Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse 20



Havia um mundo oculto no escuro aonde retângulos, quadrados, círculos e triângulos exibiam imagens de cada ponto conquistado daquelas terras verdes de gente simples e trabalhadora. Eles iam e vinham, subiam e desciam num balé constante, mudando de forma e piscando quase em sincronia, iluminando o círculo que faziam ao redor da garotinha encolhida no centro, abraçada aos joelhos, pensativa enquanto os quadros emoldurados nos hologramas geométricos mudavam no escuro ao seu redor e se moviam com a simples ordem da sua vontade muda, transmitida pelos cabos conectados diretamente ao seu cérebro, ao início da coluna vertebral, partindo de seu corpinho minúsculo e se entrelaçando até o teto como trepadeiras sintéticas de uma mata de metal e cobre.
- O que houve, Velminha? Você está bem? – perguntou a boneca perfeita, vinda diretamente do futuro para os braços de sua dona no presente.
- Eu não estou satisfeita Betty, eu estou triste. – revelou, limpando uma lágrima no canto do olho.
- Mas porque, meu bem? O que não lhe agrada?
- Olhe para isso! – apontou para as telas holográficas que flutuavam ao seu redor, zumbindo como vespas estranhas. – olhe para as pessoas sofrendo, olhe para o que elas estão se transformando! E as crianças perdidas nas ruas! Porque isso está acontecendo?
- Porque é necessário... – começou a boneca, mas logo foi interrompida por sua dona insatisfeita.
- Pare! Pare com isso! – disse, aumentando o tom de voz para o brinquedo possuído. – é só o que me diz, que é necessário! Mas nunca me diz por quê! Isso machuca! Eu não queria isso! Não queria! Essas pessoas não tem nada a ver com o que houve dentro da sala de aula, o que está acontecendo é completamente idiota e sem sentido!
A boneca permaneceu em silêncio, fitando-a. Seu rosto artificial iluminado pelas luzes dos hologramas. Era um pequeno demônio perfeito.
- Garota idiota – sibilou a boneca.
- O que disse?! – Velma espantou-se, sua amiguinha nunca havia lhe tratado assim antes.
- Eu disse, GAROTA IDIOTA! – esbravejou a boneca, praticamente berrando. – você é uma burra, BURRA! Pensei que fosse ambiciosa o bastante e que entenderia com o tempo! Mas você é uma leiga, uma limitada cerebral, uma imbecil que não enxerga o poder que tem em mãos!
Velma começou a chorar baixinho, abaixou o rosto entre as pernas e fechou-se num pequeno casulo feito apenas de si, o único lugar onde se sentia segura agora.
- Pare de chorar! Deixe de ser criança! Cresça! – gritava a boneca, descrevendo círculos ao redor do casulo de Velma enquanto gesticulava furiosa – essas pessoas são todas estranhas! Desconhecidas! Não valem nada, você não deve nada a elas! Deixe que elas a sirvam!
- EU NÃO QUERO! – urrou Velma, esbofeteando a boneca, lançando-a longe. – EU NÃO QUERIA ISSO! TÁ TUDO ERRADO! EU NÃO QUERIA QUE OS MENINOS MORRESSEM, EU AINDA GOSTAVA DELES! EU SÓ ESTAVA MAGOADA! MAS VOCÊ OS MATOU! VOCÊ ME FEZ FAZER COISAS RUINS! PENSEI QUE VOCÊ FOSSE MINHA AMIGA!
A boneca gargalhou.
- Você fez porque quis! Porque foi tola o bastante para acreditar em mim! – riu, levantando-se. – achava mesmo que eu era sua amiga?! Achava mesmo que eu estava tentando lhe ajudar?! Eu só te usei, sua boba, você não passou de uma peça para minha ascensão! Não procurei por Alberta porque ela suspeitaria de cara de uma boneca falante, não é tão idiota a ponto de acreditar numa baboseira infantil! Mas você era perfeita, era emocionalmente instável e ingênua o bastante para os meus planos! Através de você, cheguei até Alberta, minha versão mais nova, aonde eu queria chegar, e agora você é totalmente descartável, sua tola! TOLA!
Com um golpe, a boneca arrancou os cabos que ligavam Velma ao software do sistema do robô gigante. A menina gritou de dor, aquilo estava ligado ao seu sistema nervoso central. Por muito tempo, a garota havia sido o coração daquele monstro de metal. Agora era a vez de alguém muito mais capacitado assumir a frente daquilo.
- Me chamou? – uma versão mais nova de Alberta surgiu das sombras.
- Sim. – fez a boneca, estendendo os cabos com sua mãozinha em direção ao vulto de preto. – é a sua vez agora, jovem Alberta. Guie-nos até a cidade e acabe de uma vez com aquele Apocalipse Club!
Velma retorceu-se no chão, magoada, agredida, ferida, muito mais do que estivera quando tudo aquilo começara. Seus ex-amigos estavam vivos ainda! Ela ouvira muito bem o que a boneca dissera. O Apocalipse Club ainda estava atuando na cidade!
- Pode deixar comigo. – riu a jovem, pegando o fardo em suas mãos. Tinha um sorriso de satisfação no rosto. O rumo para a batalha final havia sido tomado, a última decisão crucial havia sido tomada. O Mapinguari finalmente enfrentaria algo tão poderoso quanto ele. Mal Alberta sabia o que a esperava na cidade...

- Então, achavam que iam escapar de mim, é? – riu Alberto, cruzando os braços. – coitados, tão jovens e tão loucos...
As armas estalaram.
- Suas últimas palavras?
Maxine sorriu, tomando a frente da multidão de prisioneiros recém-libertos das suas jaulas claustrofóbicas.
- Vai se ferrar. – fez.
Alberto continuou parado, sério, encarando-a no fundo dos olhos, frio como uma máquina.
- Atirem – ordenou.
Foi tudo rápido demais. Quando os vultos prateados caíram do céu no meio do povo, a gritaria foi geral. Primeiro pensava-se que fossem os robôs-macacos assassinos executando a ordem de liquidá-los, mas após o susto momentâneo e uma olhada mais detalhada no corpo daquelas máquinas, percebeu-se que elas não eram tão grandes quanto os verdadeiros tanques de guerra blindados que eram os DK’s, estes aqui eram robôs estranhos, nunca antes vistos por aquelas bandas, algo totalmente novo aos olhos da população, algo estranho até para os apocalípticos que não tinham uma carta na manga sequer e estavam prontos para encarar a morte com honra e dignidade. Aquelas máquinas possuíam pernas compridas e prateadas, cintilantes, com músculos artificiais expostos em azul celeste, imitando a anatomia humana. Os mesmos detalhes se repetiam nos braços, nos peitorais e nas coxas das máquinas, imitando bíceps e tríceps. Suas cabeças eram no mínimo alegóricas, pontiagudas, lembravam uma berinjela como o crânio do Alien. Do final da testa de metal até o topo, seus cérebros eletrônicos expostos brilhavam em um azul de doer na vista, e suas faces lembravam máscaras de gás, com tubos saindo da boca até o pescoço, onde sumiam, soltavam fumaça feito búfalos.
Imediatamente após a queda repentina de três daquelas criaturas alienígenas metálicas, um campo de força reluzente surgiu ao redor do grupo de fugitivos, fazendo as balas provenientes de metralhadoras e rifles potentes ricochetearem e voltarem diretamente para a sua origem, atingindo braços, cabeças, peitos e estômagos em cheio, derrubando grande parte do batalhão de atiradores em posto. Mais robôs como aqueles desceram do céu nublado da cidade, imobilizando os soldados-zumbis de Alberta Veronese. O primeiro a ser preso foi Alberto, pego em cheio por um raio paralisante empacotador que o transformou num enorme embrulho de presente, deixando apenas sua cabeça de fora com um laço vermelho de brinde no alto do cocuruto. As crianças vibraram, gritando, pulando, aplaudindo numa felicidade que há tempos não se via.
Ao longo das avenidas, sobre os prédios e becos, ao lado dos muros e das sucatas dos automóveis que antes percorriam a velha Macapá, nas lajes e nos pátios das casas e das escolas, em campos abertos e quartos fechados, no céu e até mesmo debaixo da terra, eles surgiam um a um, antecedidos por descargas elétricas poderosas e avassaladoras. Feixes luminosos frenéticos e esferas de energia que deixavam verdadeiras crateras pra trás anunciavam as chegadas dos estranhos à nossa dimensão. Máquinas de todos os tamanhos, pequenas e grandes, robustas ou esguias, grosseiras ou aerodinâmicas, tanques de guerra que lembravam toupeiras, helicópteros que pareciam insetos, robôs de dois metros de altura com cabeça de berinjela e uma frota interminável de máquinas sobre esteiras. Robôs de aparência extra-terrena derrubavam os gorilas de metal com um só golpe, limpando a cidade com seus punhos de ferro e seus tiros de laser, seus lança-chamas e seus mísseis. Feixes de luz lançados de seus olhos quebravam o transe dos zumbis serventes da S.U.J.A., gente como a gente que repentinamente se via perdido em meio à uma guerra de robôs. Eram 500, 600, 900 talvez, estavam em toda a parte, com seus faróis iluminando cada canto da cidade escura e morta, fogos de artificio e holofotes estouravam nas nuvens. Era chegada a hora!
- Estão todos bem?! – perguntou uma voz conhecida, de dentro do robô mais próximo de Maxine. Ela sabia quem era, e seu coração pipocou acelerado dentro do peito ao ouvi-lo.
- VOVÔ! VOVÔ! VOCÊ ESTÁ AÍ DENTRO! – gritava ela, com lágrimas nos olhos, pulando logo atrás da máquina pneumática.
- Isso é uma armadura, Maxine! Vocês estão bem?!
- Isso quer dizer que os outros dois são Pietro e Augusta! – exclamou ela, voltando seus olhos para os outros dois imponentes androides de quase três metros de altura. – estamos todos bem, estamos sim!
- Ótimo! – disse a voz de Chris, anasalada e metálica vinda de dentro de sua armadura. – vocês serão levados em segurança dentro da nave-joaninha!
- Que nav...
Maxine olhou para cima e encarou a barriga listrada de um robô-inseto voador, um helicóptero de braços e pernas que batia asas e possuía antenas, olhos grandes e pintinhas pretas em seu casco vermelho. Era fofo e ao mesmo tempo ameaçador.
- Oh! Oh! Oh, meu Deus! – gritou ela, gargalhando de braços para o alto. A barriga do inseto gigante abriu-se, luzes azuis antecederam a levitação de quase 150 pessoas, uma abdução ao ar livre. Após sugar para dentro de si todos os fugitivos, a nave-joaninha voou para longe, sumindo nos céus nublados da cidade repentinamente iluminada pelas luzes da invasão de outra dimensão. A cidade havia sido tomada afinal, grande parte dela estava livre das correntes da ditadura agora, mas Macapá era grande, não tão grande, mas grande o bastante para dar certo trabalho às tropas apocalípticas de robôs ultra-tecnológicos que vinham aos montes, suplantando o número de DK’s e quebrando o encanto maldito da hipnose de batalhões inteiros. Prisioneiros foram libertos, das suas jaulas físicas e mentais. Era hora de um novo amanhecer, o sol finalmente voltou a brilhar naquele lugar. A guerra enfim começara.




Fim do Apocalipse Vinte!













E a porradaria começou!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse (The Original Soundtrack)


A grande epopéia dos Apocalípticos chega ao fim em seu terceiro episódio, de todos, o mais longo (contando com mais de vinte capítulos), fechou com chave de ouro as aventuras apocalípticas de Christopher Umbrella e seus amigos, atravessando a linha temporal, cruzando dimensões e burlando todas as leis da lógica e da física! Sua primeira parte lançada em 2009 narrava a primeira aventura do Apocalipse Club, contando como Carmen Parafuso, a protestante fanática que servia de chacota para seus amigos, subiu ao poder no futuro pós-2012, se tornando imperatriz mundial controladora de um exército de robôs chamados Células, que eram idênticos a ela fisicamente, mas por dentro não passavam de máquinas e o que foi feito para que tal catástrofe não acontecesse. Este The Big Machine foi embalado pela voz aguda e angelical de Émilie Simon em seu álbum homônimo (e a inspiração para a história), The Big Machine, tendo como tema principal a música “Rainbow”!

A segunda parte dessa aventura Apocalíptica lançada em 2010 se dá muitos anos no futuro, após um caos climático que transformou grande parte do mundo num grande deserto. Em contrapartida, a ciência evoluiu tanto que foi capaz de unir o cérebro humano ao cérebro da máquina, criando o que viria a ser chamada de ESFERA, a mente mais inteligente da face da terra, o cérebro do mundo, que planejou e arquitetou a cidade perfeita para que a raça humana pudesse se reerguer após o apocalipse climático. Esta cidade chamada Neon City abriga os netos de Christopher Umbrella e seus amigos, que protagonizam a história desta vez numa luta contra o relógio para salvar o mundo da ambição de uma vaqueira e manipuladora genética lésbica que pretende tomar o controle da humanidade! Pela primeira vez, a trilha sonora foi variada, contou com vários outros artistas de música eletrônica e indie pop dançante, entre eles La Roux, Little Boots e Goldfrapp. Sua música tema era “Fascination” de La Roux.

E então a aventura chega ao fim com o lançamento de The Big Machine 3 – Apocalipse em 1º de Janeiro de 2011! Ambientada em três dimensões diferentes (a nossa, original, a dimensão de The Big Machine 1 e a dimensão de The Big Machine 2, ou melhor, dizendo, o futuro), tratando-se de um misto das duas primeiras partes, contou com personagens tanto de TBM1 quanto de TBM2, é puro caos como o próprio subtítulo sugere.

Alberta Veronese, a velha vaqueira sapatão retorna no corpo de uma boneca eletrônica pronta para executar a sua vingança! O seu plano? Cortar o mal pela raiz! Os netos de seus arquiinimigos, os Apocalípticos, estragaram seus planos no futuro, o segredo era voltar no tempo e matar os seus avós, no passado, e iniciar o seu reinado de terror a partir do ano de 2010! Mas ela não contara com a astúcia de Maxine Fernandes, que reunindo o Apocalipse Club mais uma vez em prol da justiça, voltara no tempo e salvara a vida dos cinco Apocalípticos originais. Porém, para vencer Alberta e dar fim ao estado de sítio em que se encontrava Macapá, era preciso atravessar para outra dimensão e pedir ajuda ao Apocalipse Club de lá, que no momento lutava contra a terrível Carmen Parafuso e seu exército de Células! Tendo como música tema “Strict Machine” da banda de eletroclash Goldfrapp, The Big Machine 3 – Apocalipse encerra mais um ciclo deste blog!

Segue abaixo a trilha sonora original da série, que está um pouco menos dançante e mais profunda, refletindo os momentos difíceis pelos quais os jovens integrantes do Apocalipse Club passaram, contendo desde Björk até Madonna, suas primeiras três músicas são uma contagem regressiva dos temas dos três episódios da série. A faixa de número seis é um interlúdio entre a parte dançante da trilha sonora e a parte musical mais profunda, que é quebrada por “4 Minutes” de Madonna em companhia de Justin Timberlake e finalizada por Utopia do Goldfrapp. A trilha conta com dois bônus e uma faixa oculta, sendo eles dois remixes da música tema da história e “The Ballad Of The Big Machine”, um presente extra deste escritor a vocês, queridos leitores. Espero que gostem!



01. Strict Machine – Goldfrapp
02. Fascination – La Roux
03. Rainbow – Émilie Simon
04. Keeps Getting Better – Christina Aguilera
05. Massive Attack – Nicki Minaj feat. Sean Garrett
06. A Call To Arms – Beirut
07. Keep The Streets Empty For Me – Fever Ray
08. Jòga – Björk
09. Indestructible – Robyn
10. No Brakes – Little Boots
11. 4 Minutes – Madonna
12. Utopia – Goldfrapp
13. [BONUS TRACK] – Strict Machine (Ewan Pearson Instrumental Remix) – Goldfrapp
14. [BONUS TRACK] – Strict Machine (We Are Glitter Mix) – Goldfrapp
15. [HIDDEN TRACK] – The Ballad Of The Big Machine – Émilie Simon





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Letra & Música ₰

Faz um tempo que eu venho citando a Robyn por aqui, e até cheguei a fazer uma matéria super especial sobre o mais recente trabalho dela, "Body Talk", do qual eu retirei esta linda música - parte da trilha sonora de The Big Machine 3, tema dos Apocalípticos - que me inspirou bastante na hora de escrever esta conturbada segunda fase do episódio 3 da saga. Ela fala sobre um amor que irá lutar contra tudo e contra todos para manter-se vivo, vai lutar contra o tempo para se manter vivo, mesmo que isso machuque, e basicamente é sobre isso que The Big Machine 3 fala, lutar para manter vivo algo que nós amamos, lutar para manter o Apocalipse Club unido contra as barangas do mal. No exato momento, estou escrevendo o último capítulo da saga, que será um super capítulo na verdade, uma luta que entrará para a história! Com vocês, Indestructible!



Indestructible

I'm going backwards through time at the speed of light
I'm yours, you're mine
Two satellites
Not alone
No, we're not alone

A freeze-frame of your eye in the strobelight
Sweat dripping down from your brow
Hold tight
Don't let go
Don't you let me go

And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
And I'm indestructible

Hands up in the air like we don't care
We're shooting deep into space
And the lasers split the dark
Cut right through the dark

It's just us we ignore the crowd dancing
Fall to the floor
Beats in my heart
Put your hands on my heart

And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
Ooh and I'm gonna love you like
Like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
And I'm indestructible

And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
Ooh and I'm gonna love you like
Like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is, oh, too magnetic
And it's taking over
This is hardcore
And I'm indestructible

Indestrutível

Eu estou indo para trás ao longo do tempo à velocidade da luz
Eu sou seu, você é meu
Dois satélites
Não estamos sozinho
Não, não estamos sozinhos

Um congelamento de imagem no seu olho na lâmpada
O suor escorrendo de sua testa
Segure firme
Não se deixe ir
Não me deixe ir

E eu nunca fui inteligente com amor
Eu deixei os maus ficarem e os bons irem
Mas eu vou te amar como se eu nunca tivesse sido machucado antes
Eu vou te amar como eu fosse indestrutível
Seu amor é ultra magnético e de novo está tomando conta
Isso é da pesada
E eu sou indestrutível

Mãos ao ar, como se não nos importássemos
Nós estamos disparados nas profundezas do espaço
E os lasers despedaçam o escuro
Cortam bem através da escuridão

Somos somente nós dançando e ignorando a multidão
Até quatro no chão
Bate no meu coração
Ponha as mãos no meu coração

E eu nunca fui inteligente com amor
Eu deixei os maus ficarem e os bons irem
Mas eu vou te amar como se eu nunca tivesse sido machucado antes
Eu vou te amar como eu fosse indestrutível
Seu amor é ultra magnético e de novo está tomando conta
Isso é da pesada
Oh, e eu vou te amar como... como se eu fosse indestrutível
Eu vou te amar como se eu fosse indestrutível
O seu amor é o último e de novo, está tomando conta
Isso é da pesada
E eu sou indestrutível

E eu nunca fui inteligente com amor
Eu deixei os maus ficarem e os bons irem
Mas eu vou te amar como se eu nunca tivesse sido machucado antes
Eu vou te amar como eu fosse indestrutível
Seu amor é ultra magnético e de novo está tomando conta
Isso é da pesada
Oh, e eu vou te amar como... como se eu fosse indestrutível
Eu vou te amar como se eu fosse indestrutível
O seu amor é o último e de novo, está tomando conta
Isso é da pesada
E eu sou indestrutível

Letra & Música ₰

Não sei se já postei essa música aqui antes, se postei, me perdoem, se não, ótimo, porque Prescilla tem um significado enorme pra mim. Fala sobre uma pessoa que viveu na estrada por muito tempo, e que de repente se viu perdida, tentando se encontrar, e é assim que eu me sinto na maior parte do tempo. Canção número sete do meu álbum favorito de Bat For Lashes, Fur and Gold, com vocês, Prescilla.



Prescilla

There's a girl that wants to stop
Been thinking about having a couple of kids
Comb a brush around their heads in the morning
To be needed, simply and with meaning
Her name is Carrie
Been on the road for so long
She wants to live in a place that has a number and a name
Find lovers and uncut before the courage is all gone

She really loves him, Prescilla
She really loves him, Prescilla
She really loves him, I tell you
She really loves him, Prescilla
She really loves him, Prescilla
She really loves him, I tell you

To live life outside of the world
To break the cross that bears her name
She's not your queen anymore, queen of the highway
Needs something better than running away

She really loves him, Prescilla
She really loves him, Prescilla
She really loves him, I tell you
She really loves him, Prescilla
She really loves him, Prescilla
She really loves him, I tell you

Gone away!
Queen of the Highway
Gone away!
Highway
Queen of the Highway
Gone away!

Prescilla
Há uma garota que quer começar
Tem pensando em ter alguns filhos
Pentear seus cabelos de manhã
Ser útil, simples e útil
O nome dela é Carrie
Estando na estrada por tanto tempo
Ela quer viver num lugar que tenha um número no nome
Ela quer achar seus amantes inteiros antes que a coragem se esvaia

Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Eu te disse
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Eu te disse

Viver uma vida do lado de fora do mundo
Quebrar a cruz que leva seu nome
Ela não é mais uma rainha, rainha das estradas
Precisa de algo melhor do que ensino a distância

Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Eu te disse
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Prescilla
Ela realmente o ama, Eu te disse

Vá adiante
Rainha da Estrada
Vá adiante
Estrada
Rainha da Estrada
Vá adiante

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As Boas Novas!


Querem uma boa notícia?

Pois então lá vai!

Tenho planos para pelo menos mais três histórias antes de fechar o projeto The Fatcat House, e Draconius Nefastus 2 está entre elas, as duas outras são segredos guardados à sete chaves! Elas serão publicadas até o final de julho, quando o blog fechará por tempo indeterminado.

Mas não se acanhe, ó faminto por sonhos, essa fábrica continuará com as portas abertas para quem quiser fazer uma visitinha ou deixar um comentário, mas estará fora de atividade enquanto eu trabalho em "As Dellabóboras Vol. 4 - O Livro da Bruxa", o que levará no mínimo um ano para ser redigido, tendo em vista que livros são muito mais difíceis de tecer do que crônicas e séries simples.

Estarei me comunicando com o leitor do blog exclusivamente via comentários nas postagens durante esse tempo, então aproveite estes últimos meses de novidades!


XXXO


Louie Mimieux

Por algum motivo...


A VIVO diminuiu os meus k-bytes por segundo de 14 pra 7, ou seja, estou sem assistir às minhas queridas séries "The Vampire Diaries" e "Glee" faz uma semana, e vocês não conseguem imaginar a minha agonia em ver todos aqueles links de novos episódios e não poder baixá-los. É tão triste... A velocidade normal da Vivo é de 14 kpbs em horários livres, geralmente pela manhã bem cedo ou de madrugada, isto é, somente quando o limite do seu plano é excedido (por exemplo, meu plano suporta um único mísero gigabyte, se isto for excedido, a velocidade cai automaticamente para 14kbps), fora isto, a velocidade pode chegar a assustadores 200kbps, o que é um milagre acolhido com lágrimas nos olhos por nós internautas viciados em download moradores do triste estado do Amapá.

O que é mais triste ainda é o preço exorbitante que os provedores de acesso a internet cobram pela banda larga por aqui, um amigo meu paga 125 R$ por 300kbps ILIMITADOS, porque é cliente ANTIGO, agora imaginem quanto um cliente novo deve pagar pelo serviço inicial?! 300 reais?!

E não sou só eu que estou reclamando da velocidade da Vivo ultimamente, a maioria dos meus conhecidos sempre reclamou que o serviço é pura ilusão, nos primeiros dias a internet é um sonho, algo que é ótimo no início e vai piorando, piorando, piorando até se tornar insuportavelmente lenta, até mesmo nos horários livres (o que é o meu caso).

Tudo bem que é um serviço de internet móvel feito exclusivamente para acesso rápido, downloads devem ser feitos em conexões fixas, porém nem mesmo o acesso em si, o carregamento das páginas da web, é rápido. Vivo recebendo avisos como "erro na página" ou "página indisponível", ou então a demora de 500 anos no mínimo para carregar!

Talvez seja culpa do meu pacote, do meu plano, que só suporta 1GB, de modo que a central dá prioridade para aqueles que optaram pelo plano maior e mais caro, deixando nós pobres na miséria da velocidade de uma conexão discada via linha telefônica. E isso porque eu ainda nem falei da estabilidade! O MSN não entra antes das 9 da noite, e se entra, suas mensagens não vão e as dos seus amigos não vem, é comum também a queda da conexão com o Windows Live frequentemente. Sinceramente, a internet discada daqui de casa era lenta, mas pelo menos era estável, fazem exatos dois meses que não vejo o medidor subir para 200, o máximo que chegou desde o começo de fevereiro foi 30kbps, o que me parece agora uma dádiva dos céus perto do que eu tenho de aturar.

Por isso, pais e mães deste Amapá, entendam que seus filhos não passam a madrugada toda online porque querem, mas porque é o único horário propício para o uso sem contratempos e stress.

Perante tais circunstâncias eles bem poderiam mudar o slogan de "Vivo, Conexão como nenhuma outra" para "Vivo, porcaria como nenhuma outra", fica a dica.
xxxo
L.M.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Hey, Pessoal!

Maleficent: Seus pobres, simplórios tolos!
Olá, gentalha. Estou aqui fantasiado de Maleficent (The Sleeping Beauty) para mostrar o meu lado maligno e ousado! Afinal de contas, quem sabe xingando vocês, alguém não resolve comentar respondendo os xingamentos?
Haha, brincadeirinha, estou aqui para pedir desculpas pela minha falta de responsabilidade esse final de semana.
Meu blog anda tão FLOPADO que me esqueci totalmente de publicar os Apocalipses de sábado e domingo, então postei um atrás do outro agorinha, de madrugada. Se algum pobre simplório tolo estiver acompanhando a série, eu ORDENO QUE DEIXE UM COMENTÁRIO, ou então lhe rogarei uma praga, e em seu décimo sexto aniversário, espetarás o dedo na agulha de uma roca! E DORMIRÁS PARA SEMPRE! (risada maligna).
Espero que tenham entendido o recado.
Beijos MALEFICENTES.
XXXO
Louie Mimieux

The Big Machine 3 - Apocalipse 19


Andar pela cidade de dia era totalmente diferente de caminhar nas trevas da madrugada, ao que eles estavam habituados. De dia tudo parecia ainda mais perturbador, mais caótico, desesperador, o aperto no peito ficava mais forte a cada passo em frente. Esta perturbação vinha principalmente do fato de encontrarem ruas tão conhecidas do cotidiano, agora completamente devastadas e irreconhecíveis. Veículos capotados, árvores derrubadas, postes tombados, cinzas de lojas e moradias, papel e roupas espalhados pelas calçadas e pelo asfalto numa sopa de lama temperada pela água e pela terra enlameada resultante das chuvas torrenciais. Pontos conhecidos da cidade em ruínas, semáforos apagados e silêncio, um silêncio absoluto um tanto claustrofóbico. Era como estar preso num pesadelo apocalíptico de quatro paredes sem fim. Até o ar estava parado, o vento não batia entre as fendas dos muros derrubados, não entrava pelas vidraças quebradas. Era tudo gelado, parado, estático, como uma fotografia maldita de destruição e caos.
- Fazia tempo que nós não saíamos de dia... – Ray suspirou e catou uma fotografia qualquer do chão. Uma família feliz sorria na foto chamuscada na moldura artificial. – a situação parece pior à luz do dia...
Alexis ia à frente, caminhando com as mãos sobre o rosto, limpando a torrente de lágrimas em sua careta retorcida de dor, seus olhos fundos e vermelhos nunca estiveram tão tristes. Onde estaria a sua família? Seus pais? As pessoas que ela amava? Onde estariam os seus entes queridos no meio daquela catástrofe toda? O que teria acontecido a eles?
- Alexis... – Maxine pôs a mão sobre o ombro da moça atordoada. Ela sequer reagiu. – você tem que tentar se acalmar, eles precisam ver que você continua sendo uma general, se demonstrar alguma emoção, nosso plano pode ir por água a baixo... Seja forte agora! – Max segurou a mão da jovenzinha com força e transmitiu positividade com apenas um único olhar, seus lábios repuxados para dentro da boca numa máscara de seriedade e confiança. Aquilo parecia um tanto maternal e reconfortou bastante o coração da garota, tão jovem e tão perdida no meio daquilo tudo, não fazia muito tempo que havia recobrado a consciência e saído do transe que a havia transformado numa das generais malignas que serviam à Alberta e sua trupe. Alexis engoliu o choro e fechou os olhos com força, deixando uma derradeira lágrima escorrer por sua face corada, descendo rumo ao desconhecido até perder-se pouco abaixo do queixo, pingando no chão molhado da rua devastada.
- Estamos perto – alertou Haruno, quebrando o silêncio do momento enquanto subia numa caçamba de areia tombada sobre a calçada para ter ampla visão do que estava à frente. As ruas estavam irreconhecíveis, de modo que era impossível se localizar guiando-se pelas construções ou pelas placas, as quais não mais existiam. Muitos prédios e casas foram derrubados e o concreto restante deles se espalhava nas avenidas aos montes, esmagando a lataria de carros ou motos, formando pirâmides casuais dos restos mortais da antes pacata, serena e poeirenta Macapá. Agora úmida, gelada e morta.
- Estou achando estranho, estranho demais... – os olhos semicerrados de Ray Ann vasculhavam o ambiente ao redor com destreza. – onde estão os soldados? Os robôs?
- Estão todos concentrados nas periferias, onde residem os últimos grupos de refugiados. – soluçou Alexis, respirando fundo em seguida, procurando dentro de si a máscara perdida de general, o disfarce que era a sua salvação e a salvação de todos os que haviam sido capturados na pilhagem da Fortaleza. Sua família poderia estar entre eles, esse era o seu incentivo, o alimento da sua esperança. Eram tempos escuros e nublados para aquele povo.
Não demorou muito para que os muros perfeitamente brancos do Estádio Glicério Marques surgissem em meio aos escombros fumarentos da cidade, talvez a única coisa de pé e em perfeito estado em quadras de distância.
- É o seguinte, meninas. – sibilou Maxine para suas outras três companheiras, escondidas atrás de uma barricada de veículos amontoados uns sobre os outros. – Vamos nos algemar e Alexis nos guiará para dentro do terreno do estádio. Quero todas as cabeças baixas e quero muita tristeza nesses olhares... Quanto à você, engula o choro ao máximo que puder, vamos precisar da sua cara de má!
Alexis fechou os olhos por alguns segundos e ao abri-los outra vez, havia uma máscara de frieza e maldade sobre seu rosto. Ela passou tanto tempo calada encarando as três que por um momento Maxine realmente pensou que ela havia voltado a ser a general que haviam encontrado no final da madrugada, dentro do prédio da FAMA há algumas horas atrás. A fadiga era tanta que os sentidos já as estavam enganando, precisavam descansar urgentemente. Algemadas umas nas outras formando uma corrente, foram arrastadas com violência teatral aos portões vermelhos fortemente vigiados por dois dos gorilas-robôs. Parados pareciam mais duas estátuas de metal, enganariam a qualquer um, passando por simples enfeites extravagantes e caros para recepcionar os visitantes com as suas caras feias de macaco. Iguaizinhos à Lana Palafita e a sua cara de ribeirinha. Ray sentiu uma vontade irresistível de rir, mas se conteve com todas as forças e jogou seus cabelos sobre o rosto de tal forma que chegou a lembrar a própria Samara de “O Chamado”, uma verdadeira assombração.
- Três novas prisioneiras. – fez Alexis, sem gaguejar. Só ao aproximar-se percebeu que havia dois soldados-zumbis ladeando os robôs, eram tão pequenos perto daquelas máquinas mortíferas que passavam completamente despercebidos de longe, foi quase um susto vê-los saindo do além para barrar a sua entrada. Por um instante ela achou que a farsa havia sido descoberta e quase perdeu o disfarce.
Dois lasers vermelhos saídos das viseiras dos robôs escanearam o rosto de Alexis, um na vertical e outro na horizontal, tornando-se verdes logo em seguida. Os dois soldados caminharam então até o portão e abriram passagem para o comboio de quatro mulheres que adentraram no recinto de imediato. O cenário atrás dos muros era desesperador. As estranhas gaiolas usadas para a captura de fugitivos eram amontoadas em setores, formando corredores de grades com paredes altas e escuras que pareciam querer alcançar o céu nublado do que restou da cidade. Lembravam galerias portuárias de contêineres de metal, com carregamento humano dando lugar aos objetos de importação e exportação. As pessoas ali dentro já estavam cansadas de gritar por socorro, elas sabiam que ninguém poderia ajudá-los, nem ouvi-los, o socorro jamais viria. A única saída era se conformar e entregar-se ao destino de soldado-zumbi escravo na construção da grande torre de controle daquela estranha organização cujo objetivo para eles ainda era desconhecido. Grande parte dos contêineres estava vazia agora que restavam poucos resistentes à ditadura.
- Eles têm de estar aqui, em algum lugar, é pra cá que os capturados neste setor vêm! – Alexis praticamente corria por entre as galerias, procurando por rostos conhecidos e arrastando as três falsas prisioneiras à força no seu encalço, pouco se importando com as câmeras que a acompanhavam.
- Vai com calma, Alexis! Não corra! Não podemos levantar suspeitas! – sibilava Maxine, dando puxões na corrente da algema que a ligava à sua falsa capturadora.
- Assim você vai nos entregar de bandeja pra eles! – exclamava Haruno, em seu posto de última algemada na corrente das falsas prisioneiras. Ray Ann vinha no meio, confusa, com os olhos perdidos por entre as gaiolas. Também procurava por seus familiares, pelo seu amor.
A corrida desembestada das quatro infiltradas foi abruptamente interrompida por dois vultos de preto, um mais alto e moreno, de cabelos crespos e grandes olhos castanhos, outro mais baixo, esguio, magrelo, de rosto fino, olhar severo e cabelos cacheados.
- Florêncio e Rosálio – sussurrou Ray Ann entredentes para trás, para Haruno.
- Nº 9, aonde pensa que vai com esses prisioneiros? – disse a voz grossa de Rosálio, a General de nº 6 na hierarquia dos setores nos quais a cidade foi separada. Alexis foi pega de saia justa com a boca na botija, estava completamente sem reação, parada e estática, tremia dos pés à cabeça, seus olhos esbugalhados como o de um coelho prestes a morrer na boca de uma raposa faminta. Florêncio e Rosálio se entreolharam, sorriram com malícia e voltaram-se para as quatro. – onde você as capturou Nº 9?
Alexis continuou calada. Rosálio deu dois passos em direção à ela, e isso congelou suas entranhas de medo. Ser um general significava deixar os sentimentos humanos de lado para tornar-se uma máquina orgânica a serviço exclusivo da S.U.J.A., o olhar maligno e a pupila sempre dilatada indicava a hipnose, entre outros detalhes como movimentos robóticos precisos, agilidade acima da média, inteligência e lógica aumentadas e incapacidade total de sentir compaixão. A hipnose bloqueava as áreas do cérebro que envolviam grande parte das emoções humanas deixando livre o caminho para que o organismo e os impulsos nos neurônios trabalhassem exclusivamente em áreas como a do raciocínio e desempenho físico, levando o indivíduo ao seu limite. Aquela coisa não-humana era o que estava deixando Alexis tão nervosa, era como estar cara a cara com alguém possuído pelo demônio.
- Você soube, Nº9, do incidente no quartel general? – perguntou Rosálio, executando uma vistoria nas três prisioneiras recém-capturadas, erguendo os rostos e analisando-os bem. Reconheceu Haruno, a antiga ocupante da sua posição na hierarquia dos generais de imediato, e em seguida reconheceu Ray Ann, que deveria estar morta juntamente com seus amigos na destruição do prédio da escola.
- N... não... – gaguejou a garota. Uma lágrima já escorria pelo canto do olho. Ela estava completamente entregue.
- Não é o que as câmeras mostram, e nem o que está registrado na memória dos vigilantes do setor. – ela se referia aos macacos-robôs residentes. Fez um sinal com o dedo para Florêncio, ou nº 7, que com passos largos, aproximou-se das quatro e pegou Alexis pelo braço.
- Obrigada, nº 9, você foi muito generosa trazendo essas três até nós; e muito sensata em se entregar também. – deu um tapinha nas costas da garota decepcionada. – agora, nº 7, leve-as, elas estarão na próxima sessão de conversão.
Maxine não pensou duas vezes, derrubou Rosálio no chão com uma rasteira inesperada, puxou a arma da cintura da garota e apontou para a cabeça dela. Florêncio puxou seu laser do cinto instantaneamente e começou a atirar, as garotas se jogaram no chão, ainda presas às algemas pulso a pulso. Maxine separou os elos com tiros certeiros e gritou para que elas corressem, mas não, elas decidiram ficar e lutar. Usando um dos contêineres como barricada para o combate, levaram vantagem por estarem em maior número e com maior quantidade de munição, logo os dois generais precisariam se esconder para não levar chumbo e poderem chamar o reforços. E era essa a hora certa em que elas correriam dali o mais rápido que pudessem.
- Rápido, pra dentro! Pros fundos da galeria! – ordenou Maxine, apontando para o labirinto de jaulas de metal.
- Vpcê está louca?! Temos que sair daqui! – exclamou Ray tomado a outra direção, Haruno pegou-a pelo braço antes que ela pudesse fazer alguma besteira.
- Não! Temos que ir pro fundo, nos esconder! A esta altura os portões estão todos em alerta, não sairemos daqui nem em mil anos! Vamos! Pra dentro!
Arrastada contra a sua vontade, Ray Ann foi puxada para o interior do labirinto numa busca desesperada por uma gaiola aberta onde poderia esconder-se. Não demorou muito para que encontrassem o que procuravam, para rastejar para as sombras, longe dos olhos dos soldados armados com metralhadoras e rifles que agora percorriam os corredores de gaiolas vasculhando cada centímetro em busca das invasoras.
- Estamos ferradas, ferradas! – resmungava Haruno, agachada, procurando nas sombras uma saída, uma solução.
- Espera, espera! – Maxine levantou-se e pediu silêncio. – estão ouvindo?!
- O que houve? – Harunou também se levantou e foi até onde a companheira estava.
- Eu estou ouvindo – fez Ray ainda agachada. – é uma música... tem crianças cantando!
- Crianças?! Mas eles não trazem crianças pra cá, elas ficam nas ruas... – exclamou Haruno, forçando o seu ouvido ao máximo.

Meu trenzinho
Meu trenzinho
É marrom
É marrom
Vira pra direita
Vira pra esquerda
Faz fom-fom
Faz fom-fom

- Parece que tem uma classe de jardim de infância aqui em algum lugar e... – Ray foi interrompida pela mão de Haruno que foi direto sobre a sua boca. Ambas abaixaram juntas no escuro do contêiner gradeado outra vez. Uma tropa inteira de soldados passou por eles, eram uns 10 ou 20 em marcha, armas em mãos, indo na direção da música. No comando deles havia um rosto conhecido, era Alberto, irmão gêmeo de Alberta, provavelmente era ele quem estava no controle do posto avançado de conversão, seu uniforme era diferente dos outros, possuía listras brancas nas laterais. De óculos escuros enormes e um colete camuflado nas cores da selva, ele passou carregando um rifle no ombro, queixo em pé, olhando fixo para frente, inexpressivo. Seu corte de cabelo e suas roupas faziam-no parecer uma versão menor, branquela e raquítica de Arnold Schwazenegger em “O Exterminador do Futuro”.
A tropa parou mais adiante, as quatro levantaram-se para observar sorrateiras ao que estava acontecendo, na pontinha dos pés.
- Calem a boca, vocês! Isso aqui não é parque de diversão! – ouviu-se a voz de Alberto aos berros não muito longe dali. Algo chocou-se contra as grades de uma das gaiolas três vezes, arrancando gritos do que parecia ser uma turma de terceiro período em cárcere privado. As criancinhas soltaram berros apavorados de doer os ouvidos e começaram a chorar. Provavelmente Alberto teria batido contra as grades usando o rifle em suas mãos.
- Ora, seu desalmado! São apenas crianças! Deixe-as se divertirem antes de virarem robôs serventes como você! – retrucou uma voz espevitada e atrevida, aguda como a de uma cantora pop. Maxine teve vontade de gritar o nome da amiga. Aquela era Tifa! Tifa estava com as crianças em uma gaiola ali perto!
- É a Tifa! É a Tifa! Ela está viva! Viva! – Max abraçou Ray com força e começou a dar pulinhos de alegria enquanto batia palminhas. Sua melhor amiga não havia morrido!
- Ei, se controla! – Haruno deu um cutucão na companheira. – Se eles nos descobrem estamos fritas! Já viu o tamanho daqueles rifles?!
Alexis, que permanecera calada até então, pronunciou-se finalmente.
- Deve haver um jeito de soltá-los! – disse baixinho. – essas gaiolas não são indestrutíveis.
- Mas elas possuem uma senha, nós tivemos sorte que esta estava aberta... – Haruno apontou para o pequeno painel oval equipado no fecho da porta do contêiner.
A tropa de vistoria afastou-se num marchar contínuo até que o som do pisoteio dos soldados extinguiu-se do alcance da audição, era o momento de ir até a gaiola.
Foi uma festa esse reencontro! As esperanças foram renovadas! Ali dentro havia Tifa, alguns adultos e todas as crianças do acampamento. Do outro lado, outro contêiner com mais pessoas dentro, todos os capturados da pilhagem à fortaleza somavam uma quantidade de cinco ou seis gaiolas daquelas lotadas. Parentes, amigos, conhecidos, todos ali, reunidos e lutando pela sobrevivência, acreditando que o socorro chegaria, e suas preces foram ouvidas afinal. Maxine estourou cada um dos fechos com um tiro certeiro do seu laser, danificando os aparelhos que exigiam senhas para destrancarem as jaulas.
- Como vamos sair daqui?! – perguntou Tifa, olhando de uma ponta a outra no corredor de contêineres, cautelosa.
- Não sei, mas nós vamos...
- Ora, vejam só – riu uma voz que vinha de cima. Era a voz de Alberto, Ray Ann a reconheceria em qualquer lugar, anasalada e debochada, com uma dicção rápida demais. – pensavam que iam escapar assim, na cara dura? Não na minha jurisdição, crianças, não mesmo!
Acompanhado da sua tropa fortemente armada, tinha sob mira cada uma daquelas cabeças. Havia homens armados agachados em cima de todos os contêineres empilhados daquele corredor do labirinto interno do estádio Glicério Marques, como abutres à espreita da carniça, vultos negros os observavam frios e prontos para atirar. Só estavam esperando a ordem...






Fim do Apocalipse Dezenove!

The Big Machine 3 - Apocalipse 18


- Não percam tempo! Atirem! Atirem logo de uma vez!
Desta vez os Apocalípticos não esperaram que o inimigo desse um próximo passo. Aparentemente desacompanhado e desarmado, Edvaldo era um alvo fácil para a saraivada de tiros que veio logo em seguida.
- Parem! Parem! – gritou Maxine em meio ao som cortante das balas e dos lasers. – ele sumiu!
O grupo juntou-se num círculo, de costas um pro outro em posição de defesa. Testas franzidas coroando olhos espertos e nervosos vasculhavam o ambiente molhado ao redor. Aos poucos a chuva parava, mas o sol da manhã não dava sinal de vida ainda. O céu era cinzento e pesado, carregado de nuvens grossas e gordas cada vez mais próximas do chão, pareciam disputar espaço, mal educadas, esfregando-se umas nas outras com grosseria. Ou talvez esta fosse uma má interpretação da aparência mal-humorada que aquele céu tremeluzente passava aos espectadores, talvez as nuvens estivessem unidas com o único propósito de se opor ao sol e não permitir que um raio sequer passe por entre elas, exatamente como os Apocalípticos se encontravam naquele momento, unidos, praticamente colados uns nos outros, esfregando-se a cada passada e a cada movimento de braços e pernas, formando um único ser repleto de cabeças pensantes em alerta com o objetivo de não permitir a entrada de nenhum organismo estranho. Nenhum organismo maligno. Como uma célula, um anticorpo preparado para agressões externas.
- Achavam que ia ser fácil, é? – disse a voz de Edvaldo, debochada, vindo de algum lugar ali próximo. – os dias do Apocalipse Club ridículo de vocês estão contados, idiotas. Alberta já está a caminho a essa altura e sabe que vocês estão vivos graças aos seus amiguinhos que vieram do futuro.
O vulto rodeava o grupo numa velocidade absurda, mantendo-os cada vez mais colados uns aos outros, os coagindo como um lobo coage a um rebanho de vacas prontas para o abate. Um descuido, uma piscadela de olho, e repentinamente Maxine viu-se parada do outro lado da praça de armas, nos braços de Evaldo, colada ao corpo dele com força, sendo mantida cativa por uma chave de pescoço enquanto a arma estava apontada para a sua cabeça. Gritou.
- MAX! – rugiu Fernando.
- Não tentem nenhuma gracinha, ou o miolo dela vai pelos ares! – riu Edvaldo em alto e bom som, sua voz ecoando pelas paredes chamuscadas da Fortaleza pilhada. Aproximou sua boca do ouvido da mulher e com sussurrou baixinho para que somente ela o ouvisse. – larga a arma, gatinha. – Max abriu as mãos e levantou-as, rendida. – isso, boa menina. Agora, nada de gracinhas, ou então você tá morta, tá me ouvindo? – o hálito quente do rapaz lhe arrepiou toda, dos pés à cabeça. Ela assentiu, nervosa. – sim, sim, isso mesmo, boa garota.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ELA?! – Fernando entregou Gabrielle com cuidado para os braços de Miguel e fez menção de ir até o outro lado do campo. Haruno e Ray Ann o detiveram. – SOLTA ELA!
- Fica aqui, Fernando! Fica aqui! Ele não tá brincando! Ele tá hipnotizado! – sibilou Ray para o neto, suas unhas compridas beliscando a pele do homem por baixo do uniforme branco borrachudo. – ele não vai hesitar em matar ela!
- Isso mesmo, cara! Pode ficar aí paradinho! – gritou Edvaldo, debochado, para o outro lado do campo. Estava em vantagem, pelo menos por enquanto.
As mãos grossas do rapaz desceram pela barriga da mulher com suavidade e firmeza, rumando cada vez mais para baixo, atingindo níveis cada vez mais inferiores, o uniforme escuro roçando no uniforme negro com leveza e suavidade, até atingir os limites de onde um homem desconhecido pode tocar uma mulher.
- ORA, SEU... – com um movimento rápido e repentino, Maxine pegou Edvaldo de surpresa, saindo do seu estado de redenção total à ele virando-se para atingi-lo em cheio com uma joelhada certeira na virilha, uma cotovelada na nuca e envolve-lo com uma chave de pescoço. O feitiço virou contra o seu feiticeiro. A galera do outro lado da praça de armas vibrou e aplaudiu o feito com entusiasmo – e agora, hein?! “machão”?! Quem é a gatinha aqui?!
- Eu não sei você, mas eu é que não sou! – riu o rapaz, engasgado pelo braço forte de Maxine que apertava seu pescoço com firmeza, deixando-o parcialmente sem ar. Estava a ponto de perder a consciência e desmaiar quando seu braço conseguiu alcançar o botão do cinto que fez cada músculo do seu corpo dobrar de tamanho até que Maxine não pudesse mais contê-lo naquela simples chave de pescoço. Logo seus braços eram muito pequenos e finos demais para estreitar o jovem esguio que dobrara de tamanho e instantaneamente havia se tornado um verdadeiro mastodonte feito de pura massa muscular.
- Gostaram do meu uniforme, moçada?! – debochou Edvaldo, alisando seu tórax repentinamente definido com toda a sensualidade, passando seus dedos grossos pelos bíceps e tríceps artificiais que o envolviam como uma carapaça muscular. Ele agora era um monstro de três metros de altura. – foi especialmente desenvolvido para mim! Olha só que legal! Ele tem a força de cinquenta homens concentrada, um impacto de um soco dessa belezura aqui é o suficiente para deixar uma pedra em pedaços! – enquanto fazia seu discurso, distraía-se com seus recém-adquiridos músculos, alisando-os com orgulho e certo desejo até, esquecendo-se de que estava sendo observado, olhou pelo canto dos olhos para o grupo de Apocalípticos em alerta, com as armas em punho. Voltou-se para eles confiante e postou-se em posição de ataque, um pé na frente e ou outro atrás, com os punhos fechados próximos do rosto. Seus músculos dobraram de tamanho mais uma vez, o uniforme estava sendo estimulado à potência máxima, prestes a estourar. As veias artificiais onde corria o material geneticamente modificado capaz de aumentar a força do usuário do uniforme em até 50 vezes saltavam para fora da pele de borracha, latejando à olho nu, subindo e descendo como vermes rastejando por baixo da borracha.
- CORRAM! CORRAM! – gritou Max antes de ser atirada longe por um singelo pontapé do monstro de borracha. Cada passada de Edvaldo abria um sulco na praça de armas, cada soco dado no chão onde antes alguém perseguido estivera abria valas e rachaduras, forçando a estrutura da fortaleza. Balas não surtiam efeito, lasers não adiantavam nada. Ele era indestrutível e rápido, o que era pior. Haruno quase virou pasta humana por causa de um vacilo: O lugar onde antes ela estivera agora abrigava uma cratera.
- Como vamos derrotá-lo?! – gemeu Fábia, em dupla com Ray, escondida atrás de uma das construções enquanto o monstro musculoso destruía tudo com seus punhos de ferro.
- Temos que acertar o cinturão que ele está usando! – exclamou Ray, achando o X da questão. – é claro! É isso que controla a potência dos músculos falsos! Com o cinturão destruído, os músculos vão murchar! Lembra que ele apertou um botão lá em baixo antes de dobrar de tamanho?!
- Lembro sim! Nossa! Isso é muito lógico! – Fábia levantou-se. – eu vou lá avisar o pessoal!
- Vá com cuidado! Eu vou distraí-lo! – as duas se abraçaram e se dividiram, uma para a esquerda e a outra para a direita.
- EI! EI! OLHA PRA MIM, SEU MONTE DE ESTRUME SEM CÉREBRO! - Ray cruzou o campo totalmente desprotegida, balançando os braços para o alto às gargalhadas. Edvaldo grunhiu feito um neandertal e correu em seu encalço. Enquanto isso, Fábia cruzava o fundo da cena sorrateira.
- O que essas malucas estão fazendo?! Elas vão morrer! – gemeu Max. Havia fraturado a clavícula e uma costela. Seu marido a consolava enquanto os dois se escondiam atrás de um canhão de guerra de séculos atrás.
Desobedecendo ao combinado, Fábia correu até o meio de campo, iria acertar o cinto de Edvaldo ela mesma.
- NÃO! NÃO! VOLTA FÁBIA, VOLTA! – Ray parou no meio do caminho, preocupada com a amiga. Edvaldo freou à força e voltou-se para trás, para encarar Fábia dentro dos olhos e chutá-la como se fosse uma bola para cima de um dos telhados. Ray urrou feito uma leoa e lançou-se sobre o pescoço da personificação maligna do Hulk, procurando sufoca-lo à pulso. Por sorte, os braços de Edvaldo estavam muito grossos para que ele pudesse alcançar sua nuca, de modo que Ray Ann ficou fora de perigo enquanto a criatura ultra-musculosa se debatia embaixo dela. Haruno surgiu de trás de uma das construções correndo em direção à cena de vida ou morte, com a arma em punho.
- ACERTA! ACERTA O CINTO! O CINTO! – gritava Ray, do alto de seu monstro de estimação, como uma vaqueira tentando domar um touro bravo, ela segurava firme e resistia aos repuxões e solavancos da fera musculosa abaixo de seu corpo. Parecia uma macaquinha tentando abater um leão no braço.
O tiro laser foi certeiro, o cinto arrebentou e de imediato, os músculos secaram como um balão furado pelo alfinete de uma costureira.
- Você está bem, menina?! – Alexis escalou a construção para encontrar uma Fábia sentadinha, ofegante.
- Estou sim, obrigada!
- Mas você voou! Foi atirada a metros de distância!
Fábia gargalhou aquela sua velha e costumeira gargalhada gostosa e rasgada, em alto e bom som, levando as mãos aos seios e erguendo-os com orgulho.
- Meus amiguinhos amorteceram a queda, Alexis! – gargalhou outra vez. – relaxa, menina! Enquanto eu tiver B1 e B2 do meu lado, não vou morrer tão cedo!
Alexis riu aliviada e deu de ombros enquanto Fábia imitava Christina Aguilera em Candyman, mostrando o bícep. Amortecedores embutidos não eram pra qualquer um! Essa é a Fábia Seios Fartos que nós conhecemos!
A esta altura, Edvaldo já estava nu e amarrado a uma cadeira, foi deixado para trás no meio da praça de armas enquanto os Apocalípticos partiam para executar o seu plano que salvaria (ou não) a pátria. Era hora de agir.





Fim do Apocalipse Dezoito!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aproveitem enquanto podem...


Este blog está perto de seu fim :)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse 17




- Não é possível – Ray caiu de joelhos, sua visão turva, turva pelas lágrimas que brotavam de baixo das pálpebras, fazendo o ambiente se dissolver em água ao redor, como se ela observasse o mundo de dentro da janela de um carro, parado debaixo de um aguaceiro.

Ela não sabia se por causa da chuva pesada que caía sobre a cidade naquele momento ou se por causa daquele mar que lhe brotava dos olhos em queda livre como cachoeira, mas algo lhe dava a sensação de fazer parte de um daqueles quadros caóticos que a professora de artes havia mostrado em suas aulas, Guernica talvez. Porém imagine a tinta fresca, secando na tela, e imagine uma alma maligna carregando um balde cheio de água, indo em direção à pintura que seca em toda a sua desgraça retratada de forma mais fiel. Imagine também que esta alma cruel lançou mão de todo o conteúdo do balde sobre a tela maldita, só pelo bel-prazer de ver todo o trabalho escorrendo pelas pernas do cavalete em forma de papa azul, cinza e preta, as cores do caos.

Era assim que os olhos de Ray Ann viam a Fortaleza de São José de Macapá em chamas naquele momento. Alguma mão repleta de unhas compridas parecia ter-lhe arrancado o coração do peito. Os Apocalípticos residentes naquela dimensão estavam parados no gramado molhado, observando a estrutura centenária arder em brasa vermelha e laranja debaixo do temporal que se abatia sobre a capital. Como estátuas inexpressivas.
Quem estaria vivo? Quem estaria morto? Quem teria sido carregado à força na carroceria das carretas feito animais, em direção aos campos de concentração, para a conversão em soldados-zumbis? Estas e muitas outras perguntas passavam por suas cabeças numa velocidade incrível. Poucas pessoas já sentiram a impressão de perder o chão por um momento. Poucas pessoas já tiveram a sensação de ter perdido todo o ar, de ter o coração feito em pedaços, de possuir um vazio repentino no peito, um buraco negro sugando todas as reações humanas possíveis para tal tipo de situação sórdida.

Fábia consolava a garota ensopada que comia terra, esmurrando o chão encharcado enquanto urrava de dor. Seus parentes? Seus amigos? Estariam lá ainda? Que não estivessem, por favor, ela pedia, por favor, que o exército os tenha levado. Ela sabia que aqueles que ficaram para trás seriam os inúteis, os mortos, os quais perderam um membro ou que estavam entre a vida e a morte. Ray Ann mordia o próprio punho, suas lágrimas se misturando à água da chuva, à lama, formado um caldo negro no chão onde ela se arrastava.
- Não pode ser... – Maxine permanecia inexpressiva – como eles chegaram até nós?! Como eles conseguiram invadir a Fortaleza?!
- Eu sinto muito... – Alexis, a ex-general, pôs sua mão sobre o ombro da mulher atordoada, suas madeixas ruivas de leoa, ensopadas, lembravam um gato molhado, de brilho platinado, a franja colada à testa na mistura de água e suor.
Lá dentro não havia restado nada além de dois ou três corpos e destruição. Comida espalhada pelo chão, pratos quebrados, roupas rasgadas, móveis partidos ao meio, colchonetes rasgados e colchões em chamas. Parecia mais o interior de um presídio após uma rebelião. Havia marca de tiros por todos os lados, e marcas escuras nas paredes onde o fogo tocou. Por aproximadamente meia hora, o grupo vasculhou cada canto daquele lugar em silêncio absoluto, procurando uma pista, algo que indicasse que todas aquelas pessoas inocentes estavam vivas e em segurança, algo que indicasse sua fuga. Nada foi encontrado exceto aqueles três corpos abatidos como frangos, estirados no meio da praça de armas, debaixo da chuva pesada. Dois homens e uma mulher, desconhecidos, refugiados. Suas famílias estavam vivas, na teoria.
- Eu sabia, eu sabia que ele tinha que vir conosco! Eu falei que ele tinha que vir conosco! – era a ladainha de Ray Ann, procurando sinais do namorado pelo lugar, completamente fora de si, não trocara uma palavra com outrem desde que entraram no esconderijo destruído, ignorara qualquer fala dirigida a ela, era como se estivesse sozinha e perdida entre sua mente e o mundo, para sempre.
- Eles foram levados para os estádios, temos que ir atrás deles, eles ainda podem estar vivos! – exclamou Haruno, passando seus dedos brancos pelas marcas dos tiros nas paredes. – talvez eles ainda não tenham sofrido a conversão, as marcas das balas estão quentes e o fogo ainda está alto, aconteceu agora pela manhã enquanto vínhamos para cá, quando começou a chover...
- Haruno tem razão. – Miguel quebrou seu silêncio – está tudo muito recente, ou então o fogo já teria sido apagado pelo vento e pela chuva que caiu de madrugada. Foi no intervalo entre as quatro e as sete da manhã. Vejam, o fogo está apagando agora! – apontou para os montes disformes de madeira e tecido que ardiam no meio da praça de armas ao lado dos corpos.
Algo se contorceu no escuro.
Todas as armas foram sacadas.
Estado de alerta máximo.
- Quem está aí?! – gritou Fernando.
- Pessoal... Eu estou viva... Pessoal... – algo gemeu ali perto. Havia alguém debaixo dos escombros do telhado desabado.
- Rápido! Ajudem aqui! É a Gabrielle! É a Gabi! – Maxine começou a cavar, a jogar telhas contra a parede, retirar tijolos e pedras enormes, puxar madeira para fora dos entulhos, abrindo caminho em busca da amiga, cavoucando como um animal desesperado em busca da sua cria perdida. Miguel e Fernando juntaram-se a ela de imediato, e depois Fábia e Alexis também desceram suas mãos sobre a pilha dos restos do teto da mesma sala onde Haruno havia revelado seu passado como general. Agora encharcada e completamente destruída.
Gabrielle teve sua vida conservada pela escrivaninha da sala, havia se escondido ali embaixo após levar um tiro na perna direita e quebrado um dos braços. Sem forças para lutar, escondeu-se embaixo da escrivaninha quando uma bomba explodiu e derrubou parte da construção usada como a “diretoria” do grupo de refugiados pelos Apocalípticos. E então ali ela ficou, e rezou pela sua vida e pediu piedade pelos seus pecados como jamais havia feito antes. Então duas horas depois, seus ouvidos captaram os sinais de passos e murmúrios em meio à chuva e a crepitação das fogueiras da pilhagem feita por 100 homens e um robô-gorila. Era também o sinal de que Deus havia lhe escutado, seus amigos estavam bem, e voltaram sãos e salvos, sua última esperança renovada, sua caixa de pandora particular aberta.
- Gabi! Gabi! Pra onde eles levaram o pessoal?! Pra onde foram?! – gritava Maxine, segurando o rosto da amiga entre as mãos, afastando os cabelos molhados da testa suja, abraçando e beijando-a como se faz a uma filha que estivera desaparecida durante anos.
- Glicério Marques... Eles vão iniciar a conversão ao meio-dia, e o horário estabelecido... – resmungava a mulher, cuspindo e tossindo, completamente desnorteada. Mal enxergava a amiga diante de si.
- Temos que levá-la a um hospital, ela perdeu muito sangue. – fez Fernando. – temos de engessar o braço dela.
- Levem-na. – disse, voltando-se para Miguel e Fernando. – eu e Haruno vamos até o estádio.
- NÃO! NEM PENSAR! VOCÊS NÃO VÃO LÁ SOZINHAS! – gritou o marido. – ESTÁ MALUCA?
- Maluca por justiça! – grunhiu Max por entre os dentes cerrados, de punho fechado. Seu cérebro fervia de ódio dentro da cabeça. – isso acaba hoje!
- Max, é suicídio! – exclamou Alexis, aproximando-se da cena, deixando Ray de lado por alguns instantes. – eu sei como é, deve haver pelo menos uns 50 homens do lado de fora em vigília, sem contar nos robôs que fazem a ronda! Vocês duas estarão mortas antes de avistarem os muros do estádio!
- Não, não estaremos coisa nenhuma! – Haruno intrometeu-se com um sorriso de orelha a orelha. Os presentes observaram-na confusos, porque tanta felicidade numa hora tão obscura? – você vai nos colocar lá dentro!
- EU?! – gritou a garota, levantando-se apavorada, tremendo dos pés à cabeça – MAS NEM PENSAR!
- Claro que sim, Alexis, você é a única que pode fazer isso por nós! – tornou a exclamar a jovem Haruno, segurando a garota pelos ombros e sacudindo-a – veja bem, eles não sabem que você não está mais hipnotizada! Eles não sabem que você deixou de ser general!
- GENIAL! – gritou Miguel. – JOGADA DE MESTRE! – deu um soco de leve na palma da mão. – Alexis vai levar vocês duas até lá como se fossem prisioneiras capturadas para a conversão, eles sequer vão suspeitar de vocês, são só zumbis e robôs, tudo o que há de humano nos hipnotizados não existe mais, e os robôs foram programados para obedecer aos generais da S.U.J.A.!
- S.U.J.A.?! – Alexis fez uma careta.
- Sapatões Unidas Jamais Arregarão... – gemeu Ray Ann, ali próxima, encostada na parede, ainda atordoada pela realidade cruel. Levantou seus olhos vermelhos para o grupo e pronunciou-se para espanto dos espectadores – eu vou com elas.
- Tem certeza disso Ray?
- Eu vou recuperar o meu amor, nem que tenha de morrer por isso... – deu três passos para frente e puxou sua arma do cinto. – não vou ficar aqui parada chorando, não sou mais esse tipo de garota. Algo mudou em mim hoje e eu não sei o que foi, mas pode ter certeza, assim que eu encontrar a tal da Alberta, vou chutar o traseiro dela como ninguém nunca chutou! – mirou na parede e atirou. O laser fez voar poeira e pequenas lascas de pedra para todos os lados. Sorrisos se estenderam nos rostos, as esperanças se renovando mais uma vez.
- Essa é a vovó que nós conhecemos! – riu Miguel, abraçando a Ray Ann com toda a força. A garota retribuiu o abraço com muita sinceridade. Dos dois netos, o que mais lembrava o seu querido amor era Miguel. Tinham praticamente os mesmos olhos. Era incrível a semelhança, apesar de o temperamento ser muito mais parecido com o dela, fisicamente ele lembrava o avô em tudo.
- Vou trazer o seu avô de lá, meu filho! – fez Ray, graciosa, usando uma voz de velhinha que arrancou gargalhadas de todos, até mesmo da pobre Gabrielle que se retorcia de dor no colo de Fernando. – nem que eu tenha que enfrentar a Alberta cara a cara!
- Elas estão voltando do interior hoje à tarde, também ao meio dia – afirmou Alexis, insegura. Sabia que levaria uma bronca por não ter dito aquilo antes, meio que encolheu os ombros para se proteger dos sorrisos que se desfizeram instantaneamente. Haruno correu até ela.
- Porque não nos disse isso antes?! – exclamou a jovem, nervosa. – teríamos nos preparado para ela!
- Não podem, ninguém está preparado para aquelas três... Na verdade... Aqueles quatro... – seus olhos culpados percorreram rosto a rosto, esperando alguma objeção que a impedisse de continuar a história. – elas três não agem sozinhas, são burras e ambiciosas demais, elas possuem um conselheiro que veio do futuro como vocês...
- Disso nós sabemos – fez Fernando com sua voz grossa de trovão. – é Robert, o capataz de Alberta. Ele roubou o cérebro artificial, pôs na boneca e veio para o passado.
- O problema não é esse. – continuou Alexis, tremendo dos pés à cabeça ao lembrar repentinamente de tudo o que passou até chegar ali – eles sozinhos são fáceis de enfrentar, unidos são razoáveis... Mas dentro do robô, eles são uma ameaça.
- Robô? Do que você está falando? Dos DK’s? – fez Haruno, temendo o pior. Sua memória como general de Alberta não ia tão longe a ponto de resgatar algo tão perigoso e letal quanto ao que Alexis estava se referindo.
- Não, o chefe deles, muito pior que toda a frota junta...
- Desembucha logo, garota! Precisamos agir rápido então! Temos menos de quatro horas para salvar nossas famílias! – gritou Ray Ann, nervosa.
- Mapinguari! Mapinguari! – Alexis iniciou um choro nervoso e copioso. – Este é o nome da arma principal deles, o robô gigante que atacou a escola no dia em que tudo isso começou! Foi ele que atirou os caminhões do exército contra o prédio! Ele é o último recurso deles! É o meio de transporte que eles usam, é nele que eles viajam para o interior, para fazer o controle geral, o Mapinguari não é usado na cidade, só no interior...
- Como nunca vimos ele antes?! – exclamou Fernando – como um robô gigante fica escondido numa cidade de prédios baixos como essa?!
- Isso não importa agora, Fernando – Max virou-se para o marido, séria. – o que importa é que ele é problema, e Alberta e suas amigas virão montadas nele!
- Tanto o Mapinguari quanto os DK’s eram parte de um projeto secreto do governo que ficava escondido na base secreta do Oiapoque, longe dos olhos dos curiosos e em estado de teste... – continuou Alexis. – Quando Alberta invadiu os computadores do exército, tomou controle de toda a frota de macacos-robôs, e dele também. Esse era o plano desde o começo. Ter o Mapinguari sobre controle para poder exercer o poder a pulso de ferro sobre a população do estado e estabelecer a ditadura a partir da força bruta e da violência.
- Está tudo explicado então... – Maxine puxou sua arma do cinto como Ray Ann – não podemos perder tempo então, se não quisermos topar com o rei dos macacos de metal, temos que fazer tudo rápido, vamos! Miguel, Fernando e Fábia vão para o hospital! Haruno, Ray e Alexis vem comigo... Vamos botar pra quebrar!
Os Apocalípticos levantaram seus punhos para o alto e uivaram como uma matilha de lobos pronta para o ataque à manada de bisões.
- Não antes que eu quebre cada um de vocês! – a comemoração foi interrompida bruscamente por uma voz que veio do além. Do outro lado da praça de armas, os encarando como uma assombração debaixo da chuva, havia um vulto de preto fantasmagórico de olhar malicioso e postura felina.
- Quem é esse agora? – perguntou Fernando. Sua intenção era atingir Alexis, que estava tão assustada e confusa quanto eles todos juntos, mas sua pergunta acabou sendo respondida por outra pessoa.
- É o Edvaldo, Edvaldo Lestrange. – fez Ray Ann, apontando a arma na direção do rapaz, que permaneceu lá, na chuva, parado, desarmado e confiante, confiante o bastante para sorrir em direção às armas mortais que o tinham sob mira certeira.



Fim do Apocalipse Dezessete!





Fiquei com pena da Ray Ann ):

King Of Heartless


Estou prestes a fazer uma tatuagem
com o símbolo do rei dos Heartless de Kingdom Hearts,
já consegui convencer a mamãe,
falta agora o dinheiro... PAIÊ, VEM CÁ!

Enquanto isso, na Fábrica de Sonhos...


Então eis que se foi mais uma semana! E essa passou voando! O final de The Big Machine 3 se aproxima com toda a pompa e eu só estou começando a minha carreira de acadêmico na UNIFAP, olha só. Ainda por cima tenho de dar duas olhadas por dia na apostila e estudar para o concurso do Banco do Brasil enquanto leio a coleção dos Diários do Vampiro e escrevo o conto misterioso que começará a ser publicado nas páginas de The Fatcat House na segunda semana de março, e isso porque o último capítulo de The Big Machine 3 nem está escrito ainda! Vou deixar para escrevê-lo no dia de lançá-lo, para parecer mais emocionante ainda!


As crônicas e contos que você lê neste blog são como as novelas das 9 da Rede Globo, enquanto uma ainda está começando outra já está sendo produzida há meses! Tudo é calculado e agendado para que saia nos conformes, assim é o meu trabalho neste blog flopado que ninguém lê :)


Mas tudo bem, eu gosto de escrever e me sentir importante. Às vezes eu imagino como se isto aqui na verdade fosse uma emissora de televisão, e os meus trabalhos fossem seriados e minisséries que vão ao ar periodicamente e em temporadas, é bom sonhar de vez em quando.


E como virou costume de toda a sexta feira, haverá um Apocalipse Surpresa mais tarde, o que não é nenhuma surpresa, e talvez no decorrer da semana que vem (a última semana de The Big Machine), eu publique um especial na quarta feira com a trilha sonora, um resumo das três temporadas e mais um capítulo. É só esperar!


XXXO


Louie Mimieux

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Vingança de Saturno


Esse post vai para aqueles que fazem muitas perguntas a si mesmo sobre os meus mistérios, como por exemplo o meu endereço de e-mail (saturn.revenge@hotmail.com). Todo mundo que me conhece e pede meu e-mail (ou MSN) e fica se perguntando "porque Saturn Revenge"? Se você leu The Big Machine/The Big Machine 3, pode perceber também que este é o codinome da versão alternativa de Christopher Umbrella no futuro alterado por Carmen Parafuso, Saturno Revenge.

A explicação vem de muito antes de eu me interessar por mitologia grega. Eu tinha apenas 6 ou 7 anos e passava 24 horas com os olhos da TV, já que naquela época não tinha internet, minha única diversão eram os canais de desenho na SKY e as revistas da Turma da Mônica. Também nunca fui uma criança muito sadia, de modo que sempre fiquei acordado até tarde desde pequeno, mas naquela idade meu horário máximo eram as uma e meia da manhã. Foi neste exato período que estreou Sailor Moon no Cartoon Network, à meia noite, e eu assistia todos os dias sem falta. Não lembro bem em qual temporada ela apareceu pela primeira vez, mas foi amor à primeira vista, Sailor Saturno com seu cajado representava o tempo e era uma sacerdotisa poderosa capaz de destruir e recriar mundos, apesar de ser a mais nova das Sailors (quer dizer, ela era mais velha que a irritante da Sailor Chibi Moon), e eu me encantei por ela.

Pouco mais tarde descobri que meu signo, capricórnio, era regido pelo planeta Saturno (olha que coincidência!), pai do tempo, o titã Chronos da mitologia grega. Pesquisando um pouco mais, conheci as histórias antigas do povo grego profundamente: Chronos era filho de Urano e Gaia, mas vivia preso no útero da sua mãe junto aos seus outros irmãos porque ela e seu pai viviam em constante ato sexual. Para sair de lá e se livrar daquela prisão eterna, ele castrou o pai e o destronou, tornando-se assim o maior de todos os titãs. Mais tarde ele casou-se com uma das suas irmãs, Réia, com quem frequentemente procriava, mas por medo de que a história de seu pai se repetisse consigo mesmo, ele matava e comia as crianças uma a uma após nascerem. Porém veio Zeus, o caçula, pelo qual a mãe se arriscou enrolando uma pedra em um pano e entregado a seu marido que devorou-a sem perceber a troca. Réia entregou Zeus ao cuidado das ninfas que o criaram e amamentaram até que ele fosse forte o bastante para se vingar de seu pai com a ajuda de Métis, filha do titã Oceano, que ofereceu a Chronos uma poção que o fez vomitar todos os filhos devorados. Estes se tornaram os deuses do Olimpo, e Zeus coroou-se seu rei. Após isso, Chronos foi derrotado e acorrentado para sempre no Tártaro, banido junto aos seus irmãos do reino dos céus.

Os romanos o chamavam de Saturno, e por isso, quando criei o meu endereço de e-mail decidi que seria dedicado à Saturno que até hoje está acorrentado ao Tártaro, esperando a hora da sua vingança! Saturn Revenge, a Vingança de Saturno, ou seja, a minha vingança. Isto é muito mais do que uma simples homenagem, é também uma metáfora, uma métafora de mim, um dia também me libertando das minhas correntes, poderoso o bastante para me vingar, por isso, cuidado comigo!

Tudo o que eu crio ou nomeio tem um significado, não faço nada por acaso, é tudo milimetricamente calculado, por isso preste bem atenção no nome de personagens, histórias e até mesmo no título do blog, que parece bobo e ao acaso, mas não é. Qualquer dia desses eu explico um pouco mais, da próxima vou falar do meu nome artístico, Louie Mimieux.
XXXO

L.M.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Todos os dias...


Eu penso em parar de escrever e largar esse blog de mão, já que ninguém lê essa porra mesmo, nem sei porque me dou ao trabalho de atualizar isso aqui semanalmente sendo que dois ou três gatos pingados dão uma passada de olho nisso aqui, e só de vez em quando.
Quando eu tinha amigos eles costumavam ler isso aqui vez ou outra, agora que eles estão cuidando das suas próprias vidas (coisa que eu deveria estar fazendo), eles nem devem fazer ideia de que isso aqui ainda existe.

As Estatísticas no meu menu mostram que 99% das visitas no contador são do Google Images, gente procurando qualquer coisa, e os outros 0,1% são visitas minhas. Então eu fico tipo "foda-se, porque eu me dou ao trabalho de ficar escrevendo crônicas e minisséries enormes se ninguém lê?" eu nem recebo comentários!

Aí eu paro e penso de novo.

Eu faço isso porque eu gosto.

Mas, enfim, esse sou eu! Sempre fazendo papel de idiota!
XXXO
Louie Mimieux