
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Às vezes assusta...

The Big Machine II - Parte 6
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- Max, você está louca! – disse o pai.
- Deixem a menina falar! – gritou o avô – vão para o quarto, meninos! Vão! – ele sacudia o DiscoStick cintilante para os irmãos mais novos de Maxine, ordenando que subissem e ficassem lá em cima. A garota se derramava em lágrimas no colo do velho. – agora conte para o vovô, o que você viu? – fez Christopher Umbrella, doce e calmo, apaziguando o coração da jovem.
- Era terrível, vovô! Terrível! Terrível!
- A Tifa chegou a ver isso? – perguntou o velho, sério. Seu rosto cheio de rugas iluminado pelo brilho que emanava dos cristais na ponta da sua bengala, um DiscoStick como o da cantora vanguardista Lady GaGa, viva até os dias atuais através de aparelhos sofisticados que proporcionam-lhe o poder da fala e dos movimentos através de braços e pernas artificiais. Vez ou outra ela solta uma das suas pérolas, e continua compondo para quase todos os cantores conhecidos da década de 50 do século XXI, é como um Guru da Pop Music.
- Não, não deixei que ela visse, mandei ela correr!
- Alguém viu vocês?
- Não, não sei... As câmeras, talvez... Sei lá! – ela voltou a enterrar seu rosto no colo do avô.
- Havia mulheres penduradas como frangos... mesmo?! – gaguejou Dominick. Stéphanie lhe deu um tapinha na nuca.
- Não seja tolo, Dominick! Não está vendo que ela só está impressionada?! É o que eu sempre digo! Hoje em dia o sistema alivia muito pra esses meninos! – e a mãe de Maxine iniciou seu discurso rotineiro, dando voltas pela sala – no meu tempo havia guerra civil, assassinato em massa, homicídios planejados a sangue frio, tráfico de drogas, gangues...! Eu cheguei a contar pra você, Max, das favelas no Rio de Janeiro?! Das baixadas de Macapá?! Das facadas diárias e dos corpos que vez ou outra encontravam por aí?!
- Pare com isso, Stéphanie, sua tola! Você nem é desse tempo, sua estúpida! – ralhou o velho, eticando-lhe o brilhoso DiscoStick no meio da cara. – eu que vi tudo isso pela TV no meu tempo não fico fazendo pressão psicológica na menina! E você que só soube dessas coisas porque a Augusta te contou, fica falando besteira! Você é igualzinha à sua avó Misty, aquela velha hipócrita!
- Olha lá como você fala comigo! Seu velho! – ela abaixou o cajado com violência. – não mexa com a minha família!
- Não sei como uma mulher tão boa como a Augusta foi ter uma filha como você! – o velho mantinha sua vara psicodélica esticada em direção ao rosto da mulher, com o nariz em riste e os olhos julgadores, carregados pela idade e pela sabedoria. E então voltou-se para a pequena Maxine.
- Conte-me, meu anjo, o que você viu lá?
À meia luz daquela sombria sala de tempos remotos, Maxine iniciou seu relato.
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As luzes do laboratório foram ligadas, e 21km de extensão de túneis circulares acenderam como um aro subterrâneo resplandecente. A equipe técnica estava por toda a parte.
- Qual o diagnóstico? – perguntou Mariana, com a prancheta em mãos.
- Na verdade, não é nenhum milagre que este lugar e toda a parafernália nele contida estejam intactos, Senhora Hesketh. – começou o chefe de exploração. A caneta de Mariana fuzilava o papel – foi uma estrutura de milhões investidos, é um verdadeiro abrigo anti-nuclear! Temos 90% desses 21km de tecnologia em perfeito estado, mas vamos ter de fazer algumas substituições de peças e viemos preparados para isso, fique tranquila.
- Acho melhor você me tranqüilizar mesmo. Aquela mulher lá em cima tá que não se agüenta, ela quer ver essa coisa ligada até o final dessa semana... – Mariana suspirou.
- Não se preocupe, Senhora Hesketh, ela o terá sem dúvidas!
- E quanto tempo vai demorar esses reparos?
- Um ou dois dias, talvez, dependendo do desempenho dos robôs que trouxemos...
- Então, quer dizer que se os robôs executarem a tarefa melhor do que o esperado, podemos ter tudo pronto amanhã?
- É uma possibilidade, minha senhora.
- Quero essas máquinas ligadas já! – e virou as costas.
O homem arregalou os olhos.
- Mas, Senhora Mariana! Não podemos fazer isso! Os técnicos ainda estão terminando a análise, o diagnóstico vai demorar talvez a semana inteira! É uma máquina gigantesca, temos muito ainda que olhar!
- Então apressem-se, se ainda quiserem a cabeça sobre o pescoço. – disse Mariana, fria, olhando de cima. Deu as costas ao homem que tinha as duas mãos no pescoço, prevendo um final trágico para sua equipe e para si próprio.
- Não era coisa da minha imaginação! Não era! Será que ninguém me escuta?!
- Maxine, pra ser sincera, acho que você está ficando maluca! – Gabrielle fazia o estilo retrô naquela manhã, usando franjinha curta sobre os olhos, cabelos compridos, calça apertada, salto alto e jaqueta de couro coberta de cristais. Os corredores daquela área da escola eram sempre vazios. O colégio em forma de disco ficava no alto do edifício mais alto de neon city, com vista panorâmica para toda a cidade, sempre girando a 2km/h, proporcionava uma visão ampla e mutável das paisagens exuberantes da selva de neon, agora uma selva de concreto e metal: era dia e toda a iluminação artificial estava apagada, a luz usada nos prédios era totalmente natural. Projetados com tetos e enormes fachadas de vidro, os edifícios e construções daqueles tempos visavam a sustentabilidade, a economia e a preservação das matrizes energéticas. A escola não fugia a esses padrões.
- Porque será que ninguém acredita em mim?! – Maxine chutou a parede. – eu juro que eu vi! A Tifa estava comigo, ela entrou lá! – a garota apontava para a amiga que olhava o céu, distraída e sonhadora enquanto chupava seu costumeiro pirulito azul.
- Sim, mas você me mandou correr depois que ficou pálida feito uma múmia – respondeu.
- Vocês querem uma prova? Então vocês a terão! Venham todos comigo após a aula, vou mostrar pra vocês que o que eu estou falando é verdade!
- Vamos ser pegos, com toda a certeza – pronunciou-se Fernando, soltando uma baforada do seu cigarro eletrônico. – o sistema não tem falhas, Max, se vocês entraram naquele lugar era porque alguém queria que vocês vissem algo. As câmeras teriam dado o alarme.
- Sei lá, ainda acho que as duas estão piradas, essa história está muito mal contada! – dessa vez foi Miguel a se pronunciar. – eu voto por irmos todos lá depois da aula.
- Sabe que não posso ir, tenho supletivo e vou ficar por aqui até as nove da noite – afirmou Fernando, o único dali que cursava o terceiro ano. Gabrielle estava no segundo juntamente com Maxine enquanto Tifa fazia o primeiro ano ao lado de Miguel.
- Então você que fique!
Dito e feito: sete da noite estavam todos usando seus chapéus de caubói, dando voltas por dentro do Shopping Center da comida, se divertindo com os robôs em forma de vaca que passeavam pelo local cantando uma bela canção e tirando fotos dos visitantes, comendo amostras grátis até enjoar e tentando a sorte no disputadíssimo touro mecânico. Primeiro foi Fernando, que conseguiu fugir do supletivo. mas acabou caindo de cara após três segundos em cima do touro...
- Vai Gabi! Vai! Você consegue! – gritava a torcida organizada. Gabrielle lutava contra a criatura de metal ferozmente, com toda a garra que a raça negra sempre teve, girando seu chapéu no ar e gargalhando alto. Ao final da sessão, seu recorde foi sete minutos em cima do touro mecânico.
- Parabéns menina, você tem espírito de vaqueira! – cumprimentou um dos funcionários.
- Meu avô tinha um sítio antes de tudo virar um deserto, acho que herdei dele o sangue de fazendeira!
A turma seguiu caminho rindo alto. Apenas Maxine fazia cara feia pra todo mundo. Eles estavam fugindo do foco, se perdendo do objetivo.
- Max, ajeita essa cara, por favor, você está estragando o passeio – Fernando segurou o queixo da garota. Ela afastou sua mão.
- Nós não viemos aqui a passeio, Fernando, você sabe muito bem!
Uma funcionária passou oferecendo espetinhos de carne. Miguel estendeu a mão.
- Eu se fosse você não comeria isso! – fez Max, apontando para a bandeja. A loira continuou sorrindo.
- E porque não, senhorita? È carne de alta qualidade feita nos laboratórios da Fazendinha da Tia Alberta, especialmente para vocês.
Gabrielle meteu a mão num dos espetos e mordeu com vontade a carne.
- Vocês não sabem do que isso é feito, vocês não sabem de que é essa carne, ou de QUEM.
Fernando começou a ficar sem graça.
- Me desculpe, moça... – fez, arrastando Maxine para uma conversa particular. – o que você está pensando?!
- VENHA COMIGO! – foi sua vez de arrastá-lo. – esperem aí, vocês! Nós já voltamos!
- Ah, não mesmo! – Gabrielle foi logo atrás. Sobraram Miguel e Tifa que logo se entretiveram numa sala de jogos. – eu também quero ver essa parada aí, não me deixem pra trás!
Encabeçado por Maxine, o grupo chegou a sessão de gelados logo em seguida, e para surpresa de todos, a porta estava interditada e guardada por dois seguranças robóticos. Maxine gelou dos pés à cabeça.
- Rápido, disfarcem!
Os três pegaram produtos das prateleiras e começaram a analisar em grupo. Os guardas de metal estavam ali, parados, com cara de pateta, mas estavam muito atentos a tudo o que estava acontecendo ao redor, e estavam de olho nos três suspeitos que conversavam ao lado da geladeira de iogurtes.
- Será que eles descobriram a nossa invasão?! – Max suava frio – não é possível! Ali não tem câmeras!
- Alguém deve ter visto vocês entrando lá ontem né – sussurrou Gabrielle – vocês duas são muitíssimo discretas, com toda a certeza – fez, sarcástica.
- Não enche o saco, Gabi, a coisa é séria. Se tem guardas reparando a entrada do frigorífico um dia depois que nós invadimos o lugar, é porque o que eu vi era real!
- Ou talvez eles estejam apenas tentando reparar uma falha de segurança, Max!
Os imponentes robôs-segurança com cabeça de vaca e cara de cavalo deram um passo à frente, dando um susto e tanto no trio. Gabrielle caiu sentada. Os olhos de brilho verde das máquinas mudaram para o vermelho. O robô com cabeça de vaca pronunciou-se:
- Maxine Fernandes, por favor, nos acompanhe!
Os garotos em desespero tentaram fuga, mas para cada um que tentou correr, outros pequenos robôs que imitavam cabritos fecharam seu caminho. Os dois maiores pegaram Maxine pelos braços e arrastaram-na para dentro do frigorífico, agora com a porta aberta. Os outros robôs menores agarraram Fernando e Gabrielle, levando-os para o escuro do depósito gelado logo em seguida. Os três gritavam, esperneavam, chamavam por socorro, tentavam apoio nas prateleiras e em tudo o que houvesse pelo caminho onde eles pudessem segurar, mas de nada adiantava, o mercado pareceu vazio e sem vida repentinamente, como se nunca aberto antes, um silêncio mortal imperava na ala dos frios sendo cortado por gritos de socorro.
- Nunca gostei de cabras! Nunca gostei dessas malditas cabras! – Gabrielle tentava se defender com o salto do sapato, inutilmente, o que lhe prendia era de metal reforçado.
Mal sabiam eles, fora tudo planejado. Outros robôs menores interditaram os corredores de aceso à ala de produtos congelados com a falsa afirmação de piso molhado, por isso ninguém os via os ouvia, no resto do prédio a festa rolava solta com música alta e diversão, ninguém jamais os escutaria.
Do lado de dentro do frigorífico, Robert, o capataz de Alberta esperava pelo grupo seqüestrado com um sorriso maligno no rosto oculto por uma cortina de lingüiças penduradas num varal, ladeado por um homem e uma mulher vestidos de branco dos pés à cabeça.
- Você! – gemeu Max, com ódio.
Robert tinha em mãos duas provas do crime, duas provas de que Maxine e Tifa estiveram lá: um pirulito azul dentro de um saco plástico conservante e um fio de cabelo escuro no outro.
- Sua idiota! Olha o que você fez! Você nos trouxe direto para a boca do lobo! – gritou Gabrielle.
- Sua amiga tem toda a razão, Max – riu Robert, sarcástico – você voltou à cena do crime, você voltou direto para a minha boca!
- Você não pode! Você não vai! Eles vão sentir a nossa falta! Vamos ser dados como desaparecidos! Eles vão nos procurar em todo o lugar! Você e a sua Alberta estão perdidos se não nos deixarem sair daqui!
Robert gargalhou alto, sua voz retumbando feito trovão pelos quatro cantos do galpão gelado.
- Tola! Você é uma tola! Assim que você virar carne e estiver nas prateleiras desse super mercado, todos os seus registros e o dos seus amiguinhos aqui serão apagados da ESFERA, será como se vocês nunca tivessem existido!
- Eu vou acabar com você! – Fernando lutava contra os braços mecânicos que o prendiam, se contorcia feito um animal capturado, violentamente, chutava e socava, sem obter efeito algum. A cabra que o segurava forte torceu seu braço e o fez gritar de dor, isso foi o bastante para fazê-lo parar. Gabrielle estava chocada demais para fazer alguma coisa, parecia tão robótica quanto a máquina que a prendia.
Os olhos de Maxine saltaram, seu grito sofrido cortou o mundo naquele momento, mas a música era alta demais para que alguém pudesse ouvi-la.
The Big Machine II - Parte 5
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A velha largou a bandeja na mesa e colocou as mãos na cintura. Os adolescentes, netos de seus amigos de escola atacaram os quitutes na mesma hora.
- Mas ela vai me receber! Ela vai receber a todos nós! – Maxine foi a única que não levou o doce à boca. – ou eu não me chamo Maxine Fernandes! – deu um soco na mesa.
- Quebra essa mesa, sua moleca, que teu avô vai pagar! – vovó Augusta era mãe de Stéphanie, e era uma senhora de idade muito comum para aqueles tempos. Tinha algumas tatuagens nos braços, gostava de andar sempre maquiada e de cabelo feito, tingido de preto, as unhas sempre pintadas numa cor diferente a cada dia, era uma velha e tanto. Gostava de cozinhar às vezes. Nas raras vezes que a jovem Maxine a visitava.
- Desculpa vovó – Maxine recolheu as mãos para o colo e deu uma risadinha amarela.
- E vovó nada, pode me chamar de Guta, eu já disse! – ela ajeitou a franja. – assim você me faz sentir velha demais. E eu sou macaca do rabo pelado, mas nem tanto...
- Dona Guta, é verdade que você chegou a fazer colegial com a velha Alberta e o braço direito dela, a Miranda Hesketh? – Gabrielle levantou-se e encostou-se na parede, com as mãos nos bolsos. O cachorro continuava pulando na sua perna. Um cachorro biônico que tinha função de alarme contra assalto e incêndios e nas horas vagas servia de aspirador de pó.
- Não só eu fiz como os avôs de todos vocês fizeram! – a velha Augusta fez uma careta e virou-se para a porta da geladeira, espelhada, para dar uma olhada na aparência. Fez uma careta ao lembrar-se da intragável Alberta Veronese em seus tempos de adolescência – mas vocês não têm noção de quem era essa Alberta no colegial! – a velha vaidosa puxou uma cadeira e sentou-se – aquilo era metido à gente que vocês nem imaginam! Tinha o rabo desse tamanho, achava que era a dona do mundo, se achava melhor do que os outros, fazia pouco das pessoas por trás e pros adultos e professores fazia cara de santa com aquele cabelinho loiro enroladinho, aquela vagabunda... E o pior é que a safada era inteligente mesmo, não se podia negar, aquilo era um gênio... Mas um gênio do mal, com certeza – a mulher tomou um gole de chá verde e ofereceu xícaras pro resto do grupo, compenetrado na história. – ela era o tipo de pessoa, o estereótipo que vocês vão encontrar em qualquer escola do mundo! A garota loira, boa moça, inteligente e maligna, o tipo de pior espécie, aquilo que vai longe, sabe? – Augusta deu uma gargalhada – e o pior é que a safada era sapatão, e era hipócrita até o osso, E AI DE QUEM DISSESSE QUE ELA ERA ISSO! – disse, dando voltas com o dedo indicador no ar, fazendo pouco. Suas deslumbrantes argolas verdes sacudindo nas orelhas. Os garotos riram à beça da mulher, ninguém usava aquele termo depreciativo e pejorativo há muito tempo. Vovó Augusta tinha um ar adolescente tão aconchegante que os deixava muito à vontade para fazerem piadas e soltarem gargalhadas. – isso é o mínimo que eu posso adiantar dela, antes de todas as outras coisas. Ela tem algum tipo de síndrome do exclusivismo sabe? Se acha a poderosa. Nunca vai deixar vocês subirem ao escritório dela. Nunca.
Maxine arrastou a cadeira para trás.
- Isso porque ela ainda não me conheceu!
Augusta deu um tapa na mesa e se levantou.
- Ora, Maxine, meu poupe! Está sendo birrenta e mimada, menina! – fez a velha – era só uma boate! Só uma boate! Os pais de vocês têm dinheiro suficiente juntos para abrir outra, e aproveitem que o pagamento mensal da ESFERA está saindo esse final de semana!
- Não era só uma boate, vovó, era o ganha pão de muita gente, desde garçons à dançarinos e funcionários de limpeza, e inclusive o meu! Não parecia, mas eu ganhava pra ser DJ ali, e a senhora não sabe como é difícil hoje em dia arranjar um emprego nessa cidade, os bons cargos foram todos ocupados e a central de empregos computadorizada da ESFERA está mandando um bocado de gente de volta pra casa por falta de vagas todo dia...
- Deixa de besteira, menina! O que mais tem por aí é bar e boate abrindo, vocês encontram outro lugar pra brincar! – Augusta levou mais chá verde à boca.
- E aliás, acho que a empresa dessa mulher já tem prédios demais pela cidade! Já chega de laboratórios – Maxine estava quase ficando sem respostas.
- Isso, chega de laboratórios, com a cidade crescendo tanto, chega de laboratórios que produzem a nossa comida, vamos todos morrer de fome! – Augusta fez uma careta. – é por um bem maior, minha filha, vai por mim.
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- Sabe, Max, acho que sua vovó está certa por um lado – disse Tifa, receosa, enquanto as duas caminhavam à noite para casa. A selva de neon povoada de tantas aberrações culturais nunca esteve tão radiante e colorida como naquela noite. Grupos de dança se apresentavam em plena via pública, artistas sobre pernas robóticas equivalentes às nossas pernas de pau dos dias atuais cuspiam labaredas de fogo, alienígenas de oito braços pintavam telas belíssimas à luz dos grandes prédios resplandecentes enquanto a batida frenética do Dark Disco retumbava nas células do metal, do couro, do vinil e do neon. Mulheres assustadoras desfilavam com sua maquiagem assombrosa e seus penteados insanos por toda a avenida, as lojas de departamentos apinhadas de gente, os shoppings daquela área lotados. Mistura maluca de Tóquio, Nova York e Índia.
- Acha mesmo que eu estou sendo infantil, Tifa? – apesar de toda a animação da Warhol’s Square, Maxine caminhava de cabeça baixa.
- Um pouco, na verdade... Existem um milhão de boates por aí, vamos arranjar um point novo, eu tenho certeza...
- Mas a Octopus era... a Octopus! – Maxine bateu com o pé no chão e olhou para cima. O prédio em forma de seta da “Fazendinha da Tia Alberta INC.” dividia a Warhol’s Square no meio, tendo em seu térreo um hiper mercado com tudo o que se tem direito. Os olhos de Maxine brilharam e ela agarrou o braço branco e gordo da amiga que derrubou seu querido pirulito azul no chão. – vamos, Tifa! Eu não vou ficar aqui zanzando pelas ruas sem fazer nada! Eu simplesmente não suportaria!
- Ei! Meu pirulito! – foi a única coisa que Tifa conseguiu gritar antes de ser arrastada pra dentro do mundo Texano que era o maior mercado do mundo. Aquele monstro fora projetado para ser um parque de diversões alimentícias, com direito a touro mecânico, fazendinha de animais-robôs super realistas, cascata gigante de leite desnatado e chapéu de caubói para os visitantes, sem contar as outras inúmeras atrações do parque e as infinitas opções de produtos para compra e consumo, todas sobre o carimbo tamanho 44 da Cinturão de Ouro. No hall central, uma vaca gigante balançava o rabo, soltava fumaça pelas ventas e mugia de verdade, e Tifa estava sendo arrastada em meio à tudo aquilo como um dos carrinhos de compras em alta velocidade, desgovernadas as duas adolescentes estavam.
- Onde será? Onde será? – Maxine estancou de repente, respirando com dificuldade, apoiou as mãos nos joelhos e abaixou a cabeça, seus cabelos escuros fora de moda grudados na nuca. As duas estavam na sessão de frigoríficos. – Onde está, onde está?!
- O que você está procurando hein?! – Tifa já chupava outro pirulito enquanto olhava as prateleiras térmicas lotadas de frangos assados na hora. Maxine não agüentou, teve de se sentar um instante no chão mesmo.
- A entrada para o depósito do frigorífico! – exclamou ela – todo super mercado tem uma porta escondida para os depósitos, e geralmente ficam perto da área dos congelados ou dos frigoríficos...
- Você é bem observadora hein? – a amiga esticou a mão para ajudar Maxine a levantar. As duas agora estavam de pé, de volta à caça.
- Não falei! Olha lá! – Maxine iniciou outra corrida desembestada, arrastando a pobre amiga de cabelos azuis junto com ela.
- Maxine, calma! Eu vou acabar vomitando meu lanche da tarde todinho!
Entre a sessão dos iogurtes e a sessão de carnes e peixes, Maxine e Tifa encontraram a porta para o freezer do país das maravilhas, e por sorte, sem nenhum funcionário ou cliente à vista para delatá-las. Se fossem pegas no ato, iam passar a noite numa sala de aula aprendendo a respeitar as leis do sistema operacional em prol de uma humanidade mais unida e respeitadora, o que era um saco, pra falar a verdade.
- E agora, qual o plano brilhante? – a voz da gordinha ecoava por entre as prateleiras acinzentadas do mundo gelado. O hálito das duas formava nuvens no ar daquele depósito. – olha só! Sorvete de uva! – Tifa largou o seu pirulito azul para atacar um dos potinhos que estavam dando sopa logo ali ao lado.
- Não toque em nada, Tifa! – Maxine deu um tapa na mão da amiga – Se não, atenderemos por roubo e vamos passar uma semana prestando serviços no jardim de infância da escola!
- Ahá! Eu sabia! Olha só! Outra porta! A porta para os laboratórios!
Aos fundos do galpão, uma porta de saída no canto esquerdo, escondida por uma arara cheia de lingüiças penduradas como casacos sobre a armação de ferro. Maxine hesitou: olhou para trás. Silêncio, frio, gelo e alimentos conservados.
- Vamos, Max, esse lugar me dá arrepios! – Tifa segurou no casaco da amiga. Mas e se por um acaso do outro lado houvesse guardas, seguranças ou funcionários esperando por elas? Como elas iriam lidar com isso? O que iria ser delas? Maxine fechou os olhos, prendeu a respiração e abriu a porta com toda a força. Do outro lado havia apenas um corredor deserto, um corredor redondo esterilizado com cheiro forte de hospital.
- Onde será que isso vai nos levar? – as duas prosseguiram a caminhada pelo sinistro corredor branco, sempre olhando para trás, atentas ao mínimo dos barulhos, pé ante pé, na surdina, sussurrando. Mas mesmo um sussurro ali soava feito trovão no teto côncavo.
- Você está ouvindo isso? – perguntou Tifa, tirando o pirulito da boca.
- O que? – Maxine estancou. Um arrepio lhe subiu a espinha.
- Parecem gritos! – Tifa fez uma careta de pavor e deu meia volta – não vou mais a fundo! Não vou! Vou pra casa porque tá quase na hora da vovó colocar a janta! – Maxine puxou a amiga de volta.
- Volta aqui!
- Eu não! Vai ver eles estão torturando os enxeridos que invadiram os depósitos como castigo! Eu é que não vou ficar pra saber de onde esses gritos estão vindo!
- Temos que ir adiante nisso! Agora a coisa ficou bem séria! – Maxine olhou para trás – temos que saber de onde estão vindo esses gritos e chamar a polícia! Vai ver eles estão fazendo algo fora da lei aqui!
- Não tem como, Max! A empresa da Alberta é um dos braços principais da ESFERA e do sistema dela! Se algo está sendo feito aqui é porque a central deu total permissão, e tenho certeza de que há uma explicação legal e lógica para todos esses...
Um grito feminino cortou o corredor. Até agora o mais alto de todos. As duas tremeram nas bases. Maxine correu em direção ao final do corredor, e ao ver duas sombras se projetando na parede da bifurcação onde o caminho se divide em dois, jogou-se no chão e pregou as costas na parede. Vozes ecoaram ali.
- Eu achei isso abominável! – disse uma voz feminina.
- Era apenas um clone, e defeituoso! Veio com câncer no útero! – explicou a voz masculina.
- Mas trata-se de uma vida, meu caro, uma vida HUMANA! Criada em laboratório, mas humana!
- Você só pode ser nova por essas bandas não é? Honre o seu contrato e fique calada, ou a central manda te matar assim que você sair daqui!
- Está ficando louco?! – a mulher ficou assustada.
- Não, doutora, são como as coisas funcionam. Se Alberta mandou, é porque a ESFERA mandou, e devemos obedecer bem calados.
- E o que acontece com os clones que são jogados aí, nessa sala?
- Você não vai querer saber...
Os passos caminharam pra longe. Maxine olhou para o lado direito. A amiga estava agachada feito uma sapinha ali ao lado.
- Fique aqui! Eu vou ver onde ele jogou o tal clone!
Max levantou-se e caminhou com o coração na mão, a passos lentos e calculados, os olhos do tamanho da lua, o peito quase criando vida própria. Uma porta dupla de metal encerrava o segredo. Estava entreaberta. Seus dedos morenos deslizaram para fora das longas mangas do casaco, tocaram no frio mineral gélido e opaco que refletia uma versão de seu rosto retorcida e mal formada. Os dedos deram o empurrãozinho que faltava para que ela pudesse ver uma multidão de mulheres penduradas de cabeça pra baixo naquele galpão, como frangos prontos para o abate, acorrentadas e amordaçadas, todas com o mesmo rosto de nariz de batata, cabelos loiros encaracolados e olhos quase fechados. Braços mecânicos as manuseavam para cima e para baixo, pendurando-as e desprendendo-as das altas araras para jogá-las em um monstro robótico incinerador ao qual os braços pertenciam. Maxine fechou a porta, virou para a amiga e sussurrou:
- Corra. Corra Agora.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Explicações à parte...
The Big Machine II - Parte 4
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- Porcaria de frio! Porcaria de frio! – exclamava Alberta, passando pasta de cacau nos lábios em curtos intervalos de tempo. – se os idiotas do mundo tivessem dado ouvido aos avisos antes! Agora olhem pra isso! Olhem! “Não, vamos continuar jogando carbono na atmosfera! Estamos lucrando mesmo!” – fez ela, sarcástica – bando de filhos da mãe! Se eles soubessem o quanto é difícil e caro criar comida artificial em laboratório, tinham parado com a porcaria da poluição a tempo!
- Não tem muito o que fazer mesmo, Maxine, fica calma! – Miguel passava suas mãos nas costas da garota, isso costumava acalmá-la um pouco.
Fim da Parte Quatro! (tomara que não fique tão grande quanto o outro ‘-‘)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
The Big Machine II - Parte 3
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Maxine deu um beijo estalado na bochecha do velho.
E eis então as ruas movimentadas de Neon City. As ruas repletas de robôs, repletas de gente, repleta de alienígenas também. Turistas de outras galáxias passando as férias, gente com cabeça de cavalo e gente com cara de peixe. Maquiagens pesadas, acessórios exuberantes, bizarrices do dia-a-dia, anomalias da moda. Roupas gritantes, figurinos berrantes, penteados malucos e impossíveis, era isso do que Neon City era, em base, feita. Ali a festa nunca parava, e nem o trabalho também. Enquanto uns se divertiam outros davam duro na manutenção dos computadores que aquilo tudo controlavam. Maxine ia tranquila em seu patinete motorizado, ornamentado por ela mesma, era coberto por um adesivo especial que tornava sua aparência vítrea, uma caveira coberta de strass descansava grudada no guidão do veículo, fazendo par com o capacete que tinha uma versão deste crânio em menor escala.
Fim da Terceira Parte!
domingo, 4 de julho de 2010
The Big Machine II - Parte 2
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- Opa, Opa! Cuidado com isso aí, Yukari, vai acabar tirando o olho de alguém! – Robert jogou-se no chão ao perceber um braço mecânico descontrolado girando uma broca de diamante em sua direção. Mais à frente, cinco grandes tanques erguidos numa plataforma e alimentados por imensa tubulação continham clones de Alberta flutuando em placentas artificiais. Ela correu até eles e acariciou o vidro.
A Pedra Que Rolou

sábado, 3 de julho de 2010
The Big Machine II - Parte 1!
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A grande fusão cultural de 2012 deu origem a uma geração de seres humanos totalmente evoluídos, todas as culturas e todas as religiões do mundo sofreram uma convergência harmônica que tornou o ser humano mais globalizado e menos individualizado, estabelecendo o verdadeiro significado de cooperação, coletividade e respeito. Surge então a sociedade perfeita, onde crimes são punidos de acordo com o seu grau de gravidade e justamente, onde há realmente direitos iguais para todos.
O mundo sofreu um “boom” cultural e artístico, os jovens da década de 50 do século XXI são influenciados pela cultura do exagero e do exibicionismo da década de 80 do século XX. O dito “glam rock” fundiu-se com o synth-pop, o indie, o Punk e o Dark, dando origem ao estilo de vida (e musical) Dark-Pop, que dita às regras neste não tão distante futuro.
A capital mundial da arte e da cultura, sendo consequentemente o olho industrial do mundo, chama-se NEON CITY, uma cidade que levou 40 anos para se auto-construir a partir dos destroços do Apocalipse Social do final da primeira década do século XXI, atingindo o seu grau de perfeição tendo como base a infraestrutura auto-sustentável perfeitamente calculada pelo cérebro gigante chamado ESFERA em 2050.
Isso tudo só foi possível após a fusão do cérebro humano ao cérebro da máquina, a união do útil ao agradável, uma convergência evolutiva que uniu todo o mundo numa super rede cerebral que interliga a todos por meio de impulsos eletromagnéticos. NEON CITY como o nome já diz, é a cidade de neon, onde todos os prédios, os carros, as casas, os postes e até mesmo as pessoas são cobertas por neon, numa espécie de futurismo absoluto feito de cor e expansão cultural. Nesta cidade repleta de cinemas, teatros, museus, casas noturnas, shoppings e centros culturais é onde nossa história começa...
Selva de Neon. Vinil e couro. Metal por toda a parte, cobrindo os corpos, cobrindo os esqueletos dos carros. Penteados coloridos, cabelos exuberantes, colares exagerados, óculos psicodélicos, piscando suas luzes hipnotizantes sem parar. Eletrônica no último volume, corações faiscantes nas paredes, colunas dóricas e coríntias como em ruína aqui e ali. Dançarinos suados em cima de palcos improvisados. Danças frenéticas e moicanos absurdos.
- Eu simplesmente não acredito! Isso por um acaso é um Rayban Wayfarer?! Que ridículo, ninguém mais usa isso Maxine! – exclamou a garota gordinha de penteado Chanel azul curtíssimo.
- Ninguém usa isso há mais de 40 anos, você quer dizer! – chegou cheia de ginga, do tipo mais estranho, uma garota de gargantilha metálica e jaqueta coberta por pequenos espelhos quadrados que em conjunto formavam uma verdadeira couraça refletora que parecia incendiar juntamente àquela cabeleira vermelha farta da garota. – sério, Maxine, toma cuidado com isso. Além de ser ridículo, também é uma raridade, não se vê um em tão perfeito estado desde 2014, quando sua avó andava em jipes pelo deserto!
Na parede principal da casa noturna Octopus o relógio universal em forma de octágono marcava a data: 17 de Setembro de 2057.
- Fala Gabrielle! – as duas fizeram seu toque particular, choca os cinco de cá e choca os cinco de lá, elas se abraçaram – Vai ver isso vale uma fortuna e eu nem sei! – os olhos castanhos de Maxine iluminaram-se feito duas grandes estrelas apocalípticas num céu escuro. As três amigas viraram suas taças de bebiba fumegante e mostraram a língua gargalhando. Fosforescentes elas estavam agora.
- E a que horas você troca de lugar com o DJ, Maxine? – perguntou a gordinha bebendo mais um pouco do Néctar de Afrodite. Assim era chamada a bebida mais famosa da década de 50 do século XXI.
- Falta meia horinha só... Duas e meia da madrugada eu entro – Maxine vibrou dos pés à cabeça, quase cuspiu a cereja de Afrodite na cara das amigas – vocês não fazem noção do remix que eu fiz pra essa noite! Não fazem mesmo! Eu peguei uma música muito antiga, muito antiga MESMO! Meu avô guarda umas coisas muito tensas na torre lá de casa! Tem um baú cheinho de CDs! Ouviram? CÊ-DÊS!
Gabrielle foi forçada a levantar os seus óculos de arame trançado que imitavam um gradeado de tela para olhar bem na cara da amiga, piscando rapidamente seus cílios postiços gigantescos e azuis que lembravam borboletas fulgurantes.
- Tá de brincadeira?! – fez ela. – eu nunca cheguei a ver um CD na minha vida! O meu avô tem uma porcaria de um computador de HD mole no quartinho dele que só tem músicas em formato MP3, nunca vi um CD!
- E nem vai! Essas relíquias não saem do sótão! – Maxine alisou um dos garçons que passava ali por perto, calça de couro, gravata borboleta, sem blusa, cabelos espetados para trás. – Miguel, querido, vá buscar uma bebida para nós, sim?
O cara bufou, pegou as taças e saiu pisando firme.
- E ajeita essa cara! As clientes não gostam de caras mal-humorados! – gritou Gabrielle, sem olhar pra trás.
- Vai se danar, ô alegoria! – gritou ele de volta. Gabrielle lhe devolveu o dedo do meio bem alto.
- Esse garoto me irrita. – fez.
- Ele é legal, mas não sabe levar as apostas na esportiva – Tifa, a gordinha de Chanel azul deu de ombros. – quem aposta com Maxine Fernandes não tem noção do perigo.
E então houve mais um toque de amigas. As duas deram risadinhas.
- E então, Max, faltam 5 minutos pra você subir na SpaceCowboy... Vai mostrar o tal do remix?
- É claro que vou! Hoje à noite isso aqui vai pegar fogo!
Gabrielle fez um bico e se abanou. As três riram.
Maxine ajeitou-se dentro do vestidinho curtérrimo Giorgio Armani New Generation, prateado, aerodinâmico e todo trabalhado no futurismo, alisou suas botas e escalou a escada na parede que levava à cabine do DJ, para encarar o monstro eletrônico que era a mesa SpaceCowboy. O Pen Drive da garota era sua alma, o que ela tinha de mais importante, era sua essência pura, tudo o que havia de mais importante estava ali. Fotos da família, músicas, vídeos, filmes, livros inteiros, uma biblioteca digital, programas dos mais variados e por último e mais importante, seus remixes. Tudo isso em quase 400 gigas, mal cabia em um terço da palma da sua mão. Um pequeno pingente triangular encaixava perfeitamente nas novas entradas USB da nova era.
- Não acredito! – o queixo de Tifa praticamente caiu. O pirulito azul que ela chupava foi pra dentro da lixeira que estava ao seu pé.
- E eu muito menos! – Gabrielle jogou seu cabelo pro lado – mas é Remedy, da Little Boots! De onde ela desenterrou isso?! O pessoal vai adorar, o povo daqui do Octopus tá numa onda retrô...
A festa rolou madrugada adentro, enquanto o enorme móbile de neon cor-de-rosa em forma de polvo girava vagarosamente esticando seus tentáculos elásticos sobre o público lá embaixo. A psicodélica Octopus era um palácio do qual Maxine Fernandes era a princesa. Ali, e em mais nenhum outro lugar, ela se sentia em casa de verdade...
FIM DA PRIMEIRA PARTE!
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Alguém se lembra?

Momento de Reflexão...

Dear Motherfucker... (continuação)
O terceiro desenho da série mostra uma suposta super modelo que está passando por um período de muitas tribulações em sua vida, aquele período em que parece que nada dá certo, o período em que a nuvem negra fica estancada em cima da cabeça, acho que todos nós temos esses períodos na vida. Esse sem dúvida é o meu favorito da série até agora. Eu meio que me inspirei em duas amigas minhas que sempre andam cheias de problema, e o conselho que eu vivo dando pra elas o tempo todo é: vão procurar Deus, porque a situação de vocês tá complicada. haha. Adoro os adereços desse desenho. O chapéu de diabo que ela está usando, o guarda-chuva ao estilo batman, o crucifixo, as ombreiras, é o tipo de roupa que eu usaria.
Não tenho muito a comentar sobre este desenho. Temos aqui uma coelhinha roqueira hermafrodita e ninfomaníaca, que está em abstinência há algum tempo e está ficando louca. Alguns amigos meus me inspiraram isso. É só o que eu tenho a dizer. hihi.
Dear Motherfucker...


o segundo da série mostra a andróide alienígena BR-156 rendendo um habitante do planeta Ameba. Lê-se os balões na ordem que o mangá japonês segue: direita para a esquerda. Há um duplo sentido na frase do personagem Gota. HIHI. Quem entende inglês sabe do que eu estou falando.
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