
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Mamãe

domingo, 16 de janeiro de 2011
Onde o amor reside (A Receita da Verdadeira Beleza)

Audrey Hepburn
Hey, Pessoal!

Novo Zodíaco?!

Veja as mudanças no zodíaco de acordo com Kunkle.
Aquário: 16/02 a 11/03
Peixes: 11/03 a 18/04
Áries: 18/04 a 13/05
Touro: 13/05 a 21/06
Gêmeos: 21/06 a 20/07
Câncer: 20/07 a 10/08
Leão: 10/08 a 16/09
Virgem: 16/09 a 30/10
Libra: 30/10 a 23/11
Escorpião: 23/11 a 29/11
Ophiuchus: 29/11 a 17/12
Sagitário: 17/12 a 20/01
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
The Big Machine 3 - Apocalipse 5

- Essa mulher tá falando sério?! – gritou Pietro, levantando-se da cadeira e indo em direção a porta, como praticamente metade da sala de aula. Ele e todo o seu corpanzil foram capazes de expulsar alguns curiosos do vão. Do lado de fora, a escola estava numa correria danada. Os corredores estavam lotados de estudantes que professores tentavam controlar, à toa. O caos havia sido estabelecido pela própria diretora escandalosa, que agora estava sendo arrastada por dois serventes para dentro do banheiro.
- Ei, isto são helicópteros? – Ray tinha um dedo ao pé do ouvido. – é sim! É barulho de helicóptero!
- Cara, isso deve ser algum tipo de brincadeira! – riu Christopher, atento ao som das sirenes que soavam distantes. Ele deu um pulo da cadeira – JÁ SEI ONDE VAMOS OLHAR ESSA PRESEPADA!
Pegou Augusta pelo braço e saiu dando ombradas e cotoveladas por onde quer que passasse, abrindo caminho na multidão. Era alto e encorpado, muito fácil abrir caminho com aquele tamanho todo. Os dois subiram apressados às escadas que levavam à quadra, no último andar, encontraram Miranda e suas amigas lá, juntamente com metade da escola. Jovens apavorados, abraçados, curiosos, especulando a situação, temendo o pior, rezando e pedindo explicações.
- Vocês estão bem? Estão bem? – Miranda abriu os braços e os acolheu num único abraço.
- Estamos sim, e vocês? – Christopher não estava muito interessado na resposta, deu dois tapinhas nas costas de Miranda e partiu para a arquibancada da quadra. Ele era alto o bastante para espiar por entre o vão do término da estrutura do prédio e a cobertura de ferro que protegia a quadra e as salas do último andar da ação do sol e da chuva. Alto o bastante para constatar a verdade. Todo o prédio estava cercado por caminhões enormes e homens uniformizados prontos para atirar. Havia pelo menos dois helicópteros sobrevoando-os naquele momento, o vento estava quase levantando as placas de metal da cobertura.
- A Miranda disse que alguém daqui da escola tentou invadir os computadores do exército! – falou uma assustada Augusta, surgida do nada, estava repentinamente ao lado de Christopher no último degrau da arquibancada, na ponta dos pés, tentando enxergar a movimentação lá embaixo. – isolaram o quarteirão, evacuaram as casas... Tem gente dizendo que é terrorista! Será que a gente vai morrer? – a cara que Augusta fazia quando estava com medo era muito meiga, ela parecia uma bonequinha. Seu rosto redondo era perfeito e o formato de seus olhos, nariz e boca eram muito bem desenhados.
- Ninguém vai morrer, Guta, deve ter sido só um mal entendido... – riu Chris, abraçando a amiga – vai ver o Jeremias, brincando, achou a central do exército! Se lembra que ano passado ele invadiu os computadores da escola para roubar as provas?
- Lembro, lembro sim... – ela não conseguia rir, estava assustada demais. O diretor surgiu nos portões da quadra, de braços abertos, rosto vermelho e suado, parecia mais um leitão do que um homem.
- Crianças, crianças! – gritou. – vamos ter que ficar aqui na quadra por um tempo, tudo bem? Ninguém pode sair nem entrar no prédio, então...
A gritaria começou. Alguns choravam enquanto outros reclamavam e tentavam forçar as grades para sair. O pandemônio era geral. Pietro, Ray e Fábia surgiram logo depois, usando o tamanho de Pietro para abrir caminho no meio da multidão, subiram a arquibancada também.
- Crianças, por favor, se controlem! – pedia o diretor. – vamos ficar bem, entenderam? O pessoal do exército só está fazendo uma checagem nos computadores dos laboratórios de informática, para verificar esse mal entendido. Após isso, todos estarão liberados para ir pra casa!
Nem isso acalmou a multidão de adolescentes enfurecidos. Umas garotas do sexto ano gritavam que havia uma bomba escondida no banheiro enquanto o pessoal do nono ano dizia que o próprio Osama Bin Laden estava escondido no porão da escola, uma loucura! Em cada canto, uma suposição, uma possibilidade, cada um fazendo companhia para sua própria paranóia interior, para sua fantasia de Apocalipse. Era o fim para alguns, e a oportunidade de fazer baderna para outros, cada um encarava a situação de uma forma diferente. Este era o caos primordial, o começo de uma grande revolução.
O prédio tremeu, poeira caiu do teto. A multidão entrou em desespero e em poucos segundos, o peso de 500 estudantes arrebentou os portões da quadra e como uma avalanche de carne, ossos, suor e cabelo, desceram às escadas, rolando, correndo, pulando, escorrendo, usando as outras pessoas para tomar impulso e lançar-se para baixo, para o segundo andar.
- MAS O QUE FOI ISSO? O QUE FOI ISSO?! – gritava Fábia, espichando seu pescoço gorducho para tentar enxergar. Pietro ajudou-a levantando seu corpo para que ela pudesse ver do que se tratava. Do lado de fora, na rua em frente à escola, dois caminhões estavam em chamas, sendo que um havia sido lançado contra o prédio. Os soldados gritavam em meio a uma saraivada de tiros, apontando para alguma coisa que o grupo não conseguiu identificar.
- É um robô gigante. – exclamou Ezequiel, irmão de Fábia, que estivera calado e praticamente inativo, invisível até o presente momento, seguindo o grupo como um fantasma. – um Gundam, como nos animes!
- Não fale besteiras, Ezequiel! – gritou Fábia. Ela era a única que tinha coragem o suficiente para mandar aquele esquisitão calar a boca. Todos os Apocalípticos eram esquisitos, havia um andrógino, uma roqueira, um afro-descendente, uma oriental de seios fartos e uma antissocial, mas ele era o cúmulo da esquisitice.
- AI MEU DEUS! AI MEU DEUS! – gritou Christopher, pulando dois degraus, correndo o risco de cair e se machucar seriamente. – DESÇAM! DESÇAM RÁPIDO! AGORA!
- O que foi?! O que foi?! – gritavam Fábia e Ray Ann, pegas de surpresa, não sabiam se tentavam ver o que acontecia do lado de fora ou desciam.
- AI CARAMBA! – urrou Pietro, metendo as duas debaixo de seus braços enquanto descia os degraus da arquibancada o mais rápido que podia. Foi questão de segundos para que o Apocalipse Club fosse lançado para longe juntamente com a estrutura de ferro numa explosão de poeira e concreto. Outro caminhão havia sido lançado contra o prédio agora. A quadra já estava praticamente vazia quando aconteceu, de modo que aquele grupo de seis jovens inoportunos foi o único vitimado na história.
Minutos antes de o primeiro caminhão ser lançado contra o prédio, numa quadra lotada:
- Tem certeza que isso está certo, Betty? – perguntou uma Velma confusa e assustada.
- É claro meu doce! – respondeu uma voz misteriosa, vinda de dentro da mochila. – o nosso amigo robô vai cuidar desses homens maus e dos seus ex-amigos! Eles vão ter o que merecem! Vão sim!
- Com quem você está falando, Velma?! – perguntou Úrsula. Úrsula era uma garota intragável, tanto em aparência quanto em personalidade; costumava se achar a última bolacha do pacote o tempo inteiro, superior aos outros, suas opiniões eram as únicas que contavam, ela sempre estava certa, o jogo sempre era dela, segura de si em todos os aspectos, era debochada aos extremos. Seu jeito pomposo de falar e sua voz macia, mas firme e dominadora faziam uma combinação ácida que derretia qualquer ideal alheio, ela tinha argumentos e táticas que lhe fariam aderir ao objetivo dela numa conversa curta e grossa. Para completar, aparentemente não se enxergava, era feia feito uma toupeira e gorda feito uma morsa, parecia ter orgulho de mostrar uma barriga quebrada por sobre a calça desfilando pela escola toda com o queixo lá em cima. Isso para não comentar os outros aspectos terríveis daquela garota maligna, por dentro e por fora também.
- Er... Com ninguém, com ninguém! – a pequena Velma meteu a mochila debaixo da blusa, tentando em vão esconder a sua nova amiga.
- Não, me dê isso! – Úrsula usou de seu tamanho e de sua força bruta para imobilizar a pequena e geniosa Velma, de modo que a luta para esconder a boneca companheira fora em vão. Úrsula abriu a mochila com violência. – mas o que é isso, Úrsula?! Falando com uma boneca?! Você está louca?!
Poeira e tremor, e depois correria e caos. O mundo realmente estava acabando, o pessoal do primeiro ano tinha toda a razão... Aquele era o Armageddon, o Apocalipse.
- Meninas! Meninas! Por aqui! – um dos serventes da escola acenava para Úrsula e Velma, que não pensaram duas vezes em cutucar Alberta para formarem uma corrente no meio daquele mar de gente, para que não se separassem de modo algum. Deram as mãos e desceram às escadas apressadas, segurando no corrimão para que a multidão não as arrastasse. Úrsula não sabia de onde conhecia aquele servente, na verdade, nunca o havia visto pelos corredores da escola, mas algo de familiar em seus olhos fez com que ela confiasse nele, e Alberta sentiu o mesmo. As três foram guiadas em segurança para fora do prédio, escoltadas por aquele homem misterioso, correram até a esquina e sem sequer darem conta, adentraram em um veículo misterioso que partiu em fuga desembestada para longe das chamas e das explosões. Algo enorme em movimento fazia o asfalto rachar, mas as jovens não tinham coragem para olhar para trás e constatarem o enorme macaco de metal que disparava torpedos contra os prédios da cidade.
- Quem é você?! – perguntou uma Alberta séria e ameaçadora. Selvagem.
- Eu sou aquele que fará de vocês as futuras rainhas deste lugar! – disse o homem. Úrsula deu um sorriso sugestivo olhando nos olhos daquele homem através do retrovisor do carro. Ela não sabia por que, mas se sentia absurdamente atraída por ele.

Fim do Apocalipse Cinco!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
The Big Machine 3 - Apocalipse 4

- Eu estou com uma sensação estranha, Ray... – disse uma chorosa Fábia, estendendo os braços para sua melhor amiga, pedindo um abraço.
- O que você tem Fáh? O que tem de errado? – Ray ficou preocupada. Quando Fábia tinha aquelas sensações, algo de ruim estava prestes a acontecer. – é uma daquelas sensações estranhas?
- Sim... É um peso... Uma coisa ruim...
- Talvez você só esteja sendo afetada de alguma forma por tudo isso o que está acontecendo – Ray deu de ombros e ofereceu uma balinha para amiga.
- Tem razão... Talvez só seja impressão minha mesmo – e sorriu. – eu não gosto de briga, Ray, isso me deixa tão triste! Nós éramos tão amigos! Porque a Velma está fazendo tudo isso? Por quê?
- Eu não sei não... – Ray franziu a testa e puxou um papel da bolsa – já viu a pesquisa que o Chris e o Pietro fizeram? Bate tudo de acordo! Tudo!
- Mas o que é isso? – Fábia pegou a folha com desconfiança e iniciou uma leitura rápida. – nossa! Onde vocês conseguiram isso?!
- Eu sei que não é muito confiável, mas... Wikipédia – e deu um sorriso sem graça.
- “Tendem a culpar as pessoas por seus próprios erros...” nossa, isso é pesado... – um arrepio percorreu a sua espinha. – como é o nome disso?
- Transtorno de Personalidade Limítrofe... – Christopher surgiu, vindo de fora da sala, voltando do intervalo. Apoiou-se numa das carteiras olhando sorrateiramente para o outro lado da sala. – esse negócio de ela ter trocado de lado tão de repente e ter nos visto como vilões terríveis enquanto as pessoas que ela odiava se tornaram mocinhos aos seus olhos só reforça a nossa teoria... O Limítrofe tende a ver as pessoas como totalmente boas ou totalmente ruins... Se você faz algo de mal para ele, você se torna uma pessoa ruim, e se você for mal e fizer uma coisa boa, você se torna bom pra ele de repente... Se lembra que ela falava tão mal da Alberta e da Úrsula e agora só vive no meio delas?
- Tem razão! – Fábia deu um pulo na cadeira e largou a folha como se ela fosse amaldiçoada. – Nossa, Chris! Estamos lidando com alguém perigoso...
- Devemos apenas tomar cuidado... Agora que ela juntou um exército que não para de passar trotes pros telefones da Augusta e da Miranda, sabe mais o que ela não é capaz de fazer...
- Se olhar feio matasse, já estaríamos mortos – riu Pietro, fazendo um gesto com o queixo para o trio parada dura do outro lado da sala de aula. Alberta, Úrsula e Velma repentinamente abriram cadernos, livros e desconversaram. Estavam encarando descaradamente.
- Bando de idiotas... – bufou Augusta. – deixa só eles saberem quem é essa menina...
Base Tecnológica Secreta, Norte do Estado.
- O hacker já desistiu? – perguntou o Coronel, trazendo uma xícara de café para a comandante.
- Não, infelizmente. – ela suspirou. Eles estavam sujos, cansados e com fome, não podiam pregar os olhos nem por um instante, um passo em falso e as portas estariam abertas para o invasor tomar o controle da base de uma vez por todas. – não conseguimos rastreá-lo! Não sabemos de onde os ataques estão vindo! A única saída é reforçar o firewall e ficar atualizando assim...
Um dos oficiais, quase um zumbi, pronunciou-se.
- É como se houvesse uma espécie de campo magnético impedindo o rastreamento, mas sabemos que não está muito longe, nosso sinal volta quando para no terminal de Macapá... – aquele homem parecia muito mais morto do que vivo.
- Sabe o que isso quer dizer? – fez o Coronel, misterioso.
- O que?! – perguntaram os oficiais em uníssono, despertos repentinamente.
- ALIENÍGENAS! – o Coronel ergueu um dos punhos e semicerrou os olhos, vasculhando a sala em busca de alguma reação em concordância. Ninguém se pronunciou, pelo contrário, eles se entreolharam, sérios, e voltaram ao trabalho como se nada tivesse sido dito ali naquela sala.
- ACHAMOS! ACHAMOS! – urrou um oficial. – ACHAMOS A FONTE DOS ATAQUES!
Todos os presentes na sala voltaram suas cabeças para o homem, e uma manada de curiosos e desesperados, loucos pela solução dos ataques, amontoou-se ao redor da mesa do indivíduo.
- BAIRRO CENTRAL DE MACAPÁ! CENTRO DE ENSINO CYCLONE! – urrou o homem. Deu um murro na mesa e girou sua cadeira para o Coronel. Tomou um susto ao ver que o velho o encarava, assim como toda a sala, apreensivos.
- Está me dizendo que alguém está tentando invadir a nossa central de dentro de uma escola particular?! – o Coronel estava bestificado. – estamos sofrendo ataques de amadores?!
- Não são amadores, senhor. – disse a comandante – eles estavam protegidos por um código de linguagem estranha, nosso computador demorou todo esse tempo para decifrá-lo...
Um grito pegou de sobressaltou a todos. Um dos homens levantou-se da cadeira, derrubando-a e apontando para a tela do seu computador, nervoso.
- OLHEM! VEJAM! – os oficiais levantaram-se e correram em direção ao monitor. Na tela, o decimal 44 piscava na cor verde.
- Tarde demais. – gemeu a comandante – fomos invadidos!
Os alarmes soaram e os computadores foram automaticamente desligados pelo sistema de segurança.
- MERDA, MERDA, MERDA! – urrava o Coronel. – estamos perdidos! O que o presidente vai achar disso?!
- Droga... O que aconteceu?! – Augusta ligava e desligava seu telefone, retirava a bateria e punha de novo, em um ciclo vicioso e repetitivo que deixaria a qualquer um agoniado. A esta altura, todo o Apocalipse Club estava de olho naquela situação, acompanhando a frustração da garota.
- O que foi Guta? – Fábia aproximou-se.
- Eu não sei! A Tim saiu do ar... – ela franziu a testa e desligou o aparelho mais uma vez. – eu pensei que fosse problema no aparelho, mas não é...
- A Vivo também... – afirmou Ray Ann, puxando seu telefone do bolso.
Mal nossos heróis, tão adolescentes e tão comuns quanto outros quaisquer sabiam que o mesmo havia acontecido no estado inteiro, e não só com as redes de telefonia. A internet simplesmente saiu do ar, o telefone ficou mudo, as linhas desapareceram, deixando a rede bancária em atividade suspensa, e consequentemente, a rede comercial também, o sistema de débito e crédito foi comprometido na mesma hora. A cidade parou repentinamente.
A diretora do colégio, Odilene, uma senhora gorducha de maquiagem pesada, surgiu à porta da sala gritando, toda descabelada. Os alunos entraram em estado de choque, ficaram completamente sem reação.
- O EXÉRCITO, O EXÉRCITO! – berrava a mulher, sacudindo suas banhas no vão da porta como se o mundo estivesse acabando. E realmente estava. – O EXÉRCITO FECHOU O QUARTEIRÃO! ELES CERCARAM A ESCOLA, MEU DEUS! CERCARAM A ESCOLA!
Fábia agarrou o pescoço de Chris e Ray Ann meteu a cabeça debaixo do casaco gigantesco de Pietro. Augusta atirou a bateria do seu telefone na parede, era a única ali que falava, de modo que toda a atenção da sala de aula estava voltada para ela, revoltada com seu aparelho celular que não mandava mais mensagem alguma, nem com reza braba!
- Porcaria de telefone! – resmungou – o que é que essa mulher tá gritando aí hein?! – fez, voltando os olhos para os seus amigos. Todos como tralhotos de olhos esbugalhados – o que é?! O que foi?!
Odilene caiu à porta. Desmaiada. E o pandemônio começou.
O 18º Manifesto
Há um momento na vida em que o jogo muda, em que os olhos se abrem e o mundo já não é mais o mesmo, há um momento na vida em que você percebe que o tempo passou tão rápido pra você, e os seus olhos marejam ao lembrar de alguns momentos da infância. Acho que não sou o único que tem essa sensação no mundo inteiro, alguém a mais deve sentir o mesmo, aquela velha sensação de que "eu era feliz e não sabia". E quando você abre os olhos, você cresceu e nunca mais voltará a ser o mesmo, nunca mais, a vida já te torceu, dobrou, te fez de origami e depois de devolveu pra onde você estava antes de tudo começar, agora todo amassado, um pouco rasgado em alguns pontos, mas calmo, conformado, pacífico. A sensação é de estar flutuando no oceano, sendo levado pela maré enquanto todos os tipos de pensamentos te assolam. E que coisa estranha é isso que chamam de "Epifania"... Essa palavra possui algum acento? Não sei, sempre tive medo de usá-la temendo assassinar cruelmente a língua portuguesa, como certa vez fiz em "Stella" colocando viagem com J e não G, fui avisado do meu erro da pior forma possível, e me senti muito envergonhado. Um incidente à parte nessa minha estranha vida.
Há um momento na vida em que você acorda e vê que secou, a sua fonte de sonhos secaram. Não que a esperança tenha acabado, não, ela é a última que morre e estará para sempre no fundo da sua caixa de pandora interna, esperando o momento em que você estiver se sentindo nas últimas, esperando a hora certa pra sair e dizer "ei, eu ainda estou aqui, acredite em mim". Não é como se sentir desesperançado, não, é como cair na real, é como enxergar o mundo ao seu redor como ele realmente é, tirar as vendas da infância e acordar para as responsabilidades de uma vida adulta, ou como eu dizia até um ano atrás "alienar-se pela sociedade". Isso é crescer, é se tornar um adulto conformado. No meu caso, um jovem adulto conformado, mas feliz. Para alguns isso demora a acontecer, muitos persistem em enfrentar o seu próprio fardo, tentam mudar a história com a mesma garra e força de vontade que possuíam desde a infância, sem sucesso. Força de vontade, falaremos dela já, já!
Veja bem, olhe bem para o lugar onde você vive, analise suas condições financeiras e a sua popularidade. Há alguma chance de alguém algum dia publicar algum livro seu? Ou chegar a compensar o seu talento? Elas são praticamente nulas, mas eu me prendi a esse sonho bobo desde que me disseram "você tem um talento", me prendi a esse sonho de ser famoso e ser reconhecido pelo que faço, planejei um futuro me embasando naquilo, mas por sorte acordei antes que fosse tarde demais. Eu vivo no Amapá, moro em Macapá, longe dos grandes pólos culturais do país, longe dos olhos importantes da mídia, dos "caçadores de talento" por assim dizer, nossa conexão com o mundo via-internet é no mínimo PÉSSIMA, às vezes o blogger nem abre, não estamos conectados ao resto do país por terra, estamos praticamente isolados aqui. Quer dizer, eu estou. As pessoas daqui se acostumaram a isso, se conformaram, e é o que está acontecendo comigo nesse exato momento! Meus sonhos não condizem com a minha realidade! Minha realidade é outra! É totalmente diferente do mundo de faz-de-contas que eu havia criado em torno de mim e do meu futuro "brilhante". Quem vai dar atenção pra um escritor amapaense indigente que nem eu? Ninguém. Isso mesmo. Ninguém, e esta é a realidade.Uns nascem para brilhar, enquanto outros brilham só na teoria. Teoria, isso faz parte de ser um capricorniano. Certa vez li em uma comunidade do orkut as verdades sobre os doze signos do zodíaco. Os capricornianos são assim, são muita teoria e pouca prática, não tem força de vontade o suficiente para se realizarem, para fazerem os grandes feitos de que tanto se gabam um dia fazer. São mesquinhos e um tanto antipáticos, por isso nunca vão muito longe, por se acharem melhor do que os outros. É, acho que isso é bem eu mesmo. Não que eu me ache melhor do que os outros, na verdade, um dia cheguei a achar isso, mas faz realmente muito, muito, muito tempo, antes de eu me tocar que faço parte da base da sociedade, marginalizado por ser diferente dos outros, e na visão deles, ser inferior a eles. Eu tenho uma boa noção disso.
Mas isso pouco me importa, o que importa é o que eu tenho aqui dentro, e mais nada. E eu tenho conteúdo, sim senhor! No mais, acho que persistir em sonhos impossíveis é como buscar o amor, só serve para quem tem força de vontade e dinheiro (no caso do amor, a beleza também está incluída nos quesitos, coisa que eu definitivamente não possuo), e são duas coisas que eu não tenho em grande quantidade. E afinal, o que há de errado em terminar uma faculdade dignamente? O que há de mais em conseguir um emprego qualquer e receber um salário razoável para poder pagar uma diarista ou comprar alguns livros de vez em quando? Fazer uma viajem, conhecer lugares diferentes usando as economias de final de ano. Ser um adulto como qualquer outro. Não, não há nada demais nisso, é até bem satisfatório, quantas pessoas no mundo não desejam isso? E eu aqui sonhando com a fama!
É até cômico o modo como eu via este tipo de futuro há alguns meses atrás, achava deprimente, medíocre, ridículo. Aquele estilo de vida não era pra mim. Mas quando não se tem dinheiro e nem reconhecimento, qualquer estilo de vida para a sobrevivência está de bom tamanho, você vai perceber isso quando crescer.
Uma vida inteira cheia de história para contar. Sinto quase como se fosse fazer 80. Isso é estranho. Enfim, vou curtir os últimos minutos do segundo tempo da minha adolescência, curtir o ócio e a falta de ocupação, quando voltar de lá, virão a quitação com o exército (MEDO MORTAL), a conta no banco e a passagem das contas a pagar para a minha administração. Será que eu vou conseguir tocar isso pra frente? Será que eu vou conseguir fazer o trabalho da minha mãe com a mesma eficácia? Quem sabe.XXXO
Louie Mimieux
domingo, 9 de janeiro de 2011
A Princesa e o Robô

Só que eu, é claro, desde pequeno sempre fui chegado numa ficção científica, e adorava a parte final do primeiro longa, que se passava com a tentativa de invasão à terra pelo Lorde Coelhão, que via seus planos irem por água abaixo quando Mônica e Cebolinha entravam na jogada, eu adorava aquela luta final que rolava no espaço, e chorava junto com o Cebolinha quando a Mônica era acertada pelo "raio empacotador" da Nave Mãe. Era emocionante, sério! Não vale rir de mim!
A história começa no meio do espaço, onde uma estrela recém-descoberta chamada "Pulsar" emite um raio cósmico que por um acaso atinge um dos andróides-coelho do batalhão de guarda do planeta Cenourano, o qual sofre uma estranha mutação, repentinamente ele parece adquirir vontade própria, a expressar emoções, e de primeira fica confuso... Após isso somos levados para a terra, para o quarto do cebolinha, que ainda dormia quando um objeto estranho cai do espaço com um estrondo daqueles, chamando a atenção de toda a turminha. Pra averiguar a situação, os quatro resolvem ir até o local da queda, onde descobrem um pacote de presente que contém, nada mais, nada menos que um coelho robô dentro!
Recentemente, o longa ganhou uma saga do mangá "Turma da Mônica Jovem" baseado na sua história, que é completamente genial, eu adorei! Ganhou um brilho extra todo especial e passou a se chamar "O Brilho de Um Pulsar", foi dividido em 3 partes e é todo trabalhado na "Science Fiction", com design futurístico e ação do começo ao fim, particularmente é uma das únicas sagas do mangá que me agradaram, a segunda foi aquela que retratava a Mônica como Alice no País das Maravilhas, que eu achei muito inteligente. Mas o que mais me atraiu na história foi o design do "Robozinho", que agora virou um Robozão, isso sim! Particularmente falando, eu sou muito atraído pelo visual, às vezes mais do que pelo enredo (foi por esse e outros motivos que eu escolhi cursar Design na faculdade!), e a história do mangá não deixa a desejar em ambos! Segue aí abaixo uns prints que eu tirei do design novo do "Robozinho", é de encher os olhos!
sábado, 8 de janeiro de 2011
A Nave Mãe Faz Contato!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011
The Big Machine 3 - Apocalipse 3

- Senhor! Senhor! Precisamos de você na sala de controle! Urgentemente!
O Coronel bufou e virou-se para seus três subordinados que o esperavam em continência.
- O que houve agora?! – fez ele, levando a mão à testa. Os soldados descansaram.
- Nossos computadores estão sofrendo tentativas de invasão uma atrás da outra! Não sabemos mais o que fazer! – exclamou um soldado, preocupadíssimo. Aquilo nunca havia acontecido em toda a história da base secreta. O Coronel levou um susto e largou suas malas no chão da pista de pouso. Aquilo era impossível! Correu com seus soldados em direção ao prédio oculto no meio da mata, camuflado pela vegetação propositalmente para que parecesse uma base abandonada. Mal os desavisados sabiam que ali funcionava na verdade um centro de controle tecnológico altamente avançado do exército, que monitorava a entrada e saída de dados pela internet. Aquela era somente uma das quatro bases de supercomputadores existentes no país, que além de vigiar a internet, tinha como principal função controlar o arsenal via-satélite e testar projetos robóticos secretos, armas de última geração. O Brasil era um país de grandes segredos.
- Mas isto é impossível! Impossível! – berrava o Coronel, deixando os controladores do computador mais nervosos ainda. – nossos computadores são invisíveis! Eles têm a sua própria rede de comunicação, estão fora da internet! Como alguém localizou a central da base?! Nossa tecnologia de segurança é muito avançada! É americana!
- Nós não fazemos ideia, Senhor! – fez uma mulher, retirando seus fones enormes da cabeça, era a comandante da sala de controle. – o hacker localizou a central de alguma forma e está tentando invadir o sistema central!
- Isso é incompetência sua! Sua! – berrou o Coronel – se você administrasse essa sala direito nada disso estaria acontecendo! Se eles invadirem a nossa central, estarão em poder de todos os nossos arquivos secretos, nossas experiências e o pior de tudo! Poderão assumir o controle do nosso armamento, dos mísseis, dos tanques, dos caças! E até mesmo de armas muito mais perigosas! Sabe o que “armas muito mais perigosas” quer dizer, Comandante?! Você sabe?!
A mulher retirou seus óculos.
- É tempo suficiente para armar o plano perfeito e burlar a segurança da galeria, Tifa – disse Maxine, iluminada pela luz azul fantasmagórica do holograma que mostrava a foto atual de Robert, dez anos mais velho, retirada da transmissão ao vivo vista naquela manhã por Fernando. A sala de reuniões nunca esteve tão sombria – vocês acham que ele está tentando reviver de alguma forma a Alberta?
- Seria muita fantasia achar que ele tem a tecnologia suficiente para acordar um cérebro artificial tão complexo quanto aquele... – fez Gabrielle. – mas e se ele tiver?
- Esse é o X da questão... – Miguel resolveu entrar na conversa, ele que estivera escondido nas trevas apenas ouvindo, agora dava palpites naquela situação complicada – a cidade tem mais de um milhão de câmeras espalhadas por aí, e nenhuma delas captou a imagem dele de ontem para hoje, e ele não pode simplesmente ter desaparecido!
- Até as ruínas de Macapá já foram vasculhadas... – disse Tifa, outra vez. – nada foi encontrado...
- A única atividade suspeita que o sistema de segurança captou de ontem para hoje foi uma estranha atividade elétrica do lado de fora da cidade, no deserto, e nada mais do que isso... Apenas o tempo inconstante desse mundo estranho... – Maxine estava cansada e suja, queria muito ir para casa, pegar Kátia nos braços e tomar um bom banho. Da última geração de Apocalípticos, ela e Fernando foram os únicos que tiveram filhos. Tifa e Miguel se casaram recentemente, mas não planejavam crianças tão cedo, e Gabrielle ganhava a vida como apresentadora de televisão e cantora de Jazz. A vida simples que eles levavam escondia a verdadeira função dos cinco amigos de infância: guardar o legado do Apocalipse Club e proteger a ESFERA.
Dos Apocalípticos originais, quase nenhum mais estava vivo, exceto por...
- Ingênuos, muito ingênuos vocês estão... – disse uma voz misteriosa. As pesadas portas da sala secreta foram abertas, arrastadas para o lado de forma espectral, como se por atividade paranormal. Mas não, era pura tecnologia. – Robert levou anos para descobrir uma maneira de reviver a sua senhora, e ora, vejam só, ele encontrou!
O holograma que flutuava no centro da sala escura imediatamente mudou do rosto de Robert para a propaganda animada de uma boneca biônica. DeeDee, a maravilha tecnológica que imita as crianças humanas em todos os aspectos. “COMPRE! ADQUIRA AGORA A SUA AMIGA DE INFÂNCIA! VOCÊ, CRIANÇA SOLITÁRIA QUE PRECISA DE AMIGUINHOS DE VERDADE, EIS AQUI A FIEL DEEDEE! SUA AMIGUINHA PRA TODAS AS HORAS!”.
- Esta boneca, meus jovens – disse a voz, retumbando pelas paredes como um trovão – é o que temos de último no quesito tecnologia... Quem é da minha geração e assistiu Chobits sabe do que eu estou falando! A realidade vista nos animes agora caminha ao nosso lado!
- Eu já assisti Chobits! Vovô assistia comigo de madrugada, quando eu não conseguia dormir! – os olhos de Maxine brilharam feito duas estrelas, marejaram ao lembrar-se do doce velho Umbrella, a pessoa que ela mais amava no mundo todo.
Das sombras uma cadeira de rodas altamente aerodinâmica surgiu planando, carregando uma figura enorme e negra de longas barbas prateadas, usando um quimono branco e macio como as nuvens. Era Pietro Heinrich, o último Apocalíptico original vivo. Já não conseguia falar ou mover-se, sua voz era transmitida com a ajuda dos aparelhos embutidos em seu meio de locomoção que captavam suas ondas cerebrais e transmitiam para a área da casa que ele desejasse, através de alto-falantes.
- Vovô! Você está acordado! – exclamou Gabrielle.
- É claro que estou! Eu estava vendo umas coisas... – gaguejou o velho. Hentai, pensou sua neta, e riu por dentro. – mas o fato é que essa boneca tem o sistema operacional compatível com o cérebro artificial que guardava a memória daquele sapatão miserável! O que Robert fez foi sentar e esperar que os cientistas agissem, a paciência é a chave de todos os mistérios, meus jovens... É só ligar A+B: o cérebro foi roubado justamente quando a boneca foi lançada no mercado. É conectar uns cabos e pronto! Alberta está viva outra vez! Eu realmente suponho que ele tenha usado a tempestade de raios para transferir os dados do cérebro para dentro da boneca... É necessário uma descarga elétrica muito alta para ativá-lo...
- Mas isto é terrível, vovô! Se ela está vivendo através dessa boneca agora, quer dizer que em algum lugar de Neon City ela está tramando a sua vingança! – gemeu Gabrielle. A sala pareceu estremecer de pavor, mas eram apenas seus ocupantes, temendo o pior.
- Não seja tola, Gabrielle! – debochou o velho – ela não tem porque ficar aqui! A segurança da ESFERA é avançada demais para ela! Ela tem outro plano, pode ter certeza!
- E o que espera que façamos?! Não podemos ficar sentados esperando! – Miguel deu levantou-se retesado e deu um murro na parede – não vou viver aquele horror de novo! Quase perdi meu irmão!
- Mas terão de sentar e esperar, seus tolos! – o velho aproximou-se mais do holograma que ainda repetia em um loop constante o marketing da boneca perfeita e seu rosto angelical. Ela lembrava alguém... Mas quem? – não se esqueçam, meus jovens, a paciência é a chave para todos os mistérios!

The Big Machine 3 - Apocalipse 2

Neon City, Janeiro de 2067, manhã seguinte ao roubo do cérebro artificial.
- Você viu as manchetes? Estamos em estado de alerta! – disse Fernando, jogando o jornal sobre a mesa, um círculo de vidro azul flutuante. – alguém conseguiu burlar a segurança da galeria 19 bem no dia da visitação... Roubaram o cérebro artificial... – ele sentou-se, deu um beijo na testa da esposa e passou o patê de peito de peru no pão de batata.
- Alguém muito inteligente está por trás disso... – suspirou Maxine, estalando o canto da boca e voltando-se para a grande tela na única parede que separava a cozinha do resto da casa. – não estamos lidando com um crime de última hora. Esta ação foi premeditada, com certeza.
- Alguém de dentro, alguém da equipe da segurança fez parte do esquema... – Fernando mordeu com vontade o seu pão.
- Não, era mais de uma pessoa, com certeza – Maxine trocava de canal na televisão holográfica com um simples abano para o lado da sua mão. O roubo da história estava em todos os canais. – um crime assim não é cometido por só uma pessoa...
- E isso fez a ESFERA mudar seu parâmetro de segurança outra vez! – Fernando revirou os olhos – na hora em que ocorreu o roubo, praticamente 80% da equipe humana da segurança da galeria foi substituída por robôs de imediato, demissão em massa... Mais gente pra trabalhar nos super mercados e na coleta de lixo!
- É o que acontece quando não se dá a devida atenção a algo realmente sério... Não sei o que esse cérebro estava fazendo no museu! Tinha de estar no cofre central da sala de controle da ESFERA! É capaz de a galeria ser fechada...
- Bem capaz...
- MAMÃE! MAMÃE! OLHA O QUE EU DESENHEI! – Kátia surgiu correndo, aos berros, bracinhos para o ar, seu vestidinho branco sujo de tinta. Maxine jamais o poria para lavar.
- Que lindo, minha filha! O que é isso? – ela tomou com delicadeza o desenho das mãos da criança e mostrou-o para o pai. Ambos franziram as testas.
- Eu não sei, mamãe! Eu sonhei com isso! – Kátia era hiperativa, pulava sem parar, o tempo inteiro, o cabelo sempre bagunçado.
O desenho feito à tinta com a ponta dos dedos mostrava claramente um triângulo no centro de um círculo. As três faces do triângulo possuíam traços retilíneos saindo em paralelo, para fora da figura. Maxine ficou séria, e Fernando também. Ambos haviam sonhado com a mesma coisa uma noite antes.
- Espera! Espera! – Fernando levantou-se da cadeira de sobressalto e pausou a transmissão televisiva com um simples gesto de pare, com a palma da mão aberta em direção ao holograma. – olhe Maxine! Você o reconhece?! – ele apontava para um ponto escuro ao fundo da repórter, distante, próximo as vitrines das armaduras robóticas em exibição no museu.
- ROBERT! – exclamou o casal em uníssono. A pequena Kátia iniciou uma série de pulos enquanto gritava aquele nome. Havia aprendido uma nova palavra.
- Aproximar! – a ordem dada ao holograma por Maxine deu um zoom na imagem. Suas suspeitas haviam sido confirmadas. Aqueles cabelos escuros, cacheados, o olhar duro e frio de lutador e as sobrancelhas juntas acusavam a verdadeira identidade daquele rosto envelhecido e cheio de cicatrizes. Tratava-se de ninguém menos que Robert, o capataz desaparecido de Alberta Veronese. Um perigoso foragido da justiça.
- Velma, Velminha... – disse uma voz sonora. – venha cá, meu anjo, deixe-me te dar um abraço!
- Quem está aí?! – chorou a criança.
- Sou eu, querida... – uma boneca surgiu do escuro. Estranho. Aquela era a boneca que sua mãe havia lhe dado de presente no começo do ano. Porque ela estava falando? Seria a ação de algum fantasma? Velma deu um gritinho e tapou a boca com a mão, seus óculos escorregaram para debaixo da cama e ela não pode ver a figura loira do brinquedo, repentinamente espectral. – que malvados os seus amigos foram, meu anjo, que malvados eles foram com você! Feriram seus sentimentos, agrediram seu coração e sua alminha! Em seu lugar eu estaria com muito ódio também...
- Eu estou com ódio! Muito ódio! Eu quero acabar com todos eles! – ela mordeu o punho com força.
- Não faça isso, não se fira, coração! – exclamou a voz, robótica, como se distante, vinda de um gravador ou de uma transmissão cuja fonte estava a anos-luz de distância. – guarde sua raiva para eles, guarde todo o seu ódio para eles, que preferiram acreditar numa desconhecida a acreditar em você! Que eles conhecem há tanto tempo!
- Sim! Sim! – ela engatinhou até a boneca a abraçou-a, hipnotizada – como eles puderam acreditar na Miranda?! Como?! Foi para ela que eu menti, eu não menti para nenhum deles! Todos sabem que eu amo a Guta e só ela! Só ela! Porque eles se meteram? Por quê?! Eu nunca amei Miranda alguma... – a garota soluçava.
- Faça exatamente o que fizeram contra você, meu bem! Fogo contra fogo! Junte seu exército também! Não fique indefesa, nesse canto escuro! Lute! Lute! Mostre quem você é! Eles não são mais seus amigos agora! São pessoas más! Merecem ser punidas!
- Tem razão... – Velma limpou suas lágrimas e ergueu o queixo. A luz da tela do notebook ainda iluminando seu rosto, causando um reflexo branco fantasmagórico nele. – eles merecem ser punidos!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
The Big Machine 3 - Apocalipse 1

- Eis aqui, diante dos senhores, o único HD existente no mundo inteiro capaz de imitar o cérebro humano! – exclamou o homem, abrindo as cortinas de uma das vitrines do Museu de Tecnologias de Neon City, na galeria subterrânea 19. Uma das primeiras naqueles labirintos infinitos que escondem o núcleo do cérebro mais inteligente do mundo. – estejam cientes de que, em complexidade de sistema de armazenamento de dados, ele só perde para a própria ESFERA, que é a junção final do cérebro humano com o cérebro da máquina!
- Então do que isto se trata, senhor?! – perguntou uma garotinha, filha de um dos cidadãos pacatos e seguidores da lei de Neon City, escolhida como acompanhante pelo seu pai, privilegiado numa promoção que levaria os primeiros doze civis a verem de perto as grandes maravilhas tecnológicas guardadas a sete chaves pelo sistema de segurança mundial.
- Isto aqui, minha jovem – fez, apontando sua bengala prateada para a vidraça – isto aqui é um cérebro computadorizado que imita a complexidade de um cérebro humano! – ele abaixou-se para falar com a pequenina olhando nos olhos, deixando-a mais curiosa, sibilou – dizem as más línguas que o criador desta maravilha ficou louco! Ora vejam só! – e levantou-se outra vez, de braços abertos, arrancando risadinhas nervosas dos 12 sorteados e seus acompanhantes.
- E o que este cérebro contém? Alguma informação sigilosa do governo? – fez uma mulata cheia de ironia por detrás de seu gingado. – algum podre que vocês não querem que os civis saibam?
As risadas foram sinceras agora. Aquilo era pura baboseira, com certeza. O sistema era claro e limpo como água, não havia segredo na gestão da ESFERA, o único sigilo era a verdadeira localização da central, onde Don Hills e seu supercomputador são um só.
- Nada demais, minha jovem, nada demais! – gargalhou o homem. – a memória humana que este cérebro artificial guarda é a memória de Alberta Veronese, e nada mais do que isso!
O público deu um passo para trás. Aquele nome causava arrepios a sua simples menção. Alberta Veronese era sinônimo de condenação, de transgressão, de perigo. A velha cowgirl lésbica havia conseguido o que queria: entrar para história. Não como imperatriz mundial, mas como a primeira grande vilã da Nova Era de paz e harmonia entre homem e máquina.
- Ora, não sejam tolos, meus jovens! – riu o homem, abrindo os braços mais uma vez. Parecia realmente gostar daquele movimento. – sem um corpo, um cérebro é inofensivo, ainda mais um cérebro artificial, congelado no tempo, sem atividade ou impulsos elétricos que o façam raciocinar! A central de tecnologias inovadoras precisava de alguma memória humana para fazer o teste, e a única que tínhamos disponível há dez anos, autorizada pelo conselho, era a de Alberta Veronese...
- Você quer dizer que aí dentro estão todas as lembranças dela? Todo o seu intelecto? – perguntou um gorducho curioso.
- Sim, é claro! – ele ajeitou a cartola e indicou um grande domo de vidro no centro da galeria – agora, seguiremos para a próxima atração: a grande Máquina do Tempo! Quem quer ser o voluntário?!
As crianças foram as primeiras a levantarem suas mãozinhas. Os adultos começaram a rir e a cochichar, os homens puxando seus bigodes pontudos e as mulheres piscando seus cílios coloridos ultra-longos. O século era futurístico, mas as pessoas andavam fantasiadas como na era medieval, agora mais bufantes e mais coloridas com a ajuda do neon e do holograma, dos designes futurísticos e aerodinâmicos, a moda era se exibir. Mas o burburinho foi quebrado de supetão por um apagão repentino que arrancou gritos do público. Neon City nunca apagava, aquilo era um mau sinal. A última vez em que Neon City apagou, uma velha megalomaníaca tentou se tornar imperatriz.
- Acalmem-se, acalmem-se senhores! – pediu o guia, nervoso – aqui nas galerias subterrâneas é comum a oscilação da energia! A superfície consome muita energia solar e...
- Senhor... – o vigia chamou-o, em particular, surpreendendo-o – senhor, alguém desligou a energia direto na sala de controle da galeria.
- Como assim?! Impossível! A segurança naquela área é máxima e...
De repente, outra surpresa, as luzes se acenderam repentinamente, aliviando os ânimos dos visitantes.
- Viram só?! Eu disse que era comum! Eu disse! Isto é corriqueiro...
- PESSOAL, VEJAM SÓ ISSO! – gritou a garotinha curiosa, apontando para a vitrine que protegia o cérebro artificial guardião da memória de Alberta Veronese.
A vidraça havia sido cortada num pequeno círculo profissional, provavelmente com a ajuda de algum aparelho potente, pois o material da vidraça era manipulado em laboratório para ser mais espesso que o mais denso metal. O círculo era pequeno o bastante para que alguém simplesmente esticasse a mão pelo buraco e pegasse o cérebro com facilidade. Mais fácil ainda era roubá-lo sem a presença da eletrosfera e do campo antigravitacional que o protegia. O pânico foi geral.
- FOI ROUBADO! ROUBADO! O CÉREBRO ARTIFICIAL FOI ROUBADO!
- Eu preciso de um tempo para pensar numas coisas, tudo bem, Velma? – respondeu o rapaz.
A garota largou seu pescoço e deu-lhe as costas, fria como gelo. Sem sequer protestar, reclamar, perguntar o porquê daquilo, perguntar por que o seu melhor amigo estava lhe dando as costas naquele momento. No fundo ela sabia o que fizera, sabia, mas não admitia. Os olhos de Christopher Umbrella acompanharam a jovenzinha minúscula até o que se tornaria futuramente o seu novo grupo de amigos, os esportistas, os populares, os inteligentes da sala de aula que tinham seus nomes sempre expostos no mural a cada final de semestre. Seus olhares eram ameaçadores, reprovadores.
- Não acredito que ela foi capaz disso tudo! Ela parece tão meiga, cara, tão fofa! – Christopher ainda estava aturdido com aquela situação.
- Justamente por isso que ela fez o que fez – grunhiu Augusta. – com aquela carinha dela, quem não acreditaria no que ela diz?!
- As coisas mudam do dia pra noite, não é? – fez Ray Ann, levando um pedaço do bolo de chocolate à base de milharina para dentro de sua boca faminta – ela era tão nossa amiga... – disse, de boca cheia.
- ERA, no passado... Ela não passa de uma mentirosa! – acusou Pietro, de nariz em pé e braços cruzados.
Fábia continuava pulando entre seus amigos do primeiro ano, balançando seus seios fartos pra lá pra cá. Christopher a invejava de certo modo, despreocupada e inatingível, de paz com o mundo e com a vida, neutra. Fábia nunca costumava se meter nessas brigas, mas Chris não, ele tinha um quê de senso de justiça que apitava em situações como aquelas. A hora do intervalo sempre era um banquete para aquelas intrigas escolares: olhares sugestivos sendo trocados, ouvidos atentos para as fofocas, gente louca para ver o circo em chamas. Alguém derramou refrigerante na escada. Tudo estava prestes a mudar. Para sempre.

sábado, 1 de janeiro de 2011
The Big Machine 3 - Prólogo dos Apocalipses

O infinito é permeado de possibilidades, de alternativas, de alternâncias e de suposições... E se? Essa pergunta assola a humanidade há muitas e muitas eras, uma pergunta que transcendeu séculos e nos trouxe a possibilidade de pensar, de raciocinar, de escolher. Mas e quando o “E se?” se torna realidade? Nas páginas de livros, nas páginas da internet, na tela da TV, na tela do cinema, as possibilidades se tornam reais, criam vida e dançam ao nosso redor, nos fazendo refletir e chegar ao nosso próprio “E se?”.
Nosso universo não é único, o infinito é permeado de outros universos idênticos ao nosso em alguns aspectos, mas muito diferentes em outros. Ele funciona exatamente como quando se coloca um espelho diante do outro, gerando suas próprias imagens milhares de vezes, sem um fim determinado, a diferença, no caso dos espelhos, é que as imagens são idênticas às originais. Porém com os universos acontece algo de muito especial, cada um deles possui a sua particularidade, a sua característica, a sua possibilidade.
Possibilidade... O que é possível? Quem pode me dizer o que não é possível? O que é permitido pelas leis da lógica, do raciocínio? Há coisas entre o céu e a terra que nenhum de nós pode explicar, e que aqueles que sabem usar o cérebro da melhor forma tentam explicar, mas o que irá acontecer com estes cinco adolescentes daqui pra frente jamais pode ser explicado ou sequer imaginado por qualquer criatura viva em qualquer um dos mundos que permeiam o infinito...
Nossa história se alterna entre vários universos diferentes, mundos tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos, realidades alternativas geradas pelas possibilidades existentes no infinito, sendo o nosso o principal, o universo original, sim, o nosso próprio mundo. Mundo este onde eu e você vivemos e respiramos, onde fazemos a nossa história e existimos como seres físicos, pensantes e atuantes no espaço ao nosso redor.
Este é o mundo onde o Apocalipse Club, o estranho grupo composto por Christopher Umbrella, Augusta Montgomery, Ray Ann, Pietro Heinrich e Fábia Paola, é apenas um inofensivo grupinho de garotos diferentes, um tanto frustrados e bem esquisitos, às vezes tachados de fracassados, fãs de ficção científica e levemente antissociais. Aqui neste mundo eles não lutam contra impérios de máquinas inteligentes ou são tão idosos a ponto de terem netos espertos o bastante para derrotar uma velha companheira de sala de aula que quer dominar o mundo.
Não, aqui eles são apenas eles mesmos, vivendo suas vidas e lutando para passar de ano com suas notas baixíssimas nas matérias de cálculo... Porém o que está prestes a acontecer irá mudar para sempre a concepção de mundo destes cinco jovens, porque a nossa história começa na última realidade por nós visitada... A Grande Revolução está chegando!
Goldfrapp - Strict Machine
Adeus Ano Novo, Feliz Ano Velho







