Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

terça-feira, 8 de março de 2011

Hey, People!

Oi gente, estou aqui para mandar todo mundo tomar no olho do seu







...








BRINCADEIRINHA, HEHEHEHEHEHEHEHEHEE


Estou aqui para agradecer àqueles que acompanharam The Big Machine 3 - Apocalipse com fidelidade, mesmo sem comentar porra nenhuma, muito obrigado, vocês não sabem o quanto isso é importante pra mim. Para aqueles que abandonaram a trama no meio, MEUS PÊSAMES, e também, meu muito obrigado, não deixa de ser importantíssimo o prestígio desse trabalho que eu venho fazendo já tem uns bons e longos 3 anos.

The Big Machine foi uma "série cronológica digital" que muito significou para mim, e terminá-la com todas as honras foi como o fechamento de um ciclo, um recomeçar. Não posso mentir, me emocionei escrevendo o último capítulo, são personagens adoráveis dos quais eu não queria me despedir, mas tudo o que é bom chega ao fim um dia, e eu sinto no fundo do meu coração aquela sensação gostosa de dever cumprido! Não há mais nada a fazer com estes personagens e mais nada a incorporar nesta história, não haverá um The Big Machine 4 ou uma versão "reloaded" da saga, como se fosse uma regravação, pois ela terminou do jeitinho que tinha de terminar, do modo mais perfeito, justamente como eu queria. Em resumo, tudo o que tinha para acontecer aconteceu, ces't fine.

Estamos entrando num pequeno hiato enquanto eu dou um chutezinho básico nos últimos impecilhos para o lançamento da próxima história deste blog. Há alguns problemas ainda para resolver, e enquanto isso pretendo lançar um novo quadro no blog, o "Mimieux Entrevista", mas também estou com problemas com relação a isto porque o entrevistado ainda não me cedeu uma foto sua para a postagem.

Ele é o modelo que irá estampar alguns capítulos da nova série "Yellow", representando o personagem central da história. Nada mais tenho a revelar a respeito disso, ou então estarei estragando a surpresa!

Para quem acompanha o blog, peço só mais um pouquinho de paciência, estão me cobrando no msn o lançamento URGENTE desta nova série, mas lhes peço tempo.

Talvez amanhã eu poste o primeiro "exemplar" por assim dizer de "Mimieux Entrevista", então, aguardem, ok?




XXXO




L.M.




domingo, 6 de março de 2011

Vem aí...


Uma trama cheia de misticismo
e mistério que irá lhe envolver do começo ao fim!
Aguardem!

The Big Machine 3 - Apocalipse - Epílogo



- Vocês fizeram um ótimo trabalho, Apocalípticos! – uma voz feminina rouca invadiu os ouvidos de Christopher, era algo sensual, mas ao mesmo tempo divertido. – está na hora de acordar! Estamos quase chegando à cidade de vocês!
Christopher foi o último a acordar. Deparou-se com seus quatro amigos sentados no chão, com seus respectivos capacetes no colo, completamente atônitos, olhando fixamente para alguma coisa mais à frente. Sim, eles estiveram sentados nos fundos de uma cabine, ao que parecia uma cabine de aeronave, mas havia algo de estranho ali. O teto da cabine era todo de vidro, um domo de vidro, exatamente como as cabines de modelos anteriores do AR53-N4L. E ele não pode conter o grito que deu quando a cadeira giratória do piloto voltou-se para ele. Ali, sentada diante deles, de pernas cruzadas, estava o motivo daqueles queixos caídos e olhos esbugalhados de seus companheiros de luta. O cabelo loiro-lavanda e o laço Minnie Mouse feito de seus fios no alto da cabeça eram marca registrada daquela criatura com o raio roxo pintado na cara, exatamente como Saturno Revenge utilizava o raio preto. Era tão branca, tão pálida que chegava a assustar. Usando botas de cano longo e maiô como ombreiras pontiagudas, ali estava ela. A própria. Lady Gaga.
- O que houve, meninos? – ela se levantou.
- FIQUE LONGE DA GENTE! – gritou Ray Ann – O QUE VOCÊ É?
Gaga gargalhou.
- Ora, eu sou uma de vocês! Seus bobos! – ela colocou as mãos sobre os joelhos e sentou-se no chão, diante deles. A nave estava no piloto automático. – sou Apocalíptica! – mostrou o pulso direito, onde o triângulo de três braços estava tatuado.
- Onde está o Mapinguari?! Onde está Alberta?! – perguntou Chris, confuso.
- O pessoal já cuidou disso, não se preocupem! – ela abanou o ar e retirou os óculos escuros enormes. Seus olhos eram verdes mesmo!
- Ela não é desse mundo! – Fábia matou a charada, sorridente. – ela é a Lady Gaga, mas de outra dimensão.
- FINALMENTE! – riu Gaga, levantando as mãos para o céu. – vocês querem saber o que aconteceu? Então eu vou contar!
Foi uma longa história. Fazia um tempo que todos os Apocalipses Club de todas as dimensões vinham tendo problemas com seus membros, grande parte deles vinha tendo constantemente sonhos misteriosos com o triângulo sagrado e uma guerra que estava acontecendo em algum lugar do universo, mas eles não sabiam onde. Na verdade, grande parte dos Apocalípticos das outras dimensões sequer sabiam da existência de outros mundos onde pudessem existir outros Apocalipses Club, eles viviam na ignorância, ou eram jovens demais e não possuíam nenhuma experiência com viagens interdimensionais porque seus mundos eram atrasados demais. Há inclusive um mundo onde o Apocalipse Club é uma liga de arqueólogos e exploradores que vivem na década de 1950! Então Gaga tomou a iniciativa de seguir a fonte dos sonhos, fazer estudos do cérebro dos membros do clube em laboratórios e seguir os impulsos que enviavam aquela energia para a mente das pessoas.
- Isso demorou uns três anos... – disse ela, sorridente.
- Para nós, três meses! – exclamou Fábia.
Pietro ainda estava meio contrariado.
- O que houve, Pietro? – questionou Augusta.
- Sei lá... É meio tenso! Eu to falando com a Lady Gaga como se ela fosse minha vizinha! Isso tá meio bagunçado, não tá não?!
E as gargalhadas eclodiram alto dentro da cabine. Já era noite lá fora. E o céu estava tão estrelado quanto no dia em que Maxine contou à Kátia o verdadeiro significado do Apocalipse Club.
- Sério! – continuou ele, fazendo caras e bocas. – eu pensei que isso aqui fosse uma série de ação, e não de comédia!
Após estes três anos de pesquisa, ela resolveu enviar um impulso de Poder através das dimensões e da linha do tempo-espaço, algo como o mecanismo que o morcego usa para se locomover no escuro. Se houvesse alguma coisa errada, o sinal voltaria distorcido, e foi o que aconteceu nas proximidades do universo original, o mundo que origina todos os outros. O nosso mundo.
- Fiquei atônita quando soube que aqui eu sou uma supercelebridade! – gargalhou ela, fazendo piada de algo que parecia tão comum aos Apocalípticos. – eu sou só uma cientista pirada lá no meu mundo, ninguém respeita as minhas descobertas...
E então ela decidiu enviar o sinal novamente, dessa vez pedindo ajuda aos Apocalípticos das outras dimensões, para que juntassem um exército e fossem verificar o que havia de errado no mundo original. Foi tiro e queda. Alguns dos mundos mais próximos do nosso sabiam de tudo o que estava acontecendo aqui, mas preferiram ficar de fora por não ter poder de fogo o suficiente para combater Alberta e seu exército. Porém, a união de quase 100 mundos resultou numa marcha enorme, e numa depressão interdimensional que confundiu a linha de tempo e espaço. O tempo parou ali naquela cidade, e provavelmente quando voltar a contar, recomeçará a partir do momento em que Robert decidiu roubar o cérebro artificial.
- No meu mundo você é a supercelebridade, Chris – disse a mulher, mostrando um disco cuja capa era um par de sapatos de salto cor-de-rosa. – música eletrônica!
E eis então que Alberta explodiu e foi pelos ares com a intervenção do exército formado pela cientista maluca Gaga e sua equipe de técnicos que unindo todas as dimensões possíveis, salvaram a pátria enfim.
- Então foi isso? – Macapá já estava próxima. Eles haviam afundado muito longe da costa, num profundo canal entre as ilhas marajoaras. – Alberta finalmente acabou?
- Sim, dessa vez é pra valer!
Eles permaneceram um tempo admirando as estrelas, e quando a nave – que mais tarde descobriu-se ser um robô bípede esférico equipado com dois canhões e adornado com um enorme laço vermelho de metal coroando-o. – finalmente atingiu o trapiche da Zaguri – que por muito pouco não foi destruído pela guerra. – Fábia apontou para o mar de pessoas vestidas de branco que os aguardavam para recepcioná-los como heróis. Pessoas do nosso mundo e de outros mundos confraternizavam juntas e comemoravam a vitória. Suas famílias os receberam com muitos beijos, abraços e muito choro. Havia uma orquestra tocando logo ali perto, e logo em frente à orquestra havia uma mesa montada com sintetizadores produzindo sons nunca antes ouvidos, estes entravam em sincronia perfeita com a música clássica e geravam um novo tipo de música eletrônica: a eletrônica universal.
Saturno Revenge apertou a mão de Christopher. A mesma pessoa. Perspectivas diferentes.
- Parabéns, rapaz – disse, escondendo os braços debaixo da sua capa preta, mais parecia a morte perdida no meio de uma multidão de almas brancas – eu me enganei ao seu respeito... Você realmente é insistente o bastante afinal!
- VOVÔ! VOVÔ! VOVÔ! – Maxine surgiu gritando em meio à multidão, com lágrimas banhando seu rosto vermelho de tanto chorar, ela pegou o rapaz pelo pescoço e esmagou-o entre seus seios fartos, herdados da avó paterna. – EU SABIA! EU SEMPRE SOUBE QUE VOCÊ ESTAVA VIVO! NÓS NÃO DESAPARECEMOS QUANDO O ROBÔ EXPLODIU, ENTÃO EU SABIA QUE VOCÊ ESTAVA VIVO! – exclamava a mulher, sacudindo seu provável avô pra lá e pra cá.
- Com licença, eu ainda não dei o meu abraço nele! – Haruno surgiu logo atrás, cutucando Maxine no ombro. Seus cabelos escuros acariciados pelo vento pareciam mais bonitos e perolados do que nunca, os fios brincando diante de seu rosto felino. Chris olhou de uma para a outra. A diferença realmente era a cor do cabelo. Max era ruiva e tinha as mechas onduladas, enquanto Haruno tinha os cabelos escuros como a noite e perfeitamente lisos. Deusas gêmeas elas eram, uma ao lado da outra. Haruno sorriu.
- Antes preciso contar um segredo a ele. – Max livrou Chris do abraço e afastou-se, solene. Inclinou-se sobre o ombro dele e cochichou algo em seu ouvido, algo que o espantou de primeira e depois o fez sorrir de orelha a orelha. Seja lá que algo aquilo for, o fez abrir os braços ainda mais rápido para a amiga que esperava na fila pela sua vez, o fez abraçá-la ainda mais forte e beijá-la demoradamente no rosto.
- Eu te amo, sabia?
Haruno riu.
Ao redor, robôs gigantescos e minúsculos se acomodavam estacionados na praia de areia e lama que havia se formado no final da tarde por causa da maré baixa. Eram vultos altos de baixos, vidraças vermelhas, azuis e negras, cabeças quadradas, pontudas, triangulares, aparências fofas e às vezes ameaçadoras, hardcore heavy metal, como diria Ray Ann. O modo como os últimos raios de sol batiam neles, escapando por entre as nuvens cinzentas do céu da tardinha, os tornavam joias caóticas em sua poesia e poéticas em seu caos. Eles eram coisas que não deveriam estar ali, era por isso que era tão mágico olhar para aquelas obras de arte de ferro, vidro e metal.
Outra vez os Apocalípticos estavam exatamente como estiveram na sala de controle da nave joaninha. Três gerações distintas: pais, filhos e netos. E agora a turma da dimensão controlada por Carmen Parafuso estava completa, pois Pietro, Augusta e Suzannah vieram também, dentro de um pterodátilo branco. Mas então chegou a hora da despedida. O DeLorean aguardava, era hora de Maxine, Tifa, Gabrielle, Miguel e Fernando voltarem para o futuro. Gabrielle agarrou-se ao pescoço do avô com força, e foi difícil tirá-la de lá, chorava copiosamente, estava inconsolável. Tifa sussurrou uma canção para a sua avó, e derramou muitas lágrimas também. Chorou tanto que não pôde terminar aquela bela canção, que Fábia lhe cantava antes de dormir quando ainda era viva, algo que ela havia aprendido na Igreja com os pais, sobre o amor próprio e sobre o amor de Deus.
Fernando e Miguel foram menos sentimentais, eram metidos a machões como o avô, de quem se despediram trocando socos de brincadeira e rasteiras fingidas, os três se atracaram feito animais, foi preciso que Ray Ann os interrompesse aos prantos para abraçar seus dois futuros netos. Maxine era bem mais baixa que seu avô, apesar da idade. Christopher era um monstro em forma de rapaz, pra falar a verdade, e por isso ela encostou a cabeça em seu peito, como costumava fazer muitas vezes antes do mesmo morrer, e ali ficou; de olhos fechados, imaginando-se no sofá da sala lendo Alice no País das Maravilhas com um senhor quase careca de mechas prateadas. E depois chegou a hora de embarcar no DeLorean, que precisou de uma forte descarga elétrica para funcionar, como no filme. Algo que foi tirado de letra pelos robôs que estavam por ali.
- Adeus! Adeus! – gritavam eles da janela do pequeno carro, mais espremidos que sardinha em lata. – Nos veremos logo! Adeus! Adeus! Logo vamos nascer! – foi impossível conter as lágrimas quando o carro alçou voo, Fábia escondeu a cara no casaco de Pietro e chorou como nunca antes havia chorado, soluçando alto. Ray Ann também derramou muitas lágrimas, acalentadas por sua querida mãe. Christopher tentou se fazer de forte, não procurou colo materno ou ombro amigo, permaneceu lá, de pé, olhando o horizonte enquanto o DeLorean desaparecia entre as nuvens. Rios poderosos de lágrimas escorreram pelo rosto do primeiro Apocalíptico, aquele que batizou o grupo com o nome tão incomum. Afinal, foram três meses com aquelas pessoas, seus netos, seria difícil esquecê-los assim tão fácil. Eram criaturas peculiares e realmente marcantes, especiais. Jamais esqueceria Maxine. Haruno estendeu a mão para o amigo que segurou seus dedos com força.
Após a partida do grupo no DeLorean, Robert – que até então estivera amarrado ao seu neto exatamente como fora capturado – desapareceu. Eles conseguiram chegar no futuro a tempo de impedir que Robert roubasse o cérebro artificial da vitrine do museu. Sem a vinda de Robert para o passado, as coisas começaram a mudar na paisagem. Os acontecimentos mais antigos principalmente. Prédios se reconstruíram tijolo por tijolo, árvores voltaram para o lugar, o fogo apagou e a poeira baixou, os restos mortais dos robôs destruídos em guerra, pedaços de metal disforme em chamas, desaparecendo um a um. Demoraria horas até que Macapá estivesse inteira por completo, talvez aquilo levaria a noite toda. O tempo ali estava retrocedendo a olho nu, e a última coisa a ser alterada seria a mente das pessoas. Antes disso a Fortaleza destruída pela queda do Mapinguari estaria inteira, e logo Alberta, Úrsula e Velma estariam ali na cidade, nas suas casas, com um enorme vão na memória, sem lembranças dos últimos três meses. Tudo não passaria de um sonho. O mesmo aconteceria aos Apocalípticos em breve. O tempo haveria retrocedido então.
Logo foram os Apocalípticos de Saturno Revenge que partiram para sua dimensão original, e aos poucos toda aquela multidão foi sumindo montada em seus robôs. Desaparecendo em nuvens de fumaça, explosões de luz e choques elétricos, e de repente os cinco Apocalípticos originais se viram sozinhos, de mãos dadas, exatamente como estiveram dentro do Arsenal, agora olhando para o horizonte escuro do rio Amazonas, de onde a noite vinha cobrando o que lhe fora tomado.
- Pietro. – chamou Chris.
- Sim?
Todos se calaram e olharam para Christopher, que tinha os olhos sonhadores fixos no horizonte, semicerrados, se protegendo do açoite do vento forte da noite.
- Por favor, tome conta das suas coisas direito e trate de não perder mais o seu celular. – disse, lembrando-se finalmente de como tudo aquilo começara. – estamos cansados de salvar o mundo!
As risadas dos cinco jovens, ainda não adultos, mas quase lá, alcançaram seus pais que conversavam entretidos tentando entender e digerir tudo o que acontecera ali. Elas foram levadas pelo vento, para longe, ecoando no espaço e no tempo como um aviso. O universo está a salvo, finalmente. Pois enquanto houver retardados esquisitões dentro da sua sala de aula, nenhuma sapatão do mal estará a salvo!
E então veio a luz forte... E aquela voz...



•••



- Christopher! – gritou a voz. Ele sabia de onde vinha, mas queria mesmo era não saber. – CHRISTOPHER ACORDE!
Ele abriu os olhos, sobressaltado, seus amigos o observavam curiosos.
- Cara... cê tá precisando dormir hein... – Pietro estalou o canto da boca e seguiu em frente.
- Vamos! É hora do lanche já! – incentivou Ray, toda animada, pulando ao lado da sua carteira mais do que a sorridente Fábia, que o beijou antes de passar à frente – eu trouxe dinheiro! Vamos comer bolinho hoje! – ela se abaixou e cochichou com a mão protegendo a boca – eu acho que eu descobri o segredo da tia da cantina! Deve ser milharina! Só pode ser milharina!
Christopher se levantou e olhou ao redor. A sala de aula, as carteiras verdes, a parede dividida no meio, tinta a óleo alaranjada embaixo, tinta branca convencional em cima. Tudo no lugar. Nada de robôs do futuro ou sapatões malignas. Aquilo foi um choque! Então tudo foi um sonho afinal?
- Pietro! – chamou Chris. O amigo já estava no vão da porta, com um pé no corredor e o outro dentro da sala.
- O que foi? – todos voltaram a atenção para o confuso Chris, que ainda olhava ao redor como se analisando a realidade, completamente confuso.
- Nada... deixa pra lá...
Foi o último a sair da sala de aula.
Mas ele teve a certeza de ter ouvido o som de um laser antes de fechar a porta atrás de si.






sábado, 5 de março de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse - OST (Bonus EP)

Pra quem gosta MESMO de música, eu preparei um pequeno EP especial para complementar a trilha sonora oficial de The Big Machine 3 - Apocalipse. Escolhi as duas músicas principais da trama e versões alternativas delas que me agradaram com relação à sonoridade. Strict Machine, em minha opinião, é o apogeu da maravilha elétrica, Goldfrapp, são explosões sonoras e desdobramentos eletrônicos de arrepiar, sons de chicoteio, marteladas e até mesmo cordas orientais embalam esta melodia, o que combina perfeitamente com o caos contidos neste episódio da saga de The Big Machine. E Indestructible da Robyn é o ápice da criatividade musical desta mulher, que conseguiu pegar uma letra boa e encaixar numa melodia eletrônica dançante e ao mesmo tempo melancólica e angustiante, quem escuta a música sente uma pontada de agonia ao ouvir o solo de violino eletrônico, e isso sem contar o quão íntimo a letra da canção está para com o roteiro da história, falando sobre manter viva uma chama e lutar para que aquilo continue firme mesmo depois de toda a dor e o sofrimento pelo qual se passou. Em base este é o espírito Apocaliptico! Confiram agora as faixas do EP bônus!


01. Strict Machine - Goldfrapp

02. Strict Machine (Victor Calderone Big Room Remix) - Goldfrapp

03. Indestructible - Robyn

04. Indestructible (Acoustic Version) - Robyn

05. Defender - Gabriella Cilmi

The Big Machine 3 - O Último Apocalipse


Para Beatriz Albarado,
Fabíola Maciel,
Pedro Henrique,
e Rayanne Cordeiro,
Com todo amor e carinho.
Sem vocês, nada disso seria possível, obrigado por tudo.

•••

And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
And I'm indestructible


Indestructible – Robyn



- Você sabe o que quer dizer Apocalipse? – perguntou Maxine, mexendo nos cabelos escuros e cacheados da pequena Kátia. Era uma noite linda, limpa e enluarada, as constelações brincavam no céu escuro como crianças travessas, se mostrando através da claraboia do último andar, saltando para dentro dos olhos curiosos de mãe e filha. Dois anjos abraçados entre os lençóis, uma acalentando a outra em seus braços, e os olhos voltados para o céu a admirar a Via-Láctea sem fim, leite branco e cereais cristalizados derramados no veludo negro do tapete de Deus.
- Não mamãe, o que quer dizer? – Kátia virou seu rostinho redondo em direção à mãe, para olhá-la no fundo dos olhos. Ela encontrava todas as constelações ali dentro quando não havia céu estrelado lá fora. Os olhos da mãe pareciam ter absorvido o espaço e eram brilhantes como dois sistemas solares em eterna dança. E Maxine também pensava assim sobre a filha, um pequeno anjo de cabelos escuros cacheados, com o rostinho em formato de coração e nariz de morango, sempre vermelhinho e redondinho, sua boquinha era perfeitamente desenhada, idêntica aos lábios do avô.
- Quer dizer revelação, meu bem. – trouxe a criança mais para perto e voltou os olhos para a claraboia do teto de vidro do quarto da pequena Kátia. Um quarto branco e minimalista, mas lindo e repleto de brinquedos e livretos.
- Revelação? – fez a criança, duvidosa. – então porque nós nos chamamos Apocalipse Club? O que nós revelamos?
Maxine riu baixo e beijou a testa da filha demoradamente.
- Nós somos a revelação, minha filha. Nós revelamos quem somos quando chega a hora da verdade, mostramos do que somos capazes, é por isso que somos... O Apocalipse Club.
Aquela fora a última noite antes da mudança fatídica na linha temporal que alterou o futuro...
- Canta pra mim de novo mãe! – pediu a pequenina, trazendo a mãe de volta do seu passeio pela Via-Láctea.
- É claro, meu bem. – sorriu, e passou as mãos pelos cabelos da criança. – I’m going back trhough time at the speed of light...


•••

A nave joaninha pairava sobre o Rio Amazonas fantasmagoricamente, como uma aparição prateada nos céus escuros, seus motores não produziam ruído algum, e seu enorme corpanzil de metal sequer oscilava, não era como um helicóptero que vacilava, que se inclinava à mínima corrente de ar, não, era algo completamente alienígena, estático no ar, congelado no tempo. Lá dentro, na sala de controle, na cabeça da joaninha, pais, filhos e netos vindos do futuro contemplavam a miniatura holográfica de uma fera robótica em cinza, laranja e vermelho, um monstro de metal assustador, tão ou mais assustador que o poderoso Mapinguari.
Aquele era o Arsenal Diabolo Mode, a última versão daqueles robôs simples com a cabine de controle em forma de domo de vidro no lugar da cabeça, equipada com dois receptores de sinal em forma de orelhas, que às vezes lembravam um coelho, outras lembrava um gato. Naquele modelo estes receptores tinham a forma curiosa de pontiagudos chifres diabólicos que juntos produziam faíscas para gerar um choque elétrico avassalador. E isso era o básico que ele podia fazer, aquela máquina de destruição possuía gerador de campo de força, lança-chamas, canhões lasers e mísseis nos braços, no peitoral – onde havia uma enorme chama vermelho-vivo desenhada – e nos ombros. Possuía também gerador de campo gravitacional, lançador de gás venenoso e dedos extensíveis que poderiam virar tentáculos que esticavam a uma distância incrível, servindo até mesmo de chicote. Quando conectado ao cérebro humano, poderia valer-se de telecinese também, possuía também asas extensíveis que lembravam as asas de um morcego, estas ficavam retraídas o tempo todo dentro de um compartimento nas costas do robô, o que em base queria dizer que ele podia voar quando seu operador assim desejasse, impulsionado para cima por dois foguetes embutidos nas pernas. Era a máquina perfeita.
O silêncio após a apresentação da arma secreta foi mortal. Ninguém pronunciava uma palavra. Até que Christopher deu um passo à frente.
- Eu vou pilotá-lo! – disse, estufando o peito.
- Mas nem pensar! – gritou a mãe, logo atrás, puxando-o para perto. – você está louco?!
- E quem disse que eu pedi voluntários para pilotá-lo?! Este robô é meu, EU irei pilotá-lo! – Saturno bateu no peito.
- É, mas este é o nosso mundo e nós queremos salvá-lo! – fez Pietro, dando um passo à frente também, se postando ao lado de Christopher. Os dois se olharam com concordância, os lábios em linhas retas de perseverança e determinação, olhares duros voltaram-se para saturno em seu uniforme amarelo e seus óculos escuros gigantescos que lhe escondiam o rosto.
- Vocês são apenas crianças! Não tem experiência para pilotar um monstro deste tamanho! – foi a vez da mãe de Pietro protestar. – deixa o moço fazer o trabalho dele, meu filho! Não foi vocês quem chamaram ele do futuro pra ajudar?! Agora deixa ele terminar o que veio fazer!
Fez-se mais silêncio. Lá fora, o horizonte estava tingido de vermelho e cinza, os fogos da cidade e a poeira que a guerra levantava havia pintado uma paisagem distorcida e caótica.
- Não somos crianças! – Augusta deu um passo à frente também, postando do lado direito de Christopher – vocês, pais, cobram tanto de nós um comportamento maduro, adulto e responsável, para depois cortarem as nossas asas quando finalmente queremos mostrar do que somos capazes!
- Augusta, volta aqui pra trás agora antes que eu te encha de porrada aqui na frente de todo mundo! – sibilou a mãe de Augusta, sendo segurada à força pelo pai, impedida de ir buscar a garota. – tu não lavas nem as tuas calcinhas direito!
Augusta bufou. Agora foi Ray Ann e Fabíola que tomaram a frente, de mãos dadas.
- Se não vai nos deixar pilotá-lo – começou Ray – pelo menos nos deixe ir com você! Queremos estar juntos na hora da derrota de Alberta e sua gangue! Queremos participar disso também!
Fábia estava sem palavras, muito séria, só afirmou e deu ênfase às palavras da amiga com um leve menear da cabeça, assentindo.
Saturno permaneceu calado, olhando para os cinco de cima. Um burburinho começou entre os pais, “inadmissível!” “nem pensar!” “fora de cogitação!” “absurdo!” “são só crianças!” “ainda nem saíram das fraldas!”. Mas eles permaneceram unidos, sem vacilar, nem sequer olharam para trás. Saturno, contrariado, permanecia muito sério. De braços cruzados, analisava a situação como um imperador romano autoritário, uma estátua de tensão. Foi então que ele deu um passo para o lado em cima da mesa, abrindo a visão dos Apocalípticos e seus pais para o horizonte, para a extensão cor de barro do Rio Amazonas. Mais adiante havia a cidade em chamas que era claramente visível através dos olhos da joaninha, da janela frontal redonda da cabine. Fez-se silêncio outra vez.
Lá embaixo, há 15 andares de distância, no leito do rio, um enorme redemoinho de água se formou, atraindo raios das nuvens carregadas logo acima. Alguma coisa monstruosa rugiu lá embaixo, e era como se a própria besta estivesse se levantando das águas, a sua vinda da outra dimensão para este mundo causou um terremoto que sacudiu a cidade de Macapá de uma ponta à outra. Aos poucos a coisa foi surgindo do fundo do rio, içando-se para fora do redemoinho lentamente, chifres vermelhos antecederam um enorme domo de vidro escuro que reluzia como uma pérola negra gigantesca; e então houve outro rugido apavorante. A água descia de seu corpo enorme em cachoeiras, vazando dos compartimentos inundados. Após o surgimento da sua cabeça, vieram o tronco e os poderosos braços de metal, depois sua pélvis e por fim, as longas pernas. A coisa rugiu de novo, e então percebeu-se que seu rugiu nada mais era do que o som de seus motores esquentando, cada centímetro daquele gigante endiabrado soltava fumaça, era uma caminhonete em fúria, um caminhão monstro de arena uivando, tremendo nervoso. Sua fronte possuía algo de peculiar e ao mesmo tempo espetacular, feito um focinho triangular conectado à nuca por tubos, o qual por sua vez lembrava a máscara negra de Anakin Skywalker ao tornar-se Darth Vader, produzindo o mesmo ruído poderoso de respiração ruidosa que o vilão produzia nos filmes. Mas aquilo era gigantesco, e era a vida real, por mais estranhe que parecesse aos olhos humanos.
Duas luzes vermelhas se acenderam no domo de vidro escuro, eram os olhos da coisa. Os olhos do robô, que esticou seus braços para cima e rugiu outra vez, soltando fumaça das juntas dos joelhos, cotovelos e pescoço, produzindo ruídos pneumáticos e metálicos numa altura ensurdecedora, feito uma chaleira gigantesca reclamando no fogão. De suas mãos de metal, duas labaredas surgiram, e dançaram ao redor da sua cabeça em forma de domo como se tivessem vida própria, atingindo alturas impossíveis, este era o poder do seu lança-chamas. Este era o poder de AR53-N4L, Diabolo Mode.
- E agora, ainda querem pilotar essa coisa?! – fez Saturno, com um sorriso triunfante no rosto. Os jovens estavam de olhos arregalados para aquela besta surgida das águas que os encarava através do vidro frontal da cabine, seus olhos vermelhos acesos fixos em seus rostos apavorados.
Quatro deles voltaram para perto de seus pais, porém Christopher, mesmo morrendo de medo, completamente apavorado, continuou ali parado observando a fera de metal atônito. Ele não sabia nem dirigir ainda! Mal pilotava bicicleta direito! E da última vez que tentou guiar uma moto, quase atravessa uma parede no pátio dos seus tios há poucos meses atrás. Em resumo, o garoto era um desastre de 1,94 de altura.
- Você é insistente, mas não o bastante. – disse Saturno. O focinho triangular do robô abriu-se e uma espécie de língua de metal esticou-se em direção aos olhos da nave-joaninha. O vidro frontal abriu-se para receber esta passarela que parou exatamente aos pés de Saturno Revenge. Este colocou sua capa preta e deu o primeiro passo para embarcar no robô gigante, e foi jogado para o lado repentinamente por Christopher que a atravessou correndo, sem nem olhar para baixo. Correndo todos os riscos do mundo de despencar daquela altura diretamente no rio, quebrando o pescoço com o impacto mortal do seu corpo com a água, ele seguiu sua atitude imprudente e impensada ao som dos gritos de seus pais logo atrás.
- Vamos! – gritou ele para os outros quatro, que também não pensaram muito antes de correr até seu encontro do outro lado da passarela, já na porta de entrada do robô gigante, os pais vinham logo atrás, aos gritos. Saturno estava furioso, gritando e xingado longe, mas era tarde demais, a passarela foi recolhida e os jovens vestibulandos defensores da justiça já haviam sumido no interior do Arsenal...

•••

- Bem vindos, Apocalípticos! – esta foi a saudação que os cinco jovens receberam ao fechar da porta triangular às suas costas. No momento em que tudo escureceu, e o mundo lá fora se ocultou, transformando o dia em escuridão total, eles sabiam que haviam ido em direção a um caminho sem volta. Mais da metade deles estava arrependida de não ter ouvido seus pais, afinal de contas era tudo ou nada a partir de agora. Mais da metade sim, porque somente metade de Christopher Umbrella estava arrependido de ter atravessado à passarela correndo sem pensar, e adentrado no mundo escuro do domo de vidro que era a cabeça do robô gigante.
- Que voz é essa? – miou Fabíola no escuro.
- Deve ser a tal da voz do sistema! – afirmou Pedro, temeroso, com ansiedade na voz.
- Escolham seus capacetes, Apocalípticos. – luzes azuis acenderam-se sobre uma bancada retangular preta onde cinco capacetes coloridos aguardavam lado a lado como crânios futurísticos em exposição numa prateleira de museu. Platinados, cromados e cintilantes, eles reluziam como joias raras perdidas nos templos astecas antigos, atemporais e inexoráveis. Sortidos, cada um deles possuía uma cor única, em verde, azul, amarelo, rosa e dourado. Em todos os capacetes, as viseiras possuíam a cor vermelha tão avivada que chegava a doer nos olhos, mas não pelo lado de dentro, é lógico. Foi automático, como se seus corações já soubessem lá no fundo a cor que lhes era destinada, Augusta colocou o capacete verde, e imediatamente a viseira acendeu uma forte luz vermelha que foi diminuindo de intensidade até tornar-se uma mera aura espectral. Pietro colocou o capacete azul, e o mesmo processo se repetiu nele e em Ray Ann que pôs o capacete amarelo. Fábia, toda animada, pôs o capacete rosa com muito gosto, e por último Chris, que pegou entre seus dedos gelados o capacete cromado dourado, colocando-o.
- O que é isso, manos? Power Ranger agora? – fez a voz de Ray Ann, e era como se ela estivesse dentro da cabeça de cada um deles. As risadas que vieram em seguida também ecoaram dentro de suas mentes como se eles fossem um só. Seus pensamentos estavam conectados. E então veio outra vez a voz da máquina.
- Com estes capacetes vocês estarão em sincronia perfeita com AR53-N4L Modelo Nº666 – disse, e também era como se ela estivesse dentro da cabeça dos Apocalípticos. – Com estes capacetes, suas mentes estão conectadas. E juntos, vocês tem o poder de controlar, basta que vocês queiram. Vocês são o cérebro e o coração da máquina! Boa Sorte, Apocalípticos!
Neste exato momento, entre a fumaça e o fogo da cidade em chamas, o vulto negro do Mapinguari surgiu, como se vomitado pela terra, erguendo-se da névoa cinzenta da destruição, e havia fogo e carcaças metálicas aos seus pés, sendo esmagadas à cada passo dado pelo monstro do caos. As imagens do surgimento do robô rival surgiam na cabeça dos Apocalípticos como sonhos ou pensamentos, sendo transmitidos para suas mentes por impulsos magnéticos poderosos, logo era como se eles próprios fossem parte do Arsenal, enxergando o mundo através dos seus olhos.
- Chegou a hora, pessoal... – Chris estendeu a mão para Fábia, que apertou-a com força e esticou a mão livre para Pietro, este olhou-a nos olhos com compaixão e enlaçou seus dedos nos dela. Do lado esquerdo, Chris ergueu a mão para Augusta, que apanhou-a com firmeza, esta estendendo a outra mão para Ray Ann, que pegou-a sem pestanejar. E então cinco mentes tornaram-se uma só, e eles se viram então vagando num universo totalmente diferente, desprovidos de roupa, era como estar nadando no vazio do espaço sideral, com as estrelas ao redor dançando e abençoando-os. Diante deles a imagem do mundo real se abria num enorme panorama circular, e ao redor de seus corpos, cinturões de informação binária giravam como os asteroides dos anéis de saturno. Eles eram corpos celestes dentro de si mesmos, um único ser, totalmente novo e capaz de proezas inimagináveis.
Quando o Mapinguari pôs o primeiro pé gigantesco dentro do rio, foi atingido em cheio por uma onda de Poder invisível que o lançou para trás, atirando-o por sobre a Fortaleza de São José de Macapá com um estrondo que pôs metade da construção secular abaixo. Os motores do Arsenal rugiram. Aquela onda de energia fora a pulsação da existência da mente unitária dos cinco Apocalípticos.
- Vocês não irão me derrotar! Não dessa vez! – ganiu Alberta, caída de costas no chão da escura sala de controle, seu semblante pálido e magro totalmente diferente do que era há meses atrás. Veias roxas saltavam ao longo da testa suada e das bochechas ossudas, a boca seca descascava dolorosamente, e seus olhos apertados como os de um leitão agora eram duas pedras amareladas de topázio puro, exalando a maldade. O cérebro artificial lhe coroava a cabeça neste momento, sua mente do passado e sua mente vinda do futuro estavam conectadas, unidas, este era o motivo da sua aparência grotesca. O corpo eletrônico da boneca jazia sem vida no chão. Ela levantou-se com dificuldade, e o robô gigante o fez também, e numa velocidade incrível, ele planou sobre o rio sem sequer ser visto, e num segundo estava lá ao lado do Arsenal. Próximo o bastante para jogá-lo para longe com um soco mortal.
Em resposta, antes de cair de costas no rio formando um impacto que gerou um verdadeiro tsunami, o Arsenal obedeceu ao comando de sua mente, de seus mentores unitários.
- MÍSSIL INFERNAL! – disseram as vozes em uníssono. O peito do robô abriu-se lançando seis setas negras pontiagudas e chifradas que atingiram o Mapinguari em cheio, derrubando-o para trás mais uma vez. O efeito daqueles mísseis foi forte o bastante para amassar grande parte da lataria colossal que até o momento era considerada indestrutível, protetora da arma de destruição e morte criada pelas verbas da corrupção brasileira. Mas isso não foi o bastante para pará-lo, ele alçou-se nos céus na velocidade de um foguete, e assim Arsenal o fez, abrindo suas asas de morcego com o comando das vozes unidas ecoando em seu interior, controlando cada movimento, cada passo com sincronia absoluta.
Lá, em alturas impossíveis, muito acima das nuvens, entre os satélites e o lixo espacial, já saindo da órbita do planeta terra, os dois monstros de metal trocaram chutes, socos, tiros, empurrões e lasers poderosos que foram lançados ao tomarem certa distância um do outro. O Arsenal investiu então contra o Mapinguari com uma força tremenda, seus chifres vermelhos poderosos furaram sua lataria em três níveis, abrindo feridas profundas no titânio. Os dedos extensíveis entraram em ação, e enlaçaram o enorme corpanzil do macaco de metal, envolvendo-o num abraço mortal e impulsionando-o para trás numa velocidade tremenda. Logo as duas máquinas gigantes estavam abraçadas dando a volta na esfera terrestre muito mais rápido do que qualquer aeronave do século XXI poderia fazer, mas a força do Mapinguari era tanta, e a perseverança de Alberta Veronese em seu controle era tão forte, que ele foi capaz de arrebentar os dedos extensíveis, empurrar o Arsenal para longe e em seguida enchê-lo de socos, seguido de um chute mortal que lançou-o para longe do planeta terra, arrebentando os satélites que pairavam na órbita ao redor.
- DROGA! – xingou alguém, em algum lugar do mundo. – A TV SAIU DO AR BEM NA HORA DA NOVELA!
A batalha continuou já há alguns quilômetros de distância do planeta, no meio do sistema solar, no espaço sideral, mísseis e lasers cruzavam o vazio e atingiam seu alvo em cheio. Em poucos segundos, aqueles dois seriam carcaça! Já estavam parcialmente destruídos àquela altura. Em medida de desespero, o robô de Alberta Veronese lançou-se contra o robô dos Apocalípticos, movendo-o em direção à terra, na esperança de que a queda na atmosfera terrestre o derretesse, mas nem isso foi o bastante. Quando ela tentava escapar saindo à francesa, os dedos extensíveis agarraram-lhe o calcanhar de metal, e assim o Mapinguari foi puxado para baixo, e os dois se engalfinharam numa luta de cão e gato ferrenha, eram bolas de fogo trocando socos e chutes agora enquanto desciam à toda velocidade em direção ao oceano Atlântico.
A massa de ferro formada pelas duas bestas de metal engalfinhadas que desceu do espaço numa velocidade absurda atravessou a superfície oceânica gerando tsunamis que atingiram, já fracas – pois os dois não eram grande o bastante – as costas da África e da América do Sul, e a luta prosseguiu no fundo do mar, no solo oceânico, entre os cetáceos e as montanhas submersas, dentro das fossas abissais e da divisória das placas continentais.
- TIVE UMA IDEIA! – bradaram as vozes unidas, e seus corpos físicos agarraram o vazio. Lá fora, o Arsenal agarrou Mapinguari pela cintura, deu a volta em forma de U e desceu o abismo escuro da divisa entre as Américas e o continente Africano. Aos poucos uma luz amarela misteriosa foi surgindo e se intensificando, até que finalmente sua origem foi revelada: um rio de lava corria há milhões de quilômetros de profundidade, e o plano dos Apocalípticos era afundar o Mapinguari ali, de onde não haveria volta para ele nem para suas três operadoras maléficas.
- NÃO, NÃO HOJE, CHRISTOPHER UMBRELLA! NÃO HOJE! – gargalhou Alberta no escuro, socando o vazio, e seu soco refletiu-se no mundo exterior, o braço potente do Mapinguari acertou a cabeça do Arsenal e água começou a invadir todo o compartimento da cabine de controle nível após nível, logo os Apocalípticos estariam em grave perigo!
- Abortar Missão. Abortar Missão. Abortar Missão. – repetia a voz robótica do sistema enquanto boias amarelas inflavam-se nas extremidades do corpanzil do Arsenal, ele estava sendo içado para fora do oceano, para a superfície. Lá em cima eles estariam fora de perigo. Porém, antes que os Apocalípticos se vissem livre das profundezas abissais, foi a vez do Mapinguari agarrá-lo e devolvê-lo para o fundo.
- CHOQUE ELÉTRICO! – gritaram as vozes apocalípticas, e os chifres do Arsenal Diabolo Mode produziram uma descarga elétrica que paralisou cada centímetro do Mapinguari, desligando seu sistema interno. Alberta rugiu de raiva enquanto seu robô gigante descia de encontro ao rio de lava. A esta altura, o Arsenal já alcançava a superfície e rumava para o extremo norte da América do Sul, voando a toda velocidade.
- CONSEGUIMOS! CONSEGUIMOS! CONSEGUIMOS! – a mente apocalíptica comemorava em cinco vozes sincronizadas, que vibravam de felicidade em seu interior. Apenas uma única voz mantinha-se calada, aquela voz que soava como sinos de uma igrejinha do interior, que lembrava verões ensolarados e que lembrava o cheiro das margaridas, o gosto da baunilha. Aquela vozinha doce e infantil de Lolita que Fábia possuía estava quieta em meio à comemoração, e séria como nunca antes.
- O que houve Fábia? – perguntou Chris, olhando para o lado, para o vulto rosa que pairava no vazio do espaço ao seu redor. Ao lado dela havia um vulto azul, e do lado esquerdo de Chris, vultos verde e amarelo. Da cor do Brasil. Augusta e Ray Ann.
- Eu estou com um pressentimento ruim... – disse, finalmente.
- Mas nós a derrotamos, Fábia, nós derrotamos aquelas três! Elas estão no fundo do oceano para sempre! – era a voz de Pietro que ecoava agora nas mentes conectadas.
Fez-se silêncio, a única coisa que atingia os seus ouvidos naquele momento era o som do vento cortando a estrutura de metal já comprometida do corpo do Arsenal. Lhe faltavam dedos, seu “crânio” estava rachado, sua lataria arranhada e furada profundamente em pontos diferentes.
- Isso ainda não acabou, eu sei que ainda não acabou. – fez ela, cortando o silêncio. E não deu outra. Algo os atingiu em cheio quando eles já enxergavam a costa amapaense e sua floresta tropical logo à frente, e as águas azuis profundas do oceano Atlântico estavam se tornando amareladas e barrentas, e pedaços de terra cobertos de verde iam despontando no horizonte ensolarado da tarde. Era Alberta Veronese, voando logo atrás, há poucos centímetros deles, esticando o braço mecânico já muito danificado do Mapinguari em direção à eles.
- COMO EU DISSE, - fez Alberta – NÃO HOJE, CHRISTOPHER UMBRELLA, NÃO HOJE, APOCALÍPTICOS! – e gargalhou ainda mais alto. Suas comparsas Velma e Úrsula assistindo tudo de camarote em suas cabines ovais. Úrsula demonstrava uma diversão fria e cruel vendo aquilo, seus olhinhos de porca estavam apertados e confiantes da vitória, seu sorriso debochado rasgado no meio da cara gorda cheia de espinhas mostrava os dentes separados num sorriso triunfante enquanto sua franjinha mal talhada lhe caía sobre os cílios. Era a imagem perfeita do asco e da crueldade. Enquanto isso, na cabine ao lado, Velma chorava no escuro observando aos horrores de braços atados. Por quê? Porque ela havia deixado isso chegar tão longe? Porque ela envolveu Alberta e Úrsula naquilo? Jamais imaginaria que seu plano fosse voltar contra si mesma, e que as suas duas melhores amigas fossem se tornar aquelas duas criadoras sedentas de poder. Porque não sentou e conversou com os meninos? Agora estava tudo perdido!
- DIGAM ADEUS, APOCALÍPTICOS! – rugiu Alberta. Macapá estava há poucos quilômetros agora. – RAIO FINAL! – e desceu o indicador sobre o botão vermelho no painel diante de si. A luz branca brotou dos olhos do Mapinguari, e envolveu o Arsenal em milésimos de segundos, fazendo-o se despedaçar sobre o rio aos poucos, explodindo cada centímetro de seu corpo vulnerável pela luta no espaço e no fundo do mar. Pedaços de metal em chamas choveram como estrelas cadentes sobre Macapá e sobre as ilhas do arquipélago marajoara tamanha foi à explosão e a altitude onde ela ocorreu. Na nave joaninha, famílias inteiras choravam, mães entravam em colapso nervoso, pais esmurravam as paredes, desconhecidos se abraçavam. Estaria tudo perdido então?
Christopher não sabia onde estava agora, sentia a distância física entre ele e seus amigos, mas suas mentes ainda estavam conectadas, porque eles ainda usavam os capacetes. Ao que parecia então, eles funcionavam independentemente da central estar destruída. Ao seu redor, o vazio estrelado e os códigos binários ainda dançavam, e ao seu lado, Ray, Guta, Fábia e Pietro continuavam parados, se entreolhando, tentando entender o que havia acontecido. Se o Arsenal havia sido destruído, então porque eles ainda estavam ali, naquele micro universo em espírito, um ao lado do outro? Seria porque eles ainda estavam de mãos dadas no mundo real? E a distância física que Chris sentia era mera impressão?
- Talvez a cabine tenha caído intacta – foi Ray quem cortou o silêncio.
- Ela tem razão. – fez Pietro. – vai ver a cabine do Arsenal é como a caixa preta de um avião!
- Mas quem vai nos encontrar então?! – exclamou Augusta – quem vai encontrar nossos corpos?! Podemos estar perdidos em algum lugar no fundo do rio, e talvez levem anos para nos encontrarem, ou talvez nem nos encontrem, já que Alberta nos venceu!
- Ela não nos venceu, Augusta! – contrariou Chris. – não fale besteira!
- Nós fomos pelos ares! – gritou Augusta em resposta. E a gritaria começou.
- SILÊNCIO! – urrou Fábia. A discussão cessou. – estamos vivos, isto é fato, ou não estaríamos aqui juntos. E pelo visto ainda estamos de mãos dadas, ou não estaríamos nos vendo...
- Mas como vamos sair dessa?!
Lá fora, no mundo real, o espectro do Mapinguari, já em pandarecos, quase carcaça, pairava sobre o local da explosão do Arsenal, vendo os restos do robô gigante boiando nas águas barrentas do Amazonas há poucos quilômetros da frente da cidade de Macapá. Em seu campo de visão, a nave joaninha não estava tão distante, e o serviço só estaria feito quando ela acabasse de uma vez por todas com tudo o que havia de Apocalíptico no mundo, tudo mesmo. E isso contava como as famílias dos mortos na explosão. Assim ninguém mais se oporia a ela e nem aos seus planos, e não haveria mais nada no seu caminho para a vitória, e dirigindo-se para lá, Alberta deparou-se com algo assustador.
Em plena uma da tarde, o céu escureceu. Instantaneamente, como um piscar de olhos. Ficou mais escuro que a noite, um breu. E então um pavor sem tamanho tomou conta de seu ser, contaminou seu coração obscuro e maligno, um pavor tão grande que fez suas pernas bambearem de medo. Luzes estranhas nunca antes vistas cortaram o escuro acima do rio, da cidade, do mundo, de norte à sul, serpenteando como as correntes de ar, mudando de verde para azul, de azul para vermelho, de vermelho para rosa, um arco-íris disforme e informe brincava no céu, iluminando aos poucos a escuridão pavorosa que havia caído sobre aquela região. Era a aurora boreal. Sim, era a aurora boreal, mas ela estava longe demais do Polo Norte para estar vendo tal tipo de coisa. Ela estava exatamente sobre a linha do Equador! Isso era absolutamente impossível nas leis da física ou da lógica, era fora de cogitação na natureza!
Para seu maior desespero, mais faixas de luz colorida foram surgindo no céu, uma ao lado da outra, como serpentes, rios divinos correndo de cabeça para baixo. E em instantes tudo era luz e cor, num espetáculo nunca antes visto, as luzes dançavam em sincronia como ondulações da barra de uma cortina açoitada por uma leve brisa, a cortina que selava os mundos, a cortina das janelas de Deus.
Eis que dois aviões Caças cruzam o espaço acima do Mapinguari, deixando um rastro de fumaça para trás, dando um rasante sobre a cabeça do robô gigante antes de desaparecerem nas nuvens coloridas de luz. E então o medo de Alberta aumentou ainda mais quando ela se deu conta do que a fumaça deixada para trás por aquelas duas aeronaves formavam no céu acima dela: era o triângulo, o triângulo de três braços dentro do círculo perfeito, o símbolo do Apocalipse Club com as luzes da aurora boreal sobrenatural como plano de fundo. O coração de Alberta disparou, algo lhe dizia que seu fim estava próximo, e dessa vez era definitivamente.
De dentro das luzes, elas foram surgindo, aeronaves de todos os tamanhos, robôs pequenos como formigas e outros tão grandes quanto o próprio Mapinguari, alguns até maiores! Eles andavam sobre a aurora boreal como se ela fosse uma passarela física que se inclinava formando uma ponte para este mundo, uma ponte que caía exatamente sobre a cidade e também sobre o rio, uma passarela, uma avenida para uma parada tecnológica de robôs de todos os tamanhos e formas. Animais e insetos, monstros, anjos e demônios de metal pilotados por senhores misteriosos, humanoides ou não, eles vinham numa grande manada de pernas e braços mecânicos, rugindo, gemendo, faiscando, assobiando, rangendo, esmagando.
E Alberta então viu-se cercada por eles, por milhares deles, pequenos e grandes, com seus canhões todos apontados para o seu Mapinguari. E de repente já não havia mais Mapinguari. E talvez já não houvesse Alberta também.
- Vocês estão sentindo isso?! – perguntou Christopher. – estou ouvindo vozes!
- Eu também estou! – exclamou Fábia. Ela foi o primeiro vulto a sumir.
- O que está havendo?! – após questionar, Ray também sumiu. E em seguida Augusta e depois Pietro. Chris foi o último a deixar o micro universo para trás, e a sua forma espiritual dourada também. Alguém havia lhe tirado o capacete.

•••

And there's no brakes
There's no heart breaks
Love over takes
No brakes
There's no heart breaks
Love over takes


No Brakes – Little Boots






Continua...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pequena Crítica a Respeito de Born This Way - O Video, por Antonio Fernandes

No começo desta semana, tivemos o début de algo que entrará para a história da indústria musical (se já não estiver constando nos anais neste exato momento), e quem sabe, ou talvez com toda a certeza, entre para a história da arte visual contemporânea.
Lady Gaga provou mais uma vez que dela nós jamais saberemos o que esperar, esta mulher consegue se mostrar uma verdadeira caixa de Pandora, a esperança que veio salvar o mundo da pobre e superficial música pop do dito “mainstream”. O que víamos antes desta mulher aparecer em toda a sua bizarrice? Clipes repetitivos com coreografias manjadas e a visível falta de apelo visual, de produção dos grandes artistas. Como costumávamos ver nas décadas de 80/90, quando se faziam verdadeiras grandes produções para faixas musicais de determinado álbum. Devemos isto ao Rei Michael Jackson, que reinventou a música tornando-a também visual, dando um gosto e uma expectativa à mais para o que antes era simplesmente audível: agora é visível também.
Em resumo, do final dos anos 1990 pra cá não havia surgido nada tão marcante, nada tão impactante no mundo audiovisual. Os videoclipes não mais mexiam com o espectador como antes, nos tempos áureos de Michael e Madonna, quando os vídeos dos artistas eram uma experiência à parte da música, dando forma e cor a ela. Tudo estava muito parado, muito calmo, muito quieto. Duvido que alguém saiba me citar algum videoclipe que tenha marcado tanto ou que tenha sido diferente o bastante para ser relembrado como “Thriller” foi na década de 1980 neste período entre o começo dos anos 2000 até agora. Ninguém saberá, porque simplesmente não existe, porque tudo tornou-se obsoleto e enjoativo após a estreia de Lady Gaga.

Após a vinda desta mulher para os holofotes, o gosto pelo que era comum, pelo normal, o gosto pelo convencional característico das grandes massas foi esmaecendo (e ainda está em processo de esmaecimento), e o público agora quer mais e mais, mais apelo visual da parte de seus artistas. Se algo sai do forno simples demais nos dias de hoje, o público reclama, chia, sente falta daquele brilho, daquele glamour, e isso é visível em todos os fóruns da internet. O minimalismo está morto, e já entrou em decomposição.
Os vídeos de Lady Gaga foram um estalar de dedos para os artistas que faziam música simplesmente por fazer, ela veio com tanta paixão e tanta vontade que pegou a todos completamente desprevenidos. Inconscientemente ela estava dizendo: “Ei, acordem! O mundo mudou! Vocês estão perdendo o fio da meada! Acordem, porque vocês estão perdendo o espaço!”. Antes disso, tudo era o desenrolar de um novelo entediante e repetitivo de robôs coreografados pela mídia. Não se pode negar o impacto cultural que ela teve na cultural mundial, ela não só revolucionou o mundo da música como também o mundo da moda, ela está engatinhando ainda e já tem um nome de peso como ícone cultural.
Não estou dizendo que ela faz o que ninguém nunca fez. É claro que houveram outros antes dela, os pais, os padrinhos de Lady Gaga: Michael Jackson, Prince, David Bowie, Madonna, Kylie Minogue, Cindy Lauper e até mais recentes como Britney Spears, a eterna princesa do pop (embora alguns fãs leigos insistam em criar caso e incentivar uma competição imaginária entre as duas artistas, e que isto infelizmente esteja rendendo muito nos fóruns da internet), todos eles já fizeram coisas parecidas com o que Gaga está fazendo agora, no início de suas carreiras. O que eles fizeram foi tão impactante na época quanto o que ela está fazendo agora, o que acontece atualmente é a “reinvenção” do pop propriamente dito, o resgate do brilho anterior que o gênero possuía.
E levamos um soco daqueles, bem no meio da cara, quando assistimos ao mais novo trabalho da artista, “Born This Way”, e ouvimos comentários como “grotesco”, “nojento”, “ridículo”, “satânico”, “esquisito”, “horripilante”, “perturbador” e outros que me fogem à mente agora... Ora, querem mesmo saber? Da minha parte, eu não vi nada demais no vídeo, pelo contrário, achei ele delicioso de se ver, todo aquele jogo psicodélico e caleidoscópico de cores e formas me deixou em um estado de êxtase profundo, e pra falar a verdade, ali não havia nada que Björk ou Marilyn Manson já não tivessem feito anos antes.
O que vemos nele? Vemos Gaga de mãe alienígena parindo criaturas no meio do espaço, dando a luz àquilo que ela chamou de “a nova raça” ou “a nova geração” dentro da raça humana, uma raça feita de puro amor, sem preconceitos e livre de qualquer estigma ou dogma. “E o nascimento não era finito, era infinito, e quando percebeu-se a magnitude daquilo, viu-se então que era eterno”, diz Gaga na introdução de quase 3 minutos, nesta “intro” ela diz também que simultâneo a este nascimento, houve o nascimento do mal, e a mãe eterna viu-se em agonia girando entre duas forças poderosas (o bem e o mal), lutando para defender a sua cria (no caso, os fãs, que ela tanto ama) – pausa para Gaga tirando metralhadoras da vagina – mas então ela se perguntou: “como defenderei algo tão perfeito sem o mal?”. E este é só um resumo superficial do que ela chamou de “Manifesto Of Mother Monster” – uma espécie de resposta ao “Manifesto Of Little Monsters”, um interlúdio presente em sua turnê “The Monster Ball Tour 2.0” – logo no início do vídeo.
E então vemos o comum de todos os vídeos pop: uma coreografia e muita gente se esfregando no meio do escuro, até aí nada demais, exceto pelo fato que vinha sendo muito criticado desde a divulgação da capa do single: o uso de chifres e protuberâncias por Gaga em sua testa, rosto e ombros. Ora, será que a ficha ainda não caiu? “Born This Way” quer dizer “Nascido Assim”, e ela usa este artifício visual com a finalidade de mostrar que as aparências não importam, se você nasceu desse jeito, feio ou belo, se Deus lhe fez assim, porque não se amar do jeito que você é!

O abuso visual do grotesco pela artista no vídeo é uma crítica visível à estética atual da valorização do belo, da ultra valorização do que é bonito, do que é visivelmente agradável, o que acarreta numa adoração da falsa imagem do perfeito, tendo em vista que nada é perfeito, e por este lado eu achei o videoclipe brilhante! Sempre fui um admirador de esquisitices e de coisas fora do comum, do “inconvencional”, e sempre critiquei a venda pela mídia da imagem dos rostos perfeitos, dos corpos perfeitos, do que é impecável. Ninguém é assim, então porque vender esta imagem? Ponto para Gaga, que está mostrando que o que é feio também tem espaço na mídia, e também pode ser vendido no mercado como imagem. A aceitação estética do feio pela nossa sociedade é uma meta ainda a ser alcançada num futuro não tão distante, e Gaga talvez seja o ponto de partida desta iniciativa, o pontapé inicial. Chegará um tempo em que o que é diferente ou feio não será mais marginalizado, será aceito porque assim foi feito.

Ora, essa revolução na estética começou há muitos anos atrás, ou até mesmo há séculos atrás, então porque está sendo criticada agora, a esta altura do campeonato? Os movimentos do modernismo e do cubismo quebraram totalmente aquele velho conceito das artes plásticas em que tudo o que era pintado nas telas tinha de representar fielmente a realidade nos mínimos detalhes, a dita perfeição. E quando surgiu, as críticas foram ferrenhas! As pessoas achavam aquilo pura insanidade! Um aglomerado de rabiscos e borrões sem sentido algum, diziam. E Pablo Picasso com suas pessoas deformadas? Achavam aquilo grotesco no começo, nojento, algo perturbador que não podia ser admirado por muito tempo sem enlouquecer tentando entender. E com o tempo esses velhos conceitos de estética foram mudando, e aqueles que foram tidos como loucos numa hora foram concebidos como gênios no futuro, alguns até mesmo depois da sua morte, como Hyeronimus Bosch e sua tríptica “O Jardim das Delícias Terrenas”. Ora vejam só, Bosch na idade média pintava coisas fantásticas e inimagináveis, monstros e criaturas aterrorizantes, paisagens perturbadoras para a mente pequena daquela época, no auge do domínio da Igreja Católica. Disseram que ele estava possuído pelo demônio ao pintar tamanha afronta como aquela!
Demônio? Ora, não me venham por a culpa em criaturas imaginárias do folclore cristão! Isto se chama visão de mundo, meus caros, o olhar fixo no horizonte, a cabeça no futuro, mil anos à frente das mentes pequenas e medíocres. No momento, o vídeo de “Born This Way” é tido como uma insanidade sem tamanho, como muitas telas pintadas pelos referidos artistas citados acima foram tidas: “grotescas”, “nojentas”, “asquerosas”, “ridículas” foram chamadas, e hoje são referência em cursos superiores!

Não será hoje nem amanhã e nem depois de amanhã, mas daqui há 30, 40, 50 anos, o que Gaga está fazendo agora será finalmente compreendido e valorizado pelas mentes evoluídas dos nossos netos e bisnetos, ou quem sabe até mesmo dos nossos filhos! Acreditem quando eu digo que num futuro não tão distante, nossos filhos irão conviver com coisas muito mais perturbadoras que “Born This Way”, e acharão isso a coisa mais comum da face da terra. Porque a tendência do homem é se elevar e compreender os pontos de vista.
O que mais me agrada em Lady Gaga é isso. Essa visão de mundo, essa visão mil anos a frente da nossa. Ela se desenvolve de uma forma a tornar-se universal, e está crescendo, tornando-se cada vez maior. O amor que ela tem para com os fãs também muito me comove. Tatuagens, vídeos, letras de música dedicadas a eles, manifestos e tudo aquilo. As críticas virão, cada vez mais, poucos serão os que vão entender o que ela faz até certo ponto, mas em breve o reconhecimento virá. E isso porque eu nem falei da geração pós-Gaga de artistas, filhas de Lady Gaga, aquelas que só tiveram espaço na mídia após o surgimento dela. Algumas são muito boas (Natalia Kills, Jessie J), outras nem tanto (Ke-cifrão-há)... Tá legal, essa aí não é boa mesmo, mas, enfim. Vocês entenderam o que eu quis dizer. Ou pelo menos tentaram.
O próximo single de Lady Gaga provavelmente será “Government Hooker”, e alguns remixes dessa música já estão rolando pela internet. É esperar para ver o que vem por aí!
Continuo admirando e sempre irei admirar o trabalho – tanto visual quanto musical – desta incrível artista do século XXI, banalizada ou não, sempre haverá um espaço no meu coração para Lady Gaga.

E quem falar mal dela perto de mim vai levar um fatality bem no meio do cú! u.u


domingo, 27 de fevereiro de 2011

O crepúsculo se aproxima...


Havia uma casa amarela
Sim havia
E havia um homem dentro dela
Sim havia

The Big Machine 3 - Penúltimo Apocalipse


A porta triangular foi arrebentada por uma explosão que lançou lascas do material sintético do qual ela era feita em todas as direções. Os Apocalípticos que estavam escondidos embaixo da mesa redonda e atrás das grossas colunas gregas que sustentavam o teto côncavo onde o símbolo do Apocalipse Club – agora estourado pelas balas – antes iluminava tiveram de se abaixar para se proteger. Um grupo de pessoas estranhas uniformizadas entrou aos berros.
- Parados! Os dois! – ordenou uma voz grossa muito conhecida.
- PAPAI! – exclamou Chris, saindo de seu esconderijo para dar de encontro com todos os casais, pais dos Apocalípticos, vestidos no uniforme branco colado, portando armas imponentes e poderosas que nem mesmo eles próprios sabiam operar. Era uma cena hilária, mas eles estavam salvando a pátria afinal! Bill Ray e Anne Rose, pais de Ray Ann, Fábio e Fabiana, pais de Fábia Paola. Pietro e Veronica, pais de Pietro, Augusto e Esther, pais de Augusta, e por fim Christopher e Kate Fernandes. Os pais de Chris. Todos os cinco casais armados e poderosos, um tanto confusos e completamente perdidos, mas prontos para atirar a qualquer movimento suspeito dos Roberts na mira.
- Desistam, palhaços, vocês estão cercados! – Saturno saiu de trás de uma das colunas com seu laser em punho, os outros apocalípticos escondidos também fizeram o mesmo, saltando imediatamente de debaixo da mesa e de trás das outras colunas gregas. Eram 25 armas nas mãos de 25 atiradores, uma maior que a outra, apontadas diretamente para a cabeça dos dois espertinhos que ousaram adentrar no covil o Apocalipse Club em plena reunião!
- Esses dois filhos da mãe nos enganaram! – exclamou a estressada e esquizofrênica mãe de Augusta.
- Se passaram por prisioneiros para entrar na nave! – continuou a mãe de Chris. – e nos prenderam no salão das refeições!
- Como vocês conseguiram sair de lá?! – exclamou Chris.
- Usamos uma das mesas para arrebentar a porta. – abraçou o filho com força. – você está bem?
Os outros pais fizeram o mesmo, procuraram seus filhos e os abraçaram, questionando, se envolvendo na história, ouvindo os relatos da história sem pé nem cabeça sendo esclarecida a eles. Viagens no tempo, robôs de outra dimensão, vaqueiras malvadas e bonecas vivas, cérebros artificiais e realidades alternativas. O Apocalipse Club havia ganhado mais dez membros honorários, era tanta gente que mal cabia naquela sala! E isso porque da outra dimensão somente vieram a Fábia de Chanel roxo, a Ray ciborgue e o Christopher magro e velho! Se todos os apocalípticos estivessem ali reunidos seria completamente insuportável ficar naquela sala!
- Então era isso o que vocês estiveram escondendo de nós esse tempo todo, enquanto estivemos na Fortaleza! – exclamou o pai de Chris.
- Sim, não queríamos envolver vocês nessa história, mas parece que encontraram a sala das armas! – riu Pietro, olhando para o pai portando uma estranha bazuca de cano longo cheia de botões azuis. Fora com isso que ele explodira a porta da sala de controle. As mulheres do grupo estavam todas ao redor dos dois Roberts, amarrando-os e os esbofeteando vez ou outra por colocarem a vida de seus filhos em risco.
- Esses cinco, papai – fez Fábia, segurando a mão de seu genitor e apontando para o grupo de Maxine e Fernando, que sorriram e estenderam a mão para o homem, um a um, cumprimentando-o cordialmente, ele que era meio turrão e todo conservador. – eles vieram do futuro! Aquela ali é minha neta! Olha que linda papai!
Tifa deu uma risadinha tímida e escondeu o rosto atrás das suas mãos gorduchas. Todos os trejeitos da avó.
- Ah, vovó, deixa de ser boba! – riu de novo.
- Não seja boba você! – as duas se abraçaram.
- Mas ela não é velha demais pra ser sua neta? – perguntou o pai. Os três riram juntos.
Enquanto isso, Pietro apresentava Gabrielle para sua mãe, que já fez cara feia.
- Porque esse cabelo esticado, menina?! – exclamou a mulher. – cadê o amor à raça? Tem isso no futuro não?!
Gabrielle riu sem graça. As apresentações continuaram por um bom tempo, Haruno estava meio perdida no meio daquilo tudo, foi procurar sua família no refeitório para ficar perto dela, sua mãe não havia tomado partido na invasão à sala de controle, talvez por medo ou por ainda fazer pouca ideia do que estava acontecendo ali naquele mundo. Ela passava grande parte do tempo, desde o período em que eles eram refugiados na Fortaleza, olhando para o vazio e proferindo passagens da Bíblia, não conversava mais como antes, não era a mesma desde que vira tudo em chamas.
Lá fora o caos se instaurava de uma maneira nunca antes vista. No centro da cidade não havia um único prédio sequer de pé, tudo era poeira, metal, pedras e fogo. Grandes bolas flamejantes caíam do céu feito chuva, salpicando a paisagem como tempero diabólico incrementando aquela massa de desgraça que ia de norte a sul como uma praga, varrendo a cidade do mapa numa velocidade incrível, feito um vulcão violento em erupção. Grandes estruturas metálicas móveis cruzavam a paisagem aqui e ali, soltando rojões enormes, raios vermelhos e azuis, tiros violetas e flashes brancos de luz que iluminavam o horizonte como relâmpago. A Avenida FAB era o ponto onde a batalha estava mais crítica, a linha divisória dos campos inimigos. Onde antes, há décadas atrás, os aviões da força aérea brasileira pousavam, agora quem descia eram os robôs dourados da frota de Carmen Parafuso, vinda direta de outra dimensão para enfrentar os subordinados de Alberta Veronese, armados até os dentes.
Eles vinham em multidões, marchando por entre os macacos de metal que surgiam dos cantos remotos do estado, vindos de todas as direções, estes que já eram poucos graças ao poder de fogo das naves e dos robôs da outra dimensão. Não obstante deixavam de ser poderosos, eram máquinas de matar, enquanto dois ou três modelos bípedes do AR53-N4L, ou “Arsenal” como foi apelidado, destruíam um único DK com seus mísseis e seus lasers, um único DK com seus braços de ferro estraçalhava quatro de uma só vez e ainda os incinerava numa pilha de destroços. O modelo 02 do Arsenal, ou “tanque de guerra” com as brocas no lugar das mãos, se movia sobre esteiras e era muito mais resistente. Sofria pouco com os murros dos punhos de titânio dos macacos gigantes, e perfurava o grosso casco prateado dos DK’s com muita facilidade com a ajuda das brocas de diamante. Muitos DK’s haviam caído por terra e jaziam espalhados pelos escombros do que antes fora o centro da cidade, mas muitos Arsenais também se faziam presentes em meio à camada de sucata pisoteada por aqueles que vinham em socorro à frota Apocalíptica, todos controlados por computador, para poupar vidas humanas. Viam-se poucos oficiais nas armaduras de resgate por ali.
Aqueles humanos hipnotizados que tinham a sorte de ter sua situação revertida eram rapidamente socorridos por naves insetos que os abduziam. Elas sobrevoavam o local aos montes, era notável que faziam parte da frota de Saturno Revenge por sua cor prateada. Os robôs besouros que estalavam de Carmen Parafuso tinham a cor dourada e uma enorme verruga verde-esmeralda nas costas, sua única função era esmagar e esmagar. Porém eram frágeis e se desmantelavam muito fácil. Pobres daqueles humanos hipnotizados que não olhavam na direção dos flashes brancos que revertem o encanto de Alberta, padeciam na guerra e seus corpos logo eram consumidos por chamas e destruição.
Esta era apenas uma parte do cenário em que a cidade se encontrava naquele momento. Mais caos se instaurava na zona norte por causa dos DK’s que vinham do interior pelas estradas. Com certeza mais deles haviam sido construídos durante esses três meses de ditadura, porque de longe eram os oitocentos iniciais que foram previstos. Ao fundo, no horizonte negro do anoitecer, com as estrelas ao fundo amaldiçoando, vinha ele, o grande Mapinguari. Monstro de metal, pesadelo das florestas, 15 andares de altura, poder de fogo e resistência infinitos, controlado pelas três generais malignas sedentas de poder e vingança contra aqueles que se denominaram os Apocalípticos, logo atrás do seu exército poderoso de gorilas gigantes metálicos.
- A última frota vem aí, Senhor... – revelou Ray Ann, com o olhar preocupado, admirando a imagem caótica que se formava no novo holograma surgido em frente ao grupo. – e elas estão vindo também...
Saturno subiu na mesa.
- Senhores! É chegada a hora da nossa batalha final! – disse, levantando os braços diante da figura imponente do Mapinguari, que ia clareando aos poucos conforme se aproximava. – Apocalípticos! UNI-VOS!
Todos juntos, pais, filhos e netos ergueram os punhos ao ar e bradaram um urro de leão em uníssono.
- Espera, espera um pouco aí! – Christopher subiu na mesa também, para encarar sua versão mais velha e mais abatida cara a cara. – como vamos derrotar isso?!
Apontou para a tela. Saturno gargalhou.
- Essa coisa é uma máquina mortífera! Um exterminador da vida! Foi criado para destruir, esmagar e queimar com a potência de mil vulcões e furacões! Equivale a vários desastres naturais juntos, e você ri na minha cara?!
Saturno gargalhou de novo.
- Christopher. – fez Saturno, abaixando o queixo para encarar sua versão mais nova nos olhos. E como era estranho proferir seu próprio nome, era como referir-se a si mesmo diante de um espelho que mostrava o passado. – conheça a nossa maior arma! – apontou para a tela, que mudou de panorama repentinamente. O que era quadrado tornou-se triângulo, e de suas três faces brotaram traços, linhas, era o símbolo arcaico dos Apocalípticos, o triângulo de três pernas. Aquele que havia surgido nos sonhos da pequena Kátia antes de tudo aquilo começar! Aquele que estampava os uniformes dos Apocalípticos em homenagem ao sonho da pequena garota, e que por coincidência também era o símbolo dos Apocalípticos da outra dimensão, com quem eles sequer tiveram um único contato antes de tudo aquilo acontecer. Subconsciente coletivo? Universo holográfico? Christopher não sabia, mas aquilo lhe causava arrepios e o preenchia como fogo alçando-o e o elevando, aumentando sua coragem e sua determinação em nível de herói grego. O mesmo sentimento preencheu todos os que ali presenciavam o surgimento dele sobre as suas cabeças.
Em seu centro a imagem escura surgiu, uma sombra. Um vulto negro de chifres.
- Conheça o AR53-N4L/666, o ARSENAL DIABOLO MODE!



Conseguirão os Apocalípticos derrotar o esmagador Mapinguari e dar um fim ao reinado de terror da megera Alberta Veronese?

Confira no Sábado, dia 5 de Março, o desfecho da emocionante trilogia The Big Machine com...

O Último Apocalipse

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Em breve...

Um dia
Eu encontrei
Vagando por esta terra
Uma enorme borboleta amarela
De todas ela era a mais bela
A mais bela de todas
Era ela.

The Big Machine 3 - Apocalipse 21


- Sofremos algumas baixas no nosso exército, são significativas. Os robôs deles são fortes demais. – disse a Ray Ann ciborgue para Saturno Revenge, enquanto seus dedos magros ligeiros digitavam os comandos numa velocidade incrível. Sua força sobre-humana e a sua velocidade talvez fossem consequência dos neurônios artificiais que foram instalados na coluna vertebral sintética, da cintura pra baixo, ela não era mais a mesma, não precisava nem usar calças se assim preferisse, como no exato momento. Para cobrir aquilo que lhe restava de humana, os seios, ela usava um top tão metálico quanto, que os segurava em formato de taça, tornando-a uma verdadeira garota robô turbinada. Ela não gostava muito daquilo, de toda aquela exibição, se sentia nua mesmo não estando. Ser metade humana e metade cibernética era perturbador, complicado, demorava-se um pouco para acostumar a não sentir o membro reconstituído, mas saber que ele está ali e ter poder sobre todos os movimentos dele. Ray ainda estava se acostumando àquilo, ainda não estava em total sincronia com as pernas novas, se levantar pelas manhãs era um grande martírio, mas com a prática vem o costume e toda essa evolução estava em andamento.
- Diga a eles para que tomem cuidado, eles parecem rústicos, mas são fortes e duros na queda – disse à companheira. – peça para que acertem diretamente na cabeça...
- É muito difícil controlar toda essa frota de robôs à distância? – pronunciou-se Chris pela primeira vez desde que voltara do resgate aos prisioneiros no estádio. Estava na grande sala de controle junto com os outros membros do Apocalipse Club, netos, avós e extradimensionais, em segurança e comunhão afinal. Todos completamente limpos e banhados, bem alimentados e devidamente vestidos nos novos uniformes colados ao corpo como uma segunda pele de borracha, com o símbolo do triângulo de três braços estampado no peito em linhas grossas e negras, sentados à mesa redonda flutuante numa congregação.
- É como jogar um RPG, só que a sua vida depende disso, de modo que fica mais sério! – riu a Fábia mais velha, de cabelos curtíssimos tingidos de roxo, fios tão brilhantes e sedosos, assemelhava-se ao cabelo de uma boneca japonesa das vitrines de Harajuku. Levantou seus óculos especiais pelos quais ela era olhos e ouvidos dos robôs lá fora e virou-se para Chris. Olheiras profundas e escuras deixavam seus olhos puxados sempre tão doces com uma aparência pesada e cansada, aquilo doía nele, na versão mais nova dela, e em sua neta. As três “Fábias” estavam sentadas uma ao lado da outra, eram exatamente idênticas, alguma coisa sempre mudava no rosto, o formato, as orelhas ou os olhos, mais fechados e mais abertos em uma do que na outra, mas a essência da pessoa era a mesma. Três gueixas rechonchudas se esforçando para vencer essa guerra. Duas de cabelo curto e psicodélico, uma de longas madeixas maltratadas e onduladas.
- Poderia dar óculos como estes a cada um de nós, assim poderíamos lutar em conjunto! – sugeriu Chris, todo animado.
- Nem pensar! – esbravejou Saturno. – Colocaria em risco todo um plano de guerra, vocês não estão preparados para operar esse sistema ultra tecnológico, já elas duas, praticamente criaram os controles e códigos de comando...
- Então porque você nos chamou aqui?! – Maxine arredou sua cadeira para trás e levantou-se, estava brava por ficar recebendo ordens daquele homem estranho. Na técnica ele era seu avô, mas não ali e não agora, de modo que portar-se daquele jeito para com ela era inadmissível. Maxine tinha gênio forte e espírito de liderança, não suportava ficar por fora dos pormenores e dos detalhes, e era exatamente isso o que aquele homem, Saturno, estava fazendo com eles, que sofreram durante três meses e lutaram sozinhos sem nenhum armamento digno para agora serem tratados como reles resgatados. Eles eram o Apocalipse Club! Eles tinham de fazer parte da queda do império de Alberta e suas comparsas também!
- Estamos com problemas. – fez ele, sério, olhando por cima dos grandes óculos escuros que o proporcionavam a visão dos robôs no campo de batalha e o controle total sobre eles.
- Mas nós sempre estamos com problemas, somos o Apocalipse Club! – Haruno cruzou os braços.
- Nos encrencamos do nível de coordenadoras megalomaníacas até robôs gigantes assassinos, o que você esperava? – pronunciou-se a Ray da nossa dimensão.
- Sim, mas dessa vez a coisa é séria... – Saturno retirou seus óculos e entregou-os a um robô serviçal que passava por ali. Era a primeira vez que muitos deles viam aquele homem, Christopher Umbrella de outra dimensão, sem os óculos escuros. A semelhança era incrível, exceto pela falta das bochechas rosadas e de todo o tamanho, perto do Christopher original ele parecia esquelético. Abatido, magro e de olhos fundos, era uma visão assustadora de um futuro que poderia ter acontecido se algo não tivesse sido feito pelos apocalípticos há um ano atrás. – de algum modo, a central de The Big Machine teve acesso às nossas informações sigilosas, Carmen sabe que estamos nessa dimensão e está vindo para cá.
O burburinho começou alto, olhos saltados, maxilares arriados, bocas abertas e comentários nervosos passados de orelha a orelha. Parecia uma reunião de fofoqueiros. Christopher sabia o que havia acontecido, ele e Ray Ann sabiam muito bem que havia dois traidores ali entre eles, Pietro e Augusta da outra dimensão eram agentes duplos, serviam à “Carmen” que na verdade era controlada pelo Dr. Maurice, o verdadeiro mentor de The Big Machine. Na certa eles haviam batido a informação para o outro lado assim que souberam do que se tratava aquela visita interdimensional, talvez até tenham sido eles que acionaram as Células para irem verificar a queda do DeLorean no deserto. Tanto que Pietro apareceu logo depois para ajudá-los. Mas nada podia ser revelado naquele momento, nada podia ser dito, ou então todo o curso da história seria alterado e eles estariam perdidos.
Foi de repente, eles foram pegos de surpresa por um apagão repentino da sala de controle da nave. Uma enorme tela holográfica surgiu da escuridão diante deles, brilhando num azul fosco como turquesa, cor de sabonete. Nesta tela falsa colossal surgiu o rosto de Carminha, de um azul-pálido espectral, olhos brancos sem pupila e longos cabelos esvoaçantes que flutuavam ao redor de seu rosto de rata como se ela estivesse embaixo d’água. Tinham vida própria como as serpentes de medusa, ela parecia mais uma leoa fantasma do que um ser humano. Se é que ela ainda era humana. Cabos finos conectados a várias partes do seu cocuruto subiam na tela até perderem-se de vista, provavelmente era por onde ela controlava a torre através de impulsos cerebrais.
- Apocalípticos! – disse a voz eletrônica, fina, com a gravidade do chiado de um esquilo, mas alta e aguda, como se um extraterrestre ali os falasse. – quem vos fala é a soberana Parafuso, cérebro de The Big Machine!
- O que você está fazendo nos nossos sistemas?! – gritou Saturno. – como conseguiu se infiltrar?!
- Acalme-se Christopher Umbrella, desta vez, infelizmente, temos um inimigo em comum! – falou a voz, sem que ela sequer mexesse a boca.
- Quer dizer que você vai ficar do nosso lado?! – exclamaram Ray e Fábia em coro, largando os controles e retirando os óculos especiais do rosto.
- Não vou ficar, já estou! O que acontece nesta dimensão afeta a todas as outras, acredito que pelo menos isso vocês já saibam!
- Claro que sabemos! – exclamou Saturno – só estamos surpresos de você estar nos ajudando, pensei que você nos quisesse mortos!
- E quero! Mas não agora e nem aqui! – riu a voz eletrônica. – esta tal Alberta Veronese quer ser mais poderosa do que eu! E isso é completamente inadmissível! Eu sou a única soberana por aqui, e para poder reinar com todo o meu poder, preciso derrotar meus rivais, e no momento vocês estão em segundo plano, apocalípticos, sintam-se sortudos por isso!
Fez-se silêncio por alguns segundos.
- Já que ninguém tem nenhuma objeção contra a minha pequena ajuda, estarei enviando uma tropa inteira de Kabuto-boots para a dimensão de vocês, acompanhada de três Aranhas-de-Tróia contendo um batalhão inteiro de Células dentro de cada uma delas! Creio que isso é o bastante! Não posso deixar que nada aconteça ao mundo do presente, ou então o meu futuro de imperatriz jamais existirá! – a conexão foi encerrada bruscamente, a tela azul apagou-se e sumiu, deixando um espectro holográfico no ar de lembrança. A sala de controle acendeu-se aos poucos, as lâmpadas no teto que formavam o desenho triangular símbolo do Apocalipse Club piscaram uma a uma até completarem-se acesas. O silêncio era mortal.
- Espera aí... – pronunciou-se o Pietro da nossa dimensão. – os Kabuto-boots não são aqueles besouros gigantes de melissinhas?!
- São sim – respondeu Fábia – por quê?
Ele apontou para frente, para o vidro de proteção frontal da cabine principal, a cabeça da joaninha metálica gigante. Todas as cabeças giraram em direção à paisagem ao mesmo tempo, para depararem-se com um enxame de robôs dourados em forma de besouro que surgia por entre as nuvens, estalando suas engrenagens e batendo suas asas com força em direção à cidade. Mais ao longe vinham três colossos de metal, possuíam bem mais de 15 andares de altura, suas longas pernas davam o impulso que seu estranho corpo precisava para se locomover, equipadas com lasers poderosos e metralhadoras potentes, já vinham executando seu serviço, atirando contra os grandes macacos que tentavam escalar as suas oito patas aracnídeas. Graças à guerra que estava acontecendo na cidade, a tropa de DK’s espalhada pelo estado afora voltou para a base, para a cidade, atraída pelo pedido de reforços daqueles que foram perdidos e destruídos pelas brocas dos dois modelos primários do AR53-N4L, robôs ultra tecnológicos e super-resistentes a altas temperaturas e grandes impactos, projetados exclusivamente para o campo de batalha, eram maiores que tanques de guerra e superavam significativamente em tamanho aos DK’s.
- Nós vamos conseguir, vamos conseguir sim! – Chris fechou o punho e levou ao peito, seus olhos já rasos d’água. Fábia Paola e Ray Ann deram as mãos e se abraçaram. Ivan, o namorado da primeira, envolveu as duas em um único abraço com seus braços longos. Max e Fernando se beijaram, Tifa e Miguel se entreolharam tímidos enquanto Gabrielle apertava a mão do avô com força. De algum modo, no final daquele momento, todos os apocalípticos estavam de mãos dadas, olhando para o horizonte em caos, repleto de cortinas de fumaça, torres de chamas e raios de lasers que atravessavam o céu em intervalos curtos de tempo. Explosões salpicavam aqui e ali. Mas eles estavam juntos, unidos, fortes como nunca, e nada poderia separá-los, nem a vaqueira mais malvada do mundo e muito menos a bruxa mais maligna da face da terra. Eles eram o Apocalipse Club!
Uma risada entrecortou o silêncio como um bacilo malicioso invasor. Os rostos viraram para a porta. Robert, o capataz de Alberta e seu avô, a versão adolescente dele naquela dimensão, estavam parados em frente ao triângulo branco do vão que era a passagem para a sala de controle. Dessa vez as semelhanças eram praticamente nulas. Não havia diferença de avô para neto. Exceto que o neto, mais velho, vindo do futuro, possuía muitas cicatrizes no rosto, mas fora isso, o cabelo cacheado, o rosto magro, o pescoço fino, as sobrancelhas grossas, os olhos maliciosos e o pomo de adão protuberante davam a falsa impressão de que os dois eram gêmeos idênticos. O mais velho usava um longo manto negro, o mais novo, o uniforme colado dos generais em seu corpo musculoso e bem torneado de atleta. Era a dupla perfeita.
- Fiquem unidos enquanto podem, Apocalípticos. Sua hora chegou! – os dois se entreolharam e puxaram suas armas, quatro ao todo, uma em cada mão, e iniciaram uma saraivada de tiros ininterrupta que estourou vidraças, ricocheteando nas paredes e explodindo nas lâmpadas do teto, deixando a sala completamente escura. Exceto pela luz parca que vinha do lado de fora, através dos olhos da joaninha gigante. Todos os apocalípticos haviam desaparecido na escuridão.
- Onde vocês estão, seus vermes?! Saiam! – gritou o Robert mais velho.
- Não tentem nenhuma gracinha, ou então explodimos essa nave com todos esses resgatados inúteis dentro! – continuou o mais novo.
Maxine e Fernando se entreolharam na escuridão. A aventura havia então chegado ao fim? Alberta Veronese realmente sairia dessa ganhando, como sempre acontecia? Não, não dessa vez. Os Apocalípticos encontrariam uma solução, nada estava perdido, não enquanto Maxine Fernandes vivesse.





Continua...




Capa desenhada por mim,

colorida no paint e

editada no photoshop,

que acharam?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em breve...