Bem vindos à minha fábrica de sonhos!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mamãe


Então, dia 18 de Janeiro completei 18 anos com um café da manhã delicioso levado na cama pelas meninas e um churrasco pela parte da tarde preparado com todo carinho pela tia Ana. Foi um dia bem comum aliás, e como não poderia fugir à regra de todos os anos, fui abençoado com a chuva da tarde que sempre cai no mesmo horário em que eu nasci, às 2:40! Contando assim ninguém acredita, mas todo ano chove no meu aniversário, repetindo o feito do dia 18 de Janeiro de 1993 (mamãe conta que caiu um aguaceiro danado naquele dia).

Agora, oficialmente, tenho 18 anos e sou legalmente responsável pelos meus atos, então ninguém mais pode me impedir de fazer a tatuagem e nem colocar o piercing. O lado ruim disso é que agora eu posso ser preso ou processado por qualquer coisa que eu faça, infelizmente. Mas é a vida né, fazer o quê!

Pra falar a verdade, ainda estou relutante em aceitar essa maioridade, sinceramente, ainda não estou preparado pra assumir tanta responsabilidade assim. Acho que tudo passou tão rápido pra mim, a sensação que eu tenho agora é de não ter aproveitado boa parte da minha infância e da adolescência, é aquele momento da vida em que nós paramos pra pensar e, poxa, eu era feliz e nem sabia! Conversei bastante com a mamãe na terça e contei pra ela tudo o que sentia a respeito de fazer 18 anos, e a conclusão a que eu cheguei é que, realmente, vai demorar um pouco pra eu me acostumar a essa ideia. Ela própria me disse que não acredita e também não aceita que tem um filho de 18 anos! Mãe é mãe né, eu vou ser sempre o bebê dela. Mas a verdade é que eu não sou mais um bebê, apesar de eu relutar com essa realidade com todas as minhas forças. Eu me sinto desprendido, solto, como uma folha seca ao vento agora. Até as saudades que eu sentia de casa, dos braços da minha mãe, quando eu viajava e passava tanto tempo fora, não é tão forte quanto a que eu sentia antes.

Uma vez perguntei à mamãe como ela conseguia suportar a ideia de que a vovó estava velha e que poderia morrer um dia, perguntei a ela como ela podia suportar a ideia de viver sem a mãe dela, suportar que um dia vovó teria de partir e ela ficaria ali, sozinha. Porque para mim isso é mais do que um martírio, eu simplesmente não consigo me imaginar sem a minha mãe por perto, segurando a minha mão o tempo todo, não consigo (por isso que eu digo e torno a dizer: não estou pronto pra crescer, não mesmo), pra mim seria a morte de um pedaço de mim, seria o fim, a pior coisa que poderia me acontecer.

Mamãe apenas suspirou e passou a mão nos meus cabelos.

Ela disse que um dia todos nós crescemos. Mas isso não quer dizer que deixemos de gostar das nossas mães ou que a esquecemos, não, muito pelo contrário, elas sempre estarão ali perto, no coração, na memória. A figura materna é muito forte e deixa a alma marcada pra eternidade, mas com o tempo você tem de lidar com os seus próprios problemas, e certas coisas você vai ter de resolver sozinho, e quando você perceber, não vai mais precisar da mão da sua mãe a todo momento, já vai estar acostumado a resolver tudo sozinho. É claro, vão haver situações em que só um abraço de mãe é a solução, como um coração partido por exemplo, mas na maioria das vezes você terá de fazer tudo sozinho. E quando perceber que for capaz de bater as suas próprias asas, vai se acostumar à ideia de tocar a sua própria vida. É a ordem natural das coisas.

E quando chegar a hora da mãe partir, a dor vai ser grande, mas não insuperável, porque agora você já tem uma vida, problemas pra resolver e coisas pra se preocupar como filhos ou negócios. Mas a figura materna, essa jamais será apagada, estará pra sempre na memória.

Pensar assim ainda é um pouco doloroso pra mim, mas com o passar do tempo vou acabar aceitando, como aceitei que nunca serei famoso nem em um milhão de anos. Mas vai acontecer, vai chegar o momento da aceitação.

Depois de tudo o que eu vivi, em síntese, cheguei à conclusão de que a vida é isso mesmo, aceitar, se conformar, porque tudo passa um dia. Pode parecer triste no momento, mas depois de um tempo a dor passa e tudo fica bem. Bom, pelo menos parcialmente bem.

Dia 19 de Janeiro, fui pego de surpresa por uma infecção intestinal fortíssima da qual ainda estou me recuperando, passei o dia inteiro de cama (por isso não postei nada ontem), me retorcendo de dor feito uma toalha viva, vomitei aos borbotões (eca, nojento, não precisava entrar em detalhes!) e passei parte da tarde jogado no chão do banheiro. Acredite se quiser, eu não vomitava desde que tinha oito anos de idade! Foi quando tive a última infecção intestinal forte...

Hoje já consegui comer alguma coisa, tomar um suco, uma sopa, comer umas uvas... Mas ontem, por um instante, pensei que fosse MORRER! Nunca senti tanta dor na minha vida. Fui na farmácia com a tia Ana e voltei com uma penca de remédio pra tomar, quase que me receitaram a farmácia inteira! As horas de dor e agonia que passei são indescrítiveis, acredito que isso pagou todos os meus pecados, viu...

Mas, agora só estou um pouco fraco, com um pouco de dor de cabeça e náuseas, mas o remédio controla um pouco os sintomas. Por ironia do destino, mamãe nem sabe de nada ainda! Olha só, será que eu estou me virando bem sem ela? Não, porque se dependesse de mim mesmo, morreria deitado naquela cama, não tinha forças nem pra respirar direito, se não fosse o pessoal trazer remédio, comida, água, eu já tinha falecido há umas sete horas atrás!

Tudo bem, chega de drama. Agora é respirar fundo e começar a ajeitar as coisas, domingo estou voltando para casa, resolver alguns problemas de documentação e essas coisas. Será que eu passei na UNIFAP? Dia 22 sai o resultado, e aí eu vou ter de escolher entre as acomodações do CEAP ou aquele campus mal-iluminado e abandonado da UNIFAP... É, mas em compensação eu não tenho de pagar nada lá! Mas enfim, isso é assunto pra outro tópico!


xxxo


Louie Mimieux

domingo, 16 de janeiro de 2011

Onde o amor reside (A Receita da Verdadeira Beleza)


"Para ter lábios atraentes, diga palavras doces; para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas; para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos; para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia; para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho; pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas;lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo; a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside!"

Audrey Hepburn

Hey, Pessoal!


É a última vez que eu vou tentar escrever isso aqui. Se o blogger apagar de novo, eu vou ter um ataque de nervos, e não estranhem se eu ficar verde e dobrar de tamanho, ando me sentindo estranho desde que a Regina arrancou um açougue inteiro de dentro do meu dedão do pé esquerdo.

Estou aqui para agradecer de coração a quem está se dando ao trabalho de acompanhar The Big Machine 3 - Apocalipse (ou seja, Rildon). E pedir desculpas por estar soltando os capítulos novos aleatoriamente, completamente fora do cronograma estabelecido, que era lançar dois capítulos por semana. Não tenho explicação pra esse meu "afobamento" nas postagens, é pura e simples pressa, nervosismo, eu acabo ficando ansioso pelo leitor quando escrevo algo e me ponho no lugar dele, imaginando como ele está louco para saber o que vai acontecer em seguida, tendo em vista que os Apocalipses não explicam muita coisa por si só e são curtíssimos.

Estou aqui também para me pronunciar a respeito do "Em breve" que está pintando aqui vez ou outra, tímido entre as postagens, a mão com o olho no meio. Pois bem, é SEGREDO, ultra-sigiloso, vocês só vão saber o que é quando TBM chegar ao fim. Estava pensando seriamente em adiantar alguma coisa pra vocês, mas não vou não, vou deixar vocês morrendo de curiosidade aí. No momento estou trabalhando em muitas coisas ao mesmo tempo e absorvendo tudo o que eu posso sugar dos filmes, livros, séries, quadros, peças e músicas que me rodeiam para escrever As Dellabóboras Volume 4 a que darei início em Fevereiro. Também tem, é claro, o mistério da mão com o olho no centro, estou trabalhando nele desde MARÇO DO ANO PASSADO, acreditem se quiserem, foi uma coisa que ficou esquecida na memória do computador e que eu meio que acabei resgatando, para terminar o que comecei. Era um algo à parte que não iria ser publicado nem no blog e nem num livro, mas acabei mudando de ideia. Esperem pra ver!

Não sei porque, mas me sinto falando com as paredes aqui...

Ora porra, que se dane.
E quem quiser me dar um presente, me dê o crânio de um gado u-u


xxxo


Louie Mimieux

Novo Zodíaco?!


As mudanças no alinhamento da Terra podem ter alterado as datas de muitos signos do zodíaco. É o que defende o astrônomo Parke Kunkle em entrevista à rede NBC. Segundo ele, pode até mesmo haver um novo signo: Ophiuchus.

Ophiuchus, também conhecido como Serpentário, é um signo que já existia em algumas versões do zodíaco. Kunkle diz que conforme a Terra e o Sol se movimentam, os signos mudam. Segundo ele, essa mudança não aconteceu do dia para a noite. Os 12 signos que conhecemos hoje foram definidos há quase 3.000 anos, quando a astrologia começou, e desde então, sua posição em relação ao Sol mudou.

Veja as mudanças no zodíaco de acordo com Kunkle.
Capricórnio: 20/01 a 16/02
Aquário: 16/02 a 11/03
Peixes: 11/03 a 18/04
Áries: 18/04 a 13/05
Touro: 13/05 a 21/06
Gêmeos: 21/06 a 20/07
Câncer: 20/07 a 10/08
Leão: 10/08 a 16/09
Virgem: 16/09 a 30/10
Libra: 30/10 a 23/11
Escorpião: 23/11 a 29/11
Ophiuchus: 29/11 a 17/12
Sagitário: 17/12 a 20/01


COMO ASSIM EU SOU DE SAGITÁRIO AGORA?!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Em breve...


The Big Machine 3 - Apocalipse 5


Macapá é uma cidade pacata, quente e pacata. Alguns bairros são secos e poeirentos, outros são úmidos e bem arborizados, é um mundo à parte cheio de contrastes e possibilidades. Sua gente morena, trabalhadora, está acostumada àquela vila bucólica, sempre parada no meio do caminho entre uma pequena cidade do interior e uma grande metrópole urbanizada, meio a meio, aos poucos os senhores em suas bicicletas surradas acostumam-se à frota infinita de veículos, que sempre adquire mais e mais automóveis com o passar dos dias, das semanas, dos meses. Trânsito, sol forte, buzina, poeira e pessoas. Macapá era feita em base disso, de gente simples tocando vidas simples, rotinas frágeis que podem ser afetadas repentinamente pelo desfile de caminhões verdes enormes, com suas carrocerias cobertas por lonas marrons, carregando homens armados até os dentes. Este tipo de coisa não se vê todo dia na bucólica Macapá. Esse tipo de coisa para o trânsito, os vendedores saem das suas lojas só para espiar a carreata passar. As senhoras de família abrem suas janelas e as Marias e Neides da vida largam suas panelas no fogo para prestigiar. Afinal de contas, aquele tipo de coisa não acontecia todo dia.
- Essa mulher tá falando sério?! – gritou Pietro, levantando-se da cadeira e indo em direção a porta, como praticamente metade da sala de aula. Ele e todo o seu corpanzil foram capazes de expulsar alguns curiosos do vão. Do lado de fora, a escola estava numa correria danada. Os corredores estavam lotados de estudantes que professores tentavam controlar, à toa. O caos havia sido estabelecido pela própria diretora escandalosa, que agora estava sendo arrastada por dois serventes para dentro do banheiro.
- Ei, isto são helicópteros? – Ray tinha um dedo ao pé do ouvido. – é sim! É barulho de helicóptero!
- Cara, isso deve ser algum tipo de brincadeira! – riu Christopher, atento ao som das sirenes que soavam distantes. Ele deu um pulo da cadeira – JÁ SEI ONDE VAMOS OLHAR ESSA PRESEPADA!
Pegou Augusta pelo braço e saiu dando ombradas e cotoveladas por onde quer que passasse, abrindo caminho na multidão. Era alto e encorpado, muito fácil abrir caminho com aquele tamanho todo. Os dois subiram apressados às escadas que levavam à quadra, no último andar, encontraram Miranda e suas amigas lá, juntamente com metade da escola. Jovens apavorados, abraçados, curiosos, especulando a situação, temendo o pior, rezando e pedindo explicações.
- Vocês estão bem? Estão bem? – Miranda abriu os braços e os acolheu num único abraço.
- Estamos sim, e vocês? – Christopher não estava muito interessado na resposta, deu dois tapinhas nas costas de Miranda e partiu para a arquibancada da quadra. Ele era alto o bastante para espiar por entre o vão do término da estrutura do prédio e a cobertura de ferro que protegia a quadra e as salas do último andar da ação do sol e da chuva. Alto o bastante para constatar a verdade. Todo o prédio estava cercado por caminhões enormes e homens uniformizados prontos para atirar. Havia pelo menos dois helicópteros sobrevoando-os naquele momento, o vento estava quase levantando as placas de metal da cobertura.
- A Miranda disse que alguém daqui da escola tentou invadir os computadores do exército! – falou uma assustada Augusta, surgida do nada, estava repentinamente ao lado de Christopher no último degrau da arquibancada, na ponta dos pés, tentando enxergar a movimentação lá embaixo. – isolaram o quarteirão, evacuaram as casas... Tem gente dizendo que é terrorista! Será que a gente vai morrer? – a cara que Augusta fazia quando estava com medo era muito meiga, ela parecia uma bonequinha. Seu rosto redondo era perfeito e o formato de seus olhos, nariz e boca eram muito bem desenhados.
- Ninguém vai morrer, Guta, deve ter sido só um mal entendido... – riu Chris, abraçando a amiga – vai ver o Jeremias, brincando, achou a central do exército! Se lembra que ano passado ele invadiu os computadores da escola para roubar as provas?
- Lembro, lembro sim... – ela não conseguia rir, estava assustada demais. O diretor surgiu nos portões da quadra, de braços abertos, rosto vermelho e suado, parecia mais um leitão do que um homem.
- Crianças, crianças! – gritou. – vamos ter que ficar aqui na quadra por um tempo, tudo bem? Ninguém pode sair nem entrar no prédio, então...
A gritaria começou. Alguns choravam enquanto outros reclamavam e tentavam forçar as grades para sair. O pandemônio era geral. Pietro, Ray e Fábia surgiram logo depois, usando o tamanho de Pietro para abrir caminho no meio da multidão, subiram a arquibancada também.
- Crianças, por favor, se controlem! – pedia o diretor. – vamos ficar bem, entenderam? O pessoal do exército só está fazendo uma checagem nos computadores dos laboratórios de informática, para verificar esse mal entendido. Após isso, todos estarão liberados para ir pra casa!
Nem isso acalmou a multidão de adolescentes enfurecidos. Umas garotas do sexto ano gritavam que havia uma bomba escondida no banheiro enquanto o pessoal do nono ano dizia que o próprio Osama Bin Laden estava escondido no porão da escola, uma loucura! Em cada canto, uma suposição, uma possibilidade, cada um fazendo companhia para sua própria paranóia interior, para sua fantasia de Apocalipse. Era o fim para alguns, e a oportunidade de fazer baderna para outros, cada um encarava a situação de uma forma diferente. Este era o caos primordial, o começo de uma grande revolução.
O prédio tremeu, poeira caiu do teto. A multidão entrou em desespero e em poucos segundos, o peso de 500 estudantes arrebentou os portões da quadra e como uma avalanche de carne, ossos, suor e cabelo, desceram às escadas, rolando, correndo, pulando, escorrendo, usando as outras pessoas para tomar impulso e lançar-se para baixo, para o segundo andar.
- MAS O QUE FOI ISSO? O QUE FOI ISSO?! – gritava Fábia, espichando seu pescoço gorducho para tentar enxergar. Pietro ajudou-a levantando seu corpo para que ela pudesse ver do que se tratava. Do lado de fora, na rua em frente à escola, dois caminhões estavam em chamas, sendo que um havia sido lançado contra o prédio. Os soldados gritavam em meio a uma saraivada de tiros, apontando para alguma coisa que o grupo não conseguiu identificar.
- É um robô gigante. – exclamou Ezequiel, irmão de Fábia, que estivera calado e praticamente inativo, invisível até o presente momento, seguindo o grupo como um fantasma. – um Gundam, como nos animes!
- Não fale besteiras, Ezequiel! – gritou Fábia. Ela era a única que tinha coragem o suficiente para mandar aquele esquisitão calar a boca. Todos os Apocalípticos eram esquisitos, havia um andrógino, uma roqueira, um afro-descendente, uma oriental de seios fartos e uma antissocial, mas ele era o cúmulo da esquisitice.
- AI MEU DEUS! AI MEU DEUS! – gritou Christopher, pulando dois degraus, correndo o risco de cair e se machucar seriamente. – DESÇAM! DESÇAM RÁPIDO! AGORA!
- O que foi?! O que foi?! – gritavam Fábia e Ray Ann, pegas de surpresa, não sabiam se tentavam ver o que acontecia do lado de fora ou desciam.
- AI CARAMBA! – urrou Pietro, metendo as duas debaixo de seus braços enquanto descia os degraus da arquibancada o mais rápido que podia. Foi questão de segundos para que o Apocalipse Club fosse lançado para longe juntamente com a estrutura de ferro numa explosão de poeira e concreto. Outro caminhão havia sido lançado contra o prédio agora. A quadra já estava praticamente vazia quando aconteceu, de modo que aquele grupo de seis jovens inoportunos foi o único vitimado na história.



Minutos antes de o primeiro caminhão ser lançado contra o prédio, numa quadra lotada:
- Tem certeza que isso está certo, Betty? – perguntou uma Velma confusa e assustada.
- É claro meu doce! – respondeu uma voz misteriosa, vinda de dentro da mochila. – o nosso amigo robô vai cuidar desses homens maus e dos seus ex-amigos! Eles vão ter o que merecem! Vão sim!
- Com quem você está falando, Velma?! – perguntou Úrsula. Úrsula era uma garota intragável, tanto em aparência quanto em personalidade; costumava se achar a última bolacha do pacote o tempo inteiro, superior aos outros, suas opiniões eram as únicas que contavam, ela sempre estava certa, o jogo sempre era dela, segura de si em todos os aspectos, era debochada aos extremos. Seu jeito pomposo de falar e sua voz macia, mas firme e dominadora faziam uma combinação ácida que derretia qualquer ideal alheio, ela tinha argumentos e táticas que lhe fariam aderir ao objetivo dela numa conversa curta e grossa. Para completar, aparentemente não se enxergava, era feia feito uma toupeira e gorda feito uma morsa, parecia ter orgulho de mostrar uma barriga quebrada por sobre a calça desfilando pela escola toda com o queixo lá em cima. Isso para não comentar os outros aspectos terríveis daquela garota maligna, por dentro e por fora também.
- Er... Com ninguém, com ninguém! – a pequena Velma meteu a mochila debaixo da blusa, tentando em vão esconder a sua nova amiga.
- Não, me dê isso! – Úrsula usou de seu tamanho e de sua força bruta para imobilizar a pequena e geniosa Velma, de modo que a luta para esconder a boneca companheira fora em vão. Úrsula abriu a mochila com violência. – mas o que é isso, Úrsula?! Falando com uma boneca?! Você está louca?!
Poeira e tremor, e depois correria e caos. O mundo realmente estava acabando, o pessoal do primeiro ano tinha toda a razão... Aquele era o Armageddon, o Apocalipse.
- Meninas! Meninas! Por aqui! – um dos serventes da escola acenava para Úrsula e Velma, que não pensaram duas vezes em cutucar Alberta para formarem uma corrente no meio daquele mar de gente, para que não se separassem de modo algum. Deram as mãos e desceram às escadas apressadas, segurando no corrimão para que a multidão não as arrastasse. Úrsula não sabia de onde conhecia aquele servente, na verdade, nunca o havia visto pelos corredores da escola, mas algo de familiar em seus olhos fez com que ela confiasse nele, e Alberta sentiu o mesmo. As três foram guiadas em segurança para fora do prédio, escoltadas por aquele homem misterioso, correram até a esquina e sem sequer darem conta, adentraram em um veículo misterioso que partiu em fuga desembestada para longe das chamas e das explosões. Algo enorme em movimento fazia o asfalto rachar, mas as jovens não tinham coragem para olhar para trás e constatarem o enorme macaco de metal que disparava torpedos contra os prédios da cidade.
- Quem é você?! – perguntou uma Alberta séria e ameaçadora. Selvagem.
- Eu sou aquele que fará de vocês as futuras rainhas deste lugar! – disse o homem. Úrsula deu um sorriso sugestivo olhando nos olhos daquele homem através do retrovisor do carro. Ela não sabia por que, mas se sentia absurdamente atraída por ele.

Fim do Apocalipse Cinco!


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Em breve...


The Big Machine 3 - Apocalipse 4

Estou super bonzinho hoje, espero que tenham gostado da surpresa!


- Eu estou com uma sensação estranha, Ray... – disse uma chorosa Fábia, estendendo os braços para sua melhor amiga, pedindo um abraço.
- O que você tem Fáh? O que tem de errado? – Ray ficou preocupada. Quando Fábia tinha aquelas sensações, algo de ruim estava prestes a acontecer. – é uma daquelas sensações estranhas?
- Sim... É um peso... Uma coisa ruim...
- Talvez você só esteja sendo afetada de alguma forma por tudo isso o que está acontecendo – Ray deu de ombros e ofereceu uma balinha para amiga.
- Tem razão... Talvez só seja impressão minha mesmo – e sorriu. – eu não gosto de briga, Ray, isso me deixa tão triste! Nós éramos tão amigos! Porque a Velma está fazendo tudo isso? Por quê?
- Eu não sei não... – Ray franziu a testa e puxou um papel da bolsa – já viu a pesquisa que o Chris e o Pietro fizeram? Bate tudo de acordo! Tudo!
- Mas o que é isso? – Fábia pegou a folha com desconfiança e iniciou uma leitura rápida. – nossa! Onde vocês conseguiram isso?!
- Eu sei que não é muito confiável, mas... Wikipédia – e deu um sorriso sem graça.
- “Tendem a culpar as pessoas por seus próprios erros...” nossa, isso é pesado... – um arrepio percorreu a sua espinha. – como é o nome disso?
- Transtorno de Personalidade Limítrofe... – Christopher surgiu, vindo de fora da sala, voltando do intervalo. Apoiou-se numa das carteiras olhando sorrateiramente para o outro lado da sala. – esse negócio de ela ter trocado de lado tão de repente e ter nos visto como vilões terríveis enquanto as pessoas que ela odiava se tornaram mocinhos aos seus olhos só reforça a nossa teoria... O Limítrofe tende a ver as pessoas como totalmente boas ou totalmente ruins... Se você faz algo de mal para ele, você se torna uma pessoa ruim, e se você for mal e fizer uma coisa boa, você se torna bom pra ele de repente... Se lembra que ela falava tão mal da Alberta e da Úrsula e agora só vive no meio delas?
- Tem razão! – Fábia deu um pulo na cadeira e largou a folha como se ela fosse amaldiçoada. – Nossa, Chris! Estamos lidando com alguém perigoso...
- Devemos apenas tomar cuidado... Agora que ela juntou um exército que não para de passar trotes pros telefones da Augusta e da Miranda, sabe mais o que ela não é capaz de fazer...
- Se olhar feio matasse, já estaríamos mortos – riu Pietro, fazendo um gesto com o queixo para o trio parada dura do outro lado da sala de aula. Alberta, Úrsula e Velma repentinamente abriram cadernos, livros e desconversaram. Estavam encarando descaradamente.
- Bando de idiotas... – bufou Augusta. – deixa só eles saberem quem é essa menina...

Base Tecnológica Secreta, Norte do Estado.

- O hacker já desistiu? – perguntou o Coronel, trazendo uma xícara de café para a comandante.
- Não, infelizmente. – ela suspirou. Eles estavam sujos, cansados e com fome, não podiam pregar os olhos nem por um instante, um passo em falso e as portas estariam abertas para o invasor tomar o controle da base de uma vez por todas. – não conseguimos rastreá-lo! Não sabemos de onde os ataques estão vindo! A única saída é reforçar o firewall e ficar atualizando assim...
Um dos oficiais, quase um zumbi, pronunciou-se.
- É como se houvesse uma espécie de campo magnético impedindo o rastreamento, mas sabemos que não está muito longe, nosso sinal volta quando para no terminal de Macapá... – aquele homem parecia muito mais morto do que vivo.
- Sabe o que isso quer dizer? – fez o Coronel, misterioso.
- O que?! – perguntaram os oficiais em uníssono, despertos repentinamente.
- ALIENÍGENAS! – o Coronel ergueu um dos punhos e semicerrou os olhos, vasculhando a sala em busca de alguma reação em concordância. Ninguém se pronunciou, pelo contrário, eles se entreolharam, sérios, e voltaram ao trabalho como se nada tivesse sido dito ali naquela sala.
- ACHAMOS! ACHAMOS! – urrou um oficial. – ACHAMOS A FONTE DOS ATAQUES!
Todos os presentes na sala voltaram suas cabeças para o homem, e uma manada de curiosos e desesperados, loucos pela solução dos ataques, amontoou-se ao redor da mesa do indivíduo.
- BAIRRO CENTRAL DE MACAPÁ! CENTRO DE ENSINO CYCLONE! – urrou o homem. Deu um murro na mesa e girou sua cadeira para o Coronel. Tomou um susto ao ver que o velho o encarava, assim como toda a sala, apreensivos.
- Está me dizendo que alguém está tentando invadir a nossa central de dentro de uma escola particular?! – o Coronel estava bestificado. – estamos sofrendo ataques de amadores?!
- Não são amadores, senhor. – disse a comandante – eles estavam protegidos por um código de linguagem estranha, nosso computador demorou todo esse tempo para decifrá-lo...
Um grito pegou de sobressaltou a todos. Um dos homens levantou-se da cadeira, derrubando-a e apontando para a tela do seu computador, nervoso.
- OLHEM! VEJAM! – os oficiais levantaram-se e correram em direção ao monitor. Na tela, o decimal 44 piscava na cor verde.
- Tarde demais. – gemeu a comandante – fomos invadidos!
Os alarmes soaram e os computadores foram automaticamente desligados pelo sistema de segurança.
- MERDA, MERDA, MERDA! – urrava o Coronel. – estamos perdidos! O que o presidente vai achar disso?!

- Droga... O que aconteceu?! – Augusta ligava e desligava seu telefone, retirava a bateria e punha de novo, em um ciclo vicioso e repetitivo que deixaria a qualquer um agoniado. A esta altura, todo o Apocalipse Club estava de olho naquela situação, acompanhando a frustração da garota.
- O que foi Guta? – Fábia aproximou-se.
- Eu não sei! A Tim saiu do ar... – ela franziu a testa e desligou o aparelho mais uma vez. – eu pensei que fosse problema no aparelho, mas não é...
- A Vivo também... – afirmou Ray Ann, puxando seu telefone do bolso.
Mal nossos heróis, tão adolescentes e tão comuns quanto outros quaisquer sabiam que o mesmo havia acontecido no estado inteiro, e não só com as redes de telefonia. A internet simplesmente saiu do ar, o telefone ficou mudo, as linhas desapareceram, deixando a rede bancária em atividade suspensa, e consequentemente, a rede comercial também, o sistema de débito e crédito foi comprometido na mesma hora. A cidade parou repentinamente.
A diretora do colégio, Odilene, uma senhora gorducha de maquiagem pesada, surgiu à porta da sala gritando, toda descabelada. Os alunos entraram em estado de choque, ficaram completamente sem reação.
- O EXÉRCITO, O EXÉRCITO! – berrava a mulher, sacudindo suas banhas no vão da porta como se o mundo estivesse acabando. E realmente estava. – O EXÉRCITO FECHOU O QUARTEIRÃO! ELES CERCARAM A ESCOLA, MEU DEUS! CERCARAM A ESCOLA!
Fábia agarrou o pescoço de Chris e Ray Ann meteu a cabeça debaixo do casaco gigantesco de Pietro. Augusta atirou a bateria do seu telefone na parede, era a única ali que falava, de modo que toda a atenção da sala de aula estava voltada para ela, revoltada com seu aparelho celular que não mandava mais mensagem alguma, nem com reza braba!
- Porcaria de telefone! – resmungou – o que é que essa mulher tá gritando aí hein?! – fez, voltando os olhos para os seus amigos. Todos como tralhotos de olhos esbugalhados – o que é?! O que foi?!
Odilene caiu à porta. Desmaiada. E o pandemônio começou.


Fim do Apocalipse Quatro!

O 18º Manifesto

Há um momento na vida em que o jogo muda, em que os olhos se abrem e o mundo já não é mais o mesmo, há um momento na vida em que você percebe que o tempo passou tão rápido pra você, e os seus olhos marejam ao lembrar de alguns momentos da infância. Acho que não sou o único que tem essa sensação no mundo inteiro, alguém a mais deve sentir o mesmo, aquela velha sensação de que "eu era feliz e não sabia". E quando você abre os olhos, você cresceu e nunca mais voltará a ser o mesmo, nunca mais, a vida já te torceu, dobrou, te fez de origami e depois de devolveu pra onde você estava antes de tudo começar, agora todo amassado, um pouco rasgado em alguns pontos, mas calmo, conformado, pacífico. A sensação é de estar flutuando no oceano, sendo levado pela maré enquanto todos os tipos de pensamentos te assolam. E que coisa estranha é isso que chamam de "Epifania"... Essa palavra possui algum acento? Não sei, sempre tive medo de usá-la temendo assassinar cruelmente a língua portuguesa, como certa vez fiz em "Stella" colocando viagem com J e não G, fui avisado do meu erro da pior forma possível, e me senti muito envergonhado. Um incidente à parte nessa minha estranha vida.
Mas voltemos a falar dela, a epifania. Parece o nome de alguma vizinha, daquelas que ficam no jiral lavando a louça e descamado o peixe! Realmente, pode até ser, dependendo do modo como você a enxerga. Mas eu a vejo de uma forma diferente, eu a vejo do outro lado do espelho, com o meu rosto emprestado, me falando coisas para as quais fui preparado a um dia ouvir. Coisas que sempre ficaram subentendidas a cada episódio de minha vida, a cada epopeia, a cada passo que dei rumo ao desconhecido, mas que nunca tive coragem de assumir para mim mesmo. É como conversar consigo mesmo num momento tão íntimo que você é capaz de se sentir narrador do seu próprio seriado.
Há um momento na vida em que você acorda e vê que secou, a sua fonte de sonhos secaram. Não que a esperança tenha acabado, não, ela é a última que morre e estará para sempre no fundo da sua caixa de pandora interna, esperando o momento em que você estiver se sentindo nas últimas, esperando a hora certa pra sair e dizer "ei, eu ainda estou aqui, acredite em mim". Não é como se sentir desesperançado, não, é como cair na real, é como enxergar o mundo ao seu redor como ele realmente é, tirar as vendas da infância e acordar para as responsabilidades de uma vida adulta, ou como eu dizia até um ano atrás "alienar-se pela sociedade". Isso é crescer, é se tornar um adulto conformado. No meu caso, um jovem adulto conformado, mas feliz. Para alguns isso demora a acontecer, muitos persistem em enfrentar o seu próprio fardo, tentam mudar a história com a mesma garra e força de vontade que possuíam desde a infância, sem sucesso. Força de vontade, falaremos dela já, já!
Mas é isso que acontece, você vê que há contas para pagar, e que você está crescendo, se tornando um homem adulto, e que está na hora de assumir certas responsabilidades, administrar a casa, a família que até alguns meses atrás te administrava. Agora é com você. Esse é o pensamento, ou pelo menos a linha que leva a ele. Contas a pagar, serviços a realizar, trabalhos para terminar. A faculdade está bem aí, e não vai ser nada fácil, com certeza, nada é fácil na vida de ninguém, muito menos na minha, que por si só já é um tanto novelesca, imagine agora então!
E então, com este turbilhão de pensamentos na minha cabeça eu me pus no meu lugar, finquei meus pés no chão enquanto fazia a barba, que teima em crescer e manchar o meu rosto de roxo e cinza, destruindo o que um dia já foi a face de um querubim. Destruindo toda a beleza da juventude. E eu percebi onde estou, olhei para mim mesmo.
Veja bem, olhe bem para o lugar onde você vive, analise suas condições financeiras e a sua popularidade. Há alguma chance de alguém algum dia publicar algum livro seu? Ou chegar a compensar o seu talento? Elas são praticamente nulas, mas eu me prendi a esse sonho bobo desde que me disseram "você tem um talento", me prendi a esse sonho de ser famoso e ser reconhecido pelo que faço, planejei um futuro me embasando naquilo, mas por sorte acordei antes que fosse tarde demais. Eu vivo no Amapá, moro em Macapá, longe dos grandes pólos culturais do país, longe dos olhos importantes da mídia, dos "caçadores de talento" por assim dizer, nossa conexão com o mundo via-internet é no mínimo PÉSSIMA, às vezes o blogger nem abre, não estamos conectados ao resto do país por terra, estamos praticamente isolados aqui. Quer dizer, eu estou. As pessoas daqui se acostumaram a isso, se conformaram, e é o que está acontecendo comigo nesse exato momento! Meus sonhos não condizem com a minha realidade! Minha realidade é outra! É totalmente diferente do mundo de faz-de-contas que eu havia criado em torno de mim e do meu futuro "brilhante". Quem vai dar atenção pra um escritor amapaense indigente que nem eu? Ninguém. Isso mesmo. Ninguém, e esta é a realidade.
Parece um pouco cruel e um tanto dura, fria, mas eu até que aceitei isso bem, afinal de contas. Talvez por sempre saber inconscientemente de que isso era verdade, mas nunca ter admitido para mim mesmo. É como se eu viesse sendo, ao longo desses três últimos anos, preparado para aceitar isso. Acho que isso faz parte de crescer, de seguir em frente, de tocar a vida a partir da realidade em que se vive. No final das contas, acho que fui destinado a isso, a seguir uma vida simples, sem fama, sem glamour, sem reconhecimento, apenas o anonimato, apenas mais um. Talvez eu tenha nascido para ser como qualquer um, e Deus tenha me colocado nesse mundo, nessa cidade, nessa realidade para aprender a aceitar isso, a aceitar humildemente meu destino despretensioso. Para aprender a ser gente, a ser humano.
Uns nascem para brilhar, enquanto outros brilham só na teoria. Teoria, isso faz parte de ser um capricorniano. Certa vez li em uma comunidade do orkut as verdades sobre os doze signos do zodíaco. Os capricornianos são assim, são muita teoria e pouca prática, não tem força de vontade o suficiente para se realizarem, para fazerem os grandes feitos de que tanto se gabam um dia fazer. São mesquinhos e um tanto antipáticos, por isso nunca vão muito longe, por se acharem melhor do que os outros. É, acho que isso é bem eu mesmo. Não que eu me ache melhor do que os outros, na verdade, um dia cheguei a achar isso, mas faz realmente muito, muito, muito tempo, antes de eu me tocar que faço parte da base da sociedade, marginalizado por ser diferente dos outros, e na visão deles, ser inferior a eles. Eu tenho uma boa noção disso.
Mas isso pouco me importa, o que importa é o que eu tenho aqui dentro, e mais nada. E eu tenho conteúdo, sim senhor! No mais, acho que persistir em sonhos impossíveis é como buscar o amor, só serve para quem tem força de vontade e dinheiro (no caso do amor, a beleza também está incluída nos quesitos, coisa que eu definitivamente não possuo), e são duas coisas que eu não tenho em grande quantidade. E afinal, o que há de errado em terminar uma faculdade dignamente? O que há de mais em conseguir um emprego qualquer e receber um salário razoável para poder pagar uma diarista ou comprar alguns livros de vez em quando? Fazer uma viajem, conhecer lugares diferentes usando as economias de final de ano. Ser um adulto como qualquer outro. Não, não há nada demais nisso, é até bem satisfatório, quantas pessoas no mundo não desejam isso?
E eu aqui sonhando com a fama!
É até cômico o modo como eu via este tipo de futuro há alguns meses atrás, achava deprimente, medíocre, ridículo. Aquele estilo de vida não era pra mim. Mas quando não se tem dinheiro e nem reconhecimento, qualquer estilo de vida para a sobrevivência está de bom tamanho, você vai perceber isso quando crescer.
Mas isso não quer dizer que vou parar de escrever, de criar, de inventar! Não! Mas nem em pesadelos! Nunca! Eu adoro escrever, escrever e criar, desenhar, me faz sentir importante, me faz sentir parte de algo, me faz sentir um deus pequeno, uma entidade menor e mais baixa, mas ainda assim poderosa o suficiente por controlar o destino de personagens fictícios! Escrever me faz sentir especial, me faz sentir parte de algo! Pode-se dizer que continuarei criando por vaidade própria, quiçá. Não sei distinguir. Mas criar é uma terapia para mim, assim como ler e ouvir música. Adoro música, meus ouvidos estão tão apurados agora que eu quase posso tocar e sentir o gosto de algodão doce das batidas da Robyn, ou a acidez dos ruídos eletrônicos da iamamiwhoami, flutuar nas canções da Alison Goldfrapp ou me sentir um rei coroado ouvindo os gritos da Björk (sim, minha vida agora não é só Britney Spears e Lady GaGa, apesar de as duas possuirem lugares especiais no meu coração por fazerem parte da minha história, sendo a última uma verdadeira artista do pop como nenhuma outra). Nossa, como eu mudei! Como eu cresci! Quase sinto orgulho de mim mesmo! Bom, só quase... Ainda falta muito para sentir orgulho próprio, um emprego talvez.
Amanhã estou partindo para Laranjal do Jarí, passar uns dias por lá, arejar de Macapá um pouco como costumo fazer em todas as férias, deixar o escuro do meu quarto para nadar nas águas da cachoeira de Santo Antônio. Talvez eu passe meu aniversário por lá. Faltam menos de 10 dias para os meus 18 anos... 18 ANOS! CARA! UMA VIDA INTEIRA! *O*
Uma vida inteira cheia de história para contar. Sinto quase como se fosse fazer 80. Isso é estranho. Enfim, vou curtir os últimos minutos do segundo tempo da minha adolescência, curtir o ócio e a falta de ocupação, quando voltar de lá, virão a quitação com o exército (MEDO MORTAL), a conta no banco e a passagem das contas a pagar para a minha administração. Será que eu vou conseguir tocar isso pra frente? Será que eu vou conseguir fazer o trabalho da minha mãe com a mesma eficácia? Quem sabe.




XXXO

Louie Mimieux

domingo, 9 de janeiro de 2011

A Princesa e o Robô


De 1983, "A Turma da Mônica - A Princesa e o Robô", é o segundo longa metragem da turminha mais querida desse Brasil, que mais recentemente anda ganhando o mundo afora! Eu possuía o primeiro longa em um VHS antigo que com o tempo se perdeu, mas pelo que eu lembro, vasculhando o baú das minhas memórias, sendo levado pela maré das lembranças até os tempos remotos em que eu me satisfazia simplesmente sentando em frente à velha TV pequena da sala à noite, em casa, na vila de Munguba, após um dia inteiro de brincadeiras com os amiguinhos da rua, o filme era divertidíssimo e me prendia do começo ao fim, eu não pregava o olho nem mesmo por um segundo, eu sabia todas as músicas cantadas pelos personagens e já havia decorado todas as falas da Mônica ao longo da minha infância inteira. Não me lembro exatamente como nem quando eu ganhei aquele VHS, mas ele fez a minha felicidade mais ou menos até os meus oito ou sete anos, quando se perdeu.
Só que eu, é claro, desde pequeno sempre fui chegado numa ficção científica, e adorava a parte final do primeiro longa, que se passava com a tentativa de invasão à terra pelo Lorde Coelhão, que via seus planos irem por água abaixo quando Mônica e Cebolinha entravam na jogada, eu adorava aquela luta final que rolava no espaço, e chorava junto com o Cebolinha quando a Mônica era acertada pelo "raio empacotador" da Nave Mãe. Era emocionante, sério! Não vale rir de mim!
Mas acontece que o segundo filme é que é um "filme" de verdade, sem nenhuma interrupção ou divisão de episódios, a história segue uma ordem cronológica com início, meio e fim, e apesar de eu ter nascido praticamente dez anos após o lançamento do longa, ele marcou a minha infância completamente, e teve um grande impacto no meu desenvolvimento, com certeza.
A história começa no meio do espaço, onde uma estrela recém-descoberta chamada "Pulsar" emite um raio cósmico que por um acaso atinge um dos andróides-coelho do batalhão de guarda do planeta Cenourano, o qual sofre uma estranha mutação, repentinamente ele parece adquirir vontade própria, a expressar emoções, e de primeira fica confuso... Após isso somos levados para a terra, para o quarto do cebolinha, que ainda dormia quando um objeto estranho cai do espaço com um estrondo daqueles, chamando a atenção de toda a turminha. Pra averiguar a situação, os quatro resolvem ir até o local da queda, onde descobrem um pacote de presente que contém, nada mais, nada menos que um coelho robô dentro!
Este logo conta-lhes a sua triste história, de como ele se apaixonou pela princesa Mimi do planeta Cenourano e de como foi capaz de lutar em um torneio para conseguir a mão dela. Porém, o Lorde Coelhão também participou do torneio, inconveniente, interesseiro e trapaceiro, após perder a luta, inventa uma lei do além que afirma que o Robozinho não poderá se casar com a princesa por não possuir um coração! A aventura começa quando a turminha pede ao franjinha que construa uma nave que os leve até a Estrela Pulsar, a fim de encontrar um coração para o Robozinho, e não pára por aí, tem muito mais... (só que eu não me lembro porque faz muitos anos que eu não assisto o filme e o youtube não carregou todo o vídeo #confessay).
Recentemente, o longa ganhou uma saga do mangá "Turma da Mônica Jovem" baseado na sua história, que é completamente genial, eu adorei! Ganhou um brilho extra todo especial e passou a se chamar "O Brilho de Um Pulsar", foi dividido em 3 partes e é todo trabalhado na "Science Fiction", com design futurístico e ação do começo ao fim, particularmente é uma das únicas sagas do mangá que me agradaram, a segunda foi aquela que retratava a Mônica como Alice no País das Maravilhas, que eu achei muito inteligente. Mas o que mais me atraiu na história foi o design do "Robozinho", que agora virou um Robozão, isso sim! Particularmente falando, eu sou muito atraído pelo visual, às vezes mais do que pelo enredo (foi por esse e outros motivos que eu escolhi cursar Design na faculdade!), e a história do mangá não deixa a desejar em ambos! Segue aí abaixo uns prints que eu tirei do design novo do "Robozinho", é de encher os olhos!






sábado, 8 de janeiro de 2011

A Nave Mãe Faz Contato!


Momento Alien ou momento BBB? Nem eu sei explicar!

Estou aqui para perguntar se vocês estão gostando do novo The Big Machine, e estou aqui também para pedir que, se tiverem alguma reclamação, que façam neste post aqui. De acordo com o cronograma montado, serão lançados dois "Apocalipses" por semana, um na quarta e outro na quinta, para deixar o suspense no ar e também para ganhar tempo, estou dando uma acelerada na história, desenvolvendo o Apocalipse 14, estamos perto do final, com mais cinco ou seis capítulos The Big Machine 3 fechará como a série mais longa da história desse blog que apenas engatinha (temos dois anos no ar), com 20 ou 22 capítulos.

Sei que a ação está demorando um pouco para começar, mas lhes peço paciência, vai demorar um pouco ainda, tendo em vista que ficção científica é um pouco difícil de se escrever e deve ser desenvolvida com calma... Digamos também que a minha mente não está no "período fértil", então está sendo um pouco difícil para mim, escrever esse novo The Big Machine. Estou trabalhando duro para que ele se torne uma epopeia como nenhuma outra, quero muito torná-lo o evento do ano deste blog, quero fazer com que a trilogia The Big Machine entre para a história com essa sua parte final, e conto com a paciência e a fidelidade dos meus leitores invisíveis/imaginários/inexistentes.

No mais, gostaria de agradecer a vocês que possuem o dom da paciência para acompanhar este blog, e pra quem conheceu agora, peço que deem uma olhada na barra lateral, os links para as principais histórias estão aí. Vasculhem, revirem, virem isso de cabeça para baixo!

Agora é com vocês


XXXO


Louie Mimieux

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse 3




Estado do Amapá, Base Tecnológica Secreta do Norte, Setembro de 2010.


- Senhor! Senhor! Precisamos de você na sala de controle! Urgentemente!
O Coronel bufou e virou-se para seus três subordinados que o esperavam em continência.
- O que houve agora?! – fez ele, levando a mão à testa. Os soldados descansaram.
- Nossos computadores estão sofrendo tentativas de invasão uma atrás da outra! Não sabemos mais o que fazer! – exclamou um soldado, preocupadíssimo. Aquilo nunca havia acontecido em toda a história da base secreta. O Coronel levou um susto e largou suas malas no chão da pista de pouso. Aquilo era impossível! Correu com seus soldados em direção ao prédio oculto no meio da mata, camuflado pela vegetação propositalmente para que parecesse uma base abandonada. Mal os desavisados sabiam que ali funcionava na verdade um centro de controle tecnológico altamente avançado do exército, que monitorava a entrada e saída de dados pela internet. Aquela era somente uma das quatro bases de supercomputadores existentes no país, que além de vigiar a internet, tinha como principal função controlar o arsenal via-satélite e testar projetos robóticos secretos, armas de última geração. O Brasil era um país de grandes segredos.
- Mas isto é impossível! Impossível! – berrava o Coronel, deixando os controladores do computador mais nervosos ainda. – nossos computadores são invisíveis! Eles têm a sua própria rede de comunicação, estão fora da internet! Como alguém localizou a central da base?! Nossa tecnologia de segurança é muito avançada! É americana!
- Nós não fazemos ideia, Senhor! – fez uma mulher, retirando seus fones enormes da cabeça, era a comandante da sala de controle. – o hacker localizou a central de alguma forma e está tentando invadir o sistema central!
- Isso é incompetência sua! Sua! – berrou o Coronel – se você administrasse essa sala direito nada disso estaria acontecendo! Se eles invadirem a nossa central, estarão em poder de todos os nossos arquivos secretos, nossas experiências e o pior de tudo! Poderão assumir o controle do nosso armamento, dos mísseis, dos tanques, dos caças! E até mesmo de armas muito mais perigosas! Sabe o que “armas muito mais perigosas” quer dizer, Comandante?! Você sabe?!
A mulher retirou seus óculos.


- Mapinguari. – sibilou.


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Neon City, Janeiro de 2067, Apocalipse Hall, reunião de emergência dos Guardiões da ESFERA.


- Acredita mesmo que ele esteve planejando o roubo do cérebro durante todo esse tempo em que ele esteve desaparecido?! – foi a única coisa dita por Tifa naquela noite, ela estava apreensiva demais para tirar seu pirulito azul da boca. Quando estava nervosa, costumava suar muito e ficar vermelha feito um tomate, mas sua avó havia lhe ensinado a controlar isso com a ajuda dos seus tão amados pirulitos.
- É tempo suficiente para armar o plano perfeito e burlar a segurança da galeria, Tifa – disse Maxine, iluminada pela luz azul fantasmagórica do holograma que mostrava a foto atual de Robert, dez anos mais velho, retirada da transmissão ao vivo vista naquela manhã por Fernando. A sala de reuniões nunca esteve tão sombria – vocês acham que ele está tentando reviver de alguma forma a Alberta?
- Seria muita fantasia achar que ele tem a tecnologia suficiente para acordar um cérebro artificial tão complexo quanto aquele... – fez Gabrielle. – mas e se ele tiver?
- Esse é o X da questão... – Miguel resolveu entrar na conversa, ele que estivera escondido nas trevas apenas ouvindo, agora dava palpites naquela situação complicada – a cidade tem mais de um milhão de câmeras espalhadas por aí, e nenhuma delas captou a imagem dele de ontem para hoje, e ele não pode simplesmente ter desaparecido!
- Até as ruínas de Macapá já foram vasculhadas... – disse Tifa, outra vez. – nada foi encontrado...
- A única atividade suspeita que o sistema de segurança captou de ontem para hoje foi uma estranha atividade elétrica do lado de fora da cidade, no deserto, e nada mais do que isso... Apenas o tempo inconstante desse mundo estranho... – Maxine estava cansada e suja, queria muito ir para casa, pegar Kátia nos braços e tomar um bom banho. Da última geração de Apocalípticos, ela e Fernando foram os únicos que tiveram filhos. Tifa e Miguel se casaram recentemente, mas não planejavam crianças tão cedo, e Gabrielle ganhava a vida como apresentadora de televisão e cantora de Jazz. A vida simples que eles levavam escondia a verdadeira função dos cinco amigos de infância: guardar o legado do Apocalipse Club e proteger a ESFERA.
Dos Apocalípticos originais, quase nenhum mais estava vivo, exceto por...
- Ingênuos, muito ingênuos vocês estão... – disse uma voz misteriosa. As pesadas portas da sala secreta foram abertas, arrastadas para o lado de forma espectral, como se por atividade paranormal. Mas não, era pura tecnologia. – Robert levou anos para descobrir uma maneira de reviver a sua senhora, e ora, vejam só, ele encontrou!
O holograma que flutuava no centro da sala escura imediatamente mudou do rosto de Robert para a propaganda animada de uma boneca biônica. DeeDee, a maravilha tecnológica que imita as crianças humanas em todos os aspectos. “COMPRE! ADQUIRA AGORA A SUA AMIGA DE INFÂNCIA! VOCÊ, CRIANÇA SOLITÁRIA QUE PRECISA DE AMIGUINHOS DE VERDADE, EIS AQUI A FIEL DEEDEE! SUA AMIGUINHA PRA TODAS AS HORAS!”.
- Esta boneca, meus jovens – disse a voz, retumbando pelas paredes como um trovão – é o que temos de último no quesito tecnologia... Quem é da minha geração e assistiu Chobits sabe do que eu estou falando! A realidade vista nos animes agora caminha ao nosso lado!
- Eu já assisti Chobits! Vovô assistia comigo de madrugada, quando eu não conseguia dormir! – os olhos de Maxine brilharam feito duas estrelas, marejaram ao lembrar-se do doce velho Umbrella, a pessoa que ela mais amava no mundo todo.
Das sombras uma cadeira de rodas altamente aerodinâmica surgiu planando, carregando uma figura enorme e negra de longas barbas prateadas, usando um quimono branco e macio como as nuvens. Era Pietro Heinrich, o último Apocalíptico original vivo. Já não conseguia falar ou mover-se, sua voz era transmitida com a ajuda dos aparelhos embutidos em seu meio de locomoção que captavam suas ondas cerebrais e transmitiam para a área da casa que ele desejasse, através de alto-falantes.
- Vovô! Você está acordado! – exclamou Gabrielle.
- É claro que estou! Eu estava vendo umas coisas... – gaguejou o velho. Hentai, pensou sua neta, e riu por dentro. – mas o fato é que essa boneca tem o sistema operacional compatível com o cérebro artificial que guardava a memória daquele sapatão miserável! O que Robert fez foi sentar e esperar que os cientistas agissem, a paciência é a chave de todos os mistérios, meus jovens... É só ligar A+B: o cérebro foi roubado justamente quando a boneca foi lançada no mercado. É conectar uns cabos e pronto! Alberta está viva outra vez! Eu realmente suponho que ele tenha usado a tempestade de raios para transferir os dados do cérebro para dentro da boneca... É necessário uma descarga elétrica muito alta para ativá-lo...
- Mas isto é terrível, vovô! Se ela está vivendo através dessa boneca agora, quer dizer que em algum lugar de Neon City ela está tramando a sua vingança! – gemeu Gabrielle. A sala pareceu estremecer de pavor, mas eram apenas seus ocupantes, temendo o pior.
- Não seja tola, Gabrielle! – debochou o velho – ela não tem porque ficar aqui! A segurança da ESFERA é avançada demais para ela! Ela tem outro plano, pode ter certeza!
- E o que espera que façamos?! Não podemos ficar sentados esperando! – Miguel deu levantou-se retesado e deu um murro na parede – não vou viver aquele horror de novo! Quase perdi meu irmão!
- Mas terão de sentar e esperar, seus tolos! – o velho aproximou-se mais do holograma que ainda repetia em um loop constante o marketing da boneca perfeita e seu rosto angelical. Ela lembrava alguém... Mas quem? – não se esqueçam, meus jovens, a paciência é a chave para todos os mistérios!




Fim do Apocalipse Três!

The Big Machine 3 - Apocalipse 2



Neon City, Janeiro de 2067, manhã seguinte ao roubo do cérebro artificial.

- Você viu as manchetes? Estamos em estado de alerta! – disse Fernando, jogando o jornal sobre a mesa, um círculo de vidro azul flutuante. – alguém conseguiu burlar a segurança da galeria 19 bem no dia da visitação... Roubaram o cérebro artificial... – ele sentou-se, deu um beijo na testa da esposa e passou o patê de peito de peru no pão de batata.
- Alguém muito inteligente está por trás disso... – suspirou Maxine, estalando o canto da boca e voltando-se para a grande tela na única parede que separava a cozinha do resto da casa. – não estamos lidando com um crime de última hora. Esta ação foi premeditada, com certeza.
- Alguém de dentro, alguém da equipe da segurança fez parte do esquema... – Fernando mordeu com vontade o seu pão.
- Não, era mais de uma pessoa, com certeza – Maxine trocava de canal na televisão holográfica com um simples abano para o lado da sua mão. O roubo da história estava em todos os canais. – um crime assim não é cometido por só uma pessoa...
- E isso fez a ESFERA mudar seu parâmetro de segurança outra vez! – Fernando revirou os olhos – na hora em que ocorreu o roubo, praticamente 80% da equipe humana da segurança da galeria foi substituída por robôs de imediato, demissão em massa... Mais gente pra trabalhar nos super mercados e na coleta de lixo!
- É o que acontece quando não se dá a devida atenção a algo realmente sério... Não sei o que esse cérebro estava fazendo no museu! Tinha de estar no cofre central da sala de controle da ESFERA! É capaz de a galeria ser fechada...
- Bem capaz...
- MAMÃE! MAMÃE! OLHA O QUE EU DESENHEI! – Kátia surgiu correndo, aos berros, bracinhos para o ar, seu vestidinho branco sujo de tinta. Maxine jamais o poria para lavar.
- Que lindo, minha filha! O que é isso? – ela tomou com delicadeza o desenho das mãos da criança e mostrou-o para o pai. Ambos franziram as testas.
- Eu não sei, mamãe! Eu sonhei com isso! – Kátia era hiperativa, pulava sem parar, o tempo inteiro, o cabelo sempre bagunçado.
O desenho feito à tinta com a ponta dos dedos mostrava claramente um triângulo no centro de um círculo. As três faces do triângulo possuíam traços retilíneos saindo em paralelo, para fora da figura. Maxine ficou séria, e Fernando também. Ambos haviam sonhado com a mesma coisa uma noite antes.
- Espera! Espera! – Fernando levantou-se da cadeira de sobressalto e pausou a transmissão televisiva com um simples gesto de pare, com a palma da mão aberta em direção ao holograma. – olhe Maxine! Você o reconhece?! – ele apontava para um ponto escuro ao fundo da repórter, distante, próximo as vitrines das armaduras robóticas em exibição no museu.
- ROBERT! – exclamou o casal em uníssono. A pequena Kátia iniciou uma série de pulos enquanto gritava aquele nome. Havia aprendido uma nova palavra.
- Aproximar! – a ordem dada ao holograma por Maxine deu um zoom na imagem. Suas suspeitas haviam sido confirmadas. Aqueles cabelos escuros, cacheados, o olhar duro e frio de lutador e as sobrancelhas juntas acusavam a verdadeira identidade daquele rosto envelhecido e cheio de cicatrizes. Tratava-se de ninguém menos que Robert, o capataz desaparecido de Alberta Veronese. Um perigoso foragido da justiça.


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Macapá, Setembro de 2010, quarto da pequena Velma.


- Eles não podem me dar às costas assim, eles nunca vão ser felizes sem mim, nunca! – choramingava o vulto num canto escuro, iluminado pela tela do computador. No visor uma foto, uma única imagem brilhava. Cinco rostos. Cinco amigos. A figura minúscula encolhida tremeu de ódio, seus dentes prenderam um guincho e quase trincaram, os punhos cerraram. – eles vão me pagar, todos eles! Todos eles vão me pagar! Todos eles! – seu dedinho pequeno e frágil apertou a tecla delete no teclado, e uma pasta inteira de fotos foi para a lixeira do computador.
- Velma, Velminha... – disse uma voz sonora. – venha cá, meu anjo, deixe-me te dar um abraço!
- Quem está aí?! – chorou a criança.
- Sou eu, querida... – uma boneca surgiu do escuro. Estranho. Aquela era a boneca que sua mãe havia lhe dado de presente no começo do ano. Porque ela estava falando? Seria a ação de algum fantasma? Velma deu um gritinho e tapou a boca com a mão, seus óculos escorregaram para debaixo da cama e ela não pode ver a figura loira do brinquedo, repentinamente espectral. – que malvados os seus amigos foram, meu anjo, que malvados eles foram com você! Feriram seus sentimentos, agrediram seu coração e sua alminha! Em seu lugar eu estaria com muito ódio também...
- Eu estou com ódio! Muito ódio! Eu quero acabar com todos eles! – ela mordeu o punho com força.
- Não faça isso, não se fira, coração! – exclamou a voz, robótica, como se distante, vinda de um gravador ou de uma transmissão cuja fonte estava a anos-luz de distância. – guarde sua raiva para eles, guarde todo o seu ódio para eles, que preferiram acreditar numa desconhecida a acreditar em você! Que eles conhecem há tanto tempo!
- Sim! Sim! – ela engatinhou até a boneca a abraçou-a, hipnotizada – como eles puderam acreditar na Miranda?! Como?! Foi para ela que eu menti, eu não menti para nenhum deles! Todos sabem que eu amo a Guta e só ela! Só ela! Porque eles se meteram? Por quê?! Eu nunca amei Miranda alguma... – a garota soluçava.
- Faça exatamente o que fizeram contra você, meu bem! Fogo contra fogo! Junte seu exército também! Não fique indefesa, nesse canto escuro! Lute! Lute! Mostre quem você é! Eles não são mais seus amigos agora! São pessoas más! Merecem ser punidas!
- Tem razão... – Velma limpou suas lágrimas e ergueu o queixo. A luz da tela do notebook ainda iluminando seu rosto, causando um reflexo branco fantasmagórico nele. – eles merecem ser punidos!




Fim do Apocalipse Dois!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

The Big Machine 3 - Apocalipse 1



Neon City, Janeiro de 2067, realidade alternativa nº2, dez anos após o Grande Desligamento Mundial, evento este que culminou com a tentativa da agricultora e manipuladora genética de genéricos alimentícios Alberta Veronese de dominar o mundo.


- Eis aqui, diante dos senhores, o único HD existente no mundo inteiro capaz de imitar o cérebro humano! – exclamou o homem, abrindo as cortinas de uma das vitrines do Museu de Tecnologias de Neon City, na galeria subterrânea 19. Uma das primeiras naqueles labirintos infinitos que escondem o núcleo do cérebro mais inteligente do mundo. – estejam cientes de que, em complexidade de sistema de armazenamento de dados, ele só perde para a própria ESFERA, que é a junção final do cérebro humano com o cérebro da máquina!
- Então do que isto se trata, senhor?! – perguntou uma garotinha, filha de um dos cidadãos pacatos e seguidores da lei de Neon City, escolhida como acompanhante pelo seu pai, privilegiado numa promoção que levaria os primeiros doze civis a verem de perto as grandes maravilhas tecnológicas guardadas a sete chaves pelo sistema de segurança mundial.
- Isto aqui, minha jovem – fez, apontando sua bengala prateada para a vidraça – isto aqui é um cérebro computadorizado que imita a complexidade de um cérebro humano! – ele abaixou-se para falar com a pequenina olhando nos olhos, deixando-a mais curiosa, sibilou – dizem as más línguas que o criador desta maravilha ficou louco! Ora vejam só! – e levantou-se outra vez, de braços abertos, arrancando risadinhas nervosas dos 12 sorteados e seus acompanhantes.
- E o que este cérebro contém? Alguma informação sigilosa do governo? – fez uma mulata cheia de ironia por detrás de seu gingado. – algum podre que vocês não querem que os civis saibam?
As risadas foram sinceras agora. Aquilo era pura baboseira, com certeza. O sistema era claro e limpo como água, não havia segredo na gestão da ESFERA, o único sigilo era a verdadeira localização da central, onde Don Hills e seu supercomputador são um só.
- Nada demais, minha jovem, nada demais! – gargalhou o homem. – a memória humana que este cérebro artificial guarda é a memória de Alberta Veronese, e nada mais do que isso!
O público deu um passo para trás. Aquele nome causava arrepios a sua simples menção. Alberta Veronese era sinônimo de condenação, de transgressão, de perigo. A velha cowgirl lésbica havia conseguido o que queria: entrar para história. Não como imperatriz mundial, mas como a primeira grande vilã da Nova Era de paz e harmonia entre homem e máquina.
- Ora, não sejam tolos, meus jovens! – riu o homem, abrindo os braços mais uma vez. Parecia realmente gostar daquele movimento. – sem um corpo, um cérebro é inofensivo, ainda mais um cérebro artificial, congelado no tempo, sem atividade ou impulsos elétricos que o façam raciocinar! A central de tecnologias inovadoras precisava de alguma memória humana para fazer o teste, e a única que tínhamos disponível há dez anos, autorizada pelo conselho, era a de Alberta Veronese...
- Você quer dizer que aí dentro estão todas as lembranças dela? Todo o seu intelecto? – perguntou um gorducho curioso.
- Sim, é claro! – ele ajeitou a cartola e indicou um grande domo de vidro no centro da galeria – agora, seguiremos para a próxima atração: a grande Máquina do Tempo! Quem quer ser o voluntário?!
As crianças foram as primeiras a levantarem suas mãozinhas. Os adultos começaram a rir e a cochichar, os homens puxando seus bigodes pontudos e as mulheres piscando seus cílios coloridos ultra-longos. O século era futurístico, mas as pessoas andavam fantasiadas como na era medieval, agora mais bufantes e mais coloridas com a ajuda do neon e do holograma, dos designes futurísticos e aerodinâmicos, a moda era se exibir. Mas o burburinho foi quebrado de supetão por um apagão repentino que arrancou gritos do público. Neon City nunca apagava, aquilo era um mau sinal. A última vez em que Neon City apagou, uma velha megalomaníaca tentou se tornar imperatriz.
- Acalmem-se, acalmem-se senhores! – pediu o guia, nervoso – aqui nas galerias subterrâneas é comum a oscilação da energia! A superfície consome muita energia solar e...
- Senhor... – o vigia chamou-o, em particular, surpreendendo-o – senhor, alguém desligou a energia direto na sala de controle da galeria.
- Como assim?! Impossível! A segurança naquela área é máxima e...
De repente, outra surpresa, as luzes se acenderam repentinamente, aliviando os ânimos dos visitantes.
- Viram só?! Eu disse que era comum! Eu disse! Isto é corriqueiro...
- PESSOAL, VEJAM SÓ ISSO! – gritou a garotinha curiosa, apontando para a vitrine que protegia o cérebro artificial guardião da memória de Alberta Veronese.
A vidraça havia sido cortada num pequeno círculo profissional, provavelmente com a ajuda de algum aparelho potente, pois o material da vidraça era manipulado em laboratório para ser mais espesso que o mais denso metal. O círculo era pequeno o bastante para que alguém simplesmente esticasse a mão pelo buraco e pegasse o cérebro com facilidade. Mais fácil ainda era roubá-lo sem a presença da eletrosfera e do campo antigravitacional que o protegia. O pânico foi geral.
- FOI ROUBADO! ROUBADO! O CÉREBRO ARTIFICIAL FOI ROUBADO!


Macapá, Setembro de 2010, Centro de Ensino Cyclone, realidade original.

- Tá com raiva de mim agora? – perguntou a garota.
- Eu preciso de um tempo para pensar numas coisas, tudo bem, Velma? – respondeu o rapaz.
A garota largou seu pescoço e deu-lhe as costas, fria como gelo. Sem sequer protestar, reclamar, perguntar o porquê daquilo, perguntar por que o seu melhor amigo estava lhe dando as costas naquele momento. No fundo ela sabia o que fizera, sabia, mas não admitia. Os olhos de Christopher Umbrella acompanharam a jovenzinha minúscula até o que se tornaria futuramente o seu novo grupo de amigos, os esportistas, os populares, os inteligentes da sala de aula que tinham seus nomes sempre expostos no mural a cada final de semestre. Seus olhares eram ameaçadores, reprovadores.
- Não acredito que ela foi capaz disso tudo! Ela parece tão meiga, cara, tão fofa! – Christopher ainda estava aturdido com aquela situação.
- Justamente por isso que ela fez o que fez – grunhiu Augusta. – com aquela carinha dela, quem não acreditaria no que ela diz?!
- As coisas mudam do dia pra noite, não é? – fez Ray Ann, levando um pedaço do bolo de chocolate à base de milharina para dentro de sua boca faminta – ela era tão nossa amiga... – disse, de boca cheia.
- ERA, no passado... Ela não passa de uma mentirosa! – acusou Pietro, de nariz em pé e braços cruzados.
Fábia continuava pulando entre seus amigos do primeiro ano, balançando seus seios fartos pra lá pra cá. Christopher a invejava de certo modo, despreocupada e inatingível, de paz com o mundo e com a vida, neutra. Fábia nunca costumava se meter nessas brigas, mas Chris não, ele tinha um quê de senso de justiça que apitava em situações como aquelas. A hora do intervalo sempre era um banquete para aquelas intrigas escolares: olhares sugestivos sendo trocados, ouvidos atentos para as fofocas, gente louca para ver o circo em chamas. Alguém derramou refrigerante na escada. Tudo estava prestes a mudar. Para sempre.





Fim do Apocalipse Um!

sábado, 1 de janeiro de 2011

The Big Machine 3 - Prólogo dos Apocalipses


O infinito é permeado de possibilidades, de alternativas, de alternâncias e de suposições... E se? Essa pergunta assola a humanidade há muitas e muitas eras, uma pergunta que transcendeu séculos e nos trouxe a possibilidade de pensar, de raciocinar, de escolher. Mas e quando o “E se?” se torna realidade? Nas páginas de livros, nas páginas da internet, na tela da TV, na tela do cinema, as possibilidades se tornam reais, criam vida e dançam ao nosso redor, nos fazendo refletir e chegar ao nosso próprio “E se?”.
Nosso universo não é único, o infinito é permeado de outros universos idênticos ao nosso em alguns aspectos, mas muito diferentes em outros. Ele funciona exatamente como quando se coloca um espelho diante do outro, gerando suas próprias imagens milhares de vezes, sem um fim determinado, a diferença, no caso dos espelhos, é que as imagens são idênticas às originais. Porém com os universos acontece algo de muito especial, cada um deles possui a sua particularidade, a sua característica, a sua possibilidade.
Possibilidade... O que é possível? Quem pode me dizer o que não é possível? O que é permitido pelas leis da lógica, do raciocínio? Há coisas entre o céu e a terra que nenhum de nós pode explicar, e que aqueles que sabem usar o cérebro da melhor forma tentam explicar, mas o que irá acontecer com estes cinco adolescentes daqui pra frente jamais pode ser explicado ou sequer imaginado por qualquer criatura viva em qualquer um dos mundos que permeiam o infinito...
Nossa história se alterna entre vários universos diferentes, mundos tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos, realidades alternativas geradas pelas possibilidades existentes no infinito, sendo o nosso o principal, o universo original, sim, o nosso próprio mundo. Mundo este onde eu e você vivemos e respiramos, onde fazemos a nossa história e existimos como seres físicos, pensantes e atuantes no espaço ao nosso redor.
Este é o mundo onde o Apocalipse Club, o estranho grupo composto por Christopher Umbrella, Augusta Montgomery, Ray Ann, Pietro Heinrich e Fábia Paola, é apenas um inofensivo grupinho de garotos diferentes, um tanto frustrados e bem esquisitos, às vezes tachados de fracassados, fãs de ficção científica e levemente antissociais. Aqui neste mundo eles não lutam contra impérios de máquinas inteligentes ou são tão idosos a ponto de terem netos espertos o bastante para derrotar uma velha companheira de sala de aula que quer dominar o mundo.
Não, aqui eles são apenas eles mesmos, vivendo suas vidas e lutando para passar de ano com suas notas baixíssimas nas matérias de cálculo... Porém o que está prestes a acontecer irá mudar para sempre a concepção de mundo destes cinco jovens, porque a nossa história começa na última realidade por nós visitada... A Grande Revolução está chegando!

Goldfrapp - Strict Machine

Eu sei que vocês estão completamente cansados de me ouvirem falar dessa banda por aqui, ou do quanto essa música é incrível, mas eu não ia descansar enquanto vocês não vissem (e ouvissem) com seus próprios olhos (e ouvidos) a maravilha elétrica de Alison Goldfrapp de perto! Eis aí a abertura de The Big Machine 3 - Apocalipse!


Adeus Ano Novo, Feliz Ano Velho


Então mais um ano se passou, e todo um ciclo de romances, intrigas, revelações, amizades e aventuras se fechou junto com as cortinas do show... Mas só por enquanto, o futuro ainda guarda muitas incertezas, ainda há muita água por correr debaixo da ponte, e muita maré ainda há de passar por baixo da rampa do Santa Inês, onde eu passei minhas primeiras horas do ano, no barco "transatlântico" da família Sabóia, o nosso palácio flutuante. Aos poucos fui me acostumando ao balanço da maresia, e a andar abaixado por causa do teto baixo, e a me espremer pelos menores cantos como o banheiro e a cabine. Tudo é muito pequeno perto de mim nesse mundo, o mundo é pequeno demais pra mim, pensei, de todas as maneiras possíveis. Foi um Reveillón maravilhoso, pena que os fogos nós não pudemos ver por causa da chuva, uma chuva tremenda abateu-se sobre a cidade desde a última hora de 2010 e até agora ainda goteja tímida lá fora, acreditem, ela já foi bem mais expansiva e invasiva. Foi uma noite incrível, maravilhosa, Reveillón melhor só no ano que vem, na praia, com a minha tia Adma e a Mille, primeira virada de ano juntos, vai ser o máximo, com certeza!

Então, 2010 passou, ficou para trás e entrou para a história como o ano em que eu mais obtive realizações na minha simples vida, agradeço a DEUS e aos meus pais por se esforçarem pra fazerem os meus sonhos possíveis, e principalmente por acreditarem em mim, no meu potencial como ser humano. Estou num momento incrível da minha vida e pela primeira vez em anos, em décadas, não tenho do que reclamar. Demorou um pouco, mas consegui tudo o que tanto almejei durante anos (não, eu não publiquei As Dellabóboras, AINDA!), e só tenho a agradecer por isso.

É claro que ainda falta muito, não posso parar, tenho que ir em frente conquistando cada vez mais, desbravando horizontes desconhecidos e mundos distantes, como eu costumo fazer nas histórias deste blog, e pode crer que estou pronto pro que der e vier... Depois do inferno que foi aquele terceiro ano, estou pronto pra tudo!

E então o Ano Novo passou, 2010, o final da primeira década deste século tão novo se foi, e o ciclo recomeça hoje, um ciclo tão velho e tão íntimo meu, Feliz Ano Velho então! Vai começar tudo de novo! E a Dilma está nesse exato momento tomando posse da presidência, quero só ver...

Agora é dar continuidade aos projetos deste blog... Para o começo do ano temos The Big Machine 3 que estará meio que "indo ao ar" às terças e às quintas semanalmente. Atualmente estou escrevendo o 12º capítulo do último Apocalipse do Apocalipse Club, e essa história promete! Vai ser a minissérie mais longa da história de The Fatcat House, cheia de reviravoltas eletrizantes e impossíveis. Por favor, peço que não reparem se a história começar a extrapolar na viagem, porque a intenção de TBM3 - Apocalipse era escrever algo completamente louco e totalmente impossível, peço que se preparem para Ficção Científica da braba! Em alguns momentos vocês irão rir, em outros irão chorar, e em outros irão me xingar, e é disso que eu gosto, de mexer com o emocional dos meus leitores!

Essa noite, o prólogo estará no ar, e espero que vocês gostem, The Big Machine é de longe a série pela qual eu mais me dediquei e a qual eu mais amo, e ela chega ao final com tudo em cima e botando pra quebrar, vai ser uma loucura, pode ter certeza!

Feliz Ano Novo, Pessoal!





Louie Mimieux