incrível” exclamou Ray Ann, passeando os dedos pelos inscritos de um totem de pedra. Mais adiante distinguimos telhados, janelas, portas e veículos, trenós rústicos congelados no tempo. Praças abertas, feirinhas abandonadas, jardins, piscinas de águas congeladas, estávamos diante de uma pequena Atenas esquecida no meio do oceano antártico. Quanto mais adentrávamos no vilarejo ao pé da montanha, mais nos surpreendíamos com o que encontrávamos. A arte contida ali nos deixava de queixo caído, boquiabertos! A perfeição com que aquele povo havia esculpido as representações humanas, as suas estátuas de feras e homens, aquilo era um banquete para os olhos. Tudo parecia tão vivo!

“Essa arquitetura sem dúvida é grega, esses inscritos são gregos!” exclamou Don Hills, fazendo uso de seu monóculo e seus apetrechos de bolso para interpretar o que encontrávamos pelo caminho “o que uma ilha grega está fazendo perdida no meio do gelo do polo sul?!” ele se questionava.

“Boa pergunta!” respondi enquanto passeava meus dedos pelas nervuras e ranhuras entre as pedras.

Encontramos casas trancadas ainda, arrebentamos portas e fechaduras para encontrar verdadeiros palácios mobiliados, mofados, móveis cobertos por finas placas de gelo, infiltração nos tetos que pingavam e escorriam sem parar. Encontramos o lugar mais seco e mais seguro para passar a noite, no segundo andar de algum tipo de mansão, exatamente aos fundos de um largo onde – pasmem – haviam PALMEIRAS congeladas. As folhas ainda preservavam o verde, coberto por finas camadas de gelo seco.

Acendemos o fogo, abrimos as latas de suprimentos recuperados e assim passamos mais uma madrugada. Na manhã seguinte, descobriríamos mais sobre aquele estranho mundo congelado que havíamos encontrado







Fim da Parte Quatro!




terça-feira, 14 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Parte 3)



(...) Alarme falso.

O “funil” de gelo que encontramos formava uma cratera ao redor de uma espécie de rochedo em formato de meia lua. Escalamos esse rochedo e tivemos uma visão ampla da imensidão de onde estávamos.

Eram duas enormes placas de gelo, divididas por uma espécie de canal, que fora aberto de forma misteriosa por talvez um terremoto, uma tempestade, ou a pressão da água contra a superfície. Nossa embarcação havia entrado pela lateral da placa que caminhava para o norte e chegado a este canal cercado por paredões de gelo dos dois lados. Ao leste não enxergávamos nada além do canal e de gelo cercando-o pelos dois lados, mas a oeste, a oeste a coisa ficava bem mais peculiar.

Na extremidade oeste daquele canal gigantesco (o que primeiramente havia me parecido o mar aberto) víamos uma ilha. Finalmente uma ilha de verdade, e não só um rochedo. Haviam vários outros rochedos pontiagudos sobressalentes acima da crosta branca e gelada das placas gigantescas de iceberg, mas aquilo que despontava no horizonte era bem mais do que isso, era colossal! Uma cadeia de montanhas pontiagudas que parecia estar circundando um vale: algo que estivera fora do alcance das nossas vistas por causa das nuvens que cobriam os picos gelados, nuvens estas que estavam sendo sopradas para longe pelo vento aos poucos, revelando um horizonte reluzente do oeste. O sol brilhava fraco por detrás daquelas montanhas, era a época do ano em que o polo sul tornava-se noite.

Escalamos a borda da “tigela” de gelo e voltamos para o barco. Agora com a ajuda do vento leste, as velas nos içavam para oeste, não gastamos nenhum carvão. Segundo um dos nossos navegadores profissionais, provavelmente haveria falhas no gelo ao redor das montanhas, paredes de gelo de um lado e paredes de pedra de outro. Daríamos a volta naquela ilha montanhosa e sairíamos no mar aberto, navegaríamos ao sabor dos ventos até a Argentina e abasteceríamos a nossa fornalha para seguir viagem rumo ao norte.

Demorou algumas horas para que chegássemos até aquele lugar. Duas ou três, não me recordo, mas jamais me esquecerei da observação feita por Don Hills pouco antes do acontecimento fatídico que mudou o rumo da nossa fuga das águas geladas:

“Você percebe?” ele me perguntou, olhando fixo para o horizonte, para a cordilheira que surgia diante dos nossos olhos.

“Percebo o que?” eu lhe respondi com outra pergunta.

“Veja como os picos parecem formar uma coroa no horizonte, há um vale depois deles... Veja como eles parecem circundar alguma coisa... Nem parece natural!”

“A natureza nos surpreende às vezes, meu caro” coloquei meus óculos de aviador para proteger meus olhos do vento gelado, ele fez o mesmo, e assim ficamos, na proa, nariz apontando para o infinito, cada vez mais próximos da parede de pedra inclinada.

E então aconteceu. Um solavanco me lançou para frente e por pouquíssimo uma verdadeira cambalhota não me jogou nas águas geladas da Antártida! Don e Fábia me puxaram de volta antes que eu caísse, e a correria recomeçou. Após uma análise minuciosa da situação, foi averiguado que a embarcação havia enganchado perfeitamente sobre a ponta de um rochedo oculto pelas águas. Ele entrou com tanta força que furou o casco na lateral, qualquer movimento da embarcação agora nos levaria ao naufrágio, pois a única coisa que impedia a água de entrar no porão era a ponta da rocha que havia entrado como uma farpa.

A rocha teria de ser “serrada” e uma placa de metal teria de ser soldada contra o casco pelo lado de fora, ou seja, alguém teria de mergulhar naquele frio lancinante. O trabalho levaria pelo menos um dia inteiro! Era algo minucioso e cuidadoso que deveria ser feito com calma, teríamos de subir nos botes e desembarcar, para a nossa própria segurança.

Foi o que foi feito. Nosso grupo e mais dois marujos ocuparam um único bote, o resto da tripulação ocupou o outro. O serviço iria começar, teríamos de ser fortes para aguentar aquele frio glacial, nos aquecendo como podíamos enquanto o outro bote consertava o casco do barco. Nas sombras do paredão de pedra tudo era breu, o vento sequer soprava ali, por isso me perguntei o porquê das estranhas ondulações na água. Apontei para aquilo com curiosidade e mostrei ao resto do grupo. Animais marinhos como golfinhos, baleias ou focas estariam nos circundando?

“Tubarões!” Fábia gritou e agarrou Pietro, sua agitação precipitada balançou o barco de tal maneira que os dois marujos que estavam de pé caíram sentados e a gritaria começou. Uns mandando calar a boca enquanto outros rezavam pelas suas vidas e pediam misericórdia, o barco não estava muito longe de nós, havia vinte metros de distância entre o nosso bote e o casco, mais à nossa frente o bote com os dois tripulantes que trabalhavam no rochedo pelo lado de fora continha apenas um deles, o outro havia mergulhado após o sinal segurando a aparelhagem e a placa para soldar a ferida na embarcação, já haviam quebrado a pedra pelo lado de dentro, e a nossa agitação atraiu a atenção daqueles que ainda estavam no convés. Isso fez com que os holofotes nos iluminassem de imediato, e se apagassem logo em seguida. Alguma coisa estava acontecendo no barco.

Os homens que haviam ficado no convés correram para dentro ao ouvirem um estalo. Nós ficamos em estado de alerta. O que aconteceu em seguida foi muito rápido. Ouvimos o grito do homem que estava no bote diante de nós e depois o som de alguma coisa caindo na água, houve outro estalo, mais alto e mais próximo de nós, o bote do conserto havia sido puxado para baixo por alguma coisa, isso eu vi e não pude negar, não sei muito bem o que o puxou para baixo mas vi o momento em que ele se partiu em dois e afundou de bico para cima numa velocidade absurda. E em seguida foi o barco.

Ao som dos nossos gritos, dos quais o que mais se destacava era o agudo de Fábia, o barco foi tragado por algo enorme que saiu da água serpenteando, lançando-se sobre o convés e fazendo força para baixo. Essa agitação na água quase virou o nosso bote, lutamos para manter o equilíbrio. “REMEM! REMEM PARA LONGE!” um dos marujos gritou. Apanhamos o remo e à toda força iniciamos a fuga rumo à costa da ilha logo às nossas costas. Mais duas daquelas coisas compridas saíram da água e se enroscaram no navio ao som dos gritos dos marujos que lá ficaram, eu vi a silhueta de Rose Nilde pouco antes do maior de todos os estalos, o que partiu o barco mercante em três pedaços e o afundou com a mesma velocidade absurda.

Quanto mais próximos da ilha ficávamos, mais eu podia ver aquelas estranhas ondulações na água, corcovas como as dos camelos, serpenteando acima da superfície e afundando como serpentes malignas, eu remava à toda força, a área do naufrágio estava cada vez mais distante, eu vi uma daquelas coisas, as maiores como as que afundaram o barco, serpenteando em nossa direção vinda do rochedo, eu urrei em desespero quando o bote chocou-se contra a praia de pedra e areia.

“PULEM! PULEM PARA FORA DO BOTE! CORRAM PARA LONGE DA ÁGUA!” eu urrava.

Houve tempo apenas para que eu, o último a descer do bote, colocasse meu pé direito no chão. Eu mal havia saído quando milhares daquelas coisas, mais finas e mais ligeiras, ágeis como chicotes, se entrelaçaram na madeira e puxaram o bote para a água. Após isto, a superfície do canal tornou-se calma outra vez, calma e serena como antes, refletindo as constelações do céu da Antártida. A última das coisas a afundar de vez ainda procurava por nós. Um arrepio me subiu do dedão do pé até a nuca. Virei-me para os meus companheiros. Ray Ann estava ajoelhada guinchando “não! De novo não!” enquanto Fábia orava em alto e bom som. Os outros apenas pareciam perdidos e desnorteados.

Atrás de nós, uma montanha, à nossa esquerda um paredão de gelo e á nossa direita uma muralha iceberg. Diante de nós, um largo canal contendo milhares de monstruosas minhocas marinhas, prontas para nos devorar. O pesadelo estava se repetindo, mais uma vez.





Fim da Parte Três!

Sobre o Futuro





Algumas postagens antigas serão revisadas e se necessário, apagadas, para evitar certos tipos de situações, isto implica com a extinção da tag Love Angel Music Baby, e com ela, todos os relatos do meu dia a dia desde 2009, minhas desventuras, meus desamores e minhas alegrias irão junto também. Fico triste em ter de fazer isso, mas é necessário, estou ficando cada vez mais visado pela mídia do estado em geral e prefiro prevenir incômodos futuros. Será um trabalho realizado aos poucos, vou ler e reler cada um dos mais de 70 posts, e os que forem necessários, serão apagados. Obrigado pela compreensão =)

Esta semana e a seguinte serão as últimas do primeiro semestre na faculdade, me desejem sorte, pessoal. Vou precisar!




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Parte 2)


(...) Levantamos âncora antes mesmo de o dia amanhecer, sem ter a plena certeza de que chegaríamos vivos ao porto de Nova Iorque. A rota que tomamos realmente era muito promissora, estávamos sendo levados a uma velocidade incrível e a todo vapor de volta para o hemisfério norte. O mar realmente era muito agitado ali, como os marujos haviam dito anteriormente, o barco nunca balançou tanto! Éramos jogados de um lado para o outro o tempo inteiro, chacoalhados como ervilhas dentro de uma lata. Passamos o dia inteiro assim, minha cabeça já estava girando quando a maresia parou de repente e a correria começou.
Não entendi muito bem o que estava acontecendo antes de ir ao convés e olhar para o céu. Nuvens negras se aproximavam a uma velocidade incrível, rugindo como animais selvagens, seus relâmpagos iluminavam todo o horizonte e sua proximidade trazia ventanias de uma velocidade assustadora. O barco voltou a balançar e agora com mais violência, o mar estava agitado como nunca! Não fui forte o bastante para me manter de pé, caí e rolei o convés inteiro até dar de costas com uma pilha de barris. A dor foi como um choque para mim. Antes de apagar, eu vi o céu tornar-se negro e iluminar-se totalmente como se estivesse pegando fogo. Um trovão poderoso arrebentou contra os meus tímpanos, e então tudo foi sombras e mais nada.
Quando despertei, ainda estava ali no mesmo lugar onde eu havia caído: enroscado nas linhas de pesca e coberto pelos barris que haviam caído sobre mim no momento em que fui de encontro à pilha. Tudo era silêncio e escuridão. Aparentemente era noite. Não me mexi durante o que me pareceu meia hora inteira, por medo de ter quebrado algum osso, chequei cada pedacinho do meu corpo para certificar de que estava tudo em ordem, e quando achei segurança em minhas fundações, chutei os barris para longe de mim. Não era escuridão lá fora. Era névoa. Névoa branca e espessa, um nevoeiro infernal que não me permitia sequer distinguir a silhueta das coisas que estavam ao meu redor, o movimento do meu corpo causava ondulações naquela massa de ar branca e pesada, eu podia sentir o peso daquilo tentando me sufocar.
Tateei pelas paredes da cabine, senti o contorno das janelas redondas e o vidro que as mantinha fechadas, estava em busca de uma porta quando uma mão gelada pegou-me pelo pulso. Dei um grito que ecoou como um rosnado pelo mar afora, agora meus ouvidos estavam desentupidos e eu podia ouvir o barulho das ondas contra o casco e o leve ondular da embarcação sendo levada solta pela corrente, sem vontade própria, como uma folha ao vento.
“Acalme-se! Sou eu! Ray Ann!” disse a voz “pensávamos que você tinha morrido, caído no mar! Venha, vamos descer ao porão!”.
Fui arrastado por minha companheira de viagem por caminhos desconhecidos e escuros da embarcação, mas que eu reconheceria muito bem com as luzes ligadas. “os sobreviventes estão todos lá embaixo junto com os animais, perdemos muitos marujos, a tripulação está com menos da metade...”. Ela explicou-me o que havia acontecido nos mínimos detalhes, e eu recebi cada notícia com espanto, agonia e dor. Os nomes dos que morreram, como morreram e o que havia acontecido quando a tempestade nos pegou desprevenidos. “Foi uma tormenta e tanto” disse Ray Ann “mas nós ficamos bem, ficamos todos bem, pensávamos que você havia sido lançado ao mar quando a primeira onda gigante bateu contra o casco, a Fábia disse que havia o visto rolar para longe, mas não foi rápida o suficiente para segurá-lo...” foi o que ela disse.
Descemos às escadarias para o porão e meus olhos foram pegos desprevenidos por inúmeras lamparinas acesas. Um pavão nervoso beliscou meu tornozelo e eu dei um grito espantado, pensando ser algo mais grave. Ali embaixo estavam todos muito descontraídos, apesar das perdas que tivemos, um ar de melancolia pairava sobre os sorrisos e as gargalhadas que lembravam aqueles que haviam partido. Fábia cantava uma bela canção enquanto um dos marujos tocava um velho saxofone enferrujado, Don Hills e Pietro discutiam as chances de sairmos vivos daquela situação enquanto Augusta só estava sentada, olhando para o nada, calada, como se esperando.
Fui recebido com muita festa pelos sobreviventes, praticamente feito em pedaços pelos abraços forçudos de Fábia e dos outros marujos. Notei que Fábia agora tinha uma enorme âncora tatuada no seu braço direito, quase consegui rir, mas meus membros ainda doíam muito por causa da queda. Eles realmente achavam que eu estivesse morto, Augusta quase caiu em prantos quando me viu descer as escadarias, vasculhei os espaços vazios à procura da triste Rose, mas não a encontrei com a sua costumeira expressão de morta-viva. Ali ficamos durante a tarde inteira do segundo dia. Sempre subíamos de um por um para fazer uma verificação rápida e certificar se o nevoeiro havia enfim se dissipado. Infelizmente ele só parecia cada vez mais forte.
E o frio, bem, o frio era infernal, digno do submundo da mitologia escandinava, a deusa Hel estava entre nós. Este só agravava, tanto que tivemos de abrir os armários e trazer para o porão todo tipo de lençol, casacos, calças e botas para nos aquecer. Só estávamos nesta situação porque, infelizmente, o capitão não havia aguentado os ferimentos da luta contra a tormenta e falecido poucas horas antes de eu me acordar. Passamos dois dias dentro desse nevoeiro, ouvindo nada além do silêncio e das ondas lambendo o casco. O frio só aumentava.
Então nós fomos pegos em cheio por algo enorme, que bateu contra a embarcação e nos lançou uns contra os outros. Corremos de imediato para o convés, acendendo os faróis da embarcação para iluminar as águas ao nosso redor. Logo éramos uma estrela navegante lançando brilho em todas as direções, brilho esse que batia de encontro a enormes torres de gelo flutuante e voltava para nossos rostos, nos cegando com as cores decompostas. Icebergs. Estávamos rodeados de Icebergs de todos os tamanhos e de todas as formas, flutuando acima das águas geladas do mar da Antártida. Sim, de algum modo a tempestade havia nos atirado a milhares de quilômetros de distância da nossa rota, e segundo a bússola interna, estávamos indo cada vez mais para o sul. Logo bateríamos contra o continente, mais dia menos dia.
As formas de gelo ao nosso redor eram aterradoras e ao mesmo tempo encantadoras, elas surgiam de dentro do nevoeiro e passavam ameaçadoras rentes ao casco, rente aos nossos narizes gelados e curiosos. Montanhas inteiras de gelo flutuante surgiam das sombras, pontiagudas, curvilíneas, quadradas ou arredondadas. Estávamos navegando num labirinto feito de Icebergs, um mundo gelado que ia se estreitando e se unindo a cada quilômetro que nos aprofundávamos, formado verdadeiras paredes ao nosso redor, e logo mais, um túnel que se fechava acima das nossas cabeças deixando frestas por onde vimos o nevoeiro se dissipar e dar lugar às constelações do céu da Antártida.
Quando o túnel se abriu outra vez, fomos recebidos por uma maravilha da natureza tingindo os céus de rosa, azul, verde e laranja: a aurora austral dançava acima das nossas cabeças, serpenteando, formando redemoinhos, correndo como um rio de luzes banhando as estrelas! Ao nosso redor havia o calmo mar aberto, atrás de nós um paredão de quase 20 metros de puro gelo com uma pequena falha triangular por onde nós navegamos até chegar ali. E diante dos nossos olhos, um horizonte branco, uma muralha resplandecente de puro gelo. Estávamos presos entre duas placas quase continentais de iceberg!
“Vejam! Aos fundos da muralha! Uma montanha!” gritou Pietro.
Realmente havia uma montanha de pedra (e não de gelo). Na verdade estava mais para rochedo do que montanha, olhando melhor. Concluí que havíamos batido contra o continente, mas logo fui corrigido por um dos marujos que afirmou ser uma pequena ilha. Segundo ele, a ilha só parecia tão gigantesca por causa do gelo que havia se acumulado ao redor dela e formado aquelas placas gigantes. De acordo com seus cálculos, aquele espaço de mar aberto entre uma muralha e outra não existia até um tempo atrás, parecia ter sido aberto muito recentemente e de forma violenta. “Um terremoto, talvez” concluí. Eu estava redondamente enganado...
Fomos de encontro à muralha e medimos a profundidade. Realmente, estávamos próximos de terra firme, a âncora não custou a bater no fundo do oceano. Puxamos a âncora de volta e iniciamos um passeio ao longo da parede de gelo, para verificar o ponto em que ela diminuía de tamanho, até chegarmos a um local onde o iceberg ficava exatamente na altura do convés: para o nosso espanto, a superfície da placa de gelo era perfeitamente lisa! Sem nenhuma ondulação sequer, como se raspada pelas mãos dos deuses! O terreno se inclinava e afunilava como a beirada de uma grande tigela. Ficamos horas ali, observando o deserto branco inclinado que formava um vale coberto por neblina, discutindo o que faríamos a partir daquele momento.
Nosso carvão estava na reserva, não seria o suficiente para sair dali. O vento era fraco, não tinha a força necessária para guiar as velas para fora do mundo gelado, sem contar que para sair dali teria de se usar o mesmo túnel por onde viemos, embora houvesse a possibilidade de haver outros, mas não tão seguros como aquele. Em conclusão, estávamos praticamente encalhados no meio do nada, num lugar que talvez fosse sequer mapeado pela marinha! Se não morrêssemos de fome morreríamos de frio, certamente! A temperatura só caía, logo aquelas roupas não seriam o suficiente para nos manter aquecidos.
“E se descermos até a ilha?” sugeriu Don Hills. “encontrar alguns esquimós...”
“Não existem esquimós no pólo sul!” exclamou Fábia. “vamos encontrar um monte de pinguins!” fez, imitando a ave.
“Ou leões marinhos!” disse Ray Ann.
Estávamos completamente perdidos.
“Não temos outra opção senão descer até a ilha, pessoal” pronunciou-se Pietro “provavelmente não é habitada, mas não custa nada tentar! Deve haver algum posto avançado da marinha ou mesmo cientistas e pesquisadores que se isolam nessas regiões à trabalho! O que não podemos é ficar parados aqui enquanto a comida e a água vão sendo consumidas!”
Ele tinha razão.
Assim, reunimos nossas armas, nossos kits de primeiro socorros e nossas ferramentas. Colocamos os casacos mais pesados e botamos o pé no gelo. Os exploradores nova-iorquinos e mais seis marujos, rumo ao desconhecido.


Fim da Parte Dois!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Muito Amor, Apenax

MATÉRIA VEICULADA NO "JORNAL DOS MUNICÍPIOS DO AMAPÁ" NO DIA 2 DE JUNHO DE 2011






agora chupa essa, barangada



terça-feira, 7 de junho de 2011

Draconius Nefastus 2 - Octopus (Parte 1)

Os acontecimentos transcritos a seguir foram retirados das informações contidas num gravador recuperado dos arquivos da Biblioteca Nacional Franco-Italiana após o mesmo incêndio criminoso que ocorreu na noite de 29 de Abril de 2010.
O gravador continha uma única fita com a duração de aproximadamente 120 minutos, preenchidos pela voz roufenha do ex-repórter e Antropólogo Christopher Umbrella, o que torna seu conteúdo de imediato parte do dossiê de investigação à vida deste misterioso homem.



Há muita coisa que ocultei nos acontecimentos narrados em meu relato da viagem às remotas selvas da América do Sul, detalhes importantes do nosso regresso ao porto de Nova Iorque que foram omitidos por motivos pessoais e em respeito à minha imagem pós-morte. Ora, nenhum homem de respeito jamais desejaria ser tido como louco após passar desta para uma melhor, isto é mais do que o óbvio. Todos querem a medalha de cidadão são e ciente de seus ditos, de suas palavras. Mas há coisas que ainda preciso contar, mesmo que tenham de ficar escondidas para toda a eternidade numa fita de um gravador qualquer, perdida nos infinitos arquivos da biblioteca nacional deste país que decidi servir há pouco tempo.
O que vocês precisam saber é que nosso retorno não foi tão simples e tranquilo o quanto esperávamos que fosse. Paramos em muitos portos ainda antes de retornar, visitamos arquipélagos, baías, ilhéus e costas de países sulistas distantes e quentes. Estivemos no Brasil, na Argentina, na África e na Índia, aproximadamente um ano em alto-mar, conhecendo pessoas, absorvendo conhecimento, presenciando acontecimentos. Aprendendo. Aos poucos nos tornamos muito mais do que conhecidos, nos tornamos praticamente irmãos.
Acabei tomando a menina que se disfarçara de marujo – “Augusta Montgomery Decomté” como apresentou-se posteriormente – por minha responsabilidade. Comprei-lhe roupas, compartilhei conhecimentos e intimidades, mais tarde descobri que ela não era tão jovem quanto aparentava. Tinha quase a minha idade e a de Pietro, fazendo aniversário em Agosto, vejam só, Augusta em Agosto! Ela era uma garota admirável e cheia de opinião, fazia gracinhas o tempo inteiro e em menos de um mês após o nosso embarque de carona naquele navio mercante, ela já estava íntima do capitão e de seus homens; era a mascote e ao mesmo tempo a líder dos homens, a representante feminina astuciosa da tripulação, sempre dando palpites e opiniões nisso e naquilo. Ela costumava ajudar os homens a descarregar a mercadoria e a lançar o carvão na fornalha do navio à vapor, tinha prazer em ajudar na cozinha – assim como Ray Ann também o fazia – e lavar o convés quando lhe convinha.
Outra peça era Ray Ann: ao anoitecer, passava horas no convés em companhia de seu irmão (ou primo, até hoje nunca soube distinguir o grau parentesco entre esses dois) Don Hills. Ambos na companhia de telescópios potentes adquiridos nos portos pelos quais passamos, observando às constelações do hemisfério sul, catalogando-as em seus caderninhos, rindo alto, bebendo vinho e cantando. Eu costumava me juntar a eles quase toda noite depois que o jantar era servido.
O jantar! Sempre frutos do mar! Quando serviam alguma comida “de terra”, vaca ou frango, frito ou cozido, a festa era grande e a disputa por pedaços, maior ainda! Era difícil disputar comida com aqueles marinheiros parrudos, eles eram realmente violentos quando se tratava da alimentação, comiam como animais, eram tão grandes quanto eu e Pietro – que nunca fomos magros, diga-se de passagem – mas tinham os braços fortes e musculosos capazes de esmagar as nossas cabeças com um simples estalar de dedos. Um peteleco daqueles gigantes e nós estávamos fritos! Mas com aquele pisão no dedão do pé e aquela cotovelada certeira, sempre conseguíamos o nosso comer.
No mais, comíamos peixe, camarão, ostras, lulas e alguns monstros marinhos desconhecidos de carne saborosa. Tive o prazer de acordar pela manhã e dar de cara com um enorme crocodilo de água salgada estendido na mesa da cozinha. Era o nosso almoço e nosso jantar da semana inteira. O pior de tudo era quando o carvão acabava e o fogo não era capaz de alimentar a fornalha para botar o barco em movimento: era hora de içar as velas, todos no convés, ao trabalho! Pietro era de grande serventia nessas horas, ele e Augusta, ambos eram os mais úteis quando se tratava de força nos braços. Pietro tornou-se grande amigo do nosso capitão em poucas semanas, viviam de prosa gargalhando alto e discutindo sobre os mais variados assuntos. O capitão era um homem inteligente de nome Grendel, era alemão e costumava ensinar um pouco sobre o funcionamento e a pilotagem de embarcações à Pietro quando estava de bom humor.
E tinha Fábia... Fábia Paola! Ah! Fábia e seus traços orientais! Fábia e seus enormes seios fartos, deixando os marinheiros loucos. Por mais violento que o mar estivesse, Fábia continuava a nos surpreender com um sorriso de orelha a orelha e doces palavras de acalento e paz, sua gargalhada era contagiante. Distribuía abraços e era muito prestativa, dava palpites em quase tudo na tripulação, talvez o único que não fizesse nada de muito útil durante os meses em que passamos no mar era eu! Sim, eu mesmo! Ficava o dia inteiro de papo pro ar quando alguém não me dava atenção ou não me pedia uma mãozinha. Pegava folhas, penas e tinteiro para escrever e passava horas inteiras no gabinete de negócios, só escrevendo e fuçando os livros, documentos e artefatos guardados naquele pequeno mundinho de luxo e decoração sofisticada comparada ao resto do rude barco.
Assim passamos os longos meses que se seguiram, adaptando-se ao cotidiano de marinheiro, trabalhando, conversando, criando laços de amizade, narrando nossas histórias nas fitas intermináveis de Pietro ou nos gravadores de Don Hills. Em pouco tempo éramos uma grande família, de risos, choros, brigas e abraços.
Ah, e antes que eu me esqueça, tinha a Rose, Rose Nilde ou algo parecido. Aquela que havíamos encontrado na costa do continente perdido, do qual eu não gosto nem de lembrar. Aquela que num dia era cacique e no outro acordou como oferenda à besta alada com asas de morcego e genitália de anatomia alienígena, assim como nós. Agora era um vegetal: sempre no porão da embarcação, só vivia para comer e dormir, não proferia uma única palavra e à noite costumava uivar até que um dos marinheiros (o tio Bob como eu o chamava) irritado com o barulho fosse lá meter o pé na porta e mandá-la calar a boca. Ela gania como um filhote.
Bem, chegou um tempo em que estávamos morenos por causa do sol, havíamos perdido todo o ar da cidade grande e o costume das mordomias. Apesar do fantasma daquela viagem maldita à cidade perdida sempre nos assombrar, éramos sempre muito cheios de vida e disposição, tínhamos uma nova vida agora, havíamos nascido de novo como a tripulação daquele navio mercante, e não os curiosos nova-iorquinos que embarcaram numa aventura rumo às florestas assustadoras da América do Sul.
Tudo estava indo muito bem até que no último porto antes do grande retorno à Nova Iorque, o capitão decidiu de última hora assinar contrato com uma empresa transportadora de índole duvidosa. Eles nos fizeram embarcar gaiolas e caixotes contendo casais de aves exóticas em um porto africano clandestino com destino à Flórida. O dinheiro era compensável e não se podia deixar escapar tal oferta. Por causa disso perdemos uma semana naquele porto aguardando a assinatura de documentos e toda aquela burocracia para embarcar os animais, e tivemos de tomar uma rota diferente para chegarmos mais rápido, pegar uma corrente marítima tida como perigosa, mas que adiantaria nossa viagem em cinco dias.
Os marujos, é claro, estavam perturbados pela ideia de pegar aquela rota, diziam que era morte certa: tempestades constantes, mar bravo e – acredite se quiser – monstros marinhos. Não duvidamos da existência de tais feras aquáticas, afinal de contas, vimos de perto muito mais do que queríamos ver quando visitamos a América do Sul. Então tentamos fazer o capitão declinar da decisão, mas ele manteve-se firme na sua rota e com uma bronca pôs cada um em seu devido lugar. Ele não poderia perder o prazo de entrega da mercadoria que já estava embarcada, ou então sairia num prejuízo tamanho que iria à falência, ainda mais com toda essa nova moda de viajar e transportar em zepelins, o mercado não estava favorável.
Assim, encontramos o rumo de mais uma de nossas estranhas aventuras, para dar de cara com o desconhecido e presenciar coisas estranhas que nenhum outro homem jamais viu. Mas dessa vez, estávamos preparados! Para o que der e vier!


A Aventura só está começando...

Úrsula, A Injustiçada!



A MAIOR VILÃ DE TODOS OS TEMPOS

Foi No Mês de Dezembro... ♫




CARA, EU LEMBRO DISSO COMO SE FOSSE ONTEM.

Até um dia desses... (mentira, até hoje) eu ainda espero a família real Russa vir me buscar - risos.


...




EU SEMPRE SOUBE!



...



É só o que eu tenho a dizer

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tripulação! Preparar Para o Embarque!

Christopher Umbrella é o jovem repórter nova-iorquino que numa jogada do destino acabou dentro de um navio rumo às terras desconhecidas do hemisfério sul do globo terrestre, lar de assombrosas lendas, toca de fascinantes criaturas, abrigo das mais terríveis bestas, em busca da reportagem do século! Junto de seus companheiros, eles desbravou a selva tropical e encontrou a cidade perdida, quase foi devorado pela deusa-morcega dos nativos, mas conseguiu escapar com vida, agora cai de cabeça numa nova e inusitada aventura na tentativa de voltar à Nova York.



Fábia Paola é uma sorridente jovem de ascendência asiática, filha de missionários da igreja protestante, largou os costumes da família para formar-se em paleontologia, dedicando-se no ramo da descoberta dos elos perdidos da natureza. Isto levou nossa jovem de seios fartos de encontro aos rumores de uma criatura metade homem e metade morcego que habitava as inóspitas florestas da América do Sul, cultuada em segredo por muitas tribos mundo afora, oriundas daquela região. Por causa disso foi muito perseguida, e em uma dessas fugas pelos subúrbios de Nova York acabou vendo seu destino se cruzar ao de Christopher Umbrella, seu mais novo amigo, o repórter que levaria a fera maligna ao conhecimento do público.


Prima de Christopher Umbrella, Ray Ann é uma atraente arqueóloga (e ufóloga nas horas vagas). Descendente de escoceses e holandeses, dedicava dez horas diárias aos estudos dos grandes mistérios da natureza até receber em seu escritório (compartilhado com seu irmão Don Hills) seu primo distante acompanhado de Pietro Heinrich e uma asiática baixinha peituda afoita. Não fora a primeira vez que ela ouvira falar das terras malditas do sul, e nem da criatura-morcego, mas fora a primeira vez em que ela ouvira alguém cogitar a ideia de ir atrás de tal ser macabro. Caiu de cabeça na aventura em busca da ligação entre a visita de alienígenas ao planeta e a evolução da raça humana, quase acabou morta pela fera alada.



Augusta Montgomery é uma jovem misteriosa que revelou sua verdadeira identidade no final da primeira aventura. Passara o tempo inteiro disfarçada sob vestimentas masculinas, assumindo o papel de um dos marujos do capitão Maurice até que o próprio e metade da tripulação morreram no desbravamento do inferno verde, nas garras da grande Aib Som'ar. Não houve então necessidade de manter o disfarce adiante: revelou-se na verdade uma garota na hora do embarque no navio mercante que a levaria de volta ao porto de Nova York para começar vida nova. Mal ela sabia que sua aventura estava longe de terminar!



Pietro Heinrich é um famoso cineasta de ascendência ganesa que em uma crise de criatividade viu-se diante do documentário do século, o qual seria gravado por ele próprio. Em sua cabeça, ele seria o primeiro homem da face da terra a registrar o mundo perdido, um pedaço da pré-história solto em pleno século XX, ganhando muitos prêmios e rios de dinheiro com o documentário mais importante da sua época. Seus sonhos foram por água abaixo quando um bando de animais selvagens atacou a expedição no meio da mata, destruindo o resultado de um dia inteiro de trabalho! Mas esse não foi o pior dos apuros, o pior ainda estava por vir... O pior sempre está por vir!



Don Hills é o respeitável administrador dos negócios de sua irmã, Ray Ann, financiando todas as expedições da própria em busca de seus mistérios infindáveis, também companheiro de pesquisas. Formou-se em direito em Harvard mas não tomou gosto pelo ofício, acabou acompanhando a irmã em suas empreitadas rumo às descobertas que sempre prometiam ser grandiosas, mas nunca resultavam em algo sólido... até o momento em que foi levado para as florestas amaldiçoadas perdidas no Atlântico, onde ficou face a face com a fera metade homem e metade morcego, enfrentou-a corajosamente e soltou as amarras de seus companheiros para ajudá-los na fuga do círculo de oferenda ao demônio famigerado. Sem o auxílio deste bravo herói, Christopher Umbrella e seus companheiros não estariam vivos para enfrentar o que ainda viria pela frente...


Tripulação! Preparar Para o Embarque!

Nota de Desapontamento



Algo que foi publicado neste blog há alguns anos atrás envolvendo relatos de uma amiga minha foi retirado daqui e exposto como uma CRIAÇÃO MINHA, como uma obra MINHA, publicação MINHA num curso a respeito de crianças super dotadas.

Em primeiro lugar gostaria de deixar bem claro que na postagem a que me refiro está EXPLÍCITO se tratarem de RELATOS que me foram repassados, e não histórias da minha cabeça. As histórias criadas por mim estão nas fábulas, nas séries e nas crônicas do blog, que são claramente fictícias.

Em segundo lugar gostaria de deixar avisado para quem quiser PEGAR SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO qualquer coisa que esteja escrita aqui, que pelo menos leia antes de sair espalhando por aí. Até provar que focinho de porco não é tomada, já estarei com milhares de processos correndo na justiça contra a minha pessoa! Por isso, LEIA COM ATENÇÃO antes de pegar minhas postagens e sair falando qualquer coisa por aí a respeito do meu trabalho. Sou um cidadão honesto e fui muito bem educado, jamais roubaria a ideia de alguém ou usaria a história real de alguém para lucrar com isso. Está mais do que óbvio por se tratar de um BLOG onde lê-se de graça. Eu não ganho nenhum centavo fazendo isso aqui.

E se você por acaso reconheceu alguma história sua relatada aqui por terceiros, entre em contato comigo pelos comentários. Se lhe for conveniente, irei retirar o relato das páginas do blog com todo o prazer. Porém se o fato em questão estiver inserido na narrativa DE UMA DAS MINHAS HISTÓRIAS fica INVIÁVEL RETIRÁ-LO, lavo minhas mãos nesse caso, se a carapuça serviu eu não posso fazer nada.

Pra finalizar: MINHAS HISTÓRIAS SÃO MINHAS HISTÓRIAS, RELATOS DO DIA A DIA SÃO RELATOS DO DIA A DIA. preste atenção na tag Love Angel Music Baby, tudo o que estiver sobre esse marcador é fato do cotidiano.



Grato,



Antonio Fernandes

Hey, Pessoal!



Estive fora durante uma semana por vários motivos que se interligam e formam um único: primeiro cortaram a internet. Papai pediu o número do modem pra efetuar o pagamento e descobriu que o valor tinha dobrado, ele pensava que eu tinha morrido passando mensagem pelo modem e por isso ameaçou mandar cancelar o serviço, mas como ele é muito bonzinho ele pensou e refletiu até que resolveu pagar a conta na sexta feira à tarde. Como o pagamento foi efetuado no final do expediente do banco e o sistema só ia rodar de novo agora, na segunda feira pela manhã, aconteceu o que aconteceu: estive desde o dia primeiro de Junho sem internet. Quase morri, mas estou bem agora. Encarei isso como um tratamento de choque, e serviu para muitas coisas: nas madrugadas acordado assisti muitos filmes, experimentei todas as roupas do meu guarda roupa e - pasmem - escrevi todos os sete capítulos inteiros e completos de Draconius Nefastus 2 - Octopus! A partir de amanhã irei postar dois capítulos por semana, um na segunda e outro na quinta até o final do mês, logo mais vocês irão conferir a apresentação dos personagens (como num RPG) aguarde. A história está de arrepiar, vocês não podem perder!



Obrigado por me esperarem.



XXXO



L.M.

Draconius Nefastus 2 - Intro (Cena Perdida)



O trecho de relatos abaixo foi recuperado após um incêndio criminoso que ocorreu na noite de 29 de Abril de 2010 no prédio da Biblioteca Nacional Franco-Italiana.
Após uma análise minuciosa do documento encontrado, constatou-se que tal lauda tratava-se da página perdida pertencente ao dossiê Umbrella, parte da investigação histórica que possui como principal interesse desvendar a vida secreta e as vivências do Ex-Repórter e Antropólogo Christopher Umbrella, falecido em 30 de novembro de 1998.
Na seguinte lauda, Christopher Umbrella relata, já em seus últimos dias, os acontecimentos que sucederam no espaço de tempo entre o interior da barraca na aldeia dos nativos e a porta de entrada do templo no alto da pirâmide.



(...) O hediondo guincho que viera de fora parecia ter origem num tipo de atrito metálico, lembraria unhas arranhando um quadro negro se não parecesse tão orgânico e animalesco, como o grasnar territorial da coruja branca de igreja. Ficamos completamente apavorados e sem reação naquele momento, estávamos em terras desconhecidas, cercados por selvagens inconstantes que eram controlados por uma mulher branca contra quem eles poderiam se voltar a qualquer momento!
No tempo em que passamos ali, protegidos, dentro daquela oca feita de couro e madeira, ouvimos muitas coisas da boca de nossa anfitriã Rose, que parecia há muito não conversar de verdade com alguém que a entendesse. Ela nos contou sua história desde o princípio, nada do que vó Darcy não tinha nos referenciado anteriormente, exceto, é claro, pela riqueza nos detalhes e no modo sensacional como Rose nos passava o que lhe havia ocorrido.
O motivo de os nativos não a terem levado em oferenda a sua deusa-morcega anteriormente era o fato de ela não ser mais tão jovem e muito menos virgem, além, é claro da data em que ela chegara ali: estava muito longe do solstício do despertar da deusa, no dia 6 do mês 6 do ano 6 daquele louco calendário seguido por aquelas pessoas. Calendário este que me recusei a tentar compreender, embora tenha passado meus olhos por alguns desenhos daquele tablete de argila redondo monocromático que me lembrava muito os calendários astecas e maias. Quem se ateve a interpretá-lo foi Fábia, o tempo em que passou na cabana foi todo dedicado à leitura dos simbolismos ali contidos.
Após muita conversa, conseguimos convencer nossa anfitriã a nos guiar numa espécie de tour através das ruínas daquela cidade tão moderna para um lugar tão rústico quanto aquele. Sairíamos pela manhã, no dia seguinte e voltaríamos ao final da tarde com o pôr-do-sol, para que não nos tornássemos eventualmente, comida das feras que habitam aquelas matas.
Passamos a noite naquela cabana, lutando contra o sono e contra o frio enquanto os marinheiros do capitão Maurice bebiam algo nativo à beira da fogueira lá fora. Rose parecia ter se adaptado muito bem àquela vida, costumava dizer que perdera a noção do tempo em que estava vivendo ali entre os selvagens, e muito menos se lembrava do momento em que eles a escolheram como um tipo de “cacique”. Foi algo que aconteceu gradativamente. Segundo ela, primeiro eles aprenderam a respeitá-la e depois a ouvi-la, e quando a anciã morreu – a matriarca da tribo de quem Rose cuidava – ela entrou em seu lugar como líder.
Na manhã seguinte partimos muito cedo, o sol mal havia acabado de nascer. Pietro tinha sua câmera a postos com a ajuda de Don Hills que por gentileza era o portador dos rolos de filmes que o cineasta havia trazido, e do qual ele não desgrudava. Acabei me detendo tanto aos detalhes externos dos acontecimentos que esqueci de relatar as ações de Pietro quanto representante da sétima arte: ele estava filmando desde o interior do navio, havia filmado a conversa com vó Darcy e a travessia dos canais em direção a esta terra perdida selvagem. Segundo ele, estávamos fazendo parte de algo que entraria para a história, estávamos desbravando o desconhecido como nossos colonizadores e registrando esse momento crucial da linha temporal num documentário que renderia milhões de dólares e estatuetas douradas.
Foi debaixo desta ladainha que adentramos na avenida principal da cidade perdida. E devo dizer-lhes que fiquei espantadíssimo com o absurdo que aquele lugar era. Sua arquitetura era algo muito mais que contemporâneo, era totalmente futurística, o que aumentava as suspeitas de Ray Ann sobre aquele lugar ter sido construído por alienígenas. Os prédios cresciam a alturas inacreditáveis, as ruas pareciam já ter sido pavimentadas em algum período perdido da história. E ora, vejam só, haviam postes que formavam semi-arcos sobre nós, e no fim de cada um deles havia uma lâmpada, quase sempre quebrada ou já inexistente.
Apesar do modo como a tecnologia daquela cidade abandonada saltava aos nossos olhos e ia além do que já havíamos visto em qualquer outra parte do mundo, não havia tipo de veículo algum estacionado no que parecia ser um acostamento desenhado no chão próximo às calçadas milimetricamente calculadas. Tudo na arquitetura daquele lugar era muito aerodinâmico, as curvas quando não muito bruscas e redondas eram bastante quadradas e retas. Se lhes interessa saber, parecíamos estar caminhando por uma Nova Iorque de mil anos no futuro, que por algum motivo fora abandonada e engolida por uma selva Jurássica. Um contraste e tanto entre o futuro e o passado.
A câmera não captava muita coisa, tudo na nossa frente era neblina e brancura, o frio era intenso também, os cipós e as plantas trepadeiras que se enroscavam nos postes e nas construções pareciam serpentes malignas, e as plantas tropicais de um verde vivo quando não muito colorido e saltado aos olhos tinham as folhas espalmadas e tão grandes quanto um guarda chuva aberto, esticavam-se para fora do solo na ponta de caules rígidos e lustrosos. Após algum tempo de caminhada, grande parte daquele mundo branco foi espairecendo-se revelando a verdadeira selva que crescia entre os prédios e as casas, até mesmo no teto das construções. Palmeiras de quase trinta metros de altura estouravam as calçadas e faziam sombras enormes no chão. Sumaúmas e Imbaúbas arrebentavam o concreto entre as paredes e até mesmo no meio das avenidas. Era um mundo tecnologicamente avançado e planejado sendo engolido pela fúria da selva tropical.
E isso porque não me detive ainda a ressaltar a vida selvagem que ali habitava. Os animais saíam das suas tocas aos poucos; curiosos ou apenas de passagem. Bandos de aves coloridas de bico curvo passavam voando sobre as nossas cabeças fazendo algazarra tremenda. Araras, papagaios, periquitos coloridos. Eram poucas as aves desconhecidas aos meus olhos, mas quando elas surgiam me faziam ficar admirando-as durante longos minutos, faziam alguma alusão às aves do paraíso na Oceania. e imaginem vocês o susto que nossa equipe levou ao encontrar face a face um bando de aves colossais, quase três metros de altura, de uma forte cor azul anil cintilante, bico preto e olhos vermelhos, coroadas por um penacho cor de rosa que abriam e fechavam como as asas de uma borboleta.
Os nativos que nos guiavam apenas riram da nossa cara. Aquele bando de seres estranhos eram inofensivos. As feras mesmo não habitavam o centro da cidade (ou o que havia restado dele), elas habitavam as profundezas da mata atrás das pirâmides, depois dos grandes monólitos de pedra, quando os prédios e as construções já são escassos e a mata é mais fechada. Ali onde eles estavam era muito seguro, pelo menos enquanto não anoitecia.
Naquela manhã eu vi de perto tamanduás do tamanho de búfalos, Antas maiores ainda, porcos do mato gigantes e brancos (mas não albinos), aves de longos pescoços e caudas vistosas e brilhantes, vi também todo o tipo de serpente que você pode imaginar. Vi de perto a origem do mito de Quetzacoatl, realmente há uma serpente com bico de águia e parte do corpo emplumada, mas ela não é tão gigantesca quanto reza a lenda, parece um mini lagarto, um dragãozinho. E por falar em répteis, me apavoraram o tamanho dos crocodilos que habitavam duas enormes lagoas de águas verde-esmeralda localizadas não muito longe da entrada do vilarejo dos nativos, num enorme declive de terreno que mais lembrava a abertura de um fosso gigantesco.
Ray Ann perguntou à Rose se o povo do qual ela agora era líder chegara a viver naquela cidade tão grande. Segundo ela, havia pouco crédito, mas algumas lendas antigas falavam que os ancestrais de algumas famílias que viviam no vilarejo à beira do rio chegaram a morar na grande cidade antes da decadência, mas isso provavelmente acontecera há muitos milhares de anos. Rose arriscou a teoria de que talvez uma doença ou uma guerra tenha dizimado o povo que vivia na cidade, e os sobreviventes vieram a se tornar selvagens futuramente em meio à anarquia que havia se instaurado.
Continuamos andando, passamos o dia catalogando espécimes de plantas e animais nos cadernos, batendo fotos e analisando a base estrutural daquela cidade esquecida pelas eras e engolida pela floresta. Nossa curiosidade nos levou longe demais, então chegamos a um ponto em que os nativos recusaram-se a seguir adiante, o mesmo ponto citado anteriormente, onde surgem os monólitos de pedra incrustada de rostos demoníacos, onde a mata começa a fechar e onde não se sabe diferenciar noite de dia. Esse nosso erro tornou-se fatal quando por uma falha entre os ramos acima das nossas cabeças percebemos que a luz do sol já era escassa e o céu havia tomado uma tonalidade rosada, onde algumas estrelas já despontavam.
Acendemos tochas e lamparinas para seguir adiante escoltados por nossos bravos marujos tendo como guias a anfitriã Rose e mais dois homens de sua tribo que se dispuseram a nos levar mais adiante, para nos mostrar o que se escondia após o corredor de arcos de pedra naturais (algo incrível e sensacional). Mal sabíamos que tudo aquilo se tratava na verdade de uma armadilha: poucos passos adiante, feras enormes saltaram das sombras, nos surpreendendo em meio à escuridão pegando-nos completamente desprevenidos. Eram seres humanoides com toda a certeza, senti braços musculosos e mãos de macaco me puxarem pelos membros enquanto me debatia e esfaqueava o escuro com uma pequena adaga. Quase todas as tochas foram apagadas por um vento misterioso que abateu-se na expedição poucos momentos antes daqueles seres saltarem do alto das árvores, as lamparinas que restavam revelaram a pelagem dourada e as faces disformes das criaturas que urravam e grunhiam como porcos.
A luta foi intensa, mas ao que parecia eles não pretendiam nos devorar ou algo parecido, mas sim nos capturar! Eu não sabia quem continuava vivo ou quem havia morrido, mas ouvia muito bem a voz de meus companheiros de viagem gritando pelo meu nome enquanto eu respondia a eles. Fomos amarrados a um cipó firme e arrastados à força como escravos até os pés do que parecia a silhueta de uma montanha contra a luz do lusco-fusco.
“UM TEMPLO!” gritou Pietro. “É UMA PIRÂMIDE! UMA ENORME PIRÂMIDE!” gritou Fábia. E realmente o era. Minha vista foi desembaçando aos poucos e acostumando-se à claridade fora da mata fechada pela qual estávamos caminhando havia algumas horas. Puxei meus costumeiros óculos de aviador que estiveram aquele tempo todo pendurados no meu pescoço para os olhos; eles amansavam a fera do astigmatismo que reside em mim, de modo que agora podia ver muito bem do que se tratava aquela construção diante dos meus olhos.
Era uma pirâmide afinal, maior do que qualquer outra construída por mãos humanas, lembrava em sua estrutura as construções astecas e maias. Seus degraus eram colossais, como uma arquibancada, parecia terem sido feitos para a escalada de um gigante! As feras de pelagem dourada nos lançaram aos pés da pirâmide, puseram-se de quatro e começaram a uivar para nós. Completamente sem saída, não vimos alternativa senão guiar as pernas nervosas degraus acima na maior velocidade que poderíamos exprimir, enquanto desatávamos os nós frouxos do cipó que nos prendia uns aos outros, sempre olhando para trás, certificando-se de que os animais não mais nos seguiam.
A subida estava durando muito, a pirâmide realmente era muito alta, e a escuridão era a nossa rainha e também o manto que nos cobria, não enxergávamos um palmo diante dos nossos narizes. Poderíamos ser atacados a qualquer momento de qualquer direção! Para completar o desespero, os uivos, rugidos e gorgolejos que vinham da mata aos pés da pirâmide só nos deixava mais apavorados, alguns estavam em lágrimas orando e pedindo a Deus por misericórdia. Eu era um desses. Em silêncio, mas era um desses. Aquelas feras poderiam estar subindo naquele exato momento atrás de nós, atraindo a atenção de tantas outras que também estariam agora em nosso encalço! Nesse ritmo de espasmos de corrida, chegamos às portas do templo, e fomos recebidos por misteriosas tochas acesas na entrada (...)


Finalizam aqui as descrições presentes na lauda encontrada.